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Full text of "Portugal; diccionario historico, chorographico, heraldico, biographico, bibliographico, numismatico e artistico"

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PORTUGAL 



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PORTUGAL 



DIGGIONÃRIO HISTÓRICO, GH0R06RAPHIG0, HERALDIGO, BI06RÂPHIG0, 
BIBLIOGRAPHIGO, NUMISMÁTICO E ARTÍSTICO 

ABRANGENDO 

A minuciosa descripção histórica e chorographica 

de todas as cidades, vilUs o. outras povoações do continente do reino, ilhas e ultramar, 

monumentos f* rdiíicios mais notáveis, tanto anti|;oR como modernos ; 

biographias dos portuj^uezos iihutrrs antigos e contemporâneos, celebres por qualquer titulo, notáveis 

pelas suas mcçOcs ou pelos seus escriptos, 

pelas suas invenções ou descobertas ; bibliographia antiga e moderna ; indicaçSo 

de todos os factos notáveis da historia portugueza, etc, etc. 

OBRA ILLUSTRADA 

COM CENTENARES DE PHOTOQRAVURAS 

B REDIOIOA 

SEGUNDO OS TRABALHOS DOS MAIS NOTÁVEIS ESORIPTORES 

,. 'POR 

ESTEVES PEREIRA e GUILHERME RODRIGUES 



•V^OL- I 




LISBOA 

JOÃO ROMANO TORRES — EDITOR 

82, Rua de D. Pedro V, 88 

líMU 



s/i- 



u 



C-3^3S'IC^Õ 



AO LEITOR 



Se o primeiro livro d'um povo é o diccionario da sua lingua, o segundo deve ser 
o da sua historia. Este é tão essencial como aquelle. Ambos são de uso indispensável 
e quotidiano. 

Porém, juntando á historia a chorographia, que no presente diccionario constitue 
a verdadeira base, mais util ainda será a obra. 

O diccionario histórico Portugal substituo e unifica, com a vantagem da sua 
disposição lexicographica, um avultadissimo numero de publicaçSes das especialidades 
de que trata, cuja consulta, nem sempre fácil, é offerecida ao leitor nos seus tópicos 
mais interessantes. 

Para conseguir este* fim temos envidado os maiores esforços. 

E' certo que um grande numero das imperfeiçSes, que em geral se notam nos 
diccionarios, são especialmente motivadas por uma collaboração variadissima. Os nomes 
dos numerosos collaboradores, embora colhidos d'entre os mais apreciados no meio 
litterario e scientifico, originam umas differenças de opinião, de critério e de methodo, 
que tornam a obra inferior, pelo menos na sua unidade. Não ha direcção que efficazmente 
possa obstar a taes defeitos, porque isso reclama muito tempo, grande cautela, a maior 
at tenção e infinita paciência. E' forçoso fazer as comparações necessárias e «ns mais 
conscienciosas investigaçSes. 

Ko diccionario Portugal procurámos obviar áquelles inconvenientes, confiando-o 
exclusivamente a dois redactores, cujas faculdades de trabalho nos eram bem conhecidas 
e penhor de bom desempenho de tal encsrgo. 

Kâo occultaremos os embaraços com que os operosos redactores do Portugal teem 
luotado desde que annuiram em executar o nosso projecto. Essas difiiculdades são as 
peculiares aos emprehe dimentos congéneres; já esperadas, não causam desfallecimento. 

Dos vastos materiaes aucumulados por tantos e tão notáveis autores, acerca de 
Portugal e seus dominios, extrahiram directamente e com o maior cuidado os dois 
redactores vários artigos do presente volume. Uma tarefa de tal magnitude ttve a 
facilital-a, por um lado os melhores trabalhos similares, sempre com as devidas citações ; 



pelo outro os numerosos estudos históricos, subsidios inéditos e apontamentos dos 
mesmos redactores, colligidos durante alguns annos e que de ha muito nos fizeram 
conhecer a idoneidade de taes cooperadores. 

Quanto ás cousas, homens e instituiçSes modernas, muitas informaçSes se teem 
recebido, solicitadas ou espontâneas, o que tudo prova bem o interesse que a obr.i 
despertou. 

Temos hoje o prazer de apresentar o primeiro volume completo do Portugal 
á apreciação do publico, que em grande parte conhece já a obra pelos fascículos 
distribuidos. Todavia convém declarar que a. não quizémos fazer para eruditos, que 
poucas novidades decerto aqui encontram, mas sim um diccionario, que embora pro- 
priamente de consulta o fosse também de vulgarisação. 

As illnstraçSes dão sem duvida á obra um aspecto novo, suggestivo e pittoresco; 
não as considerámos apenas um attractivo, tendente a tornar agradável a consulta ou a 
leitura; constituem ellas verdadeiros documentos elucidativos do texto. 

Fazendo a edição do presente diccionario julgamos prestar um serviço ao publico, 
que com tanto patriotismo e illustração nos tem coadjuvado. Não nos poupamos a 
esforços para corresponder a esse honroso favor. Oxalá a obra satisfaça ás exigências 
geraes. 



Lisboa, 25 de março de 1904. 



J(»AO Romano Torbes 



ABREVIATURAS 



NSo obstante serem do uso mais vulgar as abreviaturas adoptadas na redacção dos artigos, 
bastando o próprio sentido para claramente as traduzir, aqui fica a sua interpretação para qualquer 
caso duvidoso. * 

Houve sempre em vista não prejudicar a leitura que deve ser correntia, nem difficultar a 
consulta que não admitte abreviaturas subtis. 



A. 


Autor, autora. 


est. tel. 


estação telegraphica. 


AA. 


Autores. 


est. teleph. 


estação telephonica. 


abr. 


abreviado, abreviatura 


etc. 


et coetera. 


AC. 


Antes de Christo. 


ex. 


exemplo, exemplar. 


Acad. R. das Sr. 


Academia Real das Scien- 


Ex.« ou Exc." 


Exce lencia. 




cias. 


Ex."" 


Exccllentissimo. 


adm. 


administração. 


F. ou f. 


Falleceu. 


adv. 


advogado. 


Pai. ou fal. 


Fallecido. 


alm. 


almas. 


fem. 


feminino. 


are. 


arcebispado. 


F.« 


Filho. 


bisp. 


bispado. 


fog. 


fogos, 
folheto. 


C- 


Companhia. 


foL 


cam. 


caminho. 


Fr. 


Frei, frade. 


cap. 


capital. 


freg. freg.* 


freguezia, freguezias. 


cap.o 


capitulo. 


front. 


frontispício. 


c. c. 


centímetro cubico. 


front. grav. 


frontispício gravado. 


chron. 


chronica. 


goth. 


gothico. 


Cod. do Proc. Civ. 


Código do Processo Civil. 


Green. 


grande. 
Greenwich. 


Cod. Com. 


Código Commercial. 


col. 


columna. 


grav. 
hab. 


gravura, 
habitantes. 


com. ^ 


comarca. 


comm. 


commentario. 


hec. ou hect. 


hectares. 


cone. 


concelho. 


ib. ibid. 


ibidem (o mesmo). 


D. 


Dom, Dona. 


Ill.-o 


Illustrissimo. 


dec. 


decimetro. 


Imp. 


Imprensa. 


dicc. 


diccionario 


imp. 


impresso. 


Dicc. Jur. Com. 


Diccionario Jurídico Com- 


in fbl. 


in folio. 




mercial. 


J.C, 


Jesus Christo. 


dir. 


direito. 


Jr. 


Júnior. 


distr. dist. 


districto. 


k. ou kil. 


kilomctros. 


div. 


divisão. 


k2 


kilometros quadrados 


div. mil. 


divisão militar. 


L. 


livro. 


doe. 


documento. 


lat. 


latitude. 


E 


Este ou Leste. 


liv. 


livro. 


eccl. 


ecclesiastico. 


long. 


longitude. 
Lisboa. 


ed. 


edição. 


Lx.- 


Em.- 


Eminência. 


m. 


metros. 


esc 


escola. 


map. 


mappa. 


ESE 


Les-Sueste. 


masc. 


masculino. 


est. 


estampa. 


mil. 


militar. 


est. de cam. de f. 


estação de caminho de ferro. 


Ms. ou ms. 


Manuscripto. 


Mt. post 


estação postal. 


N 


Norte. 



N. ou n. 

Nasc. ou oasc. 

Nat. ou nat. 

N. B. 

NE 

NO 

N.» 

N. S. 

N. S.* 

O 

ob. obr. 

occ. 

pat. ou patriarch. 

pio 

post. 

pov. 

prof. 

prov. 

Publ. 

R. 

R. A. B. A. 

R. A. D. 
R. A. L. 
R. A. M. 

R. A. N. 
R. A. S. 
rec recrut. 
R.do 

rep". 



Nasceu. 






Rei. rei. 


Relação. 


Nascido. 






Rei. do dist 


Relação do districto 


Natural. 






R.mo 


Reverendissimo. 


Nota bene. 






res. 


reserva. 


Nordeste. 






ret. rctr. 


retrato. 


Noroeste. 






RR. 


Réos. 


Numero. 






S • 


Sul. 


Nosso Senhor. 






s. 


São (Santo). 


Nossa Senhora. 






S.A. 


Sua Alteza. 


Oeste. 






SE 


Sueste. 


obra, obras. 






Sen. 


Sénior. 


Occidental. 






S. M. 


Sua Magestadc 


pagina. 






so 


Sudoeste. 


patriarchado. 
Padre. 






Snr. ou Sr. 


Senhor. 






Sr.- 


Senhoria. 


Pêro ou Pedro. 






SS. AA. 


Suas Altezas. 


postal. 






SS. MM. 


Suas Magestades. 


povoação. 






Sup. Tríb. 

Tel. 

teleph. 


Supremo Tribunal. 

Teleeraphica. 

telephonica. 


professor, 
provincia. 






publicou. 






Typ. 


Typographia. 


Réo, ré. 






trad. 


traducção. 


Real Ambulância 


da 


Beira 


Un. 


Universidade. 


Alta. 






V. 


Veja-se, consultc-se. 


Real Ambulância do Douro. 


V.d« 


Visconde. 


Real Ambulância 


de 


Leste. 


V. Ex.- 


Vossa Excellencia. 


Real Ambulância do Minho. 


Vol. vol. 


Volume. 


Real Ambulância do Norte. 


V. M. 


Vossa Magestade. 


Real Ambulância do Sul. 


V. M.cô 


Vossa Mercê. 


recrutamento. 






V. N.- 


Villa Nova. 


Reverendo. 






V. s.* 


Vossa Senhoria. 


regimento. 






&c. 


Et csetera. 



PORTUGAL 



Abaçao ou Abbação. Pov. e frcg. da prov. 
(lo Minho, cone. c com. de (Tuimaríles, distr. c 
arceb. de Braga, orago S. ('briatovam, 1G9 ahnas 
o 44 fogos; dista G k. da sédc do couc^ Abbaoão 
V. appellido d'iima família árabe, composto <las 
palavras Ahi e çam; ahi quer dizer j>ae; e çam 
equivale a assignalado. || Pov. o fr. da prov. do 
Miuho, sitnada na Serra de Santa Catbarina, 
cone. o com. de GnimarSea, distr. e arçeb. de 
liraga, orago S. Tliomé. Até ao século xvi esteve 
aunexada a freg. de S. Christovam. Dista 8 k. 
da sede do cone. 321 almas c 72 fogos. 

Abaças ou Abbaças. Pov. da freg. da prov. 
de Traz-os-Montes, cone. com. e distr. de Villa 
Keal. Orago S. Pedro. Está situada na margem 
esquerda do rio Tanha, que nasce ao N. do Valle 
do Nogueiras, passa em Ponte Pedrinha e entra 
na esquerda do Corgo no logar de Fervide. Aba- 
çoJt é um nome derivado do árabe, (Efiahaxn)y o 
que equivale a Aldeia Negra. Tem 16G8 alm. e ' 
4()9 fog. Tem escolas de ambos os sexos e es- 
tação postal que permuta malas com Villa Real. 
Em 24 de abril de 1200, foi-lhe concedido foral 
por D. Sancho I. A pov. dista 10 k. da sede do 
concelho. 

Abacis. Moeda de prata da índia, talvez ori- 
ginaria da Pérsia, e a qual nos fins do século xvii 
o conselho da fazenda mandou fundir para se 
cunharem ocerafiris. 

AKo^ff Pov. da freg. de Carvalho de Rei, 
cone. de Amarante. || Fera das terras de Sofala, 
na Africa, da qual o primeiro exemplar que se 
viu na Europa foi o que cl-rei D. Manuel mandou 
ao papa Leão X. 

Jogo usado nas cortes de D. Af- 



og< 
fonso V e D. João II. 

Abambres. Pov. e freg. da prov. de Traz-os- 
Montes, cone. de Mirandella, distr. e bisp. de Bra- 
gança, orago S. Thomé, 528 almas, 91 fogos. A 
pov. dista 10 k. da sede do cone. ; tem escola do 
sexo masculino. 11 Pov. da freg. de Matheus, cone. 
do Villa Real. 

VOL. I — FL. 1 



Abana^dar (Çaffadim), Rei de Ormuz, por cuja 
morte Affoaso d' Albuquerque auxiliou ao seu suc- 
cessor "J^oruxa. 

Abarca. Appellido de familia nobre portu- 
gueza, descendente de I). Pedro Guevarra, aio 
de D. Sanclio de Navarra, e que passou a Portu- 
gal ná pessoa de I). Francisca Abarca, mulher de 
António I^pes Galhardo, que serviu Portugal no 
tempo de D. João IV, na guerra da Restauração, 
e foi general da cavallaria na prov. da Beira. 
Esta familia entroncou-se com os descendentes 
do infante D. Diniz, filho do D. Pedro I e de 
I). Iguez de Castro, pelo casamento de D. Maria 
Francisca Abarca de Boléa Urres Peres de Men- 
donça, com o marquez de Valeucina, descendente 
directo do infante. As armas doesta casa sSo: em 
campo de oiro uma banda de cadeia azul dou- 
rada e em orla, e nos claros do escudo duas al- 
parcas xadrezadas de negro e ouro, forradas de 
vermelho. 

Abarinho. Pov. da freg. de Silvares (S. Cle- 
mente). 

Absíritan. Imprecação portugueza antiga, que 
quer dizer : Sepultado seja^ vivo nos infernos coino 
foram Abiron e Dathan. Era muito usada nas es- 
cripturas dos foraes, e uma ameaça para quem 
se atrevesse a infringir as garantias alli estabe- 
lecidas. 

Abasto. Appellido de familia nobre portu- 
gueza. Brazão incompleto : em campo verde cruz 
negra firmada, perfilada de prata e cantonada de 
uma vieira de ouro. 

Abbade. Titulo de dignidade e auctoridado 
ecc.lesiasticas. Começou a usar-se este titulo em 
472. Era um titulo de respeito de qualquer 
monge. Abbade dos Abbades é o titulo que usavam 
08 superiores dos mosteiros de S. Cucufate e de 
S. Vicente de Fora, no bisp. de Beja. O deão de 
Lamego tinha o titulo de abbade de Almaearc, 
O mestre escola da collegiada de N. S.» da Oli- 
veira, em Guimarães, era nomeado Abbade de 
S. Thiago. Os arcebispos de Braga, desde a união 



ÂBB 



ABB 



do convento de S. Victor á camará archiep. d*a- 
queUa diocese, tiveram o titulo de Abbades de 
ò'. VicU/r; prelado d*uma abbadia regular que, 
sendo elevado á dignidade episcopal, transfor- 
mava a sua egreja e mosteiro em cathedral e sede 
do bisp.: tal foi S. Martinho, bispo de Dume, junto 
a Braga. Ahhade dos c(mego8, os que precediam 
em tudo aos priores crasteiros, prepositos presi- 
dentes ou vi{/arios. Pertenciam aos mosteiros de 
cónegos regrantes. S. Tbeotonio foi em Portugal 
o primeiro que trocou este titulo pelo de prior. 
Abbade Mdgnate, abbade da congregação de 
S. Bernardo, que tinha território próprio e isento 
de jurisdicyao episcopal. Conhecia das cousas 
matrimoniaes e sacrilegas. Dava demissorias aos 
súbditos seculares, punha vigário geral, etc. Taes 
eram os abbades de 8. Pedro das Águias, S. Joílo 
do Tarouca, S. Christovam de Alafoes, Santa 
Maria de Fiâes, c Santa Maria das Salzedas. Ab- 
bade do Prelado, titulo que gosavam os abbades 
de egrejas seculares e parochias, que tinham 
sido antigamente mosteiros, como a de Soalhaens, 
no Porto, e a de Sebadim em Arcos de Valle de 
Vez. 

Abbade. Cabo ou ponta situada no extremo 
leste da ilha do Príncipe, ua Africa. 

Abbade de Castro. V. Castro e Sousa. 

Abbade de Neiva. Pov. da prov. do Minho, 
freg. de Santa Maria, cone e com. de Barcellos, 
distr. e arceb. de Braga. Também é conhecida 
pelo nome do Condevão, 722 alm. e 154 fogos 
Dista 5 k. da sede do cone. Foi fundada a fregue- 
zia em 1152 pela rainha D. Mafalda, mulher de 
D. Affonso I, que começou a construir um sum- 
ptuoso mosteiro, que ficou incompleto. O abbade, 
nomeado pela casa de Bragança, era ouvidor per- 
petuo de Fragoso. Nomeava juizes, recebia lu- 
ctuosas, gados do vento e coimas, sem que o rei 
recebesse a terça. N'esta freg. festeja-se Santo 
Amaro, havendo grande romaria em 15 de janeiro. 
A antiga egreja parochial é de simples apparen- 
cia; tem junto um adro, que serve também de 
cemitério, o onde se vêem algumas sepulturas, 
sendo uma notável do século xvii, que tem lavra- 
dos alguns emblemas de pedreiro, c outra, já 
muito arruinada, que evidentemente se vê ser de 
épocas muito mais remotas, conhecendo-se ainda 
a esculptura tosca d' um cavaileiro armado, já 
muito corroída pelo tempo. 

Abbade de Vermoim. Pov. da prov. do Minho, 
freg. de Santa Maria, cone. e com. de Famalicão, 
distr. e arceb. de Braga. 114 alm. e 23 fog. Foi 
abbadia archiep. E* fértil em cereaes, vinho, 
azeite, fructas e legumes. Cria muito bom gado 
bovino. A pov. dista 6 k. da sede do cone e do 
rio Ave. 

Abbades. Pov. da freg. de Gandia, cone. de 
Ponte de Lima. 

Abbadessa. Primeira dignidade n*uma com- 
munidade de religiosas. Abbadessa geral, aquella 
cuja auctoridade se estendia a todas as abbadias 
da mesma ordem. Abbadessa secular, aquella a 
4|uem era commettido o governo temporal d'uma 
parochia com obrigação de apresentar ao bispo 
lio logar um sacerdote idóneo para curar as almas. 
Assistia, e parece que ás vezes presidia, ás as- 
sembleias ecclesiasticas. Citam-se em Portugal, 
entre outras, Maria Gonçalves, na egreja de Cam- 
bres, Lamego, e Goina Pires, na de S. Julião de 
Vai de Canibrcs, Vizeu. As abbadcssas eram ele- 



; etivas; havendo al)badessas perpetuai, eleitas 

i para toda a vida. 

Abbadia. Dignidade, direitos, privilégios de 
um abbade : egreja, mosteiro, jurisdicção, bens 

, e rendas pertencentes ao mosteiro | ou egreja 
abbacial. As abbadias eram regulares ou em com- 
menda ; aquellas tinham por chefe um religioso ; 
estas um secular ou leigo. Havia também abba- 
dias electivas, que tinham o direito de nomear 
o seu superior; e abbadias madres, que deram 

: origem a muitos mosteiros da mesma ordem. As 

i abbadias reaes eram do padroado do rei. 

Abbadia. Pov. da freg. de Santa Maria do 
Bouro, cone, com. e arceb. de Braga. O sanctua- 
rio que ha n'csta povoação é composto de 11 ca- 
pellas, sendo 8 maiores dedicadas á Virgem, e 3 
mais pequenas, significando a Paixão de Christo. 
A historia d'este sanetuario e a da egreja é quasi 
a mesma historia do convento de Bouro. Conta a 
lenda, que. por occasião das guerras com os ára- 
bes, os religiosos do convento de Bouro se reti- 
raram d*aqui, ficando apenas na capella de S. Mi- 
guel de Abbadia um eremita de habito negro, a 
quem veiu depois juntar-se Pelayo Amado, fidalgo 
da corte do conde D. Henrique, que procurava a 
solidão, por lhe ter morrido sua mulher. Certa 

■ noite, segundo conta a lenda, viram os dois ceno- 
bitas na garganta da serra uma luz mysteriosa e 




Egreja da Senhora da Abbadia 

[ viva, e para ahi se dirigiram muito cmiosos. En- 
i centraram então no sitio uma imagem da Virgem, 
; esculptura cm pedra, e desde logo pensaram na 
! construcção d*uma capella. Juntaram-se-lhe en- 
. tão outros eremitas, e assim se começou o con- 
vento, que D. AíFonso I engrandeceu, concedeu- 
do-lhe muitas rendas e o senhorio do couto de 
Bouro, em 1148. A profissão dos eremitas reali- 
sou-se em 1150, mas alguns annos mais tarde, 
sendo muito desabrigado e áspero o local da Abba- 
dia, resolveram approximar-se mais da margem do 
Cavado e sobre elía fundaram o actual convento, 
pai*a onde transferiram a imagem *, mas a Virgeiu 
teimava sempre em fugir para a Abbadia, reali- 



ÂBB 



ABE 



5audo-se o milagre, diz a lenda, da Senhora, por 
mais diligencias dos frades, desapparecer do con- 
vento, 6 reapparecer na Abbadia. Foi esta a ori- 
gem do convento de Bonro e do Sanctuario.. Em 
seguida ás capellas segue um largo com grandes 
alpendres avarandados, ao fundo do qual se le- 
vanta o templo, e em cuja frontaria se ve o ora- 
tório protegido por fios de ferro, dentro do qual 
está a imagem da Virgem. No dia 15 d^agosto ha 
gi*ande romaria. Celebra-se missa que os romei- 
ros ouvem ajoelhados no grande largo e quebra- 
das próximas; a Abbadia apresenta n*esse mo- 
mento o aspecto d*um grande acampamento me- 
dieval. II Pov. nas freg. de Santo Quintino, cone. 
de Sobral de Mont*Agraço; de Ancede, de Cor- 
tes, cone. de Leiria; ae Matacâes, cone. de Tor- 
res Vedras, e de Pinzio, cone. de Penafiel. J| Rio 
affl. de Alcobaça, distr. de Leiria; N. na híerra 
de Alpedriz, passa a O. da Batalha. Curso 25 k. 

Abbadia Velha. Pov. da freg. de Ucanha. 

Abbadiado. Nome que davam aos priores das 
freguezias em algumas cidades de Portugal. 

Abbadim. Pov. da prov. do Minho, freg. de 
S. Jorge, cone. e com. de Cabeceiras de Basto, 
distr. e arceb. de Braga. 590 alm. 136 foff. Tem 
escola do sexo masculino. D. Manuel dcu-íhe fo- 
ral em 12 de outubro de 1514. Teve por donata-' 
rios os Camões, de Guimarães. Foi também senhor 
«reste couto e do de Negrellos o dr. Diogo Lopes 
de Carvalho, desembargador do paço, que foi 
instituidor d'estes dois morgados. As armas dos 
Carvalhos são : em campo azid uma estrella d*ouro 
catre uma quaderna de meias luas de prata (cres- 
centes). Timbre, um cysne de prata com uma 
estrella de ouro (como a das armas) no peito, ar- 
mado d*oixro. Até 1834:, teve juiz ordinário, os 
respectivos escrivães, e mais empregados do 
couto. A pov. fica situada no monte da Canha, e 
dista 4 k. da sede do cone. E' palavra árabe (ah- 
badim), E* abundante de cereaes, fructas, vinho, 
colmeias, gado, caça e pesca. J| Pov. na freg. de 
Castellões de Cepeda, cone. de Paredes. || Pov. 
na free. de Gontinhães, prov. do Minho, cone. de 
Caminha. Está situada na margem esquerda do 
rio Ancora, que é aqui atravessado por uma ponte 
de cantaria de um só arco, construída pelos ro- 
manos. Chama-se a ponte de Ahhadim. Esta ponte 
pertence, metade á freguezia de Gontinhães, e 
a outra metade á de Ancora; ficando metade do 
cone. e com. de Vianna do Castello, e metade do 
cone. de Caminha, da mesma comarca. 

Abbados. Pov. na freg. de Car\'alhaes, cone. 
de S. Pedro do Sul, a 20 k. de Vizeu. 

Abbedim. Pov. e freg. da prov. do Minho, 
cone. e com. de Monsão, distr. de Vianna do 
Castello, arceb. de Braga; orago Santa Maria. 
545 alm. e 154 fog. Teve por donatários os Ca- 
marás Coutinhos, de Pico de Regalados; os 
Abreus, de Merufe e Regalados, que appresenta- 
vam o abbade; e os Magalhães, de Braga. Existe 
n*esta freguezia a capella de S. Martinho, que 
tinha dizimes. Perto de Abbedim, entre Coura 
e Monsão, e sobre uns montes, ainda se voem ves- 
tígios d'uma torre antiquíssima, a cuja edificação 
presidem varias lendas, e que foi mandada de- 
molir no século xv; era o castello de S. Martinho 
de Penha. Em tomo das ruinas entrelaçam-se 
arvoredos seculares ; existe no castello uma ca- 
verna que pôde conter dez homens, e dentro uma 
fonte ae boa agua, a que os povos das immedia- 



ções attribuem virtudes therapeuticas ; mais 
acima ha outra caverna, também com uma fonte, 
que pôde conter 200 homens, e á qual se segfuem 
outras mais pequenas. Nos limites doesta freg. 
ha a Setulaalba a que chamam na terra o vidueiro. 
Da casca d'esta arvore, que é muito boa e alvís- 
sima, se serviram os antigos, com especialidade 
os romanos, para escreverem, emquanto se n3o 
inventou o pergaminho. A pov. dista 12 k. da 
sede do concelho. 

Abbella. Pov. e freg. (Nossa Senhora da As- 
sumpção) da prov. da Estremadura, cone. e com. 
de S. Thiago do Cacem, distr. de Lisboa, bisp. de 
Beja. 1055 alm. 280 fog. A 10 kil. da sede do cone. 
Abdegas. Nome árabe d'Ourem, que conser- 
vou ainda por algum tempo depois de ser tomada 
em 1136 por D. Affonso Henriques. 
Abdon. V. Adon. 

Abeção. Pov. da freg. de Barbeita., cone. de 
Monsão. 

Abedim. Pov. na freg. de Gondomil, cone. de 
Valença. 
Abedon. V. Adm. 

Abegâo. Casal na freg. d'Evora, cone. d* Alco- 
baça. II Sitio na freg. de Collas, cone. d'Aljustrel. 
Abegôa. Logar na freg. d' Areias, cone. de 
Portalegre. 

Abegoaria. Casal na villa da Certa, cone. de 
Belmonte. || Casal na aldeia da Bemposta, cone. 
de Abrantes. || Casal na freg. de Canna, cone. de 
Aldegallega. || Casal na freg. de Gallés, cone. de 
Mafra. II Herdade na freg. de Pigeiro, cone. de 
Alandroal. || Quinta ou habitação na freg. de 
Alvorge, cone. d* Ancião. || Herdade na freg. de 
Graça do Divor, cone. d'Evora. || Sitio na freg. 
de Ferreira, cone. de Ferreira. 

Abegoens. Nome dado antigamente aos enfer- 
meiros dos hospitaes. 

Abegões. Pov. da freg. de Germil, cone. de 
Penalva do Castello. || Casal na freg. de Camota. 
cone. d*Alemquer. || Casal na freg. d'Almodovar, 
cone. d'Almodovar. || Sitio na freguezia d*Areias, 
cone. de Marvão. 
I Abeila. Herdade na freg. de Palma, cone. de 

Alcácer do Sal. 
I Abel. Actor muito conhecido nos theatros do 
I Porto e Lisboa. N. em Vianna do Castello, em 
I 22 de janeiro de 1824, f. no Porto em 9 de se- 
; tembro de 1882. Ainda muito novo, fugiu de casa 
! com a ideia de ser actor ; e depois de se apre- 
j sentar no Porto, passou para o theatro do Gym- 
nasio de Lisboa, onde sempre se distinguiu, tendo 
' creações magnificas, como no Lago de Kilamey, 
Coração de mãe, Tio Paulo j Luiza ou a repara- 
! çào, A Grammatica, e muitas outras. Sahindo do 
Gymnasio, escripturou-se no antigo theatro das 
! Variedades, representando na magica Loteria do 
Diabo, em que muito agradou no papel de Abada- 
' lah, apesar d'elle ter sido creado pelo actor Isido- 
ro, que alcançou um suceesso. Tomou depois para 
I o Porto, assistiu á inauguração do theatro do Pa- 
lácio de Crystal; voltou a Lisboa, onde se con- 
j servou até 1875, seguindo depois outra vez para 
o Porto, escripturado na companhia do novo thea- 
, tro da Trindade, que ardeu pouco depois; d'ahi 
passou a representar n'um barracão dos Carme- 
litas e n'outras casas de espectáculo. Abel foi 
sempre um actor de mérito e de muita utilidade. 
Abel. Pov. na freg. de Facha, cone. de Ponte 
de Lima. 



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Abelâo. V. Abelhão. 

Abelha. Pov. na frcg. de BurgSes, cone. de 
Sank) Tliyrso. || Serra em Traz-os-Montes, limi- 
tes da Villariya, com. de Miranda; 2 k. do com- 
primento o 2 de largura. Tem abundância de 
matto e de caça. !| Herdade na freg. de Santa 
Luzia, cone. d*Odemira. || {Penefío da) Herd. na 
freg. da Graça do Divor, cone. d'Evora. 

Abelha. Jornal publicado em Lisboa, por 
D. Cathariua de Andrade, 1830 a 1843. O pri- 
meiro numero publieou-se cm portuguez e os 
outros em franeez. H Jornal publicado no Porto, 
em 1856. 

Abelha (A) de Bombaim. Jornal portuguez, 
publicado em Bombaim, em 1848. 

Abelha (A) da China. Jornal portuguez, pu- 
blicado em Macau, em 1823. 

Abelha (A) do Meio-Dia. Jornal publicado 
em Lisboa, 1800 a 1810. 

Abelha (A) poirtu^eza. Jornal publicado em 
Lisboa, em 1821. 

Abelhal. Pov. na freg. de Santa Cruz do Dou- 
ro, cone. de Baião. 

Abelhâo. Pov. na freg. de Ul, cone. d^Oliveira 
d'Azemeis. 

Abelhas (Serra das). Na prov. 
da Beira Alta, próximo do rio Tá- 
vora, cone. d*4guiar da Beira, com. 
de Linhares. É sôcca, estéril e tem 
alguma caça. 

Abelheira. Serra, no distr. de 
Bragança, entre os rios Tua ou 
TueTla e Rabaçal. || SeiTa no distr. 
de Beja, ramiíicaçuo da serra de 
Adiça, 5 k. ; altura 274 m., cha- 
mada também serra da Atalaia. Na 
freg. de Montalvo, que esta serra 
atravessa, existe um grande bo- 
queirão, e junto d*clle houve, n*ou- 
tro tempo, uma ermida habitada 
por dois eremitas. Dizem haver 
n'esta freg. minas de ouro, que 
não fôran\ exploradas. || Serra no 
Algarve. É pequena e tem minas 
de carvão. || Logar em Ponta Del- 
gada, ilha de S. Miguel. Pomares 
<le larangeiras. ]| Monte que prende na Serra 
d'Ossa, no distr. e com. d'Evora. Nasce nVste 
monte um pequeno ribeiro, que morre no De- 
gebe. Produz matto e algumas arvores silvestres. 
Tem boas pedreiras de mármore de cores e 
branco. Caça miúda., |! Serra em Traz os Montes, 
cone. de Miranda. É quasi toda cultivada. Para 
o oeste estende lun ramal ate ao sitio chamado 
Kgrejinha, sitio que deriva o nome d'uma antiga 
capcila que existiu alli. Esta serra continua para 
um sitio chamado CasteUinhos, onde ainda ha 
vestigios de fortificações mouriscas. |I Pov. nas 
seguintes freg. Abiul,Alcofra,Almalagues, Amo- 
reiras (cone. de Odemira), Ardegão (cone. do 
Ponte de Lima), Boliqueime (cone. de Loulé), 
Bougado, Castelloes, Certa, Cintra, Covas, Fcr- 
mentÕes, Geraz e Santa Tecla, I^ourcdo, Louri- 
çal, N. S.* da Salvação (cone. da Lourinhã) Ma- 
rinhas, Martim Longo, Oliveira de Azeméis, Pa- 
ços de Brandão, Paradella da Serra, Passos, 
Sandomil, S. Joanninho (bisp. de Coimbra), Santa 
Clara a Velha, Santa Maria Maior de Vianna do 
Castello, Senhorei, Sobral da Abelheira, Sobro- 
za, Torgncda, Villa Chã, (cone. d'E.*»pozende), 



' Villar Chão (cone. d*Alfandega da Fé), Villari- 
nho (arceb. de Braga). 

Abelheira. Pov. na freg. de Santo Antão do 
Tojal, na prov. da Extremadura, cone. de I^ourcs, 
I dist. de Lisboa. Ha n'esta povoação luna impor- 
' tante fabrica de papel, que foi fundada n'uma cx- 
I cellente quinta, chamada Quinta da Abelheira, 
' outr^ora pertencente ao mosteiro de S. Vicente de 
j Fora de Lisboa, da ordem dos cónegos regrantes 
' de Santo Agostinho. Era uma das melhores pro- 
priedades d este rico mosteiro, tanto pela sua 
I grande arca como pela circumstancia de ser atra- 
vessada por mu no, que sempre tem correntíi, 
mais ou menos, ainda mesmo no verão, circuni- 
■ stancia muito importante em uma provincia como 
a Extrematiura pouco abundante d'agua. Apro- 
1 veitando esta vantagem, lembraram-se os cono- 
I ços de crear na quinta um estabelecimento fabril, 
fundando junto do rio do Tojal, que n'este sitio 
toma o nome de rio Trancao, mna fabrica de pa- 
pelão e papel pardo, cujos productos vendiam 
por conta própria em uma loja do seu quarteirão 
! no Rocio de Lisboa. Extinguiram-se depois as 
[ ordens religiosas, c em 183G o abastado nego- 




Fabrica da Abelheira 

ciante João d*01iveira, que mais tarde foi minis- 
tro da fazenda, barão e conde do Tojal, comprou 
a Quinta da Abelheira, conservando o estabele- 
cimento no mesmo estado em que o encontrou, 
ató 1841, anuo em que o reformou, mandando vir 
machinas novas e dando-lhe novas proporções. 
Começou então a fabricar papel de escrever c 
de impressão, que mostravam já bastante aper- 
feiçoamento n*este ramo de industria. Apezar de 
tofíos os seus esforços, o conde de Tojal, quando 
falleceu, deixou esta empreza fabril ainda long(; 
de poder competir com a industria estrangeira. 
Felizmente, os seus herdeiros continuaram a aper- 
feiçoar a fabrica, que foi progredindo, tornando- 
se hoje um dos primeiros estabelecimentos do 
sen género. Pertenceu também a fabrica ao sr. 
William Smith, cunhado do fundador, e hoje v. 
propriedade da casa Guilherme Graham Júnior 
& C.» que lhe tem dado um desenvolvimento ex- 
traordinário, introduzindo-lhe grandes melhora- 
mentos, mandando vir as melhores e mais aper- 
feiçoadas machinas, alargando os corpos do edi- 
fício e constniindo outros novos ; emfim dando-lhe 
incremento e desenvolvimento a ponto de a tor- 



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liarem uma das primeiras fabricas do paiz. Actual- 
mente, os seus productos são muito estimados o 
procurados, principalmente o papel de impressão 
e de escrever. Em consequência dos novos pro- 
ct^sos de fabrico de papel que na fabrica se tem 
introduzido, a producoão é grande em toda a qua- 
lidade de papeis, des(te o papel de escrever até ao 
papel de emorulho. Emprega a fabrica, além do 
pessoal do escriptorio, armazéns em Lisboa, dire- 
ctor technico, engenheiros, etc, perto de 200 ope- 
rários que d'alli tiram o pão quotidiano, conside- 
rando, como de facto é, a fabrica o principal ele- 
mento de riqueza do sitio da Abelheira e arredores. 
Tem os productos da fabrica obtido diversos pré- 
mios nas exposições, como por exemplo nas de Lon- 
«Ires de 1851 e 1862; na de Paris, nas do Porto 
de 1857 e 1861; na de Lisboa de 1863, o ultima- 
mente na dos Açores. Estes prémios são o hon- 
roso testemunho dos progressos d'este estabele- 
cimento. Os actuaes proprietários teem, com o 
desenvolvimento dado a sua fabrica, contribuido 
muito para o bem estar dos habitantes da Abe- 
lheira e arredores, já empregando grande nu- 
mero de operários, já angariando pelos meios ao 
seu alcance, concertos e reparações em estradas, 
cdificios, etc, pelo que são muito estimados no 
sitio. Podem considerar-se uns verdadeiros bene- 
méritos, porque, segundo nos consta, não é só o 
interesse de auferir grandes lucros, que os pro- 
prietários teem em vista na exploração da fabri- 
ca, conservando-a ainda a seu cargo, porém sim, 
a estabilidade do pessoal, que sustenta, c, que na 
maior parte, não conheceram nunca outro género 
de trabalhos nem outros superiores ; na classe de 
operários teem d*alli vivido, por assim dizer, fa- 
milias inteiras, succedendo-se pães para filhos, 
avós para netos, considerando-sc já como filhos 
da casa, sempre respeitadores c fieis cumprido- 
res dos seus deveres. 

Abelheiras. Pov. na freg. de Uoelhe e Passi- 
nhos, cone- de Penafiel. 

Abelheirlnlia. Sitio em Sobral da Abelheira 
e Habitação em Amoreiras cone. d'Odemira. 

Abelheiro. Pov. na freg. de Caucdo, cone. de 
Celorico de Basto. 

Abelheiros. V. Avilheiros. 

Abelhinha. Herdade na freg. de Santa Luzia, 
cone. d'Ajustrcl. 

Abelho. Appellido de familia asturiana, que 
pa.ssou a Portugal e d'onde procedeu Nuno Alva- 
res Coutinho Barradas, capitão-mór da villa de 
Grândola, dist. de Lisboa. Esta familia está hoje 
no seu ramo principal confundida com a familia 
Garridos da casa de Bouça, do que é represen- 
tante José Guedes Coutinho Garrido Rangel e 
Alpoim, tendo por brazão: cm campo verde de 
campanha uma arvore de sua côr perfilada de 
ouro e raizes do mesmo, junto d'clla um cortiço, 
sobre este uma fouce de prata, e de roda do cor- 
tiço muitas abelhas, tudo de ouro. 

Abelhoa. Logar na freg. de l*edorido, cone. 
d'Agueda. 

Abelhões. Herdade, na fr(*g. de Vidigão, couc. 
de Arrayollos. 

Abelhoso. Pov. na freg. de I^avra, couc. de 
Bouças. 

Abelitrio. Cidade da antiga Lusitânia; hoje 
Alter do Chão. 

A Bella. Freg. do cone. de S. Thiago do Ca- 
cem, (N. S.* d' Assumpção). V. Ahhdla, 



Abelo (Fero). Fidalgo cavallciro port., que, 
no anuo de 1507, por ordem <le D. Francisco de 
Almeida, se dirigiu na araiada a Paiiane, onde 
muito se distinguiu, combatendo os mouros de 
Calecut. 

Abeloiras. Logar ou quinta na freg. de Ma- 
ceira, cone. de Fornos d'Algodres. 

Abenoia. Casal na freg. de Santa Maria de 
Marvão, cone. de Marvão. 

Abendanho. Appellido de familia nobre por- 
tugueza, vindo de liespanha na pessoa de D. Pe- 
dro de Abendanho, que foi alcaide mor da villa 
de Barcellos, no reinado de D. Atlbnso V. Brazão 
incompleto: em campo azul camisa mourisca de 
prata, e três scttas do mesmo n'ella cravadas 
com as hastes ensanguentadas, duas para a di- 
reita e uma para a esquerda. 

Abesoucas de baixo, Abesoucas de cima. 
Aldeias na prov. da Estremadura, patriarch. do 
Lisboa, cone. de Santarém, termo e freg. da villa 
de Montargil. 

Abezudes. Pov. na freg. de Viariz, cone. de 
Baião. 

Abicada. Sitio da freg. e couc. de Portimão. 
II Casal da freg. de Mexilhoeira, do mesmo con- 
celho. 

Abichanas. Casal da freg. e cone. de Rio 
Maior. 

Abicheiro da Lavradora. Sitio e quinta da 
freg. de Felgueiras, Moncorvo. 

AbicheircMS. Logar na freg. de Riba 'i'ua, 
cone. d'Alijó. 

Abicosa. Casal na freg. de Penalva d' Alva, 
cone. do Oliveira do Hospital. 

Abilheira. Pov. na freg. de Abiul, cone. de 
Pombal. 

Abitonicas. Casal da freg. de S. Luiz, cone. 
de Odemira. 

Abitureira. Pov. na freg. d'Amieira, cone. de 
Oleiros; invocação de S. Francisco d' Assis. j| Pov. 
na freg. de Mansores, cone. •d'Arouca. || Casal na 
freg. de Vide, cone. de Côa. || Quinta na freg. de 
Villa do Touro, cone. de Sabugal. |! Pov. na freg. 
de Sebollido, cone. de Gondomar, com. e distr. 
do Porto, situada na margem direita do Douro. 
Ha aqui uma mina cíe cobre, no leito d'um regato 
chamado liihciro de Couce. 

Abitureiras. Freg. na prov. da Extrema<lura, 
cone, com. e distr. de Santarém, patriarch. de 
Lisboa; 1899 alm., 430 fog. Tem escola do sexo 
masc. Orago N. S." da Conceição. Foi vigararia 
apresentada pelo prior de Mafra, que era sem- 
pre um cónego da Sé de Lisboa. E' terra muito 
fértil e dista 12 k. da sede do couc. Foi reguengo 
da coroa com juiz ordinário e escrivão. 

Abismo ou Abysmo. Freg. de Moncarapacho, 
Algarve. E' uma cova profumlissima np principio 
do Mtmte da Caberá, do lado do mar. E entre ro- 
chedos e está sempre cheia d'agua. 

Abiul. Villa e freg. (X. S." das Neves) da 
prov. da Extrcmadura, couc. e com. de Pombal, 
distr. de Leiria, bisp. de Coimbra; 2710 alm., 
688 fog. Feira no l.*» domingo de agosto; tem es- 
cola e correio (jiie permuta malas com Pombal. 
A villa está situada n'um valle cercado de ou- 
teiros, encostada á ribeira do mesmo nome e 
dista 10 k. da sede do cone. Ahinl parece s(ír cor- 
rupção de Abíud, nome hebraico. O primeiro fo- 
ral d'esta villa foi-lhe dado por Diogo IVaris e 
sua mulher Dona Exemcna, em 1167, sem outro 

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foro mais que a decima de todo o pSo, vinho, li- 
nho, alhos, cebolas e legumes, cultivados nos seus 
campos. Oito annos depois, Diogo Pearis e sua 
mulher deixaram de ser os senhores de Abiul, 
ignorando-se o motivo; passou então a villapara 
a coroa. D. AfiPonso I, em 1175, fez doação da re- 
ferida villa ao mosteiro de Lorvão, e no mez 
de dezembro, d*esse mesmo anno, o abbado João e 
os frades deram-lhe outro foral, que reformaram 
lun anno depois. Em lõCl e 1562, desenvolveu-sc 
na villa uma grande peste, em que morreu muita 
gente. Os habitantes fizeram um voto, que con- 
sistia n'uma grande festa a N. S.» das Neves, no 
primeiro domingo d*agosto, dia da feira. A festa 
fez-se muitos annos á custa da camará, e depois 
foi feita por mordomos voluntários. Havia na 
praça um grande forno que se accendia na sexta 
feira antecedente, e depois de arder até ao do- 
mingo, em quQ se gastavam 12 ou 13 carradas de 
lenha, mettiam-lhc dentro um bolo (fogaça) de 
10 ou 12 alqueires de trigo, o qual era tirado por 
um homem que para esse fim entrava no forno, 
comtanto que estivesse preparado com os sacra- 
mentos da confissão e communhão. D. Manuel 
deu-lhe novo foral em 14 de julho de 1515, man- 
dando reedificar a egreja matriz, que estava 
muito arruinada. Até 1759 pertenceu o senhorio 
da villa aos duques d*Aveiro, e cada um dos mo- 
radores lhes pagava 3 réis. Dizem que existem 
ainda ruinas do palácio dos duques e d'outras : 
casas nobres. O palácio fora mandado construir 
por André da Silva Coutinho, de quem os duques 
d*Aveiro o herdaram. Sendo, em 1759, confisca- 
dos todos os bens d'aquelle ducado, passou o se- 
nhorio da villa para a coroa, e foi depois com- 
prada a maior parte do que possuiam em Abiul, 
pelos fidalgos Aboins ou Alvius. Pela freg. passa 
a Serra de Sicó e o rio do Seiçal. Tinha capitão 
com duas companhias de ordenanças. 

Abizoein. Appellido d*uma antiga familia por- 
tugueza. II Pov. na prov. de Entro Douro e Mi- 
nho, bisp. do Porto. 

Abizonde. Pov. na prov. de Entre Douro e 
Minho, bisp. do Porto. 

Aboa. Aldeia na prov. de Traz os Montes, 
bisp. de Miranda do Douro. Arcyprestado e termo 
da villa de Monforte de Rio Livre. Tem só 9 mo- 
radores, e está fundada sobre o monte da Pico- 
nha; pertence á freg. de S. Nicolau deCandedo; 
na aldeia ha uma ermida dedicada a N. S.* da 
Encarnação. 

Aboadella. Freg. da prov. do Douro, cone. e 
com. d'Amarante, dist. e bisp. do Porto; o seu 
primitivo nome era Ovelha do Marão. 813 alm., 
212 fog. Dista 6 k. da sede do cone. || Pov. na 
freg. de Cepoes, cone. de Lamego. 

Abobada (A). Romance histórico de Alexan- 
dre Herculano, época 1401 ; tem por assumpto a 
construcção do convento da Batalha, pelo archi- 
tecto Mestre AfiPonso Domingues, que a delineou, 
o que apezar de cego a concluiu, depois das obras 
terem sido entregues ao architecto francez Mes- 
tre Ouguet; segundo a lenda, Affònso Domin- 
gues quiz morrer na celebre sala do capitulo, 
cm cumprimento de um voto fatal. Divide-se em 
5 capitules : O Cego, Mestre Ouguet, O Auto, Um 
J(ei Cavalleiro, O voto fatal. 

Abobada. Pov. da prov. do Alemtejo, orago 
S. Marcos, cone, distr. e dioc. d'Evora; 309 alm. 
()0 fog. Dista 20 k. da sede do cone. || Pov. da 

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freg. de S. Domingos de Rana, distr. de Lisboa, 
cone. de Cascaes. \\ Pov. em S. João do Monte, 
cone. de Tondella, dist. de Vizeu. || Courella na 
freg. de S. Marcos da Abobada, cone. d'Evora. || 
Courella na freg. de*Gomes Ayres, cone. d*Almo- 
dovar, distr. de Beja. jj Moinho na freg. e com. 
d* Alvito, distr. de Braga. || Moinho na freg. de 
Paderne, cone. d'Albureira, distr. de Faro. || 
Quinta e herd. da freg. d'Aldeia Nova, cone. du 
Serpa, distr. de Beja. jj Moinho na freg. de S. Braz 
de Mattos, cone. d*Alandroal, distr. cTEvora. 

Abobadas. Herdade da freg. de Quintas, cone. 
de Barrancos. 

Aboboleira. Pov. da freg. de Moucos, cone. 
de Villa Real. |! Pov. do Valle d'Anta, cone. de 
Chaves. 

Aboboraes. Casal da freg. da Raposa, cone. 
d'Almeirim. 

Aboboreira. Pov. da prov. da Extremadura, 
freg. de S. Silvestre, cone. de Abrantes, com. de 
Mação, distr. de Santarém, bisp. de Portalegre. 
Tem escola do sexo masc. 692 alm. 158 fog. A pov. 
dista 15 k. da sede do cone. || Logar na freg. do 
Mouçós, cone. de Villa Real. || Logar na freg. da 
Arca, cone. de Ponte de Lima. || Logar na ireg. 
de Folhada, cone. de Marco de Canavezes. || Ijo- 
gar na freg. de Tarouguella, cone. de Sinfães. || 
Logar na freg. d'Azueira, cone. de Mafra. || Lo- 
gar na freg. do Sarzedas, cone. de Castello 
Branco. || Logar na freg. de Figueiras, cone. de 
Cadaval. || Sitio com dois casaes, na freg. de 
S. Theotonio, cone. de Odemira, jj Herd. da freg. 
de Ciladas, cone. de Villa Viçosa. || Azenha, na 
freg. de Rio de Moinhos, cone. de Borba. || Pov. 
na freg. do Arneiro, cone de Santa Martha de 
Penaguião. 

Aboboreira (Serra da). Junto da villa Cahis, 
distr. do Porto. Encontra-se aqui, em plena ser- 
ra, no vasto plató denominado Chà de Parada, a 




Dolmen da Aboboreira 

lendária casa dos mma^os ou. dolmen. A situarão 
d'este dolmen é sobre um montículo de terreno, 
havendo muito próximo, na mesma linha, duas 
outras maniôas, em uma das quaes especialmente 
se notam evidentes vestigios da existência de 
outro dolmen. Este, de que falamos, está ainda 
regularmente conservado, apesar dos lavradores 
das proximidades o terem estragado muito, em 
busca de thesouros, que dizem existir alli. Consta 
de 9 pedras, incluindo a cobertura, e tem mais h 
do lado cs(|uerdo e 3 do lado direito da entrada, 
que ò. voltada ao oriente. 

Aboboreira Cimeira. Pov. da freg. de 01a- 
Ihas, cone. de Thomar. 

Aboboreira Fundeira. Pov. da freg. de 01a- 
Dias, cone. de Thomar. 



ABO 



ABO 



AlKKUtrrainam (Cid), Senhor da cidade de 
Salim com o soccorro dos portugiiezes em 28 de 
setembro de 1498. 

Abogão. y. Ahegào, 

Abogoaria. V. Ahegoaria. 

Abogões. y. Abegòes. 

Abohab da Fonseca (Isaac). Judeu portuguez 
nat. de Castro Daire, educado na Hollanda, para 
onde foi aos 7 annos; foi discipnlo de Uriel da 
Costa ; exerceu alguns cargos na Synagoga, e es- 
teve algum tempo no Brazil, passando depois a 
Amsterdam, onde se relacionou com o padre An- 
tónio Vieira, que muito o considerava, dizendo, 
falando a seu respeito e d'outro famoso rabbi 
portuguez, Menassés ben Israel: «que este di- 
zia o que sabia, mas que Abohab sabia o que 
dizia». Morreu em 1693. Escreveu em hebraico, 
hespanhol e portuguez. No livro das Alahanza^ 
de David, escripto em castelhano pelo rabbi Ja- 
cob Jehudah, vem uma approvaçlo de Abohab 
em lingua portugueza. Também na coUecçâo dos 
Scrmòts, que se pregaram na dedicação da Syna- 
goga portugueza, lalmud Thorah, em Amster- 
dam, no anno 435 (era de Christo 1675) em 4.", 
vem um sermão seu, que Innocencio diz que lhe 
parece estar escripto em portuguez. As obras 
que d'elle se conservam são todas nas linguas 
hebraica e castelAana. N*esta ultima é famosa 
por mérito e raridade a seguinte: Parafrasu 
commentado sobre el Pentateuco por d ill.^''* semr 
Ishac Aboab H. dei K. de Amsterdam estampada 
em casa de Jaacob de Córdova, 1541 (anno de 
Christo, 1681), folheto. 

Aboicinhas. Herd. da freg. de Azinheira de 
Barros, cone. de Grândola. 

Aboim. Appellido de familia nobre portu- 
gueza, procedente de D. João Paes d'Aboim. As 
suas armas são um escudo esquartelado: o pri- 
meiro e quarto quartéis xadrezados de ouro e 
azul ; o segundo e terceiro com três palas de azul 
em campo de ouro ; timbre, dois braços vestidos 
de azul, pegando com as mãos em um taboleiro 
de xadrez com o primeiro quartel do escudo. 

Aboim (Diogo Guerreiro Camacho). Dezem- 
bargador aa Casa da Supplicaçâo; n. em Ouri- 
que, em 1661 ; formou-se em Direito Civil, exer- 
ceu vários logares da magistratura, e morreu em 
1709. Escreveu : Eschola moral, politica, christã 
e jurídica, dividida em quatro partes, lias quaes 
lèm de Prima cw quatro Virtudes cardeaes, Lis- 
boa, por António de Souza da Silva, 1733, foi. 
Sahiu 2.* e 3.» edição por Domingos Gonçalves, 
em 1747, e por Bernardo António d'01iveira, em 
1759. Escreveu varias obras de jurisprudência 
em latim, as quaes foram reimpressas algumas 
vezes. 

Aboim (Jo&o Correia Manuel). Poeta e jorna- 
lista, n. em 1814. Foi filho 2.° de António Cor- 
reia Manuel de Carvalho Aboim, fidalgo cavai- 
leiro da casa real, alcaide mór de Cabrella, se- 
cretario da meza da consciência e ordens na re- 
partição da ordem de S. Thiago. Começou a es- 
tudar o curso de marinha, e sentou praça como 
aspirante, em 1830 ; em 1834 pediu baixa, sem 
comtudo deixar de cursar algumas aulas superio- 
res. Protegido pelo padre Marcos, arcebispo de 
Lacedemonia. ooteve a nomeação de secretario 
da bulia da Santa Cruzada e depois, em 1838, a 
de amanuense de 1.* classe do ministério do 
reino, de que foi exonerado por circumstancias 



politicas, segundo se disse, sendo accusado como 
fazendo parte da redacção do jornal satjrico O 
Peneireiro, jornal humorístico, que elle fundara 
em 1855, tendo por collaborador Rodrigo Paga- 
nino; publicaram-se somente 25 números. João 
d' Aboim estivera no Rio de Janeiro uns quatro 
ou cinco annos, na legação portugueza, e dizem 
que vivendo também da sua penna ; escreveu en- 
tão duas obras poéticas : O livro de minJia alma 
e Saudades da minha terra. Depois, em conse- 
quência das eventualidades das respectivas em- 
prezas, foi empregado successivamente na com- 
panhia do caminho de ferro de Lisboa a Cintra 
(1857); na companhia setubalense de illuminação 
a gaz \ na empreza particular de construcção de 
Louis Longe; e afinal na linha férrea do sul, 
como fiscal do governo, fallecendo em Setúbal, 
em 25 de novenibro de 1861, com uma congestão 
cerebral. N'esta cidade, em 1859, redigiu um se- 
manário, intitulado O Improviso. Escreveu, além 
dos dois livros de poesias, em que já falíamos : 
Devaneios poéticos, lAshosL, 1842; Os meus últimos 
versos, Lisboa, 1854 ; A* tarde entre a murta, co- 
media em 3 actos; O recommendado d€ Lisboa, 
em 1 acto; O Homem põe e Deus dispõe, em 2 
actos ; As nódoas dt sangue, drama em 3 actos ; 
Cada louco com sua mania, em 1 acto;. Wilhel- 
mina, romance de Paulo Foucher, trad. do fran- 
cez. CoUaborou nos seguintes jornaes : O Portu- 
guez, Correio de Setúbal, Cysne do Sado, Curioso 
rfc Setúbal, As Modas, Época e Jornal do Com- 
mercio. As obras diamaticas representaram-se 
muito em Lisboa e no Brazil. 

Aboim (D. Joào Peres de). Nat. d'Aboim da 
Nóbrega, d*onde lhe veiu o appellido ; era filho 
de Pêro Ourigues, que foi sempre fiel compa- 
nheiro de D. Sancho II, servindo-o com o maior 
zelo. Quando D. Aôbnso III subiu ao throno, ele- 
vou D. João Peres d'Aboim, seu valido, a mor- 
domo mór, e depois governador do Algarve. Em 
resultado das succcssivas generosidades d*aquelle 
monarcha, chegou a fundar uma das mais opulen- 
tas e poderosas casas de Portugal. Abusando 
bastante da amisade do rei, não se contentava 
só com as dadivas reaes, e extorquia aos municí- 
pios concessões valiosas. Este procedimento ia 
dando origem a ]prejudiciaes discórdias entre 
Portugal e a Curia Romana. Até á morte de 
D. Aitonso III manteve o seu alto valimento, e 
ainda no reinado de D. Diniz conservou o cargo 
que até alli occupára; porém, com o tempo, a 
casa foi cahindo em decadência, a ponto que já 
em tempo de D. Affonso V ser vendido o seu 
solar. Os Aboins e Nobregas eram grandes fidal- 

fos, alliados com algumas famílias nobilíssimas 
e Portugal e Hespanha. 

Aboim (Joaquim da Nóbrega Cão de). Presby- 
tero secular, n. em Villa Real de Traz-os-Mon- 
tes ; foi durante alguns annos prior da freguezia 
de S. Julião, em Lisboa, sendo depois elevado a 
monsenhor e a cónego da Sé Patriarchal. Parece 
que pertenceu á congregação do Oratório, en- 
trando em 17 de setembro cie 1757. Acompanhou 
a familia real para o Brazil, em novemoro de 
1807 ; mas regressou a Lisboa, no anno de 1823. 
Publicou o seguinte : Oração fumbre nas exequius 
do ser.^^ sr. D. José, principe do Brazil, celebra- 
das na igreja de S. Julião, LéishosL — 1788; Orarão 
panegyrica em acção de graças pelas melhoras do 
tfcr.""** irrincipe nosso stnhor, o sr. D. João, recitada 

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ABO 



ABR 



wa capcUa do qvartel do regimento de cavalUiria 
de Alcântara f Lisboa, 178ÍJ; Vida de S. Jtdiào, 
esposo de Sancta Basilisa, lirgens e martyres de 
Aidinchia. (Jt.m uma dissertarão previa sobre a 
pluralidade de sanctos do mesmr) nome. J^isboa, 
17y<); Jofiio em Lisboa; Ode pindarica. Canta os 
aiiwres do jtrincipe regente nrsso senhor, o sr. 
J). João. Lisboa, 1801 ; Elogio histórico do ser."*^ 
sr. 1). Pedro Carlos de Bovrbon e Bragança, Rio 
de Janeiro, 1813. Parece que morreu no Jirazil, 
mas ignora-se a data do fallecimento, assim como 
a do nascimento. 

Aboim (José de Brito Guerreiro Mascare- 
nhas e). Fifialgo da corte de I). João VI, capitão 
da companhia de cavallaria das Ordenanças de 
Lagoa. O seu brazâo, conferido em dezembro de 
1801, compunha-se d'um escudo esquartellado ; 
no primeiro quartel as armas dos Britos, no se- 
gundo as dos (.'orreias, no terceiro as dos Masca- 
renlias, e no quarto as dos Aboins. 

Aboim (José Joaquim Salema de Andrade 
Guerreiro de). Fida!go e capitSo-mór das orde- 
nanças do S. Thiago do Cacem, no anno de 18'24, 
terra da sua naturalidade ; tinha por brazão um 
escudo esquartellado : no primeiro quartel as ar- 
mas dos Salemas, no segundo as dos Camachos, 
no terceiro as dos Guerreiros e no quarto as dos 
Aboins. 

Aboim. Ribeira, afHuente do Lima, onde entra 
10 k. abaixo de Ponte da Barca, atravessando as 
freg. de Aboim e Covas; distr. de Vianna do 
('astello. II Pov. da prov. do Minho, freg. de Santa 
Maria, cone. de Fafe, com. de Guimarães, distr. 
e arceb. de Braga. Dista 15 k. da sede do cone. || 
Pov. da prov. do Douro, freg. de S. l*edro, cone. 
e com. d' Amarante, distr. do Porto, arceb. de 
Braga; 335 alm., 91 fog. O seu nome primitivo 
foi Santa Cruz (PAboil. Dista 7 k. da sede do 
cone. II I-iOgar da mesma freg. e cone. ; 3õ0 alm. || 
J^ogar da freg. de Rebordosa, cone. de Paredes. 
|! Pov. da prov. do Minho, freg. de S. Martinlio, 
com. de Barcellos, distr. e arceb. de Braga. Foi 
vigararia do convento de Carvoeiro. |i l*ov. da 
prov. do Minho, com. de Celorico de Basto, cone. 
de C-abeceiras de Basto; 150 fogos. 

Aboim e Codeçoso. Couto e cone. da prov. do 
Minho, que foi extincto em 1834; pertencia á 
com. de (>elorieo de Basto. Tinha juiz ordinário, 
camará e respectivos escrivães e meirinhos. Era 
donatária a collcgiada de Guimarães. 

Aboim das Choças. Pov. e freg. (Santo Este- 
vam). cone. e com. de Arcos de Valle de Vez, 
distr. de Vianna do Castello, arceb. de Braga; 
435 alm. 122 fog. Dista 10 k. da sóde do cone. 
O nome de Choças, dizem os antigos, ser derivado, 
por se terem ali edificado algumas quando acam- 
])0u na freguezia, D. AíFonso VII, rei de Leão, 
<'.om o seu exercito para dar a batalha dos Arcos 
de Valle de Vez, em 1128, ou segundo outros em 
1131), batallia em que ficaram derrotados os cas- 
telhanos. Em 1G43, esteve aqui reunindo a sua 
gente, D. Diogo de Lima, visconde de Villa Nova 
da Cerveira, quando foi em auxilio de Monsão, 
sitiada pelos hespanhoes. Era commandante dos 
exércitos o conde de Castello Melhor. Na defeza 
de Monsão, illustrou-se a condessa D. Marianna 
de Lencastre, que sempre deu provas de ter varo- 
nis espíritos. D. Manuel deu foral a Aboim das 
Chocas, que está incluido no dos Arcos de Valle 
d(í Vez. 

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Aboim da Nóbrega. Pov. e freg. da prov. do 
j Minho, do cone. e com. de Villa Verde; até 1855, 
I foi de Pico de Regalados, distr. e arceb. de Braga; 
i orago N. S." d'Assumpcão; 1139 alm. 280 fog. No 
I Ca^al do Eixo, d'esta ireguezia, nasceu o celebre 
I fidalgo João Soares Vives, que era capitão-mór 
das naus da índia, e que por desgostos com al- 
guns fidalgos portuguezes, partiu para Castella, 
i e mais tarde Filippe IV fez conde de Nóbrega. 
I A freguesia é cortada pelo ribeiro d' Aboim, que 
' nasce em Gondomar, e vae precipitar-se no rio 
I Lima. Ha aqui duas pontes de pedra, mna no 
, sitio da Lameira, chamada de Portabril e outra 
I perto da egreja, chamada Ponte da Ord^m. O rio 
! cria boas trutas, e as suas margens são, na maior 
parte cultivadas. Foi couto e commenda da ordem 
, militar de Malta, passando depois para a coroa. 
I Tinha juiz ordinário, dois vereadores, procurador, 
meirinho, escrivão da camará e do eivei, a cuja 
, eleição presidia o corregedor de Vianna. O juiz 
\ e escrivão dos orphãos eram os da Barca. O com- 
I mendador servia de capitão-mór. O primeiro se- 
nhor d'este couto (hoje extincto) foi D. João 
i d'Aboim, que viveu na aldeia do Outeiro. (V. 
Aboim). A pov. dista G k. da sede do concelho. 

Aboinha. Logar da freg. de Tebosa, cone. de 
Braga. 
Abol. T-ogar na freg. de Egá, cone. de Penafiel. 
j Abol de Cima. ]-.ogar da freg. de Ega, cone. 
' de Penafiel. 

I Aboleira. Logar da freg. de Jou, cone. de Valle 
! de Passos. 

' Abolembra. Pov. na freg. de Gandra, cone. 
I d'01iveira d' Azeméis. 

1 Aboloura. Quinta da freg. e cone. da Guarda. 
Abor. Appellido nobre em l*ortugal. 
Aborim. Pov. na prov. do Minho, freg. de 
' S. Mai-tinho, cone. e com. de BarceUos, distr. e 
' arceb. de Jiraga. 351 alm. 77 fog. Dista 12 k. da 
, sede do concelho. 

! Aborinheira. Logar da freg. de Santa Catha- 
' rina, cone. das Caldas da Rainha. 
I Aborrida. Pov. da freg. de S. Bartholomeu, 

cone. d' Arouca. 
I • Abouço. Logar da freg. de Fonte Arcada, cone. 
' de Povoa de Lanhoso. 

I Abrabanel (Isaac). Judeu portuguez; n. em 

Lisboa em 1437, f. em Itália em 1508. Serviu el- 

j rei D. Affonso V, e passou depois para o serviço 

' de Feraando o Catholieo, e finalmente retirou-se 

para a Itália, quando rebentou na Peninsula his- 

i pânica a perseçuição contra os judeus. Escreveu 

uns commentarios do Antigo Testamento, que são 

estimados. 

I Abraemos. Uma das muitas c variadas moe- 

'■ das d'oiro, que correram em Goa, na índia, no 

século xvi, levadas ali pelo commercio. 

I Abragão. Pov da freg. de Armil, cone. de 

I Fafe. \\ Pov. das freg. de Cornes e Nogueira, cone. 

de Sinfães. \\ Pov. e freg. da prov. do Douro, cone. 

I e com. de Penafiel, distr. e bisp. do Porto; llGl 

I alm. 278 fog. O orago c S. Pedro. Foi fundada a 

i freguezia nos fins do século xii, em 1170, pela rai- 

1 nha D. Mafalda, mulher de D. Afibnso I. Era so- 

' lar dos Mourões Guedes, e pertenceu ao couto <ie 

' Villa-Boa-de-Quires; foi dos marquezes de Fon- 

I tes, que apresentavam os abbados. A egreja ma- 

' triz, dedicada a S. Pedro, é um bom tcmjdo, 

mandado construir em 12(H), pela rainha Santa 

Mafalda, filha dcD. Sancho 1. Em 1GG8, o abbade 



ABR 



ÁBR 



de Âbragão, dr. Ambrósio Vaz Golias, natural de 
Guimarães, reedifícou-a, á sua custa, fazendo 
também d*alli a sua residência. Antes da cons- 
trucçáo da egreja de S. Pedro, havia duas, uma 
nas PorteUas e outra em Santôme. Wesie ultimo 
sitio, chamado agora Campo Santo, descobri- 
ram-se em 1717 algumas sepulturas razas e um 
grandioso tumulo de pedra. AbragSo é terra 
muito abundante em tudo, e dista 10 k. da sede 
do concelho. 

Abra Grande. Pov. na freg. de Abran, cone. 
de Santarém, 1000 alm.; tem escola. 

Aliralaiise. Aldeia da Extremadura, patriarc. 
de Lisboa. O nome é derivado da palavra árabe 
AhraUianaxi, composta de ahra (entrada) e ha- 
naoae (cobra). 

Alirain. Pov. da freg. de Gividade (S. Thiago), 
da cidade e cone. de Braga. 

Abran. Pov. da prov. da Extremadura, cone. 
e com. de Santarém, patriarch. de Lisboa ; orago 
Santa Margarida ; 1162 alm. 273 fog. Tem escola 
do sexo masc. e estaçSo postal que permuta ma- 
las com Alcanede. Foi curato do prior d'esta vil- 
la. A pov. dista 20 k. da sede do concelho. 

Abrançalha (João José Henrique Trigueiros 
fie Castro e Athayde, visconde de). Por decreto de 
24 de julho de 1869. Moço fidalgo com exercicio 
na Casa Real, abastado proprietário em Abrantes. 
N. a 4 de julho de 1836. Era filho de José Ber- 
nardo Trigueiros do Rego Martel, fidalgo da Casa 
Real, commendador da Ordem de Christo, coro- 
nel graduado do extincto Regimento de Milicias j 
de Idanha, depois agregado ao regimento de 
Castello Branco ; coronel do 5.° Batalhão Nacio- ' 
nal Movei de Lisboa. Esteve no cerco do Porto 
em 1832 e 1833, serviu no deposito militar no i 
posto de tenente coronel, gra- 
duado em coronel do Regimento 
de Milicias da Idanha; sua mãe, 
D. Maria ChristinaRômo de Cas- 
tro e Athayde. O visconde de 
Abrançalha casou em 1867, com 
sua prima, D. Maria Eugenia 
Rômo de Castro e Athayde. Tem 
por brazão escudo partido em 

Cala : na primeira as armas dos 
'ereiras : em campo vermelho 
uma cruz de prata, florida, vazia 
do campo*, na segunda pala as 
armas dos Regos: em campo 
verde uma banda ondeada de 
prata e azul, encimada por três vieiras de ouro. 

Abrançalha. Ribeira no distr. de Santarém, 
affluente ao Tejo. Curso 10 kilometros. 

Abrançalha de Baixo e Abrançalha de 
Cima. Duas pov. da freg. de S. Vicente Martyr, 
cone. e villa d* Abrantes; Abrançalha de Baixo 
tem 39 fog. e a de Cima, 48. 

Abranches (D. Álvaro). Fidalgo da corte de 
D. João III, capitão mór de Azamor, e pae de 
D. Maria Abranches. (V. este nome). 

Abranches (D. Álvaro). Filho do l.'' conde de 
YaUadares, n. a 7 de junho de 1661 e f. em 6 de 
abril de 1746. Foi cónego da Sé de Lisboa, depu- 
tado do Santo OfBcio, regedor das justiças e 
bispo de Leiria, nomeado em 1694. í). João V 
quiz transferil-o para o arcebispado d'Evora, mas 
elle não acceitou. Foi homem muito instniido e 
um prelado exemplar. 

Abranches (D. Álvaro Vaz d^ Almada, conde 

VOL. I — PL. 2 




Conde de Abranchea 




Brnz&o do Visconde 
d*AbrançaIha 



de). Era filho de D. JoSo Alvato d*Almada, bis- 
neto, por sua avó paterna D. Maria da Cunha, 
do senhor de Pombeiro, João Lourenço da Cunha, 
primeiro marido de D. Leonor Telles. Esteve 
com seu pae em Inglaterra, que para alii fora, 
por motivo que se ignora, mas em 1415 já esta- 
vam em Portugal, pois seu pae, D. João Álvaro 
d*Almada, assistiu á tomada de Lisboa como al- 
feres das trtpas do município de Lisboa, e Ál- 
varo Vaz d' Almada distinguiu-se muito n^essa 
expedição militar, 
sendo ahi armado 
cavalleiro pelo in- 
fante D. Pedro, 
que acabava tam- 
bém de receber de 
seu' pae a ordem 
da cavallaria. Vol- 
tando a Portugal, 
não tardou a pas- 
sar a Inglaterra, 
levado pelo amor 
de aventuras, que 
tanto distinguiam 
então os cavallei- 
ros portuguezes, 
que se encontra- 
vam por toda a 
parte, ora affron- 
tando na Europa 
os perigos das 
guerras, ora nos 
mares africanos 
os perigos dos temporaes. D. Álvaro Vaz d'Al- 
mada serviu com tanta distincção nos exérci- 
tos dos reis de Inglaterra, Henrique V e Hen- 
rique VI, que este lhe deu o titulo de conde de 
Avranches na Normandia. Os nossos historia- 
dores dizem que o condado de Abranches ou de 
Avranches foi concedido a D. Álvaro Vaz d'Al- 
mada pelo rei de Franca, Carlos VII ; porem Fi- 
ganière e o visconde ae Santarém aíHrmam que 
toi o rei de Inglaterra Henrique VI. Figaniere 
baseia-se n^uns documentos originaes, que publi- 
cou, e que diz existirem no Museu Britannico; 
n'esses documentos prova-se como o duque sobe- 
rano da Normandia lhe conferiu o condado de 
Avranches. Quando os reis de Franja adquiri- 
ram finalmente a parte d*essa província franceza, 
é que Luiz XI confirmou o titulo de conde de 
Avranches em D. Fernando d' Almada, descen- 
dente de D. Álvaro. Também militou na Allema- 
nha, nos exércitos do imperador Segismundo, en- 
contrando-se alli com o infante D. Pedro. Os 
reis de Portugal reconheceram e confirmaram, 

Eosteriormente, o titulo de conde de Abranches. 
). João I, em 23 de junho de 1428, nomeou 
D. Álvaro capitâo-mór das galés, cargo que se 
conservou na sua casa até ao reinado de D. Se- 
bastião, época em que foi extincto. D. Álvaro 
Vaz d*Almada, voltando a Portugal, fez parte da 
infeliz expedição de Tanger, no exercicio do seu 
cargo de capitão-mór das galés, portando-se sem- 
pre com toda a bravura e energia. Depois da 
morte de D. Duarte, em que começaram as dis- 
córdias por causa da regência do rein»na meno- 
ridade de D. Affonso V, D. Álvaro seguiu o par- 
tido do infiinte D. Pedro, que se tornou regente 
do reino, regência tão abundante de intrigas pa- 
lacianas e traições, a que o infante succumbiu, 

13 



ÁBR 



ABR 



sendo morto traiçoeiramente na batalha (l*Alfar- 
robeira, de tristíssima memoria. Foi n^esta bata- 
lha, em 20 de maio de 1449, que o conde d*Abran- 
ches eguahnente succumbiu, logo em seguida ao 
seu amigo D. Pedro. D. Álvaro Vaz d'Almada, 
conde d'Abranches, teve illustres descendentes, 
contando-se entre elles D. Antão Vaz d* Almada, 
um dos mais celebres dos quarenta fidalgos do 
primeiro de dezembro de 1640, que concorreram 
para a libertação de Portugal do jugo castelha- 
no, sendo em seu próprio palácio que se reuniam 
os conjurados, debaixo do maior segredo. Brazão: 
as armas são as mesmas dos Almadas : em campo 
de ouro uma banda azul na qual se vêem sobre- 
postas duas cruzes de ouro abertas e floreteadas, 
e nos vãos, em outra banda, duas águias verme- 
lhas armadas de negro. Timbre, uma das águias. 
O titulo de conde de Abranches terminou na 

Êcssoa de D. Antão d*Almada, que acompanhou 
K Sebastião na infeliz jornada d'Africa, mor- 
rendo em 1578, em Alcácer Kibir. Em 13 de 
maio de 1793, D. Maria I conferiu áaucUa illus- 
tre família o titulo de nobreza e o de conde de 
Almada. 

Abranches (António Joaquim da Silva). Filho 
do Dr. Jofté Madeira Abranches e de D. Leonor 
Cazímira da Silva Abranches, n. em Avô, com. 
d^Arganil, em lõ de janeiro de 1807, e f. em Lis- 
boa a 2 d*outubro de 1868. Bacharel em direito. 
Sahindo da Universidade, foi despachado", em 
pouco tempo, juiz do crime d'um dos baiiTOs de 
Lisboa, depois de uma leitura feita no desem- 
bargo do Paço, e que foi muito apreciada. Até 
1833, desempenhou esse difficil logar, sem gran- 
gear ódios dos inimigos politicos do regimen que 
elle servia,e sem ser, comtudo, infiel a quem o 
nomeara, tanto aue em 1833, quando triumphou 
a causa libersd, logo se demittiu. Então estabe- 
leceu banca de advogado, e desde logo adquiriu 
como jurisconsulto brilhante reputação, attestada 
pelas provas de estima que a sua classe lhe dis- 
pensou, já nomeando-o secretario perpetuo da 
Asisociação dos Advogados, já publicando em 
1842 um livro intitulado Bihliotheca dos Advoga- 
dos, como o affirmam os diplomas de sócio cor- 
respondente da Academia de Legislarão de To- 
losa, e do Instituto dos advogados braztleiros, que 
Silva Abranches recebeu. Advogado do Supremo 
Tribunal Administrativo, preferiu sempre os es- 
tudos de jurisprudência- ífâo quiz nunca encar- 
regar-se auma causa crime, porque entendia ser 
remorso para a sua consciência o salvar um cri- 
minoso ou condemnar um innocente. Foi membro 
do Conservatório Real de Lisboa e d*outras cor- 

§ orações scientificas e litterarias. Pouco antes 
e fallecer, foi também conunissario régio do 
theatro de D. Maria II. Escreveu : Bihliotheca do 
advogado; Annats da Associação dos Advogados; 
O captivo de Fez, drama em 5 actos; O Barão 
dos gaUegos, farça em 1 acto ; Ensaio sobre o gosto 
e Amintor no Èmpyreo (estes dois escriptos da- 
tam dos seus primeiros annos da Universidade). 
Cursando o 2." anno, escreveu Cartas de Ache- 
ronte e Verdadeira influencia da religião no Es- 
tado. Diz Innocencio, no supplemento do seu 
Diccionario: No catalogo de escriptores collo- 
cado á frente do tomo i da versão dos Fastos 
de Ovidio, pelo visconde de Castilho, a foi. lxvi, 
vem o seu nome acompanhado da resenha dos 
titulos do varias composições. Não traslado 

U 



para aqui estes escriptos, por não tel-os presen 
tes, ignorando se são manuscriptos, se impres- 
sos. Na dita versão dos Fastos, tomo iii, acha-se 
uma nota do Dr. Abranches, que corre de pag.* 
244 a 251, e tem por titulo : Os Juramentos, 

Abranches (D. António Lobo da Costa Bor- 
ges e). Fidalgo da corte de D. José. O seu bra- 
zão, que data de 1751, contém as armas dos 
Cunhas e Nogueiras. 

Abranches ÇAntonio Manuel do Bego). N. em 
Thomar, em 1793, f. em Lisboa, a 6 de í^vereiro 
de 1851. Formou-se na faculdade de Direito na 
Universidade de Coimbra, e depois de desempe- 
nhar por alguns annos vários cargos da magis- 
tratura, passou a exercer a advocacia em que se 
tornou distinctissimo. Era um bibliographo aba- 
lisado, que não só timbrava em coUeccionar uma 
preciosa livraria, mas em estudar com ardor a 
bibliographia portugueza. Dirigiu na typogra- 
phia Rollandiana as reimpressões de vários clás- 
sicos da nossa lingua, taes como os Diálogos, de 
fr. Amador Arraes; a Imagem da vida christã, 
de Heitor Pinto ; a Ulgssipo, de António de Sousa 
de Macedo, etc, escrevendo elle mesmo os prefá- 
cios. E' auctor de vários libellos, memorias, alle- 
gacões, exposições, etc. Escreveu: Um índice cliro- 
noíogico e remissivo da novissima legislação portu- 
gueza, que se imprimiu em Lisboa, no anno de 
1836 ', O Catalogo alphaòetico das obras impressas 
de José Agostinho de Macedo, presbytero secular 
e preaador régio, que publicou em 1849, assi- 
gnando o folheto so com iniciaes; Memoria jus- 
tificativa sobre a conducta do Maredial de Campo 
Iaiíz do Rego Barreto, durante o tempo em que foi 
Governador de Pernambuco e Presidente da Junta 
Cof)stitucional do governo da mesma provinda. 
Lisboa, 1822. Posto que não traga o seu nome, é 
fama corrente que elle a escrevera, coordenando 
e pondo em ordem os documentos que a funda- 
mentavam, etc. Defeza ou resposta do Tenente 
General graduado Jorge d*Avillez Juzarte de Souza 
Tavares, Lisboa, 1823. 

Abranches. (Aristides). N. em Lisboa a 6 de 
maio de 1832, f. em 16 d' agosto de 1892 ; escriptor 
e funccionario publico; empregado na Secretaria 
do Conselho de Saúde Publica^ ficando depois 
addido ao ministério do reino; foi ensaiador do 
theatro da Trindade, e depois director de scena 
no theatro de D. Maria, cargo que exerceu até á 
data do seu fallecimento. Imitador e traductor, 
tem um longo reportório de peças theatraes; 
fundou o Almanach Taborda e o Almanach Bu- 
rocrático. Em sociedade com Duarte Joaquim dos 
Santos, foi director de uma reimpressão nitida 
dos Ltíziadas. Relação do seu theatro: Em 1 acto: 
Mariquinhas a leiteira. Trovoadas de maio. Como 
se descobrem mazellas, Nem todo o mato é oregãos. 
Quem tem medo. Um Agiota em miniatura, Posso 
foliar d «r.* Queiroz, Dois pescadores, Um casa- 
mento á queima roupa, A mãe dos Gracchos, Uma, 
alma doeste numdo. Que faria se o fosse, Três es- 
treitas, LembrançcLS da menina Aspasia, Só morre 
quem Deus yier. Em 2 actos : O Conde de Para- 
gará. Mosquitos por cordas. Em 3 actos : Stambtd, 
Pródigos e económicos. As Três rocas de crystal. 
Os Médicos, Um Homem politico, Entre a cruz e 
a caldeirinha. Amor carraça, Marquezinho, As Mi- 
nhas duas mulheres, Casa (Torates, O Dominó preto, 
A Bosa de sete folhas. Fausto o petiz, O Rouxinol 
das salas, Os Filhos de Adão, Amar sem conhecer. 



ABR 



ABR 



AmffT e mysterio, Bobinson, O Capitào negreiro. 
Em 4 actos : O Beino doa fadas, A Mãe doa es- 
cravos, Matheus o chapelleiro, Atirar ao pae para 
caçar a filha, A Senhora da bonança, O Sargento 
Frederico. Em 5 actos : A Familia do colono, O 
Advogado dos pobres, Os Contos de Boccacio. Em 
coUaboraçâo com os seguintes escriptores : Ran- 
gel de Lima : Edmundo Dantes, O Conde de Mor- 
cerf, Mosqueteiros do reino, Calumnia, Pena de 
talião. Dois pobres a uma porta, Vejam-se n'este 
espeUiOy Como se conhece o viUax), Muito padece 
quem ama; Eduardo Garrido : O VaUe dos encan- 
tos, Dar corda para se enforcar, Valentim o dia- 
brete, O Medico dos mortos; Dr. Guilherme Celes- 
tino ; O Capitão Carlota, A Mosqueteira, A estreUa 
do rei Uff; Carlos Borges : As Pilulas do diabo, 
O Visconde de Letorihres; Manuel de Macedo : O 
Diaho coxo; Cunha Moniz : O Positivo; Duarte 
dos Santos: A Mosca branca, A creança de 90 
annos. 

Abranches (GuUherme da Silva). Medico dis- 
tincto ; n. em Avô, com. d* Arganil, a 28 de julho 
de 1812, e f. de repente, em Lisboa, a 16 de ou- 
tubro de 1872. Era filho do dr. José Madeira 
Abranches e de D. Leonor Casimira da Silva 
Abranches, irmão de António Joaquim da Silva 
Abranches. Foi bacharel em medicina, provedor 
de saúde, presidente do conselho de saúde, vice- 
presidente da junta consultiva de saúde e director 
do hospital de alienados em Lisboa, onde prestou 
valiosos serviços, medico das cadeias, tendo a 
felicidade ou o mérito de evitar que o cholera 
morbus atacasse os presos do Limoeiro. Quem 
souber que o dr. Silva Abranches era um hábil 
hygienistaf não deixará de suppôr que esse feliz 
resultado se deve em boa parte ás suas preven- 
ções. Clinico muito hábil e estudioso, o dr. Silva 
Abranches dedicava-se especialmente aos estu- 
dos hjgienicos e estatísticos; publicou uns rela- 
tórios sobre o cholera morbus e a febre amarella 
(1855, 1856 e 1857), vários artigos em jornaes de 
medicina, e o Manual de hygiene dn infância, con- 
selhos ás mães de familia sobre o modo de crear e 
educar os filhos. 

Abranches (D. João de). Fidalgo portuguez c 
militar distincto. Serviu na índia durante o go- 
verno de D. João de Castro, e fez parte da guar- 
nição da fortaleza de Diu com D. João de Mas- 
carenhas, em 1547. 

Abranches (João d^ Almada, conde de). Filho 
de D. Álvaro Vaz d'Almada, usou d'este titulo, 
afim de apagar um certo odioso que pesava sobre 
08 Almadas, depois que seu pac se fizera parti- 
dário do infante D. Pedro. 

Abranches (Joaquim Cândido). Esci-iptor mi- 
chaelense. Parece que exerceu a profissão de 
ourives, e que residiu por muitos annos na ilha 
de S. Miguel. Collaborou no Diccionario dos Aço- 
res e no Aknanach Insulano. Escreveu o Álbum 
michaelense. Ponta Delgada, 1869, com 35 estam- 
pas lithographadas de vistas de monumentos, pai- 
zagens e logares notáveis da ilha. Publicou mais : 
Locubrações litterarias e Convulsões da terra. 

Abranches (José Madeira). Doutor em Direito 
pela universidade de Coimbra, homem de larga 
intelligencia e vasta erudição. Pae do advogado 
António Joaquim da Silva Abranches c do medico 
Guilherme da Silva Abranches. N. na villa de 
Avô, a 17 de junho de 1777 e morreu em Lisboa, 
a 9 d'abril de 1845 *, seus pães dcstinavam-no á 



vida ecclesiastica, porém, José Madeira Abran- 
ches, não tendo vocação para aquella vida, matri- 
culou-se na faculdade de cânones, em Coimbra, 
onde concluiu o curso em 1804. Veiu para Lisboa; 
em 1813, foi despachado juiz de Mertola, para 
onde partiu; vendo, porém, que o rendimento era 
muito diminuto, resignou o cargo, e voltou para 
a sua terra. Em 1818, foi ao Porto, onde, por 
conselho d'alguns desembargadores, se resolveu 
a abrir banca de advogado, e dentro de pouco 
tempo adquiriu grande fama. Na revolta contra 
D. Miguel, em lo28, protegeu muito os liberaes, 
o que lhe custou ser preso e condemnado a sus- 
pensão perpetua d'advogado, mas o governo não 
approvou a sentença. Apenas começou a guerra, 
retirou-se do Porto, mas o governo de D. Miguel 
o nomeou juiz de fora em Vimioso, cargo que 
exerceu muito a contento dos povos sujeitos á sua 
jurisdicção. Em 1835 veiu para Lisboa, onde 
sempre foi muito considerado. Na mocidade fora 
bom poeta lyrico ; depois, dedicando-se muito á 
jurisprudência, applicou-se ao estudo especial dos 
prazos, deixando sobre esse assumpto alemãs 
memorias interessantes. Foi um dos sócios funda- 
dores da Associação dos advogados de Lisboa e 
um dos que mais trabalharam para que ella se 
engrandecesse e consolidasse. 

Abranches (Leandro José da Costa Pereira 
fF Almeida Noronha e). Fidalço da corte d'el-rei 
D. João VI, natural da Ilha de S. Thomé. O seu 
brazão, concedido em 3 de março de 1806, com- 
pÕe-se de um escudo esauartelado : no primeiro 
quartel as armas dos Almeidas, no segundo as 
dos Pereiras, no terceiro as dos Noronhas e no 
quarto as dos Abranches. 

Abranches (D. Lourenço de Almada). Filho do 
ultimo conde de Abranches, D. Antão Vaz do 
Almada. Foi captivo na batalha d* Alcácer Ki- 
bir, e só conseguiu remir-se depois da morte do 
cardeal rei D. Henrique. 

Abranches (Manuel Corte Beal de). N. em 
Serpa; era filho de Roque da Costa. Foi cónego 
da Sé do Algai-ve, inquisidor em Évora, deputado 
do Santo Onieio em Lisboa, e o 25.^ reitor da 
universidade de Coimbra, cargo cuja nomeação 
recebeu em abril de 1664, e que exerceu ate á 
data do seu fallecimento, nos fins de dezembro do 
1666, em Coimbra. 

Abranches (D. Maria de). Filha de D. Ál- 
varo de Abranches, capitão-mór d'Azamor, e de 
D. Joanna deMello, damadapriucezaD. Joanna, 
mãe d'el-rei D. Sebastião. Foi a. fundadora do 
convento de Santa Mónica, de Lisboa, em 1586, 
empregando toda a sua fortuna n*aquella edifica- 
ção. No dia 1 de janeiro do referido anno, collo- 
cou-se a primeira pedra do convento, estando já 
prompto 10 mezes depois, a 11 de outubro, para 
receber o Santíssimo Sacramento. N 'esse dia pro- 
fessai'am 12 religiosas, sendo eleita prioreza 
D. Izabel de Noronha. D. Maria de Abranches, 
que, como fundadora, e ter sido a primeira a ves- 
tir o habito, contava ser prioreza e recolher-se 
ao convento, ficou muito despeitada e voltou de 
novo para o mundo, indo fazer as suas devoções 
ao convento da Graça. Quando morreu em 1600, 
foi sepultada na egreja da Graça, na sepultura 
de sua mãe, por ter declarado querer ser alli en- 
terrada, porque não queria estar morta nas Mo- 
nicas, logar aponde a haviam repellido. 

Abranches (Vicente Luiz). Bacharel formado 

15 



ABR 



ÂBR 



cm philosophia e direito pela universidade de 
Coimbra. Escreveu; Duas palavras acerca da Uni- 
versidade, Lisboa, 1859. Fropôe n^este opúsculo 
vários alvitres e providencias de melhoramentos, 
administrativos e económicos, litterarios emoraes, 
concernentes a tomar mais útil e respeitável o 
nosso primeiro estabelecimento scientifíco. 

Abranches Bizarro (Clemente Joaquim). Ci- 
rurgião, approvado pela antiga Escola Cirurçica 
do Hospital de S. José de Lisboa, concluinao o 
curso em 1828. Exerceu a clinica durante alguns 
annos em Lisboa, sendo depois nomeado para 
serviço próprio da sua profissão, para o Ultramar, 
onde morreu. Desconhece-se a data do falleci- 
cimento assim como a do nascimento. Escreveu : 
Dissertação sobre o uso das suturai nas ábdominaes, 
apresentada ao Corpo cathedratico da R. Escola 
de Cirurgia de Lisboa, Lisboa, 1828: Estudo pri- 
meiro sobre a doença Trisplanchnasthenia (cholera 
morbus) feito recentemente no hospital de S. José, 
Lisboa, 1833. O dr. Lima Leitão, no seu Fra- 
gmento da Historia da invasão do Cholera em 
Portugal, 1833, falia muito lisongeiramente acerca 
d*este trabalho ; Mappa e breve opúsculo do pri- 
meiro anno no hospital das Casa^ d*Azylo, nohos- 
picio das Filhas da Charidade. Lisboa, 1837 *, A 
Consciência d^uma creança, Lisboa, 1837. No tomo 
III do Jornal da Sociedade das Sciencias Medicas 
de Lisboa vem publicados alguns artigos seus. 

Abranches da Gamara (J). Álvaro). Commen- 
dador da Castanheira, na Ordem de Clu-isto, e 
morgado de Abranches Almada. Foi um dos ho- 
mens mais importantes da sua época, que mais 
serviços prestaram ao seu paiz, e um dos bravos 
portuguezes, que em 1625, cercaram e tomaram 
a cidade da Bahia, aos hollandezes. Contribuiu 
muito para a acclamação de D. João IV, em 1640, 
sendo o primeiro que arvorou em Lisboa a ban- 
deira da indepenaencia naciond, assenhorean- 
do-se do castello de S. Jorge, soltando Mathias 
d' Albuquerque e Rodrigo Botelho, conselheiros 
de fazenda., que estavam ali presos pelos domina- 
dores castelhanos. Depois da restauração, foi no- 
meado governador das armas na Beira', mestre de 
campo general na Estremadura, e conselheiro de 
estado, ria provinda da Beira praticou acções de 
valor, e entrando em Castella, saqueou e incen- 
diou algumas villas hespanholas. Fal. em 1660. 

Abrantes (D. Anna Catharina Henriqueta de 
Lorena, duqueza de). Era filha do 1.** marquez de 
Abrantes e de D. Lsabel de Lorena, filha de 
D. Nuno Alvares Pereira de Mello, 1.° duque de 
Cadaval, 4." marquez de Ferreira e 5.® conde de 
Tentúgal; D. Anna casou com seu tio, D. Rodrigo 
de Mello, irmão de sua mãe. Tendo enviuvado, 
foi feita camareira-mór da rainha D. Marianua 
Victoria, mulher d*el-rei D. José I, e em 4 de de- 
zembro de 1753, o soberano a agraciou com o ti- 
tulo de duqueza d^ Abrantes. 

Abrantes (Fr. António Baptista, ou Fr. Antó- 
nio do Bosarxo Baptista). Franciscano da Ordem 
Terceira, n. em Abrantes, em 25 de dezembro de 
1737; embarcou para o Brazil em 1807, com a fa- 
mília real, e morreu no Rio de Janeiro em 1813. 
Era professor de árabe, que aprendera com o Ma- 
renita dr. Paulo Hodar, definidor geral. Foi ca- 
pellão da armada c confessor da princeza do Bra- 
zil, D. Carlota Joaquina. Escreveu: Instituições 
da lingua arábiga para uso das escholas da Con- 
gregação da Terceira Ordem, Lisboa, 1774. 

16 



Abrantes (Fr. Christovam de). N. na vil Ia 
d'este nome, foi franciscano, capucho, e depois pro- 
vincial do convento da Piedade ; segundo afiirmam 
fr. Manuel de Monforte e Diogo Barbosa Macha- 
do, auctoridades em que se baseia Innocencio, 
traduziu os Exercidos espirituaes e divinos com- 
postos por Nicolau Eschio, trasladados do latim 
em romance portuguez. Na traducção impressa em 
Évora, em 1554 por André de Burgos, diz-se que 
foi feita por um frade menor do convento da Pie- 
dade. Fr. Christovam Abrantes falleceu em 5 de 
abril de 1574. 

Abrantes (D. José Maria da Piedade de Len- 
castre Silveira Castello Branco d^ Almeida Sá e 
Menezes, 4.^ marquez de). Era filho do 3.** marquez 
d Abrantes, D. Pedro de Lencastre; n. em t de 
fevereiro de 1784, f. em Londres em 1827. Acom- 
panhou o pae na commissão portugueza que foi 
a França, onde esteve também prisioneiro. Parti- 
dário e ultimo valido do infante D. Miguel, attri- 
buiu-se-lhe a responsabilidade no assassinato do 
marquez de LouIe, em 1824, sendo auxiliado pelo 
seu sota Leonardo; o marquez, para evitar ser 
preso, fugiu para Itália ; em 1826, julgando estar 
incluído na amnistia promulgada por D. Pedro, 
voltou a Lisboa, porém o ministério nem o dei- 
xou desembarcar, fugindo então o marquez para 
Londres; onde morreu em 1827, como acima dis- 
semos. Suspeita-se que foi envenenado. Havia 
casado em 1806, com D. Helena de Vasconccllos, 
filha dos marquezes de Castello Melhor. 

Abrantes (D. Lopo d* Almeida, i.» conde de). 
Titulo concedido por D. AfiPbnso V, em 1472 ; foi 
alcaide mór de Punhete, hoje Constância, do con- 
selho doestado, e exerceu diversos cargos impor- 
tantes na corte durante esse reinado. Era nlho 
de D. Diogo Fernandes d* Almeida, alcaide-mór 
d Abrantes, e teve por filhos : D. Francisco d Al- 
meida, 1.*» vice-rei das índias, D. João dAlmeida, 
2.<» conde dAbrantes, e D. Diogo Fernandes dAl- 
meida, 6.° prior do Crato, monteiro-mór d*el-rei 
D. João II e alcaide-mór de Torres Novas. Em 
1451, D. Lopo dAlmeida acompanhou á AUema- 
nha a infanta D. Leonor, que foi desposar o im- 
perador Maximiliano. Conta -& sua viagem em va- 
rias cartas, que estão publicadas nas Provas da 
Historia Genealógica da Casa Real Portugueza, 
do padre António Caetano de Sousa. Casou com 
D. Brites da Silva, dama da rainha D. Leonor, mu- 
lher de D. Duarte, e camareira-mór da rainha 
D. Izabel. Morreu em Almeirim, a 13 de maio 
de 1508. 

Abrantes (Padre Manuel de). Nat. de Mantei- 
gas, foi professor publico em Lisboa, domestico 
do cardeal da Cunha e cónego na coílegiada de 
Santarém. Era poeta latino muito distincto, e es- 
creveu u'esta lingua alguns epigrammas que se 
publicaram em 1615. Escreveu : Ex^igrammaia sa- 
cra per singulos ann dies, Juxta ordinem Iheviari 
Romani incipienta a nativitate Domini nostri Jesu 
Christi, cui opuscidum consecratur. Accesserunt epi- 
grammata ad Sanctos Lusitanos ad Passionem Do- 
mini, et ujia pia etiam elegia, e Cuncbat Emmanuel 
d; Abrantes, sacerdos Lusitanus, Ulisipone, 1685. 
Falleceu em 10 de janeiro de 1717. 

Abrantes (D. Maria Margarida de Lorena, 
duqueza de). Filha da 1.* duqueza, D. Anna de 
Lorena ; era marqueza dAbrantes por ter casado 
com o 2.'» marquez d*este titulo, e 8.° conde de 
Penaguião, D. Joaquim Sá Menezes e Almeida. 



ABR 



ABR 



Ficando viuva, el-rci D. José a elevou a duqiieza 
d' Abrantes. Casou pela segunda vez com D. João, 
filho legitimado do infante D. Francisco, irmão 
de D. João V, O povo chamava-lhe o sr. D, Joào 
da Bemposta, por ter estabelecido a sua residên- 
cia no real paço da Bemposta. Este principe foi 
conselheiro de estado, mordomo-mór de D. Ma- 
ria I, e capitão general das armas reaes e ga- 
leões d*alto bordo. Falleceu em 1780, e, nâo ha- 
vendo successor, terminou o titulo do duque de 
Abrantes. 

Abrantes (D. Pedro de Lencastre da Silveira 
CasteUo Branco Sá e- Menezes, 3.^ marqaez de). Era 
o 7.» conde de Villa Nova de Portimão, quando 
herdou a casa e o titulo dos antigos marquezes 
d' Abrantes. N. em Lisboa, a 28 de julho de 1771. 
Era membro da regência por occasiâo da fuga da 
família real para o Brazil. Caracter fraco e mais 
devoto que politico, depois de ser demittido do 
seu cargo, por Junot, ainda fez parte da commis- 
são portugueza que foi a Bayona cumprimentar 
Napoleão. Os outros membros d'esta commissão, 
que também iam encarregados de pedir uma at- 
tennação da pesada contribuição de guerra im- 
posta a Portugal, eram os marquezes de Marial- 
va, de Penalva, de Valença, os bispos de Coim- 
bra e do Algarve, D. Nimo, irmão do duque de 
Cadaval, o visconde de Barbacena, D. Lourenço 
de Lima, o desembargador Joaquim Alberto 
Jorçe, António Thomaz da Silva Leitão, o conde 
de babugal, e o marquez d*Abrantes, filho, D. Jo- 
sé. A exposição enviada para Lisboa, por es- 
tes coramissarios, não respirava um grande es- 
pirito patriótico, e decerto não foi ella que des- 
pertou o sentimento nacional. Estava toda cheia 
de adulações ao imperador. Foi escripta em 
Bayona no dia 27 de abril de 1808. Pouco tempo 
depois de ter chegado a Portugal, rebentou a 
insurreição, que triumphou com a chegada dos 
inglezes, e Napoleão reteve como reféns os mem- 
bros da commissão, que estavam ainda em Bayo- 
na, ficando todos prisioneiros em França, visto 
que a vergonhosa convenção de Cintra, nada es- 
tipulava a seu respeito. Regressando á pátria, o 
marquez D. Pedro foi feito par do 
reino em 1826; ainda foi testemu- "^^ 
nha das desventuras e culpas de ^v^ 
seu filho, em 1824, a quem sobre- /j^^íf^^] 
viveu, fallecendo a 25 de março de *^%^3 
1828. (V. D. José Maria da Pie- 
dade, etc.). O marquez D. Pedro 
era alcaide-mór d*Abrantes, senhor 
(i*AbranteiB, Sardoal, Bouças, Se- 
ver, dos 4 casaes de Mattosinhos, 
e dos Direitos Reaes da Terra de 
Gaia, coronel do Regimento de Mi- 
lícias de Lisboa Occidental. Foi 
casado com D. Maria Joanna Xa- 
vier de Lima, filha dos marque- 
zes de Ponte de Lima. Brazão: 
as armas reaes do reino, com um filete negro em 
contrabanda. Timbre :, um pelicano com as azas 
abertas, picando no peito, com seis bcsantes nas 
azas e um no peito. Este brazão é o da casa dos 
duques d'Aveiro, de que usavam os condes de Fi- 
gueiró e os de Villa Nova de Portimão, como des- 
cendentes do duque de Coimbra, D. Jorge de 
Lencastre, commendador-uiór das Ordens d'Aviz 
e de S. Thiago, filho legitimado de D. João II. 

Abrantes (D, Pedro José Maria da Piedade 



Brasão 

doa raarquezea 

d 'Abrantes 




Brazáo do 1.* marquei 
d'lbrantea 




de Alcântara Xavier de Lencastre, .5." marquez de). 
Era filho do 4.** marquez, D. José Maria da Pie- 
dade, etc. Foi par do reino em 1842, por succes- 
são de seu avo, por já ter fallecido seu pae. N. 
em 22 d*outubro de 1816 e f. em 2 de setembro 
de 1847. Não deixando herdeiros, ficou o titulo 
extincto. 

Abrantes (D. Rodrigo Annes de Sá Almeida e 
Menezes, i." marquez de). Descendente dos condes 
de Penaguião, sendo o 7.«* conde d'este titulo, e 
dos marquezes de Fontes, de 
que era o 3.° marquez. N. em 
19 d'outubro de 1676. Sendo a 
villa de Abrantes pertencente 
á coroa, D. João v, em 12 de 
agosto de 1718, a doou a este 
distincto fidalgo, com todas as 
suas jurisdicções e titulo de 
marquezado, de juro e herdade 
para os primogénitos d*esta 
casa; foi donatário de muitas 
mais villas, governador das ar- 
mas da cidade do Porto e das 
fortalezas de S. João da Foz e 
de N. S." das Neves em Lessa 
de Mattosinhos, commenda- 
4or de varias Ordens, mestre de campo de infan- 
teria, posto em que serviu na guerra da succes- 
são contra Hespanha, censor da Academia Real 
da Historia em 1720, embaixador em Roma e em 
Madrid, por occasiâo dos casamentos dos prínci- 
pes das duas cas'as soberanas, D. José e I). Ma- 
ria Barbara, filhos de D. João V, com os dois fi- 
lhos de D. Filippe V, Maria Victoria e D. Fer- 
nando. Por esta occasiâo, o rei de Hespanha 
agraciou-o com o coUar de tosão d'ouro. Éra fi- 
dalgo de grande illustração e protector de Vieira 
Lusitano, durante a sua residência em Roma. 
Morreu em Abrantes a 30 d'outubro de 1733. 
Brazão d'armas, o mesmo dos condes de Pena- 
guião e dos marquezes de Fontes : um escudo xa- 
drezado de prata e azul, de 6 pecas em facha e 7 
em palas. Timbre, um pescoço de búfalo da cor 
própria, xadrezado de negro e prata com uma ar- 
gola de ouro nas ventas. 

Abrantes. Villa da prov. da Extremadura, 
sede de cone. e de com., distr. de Santarém, bisp. 
de Portalegre. Tem duas freg. : S. João Baptista, 
com 1607 alm. e 340 fog. ; e S. Vicente Martyr, 
com 3409 alm. e 884 fog. Tem feira a 24 de feve- 
reiro, que dura trcs dias. Abrantes está situada 
na margem direita do Tejo, em fértil e deliciosa 
elevação. Do alto do castello, collocado ao ex- 
tremo da villa, desfructa-se um pittoresco pano- 
rama; em dias claros, descobrem-se sobre uma 
enormissima arca diversas terras: Santarém, 
Sardoal, Mação, Castello de Belver, Constância, 
a Torre de Gavião, e muitas outras freguezias. 
Tem Misericórdia, hospital, estação telegraphica 
e postal, estação de caminho de ferro, correio, 
: theatro e escolas para ambos os sexos. Praja 
d'arma8 de segunda ordem; a actual guarnição 
militar consta do regimento de caçadores 1 (novo 
' batalhão), grupo de baterias de artilheria mon- 
j tada. E' sede de districto do recrutamento e re- 
serva 22. As ai-mas d'Abrantcs são quatro flores 
I de lis e quatro corvos com uma estrella no meio 
I cm campo azul. A estação telegraphica e postal 
I tem serviço de emissão c pagamento de vales do 
'. correio e tolcgraphicos, cobrança de recibos, le- 

17 



ÂBR 



ÁBR 



^Ét^ 



tras e obrigações, e serviço de cncommcndas 
postaeSf permutando malas com a R. A. L. Dista 
61 k. da sede do distr. O cone. é composto de 16 
freg. com 21:397 habit., sendo 10:134 h. e 11:193 
m. n'uma superfície de 77:033 hect. Estas fregue- 
zias sao: Aboboreira ou Abobreira, Abrantes 
(S. João Baptista), Abrantes (S.Vicente Martyr), 
Aldeia do Matto (Santa Maria Magdalena), Al- 
vega (S. Pedro), Bemposta (Santa Maria Magda- 
lena), Martinxel (S. Miguel), Mouriscas (S. Se- 
bastião), Panascoso, Pego (Santa Luzia), Rio de 
Moinhos (Santa Euphemia), 
S. Miguel do Rio Torto, Ro- 
cio ao sul do Tejo (N- S.* 
da Conceição), S. Facundo, 
Souto (S. Silvestre), e Tra- 
magal (N. S." da Oliveira). 
Abrantes é cabeça de uma 
com., que se divide em 5 jul- 

fados : Abrantes, Constância, 
onte de Sor, Rocio do Sul 
do Tejo e Sardoal ; é formada 
pelas fresneziíís do cone. (ex- 
cepto Abobreira, Sardoal e 
Panascoso, que fazem parte 
da com. de MaçSo), as freg. do cone. de Con- 
stância, as *quaes são : Constância, Mont^Alvo e 
Santa Margarida da Coutada, as freg. do cone 
de Ponte de Sor, que são: Galveias, Montar- 
gil e Ponte de Sor, e finalmente as freg. de 
S. Mathias e S. Thiago do Sardoal, que é ca- 
beça do cone. doeste nome. Abrantes é pov. im- 
portante e muito antiga. Foi fundada pelos Gal- 
los-Celtas, 308 annos antes de Christo. Consta 
que o'pretor romano, Tuòo, a reedificou e lhe deu 
o seu nome ; outros, porém, querem que fosse fun- 
dada pelos Turdidos, 990 annos antes de Christo. 
No tempo dos romanos foi uma povoação flores- 
cente, governando Augusto Cezar; o cônsul De- 
cio Junio Bruto edificou o castello, 130 annos an- 
tes de Christo. Os godos tomaram-na aos romã- 



tí^t 



Brftsio da tIIU de 
Abrantes 



mór; os árabes por duas vezes a assaltaram: cm 
1179, por Aben Jacob, filho do miramolim de Mar- 
rocos, que veiu sobre ella com um grande exer- 
cito, 6 lhe pôz cerco, mas os habitantes resistiram 
fortemente, e os mouros viram-se obrigados a re- 
tirar. O segundo assalto foi em 1195, por um ou- 
tro exercito commandado pelo celebre Almançor, 
que foi também derrotado. Tendo ficado a villa 
muito arruinada, logo no primeiro cerco em 1179, 
D. Affonso I a mandou reconstruir, dando-lhe fo- 
ral com muitos privilégios, em recompensa do 
heroísmo dos seus habitantes. D. Diniz deu-lhe 
novo foral em dezembro de 1279, sendo este re- 
formado por D. Manuel, em 1 de julho de 1510, 
em Santarém, com os mesmos privilégios. Os por- 
tuguezes restituíram á villa o nome que os Godos 
lhe haviam dado, trocando-lhe somente o u em v, 
ficando Avrantes e depois Abrantes. D. Afibnso III 
começou as muralhas da circumvallação em 1250, 
e D. Diniz as terminou em 1300 ; este monarcha 
melhorou a fortaleza, dotando-a com a Torre de 
Menagem, e querendo engrandecer mais a villa, 
passou aos seus moradores jurisdicção sobre os 
de Punhete (hoje Villa Nova de Constância), fi- 
cando desde então esta povoação fazendo parte 
do termo d' Abrantes. D. Affonso IV accrescen- 
tou-lhe Amêndoa, Mação, Ponte de Sor e a Al- 
deia de Lagomel, declarando por sentença, todo 
o seu termo sujeito á ordem de Malta. Anterior- 
mente, D. Diniz tinha dado o senhorio da villaj'a 
sua mulher, a rainha Santa Izabel. Mais tarde, 
em 5 de janeiro de 1372, D. Fernando o conce- 
deu a sua mulher, D. Leonor Telles. D. Jorge, 
filho natural de D. João II, nasceu n*esta villa, 
em 12 de agosto de 1481 ; foi duque de Coimbra 
e grão-mestre das ordens de Aviz e de S. Thiago. 
Em 1481 também foi elevado a bispo de Coimbra 
e inquisidor-mór, D. Jorge d*Almeida, filho do 
1.» conde d'Abrantes. Em 1483, D. João II, es- 
tando em Évora, foi a Abrantes com a rainha e 
toda a corte, e alli recebeu a embaixada do papa 




Vista de Abrantes 



nos, e deram-lhe o nome de Aurantes, pelo facto 
do muito ouro que se extrahia alli das areias do 
Tejo. Outros dizem, que foram os romanos que 
lhe deram o nome de TibucUAurantes. Em 716, 
os árabes, a conquistaram aos godos e lhe chama- 
ram Líbia. D. Affonso I a tomou d*assalto em 8 
de dezembro de 1148, e desde então ficou perten- 
cendo ao reino. Querendo este soberano remune- 
rar os serviços de seu filho natural, D. Pedro Af- 
fonso, ou como outros pretendem, seu irmão, deu- 
llio o senhorio do castello, nomeando-o alcaido- 

18 



Xisto IV, pela qual era emprazado por si ou por 
I seus procuradores a comparecer na corte de Roma 
I e dar razão do seu comportamento por se ter in- 
tromettido nas cousas da egreja; e dVqui no- 
meou embaixadores que por eíle respondessem 
' perante o pontifica. Foi também em Abrantes, 
I que em agosto de 1483, mandou degolar em esta- 
• tua, ao marquez de Montemor, D. «João, irmão do 
duque de Bragança, por lhe constar que, estando 
em Ilespanha, conspirava contra ellc. Do se- 
, culo XVI para o xvii, esta villa pertencia á coroa : 



ABB 



ABR 



cahiu tanto em decadência, que chegou a estar 
quasi despovoada; D. Pedro II, pelos annos de 
1G68, levantou-a das suas ruinas, reedificou e am- 
pliou as muralhas e as fortificações, povoando-a 
de novo. D. João Y deu depois, em 12 d*agosto 
de 1718, a villa de juro t herdade, com todas as 
juiisdicçòes e titulo de marquezado, a D. Eo- 
drigo Ajines de Sá Almeida e Menezes, alcaide- 
mór da mesma villa, 3.<* marquez de Fontes e 6.** 
conde de Penaguião (V. Marque d^ Abrantes). 
Esta villa, até então condado,' por morte da neta 
do l."* marquez, passou novamente para a coroa. 
Data d'esta occasiâo a independência completa 
da comarca d'Abrantes, até alli sujeita á com. de 
Thomar. O titulo fora concedido a D. Lopo d' Al- 
meida, em 1472, por el-rei D. Affonso V. Quando 
este monarcha subiu ao throno, renovou a anne- 
xacâo dos povos Amêndoa e Mação ao termo 
d*Abrantes, e separou doesta villa as freg. de 



S. Pedro d'Alvega, S. Matheus e S. Thiago do concluindo-se as obras em 1527, já depois da 



quia que lhe levou de Lisboa o 1." alcaide-mór 
da villa, um dente de ÍS. ViceiUe* O templo é ma- 
gestoso e merece ser visto; tem collegiada com 
6 beneficios simples. A egreja de S. João Ba- 
ptista é de três naves, foi priorado; tem colle- 
giada, com 2 beneficios simples. Santa Maria do 
Castello é também templo muito antigo, e igno- 
ra-se o nome do fundador; é pequeno, mas en- 
cerra muitos objectos d^arte e de grande valor, 
sobresahindo os mausoléos de Diogo Fernandes 
d* Almeida e de D. António d* Almeida, da fami- 
lia dos marquezes d' Abrantes. A egreja de S. Pe- 
dro é também muito antiga; na primitiva foi 
construida fora da villa, n*um sitio chamado Ou- 
teiro de S. Pedro, ou Carrasqueiro. Tem 2 con- 
ventos de frades e 2 de freiras. O dos frades domi- 
nicos, fundado em 1472 por D. Lopo d'Almeida, 
filho do 1.® conde d'Abrantes, e por ser local 
doentio, D. Manuel o mudou para dentro da villa. 



morte d*aquelle monarcha. Chamava-se N. S.* da 
Consolação. Alguns escriptores afiii-mam que fora 
Diogo Fernandes d* Almeida, pae do 1.*» conde de 
Abrantes, quem fundara o convento, no sitio cha- 
mado Mosteiro Velho, conforme se vô n'um per- 
gaminho existente na Torre do Tombo. O con- 
vento dos frades de Santo António foi fundado 
por D. Lopo d' Almeida, 3." conde d' Abrantes, 
começando as obras em 1526 ; era situado no si- 
tio da Eibeira de Abrançalha, no mesmo local 
em que existira a ermida de N. S.* da Luz. Os 
frades viveram 4õ annos n'este convento, mas 
por falta de condições hygienicas, ou porque o 
tempo e a falta d aceio o tornasse insalubre, o 



Sardoal, e por fallecimento do alcaide Diogo 
Fernandes d' Almeida, em 5 de janeiro de 14S), 
deu a alcaidaria-mór d*esta villa a seu filho pri- 
mogénito, D. Lopo D'Almeida, pae do 1.® vice-rei 
das índias, D. Francisco d*AJmeida. D. Sebas- 
tião, em 1571, por carta régia de 30 de maio, 
elevou o logar de Punhete á categoria de villa, 
dando-lhe termo separado do de Aorantes. Con- 
firmou os antigos privilégios dos moradores da 
villa. Em 1809, a regência do reino mandou for- 
tificar de novo a villa, e em 1857 ainda se fize- 
ram alguns reparos e melhoramentos. Em 1860, o 
barão da Batalha, então governador do Castello, 
instou com o ministro da guen-a, para que fosse 
reformada a torre, que estava muito ar- 
ruinada. Actualmente tem dois pavimen- 
tos e as paredes reforçadas por grossos 
supportes. Em 12 d'agosto de 1810, houve 
nas proximidades d^Abrantes, uma bata- 
lha, dada pelo exercito anglo-luso contra 
as hordas nrancezas, que ficaram derrota- 
das. Mais tarde, desde 9 de outubro do 
referido anno até 7 de março de 1811, o 
general Massena, com os seus soldados, 
cercou a villa, mas a tropa portugueza, 
os habitantes e algumas tropas inglezas 
defenderam-se energicamente, e os fran- 
cezes debandaram, fugindo para Hespa- 
nha. Filippe IV deu o titulo de duque de 
Abrantes a D. Affonso de Lencastre, e 
Napoleão, julgando-se já senhor de Por- 
tugal, concedeu egual titulo ao general 
Junot, porém nenhum doestes titules foi 
reconhecido pelas auctoridades portu- 
guezas; no entretanto, Junot continuou 
assignando-se Duque d^ Abrantes, e sua 
mulher, Laura de Saint-Martin Permon, 
que residia em Franca, era conhecida ^ 
como duqueza d*aquelle titulo. Abrantes,^no seu facto é que os frades começaram a pensar na 




Praça R»yinando Soarea 



principio contava apenas duas ruas : Eua Nova e 
Rua do Castello, que se arruinaram; foi-se es- 
tendendo pelo monte abaixo até a uns grandes 
salgueiraes. Em memoria d*elles ainda alli existe 
a Pontt dos Sahueiros. No meiado do século xvni, 
ainda tinha 4 n-eg. : V. Vicente, S. João Baptis- 
ta, Santa Maria ao Castello e S. Pedro. A prin- 
cipsd egreja é a de S. Vicente, cuja prinutiva 
edificação se attribue aos godos. Até 1150 cha- 
mava-se N. S." da Conceição, depois é aue to- 
mou a invocação de S. Vicente Martjr, peta reli- 



consti-ucfão d'outro convento. O sitio escolhido 
era próximo da ribeira denominada Valle de Bãs, 
também conhecida pelo nome d' As Biccas; no 
fim de discussões renhidas, o terreno para o novo 
edificio ficou definitivamente resolvido ser um 
sitio mais próximo da villa, chamado Fonte do 
Ouro. A mudança do convento foi auctorisada 
pelo alvará de Filippe I, datado de 1 de feve- 
reiro de 1593. As obras começaram em 1601. No 
anno de 1714, D. João V retormou-o. Na occa- 
siâo em que se procedia a essa reforma, fr. Fraii- 

19 



ABR 



ABR 



cisco de S. Thiago, então superior do convento, 
ordenou que se abrisse na cerca uma nascente 
d*agua, e se fizesse a fonte, que hoje se chama 
doa Frades, ficando abandonada a Fonte do Ouro, 
porque a má qualidade da agua não permittia 
que se aproveitasse para beber. O convento foi 
cedido á camará, pela carta de lei de 10 de ja- 
neiro de 1859, e presentemente, n'uma parte do 
edificio, está estabelecido o matadouro munici- 
pal. O convento de N. S.« da Graça, de freiras 
dominicas. construiu-o D. Vasco de Lacerda, 
bispo da Guarda, em 1384. O convento da Espe- 
rança, de freiras de Santa Clara, franciscanas, 
foi primitivamente 
organisado, em 1538, 
na ermida da Ribei- 
ra, fora da villa, por 
tima senhora natural 
de Lisboa, Brites da 
Silva. Como fosse 
muito acanhado e o 
sitio bastante doen- 
tio, as freiras pro- 
jectaram mudar-se 
para logar mais sau- 
d a V e 1 ; escolh eram 
então no ponto mais 
elevado da villa, 
dentro da freguezia 
de S. Vicente, umas 
casas existentes na 
rua de Santa Iria e 
a ermida de San- 
fAnna, onde se in- 
stai laram proviso- 
riamente em 15 de 
março de 1576. De- 
|K)is de muitas dis- 
córdias que se se- 
^iram á morte de' 
Fr. Manuel Travas- 
sos, que fazia parte 
d a commissão das 
obras, já no reinado 
de Filippe III, em 
1621, é que se con- 
cluiu o convento. As 
freiras viveram aqui 
até 1809, anno em 

3ne foram removi- 
as para o mosteiro 




Egreji de S. Joio BaptisU 



de Villa Longa, pela circumstancia d'aauelle edi- 
ficio estar comprehendido dentro dos limites do 
traçado das obras da fortificação da Pra^ a, mas 
como essas obras não chegassem a realisar-se, 
o edificio não foi demolido. Actualmente, n'uma 
parte do convento está o theatro Tibuciano, e o 
resto é occupado pela escola de instrucção pri- 
maria. Abrantes é solar dos Themudos, appellido 
nobre cm Portugal. O primeiro que se assignou 
com este nome, por ordem expressa de D. Af- 
fonso V, foi Euy Fernandes Themudo, natural 
doesta villa. Foi um esforçado capitão oue fez 
prodígios de valor nas guerras d^Africa. Em re- 
compensa, o mesmo :^ei D. Afibnso, em provisão 
de 11 d'outubro de 1476, lhe ampliou as armas, 
ficando: em campo azul uma águia de ouro, de 
duas cabeças, azas abertas e os pcs firmados so- 
bre uma cabeça de mouro, com turbante de pra- 
ta, cortada de sangue, e por orla um cordão de 



ouro, o de S. Francisco. Timbre, meia águia de 
ouro. Abrantes foi muito querida d'el-rei D. Ma- 
nuel. Alli nasceram os seus filhos, o infante 
D.Luiz em 1505, e D. Fernando em 1507, o qual 
viveu n'aquella terra até á data do seu falleci- 
meuto, 1535, na casa que depois passou para o 
morgado Caldeira. No tempo de D. Pedro I, 
D. João n e D. Manuel, foi por vezes residência 
real. Abrantes tem progrecfido muito; próximo 
da villa ha varias nascentes d'aguas mineraes, 
sendo a melhor, a agua ferruginosa que nasce na 
quinta do Bibeirinho. A villa está a 30 gr. e 24 m. 
de lat e 10 gr. e 22 m. de lonç. Os principacs 

editicios que hoje 
alli existem são a 
casa da camará, as 
duas egrejas paro- 
chiaes pertencentes 
a cada uma das duas 
freguezias em que a 
villa hoje se divide, 
conforme dissemos : 
S. Vicente Martyr e 
S. João Baptista ; o 
hospital da Miseri- 
córdia, o convento 
da Graça ; o extineto 
convento de S. Do- 
mingos, que tem ser- 
vido de quartel mili- 
tar; o extineto con- 
vento da Esperança, 
hoje hospital mili- 
tar e theatro; o an- 
tigo quai*tel da le- 
gião do Marquez de 
Aloma, que actual- 
mente- faz parte do 
quartel d'artilharia; 
o palácio dos Mar- 
quezes de Abrantes, 
reduzido a presidio 
militar e arrecada- 
ções annexas ao go- 
verno do castello. 
Na egreja de Santa 
Maria do Castello, 
que depois foi tor- 
nada em palheiro, e 
agora deposito da 
bateria d*artilharia. 



I ainda se admiram os túmulos dos antigos mar- 
I quezes d'Abrantes, em que já falíamos, porém já 
' muito deteriorados; principalmente, o que está 
collocado á direita, em frente da porta lateral, é 
d*um trabalho de ornamentação de raro valor ar- 
tístico, é uma peça archeologica que bem merecia 
maior cuidado, livrando-o do abandono em que se 
encontra, entregue a um vandalismo indecoroso. 
\ O marquez de Pombal, que tanto trabalhou para 
o desenvolvimento da agi*icultura, da industria o 
do commercio, logrou animar em Portugal a 
cultura da seda. Para assegurar uma industria 
que tanto havia subido na França e na Allema- 
nha, mandou vir d*aquelle paiz 3y:357 plantas de 
amoreiras, que mandou distribuir por um elevado 
numero de povoações de todas as províncias. 
Abrantes foi contemplada com 2:897 dVssas plan- 
tas que a camará mandou distribuir pelos pro- 
prietários do concelho, sendo o maior numero piau- 



ABR 



ABR 



tados nas cercanias da villa, e o resto nos campos 
das Mouriscas, Rio de Moinhos, Ribeira d*Abran- 
çalha e outras povoações. Esta providencia deu 
em resultado o desenvolvimento d uma riquissima 
producção de seda, que augmentõu consiaeravel- 
mente o commercio da villa. Hoje está totalmente 
extincta esta industria, e das amoreiras já poucas 
existem. Abrantes tomou grande parte nas luctas 
politicas que tem havido no paiz desde 1820, mas 
sem nunca deixar de progredir. Em Abrantes teem- 
se publicado os seguintes jornaes : O Abrantes, 
6, agosto, 1892, a junho, 11K)2 ; O AbrantinOy 22, 
abril, 1886, e terminou pouco tempo depois ; Ama- 
dor Arrats, 1, fevereiro, 1900, em publicação ac- 
tualmente; Correio éP Abrantes, 9, novembro, 1884 
a 1900, o primeiro jornal publicado em Abrantes; 
Jornal d' Abrantes (!.•»), 16, março, a 19, outubro, 
1884 ; Jornal d^ Abrantes (2.*»), 27, maio, 1900, em 
publicação; A Nova, 4, novembro, 1888, a 2õ, ja- 
neiro, 1891 (?); O Riomoinhense (!."), 4, setembro, 
1896, a abril, 1897; O Eiomoinherue (2."*), l,maio, 
a 30, novembro, 1897; Semana d' Abrantes, 12, de- 
«embro, 1897, a 12, junho, 1898; Voz do Artista 
(1.»), 25, dezembro, 1896, a 19, setembro, 1897 (?); 
A Vo% do Artista (2.®), 7, setembro, 1902, em pu- 
blicação. Além d*estes jornaes tvmbem ali foram 
publicados os números únicos seguintes: A Cari- 
dade, 24, junho, 1896 ; Folhas Intimas, 15, abril, 
1888, o primeiro, numero único publicado em 
Abrantes ; Joào de Deus, 8, março, 1895 ; A Phi- 
laniropia, 5, julho, 1896 ; O Híomoinhense, 1, de- 
zembro, 1897. II Pov. na freg. de Lobeira, cone. de 
Guimarães. 

Abrantes e Castro (Bernardo José de). Fidal- 
go cavalleiro da casa real, por alvará de 14 de 
janeiro de 1824. Doutor em medicina pela uni- 
versidade de Coimbra, medico da Real Camará, 
phjsico-mór do Exercito e honorário do Reino, 
conselheiro de estado, nomeado em 1827, cujo 
exercido se lhe negou depois em 1833, havendo 

Suem se persuada que o desgosto, que então sof- 
'cu, fôra a causa da sua morte. N. em Santa Ma- 
rinha, com. da Guarda, em 1771, e era filho de 
José Correia do Castro e de D. Maria d*Abran- 
tes. Em 30 de março de 1809, foi preso e man- 
dado para a Inquisição, sendo accusado du jaco' 
bino e maçon, Acompanhou-o á prisão o desem- 
bargador José Valente do Casal Ribeiro, então 
juiz do crime do bairro do Limoeiro. Sahiu da 
Inquisição em 21 do dezembro do mesmo anno, 
sendo mandado residir em Faro, para onde par- 
tiu debaixo de prisão. Obteve depois passar a 
Inglaterra, onde sob a protecção do conde de 
Funchal, embaixador em Lonares, e auxiliado 
pelo Dr. Vicente Pedro Nolasco, fundou o jornal 
politico-litterario O Investigador Portuguez, em 
que se notam 20 artigos seus. Soffreu ainda va- 
rias alternativas de tortuna e alguns trabalhos, 
promovidos pela parte muito activa que tómára 
nos neçocios políticos do paiz, em 1826. Voltando 
da emigração em 1833, hospedou«se em casa do 
seu antigo amigo José Bento d* Araújo, e ahi fal- 
leceu em 14 de novembro do mesmo anno. Escre- 
veu: Supplica a Sua Alteza Real o Principe Re- 
gente nosso Senhor, Londres, 1810; Memoria sobre 
a conducta do Doutor Bernardo José de Abrantes 
e Castro, desde a retirada de Sua Alteza Real 
para a America, Londres, 1810, — com prebende 
esta obra numerosos documentos justificativos. 
£* narrativa interessante por envolver varias 

VOL. I FL. 3 



particularidades relativas á época da invasão 
franceza ; Historia secreta da corte e gabinete de 
S. Cloud, traduzidn em portuguez, Lonares, 1810 ; 
Carta do conselheiro Abrantes a Sir W. A* Court, - 
sobre a regência de Portugal, e a auctoridade do 
Sr, D. Pedro IV como rei de Portugal e comopae 
da Senhora D, Maria II, Londres, 1827. 

Abráo. Aldeia na prov. de Entre Douro e Mi- 
nho, arceb , com. e termo da cidade de Braga. 
Pertence á freg. de S. Pedro de Maximinos. 

Abra vezes. Pov. da prov. da Beira Alta, freg. 
de N. S.* dos Prazeres, cone, com., distr. e bisp. 
de Vizeu. 1891 alm., 463 fog. Tem caixa postal. 
Dista 2 k. da sede do concelho. 

Abra via. Logar na freg. d*Arrifana e na de 
Santo André, cone. de Poiares. 

Abrechoeira. Pov. no cone. de Thomar. 

Abrecovo. Pov. na freg. de Lever, cone. da 
Feira. || Pov. na freg. de Gouvinhas, cone. de Sa- 
brosa. 

Abregá. Pov. na freg. de Santa Leocadia, 
cone. de Taboaço. 

Abreg^. Logar na freff. de Cornes, cone. de 
Villa Nova da Cerveira. i| Logar na freg. de No- 
gueira, cone. de Sinfães. 

Abrego. Pov. na freg. de Villarinho, cone. de 
Santo Thyrso. 

Abregueiro. Pov. da freg. de Meixedo, cone. 
de Vianna do Castello. 

Abreiro. Villa e freg. da prov. de Traz -os - 
Montes, cone. e com. de Mirandella, distr. e arceb. 
de Bragança, orago Santo Estevam. 748 alm., 180 
fog. Abreiro fica situada na margem direita do 
Tua, onde existe uma ponte de cantaria, con- 
struida pelos annos de 1760. D. Sancho II deu- 
Ihe foral em 9 de setembro de 1225, que foi con- 
firmado por D. Affonso III em 1250. D. Manuel 
deu-lhe novo foral em Lisboa, a 2 de agosto de 
1514. Pertenceu aos marquezes de Villa Real, 
que a perderam por serem traidores á pátria, em 
1641. Passou depois a ser commenda e isento da 
ordem de Malta. E* pov. muito antiga, fundada 
talvez pelos godos. Os árabes também a possuíram. 
O nome de abreiro vem de abara, palavra árabe. 
A pov. dista 23 k. da s^e do concelho. 

Abre-Mar. Logar da costa de Portugal, entre 
Povoa de Varzim e Villa do Conde. 

Abreu. Appellido de família nobre, represen- 
tado por diversaj casas de Portugal; vem do nome 
d'uma povoação chamada Avreu, na prov. do Mi- 
nho, freg. de S. Pedro de Merufe, termo de Mon- 
são, onde se vêem as ruinas d*uma torre chamada 
Pico de Regalados. Os Abreus foram senhores e 
depois condes de Regalados. Brazão : cinco cotos 
de águia de ouro em aspa, cortados em sangue, 
e os potos virados para a direita do escudo. Elmo 
d*aço cerrado. Timbre : um dos cotos. 

Abreu (Adelino Júlio Mendes de). Filho do 
doutor JuIio Mendes de Abreu e de D. Emí- 
lia Cândida. Nasceu em Oliveira do Hospital, 
a 5 de fevereiro de 1869. Bacharel formado 
em direito pela Universidada de Coimbra, em 
1896. Tem escripto vários trabalhos de muito 
valor, toes como Traços Histórico- Criticos, mo- 
nographia sobre a villa de Oliveira do Hospital, 
obra prefaciada por Oliveira Martins e illustrada 
com gravuras da localidade ; Serra da Estreita, 
monographia importante sobre ethnographia das 
soberbas altitudes dos antigos Montes Herminios, 
illustrada com gravuras dos pontos mais pitto- 

21 



ABR 



ABR 



rescos. O primeiro doestes livros foi publicado 
em 1892, sendo o auctor estudante do seeundo 
anno de direito, e o seguinte ainda quando es- 
tudante do quinto anno, cm 1895. Este ultimo 
livro acha- se esgotado. E' sócio do Instituto de 
Coimbra, do Conselho Heráldico de Franp, da 
Sociedade de Geographia de Lisboa, da Real As- 
sociação dos Archeologos e tem escripto artigos 
litterarios e políticos em vários jornaes. Actual- 
mente exerce o importante cargo de advogado 
consultor da Companhia de Credito Predial For- 
tuguez. 

Abreu (Aleixo de). Capitão por tuguez que ser- 
viu na índia. Commandou uma náu da armada de 
Manuel de Lacerda, em 1527, sendo governador 
Pêro de Magalhães. Naufragou na ilha de S. Lou- 
renço, onde morreu cheio de privações. 

Abreu (Aleixo de). Mestre em artes pela univ. 
de Évora, e licenceado em medicina pela univ. 
de Coimbra, cujos estudos seguira á custa do es- 
tipendio real| que se costuma dar aos estudantes 
pobres, diz Barbosa. N. em Alcáçovas, em 1568, 
e f. em Lisboa, em 1630. Quando D. Affonso Fur- 
tado de Mendonça foi nomeado governador d* An- 
gola, pediu-lhe que o acompanhasse como seu 
medico. Aleixo d'Abreu partiu então para Loanda, 
onde viveu 9 annos, dedicando-se especialmente 
ao estudo das febres africanas, sendo o primeiro 
medico que escreveu na Europa acerca d'esses es- 
tudos, e o primeiro que tratou d'aquellas doenças 
em Portugal, quando regressou d'Africa, em 1606. 
Chegando a sua grande fama a Filippe lí, então 
de posse do throno portuguez, este monarcha o 
maudon chamar para seu medico, em attenção aos 
seus elevados merecimentos. Escreveu em caste- 
lhano : Tratado de las aiete enfermedadeê de la 
inflamacioH universal dei higado, zirbo, piloron y 
rt^onetf, y dela obstrucion, de la satiriasi, y fievre 
maligna^ e pasion hypocondriaca, Lisboa, 1623. No 
fim a*esta obra vem o Tratado do Mal de Loanda. 

Abreu (D. Álvaro de). N. em Portugal, mas 
passou á Hespanha, onde tomou o habito de car- 
melita no convento de Gibraleon, na Andaluzia, 
em que veiu a ser prior. Voltou á pátria, e foi 
nomeado bispo de Silves em 1426, e em 1428 
acompanhou a França o embaixador encarregado 
de tratar o casamento da infanta D. Izabel com 
o duque de Borgonha. Sendo depois transferido 
para o bispado d'£vora, pregou na acclamação de 
D. Duarte. Acompanhou a expedição a Tanger, 
e depois da volta ao reino, esteve nas cortes de 
Leiria, oppondose energicamente a que Ceuta 
fosse restituída aos mouros. Morreu em 1440. 

Abreu (Ambrósio Cardoso). N. em Castello 
Branco. Doutor em Cânones. Prior de Santo An- 
dré, em Lisboa nos fins do século xvi. Escreveu : 
AUegatio júris pro inter dicto posito ecclesiastico ; 
AUegatio pro interdicto p')sito m urbe Olisiponensi; 
Mezòes feitas na causa da imposição dos vinhos. 

Abrea (André de). Portuguez residente na ín- 
dia, que se tornou notável, como cabeça dos tu- 
multos havidos em Baçaim no anno de 1617. 

Abreu (André Chichorro da Gama Lobo e). 
Nat. de Monforte, no Alemtejo. Fidalgo da corte 
de D. João VI e coronel das milicias de Portale- 
gre. O brazão, conferido eai 1825, consta de um 
escudo esquartelado ; no primeiro quartel as ar- 
mas dos .Souzas, no segundo as dos Gamas, no 
terceiro as dos Lobos , e no quarto as dos Abreus. 

Abreu (Nunes Antão de). Fidalgo da corte de 

22 



D. João ni, descendente da nobre linhagem dos 
Regos e Abreus. Brazão, um escudo de campo 
esquartelado; ao primeiro quartel de verde e uma 
banda ondada de prata e n'ella três vieiras de 
ouro riscadas dé preto e perfiladas d*azul ; ao se 
gundo de vermelho e cinco cotos de ouro em aspa, 
e por differcnça uma brica de prata e n*ella uma 
de preto; elmo de prata aberto guarnecido de 
oiro, paquife de oiro, verde e vermelho, e por 
timbre um dos cotos. 

Abreu (António de). Fidalgo portuguez, nat. da 
ilha da Madeira, capitão dos mais distinctos que 
militaram na índia. Acompanhou Afi^onso d'Albu- 
querque em 1514 á conquista de Malaca. Foi 
mandado n*esse mesmo anno, pelo graude gene« 
ral portuguez, com três navios reconhecer as Mo- 
lucas, sendo capitão d*um d*esses navios, e com- 
mandando os outros dois Francisco Serrão e Diogo 
Affonso. Foram os tres navios seguindo a costa da 
ilha de Sumatra, e passando depois a de Java, 
seguiram por Madura, Bali, Sumbava, Solor e 
Nova Guiné. António d* Abreu abordou a Am- 
boina, e Francisco Simòes perdeu o navio em 
Ternate, mas salvou-se com a tripulação. Antó- 
nio d*Abreu visitou as principaes Molucas, vol- 
tando doesta derrota com riquíssima carregação. 
Explorou também as costas d' Austrália, a que se 
deu então o nome de Grande Java, Regressando 
a Portugal, voltou a Goa em 1527, como capitão- 
mór de Malaca, e foi um dos juizes que decidi- 
ram a contenda que n*aquella cidade houve en- 
tre Logo Vaz de Sampaio e Pêro Mascarenhas, 
sobre qual dos dois tinha direito ao governo da 
índia. Em 1534 ainda figura valorosamente nos 
combates contra Malaca, sendo então governador 
das índias D. Estevam da Gama. 

Abreu (António de). Chamado o Engenhoso^ 
amigo e companheiro de Luiz de Camões, na 
índia, em 1553. Era filho de Duarte d'Abreu e 
Castello Branco, senhor da Quinta da Charneca, 
e de Brites Teixeiía. Publicaramse em seu no- 
me, em 1805 : Obras inéditas de António de Abreu, 
amigo e companheiro de Luiz de Camões no estado 
da índia, fielmente extrahidas do seu antigo ma- 
nvscripto que possuimos em papel asiático. 

Abreu (António de) Ofiicial do mar, portuguez, 
do tempo de Filippe III, de Hespanha. Em 1611 
commandou uma das caravellas mandadas k Índia 
por aquelle monarcha, com o fim de prevenir o 
ataque das naus de Hollanda sobre Malaca. 

Abreu (António de). Jesuita portuguez ; n. em 
Lisboa e professou no collegio de Coimbra, em 
1577. Foi bom pregador, sendo, porém, os seus 
sermões quaei todos em latim. Foi lente de Es- 
criptura na Universidade, reitor dos collegios de 
Coimbra, Évora e Lisboa, preposito da casa de 
S. Roque, e finalmente provincial. F. em 10 de ju- 
lho de 1629. Publicou apenas: Tragedia S. Joan- 
nis Baptista. 

Abreu (Fr. António de). Nat. do Porto. Prega- 
dor do principio do século xvii. Só mandou impri- 
mir um dos seus sermões, intitulado : Sermão na 
festa da miraculosa imagem de S. Domingos, Lis- 
boa, 1661. 

Abreu (António da Cunha). Musico portuguez 
que viveu nos fins do século xvii. Discípulo do 
compositor Fiavo; copiou, em 1678, um dos livros 
d*cste compositor, intitulado : Breves explicações 
da musica. 

Abreu (António Joaquim de). Poeta medíocre 



Â6R 



ABR 




António Joaquim Ribeiro 
Oomes de Abrea 



do século XIX. Publicou em 1815 um livro chama- 
do : Sonetoê êobre dwerêOê assumptoê. 

Abrea (António Joaquim Ribeiro Gomes) de, 
N. em Moreira de Rej, no anuo de 1809 ou 1812. 
Parece que foi abandonado pelos pães, ao nas- 
cer, e encontrado por uma pobre mulher, cha- 
mada Custodia d'Abreu, na noite de 24 de feve- 
reiro de 1812, no logar de Barboza, freg. de Mo- 
reira de Rev. Este nascimento ficou sempre mjs- 
terioso. O racto é que se formou em Coimbra na 
faculdade de Medicina e tomou capello, tornan- 
do se um dos mais brilhantes ornamentos da Uni- 
versidade. Fes parte do corpo docente até 1856, 
demittindo se então por nâo querer prestar o ju- 
ramento politico, que o decreto de 5 de março 
d*aquelle anno exi- 
gia aos professores, 
juramento de obe- 
diência e fidelidade 
ás instituições poli- 
ticas vigentes e á 
d jn as tia reinante. 
Esse golpe de estado 
fez-lhe perder a <tua 
b r i 1 hante carreira, 
porque António Joa- 
quim d'Abreu, que 
professava vivamen- 
te as ideias absolu- 
tistas, preferiu antes 
pedir a demissão. 
Mais tarde, a convite 
de D. Miguel, partiu 
para Brombach, onde 
foi dedicado professor dos seus filhos, e onde fal- 
leceu em 15 de junho de 1867. A sua morte foi 
muito sentida em Lisboa, especialmente pelo par- 
tido legitimista, por toda a imprensa nacional e 
estrangeira, que lhe dedicaram artigos saudosos. 
Emquanto esteve em Portugal, collaborou no Jor- 
nal deu Seiendas Medicas de Lisboa; Missão Por- 
Huffueza; Fé Catholica; Nação e Revista Âcade- 
mica^ onde, entre outros, publicou um notável 
artigo a Religião christã e a philosophia. Diz-se 
que o seu melhor trabalho é um opúsculo de 142 
paginas, impresso em Lisboa, em 1852, chamado: 
A organisação dos estudos medif*.os em Portugal^ 
discurso proferido na Sociedade das Seiendas Me- 
dicas de Lisboa^ pelo sócio, etc. 

Abreu (António José de). Cirurgião militar ; 
n. em 1805 e f. em 8 de janeiro de 1872 ; inter- 
rompeu os seus estudos na Escola Medico Cirúr- 
gica do Porto, quando rebeataram os aconteci- 
mentos políticos em 1828, para se alistar no pe- 
queno batalhão académico que so organisou no 
Forto. Acompanhava este pequeno exercito libe- 
ral, quando teve de retlrar-se para a Galliza, emi- 
grando em seguida para Inglaterra. Tomou, de- 
pois, parte na guerra civil contra o absolutismo, 
mas em 1833, quando a guerra terminou, prose- 
guiu o curso, que concluiu em 1836. No anno se- 
guinte, 1837, foi nomeado cirurgião de infante- 
ria 16. Reformou-se em 7 de setembro de 1867, 
em cirurgião de brigada. Collaborou no Jornal 
dos facultativos militares, em 1841. Escreveu : 
Exame critico da memoria sobre a organisação do 
serviço de saúde do exercito e Analyse do relatório 
analgtico por </. T, Valladares sobre a adminis- 
tração de justiça militar. No anno de 1855, tomou 
o encargo de uma inspecção sanitária ao regi- 



mento de infautena 12, na Guarda, onde estavam 
grassando as ophtalmias. Parece que o relatório, 
que dirigiu á repartição de saúde, provocou re- 
paros do cirurgião de brigada Sá Mendes, espe- 
cialista no tratamento das moléstias d*olhos, por- 
que em 1857 publicou António José d* Abreu um 
opúsculo de 112 paginas com o seguinte titulo : 

chirurgião de brigada graduado de infanteria IO, 
Miguel Heliodoro de Novaes Sá Mendes, refutado 
por elle mesmo ou Historia da commissão do inqué- 
rito sobre a ophtaJmia do regimento 12. António 
José d' Abreu era cavalleiro das ordens d*Aviz e 
da Conceição. Foi um dos homens que mais con- 
tribuíram para levantar a classe dos facultativos 
militares e para lhe dar a reputação scientifica 
de que hoje gosa. 

Abrea (António Júlio de Frias Pimentel e), N. 
em Meda, no 1-® de março de 1781 ; f. em 14 d*cu- 
tubro de 1844. Formou -se na faculdade de Direito 
na Universidade, em 1802 ; foi juiz de fora de 
Belmonte e Sortelha e de Pinhel, corregedor 
d*esta cidade e da de Braga, desembargador do 
Porto em 1826, juiz da Relação de Lisboa em 1833 
e conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça 
em 1836. Foi deputado ás cortes em 1822 e 1826. 

Abreu (António Lopes de). Cirurgião, no prin- 
cipio do século XIX, fallccido em 1830. Traduziu 
do inelez : Exposição anatómica do útero humano 
gravido e dos seus contheudos, pelo dr. Hunter, Lis- 
boa, 1613. 

Abreu (Augusto Cesário de Vasconcdlos), Me- 
dico e escriptor. Nasceu em Coimbra, em 1849, 
filho de Madail de Abreu, valoroso voluntário 
do batalhão académico, e um dos lendários bravos 
do Mindello, e de D. Guilhermina de Vasconccllos 
Abreu. Aos 19 annos ficou orphão de pae; não 
tendo bens de fortuna luctou muito para poder 
seguir os estudos superiores, e as horas vagas 
empregava-as em dar lições de mathematica; e foi 
assim, que estudante e mestre ao mesmo tempo, 
conseguiu chegar ao 2.^ anno da faculdade de me- 
dicina na universidade de Coimbra. Motivos par 
ticulares o obrigaram a sahir de Coimbra e foi 
cempletar o curso na Escola Medico-Cirurgica do 
Porto. Nas férias vinha a Lisboa, onde travou 
conhe cimento 
com o dr. Bri- 

1 h ante, medico 
homoepatha, de 
grande fama de 
sábio e de ex- 
cêntrico. Cesário 
Abreu affeiçoou- 
se áquelle medi- 
co e ao seu sjs- 
tema, e, apenas 
terminou a sua 
formatura em 
medicina allopa- 
thica na Escola 
do Porto, veiu 
para Lisboa, e 
concluiu com a 
pratica os seus 

estudos homoepathicos, na clinica do doutor Bri- 
lhante. Depois do fallecimento do distincto me- 
dico, Cesário Abreu começou a fazer clinica 
por conta própria. Em 1880 fundou a pharmacia 
homoepathica na rua Augusta. Apesar da sua 
grande clinica, dedica-se com amor ao estudo e 

23 




Auipasto Ceaario de^Vasconcelloe 
Abreu 



ABR 



ÂBR 



tem pablicado algamas obraa sobre a saa scien- 
cia : Eitudoê gtraes sobre a homcepathia; Do Pro- 
gresso da medicina pela homapathia; Revista por- 
tugueza de theropeulica homoopathiea, jornal que 
fundou em 1880, em collaboração com o dr. Jous- 
sety de Paris ; Apontamentos para a historia da 
medicina homotpathica em Portugal. Os seus livros 
tem sido sempre muito apreciados. Em 1886, o 
dr. Cesário Abreu fez duas notáveis conferencias 
sobre o Cholera Morbus, nas salas da Sociedade 
de Geogr.tpbia. £* commendador da ordem de 
N. S.* da Conceição. Ha alguns mezes retirou -se 
para Africa por neçocios particulares, não dei- 
xando todavia a clinica, que exerce com especial 
aptidão. 

Abreu (Bernardino Monteiro de), Vice-consul 
de Portugal em S. Paulo, no Brazil. Nat. de Gui- 
marães, foi muito novo para o Rio de Janeiro, 

dedicando-se á 
vida commer- 
cial; em 1855 
passou á cidade 
de S. Paulo, on- 
de se estabele- 
ceu. Mais tarde 
foi um dos dire- 
ctores da Com- 
panhia União do 
Commercio de 
S. Paulo, a mais 
importante de 
aquelle estado, 
cnde granjeou 
bens de fortuna. 
São bem conhe- 
cidos o seu gé- 
nio bemfazejo e 
a protecção que 
sempre dispen- 
sa aos amigos do trabalho. £* um dos fundado- 
res da Sociedade de Beneficência Portugueza de 
S. Paulo. 

Abreu (Bernardo José de). General do exercito 
portuguez ; n. em Papisios, cone. de Carregal, em 
30 d'agosto de 1790. Estudou em Coimbra, mas 
em 1809 abandonou os estudos para se ir alistar 
na Leal Legião Lusitana, mandada organisar por 
decreto da regência do reino de 24dejunhod*es- 
se mesmo anno. Assistiu em Hespanha nos dias 
27 e 28 de junho á batalha de Talavera de la 
Reina. Voltando a Portugal, assistiu, na quali- 
dade de cadete, 4 batalha do Hussaco, a 27 de 
setembro de 1810. A 5 de maio de 1811 bateu-se 
valentemente na batalha de Fuontes de Onoro, 
sendo ferido. No cerco de Badajoz, em occasião 
de assalto, uma granada o feriu n*um olho, do 

?[ual ficou cego para sempre. Seguiram- se as dif- 
erentes phases da guerra peninsular, em que 
Bernardo d* Abreu tomou parte na celebre bata- 
lha de Victoria, em 21 de junho de 1813, e nos 
combates que seguiram, até que o exercito inva- 
sor foi completamente expulso do território hcs- 
panhol. Estes fraudes serviços de valor e cora- 
gem ganharam-lhe as medalhas da guerra penin- 
sular e da batalha de Victoria. Quando em feve- 
reiro e março de 1823, o conde d' Amarante se 
revoltou em Traz-os-Montes contra o governo e 
constituição liberal, Bernardo de Abreu entrou 
na campanha contra o absolutismo ; em 1826 e 
1827 também se bateu energicamente pela liber- 

24 




Bernardino Monteiro de Abrea 



dade. Quando o Porto se revolucionou no dia 16 
de maio, contra o governo de D. Miguel, achava- 
se o distincto militar commandando uma compa- 
nhia de caçadores 7, de que era capitão. Toman- 
do parte em muitos oombates d'essas luctas de 
deplorável memoria, Bernardo d* Abreu, como de- 
fensor da Carta, seguiu o exercito liberal, emi- 
grando pela Galliza para a Inglaterra. Esteve 
depois na ilha Terceira, acompanhando em junho 
de 1832 a expedição liberal, e desembarcando 
nas praias do Mindello. Tomou parte nas bata- 
lhas de Ponte Ferreira, de Vallongo, o que lhe 
valeu ser agraciado com o grau de cavalleiro da 
ordem da Torre e Espada. E' longa a serie de 
combates em que entrou este valente militar; só 
diremos que na batalha d* Almoster, em 18 de fe- 
vereiro de 1834, se distinguiu como sempre, sendo 
então condecorado com a commenda d*Aviz. O seu 

rftnde merecimento e os bons serviços prestados 
causa liberal foram sempre reconhecidos por 
D. Pedro IV e D. Maria II. Em 10 de setembro 
de 1844 recebeu a carta de conselho, e em 15 de 
julho de 1847 foi elevado a commendador da or- 
dem da Torre e Espada. Também a rainha de 
Hespanha lhe concedeu a commenda da real or- 
dem de Isabel a Catholica. Bernardo José d'Abreu 
seguiu os postos militares, tão justamente mere- 
cidos, chegando em 12 d*outubro de 1857 a mare- 
chal de campo. 

Abreu (Fr. Braz de). Ecclesiàstico do sécu- 
lo XVIII, nat. de Elvas. Traduziu do castelhano 
varias Devoções e escreveu uma Vida do servo de 
Deus^ Ghregorio Lopes. 

Abreu (Braz Luiz de). Medico pela univorsi- 
dade de Coimbra, chamado o olho de vidro, em 
consequência do ter perdido um olho, sendo ainda 
creança, o qual depois substituiu por outro de 
vidro. Foi mais conhecido pela alcunha do que 
pelo próprio nome. Braz Luiz d* Abreu era engei- 
tado, mas suppõe-se que nasceu em Coimbra, no 
anno de 1692. Exerceu clinica no Porto e em 
Aveiro. Os primeiros annos da sua vida são bas- - 
tante nebulosos, mas parece ser certo que alguém 
o protegeu, dando-lhe os meios necessários para 
seguir os estudos, formando-se em medicina na 
Universidade. Casou em 1718 com D. Josepha 
Maria de Sá, natural de Vizeu, filha de António 
dé Sá Mourão. Doeste consorcio, que durante 14 
annos parece ter sido um dos mais felizes, nas- 
ceram oito filhos, cinco meninas e trcs rapazes. 
Em 1732, porém, estando em Aveiro, deseuca- 
deou-se de súbito sobre elles uma terrível tem- 
pestade, cujo motivo ficou sempre ignorado, que 
obrigou os dois esposos a separarem- se e a reco- 
lherem se a um convento; D. Josepha levou com- 
sigo as filhas para S. Bernardino, em Aveiro, onde 
entrou em 25 de março ; os filhos ficaram com o 
pae, professando como elle, um na ordem de 
S. Domingos, outro na de Jesus ; o terceiro falle- 
ceu muito moço. Viveu 21 annos, ainda, entre- 
gando -se a praticas religiosas e ao exercício da 
clinica, fallecendo de apoplexia em 10 de agosto 
de 1756. Escreveu em portuguez e em hespanhol, 
sendo as suas obras mais conhecidas O Portugal 
medico; o Sol nascido no occidente e posto ao nas- 
cer do sol; Santo António portuguez; Epitome his- 
tórico e pane.gyrico da sua admirável vida e pro- 
digiosas acções. Os seus infortúnios deram- lho 
grande celebridade. O fallecido escriptor Camillo 
Castello Branco consagrou-lhe um livro : O olho 



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ÂBR 



de vidroy em que descreve largamente a sua 
vida. 

Abreu (ChrUtovam Soares de). Desembargador 
da Casa da SupplicaçSo, cavalleiro da Ordem de 
Christo o vereador do Senado da Camará de Lis- 
boa. N. em Ponte de Lima, e f. em Lisboa, em 
1648. Escrevea : Oração em nome da Camará de 
Lisboa a El^rei D. Âffonso VI e á rainha D, Ma- 
ria Francisca Isabel^ entrando na dita cidade em 
29 de agosto de 1666. Lisboa^ 1666. 

Abreu (Diogo de). Fidalgo portu^aez da corte 
de D. Manuel. Acompanhou á índia o primeiro 
vice-rei D. Francisco de Almeida, na armada de 
D. Fernando de Eça, e distinguiu se em comba- 
tes contra os mouros. 

Abreu (Diogo de). Fidalgo da corte d*el-rei 
D. João III, descendente da geração e linhagem 
dos Abreus. O braz&o constava de um escudo de 
campo vermelho com cinco cotos de azas de ouro, 
em aspa, e por differença uma dobre brica de 
prata e azul ; elmo de prata aberto guarnecido 
de ouro, paquife de ouro e vermelho, e por tim- 
bre um dos cotos das armas. 

Abreu (Diogo de). Official de mar que militou 
na índia durante o governo do vice-rei Ruy Lou- 
renço, sendo capitão de uma fusta em 1612. 

Abreu (Diogo Nunes de). Fidalgo da corte de 
D. João JII, n. em Extremoz. O seu brazão d*ar- 
mas compunha- se de um escudo de campo esquar- 
tellado ; o primeiro quartel de verde com uma 
banda bordada de p''ata e n*ella três vieiras de 
ouro riscadas de ouro e perfiladas de azul ; o se- 
gundo de vermelho com cinco cotos de ouro em 
aspa, e por differença uma brica de prata e n*ella 
um G em preto ; elmo de prata aberto guarnecido 
de ouro, verde e vermelho, e por timbre um dos 
cotos. 

Abreu (Domingos de). Capitão portuguez do 
século XVI, que militou na índia, e foi a Cochim 
na armada de Jorge de Castilho. 

Abreu (Domingos Manuel Pereira de Carva- 
lho). Bacharel formado em uma das antigas fa- 
culdades de Direito pela universidade de Coim- 
bra. N. em Ruivães, cone. de Vieira, a 23 de 
a^sto de 1797, e f. em 11 de junho d& 1873. Foi 
juiz de fora de Alijó e de Vifla Real, de 1821 a 
1823. Depois da reforma da magistratura judi- 
cial portugueza, exerceu o cargo de juiz de di- 
reito de 1.* instancia, de 1834 até 1869, anno em 
que, por motivo de doença, se viu obrigado a 
abandonai- o. Escreveu em 1870 : Sentenças eiveis 
e crimes^ proferidas nas comarcas em que serviu 
desde 1861 a 1863^ acompanhadas dos respectivos 
summarios e juizos criticos da redacçào da nGa- 
teta dos Tribunaesv e precedidas d'um prefacio do 
editor. 

Abreu (Eduardo de). Medico e democrata con- 
temporâneo. E' natural do archipelago dos Aço- 
res; formou-se na universidade de Coimbra, na fa- 
culdade de medicina. Na vida académica, desta- 
cou-se sempre pelas suas ideias avançadas, perfei- 
tamente republicanas. No centenário de CamÒes, 
em Coimbra, e em muitos factos, sendo ainda es- 
tudante, bem se evidenciou a superioridade do 
seu talento e dos seus ideaes de progresso social. 
Militou por algum tempo no partido progressita. 
Os progressistas elegeram-n^odeputado; então, no 
parlamento, os seus discursos enérgicos, destaca- 
vam-se dos da maioria dos seus correligioná- 
rios ; percebia-se bem que o orador não estava 




ligado ao grupo politico, de que fazia parte, que 
o seu espirito não se submettera ás convenções a 
exigências partidárias. Dirigia- se ao povo n*um 
tom irónico, como se quizesse tirar-lhe as illu- 
sÕcs e excital-o á luctapela moralidade e justiça. 
Os progressistas consideravam no um indiscipli- 
nado ; bastaria um acontecimento qualquer que o 
dcsilludisse, que lhe roubasse as ultimas esperan- 
ças da restauração das forças do paiz, para que 
abandonasse definitivamente os seus correligio- 
nários e o regimen monarchico. Esse aconteci- 
mento não se fez demorar. Foi o ultimatum de 
janeiro de 1890. Eduardo d*Abreu revoltou-se 
contra a Inglaterra e contra os governos. A es- 
tatua de CamÒes e as dos dis ti netos portugue- 
zes que a acompanham, cobriram se de crepes ; 
foi d*elle que par- 
tiu a ideia e a ini- 
ciativa da execu- 
ção. O pedestal, 
com aquellas es- 
tatuas de heroes 
e leaes amigos da 
pátria, represen- 
tava o paiz, e o 
paiz vestia-se de 
luto. Desde então, 
o dr. Eduardo de 
Abreu tornou-se 
definitivamente 
republicano, des- 
fazendo se qual- 
quer duvida que 
pudesse ter havi- 
do acerca das suas Eduardo de Abren 
cènvicções politi- 
cas, apesar das anteriores manifestações demo- 
cráticas 6 revolucionarias na academia de Coim- 
bra e no parlamento. Os seus actos posteriores 
provaram a evidencia a sua dedicação á causa 
republicana, e a cidade de Lisboa o elegeu seu 
representante em cortes em outubro de 1892. 
Eduardo de Abreu é um inconçavel luctador, 
muito eloquente, e de caracter enérgico. 

Abreu (Eloy de). Cónego secular da congre- 
gação do Evangelista Amaao, que viveu nos fins 
do século xvr. Escreveu : Summa de Theologia 
Moral, 1603. 

Abreu (Fdix José de). Doutor em leis do mea- 
do do século zviii. Fez imprimir em Paris uma 
obra escripta em francez com o titulo : Traité 
juridico-politique sur les prises maritimesj etc , 
1758. 

Abreu (Fr. Fernando de). N. no Porto. Profes- 
sou na ordem dos pregadores do convento jde Bem- 
fica em 1677. Foi qualificador do Santo Officio, 
examinador das três ordens militares, deputado 
da junta das missões, desembargador da Cúria 
Patriarchal, e um dos primeiros 50 académicos 
da Academia Real de Historia, em cujas memo- 
rias, além das Cartas dos seus estudos, publicou 
um catalogo dos bispos de Miranda. F. em 8 do 
março de 1727. 

Abreu (Fernão de). Capitão portuguez que 
militou na índia, para onde partiu soo o com- 
mando de Tristão da Cunha e de Affonso d' Albu- 
querque, em 1506, sendo vice-rei das índias 
L). Francisco d* Almeida. Distinguiu -se na toma- 
da da fortaleza de Socotorá, e morreu, assim co- 
mo seu irmão, Gomes d* Abreu, no ataque de Diu, 

25 



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ÂBR 



em 1546, sob m ordens de D. João de Castro, go- 
vernador da índia. 

Abrea (D, FUippa de). Filha de Gonçalo 
Vaz de Castello Branco ; casou com D. Pedro de 
Athajde, senhor de Castanheira e de Chelleiros, 
o qual foi decapitado por ordem do D. João 11, 
por estar implicado na conspiração de duque de 
Vizeu. 

Abreu (Filippt de). Nat. de Torres Vedras ; 
filho de fàmilia nobre. Sábio theologo da congre- 
gação dos agostinhos reformados. Cathedratico 
de theologia da universidade d'£vora, por no- 
meação de D. João IV. F. em Coimbra, em 1659. 
Escreveu: Commentarium de Scalo Jacob; De ado' 
ralione, e David, Princepiver/ectus. 

Abreu (Francisco de). Viveu no século xvii, e 
escreveu a historia do naufrágio da armada por- 
tugueza de D. Manuel de Menezes, na bocca do 
canal dlnglaterra. Esta obra ficou manuscripta. 

Abrea (Franciêco de). Fidalgo que serviu na 
índia. Irmão de Onofre d^Abrcu. Acompanhou 
Christovam da Gama a soccorrer o nigm da 
Abjssiuia, em 1541, atacado pelo rei de Zejlá, 
levando sob suas ordens um troço de 50 homens. 
O seu brazão d*armas era um escudo de campo 
vermelho, com cinco cotos de azas de ouro, em 
aspa, e por differença uma fiôr de lis de prata, 
elmo de prata aberto guarnecido de ouro, paquife 
de ouro e vermelho, e por timbre um dos cotos. 

Abreu (Francisco de), Pseudonjmo de que se 
serviu Manuel Severim de Faria em varias obras : 
Edação universal do que succedeu em Portugal e 
mais provindas do Oceidente e Oriente^ desde o mez 
de março de ff25, aié todo o setembro díe 626 ; Rela- 
ção do que succedeu em Portugal e mais provin- 
das do Oceidente e Oriente, desde março de 626 
até agosto de 627, e Exerddo de perfeição e dou- 
trina espiritual para extinguir vidos e adquirir 
virtudes, 

Abreu (Francisco Ferrdra de). Escrivão de 
direito no Funchal. F. em Cabo Verde, em 1842. 
Além d*alguns artigos e poesias publicadas em 
diversos jornaes, traduziu em portuguez o Com- 
pendio elementar de economia politica de Adolpho 
Blanqui. Lisboa, 1834. 

Abreu (Francisco Homem de). N. em Évora ; 
grande jurisconsulto c distincto philosopho. Sen- 
do cathedratico da universidade de Salamanca, 
tomou para argumento das suas lições o verso das 
Epistolas de Horácio: Quidquiddelirant reges plee- 
tunctur Achid, e sobre elle compoz uma obra em 
latim, que se encontra nas provas da Historia 
Genealógica, de D. António Caetano de Souza, 
invectivando asperamente a resolução d*elrei 
D. João .11, manaar matar o duque de Bragança, 
D. Fernando. Esta obra acha- se publicada na 
lingua hespanhola, com o titulo : Desaderto de 
prtndpes. 

Abreu (Francisco Joaquim do VaUe d" Oliveira 
de). N. em Guimarães em 1796, e f. na freg. de 
S. João de Brito, d'aquelle cone, em 1860. Era 
de fàmilia nobre e abastada. Exerceu importan- 
tes cargos em Guimarães. Apezar de ter bens de 
fortuna, os seus desvarios o empobreceram a tal 
ponto, que se viu obrigado a recolher-se em casa 
d'um seu parente, que o soccorreu pelo resto 
da vida. No tempo da sua prosperidade era mui- 
to divertido e agradável; improvisava versos com 
muita graça, que nunca se publicaram. Era primo 
do celebre fidalgo Ignacio Manique, que por ser 

26 



liberal, fôra condemnado a dar três voltar em re 
dor do patíbulo, indo d*alva vestida. 

Abreu (Francisco Vidra de). 0$cial do minis- 
tério dos neeocios estrangeiros, em Lisboa, nos 
fins do século zviii , secretario da legação em 
Hespanha, quando alli esteve com o ministro 
Diogo de Carvalho de Sampaio. Escreveu: Apon- 
tamentos politicos sobre os prindpaes abusos e de- 
fdtos do governo de Portugal, e meios para se emen- 
darem: apresentados ao ministro deS. A. R., conde 
de Villa Verde, em ISOí, Lisboa, 1820. 

Abreu (D, Qarda de). Filho illegitimo de 
D. João d* Almeida, 2.<» conde d'Abrantes. Foi 
mestre do infante D. Duarte e vedor do príncipe 
D. João, filho de D. João III. Este soberano no- 
meou -o reitor da Universidade, logo depois da 
transferencia d'esta para Coimbra. 

Abreu (Gaspar Rodrigues Torres de). Fidalgo 
da corte de D. João IV. Tinha por brazão : um 
escudo esquartelado ; o 1.® quartel dos Rodrigues 
partido em chefe, campo azul e n'elle cinco flores 
de liz de ouro postas em aspa, e chefe sanguino 
com uma cruz de ouro florida e vazia do campo. 
O segundo de Vasconcellos, campo negro, com 
três faxas de veiros, de vermelho e prata, veira- 
das e contraveiradas. O terceiro dos Abreus, cam- 
po sanguino com cinco cotos de águia de ouro em 
aspa cotadas de sangue. O ultimo dos Vieiras, 
campo vermelho, e n'elle seis vieiras de ouro ris- 
cadas de preto, e por differença um Ijrio de ouro, 
e por timbre um leão nascente de sua cor com 
uma flor de liz na mão direita, elmo de prata 
aberto guarnecido de ouro, paquife dos metaes e 
das cores das armas. 

Abreu (Gomes de). Capitão que militou na ín- 
dia. Irmão de Fernão d'Abreu, e proprietário em 
Chaul. Esteve na tomada de Mombaça, em 1505, 
e morreu no ataque de Diu em 1546, assim como 
seu irmão, no tempo do vice rei D. Francisco 
d* Almeida. 

Abreu (Gonçalo de), Portuguez muito conhe- 
cido, proprietário em Chaul, onde falleceu, com- 
batendo os mouros em 1612. 

Abreu (Guilherme de Vasconcellos -), Natural 
de Coimbra, onde nasceu a 20 de maio de 1842, 
e filho de Victor Madaíl de Abreu e de D. Gui- 
lhermina de Vasconcellos Abreu (V. Abreu, Vi- 
ctor). Foi educado até aos 14 annos em Coimbra, 
depois no Porto, no collegio de Alexandre Graut, 
ate 1858. Em maio d*este anno foi para o Kio de 
Janeiro para casa de parentes seus, a fim de de- 
dicar-se ao commercio. A educação esmeradíssi- 
ma que seu pae, homem lido em litteratura por- 
tugueza, franceza, hespanhola, italiana e latina, 
lhe dera, foi de feição contraria ã vida commer- 
cial. Regressou ao reino, aqui completou logo os 
preparatórios e entrou na faculdade de mathe- 
matica, onde é bacharel premiado com um acces- 
sit e três distincçÕes. Assentou praça em 18H1 
em caçadores 5 e matriculou-se, em 1864, no 1.** 
anno aa Escola do Exercito em Lisboa, mas não 
completou o curso da arma de artelharia e fez o 
de engenharia naval na Escola Naval, onde teve 
sempre o primeiro premio. Quando estava a ser 
promovido a 2.^ tenente, morreu-lhe o pae, o 
qual era escrivão e tabellião em Coimbra. Teve 
então Vasconcellos-Abreu de acceitar, para uti- 
lidade da fàmilia, o ser nomeado para o logar 
que seu pae exercera *, dois annos depois foi 
transferido para Lisboa, e aqui exerceu o cargo 



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Â6R 



de escrivão da 4.* e mais tarde da 3.* vara eivei, 
até 1900, honrando sempre o nome de seu pae, 
homem honestissimo. Apesar d*e8te emprego, de- 
dicou-se Vasconcellos-Abreu muito aos estudos 
de linguas, litteraturas e religiões orientaes. Em 
1873 conheceu o o então marquez d* Ávila e de 
Bolama, e ambos com o conselheiro Possidonio 
da Silva fundaram a Aiêodaçâo Promotora dos 
EaitLdoê Orientaes e Glotieos, cuja idéa partiu de 
Vasconcellos- Abreu, que a communicou ao con- 
selheiro Silva. Por essa occasiâo fez Vasconcellos- 
Abreu um discurso na sala das Sciencias Medi- 
cas, no edifício que estava no logar onde existe 
a estação central do Rocio. Esse discurso foi a 

f^cdra fundamental da Associação e o facto que 
he captivou a amizade do marquez, depois du 
que d' A vila, e levou ao espirito d este homem po- 
litico o desejo de proteger e animar, em estudos 
desconhecidos em Portugal (orientalismo),omoço 

ãue lhes dedicava as horas vagas de trabalhos 
e cujos redditos sustentava a 
familia, que elle criou por casa- 
mento com D. Maria JuliaBourdi 
Pires Monteiro Bandeira. Esse 
discurso intitula-se : Exposição 
feita perante os membros da Com- 
missão Nacional Portuguesa do 
Congresso Internacional dos 
Orientalistas ( 1 873 ) convocados 
para constituirem uma associação 
promotora dos estudos orientaes e 
gloticos em Portugal^ e foi pro- 
nunciado a 29 de dezembro de 
1873. A associação foi ephemera 
porque Vasconcellos-Abreu 
adoeceu e nada se fez durante 
mezes. Em 1874, em fins de se- 
tembro, teve Vasconcellos-Abreu 
de ir a França e á Allemanha ; 
alli conheceu pessoalmente Emilio Littré, com 
quem tinha relações por cartas ; este apre- 
sentou-o a alguns orientalistas francezes, os 
quaes animaram o nosso conterrâneo a que pro- 
seguisse nos seus estudos e lhe deram cartas de 
recommendação para orientalistas allemães No 
regresso a Portugal, o marauez d^Avjla promet- 
teu a Vasconcellos-Abreu ooter-lhe a missão de 
ir estudar por ordem do governo portuguez em 
alguma das universidades estrangeiras, onde os 
estudos orientaes são feitos com tanta vantagem 
das letras e da sciencia. E, com effeito, em maio 
de 1875, Vasconcellos-Abreu era encarregado 
pelo conselheiro Andrade Corvo, uma das in- 
telligencias mais lúcidas e mais cultas do seu 
tempo, de ir a França, Inglaterra e Allemanha 
aperfeiçoar-se nos estudos orientaes, especial- 
mente em sanscrito. Esta missão durou até fins 
de 1877 ; e, commissionado, o aproveitamento que 
tirou dizem-n*o os dois relatórios que Vascon- 
cellos-Abreu apresentou oficialmente. O 1.® re- 
latório iutitula-se : Investigações sobre o caracter 
de civilisação Àrya-Hindu, (Paris, 15 de janeiro 
de 1877), enviado ao conselheiro João d* Andrade 
Corvo, ministro e secretario de estado dos ne- 
gócios estrangeiros e ultramar; o 2.<* relatório in- 
titula- se : O tSãoskrito e a Glottologia Árica no 
ensino superior das lettras e da historia, (Lisboa, 
21 de Janeiro de 1878), e foi entregue ao mar- 
auez d*Avila e de Bolama, presidente do conse- 
lho de ministros, ministro e secretario de estado 



Qnilhemie de Vasconcelloa-Abreo 



dos negócios do reino. Foram ambos estes rela- 
tórios impressos na Imprenso Nacional em 1878. 
A*cerca do 1.® ha um artigo escripto largamente 
por Emilio Littré na Revista de Philosophia Po- 
sitiva, Em 1875, estando Vasconcellos-Abreu em 
Paris, fez alli parte do Congresso das Sciencias 
Geographicas e foi no r eado um dos secretários 
geraes doeste Congresso e membro do jnrj ; re- 
cebeu pelos trabalhos que executou as palmas de 
official da Axsademia de Paris e uma medalha es- 
pecial, dada unicamente a quem tomou parte 
activa no Coogresso pela Sociedade de Geogra- 
phia de Paris. No fím d'esse mesmo anno, e de- 
pois de ter ouvido assiduamente as lições de Abel 
Bergaigne em Paris, foi Vasconcellos Abreu para 
a Allemanha e alli estudou com o dr. Martinho 
Haug, e outros, na universidade de Munich. Por 
morte do dr. Haug, voltou a Paris e continuou a 
ouvir em sanscrito Abel Bergaigne, Philarette 
Edouard Foucaux, Hauvette-Benaut, e em egy^ 
ptologia Maspero ; frequentou 
outros cursos e entre elles o de 
anthropologia e teve a honra de 
ser discípulo estimado de Paul 
Broca. O duque d* Ávila nomeou 
Vasconcellos-Abreu lente no 
Curso Superior de Lettras, 
creando asssim a cadeira de lín- 
gua e litteratura sanscrita, clás- 
sica e védica em Portugal, a qual 
tem regido até agora desde 7 
de novembro de 1877. Em 1880 
celebrou- se em Portugal o con- 
gresso internacional ae anthro- 
pologia e archeologia prehisto- 
ricas e Vasconcellos-Abreu foi 
um dos secretários dVste con- 
gresso, o qual tanta honra deu 
ao paiz, não só pelos traba- 
lhos alli apresentados, feitos por portugue- 
zes, mas pulo Compte rendu, admiravelmente 
escripto pelo romanista portuguez Aniceto dos 
Reis Gonçalves Vianna. D'esta obra, que assi- 
gnala uma época nos annaes da sciencia portn- 
gueza, consta o que Vasconcellos-Abreu fez por 
essa occasiâo, e especialmente mencionamos aqui 
o trabalho De V origine probalable des Toukhares et 
leurs migralions à travers VAsie. (Pag. 519 a 548). 
Depois de ter sido eleito sócio do Instituto de 
Coimbra, da Academia Real das Sciencias de Lis- 
boa, foi condecorado por el-rei D. Luiz com o 
officialato da ordem de S. Thiago. Em 1889, a 
instancias do governo da Suécia e Noruega, foi 
Vasconcellos-Abreu nomeado representante de 
Portugal no Congresso internacional de orienta- 
listas em Stockolmo e Christiania. Partiu para 
Paris, onde esteve no Congresso de geographia 
e no de anthropologia e foi um dos secretários 
d'este. Em fins cragosto apresentou-se na Suécia, 
e, em uma das sessões na Universidade de Chris- 
tiania, apresentou e explicou a inscripção sans- 
crita que se vê na Quinta de Penha Verde em 
Cintra : a estampagem perfeita e os factos his- 
tóricos revelados por esta insoripcão mereceram 
elogios a Vasconcellos-Abreu aados publicar 
mente por Buhler, de Vienna d' Áustria, e Bur- 
Çess, inglez em serviço na índia, e ambos gran- 
des cocnecedores da paleo^aphia e epiçraphia 
indiana. Esse trabalho foi recompensado pelo 
rei Oscar, da Suécia, com a commenda (2.* 

27 




ABR 



ABR 



classe) da ordem de Wasa. Em setembro de 
1891 reuniu-se em Londres um congresso in- 
ternacional de orientalistas ; a pedido da com- 
missão organisadora doeste congresso e por or- 
dem do çoverno portuguez, Vasconcellos-Abreu, 
que havia sido convidado a tomar pessoalmente 
parte em tal congresso, escreveu o Swnmario 
daa inveitigações em sanacritologia desde Í88S até 
189L Este trabalho mereceu ao auctor um dos 
nove únicos diplomas d*honra dados pelo con- 
gresso a trabalhos de subido mérito scientifíco 
e litterario ; e mais lhe foi dada a medalha de 
prata pelos trabalhos, seus, offerecidos ao con- 

fresso. Em o «Special Oriental Congress Num- 
er» da «The Imperial and Asiatic Quarterlj 
Review», de Londres, lê-se a paginas iii que o 
Summario é um dos «mostnoteworhy», a paginas 
VI, que «Portugal gave Prof. 6. de Vasconcellos, 
invaluable Summary of Sanscrit Research», a 
paginas lzzzii diz que é «of an ezhaustive cha- 
racter on Sanskrit Bibliographj». Annos de- 
pois, recebeu Vasconcellos-Abreu as insígnias 
de Grande official da ordem de Mejidie (Turquia), 
Pelo duque d* Ávila fora commettido a Vascon- 
celloà-Abreu o encargo de escrever um Curso de 
Litteratura e língua sanscrita, dassica e védica. 
Cuidou entUo Vasconcellos-Abreu em que a Im 
prensa Nacional tivesse o tjpo devanágrico, usa- 
do nas composições impressas em sanscrito, e lo- 
go em 187b apresentou este estabelecimento do 
Estado, como specimen, em edição de laxo, de 
uns ÕO exemplares apenas, o 1." acto do drama 
de XacunkUá com traducçSo portugueza de Vas- 
concellos-Abreu. Foi typographo compositor o 
primeiro discípulo que Vasconcellos-Abreu teve, 
José António Dias Coelho, o impressor JoSo Fran- 
cisco Saraiva. Em 1881 vinha a lume a gramma- 
tica de sanscrito ; mas poucos mezes depois era 
cortado a Vasconcellos-Abreu o subsidio que o 
duque d' Ávila lhe estabelecera. Vasconcellos- 
Abreu todavia continuou a obra o escreveu mais 
três volumes sem remuneração, foram impressos 
na Imprensa Nacional e publicados por ordem do 
governo portuçuez em 1883, 1889, Í898. ultimo 
volume 6 considerado no mundo scientifíco como 
trabalho honrosissimo não só para Portueal como 
para os estudos de sanscrito e philologia árica. 
Em 1898 celebrou-se em Portugal o centenário 
do Descobrimento marítimo da índia ; para com- 
memorar este feito grandioso dos nossos passados, 
escreveu Vasconcefios-Abreu este volume (iv da 
obra a que acima nos referimos) e mais escreveu 
Texto critico da Lenda dos santos Barlaão e Jo- 
safat^ e um conto em prosa portugueza rithmica 
intitulado Chand-Bihi^ a Sultana Branca de Ame- 
nagara, lenda indiana phantasiada da tradição 
histórica do século xvi. As obras litterarias de 
Vasconcellos-Abreu até hoje publicadas são, além 
das já mencionadas, Oeographia mathematica, XII 
— 142 paginas, com um Atlas de 67 figuras, todas 
desenhadas e algumas gravadas pelo auctor do 
livro; Fragmentos diurna tentativa de Estudo 
Scoliastico da Epopeia Portugueza^ publicação 
esta que foi muito elogiada em Londres (The 
Atheneeum, julho de 1880) e por Oliveira Mar- 
tins (Camões, os Luziadas e a Renascença em 
Portugal) e de que Donald-Ferguson deu tra- 
duccão em inglez da parte que se refere a 
lendas buddhicas ; Notas sobre a questão do Jus 
prima noctis; O critério nomologico; O animismo 



em geral e sua representação entre os Chinezes; 
Passos dos LusicLdas, estudados á luz da mytholo- 
gia e do orietdalismo ; A litteratura e a rdigião 
dos Árias na Índia; Instituto oriental e ultrama- 
rino portuguezy idéas sucdntas acerca da sua 
creaçao; Bases da ortografia portugueza: além 
d*isto, tem publicado em alguns jornaes portu- 
guezes, francezes, belgas, inglezes, artigos d'en- 
tre os quaes mencionamos, por termos á mão, os 
publicados no Boletim da Sociedade de Gengra- 
phia de Lisboa^ no Diário de Noticins, no Com- 
mercio de Portugal, na Era Nova^ no Instituto de 
Coimbra^ na Pkilosophie Positive, no Muséom^ no 
Diay na The Asiatic Quarterly Review ; teve a 
honra de coUaborar nas Mãanges Charles de Har- 
lez, onde escreveu Lasymbóliquedesnombresdans 
les receites magiques des traaitions et des usages 
populaires en Europe; como orador, além do dis- 
curso já mencionado feito na sala das Sciencias 
Medicas, citaremos o discurso feito na Sociedade 
de Geographia de Lisboa, A responsabilidade 
portugueza na convocação do X congresso inter ' 
nacional dos orientalistas, a conferencia no ins- 
tituto de Coimbra, em 1891, intitulada A Feno- 
menalidade, a Alma e o Eu segundo o Budismo; a 
conferencia feita em Braga em marco de 1901 
acerca de Operariado e tuberculose, l^inalmente 
conhecemos ainda dois trabalhos muito dignos 
de menção especial : um d*elles é Tuberculose e 
contagio da tuberculose, escripto de propaganda 
que publicou em 1900 como membro da Assistên- 
cia Nacional aos Tuberculosos, e de que a Par- 
ceria António Maria Pereira fez secunda edição 
publicada em 1901. N'este trabalho lia conselhos 
práticos que só ultimamente teem sido postos em 
execução ; o outro trabalho é o publicado pelo 
centenário de Gil Vicente, Os contos^ apologos, e 
fabulas da índia, influencia indirecta no Auto da 
Mofina Mendes de GÚ Vicente, Vasconcellos-Abreu 
é sócio correepondente da Société d^ Anthropologie, 
de Paris, da Société Asiatique, da Société Indo- 
Chinoise, da Associação dos Eugenheiros Civis 
Portuguezes, etc, e honorário da Association 
Phonétique Internationale como Max Muller, 
Storck e outros. No estylo de Vasconcellos- 
Abreu not^ se sobriedade, clareza, vigor, yer- 
naculidade, e o tom artístico que é n'efle feição 
particular que por vezes se revela até em es- 
culptura. Uma nota curiosa do caracter de Vas- 
concellos-Abreu, é que, sendo elle homem paci- 
fico e que sempre condemnou a guerra e o duello, 
foi mestre de sabre de Anthero de Quental (V. 
«In Memoriam» o artigo de Faria e Maia), fre- 
quenta a carreira de tiro, em Pedroiços, onde é 
um dos melhores atiradores com espingarda, pis- 
tola e revólver, porque entende que todo o ho- 
mem deve, embora velho, estar apto para defen- 
der a sua pátria. 

▲breu (D. Isabd de). Pilha de João Fernan- 
des d* Andrade, chamado o do Arco, e de D. Bea- 
triz d' Abreu. Estando na Ilha da Madeira, foi re- 
2uestad& por um fidalgo, caçador-mór d'el-rei 
>. João III, chamado António Gonçalves da Ca- 
mará, o qual fora defender a ilha dos assaltos dos 
corsários francezes. DVstes amores resultou um 
rapto, que deu logar á prisão de Gonçalves da 
Camará, o qual foi obrigado a casar com a ra- 
ptada. 

Abrea (Irmãos), Esculptores em madeira, no 
meado do século xvi^ Viveram e mEvora, onde 



ABB 



ÁBB 



deixaram alguns dos seas trabalhos nos con- 
ventos da Cartuxa e S. José. 

Abrea (Jeronymo de). Mathematico ou astro- 
logo do século xvii; n. em Guimariles. Escreveu: 
Prognostico do$ effeitoê dos astros^ obra offerecida 
a D. João Lobo ^e Faro, Lisboa, 1647. 

Abraa (Fr, Jeronymo de). Frade franciscano, 
provincial da congregação da terceira ordem; 
n. em Veiros, em IblT, fal. em Lisboa a 27 de no- 
vembro de 1670. Publicou em 1669, os Estatuloi 
para as religiosas dos mosteiros da Madre de Deus 
da Sé^ junto á cidade d* Aveiro e de Nossa Senliora 
do Loreto d* Almeida. 

Abreu (Jeronymo Pimenta de). Nst. de Ponte 
de Lima; ignora-se a data do seu nascimento; 
f. em õ d*outubro de 16c 1. Era filho de Salvador 
Barros e Abreu; frequenton o curso juridico na 
Universidade de Coimbra, foi admittido a colle- 
gial do coUegio de S. Pedro da mesma cidade, e 
seguiu a cadeira do Código, da qual tomou posse 
em 1601. Mais tarde foi desembargador da Casa 
da SupplicaçSo, chance) ler do Porto e desembar- 
gador do Paço. Durante o seu magistério dictou, 
entre varias postillas: Comment. ad. Tit. Cod. de 
administ. rev. public lib. II, etc. 

Abreu (Jeronymo Vieira). Irmão, ou pelo me- 
nos parente de Fr. Jeronymo d* Abreu. Só se lhe 
conhece um folheto, publicado em Lisboa, em 
1802, intitulado: Hespoítas dados a algumas per- 
guntas que se fizeram sobre as novas moendas dos 
engenhos d'assucar e novos alambiques. 

Abrea (João de). Nat. da ilha aa Madeira. Ca- 
pitão d*uma nau na armada de João de Souza 
Lima, que chegou á barra de Gôa em 22 de se- 
tembro de 1513, sendo Affonso d' Albuquerque 
governador da índia. 

Abrea (João Baptista da Silva e). Fidalgo da 
corte do príncipe regente D. João; superinten- 
dente das candelárias de Leiria. Brazão d'armas: 
escudo esquartelado; no primeiro e quarto quar- 
téis as armas dos Silvas, no segundo as dos Cou- 
tinhos, e no terceiro as dos Abrens. 

Abrea (João Botto CauaUeiro Lobo de). N. em 
Portel, no Alemtejo, em 1789; fidalgo da Casa 
Real. Cavalleiro professo da Ordem de Christo, 
tenente- coronel do eztincto regimento de milicias 
d*£vora, e ultimamente escrivão do Juizo de Di- 
reito da Comarca de Coimbra; associado provin- 
cial da Academia Real das Sciencias de Lisboa; 
foi filho de Ignacio Cavalleiro Lobo d' Abreu, e 
de D. Michaella Mira Botto d* Aguiar. Passou a 
maior parte da vida em Arrajolos. Era um ge- 
nealogista enthusiasta, e durante as investigações 
genealógicas, foi colhendo apontamentos para as 
Euas memorias sobre Portel, as quaes escreveu 
com o titulo: CoUecção de memorias para a histo- 
ria da yãla de Portel, offerecida á Academia Heal 
das Sciencias. Esta obra começou a imprimir-se 
na tjpographia da Academia, mas a impressão 
só chegou a pag. 48; sendo mandada suspender, 
conservando* se assim até hoje. Lobo d* Abreu, 
tendo gasto a pequena herança que tivera de seus 
pães, e emigrando para Lisboa em 1833, quando 
se estabeleceu o governo constitucional, foi des- 
pachado provedor do cone. d^ArrajoIos, cargo que 
exerceu emquanto duraram as perfeituras. Tempo 
depois, receWu a nomeação de escrivão do juizo 
ordinário de Montemór-o-Novo, sendo d'ahi trans- 
ferido para escrivão da Relação do Porto; havendo 
pouco depois, mudança ministerial; viu-se obri- 

vor . I — FL .4 



gado a voltar a exercer o seu officio em Coimbra, 
onde morreu a 22 de fevereiro de 1858. 

Abrea (João Couceiro de). N. em Santarém, em 
1675, e f. em Lisboa, a 10 de setembro de 1738. 
Estudou Direito na Universidade de Coimbra, e 
chegou a servir alguns lugares na magistratura, 
mas depois abandonou de todo a jurisprudência 
para se dedicar á poesia e a estudos históricos; 
foi guarda-mór do Archivo Real e académico da 
Academia Real de Historia. Na CoUecção d'esta 
academia encontram -se algumas Contas de Estu- 
dos de Couceiro d' Abreu. Publicou em separado 
alguns sonetos e uma AUegaçãò medico legal sobre 
a defensa de João' Pinheiro Pereira Coutinho, 1721. 

Abrea (João Evangelista de). Engenheiro que 
floresceu no meado do século xix. N. em Castello 
Branco em 1828; era filho de Manuel Mendes 
d'Abreu. Em 1845 sentou praça, como voluntário, 
em cavallaria 8, e no anno seguinte matriculou -se 
na universidade de Coimbra. Quando começou a 
revolução de 1846, foi apresentar-se á junta do 
Porto, com alguns coUegas, e logo alcançou o 
posto de alferes. Assim fez a campanha que ter- 
minou d'um modo infeliz para o seu partido, e 
em abril de 1847, aproveitando a amnistia, apre- 
sentou-se, tendo logo baixa de posto. Continuou, 
no entretanto, a cursar na Universidade, e rece- 
bendo a carta de bacharel em Mathematica, foi 
despachado alferes alumno, até que, tendo con- 
cluído o curso de engenheria, foi promovido a 
alferes effectivo para caçadores 2. Depois esteve 
em commissão na Escola do Exercito, sendo no- 
meado lente substituto em 1856. Em junho doesse 
anno foi um dos escolhidos para irem estudar em 
França, onde se distinguiu brilhantemente. Re- 
gressando ao reino, foi aproveitado o seu rnere- 
cimento pela empreza constructora do caminho de 
ferro, onde fez algumas obras verdadeiramente 
notáveis, que o tornaram celebre. A morte, infe- 
lizmente, veiu surprehendcl-o ainda na força da 
vida, a 23 de fevereiro de 1869. 

Abreu (João Gomes de). Fidalço portuguez, 

3ue militou na índia, sendo vice-rei D. Francisco 
'Almeida; era capitão d*um batel ás ordens de 
D. Lourenço d' Almeida, no combate com os mou- 
ros quando foi batida a armada de Calecut na foz 
do rio de Panane, em 1507. Regressou ao reino 
e voltou novamente á índia em 1512, onde tomou 
parte nas armadas que sahiram de Gôa para o 
norte a combater os mouros; também esteve no 
ataque de Socotori, sob o commando de Affonso 
d*Albuquerque e Tristão da Cunha, em 1507. 

Abreu (D. João Gomes). Bispo de Vizcu. Foi 
quem celebrou o casamento do duque de Bra- 
gança, que depois foi decapitado em Évora, com 
D. Izabel, filha do infante D. Fernando, sobrinha 
de D. Affonso V e irmã de D. João IL Quando 
se celebrou o casamento, em 8 d*agosto de 1472, 
ainda D. Feraaiido não herdara a casa de Bra- 
gança, mas fora feito duque de Guimarães, por 
el-rei D. A£fonso V. 

Abrea João Mannel de). Bacharel em Mathe- 
matica pela universidade de Coimbra, professor 
da Academia Real de Marinha e do Real Colle- 

tio dos Nobres, sócio da Academia Real^das 
ciências. N. em Valença, a 16 d'abril de 1757, 
e f. nos Açores, em 1814 ou 1815. Foi soldado no 
regimento d'artilheria do Porto, sendo tenente o 
celebre mathematico e poeta José Auastasio da 
Cunha, de quem foi discípulo, amigo e admira - 

29 



ÂBR 



ABR 



dor. Por causa das ideias exaltkdas do sea mes- 
tre e amigo em religião, por sustentar doutri- 
nas, que n*aquelle tempo eram condemnadas se- 
veramente, foi preso juntamente com elle, em 11 
d*outubro de 1778, c encerrado na Inquisição, 
sendo também cm sua companhia penitenciado 
n*um auto de fé, que se realisou na sala do Tri- 
bunal de Lisboa; auto de fé em que já não havia 
fogueira, porque o marquez de rombal havia- as 
apaffado para sempre. Além do auto de fé, foi 
também condemnado ao confisco dos seus bens, e 
a estar recluso por três annos na casa dos padres 
da Congregação, hoje hospital de Rilhafolles. Ter- 
minado o praso do cumprimento da sentença, par- 
tiu para França, onde, na cidade de Agen pu- 
blicou em francez: Supplément à la traduetion de 
la Géométrie d^Eudide, de Mr, Feyrardy publiée 
en 1804; et à la Géométrie de Mr. IJgendre\ suivi 
d^un essai surla vraie théorie des^paralleleê^ Agen, 
1809; Frincipes mathématiques defeu Joseph Anãs- 
tase da Cunha, profesieur à V Université de Coim- 
bre (comprenant ceux d^arithmetique, de \a géo- 
métrie, de algébre^ de son application à la géo- 
métrie, et du calcul differentiel et integral, trai- 
tés d^une maniere enticrement nouveUe), traduit 
litteralement du portugais. Bordeaux, 1811. Re- 
gressou depois a Portugal, onde escreveu: Notas 
sobre vários logares da Censura dos redactores 
do «Edimburg Review» aos Principies MatJie- 
maticos de José Anastasio da Cunha, para servi- 
rem de supplemento ao prologo da segunda edição 
dos mesmos Principios. Sahiram no Investigador 
Portuguez, n.* xxx fidezembro de 1813^, e n.*>» xxxi 
e xxxir. Pouco antes de fallecer, occupava-se da 
publicação de vários opúsculos inéditos ^ao todo 
15), que possuia do seu finado mestre e amigo 
José Anastasio da Cunha, os quaes havia colli- 
gido, e tencionava imprimir com o titulo: Escri- 
ptos posthumos de José Anastasio da Cunha orde- 
nados relativamente ao systema dos seus Principios 
Mathematicos, e oferecidos a S. A, R. o senhor 
D. João VI, principe regente de Portugal, etc. 

Abreu (João Nunes de). Artista portuguez do 
principio do século xviii, conhecido pelo Abreu do 
CasttUo» Era um pintor quasi genérico, mas a 
sua especialidade, em que se tornou muito dis- 
tiocto, foi em ornatos e architectura. Foi mestre 
de Feliciano Narciso. Existem vários trabalhos 
seus: na egreja da Graça fquadros de figura e a 
entrada); ena egreja do Menino Deus, os tectos. 
O conde Rackzinski suppõe que este distincto 
pintor seja o mesmo que viveu na mesma época, 
sob o nome de João de Abreu Gorjão. (Dictifvii- 
naire historique artistique du Portugal), 

Abreu (Joaquim Manuel de Faria Lima e) N. 
no Brazil, vindo para Lisboa em 1821. Foi empre- 
gado na secretaria da guerra. Redigiu alguns jor- 
naes de lucta revolucionaria, e em 1822 publicou 
um periódico, o Brazileiro em Portugal, que ter- 
minou por causa dos acontecimentos que resulta- 
ram da contra- revolução de 1823. Em 182o, com 
o regimen da Carta, o distincto jornalista voltou 
á lucta e estabeleceu o Fiscal dos abusos, jorual 
que muito se vulgarisou. N*estas luctas teve, de 
sustentar polemicas vehementes com o padre Joaé 
Agostinho de Macedo, seu adversário politico. 0- 
governo de D. Miguel, em 1827, condemnouo pe- 
las suas ideias liberaes, a 10 annos de degredo 
para as Pedras Negras, depois de ter estado en- 
cerrado na Torre de S. Julião da Barra. Partia 

30 



para o degredo a IG de novembro de 1829, onde 
segundo se julga, falleceu. 

Abreu (Joaquim Valério de). Abridor de cu- 
nhos na casa da moeda de Lisboa nos annos de 
1739 a 1747. Era discípulo de Bernardo Jorge, 
um dos mais hábeis na sua arte.' 

Abreu (Jorge de). Fidalgo portuguez, segunda 
pessoa da celebre embaixada mandada ao négus 
por el-rei D. Manuel, embaixada dirigida pelo 
governador da índia ao Preste João em 1Õ20. 
Capitão d*nm galeão em 1527. Foi ferido e feito 
captivo n'uma galé commandada por Simão de 
Sousa Galvão, n*um combate naval contra as lan 
chás do sultão de Achem, em 1528, sendo gover- 
nador da índia Lopes Vaz de Sampaio. 

Abreu (Jorge da Silva). Fidalgo que militou 
na índia. Fez parte da armada que em dezembro 
de 1614, o vice-rei D. Jerojjmo levou ao norte 
a combater os inglezes. 

Abreu (José de). Fidalgo portuguez residente 
em Baçaim. N. no anno de 1613, armou á sua custa 
uma manchua, de que foi nomeado capitão, para 
guardar o rio de Baçaim, por causa das correriaj 
dos mouros. 

Abreu (José António de). Distiucto official do 
engenheiros, major em 1827 e tenente coronel 
eraduado em 1854, por ter servido a causa de 
D. Miguel, e ser um dos officiaes convencionados 
de Évora Monte. N. em Lisboa, nos fins do século 
XVIII, e f. a 11 do fevereiro de 1873, sendo gene- 
ral de brigada reformado. Foi nomeado por D. Pe- 
dro V para fazer o tombo das propriedades da 
casa de Bragança, commissão para que estava 
^muitíssimo habilitado pelos seus conhecimentos 
techuicos. Era poeta de pouca importância. Em 
1814 publicou um livro de versos intitulado: Pro- 
ducções poéticas de Josino Tagideu, e em 1835: Um 
Boieiro de HespanJia, acompanhado de vários map- 
pas. Collaborou por algum tempo, com Vilhena 
Barbosa, no Universo pittoresco. Tinha a com- 
menda d*Aviz. 

Abreu (José Maria de). Lente cathedratico de 
philosophia na Universidade de Coimbra, do con- 
selho de S. M., deputado ás cortes, director geral 
de instrucção publica, etc. N. em Coimbra, no dia 
15 de setembro de 1818, e f. em Lisboa, a 15 de 
novembro de 1871. Foi José Maria d' Abreu, quem, 
em 1851, começou o utilissimo trabalho de collec- 
cionar a Legislação académica desde 1772, traba- 
lho que acabou em 186G. Esta collecção está pu- 
blicada em 4 volumes e forma um repositório de 
noticias importantissimas para o estudo do desen- 
volvimento da universidade de Coimbra. Tratou 
também da reforma do collegio de S. Caetano, de 
Braga, destinado á educação de orphãos. A Uni- 
versidade deve lhe importantes melhoramentos, 
na typographia, no jardim botânico, etc. Escre- 
veu: Observações sobre o decreto de 1 de dezembro 
de 1845 que regulou a habilitação dos candidatos 
ao magistério da Universidade de Coimbra, lti46; 
A creação d'um curso especial de sciencias econó- 
micas e administrativas na Universidade de Coim- 
bra, 1849; Almanach da Instrucção Publica em 
Portugal, l.« e 2.® anno; e alguns opúsculos sobre 
questões de sciencia. Nos jornaes O observador. 
Instituto e Conimbricense ha artigos seus, políti- 
cos, históricos e scientificos; Duas ^lavras sobre 
o projecto de reforma do decreto de 20 de setembro 
de 1844, apresentado ás Cortes pelo sr. deputado 
Jerovymo José de Mello, Coimbra, 1818; Breves 



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ÂBR 



ABR 



apontamentoê para a biographia do fx."*> coiise- 
Iheiro António Nunes de Carvalho (liahia na Gazeta 
de Portugal em junho de 1867^; Brevissimaa con- 
êideraçoes sobre o opúsculo: A questão da lastruc- 
çSo Publica em 1848; Carta ao redactor do « Lu- 
sitano» sobre a correspondência do Dr. Jeronymo 
José de Mello^ Coimbra, 1848; Breves reflexões 
acerca do projecto de reforma do decreto de 20 de 
setembro de 1844, Coimbra, 1841); Duas palavras 
em resposta ás «Reflexões» sobre o projecto da com- 
missão da Faculdade de Philosophia para a crea- 
ção d*um curso de sciencias económicas e adminis' 
trativas, Coimbra, 1849; Breves reflexões sobre a 
«Resposta do sr. Roque Joaquim Fernandes Tho- 
maz, ás Duas palavras», Coimbra, 1850; A De- 
missão do director geral de instriícção publica^ Lis- 
boa, 1861; Belatorio da Inspecção extraordinária 
Jeita á Academia Polytechnica do Porto em i864, 
Lisboa, 1865, documento interessante pelus es- 
clarecimentos que encerra: Legislação acade* 
mica de 1864 a 1866 e repertório de toda a legis' 
lação desde 1772 até 1866, inclusive, Lisboa, 1866; 
Parecer apresentado ao conselho geral de instruc- 
ção publica e projecto de regimento do coUegio de 
S. Caetano em Braga, Lisboa, 1864; Propriedade 
lUieraria. Parecer sobre a renovação do tratado 
de propriedade litteraria com a França, sahiu no 
Instituto de Coimbra ^ vol. xiv, 1865. 

AhreufJosé Rodrigues de). Doutor em medicina 
e mestre em artes, physico-mór das armadas, e 
medico da camará de D. JoSo Y; n. em ETora em 
1682, e ainda vivia, ao que parece, cm 1747. Es- 
creveu; Luz de chirurgiões embarcadiços, que tra- 
cta das doenças epidemicas de que costumam enfer- 
mar os que se embarcam para os portos ultramarinos, 
e Historia lógica medica, Lisboa, 1711; Historio- 
logia medica fundada e estabelecida nos principios 
de George Ernesto Stahl e ajustada ao uso pratico 
doeste paiz, Tomo i, Lisboa, 17*23; Tomo ii, Parte i 
1739; Tomo ii, Parte i\, 1745; Manuel de Sá Mat- 
tos, fia Bibliotheca cirúrgica, chama- lhe Doutis- 
simo naturalista e sincero medico. José Rodrigues 
d* Abreu era cavalleiro da Ordem de Christo. 

Abreu (José de Sousa e). Familiar do Santo 
Officio d fidalgo da corte de D José. Brazão: as 
armas dos Souzas do Prado, Pintos, Lopes e 
Abreus. 

Abrea (Dr. Júlio Mendes de). Advogado muito 
distincto pertencente a uma antiga familia de 
Oliveira do Hospital, conhecida pelos Mendes da 
Fonte, de que sairam individues importantes que 
desempenharam altos cargos na magistratura, 
como o dr. Pedro Mendes d* Abreu, que foi cor- 
regedor das justiças de Santarém, ctc. (V. Ade- 
lino Júlio Mendes de Abreu). 

Abreu (Liopo de). Piloto portuguez que nau- 
fragou na Aguada de S. Braz, no principio do 
século zvi. 

Abreu (Ijopo de). Nat. de Yizeu, século xvi. 
Seguindo a vida ecclesiastica, chegou a ser deão 
da cathedrai do Porto. Em 1564 abandonou tudo 
para se recolher ao noviciado da Companhia de 
Jesus, onde professou. Escreveu cm 1603 Sum- 
ma de moral, obra que ficou manuscripta. 

Abreu (Lopo Gomes de). Militou na índia. Ca- 
pitão d*uma manchua, em 1613, andou no rio de 
Baçaim a fazer guerra aos mouros. Foi nomeado 
capitão d*um navio na armada de Luiz de Brito 
de Mello, para ir combater os mouros cm Chaul, 
Baçaim e Damão até á barra de Surrate. 



Abreu (Luiz do Rego de). Fidalgo da corte do 
D. João III, descendente da geração dos Regos 
e Abreus. Brazão: Escudo esquartellado; o pri- 
meiro quartel de verde cofm uma banda ondada 
de prata, e n*ella três vieiras de ouro riscadas 
de preto e perfiladas de azul; o segundo de ver- 
melho e cinco cotos de oure, em aspa, e por dif- 
ferença uma brica de ouro e n*ella um — L — 
preto; elmo de prata aberto, guarnecido de ouro, 
paquife de ouro, verde e vermelho, e por timbre 
um dos cotos. 

Abreu (Manud de). Nat. do Crato, século xvi. 
Formado em medicina na universidade de Coim- 
bra, onde também fez parte do corpo docente da 
mesma faculdade desde 1618 até 1642, anno em 
que se jubilou. Escreveu: Tractatus de morbis 
mulierum, em 1621. 

Abreu (Manud de). Jesuíta portu^ez e mis- 
sionário na China. Victima da sua dedicação pela 
fé catholica, foi decapitado em 1736, na cidade 
de Touquin, juntamente com três outros padres 
jesuítas: Bartholomeu Alvares, Vicente da Cunha 
e Gaspar Cratz. 

Abreu (Manuel Ignacio Ferreira de Sousa e), 
Nat. da villa da Torre do Moncorvo. Fidalgo aa 
corte de D. José I, e familiar do Santo Officio. O 
seu brazão tinha as armas dos Souzas do Prado, 
Ferreiras, Andrades e Abreus. 

Abreu (Manuel Rodrigues da Silva). Bacharel 
em Direito pela universidade de Coimbra, onde 
se formou em 1825. N. cm Ponte de Lima, em 14 
d'agosto de 1793, e f. em Braga, a 6 de dezembro 
de 1869. Companheiro de Garrett desde a Uni- 
versidade até ao exilio, p r seguirem as ideias 
liberaes. Foi bibliothccario de Braga. Entre as 
suas publicações figuram com applauso, pela pu- 
reza de linguagem, uma traducção do Eliezer ou 
a ternura fraternal, poema de Florian; outra tra- 
ducção do Eremita, bailada de Goldsmith, vários 
trechos do Par aizo perdido, áe Milton, O Cântico 
de Moysés, Os pretendentes, írvi^menio da Odysséa 
de Homero, O Encontro de Diomedes e de Glauco 
fextrahido da Illiada), versão feita em 171 en- 
decassyllabos portuguezes: Novidades bibliothe- 
conomicas, ou refutação de cinco absurdos, que ge- 
ralmente e ha séculos se soffrem no serviço das bi- 
bliothecas publicas, reduzidas todas ellas á obe- 
diência do simples senso commum; Poesias que se 
publicaram posthumas no Operarto, semanário de 
litteratura, de Braga, em 1871 e 1872: l.« O Cor- 
sário, poema de Lamartine, trad.; 2.* O Homem, 
meditação de Lamartine, trad.; 3* O mérito das 
mulheres, poema de madame Felicie d'Ayzac, 
trad ; 4.' Amostras de diversas poesias. Collabo- 
rou no Instituto, Mercúrio, Independente, e outros 
jornaes. Manuel Rodrigues da ^ilva Abreu voltou 
do exilio em 1832, e, quando terminaram as luctas 
civis, foi nomeado official da prefeitura (governo 
civilj de Braga. Grande defensor da Carta, mos- 
trou-se pouco sympathico ás ideias avançadas de 
1836, e resolveu pedir a demissão, sacrifícand-se 
assim ás suas convicções politicas, não querendo 
acceitar emprego algum publico.'Almeida Garrett, 
seu intimo amigo, procurou fundar uma biblio- 
theca em Braga, com os espólios dos extinctos 
conventos e convidou-o para bibliothecario, o que 
elle acceitou, por ser emprego alheio á politica. 

Abreu (Marcos de). Official de latoeiro sob 
cuja direcção se fundiram moedas de cobre na 
regência de D. Pedro II, quaudo por uma ordem 

31 



ABR 



ABR 



do Conselho da Fazenda de 3 de junho de 1676 
sé mandou fazer moedas de cohre fundidas. Estas 
moedas ainda hoje muito communs pela enorme 
quantidade que d*ellas se fabricou, sSo bastante 
toscas e irregulares. Na ordem referida diz -se 
que em cada arrátel deviam entrar duzentos réis, 
o que corresponde a vinte peças de dez réis, ou 




Moeda de real e meio de D. Pedro II 



quarenta de cinco réis^ ou 66 de tre» réis, ou cento 
e trinta e duas de real e meio pois que foram es- 
tas as espécies moldadas. 

Abreu (Margarida dej. Filha de Christovam 
Robello d*Abreu, da família de Regalados. Viveu 
no século zvii durante o dominio hespanhol. Dif- 
famada por um fidalgo castelhano que inutilmente 
a requestara, vingou -se do ultrap^e matando o 
calumniador a punhal, n'uma egreja do Minho. A. 
audaciosa desafronta impressionou toda a gente 
por tal forma, q|ue não houve juiz aue se atre- 
vesse a sentenciai- a, e Margarida d^Aoreu apenas 
expiou o seu crime, penitenciando-se esponta- 
neamente todos os domingos na egreja. 

Abrea (Marianna de). Nat. de Abrantes; viveu 
no principio do século xvxii. Estudou, com apro- 
veitamento notável, philosophia, rhetorica, musica 
e hi.toria. Morreu, tendo apenas 18 annos, dei- 
xanij escripto: Philosophia moral; Rhetorica 
modetua; Catalogo de todo** os varões illustres 
em ar ^ as, até D. João de Castro, Era mais co- 
uheci^^a pelo nome familiar de Marianninha. 

Abr u (Miguel de). Capitão portuguez, que 
serviu na índia; commandou um navio da armada 
de D. Francisco Soutomaior. 

Abrea (Miguel Vicente de), Escriptor portu- 
guez; nat. da Índia, muito versado nas linguas 
orientaes. Foi empregado na secretaria do Go- 
verno Geral da índia Portugueza, e aposentado, 
fallecendo em 1882. Miguel Yicenie de Abreu era 
condecorado com o grau de cavalleiro da Ordem 
de Christo. Escreveu o seguinte: Bosquejo histó- 
rico de Goa, escripto em inglezpelo reverendo Di- 
niz L, Cottineau de Klogneu, vertido em português 
e accrescentado com algumas notas e rectificações, 
Nova Gôa^ 1858; Folhinha civil e ecdesiastica de 
Goa para o anno de 1850, segundo depois do bis- 
sexto, com varias noticias curiosas e úteis a toda a 
sorte de pessoas, Nova Goa, 1849; Stabat Mater, 
vertido em lingua fconcanij e outras orações na 
mesma lingua^ publicadas por M. V. d^Abteu, Nova 
Goa, 1855; Novas Meditações em lingua de Goa 
fconcani) para visitar a via sacra, Nova Goa, 
1855; Preparação da oração mental seguida de 
qttinze mysterios do Rosário « da Magnificai, e 
oração a S. Francisco Xavier. Nova Goa, 1857; 
Cantigas pias, ou orações em verso da Virgem 
Maria Nossa Senhora, e da Senhora Santa Anna, 
em lingua concani, portugueza e latina. Segunda 
edição mais correcta e muito augmentada pelo edi- 
tor da primeira, Nova Goa, 1860; Manual da missa 
e da confissão, e varias outras orações. Nova Goa, 

32 



1860; Memorias dos trabalhos eccUsiasticos do mez 
de Maio de 1847. 

Abreu (Nicolau de). Fidalgo da corte de 
D. João III, descendente da geração dos Abreus. 
Brazão d^armas: Escudo de campo vermelho com 
cinco cotos de azas de ouro em aspa com as pon- 
tas para baixo, e por differença uma brica de prata 
e n ella outra de vermelho; elmo de prata aberto, 
guarnecido de ouro, paquife de ouro e vermelho, 
e por timbre um dos cotos das armas. 

Abrea (Nicolau de). Official de mar no estado 
da índia. Commandou uma fusta cm 1614, e pos- 
teriormente uma estancia. 

Abreu (Onofre dei Fidalgo portuguez que ser- 
viu na índia. Acompanhou D. Christovam da 
Gama a soccorrer o négus de Hubesch em 1541 con- 
tra o rei Zejli, comniandando uma companhia de 
cincoenta homens. Morreu em combate. 

iibreu (Pedro Álvares de). Capitão portuguez 
que militou na índia nos principies do século xvii. 

Abreu (Pedro Gomes de). 5.® Senhor de Regala- 
dos e Valladares. Alcaide-mór de Lapella e mem- 
bro do conselho de el-rei D. Affonso V. Nas dis- 
córdias que se deram na menoridade d'este prín- 
cipe, declarou- se a favor da rainha D. Leonor, 
viuva de D. Duarte, contra o infante D. Pedro, 
duque de Coimbra. Casou com D. Genebra de 
Souza, filha de Fernando de Magalhães, senhor 
do couto e quinta de Besteiros. 

Abreu (Pedro Henriques de), Nat. d'Evora de 
Alcobaça. Licenceado em Cânones, o reitor de 
S. Pedro de Farinha Podre, bisp. de Coimbra. 
Viveu no século xvii, escreveu: Vida e martyrio 
de Santa Quitéria e das suas oito irmãs, todas nas- 
cidas de um parto, portuguezas eproto-marty f es da 
Hespanha, com um discurso sobre a antiguidade de 
Cinania, Coimbra, 1651, 

Abreu (Raymundo Ferreira de). N. em Lis- 
boa, em 1700, onde também morreu no meado do 
século zviii. Presbytero; mestre de cerimonias da 
Misericórdia. Escreveu: Directório de ceremomas 
do coro, dividido em duas partes, 1738 a 1745. 

Abreu (Sebastião de). Jesuita portuguez, dou- 
tor em theologia, muito apreciado, com especia- 
lidade no estrangeiro. N. no Crato, em 159 i, f. a 
18 d'outubro de 1674; chanceller da universidade 
d'Evora. Escreveu: Institutio Parochi; e Vida 
e virtudes do admirável padre João Cardim da 
companhia de Jesus, Évora, 1659. 

Abreu (Simão de). Capitão portuguez que ser- 
viu na índia. Era filho do Pêro Gomes a*Abreu 
e foi alcaide-mór de Ternate em 15^3. Morreu 
n'um combate naval com os mouros do Bintan, 
sendo atacado o navio do seu com mando, por 
doze lanchas do sultão na ilha das Naus, em 1524. 
Depois de valorosa lucta, os mouros incendiaram- 
Ihe o navio, morrendo queimados elle e toda a 
tripulação. 

Abreu (Thomé de Távora de), N. em Chaves, 
e viveu no século xvii; era filho de Pedro Hen- 
riques de Távora. Desde muito creança mostrou 
grande tendência para a musica e para a mathe- 
matica, e esta ultima tendência resolveu o pae a 
mandal-o estudar na aula de fortificação em Lis- 
boa, onde D. Pedro II lhe mandou dar um partido 
supra numerário. Viajou no estrangeiro, c quando 
regressou a Portugal, sentou praça no terço do 
coude de S. Vicente, sendo logo nomeado aju- 
dante de numero, por ser um táctico eximio; fez 
algumas campanhas da guerra da successãomas, 



ÂBR 



ABR 



pediu a demissão por se julgar preterido. Vol- 
tando ao reino, foi nomeado official da ouvidoria 
do governo de Traz-os-Mootes, e depois secre- 
tario do governo das armas da mesma provincia, 
locar que exerceu 25 annos. Escreveu uma des- 
cnpção da villa de Chaves, e um livro acercado 
seu logar de secretario do governo das armas, 
que destinava para in^trucção de seu filho, que 
queria que lhe succedesse. Estas obras ficaram 
manuscriptas. Escreveu também muitos entreme- 
zes em castelhano, e um poema saty rico intitulado : 
Doa diêturbiosj chimeraa e pataratas^ que ha no 
mundoy escripto em portuguez. 

Abren ( Valentim dei Official de mar no estado 
da índia. Fez parte da armada de D. Francisco 
de Menezes Roxo que em 1615 foi combater os 
povos de ArracSo fArakan). Morreu n^esta expe- 
dição. 

AJbrea (Vasco Games de). Official portuguez dos 
mares da África Oriental. Capitão-mór da armada 
que devia guardar o cabo Guardafui, em 1505. 
Assistiu á tomada de Mombaça e ao combate na- 
val com as naus de Calecut. Foi capitão- mór de 
Sofala, onde levantou uma fortaleza, em 1507. 
Indo depois para Moçambique, uma terrivel tem- 
pestade o obrigou a naufragar, perdendo-se com- 
pletamente o navio em que elle ia e comman- 
dava. 

Abren (Vasco Gomes de). Filho de Diogo Soa- 
res de Abreu, commendador de Beldigem, com- 
panheiro d*armas do celebre Luiz de Loureiro. 
Foi morto em Tanger pelos mouros. 

Abreu {Vasco Gomes de). Fidalgo portuguez 
que esteve na índia em 1614. Fez parte da ar- 
mada mandada a Surrate em soccorro de Luiz de 
Brito, e da que foi a Malabar sob o commando de 
D. Bernardo de Noronha. 

Abrea (Yicente Ferreira de). N. em Setúbal em 
1675, f. em 1734. Professor de medicina e homem 
de letras. Escreveu: Obras espirituaes, e uma 
collecção de Sonetos em louvor de um sermão pre- 
gado no convento de S. Francisco de Setúbal. Sendo 
medico, não consta que escrevesse obra alguma 
sobre medicina. 

Abreu (Victor Madail de). Um dos 7:500 bra- 
vos de Mindello. Nasceu em Coimbra a 5 de maio 
de 1811 e falleceu ali em 17 de maio de 1868. Era 
filho de José Joaquim de Abreu Sampaio Serra 
e D ígnacia Ludovina Ferreira Aranha, ambos 
de Coimbra, aquelle porém descendente da casa 
dos Abreus (Barros Abreu, Conde do Casal) do 
Minho. Victor Madail de Abreu foi scmp/e de- 
mocrata e um dos espirites mais liberaes do seu 
tempo. Aos 15 annos, em 1826, alistou-se no ba- 
talhão académico e foi para Y izeu quando d'aqui 
se tinha retirado para Coimbra o general Aze- 
vedo, depois conde de Samodães, em consequên- 
cia da offensiva que tinham tomado as forças mi- 
guelistas revoltadas, commandadas pelo marqucz 
de Chaves. Em 1828, depois do infeliz resultado 
da revolução liberal, emigrou Victor Madail de 
Abreu pela Galliza para Inglaterra, e d'ali foi 
para a ilha Terceira, onde, já no memorável dia 
11 de agosto do 1829, tomava parte com dis- 
tincção na gloriosa batalha da Villa da Praia, 
que foi a salvação da causa constitucional. Foi 
á ilha de S. Miguel o entrou na brilhante acoão 
da Ladeira da Velha. Veiu com o exercito liberta- 
dor para o reino e desembarcou cm 8 de julho 
de 1832, no Mindello, com os bravos seus compa- 




nheiros. Esteve no ctVco do Porto, e nos dias de 
maior refrega na Serra do Pilar. Fez todas as 
campanhas e contribuiu quanto poude para quo 
triumphasse a bandeira da Rainha e da Carta. 
Apezar de ter servido esta causa desde 1826 até 
1^4 foi-lhe dada a medalha n.» 7, nor injustiça 
fácil de commetter contra quem naaa pede para 
recompensa. Joa- 
quim António de 
Aguiar, era mui- 
to seu amigo, 
quiz chamal-o a 
Lisboa, mas Vi- 
ctor Madail de 
Abreu preferiu 
ficar em Coim- 
bra. Foi-lhe dado 
então o officio de 
escrivão e tabel- 
lião, crcado de 
p r o p o si to n*- 
aquella comarca. 
Insistiu Aguiar 
em querer hon- ^j^^^^ ^^^^^ ^^ ^j,,^„^ 

rar Victor M- de segundo esoalptara feiU por lea filho 
Abreu e quiz O. de Vaíconcellos-Abien *sJ0f!l> 

dar-lhe uma *i^ ͣ?l 

commenda; V. M. de Abreu não a acceitou, nem 
poz nunca ao peito nenhuma venera nem meda- 
lha. O seu caracter democrata era servido por 
inexcedivel honradez e admirável e generosa 
tolerância. Kecolheu, nos annos de 42 a 47^ 
em sua casa, elle cartista (mas não cabra- 
lista), muitos patuleias; exigia doestes porém 
que deixassem ficar armas e munições onde ti- 
nham encontrado abrigo e defesa. Casado com 
D. Guilhermina Cândida de Vasconcellos, dos 
Vasconcellos de Evora^ constituiu família nume- 
rosa, de que foi desvelado educador por cuidados 
e exemplos; e até por vezes o mestre. A pouca 
saúde e a vida que teve não lhe permittiram 
dar a todos os filhos a educação que deu ao mais 
velho, seu filho Guilherme, cuja biographia fica 
dada anteriormente. Victor Madail de Abreu era 
homem lido e versado em historia e em littera- 
tura; possoia uma livraria de para cima de 600 
volumes, entre os quaes competiam na escolha 
obras da litteratura latina, portugueza, hespa- 
nhola, italiana, e, em menor numero, obras da 
litteratura franceza. Era apaixonado dos encyclo- 
' pedistas e dos girondinos. Foi na leitura doesta 
livraria e alumiado pelo ensinamento e exemplo 
de Victor Madail de Abreu que se formou o es- 
pirito de seu filho G. de Vasconcellos-Abreu. 

Abreo. Logar na freg. de Merufe, cone. de 
Monsão II Logar na freg. de S. Vicente de Tá- 
vora, cone. d' Arcos de Valle de Vez || Casal na 
freg. de Almacave, cone. de Lamego. || Casal na 
freg. de Roliça, cone. de Óbidos. || Quinta da freg. 
de Castello de Penalva, cone de Penalva do 
Castello II Quinta da freg. do Lumiar, cone de 
Lisboa II Quinta na freg. de S. Jordão, cone. de 
Évora. || Herdade nas freg. de Santa Victoria e 
de S. Bento do Ameixial, cone. de Extremoz. || 
Herdade na freg. de Fortios, cone. de Portalegre. 
II Sitio na freg. e cone. da Moita. || Sitio na freg. 
de Prmares, cone. de Beja. 

Abreu Gorjâo (João de). Pintor a quem Fr. 
Francisco de S. Luiz attribue um desenho das 
Memorias de Malta, que tem a data de 1734. 

33 



ABR 



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Abreu da Ilha (Joào Gomes). Capitão d*uma 
nau de carga na armada de Tristão da Cunha, 
que partiu de Portugal para a índia em 18 de 
abril de 1506, sendo vice-rei D. Francisco d* Al- 
meida, bempre companheiro de Tristão da Cunha 
assistiu com elle aos combates contra os mouros 
da cidade de Brava e ilha de Socotorá, e final- 
mente á descoberta da ilha de 8. Lourenço em 
1507. 

Abreu da Ilha {Lopo de). Capitão d*uma náu 
da armada commandada por Lopo Soares, que 
passou á índia em 1504. 

Abreu e Lima. Casal da freg. de Camarate, 
cone. de Loures, distr. de Lisboa. 

Abreu e Sousa (João Chrysostomo de). Homem 
politico muito respeitável, venerando general a 
quem o paiz deve numerosos serviços, e cuja 
morte foi geralmente sentida. Abreu e Sousa n. 
em 27 de janeiro de 1811, época em que Portugal 

luctava com as 
invasões fran- 
cezas, atraves- 
sando um pe- 
ríodo escabro- 
so, que só teve 
fí m e m 1814, 
quando Portu- 
gal se viu defi- 
nitivamente li- 
b e r t a do das 
hostes de Na- 
poleão. Sentou 
praça em agos- 
to de 1833, ou- 
tra época não 
menos calami- 
tosa; os ânimos 
ainda estavam 
exaltados pela 
guerra fratri- 
cida que durante cinco annos assolou o reino, e 
que tão deploráveis recordações nos deixou. Em 
1834, Abreu e Sousa era nomeado alferes, e, em 
1837, passava a pertencer ao corpo de engeuheria. 
A sua vida militar e politica foi sempre activa e 
muito honrosa. Teve o encargo de importantes 
commissões, como engenheiro, em que sempro se 
houve com a maior intelligencia e seriedade. Foi 
deputado ás cortes, pela primeira vez, em 18G1; 
ministro em 1864 e 1865, encarregando-se da 
pasta das obras publicas e como interino da 
da marinha, no ministério do duque de Loulé; 
em 1879 ministro da guerra, no ministério de 
Anselmo Braamcamp. Em 1860 foi o encarregado 
de arranjar ministério, na situação diíiicil em que 
o paiz se encontrava, depois do celebre ulíimatum 
de 11 de janeiro que occasionou a queda do go- 
verno regenerador, sem haver quem quizesse ou 
pudesse formar novo gabinete. N^cstas circums- 
tancias especialmente criticas o distincto homem 
de estado, leal amigo do seu rei e do seu paiz, 
não duvidou em tomar o espinhoso cargo de 
presidir a um ministério sem feição partidária, 
mas que não poude resistir á opposição que se 
lhe levantou, e ás diíHculdades enormes com que 
teve de luctar. N*osse gabinete, tomou para si a 
pasta da guerra. João Chrysostomo d'Abreu e 
Sousa mostrou se então um estadista habilissimo, 
conseguindo soccgar os ânimos deveras exaltados. 
Abreu c Sousa era general de divisão, desde 1865, 

34 




Joio Ctirysoitomo de Abrea e^í Sonsa 




BrasSo do Viaconda 
d*Âbriir*da 



par do reino, membro effectivo do conselho de 
estado e ajudante de campo honorário d*el-rei, 
presidente da commissão superior de guerra, e 
vogal effectivo da junta consultiva d*obras publi- 
cas e minas; era condecorado com a gran-cruz da 
Torre e Espada e d* Avis, commendador das Ordens 
de Christo e dAviz; também fora agraciado com 
as commendas d^algumas ordens estrangeiras. 
Falleceu em 7 de janeiro de 1895. 

Abreus. Dois casaes, um na »reg. de Saphira, 
outro na freg. de S. Christovam, ambos no cone. 
de Montemor o-Novo. 

Abrico. Villa da prov. de Traz os-Montes, 
arceb. de Braga, com. de Villa Real. 

Abrigada (José Maria CamiUo de. Mendonça, 
visconde de). Proprietário abastado e negociante 
de g^rosso tracto da praça de 
Lisboa. N. em 31 d*outubro de 
1815, f. em 18 de julho de 1885; 
casou em 1849, com D. Maria 
Leonor Ernestina Coutinho Sea- 
bra Saldanha Daun e Mendonça, 
filha do 2.<' visconde da Bahia. 
Era commendador da Ordem de 
N. S.* da Conceição de Villa Vi- 
çosa, fidalgo cavalleiro da Casa 
RcaU e vice cônsul da Bélgica 
cm Lisboa. O titulo de visconde 
foi-lhe concedido, em sua vida, 
por decreto de 17, e carta de 2^ 
de janeiro de 1870. Tem por bra- 
zão: Um escudo partido em pala; na primeira as 
armas dos Mendonças, escudo franchado e na par 
te alta e baixa, em campo verde, uma banda ver- 
melha coricada de ouro; no segundo, e seu contra- 
rio em campo de ouro um S negro; na segunda 
pala, as armas dos Cunhas, em campo de ouro 
nove cunhas de azul postas em três palas. Tim- 
bre, uma aza de ouro carregada com um S negro 
e por differença uma brica azul com um bezante 
de prata. Este brazão foi concedido por alvará 
de 14 de fevereiro de 1868. 

Abrigada. Freg. da prov. da Extremadura, 
cone. e com. d^Alemquer, distr. e patriarc. de 
Lisboa, orago de N. S.* da Graça. Tem excellen- 
tes quintas, sendo as mais notáveis as da Abri- 
gada e do Casal do Álamo, de F. Raphael Gor- 
'ião; Casal d'Atouguia, do conde dos Arcos; Ca- 
zal do Marques, de A. P. d^Araujo; Casal dos 
Mogos (dos Marcos) de António Joaquim; Ca^al 
do Viegas e do Bairro, de Ascencio de Sequeira 
Frwe*, Ex Couto, do visconde da Abrigada; das 
Mares^ de D. Joaquim da Silva. A egreja matriz 
é do proporções acanhadas e construcção mo- 
derna. Ficando muito arruinada pelo terremoto 
de 1755 foi restaurada em 1768. Na fachada está 
gravada esta data. Em frente da egreja ha um 
largo^ no centro do qual se levantou em 1862 um 
cruzeiro elegante, de pedra polida. No largo 
V(1em-se muitas casas modernas^ onde se recolhem 
os festeiros da antiga romaria de N. S. da Amei- 
xoeira, que se realisa nos mezes de agosto e se- 
tembro. Ao lado da sacristia existe uma campa 
onde se vô quasi totalmente apagado pelo tempo 
o brazão d'armas dos Araujos, da Abrigada ou 
de Alemquer, e por isso se julga ser o tumulo 
d*aquella familia, cujo morgado íoi instituído por 
Gonçalo Vaz d'Araujo, que morreu pelos annos 
de 1620: o brazão era em campo de prata, uma 
aspa azul carregada com cinco bezantes d*ouro; 



ABR 



ABR 



elmo de aço, coberto; e por timbre o tronco d*um 
corpo humano, com braços e cabeça vestidos de 
axul, tendo esta coberta com um capello de ouro. 
Em 1856 construiu-se próximo da egreja um ce- 
mitério murado e fechado por uma porta de ferro. 
Entre outros jasigos notam -se os do visconde 
d*Abrigada, e de Domingos José da Silveira 
Dias Abrigada tem escola, serviço postal, tele- 
graphico e de encommendas postaes, permutando 
malas a R. A. N. conta 1749 alm. 382 fog. A pov. 
dista 10 k. da sede do conc.Tem boa exportação de 
vinho, especialmente para o Brazil; também se 
exporta algum gado. Existe em Abrigada uma 
glande fabrica de tubagem de grés cerâmico, 
onde se fabricam manilhas e todos os artigos 
destinados á canalisaçSo de exgotos, e alguns 
productos refractários de tijolo e telha; em- 
prega 50 operários, todos do sexo masculino. E* 
uma terra das mais floaeicentes do concelho; 
principiou pobríssima e conhecida pelo nome do 
seu logar naais importante: Atouguia das Ca- 
bras, Tem 5 povoados: Abrigada, Atouguia, Bair 
ro, Cabanas de ChSo, e Estribeiro, antigamente 
Destrabeiro. No Bairro ha íl fonte do juiz, que no 
inverno está secca. A pov. chamava-se antiga- 
mente Amieiro; desde o principio do século xvi 
chamou -se Brigada e a corrupção do vocábulo 
den-lheo nome de Abrigada. 

Abrigada (Quinta da). Está situada no logar 
d*este nome; também tinha a denominação de 
Amieiro^ assim como a freguezia. No começo do 
século XVI pertencia a Fernão Balones, que a 
vendeu depois a Fernando Alves Cabral, que 
mais tarde a passou a Gonçalo Vaz, que a ac- 
crescentou e melhorou. Seu filho Gonçalo Vaz 
d* Araújo, instituiu a em morgado, com a condi- 
ção de ser fundada uma capella e casa para pou- 
sada de passageiros pobres. A capella foi dedi- 
cada a S. Roque, cuja imagem veiu do Monte 
Santo, nas faldas do Monte Junto. Em 1711 foi 
saqueada pelos francezes. Depois de restaurada 
teve outra invocação. O terreno é fertilissimo, a 
vegetação magnifica. Ha ali um pouco de argiUa 
refractária^ que já duas emprezas tentaram apro- 
veitar^ um bello largo com tanque abundantíssimo 
de agua potável. As casas dos proprietários são 
vastas e elegantes. 

Abrlgaeiros. Quinta da freg. de Sobral da 
Abelheira, cone de Mafra. 

Abrilada. Nome por que ficou conhecida a re- 
volta de 30 da Abril de 1724, promovida pelo in- 
fante D. Miguel contra seu pae, D. João Vi. Os 
principaes agentes da contra revolução de 1823, 
conhecida por Yillafrancada^ tinham sido D. Mi- 
guel e sua mãe, D. Carlota Joaquina. D. João VI 
adherira a este movimento. D*aqui se derivou a 
preponderância do infante no partido absolutista, 
que promovera e pozera em acção na Vi//a/ran- 
cada No fim do anno de 1823, descobriu a poli- 
cia a conspiração planeada por D. Carlota Joa- 
quina e seu filho D. Miguel, que fora nomeado 
generalissimo do exercito. Esta conspiração ti- 
nha por fim forcar D. João VI a abdicar, mas por 
ter sido descooerta ficou malograda. A exces- 
siva tolerância para com os liberaes e a pro- 
messa d*uma constituição serviam de fundamento 
aos queixumes e protestos dos partidários da rai- 
nha contra o rei. Os ultra realistas descarrega- 
vam especialmente os seus golpes contra o mar- 
ques de Palmei la e o conde de Subserra, ministros 



de D. João VI,que representavam mais pronancia- 
damente ossas tendências, em 2d de fevereiro de 
1824, o mysterioso assassinato do marquez de 
Loulé em Salvaterra, imputado a D. Miguel veiu 
indicar que o interesse do partido do infante era 
fazer desapparecer os homens deveras dedicados 
ao rei. Dois mezes depois em 30 d*abril, D. Miguel 
á sua voz de generalíssimo, reuniu as tropas, e 
mandou prender os ministros e outras persona- 
gens importantas, conservando o rei incommuni- 
cavel no paço da Bemposta, distribuindo publi- 
cações ao povo, em que dizia ter-se descoberto 
uma conspiração, que os maçons pretendiam as- 
sassinar el-rci, e elie se propunha a defendel-o e 
a salvar-Ihe a vida. A idéa, porém, continuava 
sendo sempre a abdicação. O corpo diplomático, 
presidido pelo ministro de França, Hyde de Neu* 
ville, entrou á força na Bemposta, obrigando as 
sentinellas, que tinham ordem de não deixarem 
entrar pessoo alguma, a franquearem -lhe a en- 
trada, e protestou contra a violação da auctori-* 
dade real. Esta attitude dos representantes das 
cortes extrangeiras, obrigou a rainha e o in- 
fante a serem mais moderados. No entretanto, 
D. João VI, por conselho dos embaixadores de 
França e da Inglaterra, retirou-se para bordo da 
nau iogleza Wtndsor Castle, a 9 de maio, simu- 
lando um passeio a Caxias, para não despertar 
suspeitas. Depois de estar a bordo mandou cha- 
mar o infante, demittiu-o do posto de generalis- 
simo, rcprehendeu-o asperamente, e exilou-o para 
o extrangeiro. Cinco dias depois, a 14 de maio, o 
rei voltou para terra, restabeleceu o ministério, 
mostrando se, porém, demasiadamente benigno 
para com os revoltosos da Abrilada. A rainha 
continuava sempre conspirando, até que, sendo 
descoberta no dia 26 d'outubro do mesmo anno, 
uma nova conspiração por ella dirigida, houve 
ordens severas para a encerrarem uo palácio de 
Queluz. 

Abrilongo. Pequeno rio no termo da villa 
d'0uguella. Mette-ee no Xevora (ou Cevora^, 
próximo e em frente da dita villa; districto de 
Portalegre. 

Abris. Pov. na freg. e cone. d'AIjezur, distr. 
de Faro. 

Abroca. Quinta da freg. de Valladares, cone. 
de Trancoso. 

Abroens. Aldeia da prov. de Entre Douro 
e Minho, arcebisp. de Braga, com. de Guima- 
rães, freg. de S. Jorge da Várzea. 

Abroens d*AIlen. Aldeia na prov. de Entre 
Douro e Minho, arcebisp. de Braga, com. de 
Guimarães, freg. de S. Jorge da Várzea. 

Abrolhanas. Aldeia na prov. da Extremadura, 
pjitriar. de Lisboa, com. de Santarém, freg. de N. 
S." da Conceição de Rio Maior. 

Abrolho. Logar da freg. de Vermoil, cone. de 
Pombal. II Pov. na freg. de Serro Ventoso, cone. 
de Porto de Moz. 

Abrotica. Pov. na freg. de Cardosas, cone. de 
Arruda dos Vinhos. 

Abrunhal. Pov. na freg. de Fermedo, cone. de 
Arouca. 

Abranheira. Pequena serra, ramificação da 
de Cintra. || Logar na freg. de S. Clemente de 
Basto, cone. de Celorico de Basto. || Logar da 
freg. de S Martinho de Cortiça^ cone. de Arga- 
nil. 11 Logar da freg. de Assafarge, cone de Coim- 
bra. II Logar da freg. de Revelles, cone. de Mon- 

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ÂBR 



ACA 



temor- o- Velho fiem caixa postay. || Locar da 
freg. de Verride, do mesmo coqc || Logar da freg. 
d*Aguda, cone. de Figueiró. || Logar da freg. e 
cone. de Cintra, jl Logar da freg. de Alcainça, 
cone. de Mafra. |! Logar da freg. de Ramalhal, 
cone. de Torres Vedras. || Casal da freg. de S. 
Martinho do Bispo, cone. de Coimbra. || Courella 
da freg. de Montemór-o-Novo. || Sitio da freg. da 
Ribeira de Niza, cone de Portalegre. || Logar da 
freg. e cone. d*OIiveira do Bairro, chamado tam- 
bém Brunheira. || Pov. da freg. do Penaferrim. 

Abrunheiro. Aldeia na prov. entre Douro e 
Minho, arceb. de Braga^ freg. de S. Miguel de 
Villa Cova. 

Abrunheiro Grande. Aldeia da prov. da Ex- 
tremadura, bbp. da Guarda, cone. de Thomar, 
termo da Villa de Rei. Tem treze vizinhos e per- 
tence á freg. de Santa Margarida da Fundada no 
logar da Silveira. 

Abrnnheiros. Pov. na freg. de Fregim, cone. 
de Amarante. 

Abrunheta. Logar na freg. de Souto, cone 
d^Abrantes, chamado também Brunheta, 

Abrunhosa. Pov. da freg. de Villa Boa, cone. 
de Satam. || freg. do cone. e com. de Mangualde, 
distr. e bisp. de Vizeu, 1100 alm. tem escola. 

Abrunhosa do Liadario. Freg. de Santa Ma- 
ria. E' uma pequena villa da prov. da Beira Alta, 
cone. de Satam, com., distr. e bisp. de Vizeu. 
Dist. 24 k- de Vizeu. 150 fog., 600 alm. Foi cone. 
com camará, juiz ordinário. Era da coroa. 

Abrunhoso do Matto. Pov. da freg. de S. Tho- 
mé da Cunha Baixa^ cone. de Mangualde. Tem 
caixa postal. 300 almas. 

Abrnnhosa-a- Velha. Pov. da prov. da Beira 
Alta, free. de Santa Ceei lia, cone. e com. de Man- 
gualde, distr. e bisp. de Vizeu; 1125 alm. 200 
fog., dist. a pov. 14 k. da sede do cone. Tem es- 
cola do sexo masculino, serviço postal, permu- 
tando malas com a E. A. B. A. Foi antigamente 
com. de Vizeu. Quando os Paes, de Mangual- 
de, foram feitos donatários doesta pov. e de 
Villa Mendo, no século xviii, Abrunhosa- a- Velha 
foi elevada a villa; estas duas povoações ficaram 
formando então um concelhoi com juiz ordinário, 
camará, os necessários escrivães e oíHciaes de di- 
ligencias. No judicial serviam alternativamente os 
três do judicial e notas, de Tavares, mas effecti- 
vamente o dos orphãos. A superintendência das 
decimas estava no juizo de fóra de Mangualde 
e Tavares, e estendia- se a mais dois concelhos 
pequenos, extinctos ha muitos annos. Um doestes 
concelhos extinctos pertencia á ouvidoria de Li- 
nhares, outro á de Penalva do Castello. Sendo 
elevada a villa, Abrunhosa ficou chamando-se 
VUla Nova de Abrunhosa Vdha; mais tarde, tor- 
nou a ter outra vez o nome antigo, que conserva 
ainda hoje. Esta villa tem um lindo sanctuario de 
Nossa Senhora. 

Abrutes. Aldeia na prov. de Entre Douro e 
Minho, arceb. de Braga, com. de Valença, distr. de 
Vianna do Castello, termo da villa de Caminha, 
freg. de Santa Maria de Arga. 

Abul. Herd. da freg. de ti). João Baptista de 
Palma, cone. de Alcácer do Sal. Também se cha • 
ma Abula. 

Abul. Appellido de familia nobre de Portugal, 
que, segundo uns, procede de Abulhaccm^ Abu-el- 
UassanJ rei de Marrocos, vencido na batalha do 
Salado; segundo outros, e com mais fundamento, 

36 



da villa de Abiul, perto de Pombal. As suas ar- 
mas são partidas em pala; na primeira em campo 
de oiro meia águia negra armada de sanguinho, 
na segunda eín campo azul uma taxa vermelha 
coticada de ouro e.tres crescentes de prata postos 
em roquete, dois no campo alto e um na faxa: 
timbre^ um crescente do escudo entre duas azas 
pretas. Esta familia, ha mais de dois séculos que 
se retirou para os Açores, e tem hoje poucos des- 
cendentes legitimos. 

Abul-Mo8for. Kajah em poder de quem es- 
tava a cidade de Gôa quando em 1198, Vasco 
da Gama aportou á ilha de Angediva. Succedeu- 
Ihe seu filho Ismael Adil-Xáy a quem Albuquer- 

3ue tomou aquella cidade, em 25 de novembro 
e 1510, depois de grande resistência. 

Abntua. Paiz do interior da Africa Oriental, 
a este do rio Zambeze, na parte próxima ás Ca- 
choeiras de Cansala. A serra Ftira, ou Afura^ 
visitada com frequência n*outros tempos pelos 
portuguezes por causa do trafico do ouro, está 
comprehendiaa nos limites doeste paiz. Alguns 
escriptores portuguezes querem que esta serra 
seja a Ophir d'onde Salomão mandava extrahir o 
ouro para o templo. 

Abntueira. Pov. na freg. de N. S.* da Encar- 
nação de Marmelete, cone. de Monchique, distr. 
de Faro, bisp. do Algarve. 

Abuxarda. Pov. da freg. de S. Vicente d'Al- 
cabideche, cone* de Cascaes. 

Açacal. Nome dado antigamente aos aguadei- 
ros, como se vê d*um capitulo das cortes d'Evora, 
em 1408, onde se queixaram os povos a el-rei de 
que muitos mancebos pobres e tiecessarioa para 
lavrar^ e servir, compravão hum a^no, e numa 
grade e quatro cântaros e se mtttem por açaquaes; 
não devendo servir nisto senão velhos de 80 an- 
nos. Ao que o rei mandou que os mancebos la- 
vrem e não sejam açaquaes se nom hameens de 16 
annos a fundo, e velhos de 50 annos para cima. 

Acácia da Paix&o (Soror). Freira transeis - 
cana, celebre pelo seu ascetismo. Era natural de 
Lisboa, esteve no convento da Esperança, e de- 
pois foi para o convento d^Alemquer, como por- 
teira. Consta que esta freira praticava em ex- 
cesso toda a qualidade de macerações e peniten- 
cias, amanhecendo muitas vezes alagada em san- 
gue por se ter ferido de noite com uma bola de 
ferro erriçada de agudas pontas; mal dormia en- 
costada á cama, quasi nada comia, e passava ho- 
ras consecutivas com os braços em cruz. Morreu 
no dia 24 d'agosto de 1578. 

Academia. Semanário de litteratura, publi- 
cado em Coimbra, de 1866 a 1867; sahiram só 
12 números. Collaboraram n*clle os académicos 
Emydio Navarro, João de Deus, Mannel Emydio 
Garcia, João Penha, Lopo Vaz de Sampaio, 
José Joaquim Lopes Praça, José Simões Dias, 
Theophilo Braga e outros. 

Academia. Celebrada pelos religiosos da Or- 
dem Terceira de S. Francisco do convento de N. 
S.^ de Jesus de Lisboa no dia da solemne inaugu- 
ração da estatua equestre d* el-rei D. José I, Nosso 
Senhor. Contendo ao todo 176 pag. sob varias nu- 
merações parciaes, e com uma estampa allegorica 
da invenção e buril do hábil professor Joaquim 
Carneiro da Silva. A collecçao consta de varias 
composições, em prosa e em verso, cscriptas em 
francez, inglez, portuguez, grego, arábico e he- 
braico, tudo com as competentes versões em lin- 



ACA 



ACA 



giiagem materna. A dedicatória a el-rei D. Josú 
é da peniia de l). Fr. Manuel do Cenáculo. 

Academia de Amadores de Musica. Tendo 
em 1881 o illustre musico Filippe Duarte cons- 
tituído em Lisboa a orchestra do Club Guilherme 
Cosêoul, onde começou a ezercitar-se no mister de 
regente, em que tao hábil se tornou, resolveu a 
maioria dos sócios d'aquelle club, que se não in- 
teressavam exclusivamente pela musica, e a or- 
chestra constituírem se em nova academia. Foram 
iniciadores e principaes promotoras da sociedade 
projectada os drs. Esteves Lisboa e D^Korth, I). 
Fernando de Sousa Coutinho, visconde de Âthou- 
gnia, Augusto Gerschey, Adriano de Castro, 
Agostinho Franco, e outros distinctos amadores; 
os quaes, reunidos em casa do dr. D'Korte, a 17 
de janeiro de 1884, decidiram formar a Heal Ava- 
demia de Amadores de Musica. Dentro do mesmo 
mez de janeiro se fizeram, discutiram e foram 
approvados, os estatutos, desempenhando desde 
a primeira sessão o cargo de presidente da as- 
sembléa geral o devotadíssimo amador sr. duque 
de Loulé. Não tardou a academia em se salien- 
tar. A 6 de junho de 1884 realiscu ella no antigo 
circo dos Recreios o famoso concerto em que se 
ouviu a cantata Patrie, primeira grande compo- 
sição do dístincto maestro Alfredo Keíl Abri- 
ram se aulas, entre ellas uma de aperfeiçoa 
mento de piano, regida a principio pelo professor 
José António Vieira e mais tarde por Alexandre 
Rey Colaço. Em 1887 voiu Victor liussla, con- 
tractado para dirigir a orchestra e a aula de 
violino, e d'este professor se originou uma ópti- 
ma escola de violino, cujos numerosos discípulos 
opulentam os aunaes da distincta academia. Pelo 
fallecimento de Hussia veíu D. Andrés Goni,qnc 
continua com egual brilho as já gloriosas tradi- 
ções d*esta escola. Em 1893 receberam as outras 
aulas da academia uma remodelação, com o que 
tomaram novo incremento, elevauciose então ex- 
traordinariamente o numero de alumnos. Entra- 
ram para professores: Ernesto Vieira, que dirigia 
as aulas de rudimentos, harmonia e flauta. Eu- 
génio Costa, que dirige o curso geral de piano ; 
entrando mais tarde para o ensino superior doeste 
instrumento Ernani braga, todos bem cotados no 
nosso meio artístico e fora d'ellff. Dos antigos 
professores conserva-se ainda á testa dn aula de 
víoloncello o conceituado artista Cunha e Silva. 
Numerosos alumnos teem cursado estas aulas com 
egual honra para si e para a academia, que con- 
sidera como a filhos dilectos os que n*ella rece- 
beram as primeiras noções de musica. Duas alum- 
nas ceças teem brilhantemente seguido os cursos 
de rudimentos e piano, fazendo os seus exames 
como se fossem videntes, estudando por um sys- 
tema grapliico inventado pelo professor Vieira, 
baseado no alphabeto Mascaró. Tem sempre 
a academia sido objecto das mais captivantes 
attenções dos mouarchas portuguezes e de ou- 
tros desvelados protectores. Entre os sócios mais 
dedicados á academia não podemos deixar de in- 
aicar o sr. Domingos de Oliveira Gaia, incansá- 
vel secretario e superintendente das aulas. Em 
1902 completou a academia dezoito annos e effe- 
ctuou com a maior solemnidade o 100.° concerto, 
que tem offerecido aos seus sócios. Tão impo- 
nente festa rcalisou-se na sala Portugal da So- 
ciedade de Geographia, assistindo Suas Mages- 
tades e mais de três mil pessoas, que testemu- 

VOL. I — FL. 5 



I nharam unanimo almiração pelos trabalhos da 
I academia. Commemorando o seu centésimo con- 
, certo (1884 a 1902) publicou a Heal Academia 
! dos Amadores de Musica um volume, contendo 
numerosas e interessantes indicações, d*entre as 
I quaes extrahimos as que acima ficam. Foi por 
carta régia de 14 de agosto de 1884 que se con- 
I cedeu á academia o titulo de Real. 
I Academia dos AnoDymos. Sociedade de 
! poetas, fundada em Lisboa, nos princípios do se- 
; culo xviii, por D Manuel Telles da Silva, tí 'conde 
I de Villar Mayor, 2,*^ marquez de Penalva Os seus 
I trabalhos foram publicados n*um livro, intitulado: 
I Regressos académicos dos aiwnymos de Lisboa. Esta 
I Academia chamava-se dos auonymos, porque os 
sócios não deviam assignar as suas composições, 
Entre os sócios houve alguns notáveis, como o 
cego José de Sousa, que por differentes vezes foi 
presidente. José de Sousa tinha uma memoria pro- 
digiosa. Os seus versos trazem a assignatura de 
Theologo eterno. 

Academia dos Applicados. Fundada também 
no século xviii. As conferencias eram de ordiná- 
rio na cellade fr. Manuel do Cenáculo, mais tarde 
bispo de Beja. Em 1724 e 1734 houve grandes 
certameos, cclebrando-se o primeiro na casa do 
claustro do convento da Graça, solemnisando a 
Encharistia, e o segundo, em que se fez o pane- 
gyrico do padre Raphael Bluteau, um dos sócios 
mais importantes. 

Academia Bracarense. Foi fundada em 1564 
por D. fr. Bartholomcudos Martyres,que escolheu 

Sara seus professores os padres da Companhia de 
esns. 

Academia Cirargíca Prototypo Lusitanica 
Portuense. Foi fundada no Porto em 1746. O 
fim principal era a discussão dos methodos para 
o tratamento das doenças. O illustre cirurgiílo 
Manuel Gomes do Lima é que influiu muito para 
a organisação d'esta academia. Os sócios juravam 
defender a Conceição da Virgem. Havia sócios 
de numero, de exercício e de honor. Celebra.vam 
todos os annos duas sessões solemnes. Nas sessões 
ordinárias admittiam-sc doentes pobres, que se 
tratavam gratuitamente. O pessoal da academia 
compunha-se de dois directores, dois censores, 
um secretario, um thcsouroiro e um procurador. 
Teve curta duração. 

Academia das Conferencias Discretas. Se- 
gunda denominação que recebeu a Academia dos 
Generosos. V. Academia dos Generosos. 

Academia Dramática. Associação formada 
por estudantes da universidade de Coimbra, em 
1837, com o fim de dirigir os trabalhos do Thea- 
tro Académico, Por desintelligencia entre OB 
associados dissolveu se, fundando se então outra 
com o titulo: A^oi^a Academia Dramática. 

Academia Ecclesiastioa. Foi fundada era 
Beja, em 1793, pelo bispo d*e8sa diocese, D. Fr. 
Manuel do Cenáculo. Resolvia questões sobre 
assumptos religiosos. A morte do fundador deu 
fim a esta academia. 

Academia de Estados Livres. Sociedade de 
instrucção fundada em Lisboa no anno de 1889. 
Foram seus iniciadores dois homens tão modes- 
tos quão íntelligentes, Bartholomeu Rodrigues, 
empregado da camará municipal da mesma ci- 
dade, e Miguel Seixas, empregado no commer* 
cio. Estabeleceu se esta prestimosa instituição 
na rua do Arco do Bandeira, passando, tempo 

37 



ACA 



ACA 



depois, por concessão do governo, para o palá- 
cio do conde do Sobral, ao Calhariz, onde hoje 
está estabelecida a Caixa Geral dos Depósitos. 
O palácio fora quasi totalmente aestruido por um 
pavoroso incêndio, e só á custa de enormes sa- 
crifícios poude a academia preparar o resguar- 
dar convenientemente algumas salas, onde se 
roalisaram diversos cursos de linguas, sciencias 
e artes, dirigidos por notáveis professores, taes 
como Salomão ^Sarag^a, Joseph Benoliel, Âdol- 
pbo Coelho, ctc. Conferencias notabilissimas ali 
se effectuaram, podendo citar-so entre outras as 
do visconde de Ouguella, Cincinato da Costa, 
Sertório Monte Pereira, dr. Bernardino Macha- 
do, etc, Por esse tempo, um grupo de distinctos 
médicos, sabidos havia pouco dos bancos da es- 
cola, iniciaram na academia cursos de biologia, 
historia natural, anthropologia, phisio-psycholo- 
gia e sociologia. Eram oUes o eminenente bacte- 
riologista dr. Gamara Pestana, que mais tarde 
fallcccu em tão trágicas circumstancias,dr. Schin- 
dler. dr. Silva Telles, dr. José de Magalhães e dr. 
Reis Santos. Seguiram so então algumas excur- 
sões scientificas notáveis, promovidas pela aca- 
demia, como as que se effectuaram aos arredores 
do Lisboa, dirigidas pelo distincto geólogo fran* 
cez nir. Piíul Choffat e pelo sábio archeologo 
portuguez dr. Leite de Vasconcellos. Tempo de- 
pois a Academia de Estudos Livres passou para 
o prédio da rua Serpa Pinto, contíguo ao Real 
Theatro de S. Carlos, de que hoje é dependência, 
c ainda por concessão do governo, s^ quem per- 
tencia a propriedade. Ali ficou alguns annos, até 
que, por ordem do ministro do reino, n^essa épo- 
ca, foi exigida a casa em represália das confe- 
rencias criticas sobre as modernas leis da ins- 
trucção secundaria, realisadas ali pelo conhecido 
pedagogo sr. José Augusto Coelho. Faltando-lhe 
este recurso esmoreceu então a academia na sua 
generosa lucta. Em 1897 alguns dos antigos só- 
cios reuuiram-se para reencetar os trabalhos da 
conectividade. A sua iniciativa foi recebida com 
o maior enthusiasmo e nova vida começou para a 
associação. Abriram-se cursos de lioguas, de con- 
tabilidade, etc ; realisaram-se as nossas mais in- 
teressantes excursões artísticas dos tempos mo- 
dernos, taes como ao celebre convento da Batalha, 
aos monumentos de Thomar, Jeronymos e torre 
de Belém, dirigidas pelo architecto sr. Adães 
Bennudes. Celebrando o centenário do descobri- 
mento do caminho marítimo da índia, promoveu 
a academia as conferencias dos srs. Almeida 
d*£ça e Lopes de Mendonça, as quaes foram pu- 
blicadas Ultimamente o facto culminante foi a 
erudita conferencia do sr. dr. Thcophilo Braga, 
sobre Augusto Comte, celebrada a 24 de março 
de lí^Oi, dia escolhido para a inauguração do 
monumento erigido em Paris ao iminente philo- 
sopho fraucez. Desde o seu inicio, tem sido a 
Academia de Estudos Livres presidida pelo 
illustre lente da Universidade de Coimbra sr. 
dr. Bernardino Machado. 

Academia Fenians. Fundada em Lisboa no 
anuo de 1865 pelo conhecido professor de dança 
Justino Dias Lima Soares, que lhe deu o titulo 
da sua primeira composição choreographica, Os 
Fenians^ uma linda quadrilha composta em 1861 
e que em 1869 se começou ia dançar em Paris. 
N*esta academia teem recebido o ensino da dança 

38 



até agora cerca de vinte e seis mil pessoas. V. 
Justino Soares» 

Academia dos Generosos. Foi a principal 
das academias particulares que existiram em 
Lisboa, nos séculos xvii e xviii. Foi fundada em 
1649 por D. António Alvares da Cunha. O seu 
fim era a interpretação e explicação dos escripto- 
res antigos; depois, quando se denominou Aca- 
demia das Conferencias Discretas^ discutia ques- 
tões históricas o scientificas. Atravessou 4 épo- 
cas; a primeira foi uma tentativa de D. António 
Alvares da Cunha, de 1647 a 1667; a segunda foi 
reconstituída por D. Luiz Alvares da Cunha, filho 
do fundador, 1685 a 1692; a terceira tentativa 
deveu-se ao conde da Ericeira, D. Francisco Xa- 
vier de Menezes, chamando se então Academia 
das Conferencias Discretas^ 1696 a 1716: aqnarta 
tentativa ainda foi promovida por diligencias 
do mesmo conde da Ericeira, em 1717, t<.Tminan- 
do pouco depois, trocando o nome para o de Aca- 
demia Portuautza. Foram sócios os homens notá- 
veis d*aque]Ta época em Portugal, entre os quaes 
se contavam os condes de Villar Mayor, d^Assôca, 
marquez d'Alegreto, D. Francisco Manuel de 
Mello, Francisco Leitão Ferreira, Padre Kaphael 
BIuteau,-etc. que passaram depois para k Acade- 
mia Ueal de /ftir^oria, fundada por D. João V. Na 
livraria dos srs. condes de Tarouca guardam-sc 
as conferencias d*esta academia, constituindo 
uma preciosa collecção em que se encontram 
muitas poesias e outras producçues notáveis. 

Academia dos Hamlldes e Ignorantes; Dia- 
logo entre um Theologo^ um Philosopho, um Ermi 
tão e um Soldado no sitio de N. S.* da Consolaçào. 
Obra utilissima para todas as pessoas ecclesiasti 
cas e seculares que não teem livrarias suas^ nem 
tempo para se aproveitarem das publicas . . . tomo i 
1759-ir60. Esta obra começou a publicar-se pe- 
riodicamente em folhetos de 8 pag., do que o 
primeiro sahiu era setembro de 175^5. Continuou 
nos annos seguintes, e cada 52 números ou con- 
ferencias formam um volume. A obra completa 
vem, portanto, a compôrse de 8 volumes e um 
índice das cousas mais notáveis de que tratam os 6 
tomos da Academia^ etc, Lisboa, 1764. Esta obra 
é pouco estimada, segundo diz Innocencio. 

Academia dos Illastrados. Academia parti- 
cular, fundada em Lisboa no século xvi i. 

Academia dos Insignes. Academia parti- 
cular, fundada em Lisboa nos piiucipios do 
século XV. II. 

Academia Instantânea. Fundada no Porto 
nos fins do século xviii pelo bispo D. Fernando 
Correia de Lacerda. Chamava- se Instantauea^ 
pela obrigação que os sócios tinham de discorrer 
de improviso sobre as questões que lhe eram pro- 
postas. Esta academia teve pouca duração. 

Academia Instrncção Popular. Tendo sido 
extinctos em 1892 os clubs políticos dos partidos 
avançados, existentes em Lisboa, lembraram-se 
alguns sócios d*um dVsses clubs de fundar esta 
academia de instrucção; a qual, apesar das vi- 
cissitudes por que tem passado, é sem duvida uma 
instituição muito sympathíca. Actualmente sus- 
tenta uma aula diurna para meninas e outra no- 
cturna para individues do século masculino, espe- 
cialmente adultos, sendo ambas extremamente 
concorridas e prestando valiosos serviços ao po- 
puloso bairro de Alfama, onde está estabelecida. 

Academia dos Jogos. Obra em õ volumes. 



âcâ 



ACA 



publicada Da Impressão régia, em 1806. Trtta dos 
seguintes jogos: Tomo i: Arrenegada, Zanga, 
Quinto, Medeator, Espenifre, Lasca, Kanca. Tomo 
ii: Whist, Boston, Sueco, Manilha, Trempe, Três 
«i»tc8. Bisca, Brelau, Piquete, Pilha, Tomo iii: 
Kevesiabo, Briscan, Commercio,Trunto, Loteria, 
Gurimbarda, Imperial, Pamfilio, Mosc^, Grin- 
guetta, Ambíguo, IIoc, Ronda, Gilleta, Tontina, 
Treze, Sizetta, Empréstimo, Quatro reis, Chin- 
calbão. Tanque, Douradinha, Marimbo, Poque, 
Quinze, Trinta e um, Bella, Fluxo, Trinta e qua- 
routa. Casino, Estenderete, Papillon, Simão, 
Quinto, Pacáo, Vinte e um. Tomo iv: Gamfto, 
Tabolas reaes, Descarredas, Passo de Roma, 
Dados do parar, Krabs, Quinque nove, Gagáo, 
Sete e oito. Coelhinho, Passa dez, Bilhar, Taco 
e Cachí^, Bola. Tomo v: Damas, Xadrez, Dominó. 
Academia Liatina e PortugueBa. Academia 
particular fundada em Lisboa em 1735. E* ape- ; 
nas conhecida por uma sessão fúnebre que ceie- i 
brou em memoria do padre D. Manuel Caetano 1 
de Souza, cujo retrato estava pendente na sala 
das sessões. 

Academia dos Liaureadoa. Fundada em San- 
tarém íím 1721. Tinha mestre, secretario e cen- 
sor, e foram sócios os homens mais eruditos da 
localidade. O fim d'esta academia era a discussão 
sobro assumptos littcrarios, que os académicos 
tratavam em prosa ou em verso nas suas sessões. 
Academia Litúrgica Pontiflcia. Foi funda 
da por Benedicto XIV, no mosteiro de Santa 
Cruz de Coimbra, em 1747. A intenção da funda- 
dor era propagar e facilitar o ensino dos sagra- 
dos ritos e da historia ecclesiasti<'a. O director 
era o bispo de Coimbra D. Miguel da Annnncia- 
çâo, sob a inspecçílo suprema do referido Bene- 
dicto XIV, e conservou relações intimas com a 
Academia dos Sagrados Ritos e Historia eccUsias- 
tica, estabelecida no Quirinal por este poutifíce. 
D. Miguel d*Annunciaçâo dotou-a com uns es- 
tatutos muito desenvolvidos, que se publicaram 
em 1758. Benedicto XIV oflereceu-lhe o seu 
busto em mármore, o manuscripto da sua obra ; 
JSynodo Diocesano^ e escrevauinha de ouro que 
servira no Concilio de Trento o uma collecçao 
das suas obras, impressas em 12 volumes, em 
cujo frontispício se lia: Ad usum Academia Li- 
turgias Conimbricensis. Teve typographia pró- 
pria, onde se imprimiam annualmente os seus 
trabalhos. Esta academia foi extincta em 17G7, 
pelo marquez de Pombal, em consequência da 
sua inimisade com o bispo' D. Miguel d'Annuu- 
ciaçâo. 

Academia de Manejo e arte de andar a 
cavallo. Foi estabelecida no Real Collegio dos 
Nobres de Lisboa em 1789. O professor tinha 
24^000 réis de ordenado; os cavallos ernm for- 
necidos pelas reaes cavallariças. 

Academia SCarianna. Fundada por D. Fr. 
Manuel do Cenáculo, em agosto de 175G, sob a 
invocação da Virgem Maria. Tinha por fim ren- 
der homenagem á Virgem. 

Academia MedÍco-portopolitana.Foicreada ; 
no Porto por diligencias de Manuel Gomes de 
Lima, sob a protecção do arcebispo de Braga, o 
priucipe D. José, filho natural de D. João V. Ti- , 
nha por fim a medicina experimental. Era cons- j 
tituida por .6 circulos e 6 meio-circulos, abran- i 
gendo Portugal e Hespanha, e as colónias dos | 
dois paizcs. Os académicos, homens capazes de | 



discutir medicina, estavam divididos em 4 clas- 
ses: Collectores, médicos celebres dos dois pai- 
zes: Eruditos, homens que professavam qualquer 
sciencia relacionada com a medicina; Exptri' 
mentaes, médicos, anatómicos e pharmaceuticoí 
de reconhecido mérito; Illustres, pessoas nobres 
dos dois paizes, escolhidas pelo arcebispo D. Joié. 
A sede da academia era no Porto, onde havia um 
presidente, um secretario, um fiscal, dois colle- 
ctores para coordenar as memorias enviadas á 
academia, traduzir as que viessem em lingua 
estrangeira, ctc, e um sócio de universal eriulição, 
sempre um theologo, para rever as obras, afim de 
que não escapasse alguma doutrina heterodoxa. 

Academia Militar da Ilha Terceira. Foi 
creada por decreto de 10 de novembro de 1810, 
para iastrucção dos militares do batalhão que 
guarnecia o castello de 8 João Baptista, em 
Angra. Até então esta academia era apenas uma 
aula de mathematica, fundada por decreto de Iti 
do setembro de 1797, para ser frequentada pela 
offiuialidade da ilha. Esta aula só veiu a abrir-se 
em 1S05 e não deu resultado algum durante os 
cinco annos que existiu. O conde das Galveias, 
ministro do principe regente, foi quem dictou o 
decreto de 1810, segundo o qual estava dividido 
por 4 annos o curso das matérias n*ella ensina- 
das. O conde do Funchal, ministro em Londres, 
foi o encarregado de arranjar os bustos, e o ge- 
neral Ayres Pinto de Sousa de arranjar casa no 
edíficio do Terreiro Publico. A nova academia 
foi inaugurada com a maior solemnidade, em 4 
de novembro de 1811. Este estabelecimento scien- 
tifíco deu alguns discipulos distinctos, entre os 
quaes figuram o general António Homem da 
Costa Noronha. Os acontecimentos políticos de 
1>528 vieram transtornar os trabalhos da acade- 
mia, que em 18^2 se extinguiu de todo. 

Academia do Nú. Foi creada em Lisboa 
pelo pintor Cyrillo Wolckmar Machado, em 1780, 
para estudo do modelo vivo nas artes de pintura 
e esculptura. Era a segunda tentativa que nVsse 
sentido se fazia. A primeira fura pensada no 
meado do mesmo século xviii por Vieira Lusi- 
tano e André Gonçalves, que tiveram de de- 
sistir do seu intento perante a reacção popular, 
pois que o povo sabendo que os artistas se reu« 
niam para copiar um homem nii, apedrejavam as 
janellas da casa, em que estavam, não os dei- 
xando trabalhar. Cyrillo Machado foi mais feliz 
na sua tentativa; depois de receber muitas res- 
postas negativas e algumas até insolentes, con • 
seguiu encontrar um homem que se prestou a 
servir de modelo. A academia deu principio aos 
sfus trabalhos a 16 de maio de 1S70, protegido 
por pessoas de elevada posição. Entretanto so- 
brevieram diffículdades e dissensões, que Cyrillo 
Machado só ponde vencer, auxiliado pelos seus 
amigos. A 18 de setembro d'esse mesmo anno é 
que se realisou a reabertura da academia, co- 
meçando então a funccionar definitivamente, ape- 
sar (ia opposição que lhe faziam. Eram directo- 
res de desenho Vieira Lusitano e Oliveira Ber- 
nardes. A Academia do Nú estava estabelecida, 
próximo a S. José, n*um palácio pertencente a 
Gregório de Barros e Vasconcellos, que obse- 
quiosamente o otferccera, o alli existiu até á 
morte do proprietário; mudou-se então para a 
rua dos Camillos, em 17>'^5 Abriu-se n*esta ultima 
casa, no mez outubro doeste anno, debaixo da 

89 



ACA 



ACA 



direcção de Joaquim Manuel da Rocha, Joaquim 
Machado de Castro e Joaquim Carneiro. Quando 
o primeiro falleceu, foi eleito para o substituir 
Cyrillo Wolckmar Machado. Esta terceira e ul- 
tima tentativa pouco durou, acabando definiti- 
vamente a Academia em 1807. Nos fins do sé- 
culo xtriii, emquanto se preparava a casa da rua 
dos Camillod, haviam sido creadas algumas aulas 
do mesmo estudo em casa ^do intendente Pina 
Manique o na Fabrica daa Caixas em Mafra. Até 
1821, em que se fundou o ÂtheneUf por Sequeira, 
não houve aulas do Nà em Portugal. Actual- 
mente existem diversas na Academia de Bellas 
Artes de Lisboa e na do Porto. 

Academia do Naocio. Também chamada 
dos Sagrados ConcUios. Foi fundada em Lis- 
boa, em 171Õ, pelo núncio apostólico, monsenhor 
Firráo, que veia a Portugal, enviado pelo papa, 
para entregar a D. João V umas faxas com que 
SS. presenteava o recém -nascido príncipe D. 
José. Depois de alcançar a benevolência d*el-rci, 
que se mostrava muito inclinado a proteger as 
sciencias, as letras o as artes, fundou no seu pa- 
lácio uma academia litteraria, de historia, de 
dogma e de cânones. Convidou para fazer parte 
doesta academia as pessoas principaes da corte. 
Em cada sessão escolhiam se á sorte 3 académi- 
cos e os assumptos que se haviam tratar. Deu 
apenas 6 sessões, porque a retirada do núncio 
em 13 de novembro de 1716 para a Suissa, para 
onde fora transferido, deu fim á academia. 

Academia dos obsequiosos. Academia parti- 
cular, fundada em Lisboa no princípio do século 
zviii. Não assignalou a sua existência por qual- 
quer acto de importância. 

Academia dos Occultos. Denominação por 
que também era conhecida a Academia dos Ano- 
nymos. As conferencias doesta academia existem 
na riquíssima livraria dos actuaes srs. condes de 
Tarouca. 

Academia Polytechnica do Porto. Fundada 
em 18^7 para substituir a Academia Real de Ma- 
rinha e Commercio da Cidade do Porto . Tinha 
por fim o ensino das sciencias industriaes, e des- 
tinava-se a formar: l.« engenheiros civis de to- 
das as classes, taes como os engenheiros de mi- 
nas, os engenheiros constructores e os engenhei- 
ros de pontes e estradas; 2.** os oíHciaes de ma- 
rinha; 3 • os pilotos; 4." os commcrciantes; 5.® 
os agricultores; t>.« os directores de fabricas; 
7.» em geral os artistas. Tinha 11 cadeiras: 1.* 
Arithmetica, geometria elementar, trigonome- 
tria plana, e álgebra, até ás equações do 2.^ 
grau; 2.* Continuação da álgebra, sua applicação 
á geometria, calculo diíFerencial e integral; prin- 
cipies de mechauica, 3.* geometria descriptiva e 
suas applicações; 4.* Desenho relativo aos diffe- 
rentes cursos; 5.* Trigonometria espherica, prin- 
cipies de astronomia, de geodesia^ navegação 
theorica e pratica; G.* Artilharia e táctica na- 
val; 7.* Historia natural des três reinos da na- 
tureza applicada ás artes e officios; 8.* Physica 
e mechanica industriaes; 9.* Cbimica^ artes chi- 
micas e lavra de minas; 10.* Botânica, agricul- 
tura, economia rural e veterinária; 11.* Commer- 
cio e economia industrial. Estas disciplinas for- 
mavam 3 secções: a secção de mathematica 
constituída pelas cadeiras 1.*, 2.*, 3.*, 5.* e tí.*; a 
de philosophia pelas 7.*, 8.*, 9.* e 10.*; e a do 
commercio formada pelas 4.* e 11.*. A tí * cadeira 

40 



foi supprimida em 1842; e cm 1857 foi creada 
outra de economia politica e principios de direito 
administrativo e commercial^ e em 18:)3 outra para 
o estudo de mineralogia^ geologia ^ metalLurgia e 
arte de minas. Em 1885 foi reformado por com- 
pleto este estabelecimento, por carta de lei de 
21 de julho, ficando então com 17 cadeiras, além 
d'oma aula de desenho. Estas cadeiras são as 
seguintes: 1* Geometria analytica, álgebra su- 
perior e trigonometria cspherica; 2 * Calculo 
differencial e integral; calculo das differenças e 
das variações; 3.* Mechanica racional e cinemá- 
tica; 4.* Geometria descriptiva e projectiva, gra- 
pho-estatistica; 5* Astronomia, geodesia, e to- 
pographia; 6* Physica geral e industrial; 7.* 
Chimica inorgânica; 8.* Cíiimica orgânica e ana- 
lytica; 9.* Mineralogia, paleontologia e geologia; 
10.* Botânica; 11.* Zoologia; 12.* Resistência dos 
materiaes e estabilidade das construcções; 13.* 
Hydraulica e machinas; 14.* Construcções e vias 
de communieação; 15.* Montanistica e decima- 
sia; 16.* Economia politica; 17.* Commercio-De- 
senho. Os cursos por este decreto foram os de 
engenheiros civis de obras publicas, que dura 5 
aonos; o curso d*engenheiroB civis de minas, que 
dura 6 annos, e o curso de commercio que dura 3. 
Tem além doestes, 4 cursos preparatórios: para 
a escola do exercito, que se faz em 4 annos, para 
a escola naval que se faz em 3, para as escolas 
medi CO -cirúrgicas que comprehende as cadeiras 
6.*, 7.*, 8.*, 10.* e 11.*, e para o curso de pharma- 
cia, que comprehende as cadeiras 7.*, 9.* e 10 *. 

Academia Portuense de Bellas Artes. Foi 
fundada no Porto, por decreto de 22 de novem- 
bro de 1836, durante o ministério de Passos Ma- 
nuel. O seu fim é promover o estudo das bellas 
artes, diffundir e applicar a sua pratica ás artes 
fabris. Tinha 5 aulas : a de desenho histórico, 
pintura histórica, esculptura, architectura civil 
e naval, e gravura histórica. A academia ora 
obrigada a celebrar de 3 em 3 annos uma expo- 
sição. Foi estabelecida no cxtincto convento de 
Santo António, a S. Lazaro, onde ainda se con- 
serva. Pela reforma feita por decreto de 22 de 
março de 1881 ficou com estatutos semelhantes 
á Academia das fídlas Artes de Lisboa. Data de 
27 de novembro de 1779 a creação, no Porto, de 
uma aula publica de debuxo e desenho, que de- 
pois SC converteu na actual academia. 

Academia Portagueza em Roma. Foi ins- 
tituição de el-rei D. João V, para os aliimnos 
estudarem pintura e esculptura. N^este reinado 
as artes portuguezas tomaram desenvolvimento 
notável. Depois da paz do Utrecht este sobe- 
rano pensou seriamente cm dotar Portug.il com 
uma escola artística, e, como faltassem bons pro- 
fessores, enviou a Koma alguns estudantes para 
se aperfeiçoarem nas artes do desenho, estabe- 
cenao então a Academia Portugueza n'aquella 
cidade. Entre os estudantes foram Iguacio a'01i- 
veira Bernardes, Ignacio Xavier, e Domingos 
Nunes, pintoresi e José d'Almcida, esculptor. 
Pelo mesmo tempo, ou pouco depois, também es- 
tavam em Roma, estudando, mas sem recebe- 
rem pensão d'el-rei. Vieira Lusitano, João P. 
Volckmar, Glama, e outros, que para alli tinham 
sido enviados pelas famílias ou por pessoas que 
08 protegiam. N'essa época ora vulgar os artis- 
tas serem patrocinados pela principal nobreza 
do reino, que então animava muito as artes. A 



ACA 



ACA 



academia estava estabelecida no palácio Ci- 
marra, pertencente ao cardeal di Pietro, na via 
Pane e Perna, em cuja fachada Cyrillo diz ter 
visto em 177G o escudo das armas portugaezas. 
*No anno de 1760, bavendo-se rompido as relações 
entre Portugal o a Santa Sé, os portuguezes 
foram mandfados sabir de Roma, por ordem do 
ministro Almada, depois visconde de Villa Nova 
de Souto d*£IRei. Os nossos artistas, que estu- 
davam alli, dispersaram-se por differentes lega- 
res, voltando alguns para Portugal. Restabele- 
cida a boa harmonia entre D. José e a cúria ro- 
mana, os artistas portuguezes tornaram para 
Roma, a continuarem o ensino que não encon- 
travam na pátria; chegaram-se a juntar vinte ; 
Alexandre de Sousa HoTstciu tentou reauscitar a 
Academia Portugueza, dirigida então por La- 
bnizzi, artista, que segundo parece, não reunia 
os dotes precisos para tal encargo. Entre os 
discípulos coutavam-se Domingos António de Se- 
queira, pensionado pelo real bolsinho, e Vieira 
Portuense, cuja mezada era paga pela Companhia 
Geral do Alto Doui-o. 

Academia Problemática de Guimarães. 
Fundada em 1721 por Thadeu Luiz António Lo- 
pes de Carvalho da Fonseca Camões, donatário 
do couto de Negrello e Abdadim; tinha por fim 
a resolução de problemas históricos e scienti- 
ficos. 

Academia Problemática de Setúbal. Fun- 
dada em 1721. Dava sessões no fim decadamez, 
realisando-se a 1.* em 30 de maio d*esse auno. 
Assim como a Academia Problemática de Gui- 
marães, dedicava* se á resolução de problemas 
históricos e scientifícos. Nas suas sessões reci- 
tavam se poesias latinas e portuguezas. 

Academia Real das BellasLettras ouNova 
Arcádia. V. Arcádia. 

Academia Real das Bellas Artes de Lis- 
boa. Fundada por decreto de 25 d'outubro de 
1836, em substituição das aulas que desde 1609 
se tinham estabelecido em Lisboa para o estudo 
de Bellas Artes, por iniciativa da confraria de 
S. Lucas. Em 1862 é que recebeu o titulo de 
Beal. Segundo os estatutos, que foram elabora- 
dos por Fr. Francisco de S. Luiz, o cardeal Sa- 
raiva, o fim d'esta Academia era facilitar os pro- 
gressos das Bellas Artes, vulgarisar a sua pra 
tica e applicalas ás artes fabris. Na sua primi- 
tiva organisação, havia prolessores proprietários 
e substitutos, académicos de mérito, académicos 
honorários e agregados. A reforma feita pelo 
bispo de Vizeu, em 1868, supprimiu os substitu- 
tos. Os estudos consistem cm Desenho histórico, 
pintura histórica, pintura de paisagem, archite- 
ctura civil, esculptura, gravura histórica, gravura 
de paisagem, e gravura de cunhos e medalhas, 
estudo do antigo e do natural e ornamentos. A 
sua inauguração foi feita em fevereiro de 1837, 
sendo inspector geral Manuel da Silva Passos, 
vice-inspector o conde de Farrobo, director ge- 
ral o dr. Francisco de Sousa Loureiro, professo- 
res: Joaquim Raphael, António Manuel da Fon- 
seca, André Monteiro da Cruz^ Francisco d* Assis 
Rodrigues, Joãn Pires da Fonte, Domingos José 
da Silva, Benjamim Comte, Caetano Ayres d*An- 
drade, José Francisco Ferreira de Freitas, Cons- 
tantino José dos Reis, e José da Costa Sequeira, 
que servia de secretario. A reforma de 1842, 
leita pelo decreto de 28 de novembro, supprimiu 



as aulas de gravura, de paisagem o de medalhas. 
O c^rpo docente é composto do 6 professores pro- 
prietários e 6 substitutos. Em 1840 realisóu-se a 
primeira exposição. Actualmente, ha quasi todos 
os annos exposição de magníficos trabalhos dos 
seus professores e discípulos, exposição que cos- 
tuma ser sempre muito concorrida. Da bíblio- 
theca da academia faz parte a livraria que o 
conselheiro Jorge Hudson da Camará lhe legou 
em 1866. As suas galerias possuem quadros de 
subido valor, entro os quacs sobresahem, no es- 
tylo gothico, as magnificas telas de Grão Vasco. 

Academia Real de Fortiflcaç£u>,Artilharia 
e Desenho. Fundada em Lisboa em 1790 e su- 
bstituída em 1837 pela Escola do Exercito. As 
aulas eram no largo do Calbariz; tinha 4 ca- 
deiras; 1.* e 2.* fortificação; 3.* artilharia; 4.' 
hydraulica e desenho. Tinha õ lentes proprietá- 
rios e 4 substitutos. Foi como que a continuação 
das aulas de fortificação, creadas em Lisboa, em 
1647, por D. João IV, e da Academia Real de Ma- 
rinha, que succedcu a estas aulas. Km 1701, por 
decreto de 20 de julho, D. Pedro II creou aulas 
de fortificação também nas províncias, e em 24 
de dezembro de 1735Í, reinando D. João V, de- 
terminou-se que os cursos d'esta:) aulas servissem 
de habilitação para a arma do engenharia. Por 
decreto de 5 d'ag08to de 1779 supprimiu-se a 
aula de fortificação e ordenou se que os enge- 
nheiros se habilitassem na Academia Real de 
Marinha. Como não desse bons resultados este 
expediente, deliberou se a creação da Academia 
de Fortificação. Os lentes proprietários recebiam 
400^000 réis por anno, e os substitutos 200^000 
réis. Os alumnos variavam entre 80 e 100. 

Academia Real dos Guarda Marinhas. Foi 
fundada em Lisboa em 17!)6 e extincta por rarta 
de lei de 23 d'abril de 1845, sendo substituída 
pela Escola Naval, que se creou em maio do mes- 
mo anno. Só eram admittidos n'esta academia os 
estudantes que apresentassem provas de nobreza 
assim como se exigia para os cadetes no exer« 
cito. O pessoal compunha- se de um commandante, 
um secretario, um cirurgião, 4 lentes proprietá- 
rios, 3 substitutos e 2 mestres. 

Academia Real de Historia Portugueza. 
Foi fundada em Lisboa, por decreto de D. João 
V, de 8 de dezembro de 1720, sendo inspirada a 
fundação por D. Manuel Caetauo de Souza. Esta- 
beleceu se n*uma das salas do palácio dos duques 
de Bragança. Os estatutos foram confirmados por 
decreto de 4 de janeiro de 4721, e n*elles se or- 
denava que houvesse 50 académicos de numero, 
os quaes se encarregavam de escrever a His- 
toria ecclesiastica, militar e civil do paiz. A 
divisa da Academia Real de Historia Por tu- 
gueza era a phrase latina Restitiiet omnia. As 
publicações d*este iustituto eram isentas de 
qualquer censura que não fosse a dos seus 4 cen- 
sores privativos. Em 1736, começou esta acade- 
mia em decadência, até que terminou de todo. 
Entre os seus sócios conta vam-so muir.os homens 
notáveis: D. Manuel Caetano de Souza, os mar- 
quczes d' Abrantes, de Alegrete, de Fronteira, do 
Valença, o conde da Ericeira, D António Cae- 
tano de Souza, Manuel Telles da Silva, Diogo 
Barbosa Machade, Alexandre Ferreira, Francisco 
Loitão Ferreira, Jeronymo Contador Argote, Ra- 
phael Bluteau, Padre António dos Heis, etc. Esta 
academia deixou uma collecção de 15 vol. (1721- 

dl 



ACA 



ACA 



1736) de memorias e documentos, e multas outras 
dos seus sócios, entre as quaes a Historia de 
Malta, por Fr. Lucas de Santa Catharina; Me- 
morias de D. Sebastião, por Diogo Barbosa Ma- 
chado; Historia dos Templários, por Alexandre 
Ferreira; Historia chronolwjica da casa real, por 
D. António Caetano de Souza, as obras de Blu- 
teàu, eto. 

Academia Real de Marinha. Foi estabele- 
cida no Collegio dos Nobres por alvará do 5 
d*agosto de 177Í) e supprimida por um decreto 
datado de U de janeiro de 1837. Tinha 5 lentes 
proprieUrios, 3 substitutos e 1 secretario. O 
curso comprehendia 3 aunos; !.• Arithmetica, 
geometria, trigonometrio, e princípios d'algebra; 
2." anuo; calculo e mechanica; 3.» anuo: elemen- 
tos de astronomia e theoria da navegaçílo. Os 
lentes e os estudantes gosavam dos mesmos pri- 
vilégios que os da universidade de Coimbra. 

Academia Real de Mariaha e Gommercio 
da cidade do Porto. Fundada por alvará de 9 
do fevereiro de 1803, por iniciativa da Junta ad- 
ministrativa da Companhia Geral da, Agrieidtura 
df>8 Vinhos do Alto Douro, que desde 178.) soli- 
citava a creaçHO d'aulas de mathcmatica e com- 
mercio n*esta cidade. l'inha aulas de mathcma- 
tica, commercio, e das línguas iuglezae franceza. 
Em 29 de julho do mesmo anno, juntaram -se-lhes 
as de philosophia racional e moral e de agricul- 
tura. O quadro dos professores era o seguinte : 
3 lentes de mathcmatica; l de philosophia racio- 
nal e moral; 2 das línguas franceza e inglesa; 
1 de commercio e outro de desenho. Tinha tam- 
bém 1 mestre de manobras para ensinar tudo 
quanto dissesse respeito a exercícios do manobra 
naval. As aulas inauguraram se a 4 de 
novembro de 18JJ, na egreja de N. S.* 
da Graça, recitando a oracáo inaugural 
o professor João Baptista Fetal da Silva 
Lisboa. Este estabelecimento, por de- 
creto de 13 de janeiro de 18 <7, foi 
completamente reformado e transfor- 
mado na Academia Polytechnica do 
Forto. 

Academia Real das Sclenoias de 
Lisboa. O mais notável estabeleci- 
mento scientifico de Portugal. Foi fun- 
dado em 1774: por D. Joíio de Bra- 
gança, duque de Lafões, que trouxe das 
academias extrangeiras, que visitara, a 
ideia de crear cm I^ortugal uma insti- 
tuição da mesma Índole. Tendo-se rela- 
cionado em Roma com o grande erudito 
abbade José Correia do Serra, este o 
ajudou na realisaçao do seu desejo; foi 
o abbade quem redigiu o plano dos es- 
tatutos, dividindo-os em duas classes: 
a primeira de sciencias de observaçSlo, 
a -egunda de sciencias de cálculos e 
bellas lettras. Josó Correia da Serra foi 
o primeiro secretario da academia. Cada 
classe tinha 8 sócios elTectivos; além 
doesta categoria, havia sócios honorarios,supranu- 
mcrarios e dignitários, 12 sócios correspondentes, 
c 100 sócios extrangeiros Eram admittidos 2 { 
alumnos, moços nobres, do mais de 12 annos, 
para serem dirigidos nos estudos, mas esta clau- 
sula, por não dar bons resultados, foi riscada dos 
estatutos. Os sócios cffectivos eram obrigados a 
apresentar todos os annos uma memoria. Além 

42 



das classes de sócios, havia o seguinte pessoal : 
um presidente, om thesoureiro, um orador, um 
secretario, que em breve accumulou as funcçÕes 
de orador, um vice-secretario, um director para. 
cada classe; cargos estes que só podiam ser 
exercidos por sócios effectivos. Aos sócios que 
assistiam ás sessões, eram distribuídas medalhas 
da academia (Jetòes), que em 1790 foram subs- 
tituídas por moedas de 1^200 réis, e posterior- 

j mente de 1^920. Morrendo o duque de Lafões, que 

I foi presidente perpetuo, determinou se, em 13 
de janeiro de 1810, que se offerecesse a presi- 
dência perpetua a um príncipe da casa real por- 
tugueza e se nomeasse um vice-presidente por 
i annos. A academia teve uma Juncta ou com- 
missão de 8 sócios, applicada ao estudo e di- 
recção da Industria, e também tentou estabele- 
cer nas províncias sociedades de agricultura, 
tentativa que foi mallograda. Em 1812 creou 

^ a Instituição Vaccinica, por diligencias do dr. 

] Bernardino António Gomes, que prestou ser- 
viços muito importantes. O actual regulamento 
da academia divíde-a em duas classes: a pri- 
meira, de sciencias mathematicas, physicas e na- 
turaes; a segunda, de sciencias moraes e politi- 
cas e bellas lettras, e cada uma d*estas classes 
ainda se subdivide em 4 secções: 1.* secção 
sciencias mathematicas, 2.* sciencias physicas; 
ó.* sciencias histórico -uaturaes, 4.* sciencias me- 
dicas, segunda classe: 1.* socção de litteratu- 
ra; 2.* sciencias moraes e jurisprudência, 3.« 
sciencias económicas e administrativas, 4.* his- 
toria e archeología; cada secção tem 5 sócios 
O presidente perpetuo, actualmente, é S. M. el- 
rei D. Carlos. O titulo de real academia foi- lhe 




Acadomi» Real da» Sciencias 

concedido em 1793 por D. Maria I, que se decla- 
rou sua protectora. A bibliotheca da academia 

: é importantíssima; tem obras antigas de muito 
valor e manuscriptos preciosos, entre os quaes 
se contem O Misbol de Estevam Gonçalves, (V. 

: este /2'>mf ),e o Atlaa feito por Lazaro Luiz om IfiB-') 
encadern«ado em pasta forrada de seda, o qual 

^ consta de 9 folhas de pergaminho com 3 palmos 



ACA 



ACA 



de altura sobre 2 de largura, e merece grande 
apreço por ser primorosamente desenhado e illu- 
mimado a cores e a oiro, na sua collceção de 
nianuscriptos, encoutram-se as obras completas 
de Pedro Nunes, offerecidas por D. Luiz 1, e al- 
guns manuscriptos árabes, pereas, e livros chi- 
nczes. A sala da bibliotheca está patente ao pu- 
blico todos os dias não santificados nem feriados 
otficiaes, desde as 10 horas da manha até ás 3 da 
•arde. Possue também uma boa typographia desde 
1780, onde são impressos os livros que manda pu- 




Sala da Bibllotlieoa da Academia Rcnl das Sc!cncla8 



bliear, accoitando egualniente alguns trabalhos 
de fora. Â academia possue um museu de artefa- 
ctos, de obras d*arte, utensílios e armas dos sel- 
vagens, louças magnificas, jóias e vários objectoã 
artísticos legados na maior parte pelo sócio 
Mayne, e um medalheiro em que se encon- 
tram muitas moedas raras. Obras publicadas 
desde a sua fundação : Diccionnario da língua^ 
179 >, 1 vol. que não passou de Az; Memorias 
economicaêj para adiantamento da agricultura, 
(ias artes e da industria cm Portugal e suas 
conquistas, 5 voL 1TH9-1815; Memorias de Lit- 
teratura Portugneza, S vol. 1792-1814; Historia 
e Mvmarias da Academia tíeal das Sciencias de 
Lisboa, em duas séries, a 1.' em 12 tomos, 18l:J- 
184*5; Classe das Sciencias mathematicas,physicas 
e naturaes, 5 tomos em 9 vol. 18Õ 1-1874 (que con- 
tinua) Classe das Sciencias m< raes^ politicas e Bel- 
las Lettras, 4 tom. t m 8 vol. 1851-4874 (que con- 
tinua); Actas das sessões da Academia, 3 tom.; 
Classe das Sciencias Mathematicas, Physiças e Na- 
turaes, 1857-1858, 17 números; Classe das Scien- 
cia^ Moraes, Polictias e Bellaa Lettras, 18:>7- 
185S, 21 números: Livros inéditos da Historia 
Fnrtnyueza, 5 vol. 17iK)-lS2J; Collecção de Nuti- 
i-ias para a Historia e Geographia das nações ul- 
tramarinas, que vivem nos domínios portugnezes, 
7 vol. 1812-1856; Collecção de opúsculos reimpres- 
sos relativos á historia das navegações, viagens e 
conquistas dos Porlugiiezes, 1844-1875; Portugaliw , cular, fundada em Santarém em 16G4. 



e Monumenta Historicay publicação que foi diri- 
gida por Alexandre Herculano; Quadro elemen- 
tar das relações^ politicas de Portugal com as di- 
versas potencias do Mundo, desde o principio da 
Monarchia'até aos nossos dias, 19 vol.: Corjjo di- 
plomático portvgueSf contendo os tratados de paz, 
alliauça, neutralidade, ajuste de casamentos, ttc. 
1 vol; Corpo diplomático por ttiguez, coíítendo 08 
actos e as relações politicas de Portugal com as 
potencias estrangeiras desde o principio do sé- 
culo XVI, 5 vol.; Monumentos inéditos para a His- 
toria das conquistas dos 
Po rtng uezes em Africa, 
Ásia e America\ etc. A sede 
da academia é actitalmente 
no extincto convento de 
Jesus, onde estão também 
o Curso Superior de Letras, 
(V. este Curso) e o Instituto 
Maynense, antiga aula de 
introducção á historia na- 
tural, instituída por legado 
do [Padre Mayne, e regida 
hoje pelo lente da Escola 
Politechiiica sr. 'Moraes 
d'Ahneida Na formosa sala 
da bibliotheca da acade- 
mia reuniram-se ha annos 
as cortes, por ter ardido 
a sala da camará dos de - 
putados no edifício de S. 
Bento. 

Academia de Sagres. 
Designação da escola de 
astronomia e navegação 
fundada na villa de Sagres 
pilo infante L). Henrique 
em 117G. Ao seu observa- 
tório astronómico devem 
on estudos geographieos 
náuticos modificações importantíssimas. O as- 
trolábio, o nocturlabio, a bussula, as cartas hy- 
i drographicas e mais instrumentos priucipaes do 
' náutica foram aperfeiçoados n'aquella academia, 
que introduziu também na coustrueção e manobra 
dos navios melhoramentos de grande alcance. 

Acafjlemia dos Singulares. Fundada em Lis- 
boa a 4 do outubro de U)63, acabou em 19 de 
fevereiro de 16G5. Consistia a singularidade, a 
' que o titulo se referia, no excesso da applicação 
dos associados. Os escriptos eram todos sobre 
a.ssumptos jocosos e frívolos, abun(^antes de tro- 
cadilhos formando por isso um thesouro de lin- 
guagem. O emblema da academia era uma pyra- 
mide, onde estavam inseri ptos os nomes de A"is- 
toteles, Camões, Garcilaso, Goiígora, Homero, 
Horácio, Lope de Vega, Ovidio, e Virgílio, ten- 
! do por divisa Sotaque nov possunt ha^c monumenta 
I morí. 

Academia dos Siogulares de Lisboa, dedi- 
cados a Apollo. Publicação feita em Lisboa, 
que consta de duas partes, o tem duas edições. 
Primeira parte, Lisboa, por Henrique Valente 
d'01iveira, IBtíõ; 2* edição, Manuel Lopes Fer- 
reira, lí)92; Parle segunda, por António Craes- 
beek de Mello,- 1GG8; 2.* edição, Manuel Lopes 
Ferreira, 1098. A primeira edição é a citada no 
j denominado Catalogo da Academia. 

Academia dos Solitários. Academia parti- 



43 



ACA 



ACA 



Academia Tabuciana. Fundada em Abran- 
tes, em 1800, para promover a industria e p com- 
mercio da seda. Produziu os maiores resultados 
até 1B07, vindo para Lisboa mais de dez mil arrá- 
teis de seda fiada, c com tanto primor que o go- | 
verno, no aviso de 22 de julho de 1803, mandou 
elogiar uma mulher d* Abrantes, Maria d*01ivei- 
ra, pela perfeição do seu trabalho. Em 1807 de- 
cahiu muito, por causa da invasão franceza. Em 
1814 começaram novamente os trabalhos, dando 
maguiiifios resultados. O 1.° secretario da Acade- 
mia Tubucciana foi o dr. Rodrigo Soares da Silva 
Bivar. 

Academia dos Unidos. Academia particular, 
fundada em Lisboa no século xviii. Era da mesma 
Índole da Academia dos Applicados. Tomou parte 
nas homenagens fúnebres á memoria de Raphael • 
Blutcau. 

Academias. Além das academias, descriptas 
nos seus títulos, o dr. Theophilo Braga, no seu 
livro Arcádia Lusitana^ dá noticia das seguintes, 
que também floresceram no século xviii; Acade- 
mia doê Illustradoa; dos Aquilinos (Aveiro, dos 
Vimaremes^ dos Unidos (Torre do Moncorvo); 
dos Engenhosos BracharenseSj dos Bracàaretues, 
(que parece ser a mesma, assim chamada par 
abreviatura jy dos Escolhidos^ que reunia no pa- 
lácio no conde de Coculim, dos Par^tcuZar^», da 
Palestra- Litterarii (^Ponte de Lima), dos Infe- 
cundos^ dos Fleugmaticosy da Scalábiiana. 

Academias Militares. Denominação das au- 
las de fortificaçào estabelecidas por D. Pedro II 
e D. João V, em Lisboa, Viaunado Castello, El- 
vas e Almeida. 

Académica (Federação). Associação de estu- 
dantes, instaiJada em Lisboa em 1 de novembro 
de 1871. Propunha-so estabelecer cursos auxilia- 
res e livres, escolas para o povo, discussões, bi- 
bliothecas e series de conferencias publicas em 
que se expuzessem e estudassem os problemas 
scientificos mais importantes das sciencias natu- 
raes e de sociologia. A Federação Académica che- 
gou a crear e manter uma escola para adultos 
que foi concorri'la por 24 alumnos. Deu conferen- 
cias publicas que foram sempre muito concorri- 
das, e saraus litterarios, em que tomaram parte 
João de Deus, Bulhão Pato, Sousa Viterbo, 
Guerra Junqueiro, Guilherme d*Azevedo, Gomes 
Leal, e outros. Esta Academia foi diminuindo 
lentamente no seu enthusiasmo, até que se ex- 
tinguiu de todo. 

Académica (Revista), 1.* Época, 184r> a 1848. 
N*este jornal litterario collaboraram distinctos 
escriptores, entre os quaes João de Lemos, An- 
tónio e José Serpa Pimentel, A. Lima, Silva 
Bruschy, António Pereira da Cunha, Alexandre 
Herculano, ctc; 2.* época; 18c3 a 1854, que foi 
principalmente escripta por Alexandre Meyrelles, 
sendo estudante, coadjuvado por outros acadé- 
micos. 

Académica (Sociedade philosophica). Foi Fe- 
liciano Augusto de Brito Correia, sendo estu- 
dante em Coimbra, quem tomou a iniciativa da 
fundação doesta sociedade, em 23 de dezembro 
de 1849. Elegeu-se uma commiss^o para formu- 
lar os estatutos, a qual apresentou os seus tra- 
balhos na sessão de 13 de janeiro de 1850; a dis- 
cussão, porém, só começou em 26 de fevereiro, c 
concluiu a 18 de março; elegeu-se a direcção, 
ficando presidente o dr. Manuel António Coelho 

44 



da Rocha. Infelizmente, quando a direcção come- 
çava os seus trabalhos, falleceu o dr. Coelho da 
Kocha. Este facto é a coincidência de terem de 
vir para Lisboa, A. J. R. Gomes d* Abreu, por 
negócios particulares, e M. L. de Souza Rocha, 
por acabar a sua formatura, causou grandes 
transtornos ao bom andamento da sociedode. No- 
meou- se nova direcção^ reformaram-sc os es- 
tatutos que foram approvados em sessão de 
25 de janeiro de 1851. Apresentados ao governo, 
soffreram algumas alterações, sendo afinal appro- 
vados por decreto de 26 de maio de 1852. Teve 
ainda dova reforma, (|ue foi approvada por carta 
regia de 25 de fevereiro do 1863. Esta sociedade 
passou por differentes vicissitudes, prestando re- 
levantes serviços aos académicos desvalidos* En- 
tre os mais beneméritos que a auxiliaram, con- 
ta- se, como o principal d*elles, o celebre prestidi- 
gitador Hermann, que deu vários espectáculos no 
theatro Académico em dezembro de 18:'i9 e fez 
o importante donativo á sociedade, de 2:000^000 
de reis em inscripcòes e 332^.520 em metal. 

Académico (O), Jornal publicado em Coim- 
bra, em 1836, sahindo o 1.^ numero em 11 de ja- 
neiro e o ultimo em 28 de junho. Foi instituído 
pela Universidade, por causa das discórdias que 
houve contra o governo, em consequência de re- 
formas feitas, que muito lesavam os estudos 
d^aquello estabelecimento scientifíco. O jornal 
publicava-se duas vezes por semana, chegando 
somente a sahir 49 números. Tinha por cima do 
titulo o emblema de Minerva, da mesma forma 
que se usava nos scllos da Universidade. || Jornal 
litterario publicado em Coimbra cm 1860. Era 
mensal; sahiram só os números respectivos aos 
mezes de março, abril e maio. Eram seus reda- 
ctores: João de Deus, Eduardo José Coelho, An- 
thero do Quental, Eugénio Barros Ribeiro, Al- 
berto da Cunha Sampaio, Alberto Ultra Machado, 
Guimarães Fonseca, Severino de Souza Azevedo 
e J. M. da Cunha Seixas. || Revista litteraria, 
publicada quitzenalmente no Porto, desde 1878. 

Académico (Grémio). Alguns estudantes das 
escolas de Lisboa or^anisaram, em 1^64 uma 
associação assim intitulada. Nos estatutos dizia- 
se que o seu único fim era promover o desenvol* 
vimento da instrucção publica. Faziam parte 
doeste grémio João Cesário de Lacerda, J. E. 
Moraes Sarmento, Alberto F. da Silva Oliveira, 
J. T. de Souza Martins, Joaquim Augusto Rodri- 
gues, João C Rodriçues da Costa, José de Jesus 
Coelho, A. M. Cordeiro Feio e Domingos M. Gon- 
çalves. As sessões do Grémio Académico eram 
muito concorridas de estudantes de todas as es- 
colas. N*essas sessões revelaram- se alguns bons 
talentos na discussão de differentes questões, ta- 
lentos que não desmereceram depoisr na frequên- 
cia dos seus estudos superiores nem nas diversas 
posições sociaes que souberam conquistar. O Gré- 
mio terminou por falta de sócios enthusiastas e 
dedicados que pudessem igualar aos seus funda- 
dores. 

Académico (Theatro). Teve origem n*um pe- 
queno theatro fundado em 1835, pelo director 
d*uroA companhia gymnasticai no antigo refeitó- 
rio dos cónegos regrantes de Santa Cruz em 
Coimbra. Alguns estudantes aprovcitaram-se 
d'esse theatro, representando, em *ó de março 
do referido anno, O Catão, d*Almeida Gar- 
. rett. Em IS36, os estudantes fundaram um 



ACA 



ACA 



thcatro por sua conta, nos baixos do antigo 
coUegio das Artes, inaugurando-se o.m 4 de 
abril do citado anno de 1835, anuiversario 
de D. Maria II, repetindo-so o mesmo dra- 
ma Catão. Creou se uma Academia dramática^ 
com estatutos impressos em 1837, para dirigir o 
theatro; este/ estatutos nílo chegaram a ter a 
approvaçSo régia. Em consequência de discór- 
dias entre os sócios, alguns d'ehcs, os mais in- 
fluentes, trataram de orgauisar outro theatro no 
antigo collegio de S. Paulo. Esto theatro inau- 
gurou-se em 24 de junho do lH3i^ com a repre- 
sentação do drama cm 3 actoj ^1 Nódoa de San- 
guCj e a comedia em 1 acto A lioda em trages 
de frasqueira. A sociedade tomou c titulo de Nova 
Academia Dramática, Os seus estatutos foram 
approvados cm 4 de dezembro de 1840, com o 
titulo do Estatutos da Nova Academia Dramá- 
tica estabelecicUi em Coimbra. Os estatutos refor- 
niaram-se era 17 de Abril de 184^, sendo a parte 
impoitante da reforma a crcaç&o d*um Instituto, 
encarregado dos trabalhos litterarios e artisti- 
cos, sobre a declamação theatral, musica, pin- 
tura, e outras quaesquer dependências da arte 
dramática; e em gerai de tudo que estivesse ao 
seu alcance para o progresso das bclias artes, e 
letras pátrias. Em 1852, este Instituto separou-se 
da sociedade do theatro, formando o actual ///«- 
titulo de Coimbra, que tem por fim a cultura das 
sciencias, bellas letras e artes. A Nova Acade- 
mia Dramática reformou os estatutos em 15 de 
novembro de 1859, ficando com esta reforma au- 
thorisada a admissão no theatro, de artistas ou 
companhias nacionaes e estrangeiras de reco- 
nhecido mérito, assim como de artistas, ou com- 
panhias estrangeiras do fama europeia. Até en- 
tão ^só os estudantes é que podiam representar 
no theatro Académico. Em 18ôl organisou-se o 
Club Académico, funccionando em parte do edifí- 
cio do theatro; em 18 de março de I8tí(> fez-so a 
fusão do Club com a Nova Academia Dramática, 
passando a nova sociedade a intitular-se: Aca- 
demia Dramática de Coimbra. Este theatro já 
não existe. 

Académicos (Batalhões). A mocidade estudio- 
sa, cursando na universidade de Coimbra, tem lar- 
gado por diversas vezes os bancos escolares, para 
se constituir em batalhão de voluntários, na 
defeza da pátria contra o jugo estrangeiro, e do 
despotismo, pugnando pela liberdade e indepen- 
dência da pátria ; o 1.** batalhão académico que 
se formou foi na guerra peninsular, quando os 
franceses invadiram Portugal; os seguintes nas 
luctas civis do absolutismo de 1823 a 1833 e dos 
cabralistas em 1846 e 1847. 

l.'* Batalhão. Os francezes haviam invadido Por- 
tugal em 1807, c em 23 de junho de 1808 houve 
grande revolução em Coimbra. No dia seguinte foi 
acciamado governador de Coimbra o vicc-reitor 
da Universidade, o dr. Manuel Paes Aragão Tri- 
goso, e em 25 sahiu de Coimbra um destaca- 
mento de 40 voluntários, quasi todos estudantes, 
commandados pelo sargento de artilharia, e tam- 
bém escolar, Bernardo António Zagallo, na ideia 
de se apoderarem do forte da villa da Figueira, 
o que conseguiram com o auxilio de três mil or- 
denanças armadas de lanças e fpuces, que se lhes 
reuniram em Tentúgal, Carapinheira e Moute- 
mór-o-Velho. Todos os estudantes que estavam 
em Coimbra, se alistaram logo no batalhão aca- 

voL. i — n.. G 



demico. O major de engenheiros, lente de cal- 
culo, Tristão Alvares da Costa Silveira, dividiu 
o batalhão em 6 companhias, e alguns estudan- 
tes e doutores alistaram-se na artilharia e cavai- 
laria académicas. Um destacamento de 15 estudan- 
tes com um furriel, sahiu do Coimbra em 28 do 
referido mez de junho, no intento de acclamarem 
em Pombal e em Leiria, o principe regente D. 
João. O povo auxiliou-os muitíssimo n*essa ex 
pedição; com a maior valentia sitiaram o forte 
da Nazareth) tomando-o por Bm aos francezes, 
ficando em poder dos bravos académicos 50 pri- 
sioneiros. O vice-reitor da Universidade conce- 
deu aos voluntários o uso d*uma insígnia, que a 
junta provisional do governo supremo do reino, 
presidida pelo bispo do Porto, confirmou, por 
despacho de 22 de julho de 1808. A insígnia era 
uma medalha pendente da fita vermelha, tendo 
o escudo das armas portuguezas com bandeiras, 
um mocho em cima de um livro, o por baixo uma 
águia cabida. iSobre o escudo e no meio de ra- 
mos de louro, lia se Andeo; e em volta da me- 
dalha se viam as palavras: Profidei—Pro Pátria 
— Pro rege. Estas medalhas são hoje raríssimas. 
Uma brigada académica, composta de caçadores, 
cavallaria, artilharia e artífices, ficou de guarni- 
ção em Coimbra, por ser um dos pontos mais im- 
portantes que convinha segurar, emquanto que 
o exercito anglo-Iuso marchava contra os tran- 
cezes. O commandante do batalhão académico, 
commandante por assim dizer honorário, era o 
vice- reitor da Universidade, Aragão Trigoso, 
porque o tenente de engenheiros Costa Silveira 
era o commandante eilectivo. Quando no dia 29 
de março de 1809 entrou no Porto o marechal 
Soult, sahiu logo de Coimbra, dois dias depois, 
o corpo militar em direcção da cidade invicta. A 
marcha dos caçadores e da artilharia foi a pe- 
dido do coronel Nicolau Trant; ficou então, na 
ausência do coronel, o governo das armas em 
Coimbra entregue ao tenente-coronel Fernando 
Saraiva de Vasconcellos Fragoso, lente de câno- 
nes e da fortificação da cidade o lente de me- 
tallurgia José Bonifácio de Andrada e Silva. Os 
académicos até que entraram no Porto, reunidos 
ao exercito do marechal Wellington em 18 du 
maio, prestaram serviços importantíssimos á cau- 
sa da liberdade. No dia 26 de julho tornaram a 
saliir de Coimbra, por ordem de Beresford, para 
se dirigirem á praça d* Almeida, onde chegaram 
uo começo do mez d*agosto. Na invasão de Mas- 
seiía, em 1810, o corpo académico não reuniu, 
por não estar aberta a Universidade, e pelo al- 
vaiá de 15 de abril de 1811, foi dissolvido, rece- 
bendo todos os estudantes e lentes um honroso 
agradecimento pela boa vontade com que se ha- 
viam alistado para defeza da pátria. O coronel 
Fragoso de Vasconcellos recebeu em Coimbra um 
officio enviado pelo coronel inglez Trant, que es- 
tava no Porto, officio datado de 15 de julho de 
1809, em que se teciam grandes e louváveis elo- 
gios ao batalhão académico do seu commando; 
em 24 do dito mez, Beresford passou uma ordem 
do dia, na qual também se elogiavam os jovens 
e briosos militares voluntários, recommendando 
ao commandante que remettesse ao marechal em 
chefe do exercito uma relação nominal de todos 
que tinham seguido o corpo académico desde a 
segunda invasão dos francezes, a fim de que os 
governadores do reino os ficassem conhecendo : 

45 



ACA 



ACA 



o por ordem doa governadores do reino foi expe- 
dido ao vice-reitor da Universidade, Aragão Tri- 
goso, em 11 de setembro do mesmo anoo de 1809, 
um aviso pondo em relevo o patriotismo, valor, 
desinteresse e heroicidade com que o batalhão 
académico se havia distinguido na guerra contra 
08 francezes, recolhendo-se depois a Coimbra, 
para os estudantes proseguirem nos estu dos. Em 
attenção a esses assignalados serviços foi conce- 
dido perdão d*acto, por aviso régio de 11 d*ou- 
tubro seguinte, o todos os estudantes que forma- 
ram a batalhão de voluntários académicos de 
Coimbra, a pedido das congregações das diffe- 
rentes faculdades. 

2.® Batalhão, Depois da revolta do infante D. 
Miçuel contra seu pae, D. João VI, em 30 de 
abril de 1824, conhecida pela celebre abrilada, 
(V* Abrilada), o infante tòi demittido do posto 
que occupava,. de commandante em chef*^ do 
exercito, e exalado para Vienna d* Áustria. No 
começo de 1826 falleccu D. João VI, nomeando 
regente do reino sua filha, a infanta D. Izabel 
Maria. As revoltas continuaram, e a Inglaterra, 
para manter a ordem, mandou uma divisão de 
cinco mil homens, commandada pelo tenente ge- 
neral William Clinton, para guarnecer as prin- 
cipaes cidades do paiz. D. Pedro, estando no 
Brazil, subiu ao throno portuguez, e outhorgou 
a Carta Constitucional, lançando as bases do ço- 
verno parlamentar moderado, sob a formula in- 
gleza. Enviou a Carta para Portugal, e mais 
tarde abdicou a coroa em sua filha I>. Maria da 
Gloria que apenas contava 7 annos. A Carta foi 
recebida no reino com o maior enthusiasmo. Com- 
tudo, 08 partidários de D. Miguel não descança- 
vam, e ainda em 182G começou a revoltar se a 
provincia da Beira. Em Coimbra, receava-se qne 
08 revoltosos viessem também perturbar o socego, 
e então os académicos, que pertenciam ao bata- 
lhão que ji se andava organisando, reuniram-se 
espontaneamente á noite, muito bem armados, 
no dia l.« de dezembro no adro da Só Nova. De 
noite rondavam as ruas, porém não aconteceu 
cousa alguma do que esperavam. Nos dias e noi- 
tes seguintes proseguiram nas mesmas cautellas, 
rondando as ruas, ou observando em diversas ca- 
sas, a que davam o nome de castellos, promptos 
sempre a acudir a qualquer ponto onde a rebel- 
lião se desenvolvesse. Os absolutistas receberam 
em Coimbra um destacamento de 30 homens da 
policia, 08 quaes vieram do Porto; porém não 
tardou que os liberaes recebessem egualmente 
um auxilio valioso, qu a foi o destacamento do re 

gimento de infantaria 22. No dia 14 de dezem- 
ro chegou a Coimbra o coronel de cavallaria e 
deputado, A. P. Alvares Pereira, para organisar 
as forças liberaes, e logo no dia seeuinte os sol- 
dados foram desarmados úo meio d*uma parada 
militar, no Campo de Santa Clara, por não ins- 
pirarem confiança. O batalhão académico ficou, 
portanto, organisado, bem exercitado no manejo 
das armas e prompto a marchar contra o inimigo. 
O coronel, de accordo com o general Azevedo, 
que SC havia retirado para Vizeu, tomou as mais 
enérgicas providencias para a defeza da causa 
da liberdade. Foi animadora e enthusiastica a • 
proclamação, que no dia 19 do mez de dezembro | 
de 1826, o coronel dirigiu aos habitantes e aca- j 
demicos de Coimbra, incitando- os a arrostarem 
todos os perigos e trabalhos da guerra, comba- ^ 

46 



tendo contra 08 rebeldes, que desprezando os 
mais sagrados e honrosos deveres, proclamavam 
governos adversos a todo o direito, a que nunca 
poderia submetter-se uma só provincia, uma só 
cidade, nem um só individuo digno do nome de 
portuguez. O batalhão académico compunha-se 
de 6 companhias, e o estado maior era organi- 
sado da seguinte forma : commandante, 1.^ e 2 '^ 
ajudante, l.« e 2.® capellão, cirurgião-mór, cirur- 
gião-ajudante, quartel mestre, sargento de bri- 
gadas, ajudante do brigadas, ajudante agregado. 
Depois de formado o batalhão, resolveu-se que 
marcharia para a Beira, a reunir- se ás forças 
liberaes, que perseguiam as tropas revoltadas 
do general Silveira. No dia 26, pelas 9 horas 
da manhã, os voluntários académicos reuniram-se 
da praça de Camões, hoje praça 8 de maio, e alli 
formaram cm fileiraá, esperando o coronel, que 
tinha de vir passar revista, acompanhado d*um 
ajudante d*orden8 e d*uma ordenança. Afinal 
aquelle bravo e pequeno exercito pôz se a ca- 
minho, ao som do hjmno da Carta. Tendo, porém, 
n*aquelle mesmo dia, chegado de Lisboa a noti- 
cia que no Tejo havia apparecido os primeiros 
transportes da divisão inglcza auxiliadora, e que 
se tinham dado vivas á religião, a D. Pedro IV 
e a D. Maria II, á infanta regente e á Carta 
Constitucional, os voluntários académicos para- 
ram na rua da Sophia, para ouvirem ler aquella 
agradável participação, e em seguida continua- 
ram a marcha. São bem notórios os serviços pres- 
tados á causa da liberdade pelo batalhão aca- 
démico na celebre campanha da Beira*, os actos 
de heroísmo praticados por aquelles valorosos ra- 
pazes, despertaram os ódios dos partidários de D. 
Miguel, 08 quaes, para se vingarem, lhes levan- 
taram as maiores calumnías, mas em desaggravo 
d'e8sa8 calumnías, muitos cidadãos de Vizeu e de 
Coimbra, e muitas autoridades promptamente 
passaram attestados os mais dignos a todos os 
académicos. Apesar dos attestados, as influen- 
cias dos absolutistas vingaram, obrigando as con- 
gregações das difi^erentes faculdades da Univer- 
sidade a não abonarem as faltas aos estudantes, 
que tanto se haviam sacrificado pela causa liberal. 
Álçuns dos académicos eram sustentados em 
Coimbra por mezadas pagas pela Intendência 
e pela Casa Pia, mezadas que lhes foram ne- 
gadas, ouando o« estudantes as reclamaram, por 
não poderem prestar certidões do frequência e 
aproveitamento nos estudos. Na sessão da camará 
dos deputados de 16 de março de 1827, o presi- 
dente e alguns deputados defenderam a reclama- 
ção dos académicos, patenteando quanto haviam 
sido proveitosos á causa liberal os seus relevan- 
tes serviços. Ainda assim nada conseguiram*,^ só 
mais tarde é que o general Saldanha, sendo mi- 
nistro da guerra em abril de 1827, fez com que 
as faltas lhes fossem abonadas. 

3.^ Batalhão. D. Miguel foi declarado regente 
em julho de 1827, e cm maio de 1828 reuniu cor- 
tes, ás quaes presidiu o bispo de Vizeu, e em que 
lhe toi offcrecido o throno. O infante acceitou, e 
no mesmo instante emigraram os principaes che- 
fes do partido parlamentar, nos quaes se conta- 
vam o marquez de Palmella, general Saldanha, 
condo de Villa Flor, Sampaio, e outros, refugian- 
do-se todos na Inglaterra, onde a joven rainha 
D. Maria II se detivera, quando ia a caminho da 
corte de Vienna d* Áustria, para alli ser educada. 



ACA 



ACA 



Por occasiSo das cortes em 1828, em que acima 
falíamos, poucos dias dopois de ter rebeotado a 
revolução, no di i 22 de maio, contra a usurpação 
do poder que o infante preparava, organisou se 

Sela terceira vez o batalhão académico de Coim- 
ra. FeZ'Se o novo alistamento, a que concorre- 
ram auasi todos os estudantes. Adoptou se o an- 
tigo fardamento, com algumas pequenas altera- 
ções. Em 5 de junho sahiram para a Ponte de 
Mnrcella 5S académicos pertencentes ao novo ba- 
talhão, juotamente com uma força de cavallaria 
6 e 10, commandada pelo major de milícias do 
Soure, regressando a Coimbra 5 dias depois. No 
mesmo dia do regresso, 10 de junho, publicou-se 
um edital, ordenando a todos os estudantes que 
se não tivessem alistado no batalhão academicoí 
a apreutarem se a dar os nomes, naturalidade, 
filiação e residência, para receberem a compe- 
tente resalva, e poderem estar na cidade sem 
causar suspeitas. Chegando 'a Coimbra no dia 19 
uma delegação da junta provisório do Porto, e 
sabendo esta delegação que muitos estudantes se 
não haviam alistado por não terem recursos pe- 
cuniários para a despeza do iardamento, visto es- 
tarem interrompidas as communicaçOes, o que os 
impossibilitava de receber auxilio das famílias, 
deliberou que o vice-reitor da Universidade no- 
measse uma commissão de membros para arbi- 
trar a importância de cada fardamento, e se en- 
tregasse a cada um d*esses estudantes o dinheiro, 
devendo cUes obrigarem se a assentar praça den- 
tro de 8 dias. Os estudantes tinham de passar 
recibo d*esse dinheiro fornecido como adeanta- 
mento, para o restituírem apenas terminasse a 
falta de communicações. O thesoureiro geral das 
tropas, Manuel Alberto Colaço, foi quem a com- 
missão encarregou de distribuir essas quantias. 
Dois dias depois, em 21, a mesma commissão no- 
meou commandante do batalhão, o lente de pri- 
ma de Mathematica, o doutor Manuel Pedro de 
Mello, e 2° commandante o lente substituto em 
leis, o dr. Joaquim António d' Aguiar. Depois da 
batalha da Cruz de Moronços, dada cm 24 de 
junho, o exercito, por deliberação da junta pro- 
visória reunida em Coimbra no dia 25, marchou 
na madrugada de 26, em direcção dá cidade do 
Porto ; os voluntários académicos também acom- 
panharam o exercito n*essa marcha. Do Porto 
seguiram todos para a Galliza, onde sotifreram bas • 
tantes vexames por parte das auctoridades hes- 
panholas. D*ali embarcaram uns para França e 
outros para Inglaterra, couservande-se estes no 
deposito de Plymouth até 1823, em que então 
partiram para a ilha Terceira; oa emigrados 
académicos que se tinham refugiado na França, 
foram successi vãmente transportando -se para 
aquella ilha, até que todos ficaram reunidos. O 
l.<> tenente de artilharia, José Maria Bald^, foi 
o 1.*^ commandante do batalhão académico na 
ilha Terceira. Para facilitar o exercido da arti- 
lharia, publicou-se em 1829 a CoUecção dos exer- 
cidos^ que por ordem do governador e capitão 
general das ilhas dos Açores, o conde de Villa 
Flor, mais tarde duque da Terceira, fora ado- 
ptada para a instrucção do batalhão de artilha- 
ria da cidade de Angra. Em 1830, mez d*outubro, 
tomou conta do commando do batalhão, o major 
d'artilharia, João P. Soares Luna. Na expedição 
mandada ás ilhau açorianas foi também uma 
força dos académicos commandada pelo 2.^ te- 



' nente d*artilharia, Francisco Jacques da Cunha. 

' Na tomada da ilha de 8 Miguel, a 1 d'agosto de 
1831, os académicos portaram -se heroicamente. 

I N*esta expedição foi commandante J. P. Soares 

! Tiuna. Em 2 d*agosto, no combate da Ladeira da 
Velha, também os académicos se portaram com 
toda a bravura. Depois d*estas batalhas volta- 

! ram para a ilha Terceira. Em marco de 183'\ D. 
Pedro IV chegou á ilha, e no fim d*um mez d'alli 
permanecer, passou revista ao batalhão acade- 

I mico, e ficou admirado da forma como elle se 

• apresentou, da bella disciplina e bom exercício. 
Em seguida, expediu uma ordem ao marechal de 
campo, conde de Villa Flor, em que agradecia ao 

I batalhão dos bravos académicos os seus bons 
serviços, tecendo-lhe os maiores elogios. Esta or- 
dem tem a data de 29 de março de 1832, e está 

I assignada pelo ajudante de campo, Cândido José 
Xavier. Preparando-se a expedição para vir a 
Portugal, as tropas Hberaes partiram pnra S. 

I Miguel, e o batalhão académico acompanhou- as. 
D. Pedro passou revista ás tropas, no dia 23 de 

; j unho do referido anno, no Campo do Relvão, 

' onde egualmente ouviu missa. Foi o brigue Con 
cor dia que trouxe a seu bordo os heróicos estu- 

I dantes commandados pelo capitão Thomé Mar- 
tins; ao desembarque nas praias do Miud^^llo, o 
batalhão contava 115 praças, porém, durante o 

j cerco do Porte alistaram se mais 45 académicos. 

' Aquelles destemidos guerreiros distinguiram -se 
também, como sempre, na defeza da Serra do Pi- 
lar, e em todos os outros pontos onde se comba- 

! tia. Na expedição que do Porto partiu para o 
Algarve, em junho de 1833, commandada pelo 
duque da Terceira, foi também nma parte do ba- 
talhão, commandada pelo major Luna. Desembar- 

' caram em 24 em Cacella, entre Tavira e Vila Real 
de Santo António ; marchando o exercito liberal 
para Lisboa, o batalhão académico reuniu-se lhe, 
ficando, porém, o commandante Soares Luna, go- 
vernando a cidade de Faro, por ordem do duque 
da Terceira. Durante e cerco do Porto até ao fim 

I da campanha, os académicos continuaram sem- 
pre defendendo a causa liberal com todo o he- 
roísmo e dedicação. Depois da conquista da ca- 
pital, alistaram -se mais 67 estudantes no bata- 
lhão dos académicos, o qual foi dissolvido passada 

; a Convenção d*Evora Monte, por decreto de 16 de 

' junho de 1834. Este decreto, muito honroso para 
os estudantes, declarava que tendo terminado 
as circumstancias extraordinárias que deram le- 
gar á organisação do batalhão académico, era 
muito justo que as praças que o compunham fos- 
sem dispensadas do serviço militar, para poderem 
regressar ás suas casas, e proseguirem depois nos 
cursos que tinham abandonado para defenderem 
a causa da rainha D. Maria IL O decreto or- 
denava que o batalhão ficasse dissolvido em 20 
d'outubro, louvando as provas decididas do valor 
e patriotismo dos acade micos, provas que seriam 

. tomadas na devida consideração. Por carta de 
lei de 20 de outubro de 1831, foram concedidos 
certos favores e garantias aos estudantes que es- 
tavam matriculados da Universidade, ou no Col- 
leçio das Artes, antes D. Mieucl se declarar 
rei absoluto, e que tinham tomado parte no exer- 

' cito liberal, ou que não haviam tomado parte, 
por serem presos ou perseguidos como constitu- 
cionaes. A carta de lei determinava mais que, 

\ não tendo meios para continuar os estudos, os 

47 



ACA 



ACA 



poderiam contÍDuar e acabar, sendo soccorridos 
em todo esse tempo pela fazenda oacioDal com a 
prestação mensal de 14^000 réis, entrando as fe- 
rias, e se lhes subministrariam gratuitamente 
pela Universidade, além d'Í8S0, as matriculas e 
os compêndios precisos. 

4.^ Batalhão» No mez de setembro de 1836, 
houve uma revolta em Lisboa, capitaneada por 
Fernando Soares Caldeiía, a qual tinha por fim 
o restabelecer a constituição de 1822. Seguíram- 
se novas escaramuças, travando-se encarniçada 
peleja entre os partidários da constituição e os 
defensores da Carta Constitucional, outhoreada 
em 182tí, por D. Pedro IV. Os influentes d este 
partido eram o duque da Terceira, o marquez de 
Saldanha, o barão de Leiria, e outros officiaes 
generaes. Foi então que se organisou pela quarta 
vez o batalhão académico, por ordem do visconde 
de Sá da Bandeira. Foi commaodante o major 
Manuel Joaquim Fernandes Thomaz, n*essa épo- 
ca administrador geral interino do districto, e 
annos mais tardo secretario da Universidade. A 
portaria de Sá da Bandeira, passada no Porto a 
11 de setembro de 1837, ordenava que todos os 
estudantes se alistassem no batalhão académico, 
se apresentassem no quartel até ao dia 1.^ do 
mez de outubro seguinte, sob pena de não serem 
admittidos á matricula; porém, os estudantes que 
estivessem residindo na distancia de um dia de 
jornada de Coimbra, ficavam obrigados a apre- 
soutar-se immediatamente. Os estudantes que 
não pertencessem ao batalhão, eram obrigados a 
alistar-se sob pena de perderem as suas presta- 
ções. Fernandes Thomaz publicou um edital, da- 
tado de Coimbra, a 15 de setembro de 1837, tor- 
nando publica esta determinação. A guerra civil 
terminou pouco depois, em seguida ao combate 
de Ruivães, em 18 de setembro, em que as tropas 
do governo ficaram vencedoras. Afinal procla- 
mou 80 uma nova constituição em 1838, que era 
a mesma ue 1822, com algumas modificações, e 
que vigorou até 1812. O batalhão académico limi- 
tou-se somente a algumas guardas e rondas em 
Coimbra, sendo dissolvido pouco depois. 

5.» Batalhão. Em 1842, Costa Cabral, mais tarde 
conde de Thomar, proclamou repentinamente a 
Carta do 1826, no Porto, quando menos se espe- 
rava. O duque da Terceira poz-se á frente d*uma 
revolução em Lisboa a favor da Carta, subindo 
ao poder, tendo por collega Costa Cabral, que de 
facto era o l.*' ministro. Costa Cabral, interpre- 
tando a Carta no sentido o mais realista, conse- 
guiu até enfrear a liberdade da imprensa. Os 
setembristas revolucionaram-se então, e depois 
d*uni golpe de estado, que levou Saldanha ao po- 
der, a opposição revoltou se, tendo á frente Sá 
da Bandeira e os condes das Antas e de Bomfím. 
Eis a revolução, conhecida pela Maria da Fonte. 
Em maio de 18ÍG houve grande movimento po- 
pular no Minho, e Coimbra correspondeu a essa 
revolta, pronunciando se em 16 do referido mez. 
Creou-se logo uma junta governativa, presidida 
pelo dr. José Alexandre de Campos. Procedeu- se 
em seguida á organisação das forças populares, 
e com especialidade do batalhão académico. No 
dia 18, começou o novo alistamento, assentando 
praça 183 académicos, e se a Universidade não 
estivesse fechada, muitos mais se alistariam. 
Pela 5.* vez se organisava o batalhão, sendo 
comraandante, com a graduação de tenente coro- 

48 



nel, o membro da junta governativa, Fernando 
E.Vasques da Cunba, depois visconde de Maiorca, 
e major o capitão de caçadores 8, L. A. Osório. 
O batalhão chegou a marchar na direcção de 
Lisboa, mas a queda do ministério obrigou-o a 
voltar para Coimbra. O novo gabinete era presi- 
dido pelo duque de Palmella, e offerecia grandes 
garantias ao movimento popular. A junta gover- 
nativa de Coimbra, dissolvendo o batalhão, diri- 
giu aos académicos uma portaria muito honrosa. 
^.*» Batalhão. Conservou-se o paiz socegado al- 
guns mezes; em 6 d^outubro, tendo sido demit* 
tido o ministério Palmella, e subindo ao poder o 
ministério Saldanha, a guerra civil se tornou a 
accender, e com toda a força, conservando-so o 
conde de Thomar ao lado da rainha. No dia 9 
deu- se a reacção no Porto, e não tardou que a 
maior parte do paiz se revoltasse. Foi então que 
pela 6.* vez se organisou o batalhão académico. 
O marquez de Loulé, governador civil d*aquelle 
districto, determinou, por um edital datado de 
11 d*outubro de 1846, que se abrisse novo alista- 
mento, sob a vigilância de um dos seus antigos 
officiaes, e que todos os estudantes que estives- 
sem em Coimbra fossem reforçar as fileiras do 
valoroso batalhão académico, que pouco tempo 
antes havia poderosamente concorrido para o 
bom êxito do movimento nacional espontâneo, 
que principiara na província do Minho, e se es- 
tendera a todo o reino, combatendo pelos direitos 
do povo com o maior patriotismo. A junta provi- 
sória do governo supremo do reino, estabelecido 
no Porto, reconhecia tanto a justiça que assistia 
a todos os estudantes que formavam o batalhão 
pelos seus relevantes serviços já prestados ante- 
riormente, e pelos que se esperava da sua nova 
organisação, que lhes concedeu, em portaria de 
1 1 de outubro, o perdão dos exames do anoo le- 
ctivo de 1845. 1846. Em 23 de dezembro de 1846 
deu-se a batalha de Torres Vedras, em que ven- 
ceu o governo da rainha, e esse desastre fez com 
que as forças populares, reunidas cm Coimbra, 
partissem para o Porto juntamente com os aca- 
démicos. Emquanto esteve no Porto, o batalhão 
fez serviço de guardas, com especialidade no 
castello da Foz, onde estava prisioneiro o duque 
da Terceira. Em 29 de março de 1847 partiu para 
o Algarve uma expedição commandada por Sá 
da Bandeira; os vapores Mindello e Porto de- 
viam ficar fazendo serviço no sul, porém a Junta 
provisória, receando que as guarnições d'aquel- 
les vapores se entregassem ao partido da ríiinha, 
resolveu aproveitar a lealdade e o bom serviço 
dos voluntários académicos, mandando para bordo 
do Mindello 26 praças, e do Porto, 14. Em Sctu- 
bal, no combato do Alto do Viso, em 1 de maio 
de 1847, dos académicos só deixaram de entrar 
em fogo alguns que estavam doentes, e dos que 
entraram morreram 4, ficando 8 feridos. Depois 
d*aquelle combato, as praças das guarnições do 
Mitidello e do Porto, voltaram para a cidade in- 
victa a reunirem se ao batalhão. Em 31 de maio 
sahiu do Douro em direcção a Lisboa, uma expe- 
dição commandada pelo conde das Antas, da qual 
também fazia parte o batalhão académico, e sendo 
todas as forças aprisionadas ao sahir da barra 
pela esquadra ingleza, os briosos voluntários 
egualmentc ficaram prisioneiros, partindo em se- 
guida para a Torre de S. Julião. Os estudantes, 
J porém, que tinham embarcado na fragata ingleza 



ACA 



ACH 



America^ juntamente com o commandante do ba- 
talhão, voltaram para o Porto. As luctas popula- 
res continuaram encarniçadamente até que os 
governos estrangeiros intervieram, assignando-se 
em 29 de junho de 1847 a conven^So de Gramido, 
em que se concedeu uma amnistia geral, ficando 
Saldanha no poder. Em seguida o batalhão dis- 
solveu-se, indo os estudantes para suas casas, 
por estar fechada a Universidade. 

Académicos de mérito. São nas nossas aca- 
demias os artistas nacionaes ou estrangeiros que 
«se fizeram dignos pelo seu merecimento de se- 
rem membros da Academia.» lEstat. da Acade- 
mia de Lisboa, art. 32.o). São eleitos pelo corpo 
académico em escrutinio secreto Devem offere- 
cer 4 academia alguma obra da sua composição 
e execução, e podem na falta dos professores sor 
chamados a substituil-os. A existência doesta 
classe é peculiar ás nossas academias c ás outras 
semelhantes, que, sendo essencialmente escolas, 
são ao mesmo tempo supremo corpo artístico do 
paiz. 

Académicos honorários. São os sócios da 
Academia Keal das Bellas Artes de Lisboa e da 
Academia Portuense, não artistas. Devem ser es- 
colhidos d'entre as pessoas mais insignes pela 
sua litteratura, credito publico e amor ás bellas 
artes. (Estatutos da Acad(mia de Lisboa edado 
Porto). O académico honorário deve ser proposto 
por três académicos c eleito em conferencia geral 
('reunião de todos os professores o académicos, 
sendo conferencia ordinária a reunião tão somente 
dos professores para tratarem de assumptos con- 
cernentes ao ensino). Os académicos honorários 
só têem voto nas discussões que disserem respeito 
immediato ás sciencias, litteratura e bellas artes. 

Açafata. Antiga dignidade feminina no paço, 
também conhecida por moça do açafate Mulher 
do serviço^ da rainha, tendo por officio de a aju- 
dar a vestir e despir, a guarda dos vestidos, ou 
toucados, etc. 

Açafroeira. Povoação da freguezia de Gafa- 
nhoeira, cone. de Arraiollos. 

Açareyra. Aldeia na prov. de Entre Douro e 
Minho, arceb. de Braga, com. e termo da Villa 
do Guimarães, frcg. de Santa Maria de Corvito. 
II Aldeia na prov. da Extremadura, patriarch. de 
Lisboa, com. de Santarém. 

Acoadò. Pov. da regedoria de Santo Estevam, 
no cone. das Ilhas, distr. do Gôa, na índia. 

Accas. Espécie do soldo concedido aos deaaaes 
e sar-dessaes da índia, pelo governo do mesmo 
estado, em conformidade com outras garantias 
que se lhes tem conservado. 

Acenheiro (ChrUtovam Hodrigtiea), Bacharel 
em cânones; n. em Évora, em 1491. Advogou na 
sua pátria até que morreu. As Chronicas de Ace- 
nheiro publicaram -80 pela primeira vez no tomo 
v da' CoUecção de inéditos da Hist. Port. da Aca- 
demia Real das Sciencias, impresso em 1824, 
onde occupam de pag. 1 a 364, com o titulo se- 
guinte : Chroiiicaa dos senhores Reis de Portugal 
por Christovam Jiodrigues Acenheiro. E a folha 
seguinte começa como se segue, com a progria 
orthographia: ProUoguo da breve cryaçam donde 
tem seu oryginal os serenicymos Reis de Portugal^ 
e dytos Macabeus por sua valerUii que quer dizer 
deffemçores^ como eUes deffemderam e ganharam 
parte destes Reinos aos Mouros^ isto pêra começo 
dos sumários e allemlrança das Coroniquas dos 



Reis de Portugal: e he o seguinte^ todo copiUado 
e allembrado em este voUume per o Racharei Cris' 
touam Rodriguez Acenheiro^ procurador^ morador 
e natural da cydade d'Ev>n'aj e neUafez esta bre- 
viaçam em Mago de mil e quinhentos e trimta e 
sinco anosy bom Reinamte em Portugal Rey Dom 
Joam Terceiro do nome^ quimzeno dos Reis de Por- 
tugal. Lô se no Diccionario de Innocencio: «Cum- 
pre advertir aqui, que de memorias antigas e 
veridicas mo consta, que esta obra tal como de- 
pois se publicou, não passava de mero resumo ou 
epitome de outra mui mais volumosa e extensa, 
que o mesmo auctor escrevera, e na qual se acha- 
vam tratados os successos com maior individua* 
çPo o miudeza. Tinha esto por titulo: Nova de- 
c-aração á original criaçam dos Reis de Portugal, 
e comprehendia as vidas dos reis portuguezcs até 
D. João III, não trazendo porém a respeito d*este 
mais que o auto do sou levantamento, e a narra- 
ção do funeral por elle mandado fazer a seu pae 
el-rei D. Manuel. Annexas a esta obra estavam 
I mais outras do próprio auctor com as seguintes 
I rubricas: Original e mui antiquissima criaçam^ 
I da Espanha que se perdeu depois da morte delrn 
D. Rodrigo; Algumas memorias de Espanha^ e de 
Castella e Aragão, etc; Lembranças de cousas de 
Portugal^ que ficam por memoria, em que tracta 
de Ceuta, da mudança da era de César, etc; Ta- 
voada de Mafamede, e batalhas de mouros com 
christãos, e criação original dos Turcos e seus em- 
peradores the hoje Mago de Í524, que se acaba este 
livro, etc. A reunião de todo o referido formava 
um grossíssimo volume de folio original, de que 
Barbosa não houvo noticia, c que se guardava 
na bibliotheca d*el-rei D. João V. Ficou este re- 
duzido a cinzas pelo incêndio subsequente ao 
terremoto, com uma bella copia, que pouco antes 
80 mandara fazer em letra corrente das referidas 
obras.» 

Acha (Jeronymo de) Escriptor portuguez, nat. 
de Lisboa. Traduziu do latim A vida de S. Bruno, 
do Pedro Sutor. 

Acha. Villa e freg. da prov. da Beira Baixa, 
cone. e com. do Idanha-a-Nova, distr. de Castello 
Branco, bisp. de Portalegre. Está situada a pe- 
quena distancia da ribeira de Ceife, a 18 k. da 
sede do cone ; 1:277 alm. e 270 fcg. O orago é 
S. Miguel. 

Achada. Pequena serra que passa próximo 
a Cascaes, na ramificação da serra do Monte 
Junto. Fica no distr. de Lisboa. || Logar na 
freg. de Vermoil, cone. de Pombal. || Lo^ar na 
freg. de Espite, cone. d'Ourem. || Pov. da freg. e 
cone. de Mafra. i| Sitio da freg. e cone. de Castro 
Verde. || Moinho, na freg. de Sant*Anna de Cam- 
bas, cone. de Mertola. || Pov. na freg. do Serro 
Ventoso, cone. de Porto do Moz. || Pov. e freg. 
(N. S.* da Annunciação) do cone do Nordeste, 
distr. de Ponta Delgada, com. da Povoação, bisp. 
de Angra do Heroísmo, 1:679 alm. Tem serviço 
postal o telephonico, cereacs e legumes. 

Achada das Furnas. Serra, na Ilha de S. Mi- 
guel, no planalto das Graminhas, ao O. do Pico 
da Vara. 

Achada dos Gamos. Sitio na freg- de San- 
t*Anna de Cambas, cone. de Mertola. 

Achadas. Herd. na freg. d*Azinheira dos Bar- 
ros, cone. (ie Grândola. 

Achadas da Crus. Pov. e freg. do cone. de 
Porto Moniz. (N. S.* do Livramento^^ com. de 

49 



ACH 



ACO 



S. Vicente distr. o bisp. do Funchal. Fica na 
costa norte da ilha da Madeira, 453 alm. e 30 
fogos. 

Achadego. Premio que antigamente se dava 
a quem achava e restituie cousas perdidas. Se- 
gundo as Ordenaçòeê só se podia pedir, não tendo 
sido promettido, achadeeo de aves ou de escra- 
vos. No século XVII o achadego do escravo negro 
era de trezentos reis e do escravo branco, ou ín- 
dio, de mil réis. Se o escravo andasse fugido ha 
mais de oito dias de Lisboa, sendo o dono aqui 
morador, o achadeg;o era apenas de cem réis. 
i^uem achasse um àçôr fugido tinha cem réis ; 
um falcão, cincoenta, e um gavião, vinte. 

Achadinha. ("N. S.* do Rosário). Pov. á beira- 
mar, com. da Povoação, cone. do Nordeste, distr. 
de Ponta Delgada, bisp. de Angra do Heroísmo, 
na ilha de S. Miguel, no archipelago dos Açores, 
1:8G2 alm. e 419 fog. Cereacs e legumes. || Casal 
na frcg. de S. Luiz, cone. de d'Odemira. 

Acharrua. Casal na freg. e cone. de Lourinhã. 
II Casal na frcg. e cone. de Almodovar. 

Achas. No termo de Jalles (Traz-os Montes) 
ha uma herdade d'este nome, que era tão impor- 
tante no século xiii, que D. Anònso III lhe deu 
foral, datado de Lisboa a '28 de maio de 1270. 

Acheiras. Casal na frcg. de Palmas, cone- 
d*Oliveira d'AzcmcÍ8. 

Achem. Na historia portugueza este estado 
da ilha de Sumatra é referido pelos ataques que 
os seus soldados fizeram por mais de uma vez a Ma- 
laca, mas sem que as nossas armas soffressem des- 
douro, pois os cercos de 1567, 1617 e 1628 foram 
levantados sempre com perdas para as tropas do 
Achem. Nos séculos xvi e xvii era muito estimado 
o benjoim trazido d*este estado pelo commercio 
portuguez. No anno de 1616 fez o rei do Achem 
uma armada composta de duzentos navios e ses- 
senta galés em que embarcou sessenta mil ho- 
mens para combater os portuguezes de Malaca. 
Na cidade do Achem, pouco depois do seu desco- 
brimento, padeceram tormentos e martjrio 20 
portuguezes. 

Achete. Pov. e freg. (Santa Maria) na prov. 
da Estremadura, distr., cone. e com. de Santarém. 
Fica a 95 k. ao nordeste de Lisboa e a 9 k. da 
sede do cone. Deriva da palavra árabe Axxat 
(ovelha) e significa povoação da ovelha. 

Achombene. Cidade na costa da Guiné, perto 
da qual os portuguezes em tempo de D. Manuel 
fundaram uma fortaleza, sobre um rochedo, aban- 
donando a depois, por serem alli os ares muito 
doentios. 

Acima. Logar na freg. d* Aboim, cone. de Villa 
Verde. 

Aço (Dôrts). Actriz portugueza; n. em Silves; 
em 1866, f. no Porto a 19 de junho de 1893. 
Acompanhou sua irmã, a actriz Thereza Aço, e 
seu cunhado, o actor Taveira, ao Porto^ estreian- 
do-se no theatro Baquet, em 1885, no drama O 
Cardeal Duhoia^ traducção de Borges d'Avellar; 
desde então ficou sendo a ingénua n'aquelle thea- 
tro. Em 1888 foi aos Açores, n'uma companhia 
organisada pelo actor Taveira, representando ali 
com muito agrado, no Kean^ Medico das Creanças, 
Marquez de la Seigliere, Cabo òVmão, etc. Vol- 
tando para o Porto, continuou a fazer parte da 
companhia do theatro Baquet, representando A 
Ma^tyr, Três mídherea para um marido, etc. De- 
pois passou para o theatro de D. Affonso, e em 

50 



seguida ao incêndio do theatro Baquet, seguiu 
novamente com a companhia para os Açores, al- 
cançando grandes applausos no Paralytico, Mar- 
tyr da Victoria, Morgadinha de Valflôrj Milhòea 
do criminoso, Honra por honra, etc. Na «volta dos 
Açores, entrou para a empreza de Alves Rente, 
no theatro do Principe Ueal do Porto, e em 1892 
voiu a Lisboa com a companhia que deu algumas 
recitas no Real Colyseu. Tinha casado com o 
actor José Ricardo. Pouco tempo sobre "iveu a 
sua irmã, Thereza Aco, que falleceu no hospital 
Estephania, em resultado d*uma dolorosa opera- 
ção que soffreu. Foi sepultada no Porto, em ja- 
zigo, juntamente com sua irmã. 

Aço (Thereza^. Actriz portus^ueza, n. em Sil- 
ves, a 18 de maio de 1852, f. em Lisboa, a 13 do 
maio de 1892. Representou pela primeira vez, 
em Lagos, n*um theatro d^amadores; em seguida 
representou em Faro, no theatro L*ithes, onde 
fez progressos, desempenhando com muito agrado 
diversos papeis, e com especialidade, na Morga- 
dinfia de Valflôr. N*uma digressão que o actor 
Taveira fez ao Algarve, sympathisou com a no- 
vel artista, e casando com ella, partiram ambos 
para Lisboa em 1881, entrando no theatro de 
D. Maria, fazendo parte da companhia d'aquelle 
theatro durante uma época. Seguiram depois 
para o Porto e províncias, em que Thereza Aço 
sempre se distinguiu, no desempenho de diversos 
papeis do seu longo reportório: Martyr, Tomada 
da Bastilha^ Marquez de la Seigliere, FidMgos da 
Casa Mourisca, Princeza de Bagdad, Cabo Simão, 
Filha da noite. Falsa adultera, etc. Foi duas ve- 
zes aos Açores, em companhias organisadas por 
seu marido, representando sempre com o maior 
applauso e sympathia das plateias. Uma horrível 
doença se lhe declarou então, e vindo a Lisboa 
em 1892, viu -se obrigada a entrar no hospital 
Estephania para soffrer uma operação dolorosa, 
a que succumbiu. 

Acob- Nome de uma das cabilas que foram ao 
cerco de Safim contra os portuguezes, em 27 de 
dezembro de 1511. 

Acomane. Antigo reino na Africa Occidental, 
na Guiné, cujO xerife fez pazes com Portugal cm 
j 1503. 

I Acontlado. Fidalgo que recebia paga do rei 
I para scrvil-o na guerra com certo numero de 
; lanças. Que recebia contia. Obrigado a ter certas 
armas ou cavallo segundo a acontiamento ou va- 
. lor da sua fazenda. Acontimdo significava pois 
recenseado, avaliado e obrigado a ter cavallos e 
armas segundo o valor da sua fazenda ou acon- 
tiamento. Não podia soffrer penhora nas armas 
nem nos cavallos; só podia instituir herdeiros 
seus naturaes com permissão do desembargo do 
paço. Em Portugal deu-se mais particularmente 
este nome aos senhores illustres, que por alguma 
razão particular possuíam por merco d'elrei ca>- 
[ tellos ou villas. No tempo de D. Atfonso V cha- 
mavam se acontiados os vassallos que recebiam 
! certa quantia de dinheiro para servirem a el-rei 
' em tempo de guerra ou em qualquer outra ue- 
I cessidade para bem do reino. 
I Acontiador. Era antigamente o reccnscador 
I das rendas ou contias para segundo ellas impor 
: a obrigação de ter armas, cavallo bést<i ou lança 
i para o serviço do rei em tempo de guerra. A* 
■ avaliação da fazenda de cada um para esse fim 
; chamava-se acontiamento, bem como ao assenta- 



AÇO 



AÇO 



mento das quantias que o soberano dava a cer- 
tas pessoas para estarem providas de cavallos ou 
armas. 

Açor. Serra no districto de Coimbra; exten- 
são 30 k., altura 1:330 m. || Pov. na freg. e cone. 
de Monchique. || Casal na freg. de Colmeal, cone. 
de Góes. || Sitio na freg. e cone. de Silves. || Ca* 
sal na frce. de Castellejo, cone. de Fundão. 

Açor. Ua no Algarve uma serra com este nome, 
tem IS k. de comprimento a 15 k. de largo. Se- 
gundo os sitios por onde passa, toma os nomes 
de Serra de Dobra e serra de Pêro Janeiro. U 
rio Delouca nasce ao Oeste da serra e o rio Eu- 
cherim a Este. Possue mattas de asinheiros, e 
muita caça em que antigamente predominavam os 
javalis. |! (títrra do) na Beira Baixa, tem 33 k. 
de comprido e 12 de largo, principia no logar de 
Sobral e aeaba em Arganil. Próximo d'esta serra 
ficam as villas de Coia e Avô e muitas aldeias. 
Veiu-lho o nome da palavra Açor, que quer dizer 
ave de rapina. E' cultivada em grande parte e 
possue bons pastos para o gado. 

Açor oa Foz do Açor. Casal na freg. e cone. 
da Pampilhosa. 

Açor e Fo2 do Bosaim. Sitio ua freg. e cone, 
de Monchique. 

Açoreira. Pov. e freg. (S. João Evangelista) 
da prov. de Traz-os-Montes, cone. e com. de Mon- 
corvo, dist. e bisp. de Bragança. Tem escola do 
sexo masculino, ò99 alm e 164 fog. Dista a pov. 
5 k. da sede do concelho, jj Pov. na freg. de Er- 
mello, cone. do Mondim de Basto. || Pov. ua freg. 
de Fiães, cone. de Melgaço. || Pov. na freg. de 
Aureade, cone. de Resende. || Pov. na freg. e 
cone. de Sinfãcs. || Casal na freg. de Cerva, cone. 
de Ribeira de Pena. || Quinta na freg. Aguas 
Frias, cone. de Chaves. || Quinta na freg. de Ca- 
pelludos, cone. de Villa Pouca d* Aguiar. || Pov. 
na freg. de Castro Laboreiro, cone. de Melgaço. 
I Pov. na freg. d'Alvites, cone. de Mirandella. 

Açoreiras. Log. da ft-eg. de Sedielos, cone. 
de Peso da Régua. 

Açoreiras de Baixo, Açoreiras do Meio, 
Açoreiras do Porto. Legares na freg. d* Aguas 
Frias, cone. de Chaves. 

Açores. Villa e freç. da prov. da Beira Baixa, 
cone. e com. de Celorico da Beira, dist. e bisp. 
da Guarda; 61)0 alm. e 152 fog. Dista 10 k. da 
iéde do cone. Tem escola do sexo masculino. A 
egreja matriz, que ainda hoje existe, era em Al- 
deia Rica, freg. que actualmente está unida a 
esta villa; era antiquissima, de architectura ço- 
tica, tinha três naves. Esta egrda, estando muito 
arruinada, foi demolida, e reedificada quasi pelos 
alicerces, no anno de 1790. E* seu orago Santa 
Maria ou N. S.» dos Açores. Existe na capella- 
mcr um tumulo com a seguinte inscrlpção: «Re- 
quievit famula xvpi. in pace. Svintilivba sub 
mense. Novembres. Era Dccirii.» Deduz se d*e8ta 
inscripção que se sepultou na era de César, 704 
("666 de Jcsus-Christoj. Svintiliuba, serva do Se- 
nhor. Houve aqui um mosteiro da ordem de Santo 
Agostinho. Descobriram-se no fim do século xviii 
as columnas do claustro e as paredes das oflici 
nas, nos amplos passaes dos priores, d*um con- 
vento dupies, que existiu n'este logar em tempos 
remotissimos. Ha aqui o nobre e antiquíssimo 
Sanctuario de N. S.* dos Açores, que, como se 
disse, é hoje a matriz. Conservam-se n*ella 4 va- 
liosos quadros: O apparecimento da Senhora ao 



I rtistico da Vacca; O filho do rei resuscitado; O 
açor; e o da Victoria que os portuguezes alcan- 
çaram aos castelhanos próximo d'aqui. Parece 
que estas pinturas são tiradas da tradição po- 
pular, pois que não teem outro fundamento, não 
havendo ninguém que saiba quem é a persona- 
gem filha do rei que rcsuscitou, que deu o assum- 

! pto ao quadro. Egual conclusão se tira com res- 
peito á batalha que parece lendária. Tiveram os 
nossos reis este sanctuario em grande devoção e 
fizeram-lhe importantes doações. No foral que D. 
Manuel deu a Celorico, em 1512, manda este rei 
que a terça parte dos montados e maninhos se 
gaste com os cavallciros e escudeiros que forem 
uma vez por anno em romaria a N. S.» dos Aço- 
res. Esta romaria faziase a 3 de maio. A villa 
d'Açôre8 não teve nunca foral próprio. Perten- 
ceu á coroa. Veiu-lhe o nome do milagre, que se- 
gundo a tradição, fez N. S.* a um caçador do rei 
de Castella. || Uma pequeua serra ua fr(.g. de 
Santa Maria das Medas, ccnc. de Gondomar, a 
24 k. a nordeste do Porto, com l.õOO metros de 
comprimento e 1 :0('O de largo. Nasce n*esta serra 
o ribeiro de Villa Cova, que desagua no Douro. 
Existem aqui 12 poços profundos, que se julga 
serem minas de ouro dos romanos ou árabes. Se- 
gundo a tradição, foi uma cidade no tempo dos 
fodos, que pretendem alguns ser a antiga Pena- 
el. A Lagoa da Fisga, situada n*esta serra, tem 
1:500 metros de comprimento e 800 de largura e 
dá óptimo milho no verão quando o leito está 
secco. Tem matto, caça e arvores silvestres. || 
Logar na freg. e cone. da Guarda. || Pov. na freg. 
de Valle Maior, cone. d'Albergaria. || Quinta na 
freguezia de Sequeiros, cone. d'Aguiar da Beira. 
|{ Habitação na freg. de Sul, cone. de S. Pedro 
do Sul. 

Açores. Archipclago situado no Oceano Atlân- 
tico, composto de nove ilhas orientaes a sa- 
ber: Santa Maria, S. Miguel, Terceira, Gra- 
ciosa, S Jorge, Pico, Fayal, Flores e Corvo. Di • 
videm-se em três grupos no rumo O. N. O. com- 
prehendidos entre 36'' 87' e 39, 41* de Lat. N. e 
15° 50' e 22» 10* Long. O. Diâta do Cabo da Roca 
1:250 k., 1:500 do Cabo Continao N. O. de Africa, 
700 da ilha da Madeira e 1:800 do archipclago 
de Cabo Verde. A sua superfície é approximada- 
mente de 2:597 k. quadrados. Ficam no grupo 
oriental as ilhas de Santa Maria, S. Miguel, e as 
ilhotas denominadas Formigas, que são uns es- 
colhos perigosos para a navegação e impróprios 
para habitação humana, espalhados em mais de 
10 k. e distantes 25 k. N E. de Santa Maria e 
40 S. O. de S. Miguel: o mais alto eleva-se acima 
do nivel do mar cerca de 20 metros e é apartado 
dos outros; visto de longe assemelha se a um na- 
vio á vela. O outro grupo, isto é, o grupo cen- 
tral, comprehende as ilhas. Terceira, Graciosa, 
S. Jorge, Pico e Fayal. As ilhas Flores e Corvo 
formam o grupo occidental. Estes grupos estão 
respectivamente distanciados: o primeiro do se- 
gundo, 175 k., e o segundo do terceiro 195 k. A 
derivação da palavra Açores, que deu o nome ao 
archipelago, provém da grande quantidade de 
aves de rapina que ali se encontraram quando 
foi descoberto. Suppoz-se que estas ilhas, provi- 
nham da celebre ilha Atlântida que um violento 
terremoto fragmentou. A sua formação é de ori- 
gem vulcânica o que não é só demonstrado pelas 
rochas basalticas, lavicas ou trachyticas de que 

51 



AÇO 



ÂDÁ 



são coDBtituidas, e pelos phenomenos vulcânicos 
que desde 1441 ali se teem dado, como também 
pelo actual vulcão da ilha do Pico. Exceptuando 
as ilhas de Santa Maria, Flores e Corvo, todas 
as outras teem sido abaladas por tremores de 
terra. Este archipelago contém abundantes e ex- 
- cellentes fontes de aguas mineraes, thermaes ou 
frias, sendo as mais importantes as do Yalle das 
Furnas, em 8. Miguel, sulphureas; as do Pico, e 
as da Graciosa e Flores. Tem um solo feracissi- 
mo, e aproveitado para a cultura, produzindo 
abundância de legumes, trigo, milho, e vinho. Ali 
se dão a canna de assucar, o ananaz, tabaco, al- 
godão, linho e madeiras. O clima é excellente, 
suave, sem calores ardentes nem frios intensos, 
de ar puro e saudável. As armas d*estas ilhas 
compõem-se d*um acôr cercado de nove estrellas, 
que correspondem as nove ilhas do archipelago. 
Foi a ilha de Santa Maria a primeira descoberta, 
por Gonçalo Velho Cabral, a 15 de agosto de 1432, 
o qual, no anno anterior, tinha infructuosamento 
seguido a mesma derrota, deparando apenas com 
um grupo de rochedos a que deu o nome de For- 
migas. Depois de explorar a ilha, regressou a 
Portugal e recebeu do infante D. Henrique, em 
doação, a capitania d*ella. A 8 de maio de 1444, 
foi descoberta a ilha de 8. Miguel também por 
Velho Cabral, que lhe deu o nome do dia em que 
se realisou o descobrimento. O infante D. Hon 
rique egualmcnte lhe fez a doação da capitania. 
Seguiu-se successivameute entre 1444 a 1464 a 
descoberta das sete restautos ilhas: Terceira, ti. 
Jorge, Graciosa, Fayal, Pico, Flores e Corvo. 
Foram os flamengos era 1466 os primeiros colo- 
nisadores das ilhas, uão porque elles as desco- 
brissem, como erradamente se julgou, mas por- 
que el-rei D. Duarte fez doação d^ellas a sua irmã, 
1). Izabel de Borgonha, condessa de Flandres^ 
mãe de Carlos, o Temerário. D*aqui vem cha- 
mar-su-lhes também ilhas flamengas. Passaram 
depois a ser habitadas por portuguezes que as 
foram povoando. O archipelago descobriu-se no 
reinado de el-rci D. João I, apczar de alguns 
historiadores, o entre elles o sábio inglez Ricar- 
do Henrique Major, suppôrem que foi descoberto, 
não por Gonçalo Velho Cabral, mas por mari- 
nheiros portuguezes no reinado de D. AíFonso 
IV, levados a essas paragens por capitães geno- 
vezes que vieram a Portugal contractados por 
p. Diniz, quando este rei quizera dar um grande 
impulso á nossa mariuha. Nos mappas genovezes, 
DO portulano Medicis, de 1351, dos irmãos Pizzi- 
gani de 1367, no mappa catalão de 1375, na carta 
de Parma do século xiv, hguram umas ilhas na 
latitude dos Açores com o nome de insula di Cor- 
vimarint^ I^ Conigi^ San Zorzo^ Insula de Braz, 
ctc, variando por vezes os nomes das ilhas e o 
numero. Diz o eminente cscriptor Pinheiro Cha- 
gas: «Prova- se que os Açores foram descobertos 
por marinheiros portuguezes com capitães geno- 
vezes, porque dão primeiro noticia d*essas ilhas 
os mappas de origem genoveza, e porque tendo 
as Canárias, que tíçuram nos mesmos mappas, o 
escudo genovez ao lado, em signal de que a re- 
publica pretendia ter direitos sobre ellas, não fi- 
gura o mesmo escudo ao lado dos Açores, prova 
de que a republica não se arrogava direitos so- 
bre essas ilhas, descobertas por armadas estran- 
geiras.» O archipelago dos Açores constituo um 
bispado, instituído em 1534 pelo pontífice Paulo 

52 



III, a pedido de D. João III. O primeiro bispo 
foi Agostinho Ribeiro. E' suffraganeo do patriar- 
chado. O bispo não é par do roino nato, como os 
do continente. Quanto ao mais, gosa de todas 
as prerogativas do episcopado portug^ez. V. as 
diíterentes ilhas, 

Acorga ou Gorga. Logar na prov. da Beira 
Alta. distr. de Vizeu, cone. de Penalva. 

Acoace. Logar na prov. da Beira Baixa, bisp. 
com. e termo da cidade de Coimbra, arcediago ae 
Peuella; pertencente á Ireg, de S. Pedro de Viila 
Secca, 

Açoagagem. Direito que se pagava antiga- 
mente de quaesquer vendas ou compras, não só 
nos legares onde se vendiam carnes frescas, mas 
ainda em todo o logar e praça, em que se ven- 
diam fructas, pão, hortaliças, peixe, panellas, etc., 
e por isso ás ruas dos vendedores se chamaram 
algumas vezes açougues. 

Açougue. Logar na freg. de Britello, cone. de 
Celorico de Basto. || Logar na freg. de S. Lou- 
renço de Selho, cone. de Guimarães. 

Açoutes. Castigo, pena vil que se dava anti- 
gamente. Segundo as Ordenações do reino não se 
podia dar açoutes a paçens de fidalgos^ juizes 
e vereadores, ou a seus filhos, nem a procurado- 
res das víHhs e concelhos. A- pena de açoutes po- 
dia ser substituída por um ate dois annos de de- 
gredo para Brazil ou Africa. Ao escravo fugi- 
tivo, para que declarasse o nome de seu senhor, 
não se podia dar mais de quarenta açoutes. Alem 
das isenções acima, prescreviam ainda as Orde* 
nações mais as seguintes pessoas: escudeiro a 
cavallo de prelados e fidalgos, moços das estre- 
barias reaes e das dos titulares, mestres e pilo- 
tos dos navios da gávea, os collaços de desem- 
bargadores ou de cavalleiros de linhagom, quaes- 
quer individues que tivessem cavallo de estado. 
Acroamas. Panegijricos com que a Saneia Ca' 
thedral Igreja de Coimbra recebeti ... a sagrada 
reliquia de S. Thomaz de Villa Nova, Coimbra, 
1690. Comprehende varias poesias em portuguez, 
latim e hespanhol, e três sermões na primeira 
dVstas línguas. 

Açude. Logar na freg. de Bairros, cone. de 
Castello de Paiva. || Casal da freg. d'Alfeizão, 
cone de Alcobaça. || Herdade na freg. do Cereal, 
cone. de S. Thiago do Cacem. || Fazenda, na freg. 
de Escoural, conc.de Montemór-o-Novo. || Sitio 
na freg. de S. Domingos, cone. de S. Thiago do 
Cacem. || Moinho, na freg. de Meru^e, cone. de 
Oliveira do Hospital. || Moinho, na freg. de Ca- 
ranguejeira, cone. de Leiria. 

Açude de Baixo, Açude de Cima. Nome de 
4 hortas; 2 na freg, d*Alter Pedroso, cone. d* Al- 
ter do Chão, e 2 na freg- e cone. d* Elvas. 

Acypreste ou Gypreste. Casal na freg. de 
Erra, cone de Coruche. || Casal na freg. de S. 
Miguel de Machede, cone. de Évora. || Quinta 
na freg- da Sé, cone. e cid. d'Evora. || Quinta, 
na freg. de Antanhol, cone. de Coimbra. || Lo- 
gar na freg. d*Evora, cone. d* Alcobaça. || Pov. 
na freg. d*Lvora d* Alcobaça, cone. d' Alcobaça. || 
Fov. na freg. de Paião, cone. de Figueira da Foz. 
Acsrprestee ou Gsrprestes. Casal, na freg. de 
Paul, cone. de Santarém. || Casal, na freg. de Tor- 
rão, cone. d'Alcacer do Sal. || Quinta, na freg. 
Villa Nogueira de Azeitão, cone. de Setúbal. 
A da Beja. (V. Dabeja). 
Adâee. Pov. e freg. da prov. do Minho, cone. 



ADA 



ADE 



e com. de Barcellos, distr. e arccb. de Braga. 8T7 
alui. e 89 fog. Dista 7 k. da eéde do cone. Orago 
S. Pedro, apostolo. Eva curato do mosteiro do 
couto de Villar de Frades, cliamado vulgarmente 
boiíM homens de Villar. \\ Pov. na freg. de Sau- 
jurge, cone. de Chaves. || Pov. nas freg. de Lou- 
reiro c Ul, coDC. de Oliveira de Azeméis, e Santa 
Lcocadia, cone. de Chaves. |{ Herd. na freg. De- 
goUados, cone. d*Arronches. 

Adafroya, Anfragla. Valle na prov. da Bei- 
ra, bisp. de Coimbra, limites da treg. de 8. Paio 
de Farinha Podre. 

Adagoi. i^ov. da freg. de Alhariz, cone. de 
Valle Passos. || Logar, na freg. de Capellúdos, 
cone. de Villa Pouca de Aguiar. Também se cha- 
ma Adegos. 

Adail. Antigo official que conduzia o exercito 
por caminhos occultos. lambem era do seu offí- 
cio governar os almocadens e os almogavares e 
toda a gente que fazia as correrias nas terras 
dos inimigos. O offieio de' adail cm Portugal é 
bastante antigo, mas no principio leve o nome 
de zaga, e os venezianos ainda hoje chamam zago 
ao mestre de cerimonias que precede a todos os 
mais. No Foral de Thomar no anno de 166'^ se 
falia do zága; e, porque este ia sempre na van> 
guarda, parece que d'abi veiu chamar-se anti- 
gamente çagnão ao pequeno átrio coberto ou pa- 
teo que havia deante e nas frentes das casas; e 
çaguate ao presente ou brinde, que se mandava a 
alguém, primeiro que fosse visitado, o que nas 
coloniaff africanas é muito seguido pelo^ chefes 
indígenas quaudo pedem audiência. O primeiro 
adaU.que houve em Portugal foi liiogodeBar 
ros, filho de Gonçalo Nunes de Barros, senhor de 
Castrodayro e outras terras em tempo d*el-r<»i 
D. João L. Para a cerimonia da eleição do adail^ 
juntavam-se doze adais, os quacs debaixo de ju- 
ramento diziam se o clfito tinha os devidos re- 
quisitos para aqudle offieio; jurando que sim, 
armavam-n'o, e um dos principaes cavalleiroi lhe 
cingia a espada. Então elle desembainhando a, 
puuha-se sobre o escudo, e os doze o levantavam 
ao ar. Virava-se o eleito para o Oriente e, dando 
dois talhos coni a espada no ar, dizia; «Desafio 
em nome de Deus a todos os inimigos da té e do 
meu rei», e virando-se successivamente para os 
outras partes do mundo fazia o mesmo e proferia 
as mesmas palavras. Depois d'isto descia do es- 
cudo, embainhava a espada, e o rei lhe dava uma 
insignia, dizendo: «Concedo-te que sejas adail 
d*aqui por deante.» Entre os adais portuguezes 
merece particular memoria Lopo Barriga, que 
viveu em tempo d'el-rei D. João III, cujas valo- 
rosas acções o fizeram tão temido dos mouros, 
que corria entre elles como praga e maldição 
dizer-se: «Lançadas te doem de Barriga.» 

Adanaia. Pov. e freg. da Calhandriz, cone. e 
com. de Villa Franca de Xira. 

Adão (Joào). Um dos pctuguezes que no Indo- 
china auxiliaram, em 1537, o rei do Pegú, nas 
guerras que lhe faziam os seus visinhos mais po- 
derosos. Nas Lendaê da índia, de Gaspar Cor- 
reia, falla-se muito n*este valente guerreiro. 

Adão ( Vicenle Ferreira). Musico portuguez do 
feculo XVIII, na capella real de D. José e D. Ma- 
ria 1. Auctor de 2 sonetos, um dedicado a Fran- 
cisco Jgnacio Solauo, e outro á virgem, os quaes 
catão assiguados, por Vicente Ferreira Adão, cla- 
rim da casa real. 

▼OL. 1 — FL. 7 



Adão. Freg. da prov. da Beira Baixa, cone, 
com., dist. e bisp. da Guarda, 4õO alm,e 115 fog. 
Tem escola do sexo masc £* seu orago S. Bar- 
tbolomeu. |l Pov. da freg. d'Alqueidão da Serra, 
cone. de Torres Novas. || Ribeira, affluente do Côa. 
Adão Dnr&o. Pov. da freg. de S. 1 home das 
Lamas, cone. do Cadaval. 

Adão Liobo. Pov. da freg. e cone. do Cadaval, 
com. d*Alemquer. 

A da Rainha. Pov. de Portugal, com. e termo 
de Torres Vedras. 

Adarce. Pov. da freg. de Alverca, cone e com. 
de Villa Franca de Xira. 

Adarga. Appellido nobre em Portugal. Ar- 
mas: em campo azul cinco flores de liz de ouro 
em aspa. 

Adamal. Sitio, na freg. de Pomares, cone. de 
Barrancos. 

A da Rolla. Aldeia, na prov. da Extrcmadura, 
freg. de S. xMiguel do Milharado. 

A das Carreiras. Logar, na freg. de Car- 
voeira, cone. de Torres Vedras. 

A da Serra. Pov. na freg. de N. S.* da Con- 
solação de Cezimbra. 

A das >ovelÍa8. Pov. na freg. da Ribaldeira, 
cone. de Torres Vedras. 

Adaufa. Quinta, na freg. de Silguciros, cone. 
de Vizeu. 

Adaufe. Pov. na prov. do Minho, freg. de San- 
ta Maria, cone., com., distr. e arceb. de Braga, 
2:017 alm. 532 fog. Tem escola do sexo masc. 
Dista 5 k. da sede do cone Adaufe é palavra 
árabe Adalfe, que quer dizer adf/fe, pandeiro 
quadrado. Também pôde ser nome próprio de ho- 
mem, Adaulfo ou Adulfo, muito usado antiga- 
mente. Teve foral, que lhe foi conferido por D^ 
Affonso 111 em 12.Ô8. Nuno Odoris e sua mulher 
Aduzinda Viscoi, da família dos Souzas, fundara 
aqui em 1070 um convento de frades bentos, que 
estiveram nVlle mais de StiO annos, sendo depois 
reduzido a abbadia secular, e passado a eom- 
menda por D. Manuel. || Puas pov., uma na freg. 
dlArrifana, cone. da Feira, outra, na freg. de 
Moldes, cone. de Arouca. 

Adaval. Freg. na prov. do Alemtejo, cone. e 
com. do Redondo, distr. e arceb. d'Evora, 346 
alm. e 74 fog. Dista 24 k. d'Evora a 5 da sede 
do cone. e a 120 de Lisboa. Tem por orago S. 
Miguel 

Adavelha. Pov. da freg. de Fiãcs, cone. de 
Melgaço. 

Adayras ou Adairas. Logar na prov. da 
Beira, termo da villa de S. João do Monte. 

Adçamo. Pov. da freg. de Ventosa, cone. de 
Vousella. 

Adcolna. Povoação da regedoria de Órgão, 
no concelho de Poudá, districto, com. e arcebis- 
pado de Gôa, na índia. 

Ade. Pov. e freg. da prov. da Beira Baixa, 
cone. de Almeida, com. de Pinhel, distr. e bisp. 
da Guarda. Tem 198 alm e 52 fog. Dista a pov. 
5 k. da sede do cone. E' seu orago S. João Evan- 
gelista. II Ribeira na Beira Baixa, nasce na freg. 
de Sant*Anna da Serra na Asinha, junto á quinta 
de Perobullo. Secca no verão. Juntam-so a ella 
os ribeiros Adão e Lusello. Desagua no Côa, no 
logar de Seixo de Côa, e tem 18 k. de curso. Ade 
é corrupção de adem, pato. 

Adeam de Baixo e de Cima. Duas pov. na 
prov. da Extremadura, patriarc. de Lisboa. 

53 



ADE 



ADE 



Adeantado. Governador de terra com poder 
civil e militar. || Adeantado-mór^ dignidade equi- 
valente. || il(f«ar2Ía(ío vndr d'El-rei.\\ Adeantado- 
mór de cavallaria d^EUrei. Capitão general e 
íronteiro-mór. Esta dignadade, creada em Por- 
tugal no tempo de D. Affonso V, extinguiu se 
no reinado immediato. 

A de Garros. Logar na freg. de Penso, cone. 
de Sernancelhe. 

A de Chasco. Pov. na prov. do Minho, cone. 
d* Albergaria. 

Adedella. Pov. distr. de Vianna do Castello^ 
freg. de Fiâes, cone. de Melgaço. 

A de Formoso. Casal, na freg. de S. João dos 
Monres, <*onc. de Yilla Franca de Xira. 

Adefroia. Casal, freg. de Pombeiro, cone. de 
Arganil. || Quinta, na freg. de Cavernães, cone. 
de Vizeu. 

Adega. Pov. na freg. de Monte Redondo, cone. 
de Arcos de Valle de Vez. || Pov. na freg de San- 
to Quintino, cone. de Sobral de MonfAgraço. || 
Pov. na freg. de Felgueiras, cone. de Resende. 
II Pov. na freg. de Craísto, cone. de Ponte da 
Barca. || Pov. na freg. de Ancede, cone. de Baião. 
II Pov. na freg. da Graça, cone. de Pedrógão 
Grande. || Casal na freg. de Covellas, cone. de 
Baião, li Casal na freg. de MonfAlvo, cone. de 
Constância. || Quinta na freg. de Silvares, cone. 
de Louzada. || Casal na freg. e cone. de Lamego. 
II Casal na freg. de Tarouquella, cone. de Sin- 
fâes. II Casal na freg. da Carnota, cone. d' Alem- 
quer. I| Herd. na freg. d*Evora Monte, cone. de 
Êxtremoz 

Adega do Chão. Pov. da freg. de Cambres, 
cone. de Lamego. 

Adega Velha. Pov. da freg. de Real, cone. de 
Amarante. 

Adeganha. Pov. e freg. da prov. de Traz-os- 
Monte, cone. e com. de Moncorvo, dist. e bisp. 
de Bragança. 358 alm. e 81 fog. Existe n*esta 
freguezia um monte arborisado, a que chamam 
Castello- Velho, e no seu cume ha um montão de 
pedras, que se diz serem os restos d*um castellp 
de mouros. Presume-se que houve em tempos 
muito remotos, no sitio chamado N. S.* do Cas- 
tello, uma cidade de que não se sabe o nome, e 
da qual ha vestígios de muros arruinados. Tem 
foral que lhe deu D. Affonso 111 em fevereiro de 
1259. Foi do padroado real e era cabeça de uma 
commenda da ordem de Christo. Dista a pov. 12 
k. da sede do cone. A palavra Adeganha vem do 
antigo portuguez, que significava terras que se 
haviam tomado dos montes e que se reduziam á 
cultura. I! Pov. na freg. de Mesâo Frio, cone. de 
Guimarães. 

Adegas. Pov. na freg. de Vinhos, cone. de 
Fafe. II Pov. na freg. de S. Mamede de Negrellos, 
cone. de Santo Thyrso. |! Pov. na freg. de Sou- 
zello, cone de Sintães, || Pov. na freg. de France, 
cone. de Vizeu. || Pov. na freg. de Pedrogam Pe- 
queno, cone. da Certa. || Pov. na freg. de Mata- 
Câes, cone. de Torres Vedras. || Casal na freg. da 
Portella do Fojo, cone. de Pampilhosa da herra. 
II Pov. na freg. d'Arrifana, cone- de Poyares. || 
Pov. na freg. da Serra, cone. de Grândola. |) Pov. 
na freg. de Ventosa, cone. deTorresVedras. || Pov. 
na freg. de S. Luiz, cone. de Odemira. || Quinta na 
freg.de Penajoia,eonc.de Lamego. || Herd. na freg. 
e cone. d*Alvito. || Habitação na freg. das Amorei- 
ras, cone. d'Odemira. 

54 



Adegas d*BI-FeÍ. Casal, na freg. de Vau, 
cone. rt'Obido8. 

A de Geraldo. Casaf, na freg. d'Orvalho, 
cone. d*01eiros. 

Adegoiva. Pov. do cone. de Guimarães, freg. 
de S Vicente de Passos, distr. de Braga. 

Adegneiro. Pov. da freg. de Bouro, cone. de 
Amares. 

Adegoinha. Casal, na freg. e cone. de Grân- 
dola. 

Adeiojo. Logar, na freg. de Fornellos, cone. 
de Sinfães. 

Adeixeira oa Aderneira. Casal na freg. e 
cone. de Ferreira do Zêzere. 

A de Janho. Quinta, na freg. do Granjal, cone. 
de Sernancelhe. 

A de Justo. Aldeia da Extremadura, na freg. 
de Casaes, cone. de Thomar. 

Adela. Pov. da freg. do Colmeal, cone. de Góes, 

A de Martinho. Logar, na freg. de Vimieiro, 
cone. de Santa Combadlo. 

Adem. Cidade marítima da Arábia. Foi uma 
das mais opulentas antes dos portuguezes se 
apossarem do commercio das Índias pelo Cabo da 
Boa Esperança. Actualmente está feita pelos in* 
glezes uma praça de guerra de primeira ordem, 
que lhes dá como que a chave do Mar Vermelho, 
e tornou-se de novo um empório importante de 
commercio e porto de escala dos paquetes que 
passam por Suez. NVsta cidade se encheu de 
gloria o nome portuguez. Affonso de Albuquer* 
que, que sempre lhe reconheceu a importância 
estratégica e de porto magnifico, atacou- a em 
ibVá e u'ella fez invernar por algumas vezes as 
suas naus. 

Adómás. Sitio da freg. de Santa Crnz, cone. 
de S. Thiago do Cacem. || Habitação na freg. de 
Santo André, do mesmo concelho. 

Ademascos. Sitio i)a freg. Budens, cone. de 
Villa do Bispo. 

A de Meios. Quinta na freg. d'Arcozellos, 
cone. de Moimenta da Beira. 

Ademia de Cima, Ademla de Baixo. Pov. 
da freg. de Trouxemil, cone. de Coimbra. No car- 
tório municipal de Coimbra guardam-se varias 
cartas dos privilégios do mosteiro de Sauta Cruz 
da mesma cidade, passadas desde 1778 até 1802 
aos caseiros ou emphyteutes dos seus prazos no 
logar de Ademia. 

A de Moço. Logar, na freg. de Cambas, cone. 
d'Oleiro8. 

Adenda. Povoação situada a 65 kil. ao S. do 
rio Quanza, no cone. de Quissama, em Angola. 
A pequena distancia, na margem direita, corre o 
rio Bumbo, confluente do Longa, e ahi lia impor- 
tantes minas de sal. 

Adengaeiro. Casal na freg. de Monsanto, 
cone. de Idanha a Nova. 

A de Paalos. Herd. na freg. de Vasamonte, 
cone. de Monforte. 

A de Pisco. Aldeia, na prov. da Beira Alta, 
bisp. e com. de Vizeu, termo da villa do Sul. 

Aderneiras. Casal na freg. da Serra, cone. de 
Grândola. 

Aderneirinlia. Casal na freg. da Serra, cone. 
de Grândola. 

Aderneiro. Rio do Alemtejo, nasce nas her- 
dades das Cortes, perto de Beringel; chama-se 
rio Gallego, até chegar a Aderneiro, que fica a 
2 k. da sua nascente, e que lhe dá o nome até 



ADE 



ADO 



chegar a Âlgcda, onde entra no Sado com o nome 
de Algéda. 

Adernella. Casal, na fre^. de Travanca do La- 
gos, cone. d*01iveira do Hospital. j| Quinta ha 
freg. de Vale7im, cone. de Ceia. 

Ade vagar. Logar, na freg. d' Achete, cone. 
de Santarém. 

Adiça. Nome que se dava a uma celehre mina 
d ouro que existia entre Almada e Cezimhra, e 
que foi explorada desde o reinado de D. Sancho 
1 até D. Manuel. Era na época a principal mina 
d*ouro de Portugal, de grande utilidade publica. 
Chamavam- se adiceiros a iodos os homens que 
trabalhavam nas minas do reino. D'aqui se ma 
nifesta a razão porque os mouros chamaram Al- 
madan, ou castello da mina, á villa de Almada. 
Faltando logo nos principies do scculo xix o oiro 
do Brazil tratou-se de explorar novamente esta 
antiga mina, sendo encarregado da direcção dos 
trabarhos José Bonifácio de Andradii e Silva. 
Reconhecendo- se que a produção cobria as des- 
pezas, começaram as excavações em 4 de julho 
de 1814. Os gastos feitoç até fins de abril de 1815, 
com as pesquizas, edifícios, ferramentas,etc. foram 
de 3:301^810 réis e o producto, depois do metal 
fundido e afínado a 22 quilates e 1 '/2 grãos, de 
6:310^520 réis, seu valor intrinseco. Em 1832 
ainda entrou na Casa da Moeda, afim de ser re- 
duzido a dinheiro, algum ouro pertencente á mina 
do Príncipe Regente no sitio da Adiça || Serra 
do Alemtejo, com 12 k. de comprimento e 
9 de largo ; nasce na freg. de S. Pedro da 
Adiça e acaba na serra de Ficalho. A* distancia 
de l:.õOO m. do Ficalho ha uma cova com varias 
galerias, das quaes umas vão dar a uma fonte e 
outras ignoram-se onde terminam. Segundo a 
tradição, habitaram antigamente esta cova mon- 
ges solitários, morrendo o ultimo em 1720 Tem 
uma ramificação chamada «Serra da Abelheira.» 
Tem minas de ouro. 

Adiça oa Aldeia de Sobral. Fica na prov. 
do Alemtejo, cone. e com. de Moura, diátr, e bisp. 
de Portalegre; 210 fogos. Dista 155 k. de Lisboa 
e 75 k. d'h.vora. 

Adnodelro. Pov. da freg. de Moledo, cone. de 
Castro Daire. 

Adnaba. V. Adua. 

Adóa. Quinta, na freg. da Sé, cidade e cone. 
d*Evora. 

A do Alcaide. Si fio, na frt*g. de Urra, cone. 
de Portalegre. 

A do Baço. Logar, na freg. de Arranho, cone. 
d*Arruda dos Vinhos. 

A do Bello. Sitio na freg. d*Alegrete, cone. de 
Portalegre. 

Adobos. Logar, na freg. de Paião, cone. da 
Figueira da Foz. 

A do Gavallo. Logar, na freg. de Moreira de 
Bey, cone. de Fafe. 

A do Géa. Sitio na freg. de Urra, cone. de 
Portalegre. 

A do Geitas. Casal, na freg. e cone. d*Ourique. 
^ A do Coelho. Quinta, na freg. e cone. d*Ou- 
rique. 

Adôes. Pov. da freg. de Barcouço, cone. da 
Mealhada. 

A do Freire. Pov. na freg. d*Alqueidão da 
Serra, cone. de Porto de Moz. 

Adogòa. Pov. da freg. de Capelludos, cone. de 
Villa Pouca de Aguiar. 



A do Ledo. Pov. do cone. de Mertola. 

A do Lindo. Logar, na freg. de Moimenta, 
cone. de Sinfães. 

A do Longo. Pov. do cone. de Mértola. || Pov. 
no termo de Cintra. 

A do Matto. Aldeia na prov. da Extremadnra, 
com. de Torres Vedras. 

A do Mealha. Quinta, na freg. e cone. d'On- 
rique. 

A do Moco. Pov. da freg. da N. S.* da Conso- 
lação de Cezimbra. 

A do Meio. Aldeia,. na freg. e cone. de Villa 
Viçosa. 

A do Motta. Quinta, na freg. e cone. d*Ou- 
rique. 

A do Mourão. Pov. da freg. de S. Thia^o dos 
Velhos, cone. d*Arruda dos Vinhos. || Aldeia, na 
prov. da Extremadura, termo de Lisboa. 

Adon ou Abdon. Aldeia, na freg de Arnoia, 
com. e coDc. de Celorico de Basto. Tem o nome 
vulgar de Santoadon. Adon ou Abdon é a própria 
palavra hebraica Abdon e não corrupção de Adão, 

Adon de Baixo, Adon de Cima. Dois lega- 
res na freg. de Salreu, cone. d*£starreja. 

Adonares. Quinta, na freg. de Doruellas, cone. 
de Pampilhosa da Serra. 

Adonella. Pov. na freg. de Antime, cone. de 
Fafe. II Casal na freg. de Freixo de Baixo, cone 
d*Amarante. 

A dos Neves. Pov. do cone. de Mertola. 

A do Pereiro. Habitação na freg. de Lagares, 
cone. d'01íveira do Hospital. 

A do Rainha. Logar, na freg. de Carvoeiro, 
cone. de Torres Vedras. 

Adorâo Pov. da freg. de Dornellas, cone. de 
Pampilhosa. 

Adorde. Casal, na freg. do Espirito Santo, 
cone. de Mertola. 

Adoria. Pov. da freg. de Cerva, cone. de Ri- 
beira de Pena. 

Adorlgo. Pov. e freg. da prov. da Beira Alta, 
cone. e com. de Taboaço, distr. de Vizeu, bisp. 
de Lamego, 634 alm. e 175 fog. Dista a pov. 7 k. 
da sede do cone. E' Orago N. S • do Conduzendo. 

Adorno. Familia nobre portuguesa, proceden- 
te de Hespanha ou de Itália- Brazão incompleto; 
em campo de ouro, banda xadrezada de prata e 
ouro de três ordens. Ha outros do mesmo appel- 
lido, de brazão também incompleto; em campo 
azul, cinco ilôres de Hz de ouro em aspa, e con- 
trachefe faxado de prata e azul de seis peças. 

A do Rocha. Herd. da freg. de Santa Eulália, 
cone, d*Elvas. 

A dó Vigário. Sitio na freg. de Urra, cone. 
de Portalegre. 

A dos Alvares. Serra na prov. do Alemtejo, 
arceb d'Evora. 

A dos Arcos. Pov. da freg. de S. Lourenço de 
Arranho, cone, de Arcádia dos Vinhos. 

A dos Bens. Pov. no distr de Beja, cone. de 
Mertola. 

A dos Bispos. Pov. na freg. e cone. de Villa 
Franca de Xira. 

A dos Calças. Quinta, na freg. e cone. d*Ou- 
rique, 

A dos Corvos. Casal, na freg. da Serra, cone. 
de Grândola. || Casal, na freg. e cone. de Mer- 
tola. 

A dos Cunhados. Pov. e freg. da prov. da 
Extremadura, cone. e com. de Torres Vedras, 



ADO 



ÀDU 



distr. e patr. de Lisboa. 1507 alm. e 309 tog. ^ 
Dista a pov. 6 k. da sede do cone. Orago, N. S.* 
da Luz. 

A do Serra. Pov. na fíreg. d' Alegrete, cone. de 
Portalegre. 

A dos Fernandes. Casal, oa freg. e coqc. de 
Mertola. 

A dos Ferreiros de Baixo e A dos Ferrei- 
ros de Cima. Pov. da freg. de Préstimo, cone. 
d*Agueda. 

A dos Francos. Pov. e freg. da prov. da Ex- 
tremadara, cone. de Óbidos, com. das Caldas da 
Rainha, distr. de Leiria, p*atr. de Lisboa. 75i5 alm. 
e 309 fog. Dista a pov. 10 k. da sede do cone. 
Orago, S. Silvestre. || Pov. e freg. da prov. da Ex- 
tremadura, cone. da Lourinhã,, com. de Torres 
Vedras, distr. e patr. de Lisboa. 1507 alm. e 309 
fog. A pov. dista 6 k. da sede do cone, Orago, S. 
Lourenço. 

A dos Gallegos. Pov. da freg da Sapataria, 
cone. de Sobral de Mont*Agraço. 

A dos Loucos. Pov. da freg. de S. João dos 
Montes, cone de Villa Franca de Xira. 

A dos Mattos Casal, na freg. da Serra, cone. 
de Grândola. 

A dos Melros. Pov. na freg. d' Alverca, cone. 
de Villa Franca de Xira 

A dos Malhados. Pov. na freg. da Sapataria, 
cone. de Sobral de MonfAgraço. 

A dos Negros. Pov. e freg. da prov. da Ex- 
tremadura, cone. . d'Obidos, com. das Caídas da 
Rainha, distr. de Leiria, patr. de Lisboa. 8 >1 
alm. e 203 fog. Dista a pov. 6 k da sede do cone. 
E' orago Santa Maria Magdalena. 

A dos Neves. Casal na freg. e cone. de Mer- 
tola. 

A dos Nobres. Quinta na fâ'eg. e cone. d*Ou- 
rique. 

A dos Potes. Pov. na freg. d' Alverca, cone. de 
Villa Franca de Xira. 

A dos Ramos. Casal na freg. Via Gloria, cone. 
de Mertola. 

A dos Ruivos. Pov. na freg. de Carvalhal, 
cone. d'Obido8. 

A dos Sedas. Casal na freg. do Espirito San- 
to, cone. de Mertola. 

A dos Vargens. Casal na freg. Via Gloria, 
cone. de Mertola. 

A dos Vicentes. Casal na freg. do Espirito 
Santo, cone. de Mertola. 

Adoafe. Pov. e freg. da prov. de Traz os- Mon- 
tes, cone, com. e distr. de Villa Real, arceb. de 
Braga. 1428 alm. e 341 tog. Tem escolas de am^ 
bos 03 sexos. Por doaçílo de D. Sancho II, em 
1238, fez esta pov. parte da mitra bracarense. 
Dista a pov. 7 k. da sede do cone. Orago, Santa 
Maria. || Pov. da freg. de Gémeos, cone. de Ce- 
lorico de Basto. 

Adoarigo. Moinho, na freg. de Rio de Moinhos, 
cone. de Sátam. 

Adozeiros. Pov. da freg. de S. Thiago dos Ve- 
lhos, cone. d'Arruda dos Vinhos. 

Adozinda. Poema cm 4 cantos, do visconde 
d^Âlmeida Garrett,baseado sobre uma lenJa muito 
popular nas províncias do norte do Portugal. E' 
um trabalho notável pelo merecimento litterario e 
belleza do verso, em redondilha menor. 

Adrâo. Pov. da freg. de Valladares, cone. de 
Baião. II Pov. n.\ freg. de Villa Cova á Coelheira, 
cone. de Ceia. j 

56 



Adrejâes. Casal,- na freg. ^a Serra, cone. do 
Grândola. 

Adrião (Padre Pedro). Jesuíta portuguez, nat. 
de Lisboa, f. em 1713. Deixou alguns escriptos. 

Adrião (Santo). Freg. da prov. da Beira Alta, 
com. e cone. de Armamar, bisp. de Lamego. 70 
fog. No rio Tédo que passa n*esta villa, ha uma 
boa ponte de cantaria, junto á qual existem mi- 
nas de construcções muito antigas, e uma gale- 
ria que põe em communicação as duas margens 
do rio. Nas immediações tem apparecido sepul- 
turas cavadas na rocha. A capella de N. S.* do 
Saboroso está sobre a referida galeria. E' seu 
orago Santo Adrião. Foi da com. de Taboaço, 
distr. de Vizeu; desde 1855, pertence á com. de 
Armamar, do mesmo districto. || Pov. nas freg." 
de Cedrim, cone. de Sever do Vouga, e de Facha, 
cone. de Ponte de Lima. 

Adro. Povoações nas freg." de Darque, cone. 
de Vianna do Castello, na de Valdozende, cone. 
d í Terras de Bouro; na de Prazins (Santo Thyr- 
so), cone. de Guimarães; na de Zêzere, cone. de 
Baião; oa de Bitarães, cone. de Paredes; na do 
Fermedo, cone. d' Arouca; na de Souzello, cone. 
de Sinfães; na de Avões, cone de Lamego. || Ca- 
sal na freg. de Várzea, cone. de S. Pedro do Sul. 
II Quinta na freg. e cone. de Ferreira do Zêzere. 
H Habitação na freg. d'Alvite, cone. de Cabecei- 
ras de Basto. 

Adro Agadáo. Logar, na freg. d*Agadão, cone. 
d'Agueda. 

Adro das Candeias. Logar, na freg. d'Algu- 
ber, cone. de Cadaval. 

Adro da Egreja. Pov. da freg. de Santo Isi- 
doro, cone. de Mafra. 

Adro de Sangalhos. Pov. da (reg. de Sanga- 
lhos, cone. de Anadia. 

Adro de Santa Maria. Casal, na freg. da 
Beberriqueira, cone. de Thomar. 

Adrões. Pov. da freg. e concelho da Bata- 
lha. 

Adroia. Pov. da freg. de S. Martinho de Sar- 
doura, cone. de Castello de Paiva. 

Adsailm. Pov. pertencente á freg. de Benau- 
lim, cone. de Salsete, distr. de Gôa, Velhas Con- 
quistas, na índia. 

Adua. Certo imposto cm dinheiro, nos sécu- 
los IX ao XV, para com o seu producto se reparar 
e construir obras de fortificação necessárias á 
defeza d'uma terra. Também era de natureza cor- 
poral, obrigando-se as adàas, certas quadrilhas 
de gente plebea, a trabalhar nas obras militares. 
Serviço ou tributo, é certo que esta imposição 
chegou a ser excessiva, levando os povos a re- 
clamar, como se vc da carta de D. Affonso III 
dada em Coimbra a 28 de julho de 1265 e repro- 
duzida nas cortes de Santarém de 1284 em 27 de 
janeiro. || Pov. da freg de SanfAnna do Campo, 
cone. d'Arraiolos. 

Aduana ou Portagem. Sitio da freg. de Ara- 
menha, cone. de Marv«ào. 

Aduaros. Casal, na freg. e cone. de Mora. || 
Sitio, na freg. de Santa Cruz, cone. de S. Thiago 
do Cacem. 

Aduba V. Adua. 

Adufe. Pov. da freg. da Silva, cone. de Bar- 
cellos. 

Adufes. (Ribeiro dos). Nasce no Minho na setra 
de Refojos e a 2 k. da sua nascença morre no 
rio Lessa. 



ADU 



AfcT 



Adainha. Pov. da freg. de SanfÀnna do Caui- 
pOy cone. de Ârraiollos. 

Adam. Aldeia da rcgedoria do torofo de Bally, 
no cone. de Qaepém, distr. de Gôa, Novas con- 
quistas, na Índia. 

Advogado. Patrono que defende o direito de 
alguém perante o tribunal Segundo as Ordena- 
çvta o advogado havia de ter oito annos de es- 
tudo e para o ser na Casa da Supplicação leria um 
ponto. Na Casa do Porto bastava o grau da Uni- 
versidade. Nas correições ou devassas tanto |:)0- 
dia ser advogado o graduado por exame como o 
que tivesse os oito annos de estudo requeridos. 
O menor de 25 annos, graduado bacharel, podia 
advogar. Tendo sido advogado na Casa da Sup- 
plicação por quatro annos, podia ser tomado por 
desembargador do Porto. Âo fidalgo clérigo e 
aos religiosos nSo era licito advogar. Aos dona- 
tários das egrejas se dava também o titulo de 
advogado ou defensor. || Advogado de provirão. 
Pelo alvará de 24 de julho de 1713 podiam quaes- 
quer pessoas idóneas ser advogadas fora da corte, 
tirando a prorisâo competente, a qual era pas- 
sada pela Mesa do Desembargo do Paço, cujas 
attribuições^fôram depois conferidas por decreto 
de 2 de junho de 1830 para a Junta de Justiça. 
Pelo artigo 18 da carta de lei de 19 de dezem- 
bro de 1844, ficou competindo ao presidente do 
Supremo Tribunal de Justiça conceder no conti- 
nente do reino licença para advogar, quando nílo 
pudessem apresentar carta de tormatura. 

Advogado. Quinta, na 
freg. de Tortozendo, cone. 
da Covilhã. 

Advogados (Associação 
dos). V. este gome. 

Advoipale. Aldeia da re- 
gedoria do cone de Sanquc- 
lim, distr. de Goa, na índia. 

Advoy. Aldeia da cir- 
cumscripçâo militar de Val- 
poy, na prov. de Satary, dis- 
tricto de Goa, Novas con- 
quistas, na índia. 

A' Eira. Casal, na freg, 
de Santa Ovaia, cone. d*01i- 
veira do Hospital. 

Afaios. ^V. Affaes). 

Afeitai, Fetal da Char- 
neca oa Fetal da Serra. 
Dois casaes ou herdades da 
fre^. e cone. de Grândola. 

Afeitelra ou Feteira. 
Herdade, na freg. de S. Ro- 
mão, cone. de Montemor- o- 
Novo, distr. de Évora. 

Afeiteira ou Feteira de 
Cima. Ilerd. na freg. de CiIa<Jas, cone. de Villa 
Viçosa, distr. d'Evora. 

Aferidos. Azenha na freg. de Anna Loura, 
cone. de Kxtremoz, distr. d'P2vora. . 

Afey. Pov. na prov. do Douro e Minho. 

Affaes Pov. da freg. de Borba de Montanha, 
cone. de Celorico de Basto, distr. de Braga. 

Affe. Pov. da freg. de Mozellos, cone. de Pare- 
des de Coura. 

AfQfe. Pov. o freg. da prov. do Minho, cone, 
com. e distr. de Vianna do Castello, arceb. do 
Braga. 1360 alm. e 240 fog. Está situada n*uma 
planicie bastante fértil, na costa do Atlântico, 



e abrigada do N. e N. E. por uma serra pit- 
torcsca. Tem egreja com três naves. Sobre o rio 
de Affife atravessa uma linda ponte que foi 
construída em 1857. A primeira fundaç3o doesta 
ponte é de origem muito antiga, tem tido diver- 
'. sas reconstrucções, sendo a ultima a que se fez 
em 1857, para sobre ella passar a estrada de Lis- 
boa para o norte do reino. Próximo da pov. do 
! sitio chamado Cabanas, existe um antigo mos- 
teiro de bonedictinos, fundado em 570 por S. Mar- 
tinho, bispo de Dume. Di?em alguns que um sitio 
d'aqui ao N. E. da freguezia chamado Cividade, 
I era a Britonia dos romanos. Na Ossnra, sitio que 
fica no monte Cràsto, ha as minas d*um castello 
I a que o povo chama Crasto dos Mouros. Provém- 
' lhe o nome <ie Osstira, segundo diz a tradição 
; dos muitos ossos que ficaram aqui quando se 
I travou uma grande batalha entre o exercito 
dos lusitanos e o de Almaneôr, rei de Córdova, 
em 985. O mosteiro de S. João das Cabanas, de 
que falíamos, foi destruiih) pelos árabes em 710 
e reedificado pelo gallego Lopo Munhoz. Em 
I 188á passou a commendatarios, mas voltou outra 
vez para os bene.dictinos, com a condição de es- 
1 tes pagarem certa pensão aos frades Cartuxos de 
■ N. S.* do Valle de Lisboa. O edifício é todo do 
granito fínissimo explorado n*estes sitios. Vem- 
Ihc o nome de Cabanas^ porque os primitivos fra- 
; des viveram em grutas e depois rm cabanas es- 
palhadas pela serra visinha. Anterior ao convento 
j havia uma ermida. Tinha esta freguezia antiga- 




"f; J Ponte de Afflfe 

mente o privilegio de nao dar soldados, tinha, 
porém, a obrigação de defender a costa contra 
os ataques dos piratas. A' beira-mar vôem-se as 
minas d'um antigo forte, Affife tem escola do 
spxo masc, apeadeiro do caminho de ferro na 
linha do Douro e Minho, e estação postal permu- 
tando malas com Vianna do Castello. Dista a 
pov. 10 k. da sede do cone. E' seu orago, Santa 
Christina. Era antigamente padroado real, por 
I). AíFonso III, ter dado em 1262, metade d'esta 
egreja e da de Sá, em Ponte de Lima, á sé de 
Tuy, a cujo bispado não pertencia, em troca do 
padroado de Santa Maria da Vinha da Areiosa. 

57 



AFF 



AFF 



11 Serra va freg. do mesmo nome, chamada tam- 
bém de Santa Luzia» || Rio na prov. do Minho. 
Nasce na serra das Cabafias^ do sitio chamado 
Chão de- CoveUos. passa ao pó do antigo mosteiro 
de S. João das Cabanas e desagua no Oceano 
Atlântico, com 10 k. de curso. Tem quatro pon- 
tões nas aldeias de Loureiro^ Leura, Porto do Bio 
e Féal^ e uma ponte de pedra, além da que falía- 
mos, quando tratámos da freguezia sobro a es- 
trada real. Também lhe chamam rio das Cabanas. 
Desaguam n*elle três ribeiros. 

AfQnceraa. Sitio na freg. de Santa Cruz, cone. 
de S. Thiago do Cacem, distr. de Lisboa. 

Affcnseca (Haphael de Lemos de), N. em Lis- 
boa, em 1634; era filho de Leonardo da Costa 
Leal, escrivão de aggravos. Tomou o grau de ba- 
charel em direito civil na univers. de Coimbra 
em 1655. Por morte de sua mulher, tomou ordens 
de presbytero. Ignora se a data do fallecimento. 
Coutando apenas 22 annos, publicou a seguinte 
obra: Commento Portuguez dos quatro livros de 
Instituta do Imperador Justiniano^ ou breve resumo 
do Direito Civil. Com toda a doutrina e explica- 
ção dos textos^ opiniões dos doutores, limitações e 
ampliações do Direito commum e do reino y confir- 
madas com muitos togares da Sagrada Scriptura 
e Sanctos Padres, e corroboradas com varias deci- 
sões e casos julgados no supremo senado da Casa 
da SuppUcação, accommodadas com estylo practico 
aos titulos e paragraphos da Instituía. — Primeira 
e segunda parte. Lisboa, 1656. El curiosa a apre- 
ciação d'e8ta obra feita pelo auctor do Demétrio 
moderno e pelo auctor da Bibliotheca Lusitana. 
Este ultimo diz o seguinte: «<2o titulo da obra 
se conhece a grande erudição sagrada e profana , 
em quo era versado este auctor.» No Demétrio, 
lese: «Pôde applicar-se com justiça o Specla- 
tum admisi risum teneatis, amici de Horácio. Para 
tnetter compaixão e respeito do seu auctor, basta 
iêr-lhe o titulo tão extravagante. A' maneira de 
um enxame de abelhas, assim sâo os delirios pe 
riodicos e vicios em que superabunda.» O mesmo 
titulo serviu para bem desencontrados juizos. Ra 
phael de Lemos de Affonseca era cavalheiro da 
Ordem de Christo, advogado da Casa da Supplica- 
çao, etc. 

AfTonsim. Pov. e freg. da prov. de Traz-os- 
Montes, cone. e com. de Villa Pouca d'Aguiar, 
distr. de Villa Real, arceb de Braga. 366 alm. e 
71 fog. Dista Siò k. de Lisboa e 5 k. da sede de 
cone. Vem o nome de Aflbnsim de um individuo 
que foi senhor dVsta freg. E' seu orago, N. S.' 
Ua Assumpção, j' Pov. da freg. de Pedroso, cone. 
de Villa Nova de Gaya. j| Quinta, ua freg. de 
Mioma, cone. de Satam, distr. de Vizeu. 

Affonsinas ( Ordenações). Collecçâo de legisla- 
ção mandada compilar por D.João I, continuada 
no reinado de D. Duarte, e terminada no de 
D. Aifonso V, em 17 de jalho de 1446. NVste tra- 
balho collaboraram os jurisconsultos João Mendes 
e Ruy Fernandes, sendo o trabalho revisto por 
uma commissão composta d'este ultimo e dos dou- 
tores Lopo Vasques, Luiz Martins e Fernão Ro- 
drigues. Esta compilação fícou-se chamando Có- 
digo e ordenações d'el-rei D. Affonso V. Foi publi 
cada em 5 tomos, em Coimbra no anno de 171)2, 
por mandado e diligencia de D. Francisco Ra- 
phoel de Castro, principal da Santa Egrcja de 
Lisboa, e então reitor e reformador da Univer- 
sidade. A direcção e cuidado da impressão foram 

58 



commettidos ao lente substituto da faculdade de 
Leis, Luiz Joaquim Correia da Silva, de quem é 
a prefação posta no começo do tomo i. V. Orde- 
nações Manuelinas, Fiíippinas t Vicentinas, etc. 
AffoQSO I, o Conquistador, Fundador da mo- 
narchia portugueza e um dos vultos mais notá- 
veis da nossa historia o da historia da Edade 
Media; era mais conhecido pelo nome patroní- 
mico de D. Affonso Henriques. Seu pae, o condo 
de Borgonha D. Henrique, viera a Hespanha au- 
xiliar el-rei D. Affonso VI, de Leão, na guerra 
contra os infiéis, e D. Affonso, ficando victorioso, 
concedeu-lhe em recompensa a mão de sua filha 
illegitima, D. Thercza, e o governo das terras de 
Portugal. D. Henrique era ambicioso^ e não tar- 
dou a conseguir o ficar indiependente da espécie 
de suzerania, que pesava sobre elle. D. Affonso 
Henriques n. em Guimarães, em 1111, onde tem 
um monumento (Y. Guimarães) e até aos 12 
annos esteve entre^j^ue aos cuidados de seu 
aio, Egas Moniz, honrado e lealissimo caracter 
que tantas provas lhe deu de dedicação e amor. 
Aos 14 annos foi armado cavalleiro na cathedral 
de Samora. Por morte de seu pae, tendo D. Af- 
fonso apenas 3 annos, D. Thereza ficara gover- 
nando Portucale durante a sua menoridade. Sendo 
ambiciosa, esforçava-se por subtrahir os seus es- 
tados á suzerania de I^eão; d*aqui resultaram 
grandes luctas, em que o espirito da independên- 
cia, que sempre tinham manifestado os barões do 
sul do Minho, auxiliou poderosamente as suas 
vistas ambiciosas. D. Thereza, porém, deixou-se 
captivar pelo prestigio d'um fidalgo gallego, 
D. Fernão Perez, conde de Trava, e os projectos 
d'ambicão tomaram ura caracter mais pessoal. O 
conde ae Trava insinuou-seno espirito de D. The- 
reza, pretendendo desposai -a para assim desapos- 
sar o joven Affonso Henriques dos estados que 
de direito lhe pertenciam. D. Affonso, apesar dos 
seus verdes annos, e que não vira nunca com 
bons olhos os amores de sua mãe, tornou- se chefe 
do movimento revolucionário, preparado pelos 
fidalgos, verdadeiros e leaes portuguezes, que 
exigiam a conservação da sua independência. 
D. Afibnso VII, rei de Leão, que succedera a seu 
pae, D. Affonso VI, não desistindo do intento do 
conservar a suzerania sobre os estados de Portu- 
cale, aproveitou o ensejo, para o invadir em som 
de guerra, cercando exactamente Guimarães.Esta 
invasão veiu perturbar d'algnma forma os dois 
partidos, o do D. Thereza e o de seu filho, e acir- 
rar ainda mais os ânimos; o joven príncipe por- 
tuguez, vendo-se a braços com a guerra interna, 
não desejava envolver- se em conflictos externos, 
e por isso, querendo verse livre o mais breve 
possível do seu adversario^prometteu tudo quanto 
elle exigia, empenhando h^gas Moniz a sua pala- 
vra em como a promessa seria cumprida. D. The- 
reza também accedeu ás suas exigências, D. Af- 
fonso retirou se tranquillamente para os seus 
estados. Ent^o, tornou-se ainda mais encarniçada 
a guerra entre os dois partidos; e estando D. The- 
reza em Guimarães com o conde de Trava,D. Af- 
fonso Henriques marchou contra elles, seguido 
pela maior parte dos fidalgss portuguezes. O 
conde do Trava sahiu-lhe ao caminho com o seu 
exercito nos campos de S, Mamede, onde se deu 
renhida batalha, em que ficou victorioso o joven 
priucipe, sendo expulsos do reino D. Thereza e o 
conde de Trava. Esta batalha deu se em 1128. O 



APF 



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enthuBiasmo levou então D. Affonso Henriques a 
esquecer a promessa feita pelo seu aio, mostran- 
do-se resolvido a não a cumprir Egas Moniz en- 
tendeu que ora preciso uma victima expiatória, 
para não manchar a aurora ao novo reino, e foi 
apresentar-se ao rei de Leão, acompanhado de 
sua mulher e filhos, offerecendo-lhe a sua vida e 
a de todos os seus, para resgate da sua fé. D. Af- 
fonso VII in»pressionou-8e muito com a grandeza 
doesta dedicação e honradez, e despediu o cavai- 
leiro, incólume e livre, dando-lho provas do 
ff rande apreço que lhe merecia. Nas guerras com 
Leão e as luctas, tanto internas como externas, 
que teve de sustentar, dominado pelo pensamento 
de consolidar a independência de Portugal, adqui 
riu D. Affonso 
Henriques a fir- 
meza e o heróis- 
mo, que depois 
tão b r i Ihante 
mente se haviam 
de affirmar e que 
tantos respeitos 
lhe c o n q uista- 
ram. Emqnanto 
se entretinha cm 
combates contra 
08 leonezes, fi- 
cando quasi sem- 
pre V e n c e d or, 
soube que os 
musalmanos ha- 
viam invadido os 
seus estados. Pe- 
la primeira vezse 
viaobrigadoaoc- 
cupar-sed^esses dominadoresdapeninsula; osmou- 
ros haviam tomado Leiria, derrotado os christãos 
em '1 homar, e tinham chegado quasi ás portas de 
Coimbra. Esta circumstancia obrigou o joven 
priucipe a pedir pazes a seu primo, D.Affonso VIL 
Então fortificou a parte do sul do reino, e par- 
tindo para o Alemtejo, deu a celebre batalha 
d'Ourique, em 1139, em que o seu valor e a sua 
extraordinária valentia se affirmaram d'um modo 
heróico. Os nossos historiadores quizcram, que 
n*esta batalha fosse D. Affonso acclamado rei, 
pelos soldados enthusiasmados. Mas as datas op- 
põem-se, porque o combate de Ourique deu- se 
em julho de 1139, e ha um documento de 1 d'ou- 
tubro doesse anno, em que D. Affonso Henriques 
recebe ainda o tratamento de infante. O facto é 
que, desde o principio* do seu governo, os súbdi- 
tos foram pouco a pouco habituando- se a tra- 
tal-o como rei, mas em 1140 é que principiaram 
a apparecer documentos repetidos, tratando-o 
como rei de Portugal. A ambição de D. Affonso 
era a realeza, mas o seu primo, D. Affonso VII, 
não queria de forma alguma reconhecel-o como 
rei. Em 1143, dirigiu-se então ao papa Innocen- 
cio II, declarou Portugal tributário da Santa Sé, 
com o censo annual de 4 onças de ouro, e reclamou 
para a nova monarchia, em troca, a protecção 
pontifícia. O papa accedeu. Ainda a^sim D. Af- 
fonso VII, assignando depois em Samora a paz 
com seu primo, nào lhe reconheceu a realeza, mqs 
não protestou contra o titulo de rei, que elle to 
mava na escriptura, a que assistiu o legado do 
papa,8anccionando com a sua presença a aurora da 
nova monarchia. A coroa estava finalmente conso- 



D . Affonso I 



lidada na fronte de D.AÔonso Henriques. Tinham- 
lh*a offerecido nas pontas das espadas os seus va- 
lentes cavalleiros,collocara-a elle audaciosamente 
sobre a cabeça com as mãos victoriosas, e iocli- 
nando-a levemente deante da thiara, asspgurara- 
Ihe a inviolabilidade, garantida pelos raios pro- 
tectores do Vaticano. D. Affonso, vendo conquis- 
tada definitivamente a independência de Portu- 
ga', ambicionou augmentar o território, apertado 
em limites estreitíssimos. Cingido ao norte e a 
leste pelo reino de Leão, ao occidente pelo oceano, 
Portugal só podia ampliar se para o sul á custa 
de renhidas batalhas e porfiada lucta. Começou 
então uma serie de conquistas, qual d*ellas mais 
valentemente disputada aos mouros. Em 1147 é 
Santarém tomada por surpreza; durante 22 annos 
de 1147 a 116^, houve continuas invasões na pro- 
víncia d*Alcacer do Sal; a cidade é que sempre 
resistia, cahindo afinal nas mãos dos portuguezes 
em 1158. Desde essa data até 1169, a vida de 
D. Affonso Henriques foi uma serie de combates 
em que sempre sahia vencedor; á conquista de 
Lisboa, seguira -se a de Santarém; as villas de 
Palmella, Almada e Cintra, cahiram em poder do 
novo rei, que em breve se tornou também senhor 
de todas as terras entre o Mondego e o Tejo; 
Beja foi tomada em 1162, Évora, Moura, Serpa e 
Cezimbra, em 1166; continuou sempre comba- 
tendo, apesar de já muito adeantado em annos, 
tendo por companheiros esforçados hoinens des- 
temidos como Martim Moniz, Giraldo sem pavor, 
Gonçalo Mendes da Maia, Fernando Gonçalves, 
etc. O periodo das gloriosas façanhas militares do 
fundador da monarchia encerra-se epicamente 
com a heróica resistência d^ Santarém e Lisboa, 
em 1184, contra a invasão do emir-Iussuf-Abu- 
Jacub, morto com uma lançada, quando atraves- 
sava o Tejo, por D. Sancho, filho de D. Affonso 
Henriques. O grande conquistador Casara cm 1146 
com D. Mafalda, filha de Amadeu II, conde de 
.Marianna e Saboya; f com 74 annos a 6 de de- 
zembro de 1185. Dizem os historiadores que era 
de estatura athletica e porte magestoso.lundou 
o convento de Santa Cruz de Coimbra, onde jaz 
sepultado. Santa Maria d'Alcobaca, 8. João Ba- 
ptista de Tarouca, e S. Vicente ae Fora em Lis- 
boa. Fundou duas ordens militares, a da Ala, 
que já não existe; e a de 6'. fíento de Âviz; intro- 
duziu em Portugal os cavalleiros da Khodes, e co- 
meçou a ponte de Coimbra. 

Affcnso II, o Gordo, 3.° rei de Portugal. Nas- 
ceu^ em Coimbra a 23d'abril de 1185; era filho de 
D. Sancho I e de D. Dulce, filha de D. Raymun- 
do Berenguer, conde do Barcelona Foi accla- 
mado, por morte de seu pae, em março do 1212. 
Se a missão de D. Affonso I foi conquistar, em 
grande parte, o território da monarchia, a de D. 
Sancho i e de D. Affonso II foi robustecer o poder 
real, e defender a coroa contra as preponderan- 
cias dos fidalgos, contra as invasões da cúria e 
as ambiciosas pretensões do clero. Para que o 
reino se consolidasse e firmasse definitivamente 
a sua existência, precisava ter uma forte unidade, 
e essa unidade só lh*a podia dar o septro real. 
Se o novo paiz se decompuzesse em pequenas so- 
beranias feudaes. Leão não tardaria a absor- 
vel-o outra vez gradualmente; porém a energia 
de D. Sancho I e de D. Affonso II impediram 
que assim succedesse. No entretanto, torna se 
deveras notável, que D. Sancho, sendo tão cioso 

59 



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I>. AltuUau 11 



do poder real, despedaçasse no seu testamento a 
unidade que tanto robustecera, e esbanjasse os 
dinheiros accumulados pela sua economia e até 
avareza; pouco sofiPredor da independência nos 
fidalgos e no clero, roubava á soberania do seu 
descendente varias terras do reino para as doar 
a suas filhas. D. Âffonso, subindo ao throno, teve 
de desobedecer á vontade do pae, para continuar 
a consolidação do poder real, a que elle tinha 
ainda mais enraizado apego do que o próprio D. 
Sancho, consequências da educação que recebera 
do chanceller Julião e dos sentimentos astuciosos 
e dissimulados que herdara de seu pae. O pri- 
meiro acto notável do seu reinado consiste na 

reunião solemne 
que celebrou em 
Coimbra, com o 
fim,n5osóde con- 
solidar as immu- 
nidades de que já 
gosava oclero,mas 
também de as au- 
gmentar c desen- 
volver. D. AfFonso 
prccisavadaEgre- 
ja, e por isso que- 
ria estar nas suas 
boas graças. N*es- 
ta conformidade, 
cumpriu immedia- 
tamente, e de pre- 
ferencia, os lega- 
dos queseupae lhe 
tinha deixado. Mas levando ao extremo a sua re- 
sistência ás vontades paternas, começou por ne- 
gar aos irmãos até a parte pecuniária que lhes 
pertencia como herdeiros. D'ahi proveiu o des- 
contentamento dos infantes D. Pedro e D. Fer- 
nandr, que sahiram do reino e foram ofterecer os 
seus serviços, o 1.*» á corte de Leão, o 2.<* á corte 
de França. Livre dos irmãos, D. Affouso II tra- 
tou de descontentar da mesma lórma as irmãs, 
D. Thereza, a quem ficara o senhorio de Monte- 
mor e Esgueira, D. Sancha a quem cabia o de 
Alemquer, e D Mafalda, a quem pertencia o pa- 
droado dos mosteiros de Arouca, Bouças e "^ujas. 
I) Aifonso II contestou o direito, em virtude do 
qual seu pae instituirá estea legados. D. Mafalda 
absteve-se de demandas o pleitos, cedendo os ti- 
tulos á herança em favor da ordem dos hospita- 
leiros, reservando para si o usofructo; e a ordem 
proseguiu nos termos da demanda. D. Thereza e 
D. Sancha, porém, sustentaram os seus direitos; 
invocaram o auxilio dos cavalleiros, já descon- 
tentes do rei, e promptos a quebrarem a lança 
em honra das damas. A ordem dos hospitaleiros, 
representante, em virtude da doação, dos inte- 
resses de I>. Mafalda, appellou para o papa. D. 
Affonso acceitou o juiz, enviou um agente para 
advogar a sua caUsa, mas, por precaução, foi-se 
apoderando das propriedades em litigio. Dos 
mosteiros tomou posse sem discussão, mas os 
castellos mostraram aspecto bellicoso, e D. Affon- 
so, ou porque se não atrevesse, ou porque não 
quizesse chamar sobre si o odioso da guerra ci- 
vil, desistiu dos seus intentos. D. Thereza e D. 
Sancha, senhoras dos seus castellos, responde- 
ram com altivez ás pretenções do irmro, o qual, 
vendo que a questão tomava um grave aspecto, 
conformou-sc a condições mais moderadas, recla- i 

60 



mando então somente o que era extremamente 
justo, o direito de nomear alcaides dos castellos, 
deixando ás infantas o usoíructo dos rendimen- 
tos; esse direito era como um privilegio da reale- 
za, mas as irmãs recusaram obstinadamente, e 
chamaram ao seu partido os cavalleiros portu- 
guezes foragidos em Leão para que se preparas- 
sem a resistir á mão armada. Por este tempo, D. 
Affonso II, como todos os reis christãos ia penín- 
sula, era convidado por D. Affonso VIII, deCas- 
tella, a auxiliar a Hespanha na guerra contra os 
musulmanos. O monarcha portusuez acceitou o 
convite, e mandou em soccorro d aquelle paiz o 
melhor do exercito. D. Affonso IX, de Leão, po- 
rém, não só se recusou a tomar parte n*esta colli- 
gação, como aproveitou a opportunidade para 
adquirir algumas terras. Ao mesmo tempo os fo- 
ragidos, que tinham tomado a si a defesa das 
infantas, batidos por L). Affonso, invocaram o au- 
xilio do rei de Leão, o qual transpunha as fron- 
teiras portuguezas, derrotando em vários recon- 
tros as poucas forças que o rei de Portugal lhe 
podia oppôr. A batalha das Navas de Tolosa, em 
que os musulmanos ficaram completamente der- 
rotados, livrou a Hespanha de novas invasões 
dos infiéis. D. Affonso XI viu-se então obrigado 
a ser mais moderado, porque Portugal já lhe po- 
dia resistir com as tropas victoriosas das Navas 
de Tolosa, e D. Affonso VIII, de Castella, não se 
mostrava com muito boas disposições para com o 
seu parente, que o abandonara completamente 
aos inimigos. A luctade D. Affonso II com as ir- 
mãs ainda durou por longo tempo, até que os con- 
tendores appellaiam para a jurisdicção do papa, 
o qual decidiu que o domiuio das terras ficaria 
pertencendo ao rei e o rendimento ás infantas. 
Para isso foi preciso que Portugal pagasse 28 
annos atrazados do censo em que D. Affonso I 
fizera o reino tributário de Roma, e que só pa- 
gava quando os nossos reis precisavam da cúria. 
D. Affonso II era enérgico como seu pae e como 
seu avô, mas não tiuha o ardor bellicoso que 
aquellos dois monarchas sempre mostraram. Con- 
tra o costume da sua época, as suas tropas com- 
bateram sempre sem verem o rei á sua frente; 
não era, porém, por corbadia, era porque, mais 
desejoso de fortificar o poder régio do que de di- 
latar o seu território, reservava toda a sua ener- 
gia para as grandes luctas politicas e diplomáti- 
cas, em que esteve empenhado toda a vida Em 
1217 veiu illustrar-lhe o reinado uma expedição 
gloriosa contra Alcácer do Sal, que os musulma- 
nos tinham reha vido. Ajudados pela cruzada do rei 
da Hungria, ordenada por iniciativa do papa Ho- 
nório III, pela expedição dos condes de HoUanda 
e de With, que arribara a Lisboa, e pelos ca- 
vallerroB das ordens militares, que acudiram á 
voz dos bispos de Lisboa e de Évora, os portu- 
guezes pozeram cerco por mar e por terra a Al- 
cácer do bal, praticando actos de valor quasi so- 
brehumanos. A lucta foi muito renhida, até que 
no fim de dois mezes, a praça se rendeu a 17 de 
outubro. D. Affonso, comtudo, tinha o animo tão 
pouco bellicoso, merecia-lhe tão pouco cuidado a 
sorte das armas, que se tornava como extranho 
a todas as gentilezas d*este feito, a todos os pro- 
dígios d*este valor. Era tempo para que os factos 
provassem o que havia de sincero ou de conven- 
cional nas indicações do rei para com a egreja 
romana. Em quanto os seus vassallos reconquis- 



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tavam ' Alcácer do Sal, D. Afibuso percorria o 
norto do reino, fazendo confiimações, quer dizer, 
confirmando as doações feitas pelos reis seus an- 
tecessores, sem o quilhes nSo reconhecia vali- 
dade. Este principio estabelecido por D. Affonso 
e imposto pela sua inergia aos reluctantes fidal- 
gos, foi o golpe mais fundo que se vibrou em 
Portugal ao feudalismo, quer dizer, tornou- o 
absolutamente impossivel. Até então, D. Affonso 
precisara da Egrcja, nas luctas contra as irmãs, 
e por isso evitara ter com ella as mais ligt^iras 
questões, porém, agora era difierente ; o seu 
ciúme pela authoridade real, e a firme resolução 
em que estava, de a impor a todos os súbditos, 
tivessem ou não immunidades ecclesiasticas, tor- 
nava inevitáveis essas questões. A discórdia não 
se fez demorar. Os ecclesiasticos encolerisaram-se 
pela maneira audaciosa com que D. Affonso exi- 
gia ti ibutos do clere, e os obrigava a comparecer 
nos tribunaes civis, e lançava as bases dos prin- 
cípios da desamortisação, probibindo que as egre- 
jas e os mosteiros fossem adquirindo novas terras. 
O arcebispo de Braea fulminou o rei com a ex- 
communbão, a que D. Affonso respondeu, orde- 
nando aos seus ofliciaes que devastassem as ter- 
ras do arcebispo, e permittindo aos burguezes de 
Braga que tratassem as suas propriedades como 
pais conquistado. O arcebispo fugiu do reino, 
mas appellou para o papa, que excommungou tam- 
bém o rei, ameaçandoo de o privar do thiono, e 
desobrigar os seus súbditos de juramento de fi- 
delidade. A ameaça era terrível. Ainda então se 
poude sentir quanto a Egreja era poderosa, e 
quanto era perigoso affrontal-a. Martim Sanches, 
bastardo de D. Sancho I que estava ao serviço 
de Leão governando os districtos de Toronho e 
de Limia, fronteiras de Portugal, aproveitou a 
cxcommunhão do papa, e invadiu victoriosamente 
a província do Minho; o rei de Leão apossou-se 
de Chaves, as infantas fizeram renascer as suas 
pretenções, e dentro em breve, atiçava-se por 
toda a parte a guerra, accesa pelos raios de Roma. 
Emquanto isto se passava, os dominicanos e os 
franciscanos, ordens recentemente estabelecidas 
com o fim de reformarem oa costumes monásticos, 
escandalosamente dissolutos, começavam as suas 
predicas de propaganda n'estes rciaos. D. Affonso, 
contra as aspirações do clere e a piedade do fa- 
natismo dos povos, permittiu a continuação d*es- 
tas missões fradescas. Como se tudo isto ainda 
fosse pouco, como se não julgasse ainda suf- 
ficícntes as difficuldados que levantara contra 
si, D. Affonso ordenou, em 1220, as inquirições 
sobre os direitos territoriaes, direitos que não 
poderiam ser justificados, mas que para evitar 
males maiores, haviam sido tolerados pelos dois 
monarchas, que o precederam. Nos ultimes annos 
da sua vida, deu-se começo a negociações com a 
corte de Roma para se resolver a questão entre 
o rei e o arcebispo de Braga, mas essas negocia- 
ções não chegaram a crncluir se por causa do 
fallecimcnto do rei. Quasi nas vésperas da sua 
morte,* D. Affonso permittiu que o arcebispo vol- 
tasse para o reino, avergado ao peso d*uma carta 
do pontífice que, ao mesmo tempo levantava as 
exeommunhões ao monarcha. D. Affonso II casara 
em li08,com D. Urraca, filha de D. Affonso VIII, 
de Castella; f. em 25 de março do 1223. Esta se- 
pultado em Alcobaça. 

Affonso III, o Bolonhezy 5.<» rei de Portu- 

VOL T. — FL. 8 




-*Jiirr j£ 



D. Affonio III 



gal, n. em Coimbra, a 5 de maio de 1210; era 
2.» filho de D. Affonso II, e de D. Urraca, irmão 
de D. Sancho II, que subira ao throno ainda 
creança. D. Affonso, sendo também creança, as- 
sistira aos tumultos que assignalaram a menori- 
dade do seu irmão, tumultos em que a nobreza, 
contida pela mão de ferro de D. Affonso, seu pae, 
se desforrava amplamente da pressão que soffre- 
ra, dilacerando o poder régio com as suas mãos 
calçadas de guantes de ferro. Quando chegou á 
edade viril, o infante D. Affonso, ou porque ti- 
vesse génio naturalmente aventureiro, ou porque 
os ministros d'el-reí, seu irmão, vissem n'elle um 
elemento poderoso, de que os nobres podiam fa- 
cilmente lançar 
mão em qual- 
quer futura re- 
volta, o infante 
D. Affonso par- 
tiu em 1227 para 
França, onde foi 
muito bem re- 
cebido por sua 
tia, a rainha I). 
Branca, irmã de 
sua mãe. Em 
1238, casou com 
D.Mathilde, con- 
dessa de Bolo- 
nha, viuva de 
Filippe o Cres- 
po^ ficando por 
esse facto conde 
soberano e feudatario e vassallo de Luiz IX, 
a quem acompanhou na guerra contra Hen- 
rique III, de Inglaterra, distinguindo-se muito 
na batalha de Saintes, em 124H Emquanto com- 
batia em França, e administrava o condado do 
Bolonha, armavam-se em Portugal novas tempes- 
tades, e o bispo do Porto, Pedro Salvadores, e o 
arcebispo de Braga, Silvestre Godinho, dirigiam 
ao rei as mais severas accusações. D. Sancho, hu- 
milhava-se ante osprelador, faltavalhe a energia 
de seu pae e de seu avô; a sua fraqueza ainda 
mais animava a rebeldia dos seus súbditos eccl<%- 
siasticos, que pediam incessantemente ao papa 
Innocenoio IV, que lhe tirasse o governo do paiz. 
Tomando esta difinitiva rosolução, os dois pre- 
lados portuguezes procuraram entre os parentes 
do monarcha, quem lhe quizesse acctitar a he- 
rança. Lembraram-se do infante D. Affonso, 
conde de Bolonha, que, sendo ambicioso, facil- 
mente se deixaria vencer. Travaram-se relações 
com o infante, e nos fins de 1244 e princípios de 
1245, celebraiam-se entre D. Aftonso e os prela- 
dos os preliminares doesse pacto indecoroso, que 
tornou o infante regente do reino, e que o papa 
sanccionou, excommungando D. Sancho e privan- 
do-o de reinar. D. Afonso precisava d'um pre- 
texto para vir a Portugal, porque não podia des- 
embarcar em Lisboa em som de guerra sem um 
motivo qualquer. Innocencio IV deu-lheesse pre- 
texto, expedindo umas bulias, convidando-o a to- 
mar a cruz das guerras santas. A esquadra que 
trouxesse D. Affonso, entraria em Lisboa, como 
em geral faziam todas as frotas do cruzados, e o 
primeiro passo estava dado, sem despertar sus- 
peitas em D. Sancho II. O acaso esteve quasí 
transtornando estes planos, porque Luiz IX pre- 
parou se deveras para uma cruzada, e D. Afibnso, 

61 



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como seu fcudatario, viu- se obrigado a acompa- 
uhalo. Foi ainda lunocencio IV quem lhe valeu, 
ezpedindo-lhe nova bnlla em que designava a 
Hespanha em ffuerra com os sarracenos, para 
campo de bataloa onde poderia cumprir o seu 
voto. Esta nova resolução auctoriíava o papa a 
outhorgar indulgências aos soldados pof tuffuezes 
que se unissem a D. Âífbnso. Antes, porém, da 
partida, o alto clero fez- lhe sentir bem, que era 
só a elle que devia o ir cingir a coroa. O bispo 
do Porto, o de Coimbra, e o arcebispo de Braea, 
foram de propósito a Paris, onde então residia 
D. Affonso, e ahi lhe impuzeram condições bem 
humilhantes, que elie acceitou sem hesitação, 
reservando-so, porém, in menU, o direito de as 
violar. O que D. Aftbuso desejava, era estar de 

{»osse do poder tão cubicado. Partiu afinal para 
jisboa, onde chegou no principio do anuo de 
1346. Muitos fidalgos, que se tornaram seus par- 
tidários, vieram logo ter com elle. Lisboa, já con- 
siderada uma das principaes do paiz pela impor- 
tância que lhe dava o desenvolvimento do seu 
commercio, declarou-se a seu favor, o mesmo fi- 
zeram muitas terras do reino, para o que con- 
correram também os dinheiros que D. Affònso 
encontrou no thésouro publico, em Lisboa, e que 
empregou em corromper alcaides de castellos e 
governadores de villas o cidades, porque se doesta 
desgraçada época sobreviveram alguns exemplos 
de lealdade, entre os quaes se nota o de Martim 
de Freitas, passaram á posteridade muitos no- 
mes do traidores. Porém, a guerra que se travou 
entre os partidários do condo de Bolonha, que 
tomara o titulo de visitador e airador do reino, 
e 08 partidários de D. Sancho II, não foi de tão 
pouca importância, como se podia suppôr pela 
exposição dos preladas ao papa, em que se apre- 
sentava todo o reino indignado coutra o eoverno 
do rei legitimo. D. AflFònso receava que 1). San- 
cho tivesse um filho de sua esposa, D. Mecia Lo- 
pes de Haro, porque não tendo sido proclamada 
a deposição do rei, passaria a coroa para seu fi- 
lho, e elle fora apenas nomeado curador e re- 
gente. Com esses receios provavelmente se pren- 
e o rapto da raiuha, coutado pelo Nobiliário. O 
infeliz monarcha, abandonado por sua esposa, por 
seus parentes, pois todos se haviam declarado 
contra elle, pediu auxilio ao príncipe de Cas- 
tella, que depois foi D. Affonso V, e esperou que 
por sua intervenção, lunocencio IV não promul- 
gasse a bulia de deposição. Nada conseguindo 
e não qiierendo indispôr-se com a corte de Roma, 
D. Sancho, tendo já perdido todas as esperan- 
ças, rtítirou-se finalmente para Castella, indo re- 
sidir em Toledo, onde mom u em janeiro de 
IHH. D. Affonso foi então solemnemente accla- 
mado rei de Portugal. O seu primeiro pensa- 
mento ao assumir o governo, foi n parar os es- 
tragos das succcssivas guerras civis, e concluir 
a missão dos reis da sua raça, a de ampliar até 
ao oceano a monarchia portu^ucza. D. San- 
cho, caracter a um tempo bellicoso e fraco, 
firmara o domiuio portuguez no Alemtejo e 
chegara a levar ao Algarve as suas hostes 
Victor iosas. As ordens militares haviam pro- 
seguido nas suas emprezas, e nas duas extre- 
midades do Alemtejo salteavam frequentemente 
as terras musulmanas do Algarve. D. Af- 
fonso III resolveu concluir a conquista. Se- 
guiu se então a expedição do Algarve, que 

62 



flbrangen os annos de 1249 e 1250, involvendo 
Portugal em grandes difficuldadcs com Castella. 
Foi porfiada a lucta em que D. Affonso chegou a 
ter contra si as vozes de 7 prelados portuguezei, 
vozes que resoavam tão eíficazmente no Vaticano, 
que mais tarde, em 1277, parecia ainda faze- 
rem se ouvir na Isulla De regno Portugalioí, de 6 
de fevereiro. Tentando restabelecer a segurança 
publica e a inviolabilidade dos vassallos e dos 
seus bens, reuniu uma conferencia solemnc em 
Coimbra, em janeiro de 1*251, em que apenas se 
tornou prohibitiva a faculdade de roubar, e se 
adoptaram algumas outras deliberações menos 
importantes, que no entretanto, ficaram do ne- 
nhum effeito, porque D. Affonso X, de Castella, 
em 1252, reaocendeu as luctas do Algarve, o que 
obrigou o rei portuguez a voltar para alli toda a 
sua attenção. No anno seguinte ajustaram -se as 
pazas, sendo uma das clausulas o casamento de 
D. Affonso III com D. Beatriz de Guillen de 
Guzman, filha bastarda de D. Affonso X. Este 
casamento não se effectuou logo, por ser a n^iva 
ainda muito nova, estar viva a condessa de Bo- 
lonha, e o papa não ter pronunciado o divorcio 
E' verdade que o divorcio eiistia de facto, por- 
que a condessa D. Mathilda nunca viera a Por- 
tugal, e parece não ter tido nunca os foros de 
rainha; comtudo, a condessa recorreu ao papa, 
Alexandre IV, o qual mandou ao arcebispo de 
Compostella tratasse de impedir o casamento 
projectado, o qual veiu a realisar se um anno de- 
pois do fallecimeuto da condessa D. Mathilde. 
Entre D. Affonso o o clero rebentara uma lucta 
inevitável; o rei portuguez não era homem para 
cumprir as condições humilhantes que acceitara 
em Paris, debaixo da pressão das circumstan- 
cias; resolveu á viva força uma questão com o 
bispo do Porto, acerca de preferencias com res- 
peito á cobrança dos direitos aduaneiros, entre 
a cidade do Porto o o casteilo de Gaya; o bispo 
ficou condemnado a uma indemnisação.D. Afion* 
so, porém, para ter força na lucta que se prepa- 
rava, reuniu cortes em Leiria, em 1254, convo- 
cando para ella os procuradores dos concelhos. Es- 
tas cortes, segundas que se reuniram em Portu- 
gal, foram ponto de partida para as conquistas de 
todas as regalias liberaes, e as primeiras em 
qiie os concelhos se fizeram representar por legí- 
timos procuradores. O fim principal era decidir 
a pendência com o bispo do Porto; n*essa reunião 
tomaramse resoluções muito importantes, que 
seriam proficuas se outras fossem as circumstau- 
cias do reino. D. Affonso, nos propósitos de pro- 
mover o desenvolvimento da riqueza publica, 
transformou o casteilo de Gaya n*uma villa im- 
portante, desenvolvendo assim o commercio, en- 
grandecendo, não só o Porto, mas também Lis- 
boa, que por esse tempo adquiriu o titulo de 
capital do reino, que desde a fundação da mo- 
narchia pertencera a Coimbra. Outras medidas 
se devem a este soberano, como a substituição 
parcial dos geneios por dinheiro, a incorporação 
na coroa de muitos buns que tinham sido usur- 
pados. Em 1261, D. Affonso tentou pôr em pra- 
tica novamente uma medida, que os povos tinham 
conseguido evitar, por julgarem prejudicial, e 
fora apresentada em Leiria, nas cortes de 1251; 
esta medida era a quebra da moeda^ que consis- 
tia em recolher o dinheiro de lei, e refundil-o 
com muita liga. O rei condescendeu em não re- 



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novar o expediente, durante 7 annos, e como es- 
tava terminado este praso, tentouo outra vez; 
surgiram, porém, maiores difiiculdades, e nova- 
mente se reuniram cortes, agora em Coimbra, 
em que se auctorisou a fundição do dinheiro com 
valor superior ao intrínseco, e o lançamento d*um 
imposto, destinado a resgatar a moeda em cir- 
cufaçSo. As discórdias com o clero renderam-lhe 
a ioterdicção, lançada pelo papa Alexandre IV, 
mas cm 1262, o mesmo clero dirigiu uma petição 
ao papa que então era Urbano IV, para que 
fosse levantada a interdicção, e revalidado o ca- 
samento com D. Beatriz. Doeste casamento nas- 
ceu D. Diniz, que succedeu ao throno. Foi nV-ste 
reinado que se concluiram as luctas com os ma- 
bometanos, com a conquista do reino d* Algarve, 
que em 1263 assumiu a soberania e o titulo de 
reino de Portugal e dos Algarves. A doença e o 
remorso venceram aquella natureza enérgica; já 
no leito da agonia mandou chamar alguns mem- 
bros do alto clero, os seus ministros e conse- 
lheiros, e outras pessoas menos qualificadas, e 
D. AíTonso jurou na sua presença, sem reservas 
nem rcstricçOos, obedecer aos mandados apostó- 
licos, sem quebra dos direitos do reino, dos seus 
filhos e dos seus vassallos. D. Affonso III falle- 
ceu, poucos dias depois, a 16 de fevereiro de 
1279, e foi sepultado em Alcobaça. Fundou os 
conventos de S Domingos do Lisboa, Santa 
Clara de Santarém e S. Domingos d'£lvas. 

Affcnso IV, o Bravo. 7 • rei de Portugal. N. 
em Lisboa, a 8 de fevereiro de 121)0. Era filho de 
D. Diniz e de D. Isabel, a rainha santa, filha de 
D. Pedro III, de Aragão. Teve muito cedo casa 
própria, e a educação não soube suavisarlhe as 
asperezas da sua índole enérgica, arrebatada e 
imperiosa. Desde muito adolescente, muitc cioso 
do poder régio, não podia encarar a sangue frio 
o carinho que D. Diniz dispensava aos filhos bas- 
tardos, que tivera de diflerentes mulheres, e que 
viviam no paço occupando diversos cargos. Estes 
ciúmes eram alimentados por intrigas de fidalgos 
seus partidaiios, chegando um a dizer-lho que 
D. Diniz tencionava legitimar seu filho mais ve- 
lho, D Affonso Sanches, para suceeder no throno, 
tendo já enviado para esse fim um embaixador a 
Roma. D. Affonso, bastante impressionado, tendo 
apenas 21 annos, em 1314 levantou discórdias no 
reino, as quacs se aplacaram por intermédio do 
papa, quo fulminou com a excommunhão todos 
que perturbassem o socego. D. Diniz, muito des- 
gostoso contra seu filho, achando-se já velho, reti- 
rou-se para Alemquer. A guerra civil, cemtudo, 
assolava o paiz; D. Affonso revoltava as provín- 
cias, e os exércitos do filho e do pae encontra- 
ram se cm Coimbra, travando- se então grandes 
luctas. A rainha, tremendo de horror, vendo immi- 
uente uma batalha, em que se podiam encontrar, 
com a lança em riste e viseira calada, o pae e o 
filho, veiu lançarse entre os contendores; um ir- 
mão do rei d' Aragão, D. Jayme II, cunhado de 
D. Diniz, veiu de propósito a Portugal, porém, 
tudo foi baldado; nada conseguiram, não por parte 
de D. Diniz, que estava disposto a fazer todas 
as concessòes, mas porque D. Affonso nada queria 
attender. A insistência de D. Izabel, afinal, sem- 
pre alcançou alguma cousa, e a concórdia resta- 
beleceu se, obrigando se D. Diniz a augmeiítar 
08 rendimentos do principo, e este a não tornar 
a perturbar a paz do reino. D. Affonso Sanches, o 



] filho illegitimo, para evitar que por sua causa 
continuassem as malquerenças entre o pae o ofi* 
; lho, rotirou-se para umas propriedades que pos- 
! suia em Castclla. Voltando em 1323, incendia- 
ram-se as iras do infante D. Affonso, que de novo 
pegou em armas. Escava para se travar uma ba- 
talha perto de Lisboa, no campo d'Alva1ade (hoje 
Campo GrandeJ entre as tropas do pae e as do 
i filho, quando de novo a rainha, apparecendo en- 
tro os contendores, conseguiu applacar os ânimos; 
D. Affonso retircu-sc outra vez para Castella. 
Morrendo D. Diniz em 1325, D. Affonso foi accla- 
mado rei, alcançando cmfim o poder que tanto 
ambicionava. Um dos primeiros actos do seu rei- 
nado, foi a convocação das cortes, em Évora, 
u*aquelle mesmo anno, as quaes se occuparam 
dos padroados exercidos pelos conventos, dos pri- 
vilégios chamados honras, e que consistiam em 
ser isentas de tributos reacs, e ser governadas 
por juizes privativos, as terras em que tinham a 
6USL residência ou solar alguns senhores. Estes 
assumptos já haviam sido debatidos e resolvidos 
no reinado de D. Diniz; outro assumpto, sem 
duvida, mais importante e grave, continuava a 
agitar-se: era a intolerância para com os judeus 
e mouros. D. Diniz mostrara-se um pouco con- 
descendente com elies, chegando até a prohibir 
08 vexames que se praticavam oíficialmente con- 
tra os pobres proscriptos. D. Affonso, pelo con- 
trario, era rispido. Chamou a attenção das cortes 
para a infracção praticada por aquelles répro- 
bos, sahindo aas Judiariaa e Mourariaa, bairros 
especiaes onde residiam, sem distinctivos que os 
fizessem conhecidos; ficou, pois, resolvido, que 
se tornasse rigorosa a prohibição de sahirem sem 
os hábitos que denunciassem as raças. Outra me- 
dida então promulgada, foi a que prohibiu aos 
j portuguezes o uso do topete, aos judeus o das 
guedelhas, e aos mouros o do cabello. O fim prin- 
cipal das cortes d'Kvora, segundo parece, e leva 
a crer o animo reservado e vingativo de D. Affon- 
so IV, era a renovação das accusações contra seu 
irmão bastardo, D. Affonso Sanches; o soberano 
meditava em occasionar-lhe a confiscação dos 
bens c o exilio perpetuo, e como as cortes o não 
animassem, decretou por seu próprio arbítrio, a 
confiscação c o desterro. D. Affonso Sanches es- 
tava então em Castella, nas boas graças do in- 
fante D. Filippe e na posse pacifica das viilas 
d*Alhuquerque e Abedeliin. Surprehendido com 
o procedimento de seu irmão, escreveu-lho em 
termos respeitosos, reconhecendo a sua realeza, 
e pondo se ao seu serviço. O rei de Portugal des- 
denhou estes protestos, e o irmão respondeu de 
mão armada, transpondo a frmteira, acompa- 
nhado de boas tropas, e arrasando tudo por onde 
passava. De Portugal sahiram-lhe ao encontro 
as forças municipaes commandadas por Gonçalo 
Vaz, que f5ram batidas e postas em debandada. 
Entretanto D. Afionso Sanches adoecia em Abe- 
deliin, e seu irmão, acudindo com um reforço de 
tropas, desbaratava o castello de Codeceira, nas 
visinhanças de Albuquerque. A rainha D. Isabel, 
quo vivia retirada em Coimbra, no mosteiro de 
Santa Ciara, pôz termo a esta lucta inglória, res- 
tabelecendo a paz entre os dois irmãos, e con- 
seguindo quo D. Affonso Sanches regressasse 
ao reino e entrasse na posse dos seus bens. 
D. Affonso casara, ainda no tempo de seu pae, 
com D. Brites, filha de D. Sancho IV, de Cas- 

63 



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tella; d*e8te matrimonio houve 7 filhos, entre of 
qúacs se couta a infanta D. Maria, que casou com 
D. Affonso XI, rei de Castella. O soberano hes- 
panhol, influído de amores com a celebre D. Leo- 
nor de Gurman, tratava muito mal a joven rainha, 
e D. Maria queixava-se repetidas vezes a seu 
pae. O infante D. Pedro^ herdeiro do throno 
português, casara com a infanta castelhana, 
D. Branca, que repudiara, por ser estéril o ma- 
trimonio. D. Affonso IV, que andava muito des- 
contente com o genro, cáo hesitou em o ferir 
profundamente, pedindo para seu filho a mão de 
O. Constança, filha do infante D. JoSo Manuel, 
um dos mais poderosos fidalgos de Castella, com 

quem D. Affon- 
so XI estava em 
p e s simas rela- 
ções, e que mais 
d*uma vez 1 h e 
movera guerra. 
Além d*isso, D. 
Constança f ô ra 
noiva do rei de 
Castella, e o fa- 
cto d*elle não ter 
contrahido com 
e 1 1 a , conforme 
ajustara, os laços 
m a t r i m oniaes, 
fora uma das cau- 
sas da lucta com 
D. João Manuel. 
D'esta forma a 
D.>ffonio IV e s c o 1 h a de D. 

Constança cons- 
tituia uma 'dupla offensa. D. Affonso XI dis- 
simulou o seu despeito, mas quando a princeza 
partia Para Portugal, reteve a como que presa, 
nos seus estados; tratando ao mesmo tempo a 
rainha sua mulher por tal forma, que ella viu-so 
obrigada a sahir da corte, retirando-se para Bur- 
gos. Succedcram-se as embaixadas por parte do 
rei portugnez, mas a princeza continuava retida; 
no entretanto tratava de fortificar o reino e de 
reforçar o exercito, até que se romperam as hos- 
tilidades, e se declarou uma guerra fatal para os 
dois estados. A lucta foi renhida, sem tréguas, 
sem grandes batalhas campaes, mas que por isso 
mesmo ainda se tornou mais pungente flagello 
pani os povos. Esta guerra durou 4 annos, ter- 
minando cm 1338, quando D. Afionso XI sentiu 
que 08 mouros se aproveitavam das discórdias 
entre os dois reinos christãos, para tentarem de 
recuperar o seu antigo poder. Ajustou-«e então a 
paz, o soberano castelhano deixou partir D. Cons- 
tança para Portugal, prometteu tratar melhor 
sua mulher, e desterrar da sua corte D. Leoner 
de Gurman. Os mouros continuaram com as suas 
pretençòcs, e Abui-Hassan, emir á^ Marrocos, 
alliado do rei de Granada, lançou as suas hostes 
em terras hespanholas. N 'estas tristes circums- 
tancias, o rei castelhano appellou para seu so- 
Çro. Portugal obrigara-se a uma alliança com 
Castella contra os mouros, mas as offensas esta- 
vam ainda tão recentes, que apesar da alliança, 
era duvidoso que D. Affonso IV estivesse dis- 

Êosto a fazer grandes sacrifícios para salvar a 
[cspanha do perigo imminente em que estava. 
D. Affonso XI solicitou; a rainha, sua mulher, in- 
tercedeu para com o pae, que afinal se resolveu 

64 



a auxiliar o genro, e reunindo-so os dois exerci • 
tos, portuguez e hespanhol, os mouros ficaram 
completamente derrotados na celebre batalha do 
Salado em 29 de outubro de 1340. Foi esta victo- 
ria a parte mais gloriosa d'este reinado. Em 1348, 
uma terrivel epidemia chamada a Peite Negra^ 
depois de ter percorrido a Europa, invadiu Por- 
tugal, victimando muita gente em todo o paiz, 
especialmente em Lisboa. Os últimos anãos d*este 
reinado foram manchados pela trágica morte de 
D. Ig^ez de Castro, da gentil e nobre dama que 
acompanhara D. Constança, noiva de D. Pedro, 
quanao veiu para l?ortugaI. O principe D. Pedro 
apaixonou-se pela formosa castelhana, e os seus 
amores mais se enraizaram, com a morte de 
D. Constança. D. Ignez de Castro tcvo 4 filhos. 
O facto de ser descendente d*uma dás casas mais 
poderosas de Ilespanha, começou a inquietar a 
corte portugueza. D'aqui resultaram as sugges- 
toes levadas ao animo de D. Affonso IV sobre o 
perigo que corria a pátria de ser um dia, por 
effeito d*e8ta alliança, dominada ou absorvida por 
Castella. Estas insistências repetidas, as recor- 
dações mais tristes da vida do rei, tude isto o 
moveu a aceitar o plano, que afinal lhe foi apre- 
sentado, o assassínio de D. Ignez de Castro. Em 
1355. D. Affonso partiu para Coimbra, acompa- 
nhado d*alguns fidalgos, e entre elles, Álvaro Gon- 
çalves, Peúro Coelho e Diogo Lopes Pacheco, os 
mais encarniçados na intriga, e o terrivel plano 
realisou se (V. D. Ignez de Castro), Este facto 
doloroso fez revoltar D. Pedro contra seu pae; 
projectando mil vinganças, o principe organi- 
sou um exercito, e assolou as províncias de Traz- 
es -Montes, Douro e Minho, obrigando D. Affonso 
a marchar também á força armada contra o seu fi- 
lho. Interveiu a rainha D. Beatriz, e auxiliada 
pelo bispo de Braga, D. Gonçalo Pereira, e mais 
alguns fidalgos, conseguiu que fosse assignado um 
tratado de paz entre o pae e o filho. D. Affonso IV 
morreu em Lisboa, a 8 de maio de 1357. Está se- 
pultado na Só de Lisboa, ao lado da rainha, sua 
mulher. No seu reinado floresceram as escripto- 
res Affonso Sanches, D. Vasco Martins, fr. Álvaro 
Paes, e D. Pedro, conde de Barcellos; foram pro- 
mulgadas leis úteis, como as penas para os cri- 
mes de moeda falsa, as prohibitivas do jogo, as 
repressivas das violências e abusos da justiça, as 
que regularam o commercio de importação e ex- 
portação, e artes. 

Affonso V, o Africano, 12.<» rei de Portugal. 
N. em Cintra, a 15 de Janeiro de 1432; era filho 
de D. Duarte e de D. Leonor, filha de D. Fer- 
nando I, de Aragão. Foi o primeiro filho de rei 
portuguoz, que teve o titulo de principe. Contava 
apenas 6 annos de idade, quando falleceu seu 

Eae, e foi acclamado, em Thomar, a 10 de setem- 
ro de 1438. A* cerimonia da acclamação se- 
guiu -se, em conferencia particular nos aposentos 
da rainha viuva, a leitura do testamento do fi- 

: nado monarcha. O testamento instituía D. Leo- 

I nor tutora do seu filho e regente do reino. Esta 
disposição pareceu uma invasão do poder, que 

' pertencia exclusivamente ás cortes, e irritou os 
ânimos dos que entendiam que assistia á vontade 
nacional o direito de escolher a regência. A rai- 
nha reuniu as cortes em Torres Novas, para se 
resolver sobro tudo quanto interessasse á segu- 
rança e futuro do reino. Simultaneamente, o in- 

j faute D. Pedro propunha que o irmão do novel 



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rei, iofaote D. Fernando, fosse jurado principe ' lebraram-se então os esponsaes do rei, que con- 
herdeiro; prevenindo se assim a eventualidade tava apenas 16 annos. No entretanto, D. Leonor 
da morte prematura de D. AíFonso V. Entretan- continuava cm Castella, a advogar os seus di- 



to, a rainha D. Leonor ajustava o casamento de 
seu filho, o rei de Portugal, com D. Isabel, filha do | 
infante D. Pedro. Este contracto accendeu ódios 
nos que projectavam outra alliança, como era, 



rei tos e alcançou que viesse a Portugal uma em- 
baixada castelhana, coro insolentes ameaças de 
declararem guerra ao paiz, se a rainha não fosse 
de prompto investida na regência que de direito 



por ex<>mplo, o conde do Barcellos, filho natural | lhe pertencia. D. Pedro reuniu cortes em Évora, 
de D. JoUo I, que pensara em negociar o casi em 14i2, para ellas decidirem, as cortes aucto- 
meuto de sua neta, D. Isabel, com o rei de Por- , risaram o regente a resolver como entendesse, e 
tugal. As cortes foram muito renhidas. A nobre- { D. Pedro declarou acceitar a guerra, que a Hes- 
sa, capitaneada pelo marechal Vasco Fernandes panba lhe pro- 
Coutinho. D. Pedro de Noronha, arcebispo de | punha com tanta 
Lisboa, D. Sancho, seu irmão, o prior do Crato, a r r o g a n cia Os 
D.' Nuno Góes e o conde de Barcellos, acompa- i embaixadores re- 
Dhava a rainha; os deputados, os procuradores tiraram-se pare- 
do povo, pelo contrario, seguiam o partido dv | cendo pouco dis- 
D. Pedro. Depois das roais vivas discussões, rc- ! postos para a lu- 
8olveu-se, por iniciativa do infante D Henrique, i cta, que nunca 

?[ue a regência fosse composta da rainha, do iu- | s e realisou. D. 
ante D. Pedro e do conde de Arraiollos, e quu i Leonor ainda 
as cortes se reunissem todos os annos, compon- I apresentou no- 



do se dos infantes, do arcebispo, do prior dos 
Hospitaleiros, de todos os conselheiros do rei, de 
i prelados e de 32 burguezes, de Lisboa, Évora, 
Coimbra e Porto. Esta resolução não sattsfazia, 
porém, a nenhum dos partidos, que reclama- 
ram para si exclusivamente a regência do reino. 
O partido popular venceu, e a regência foi con- 
fiada ao infante D. Pedro, o que muito contra- 
riou a rainha, que se considerou ferida no seu 
amor próprio. Começaram as intrigas palacianas; 
por proposta do procurador da cidade do Porto, 
foi retirada a D. Leonor a educação do joven 
rei. D. Pedro era amado do povo, pela sua recti 




vas instancias ús 
cortes d e Cas - 
tella, porém, fal- 
leceu em Hes- 
pauha, a 19 de 
fevereiro de 
14 4 5, sem ver D. Affonao Y 

realisados os seus 

desejos. A morte da rainha restituiu a paz a Por- 
tugal. D. Affonso V, logo depois do seu casa- 
mento, tomou conta da administração do estado. 
D. Pedro tratou de reunir cortes geraes para lhe 
I fazer a entrega do reino. Esta deliberação e o 



dão espirito de justiça; quiz livrar a soberana | podido de D. Afionso para que o infante conti 



dos aduladores que a cercavam, porém, nada 
poude conseguir, por causa da guerra que lhe 
moviam, com especialidade o conde de Barcellos, 
que não perdia a menor occasião de a indispor 
com o infante procurando sempre envolvei o em 
diíficuldades e perigos. Vendo que a rainha es- 
tava um j)Ouco mais conforme com o regente, e 
constando-lbe que chegara até a trocarem s^ pro- 
messas escriptas, que pareciam assegura** a boa 
harmonia entre ambos, o conde de Barcellos, de- 
veras irritado, aconselhou a rainha a retirar- se 
para o Crato, terra bom fortificada, e onde pode- 
ria contar com o auxilio do prior dos Hospitalei- 
ros; tratou egualmente de estabelecer allianças 
particulares com os infantes de Aragão, allian- 
ças, cujos offeitos em breve appareceram nas 
Buccessivas exigências de Castella para com Por- 
tugal, sob os pretextos mais fúteis e desar ra- 
scados. A intriga enredou-se por tal forma, que 
a rainha chegou a hesitar sobre a sua partida, 
a qual realisou em 31 d*outubro de 1440, sendo 
acompanhada somente por sua filha, creança que 
nascera já depois da morte de D. Duarte. Do 
Crato, enviava D. Leonor, para todo o reino, car- 
tas em que renovava a afiirmação dos seus direi- 
tos á regência. A grerra civil incendiou se, e 
D. Pedro, depois de esgotar todos os esforços 

Eara evitar esta contenda, resolveu marchar so- 
re o Crato. A rainha, porém, havia fugido para 
Castella. O infante tomou a fortaleza do Crato, 
e doou-a a seu irmão, D. João, concedendo o 



naasse a governar juncto d'elle, sobreexcitaram 
; ainda mais os ânimos rancorosos do conde de 
! Barcellos e dos mais fidalgos seus partidários, os 
quaes por meio da mais ardilosa intriga, obriga- 
i ram o rei a desistir do seu propósito, e a exigir 
I do tio, em maio de 1447, a prompta entrega do 
: reino. O conde de Barcellos não descançava; 
1 D. Pedro, não podendo por mais tempo suppor- 
tar as afFrontas que lhe eram dirigidas, e queren- 
I do justificar a nobreza e a rectidão das suas in- 
; tenções ,decidiu deixar a solidão a que se reco- 
í Ibera, para não ser victima dos infames que 
1 tinham jurado a sua perda. Quando se dispunha 
; a mostrar-se ao rei e ao povo, deparou no cami- 
í nho de Lisboa com a gente de guerra capita- 
; neada pelos seus inimigos. Os dois exércitos en- 
. coutraram-se próximo d*Alfarrobeira, em 1449, 
onde se travou rija batalha, em que D. Pedro foi 
victima (V. D. Pedro ^ duque de Coimbra). Morto 
o infante, accalmaram-se as discórdias no reino, 
e D. Affonso V governou em paz, desejando ter 
occasião de se distinguir como guerreiro. Lem- 
brou se de ir combater no oriente, e chegou a 
fazer alguns preparativos; vendo, porém, que 
nenhum principe christão o acompanhava, resol- 
veu-se a aproveitar as forças que reunira, em 
ampliar os dominies portuguezes na Africa se- 
ptentrional, e accrescentar a Ceuta, que fora con- 
quistada por D. João I, algumas pragas marro- 
quinas. Em 17 d'outubro de 1458 partiu com ^lf> 
mil homens, n*uma formosa esquadra, e foi 



priorado a D. Henrique de Castro. Seguiram se sobre Alcaçer-Ceguer, que conquistou no dia 23, 
novas luctas, sendo afinal subjugada a rebellião entregando o commando da praça a D. Duarto de 
do conde Barcellos e dos seus partidários. Ce- j Menezes, que a defendeu briosamente contra to- 

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das as forças do rei de Fez, em dois cercos con- 
secativos. O. AfFonso voltou novamente á Africa, 
em H63, na ideia de tomar Tanger, porém to'i 
repellido desastrosamente, e n'um combate infe< 
Hz nas serras de Benecafú perdeu alguns dos 
seus mais valentes cavalleiros, e entre elles D. 
Duarte àe Menezes. Essa campanha ainda o in- 
citou mais; queria tomar vidgança dos revezes 
soffridos. As cortes, porém, nSo' lhe pcrmittiram 
que^ elle pudesse logo satisfazer o seu desejo, 
queizando-se das despezas excessivas a que obri- 
gavam essas expedições. Em 1472 voltou outra 
vez á Africa, em que seu filho, o principe her- 
deiro D. João, o acompanhou, distinguindo-se 
muito. Essa expedição foi de todas a mais glo 
riosa pela conquista d'Arzi]la; Tanger rendeu se 
sem esperar ser sitiada. Mais duas cidades im- 
portantes, com os territórios convisinhos, vinham 
accrescpntar os nossos domínios ao norte d'Afri- 
ca. Na Barbaria tremulava a bandeira portuguesa 
em i praças: Ceuta, Alcacer-Ceguer, Arzilla e 
Tanger. D. Affonso V entendeu que podia ado- 
ptar a seguinte divisa: D. Affonao, por graça de 
Deita, rei de Portugal e doa Algarvea, d'aquem, 
d^ além mar em África. Foi esta um época glo- 
riosa para o reinado de AflPonso V. Espera- 
va o, porém, um grande dissabor. Suscitavam-se 
em Hespanha grandes desinteUigencias, por morte 
de Henrique IV, que casara com a infanta D. 
Joanna, de Poitugal. D. Henrique deixara em 
testamento o throno a sua filha D. Joanna, de 
quem a voz publica murmurava, negando ao rei 
a paternidade, dizendo a filha de Beltran de La 
Cueva, valido d*el-rei e amante da rainha; o 
povo chamava-lho a Beltraneja, e na historia fi- 
cou conhecido pela Excellente Senhora. No testa- 
mento, o rei de Castella pedia a seu cunhado que 
casasse com a sobrinha; os partidários da prin- 
ceza p. Joanna chamaram D. AfFonso V em seu 
auxilio, invocando aquella clausula do testa- 
mento. D. Affonso pensou que lhe estava reser- 
vado o papel de unificador de Hespanha, e que 
Portugal e Castella podiam constituir debaixo do 
seu sceptro um reino único, onde mais tarde ou 
mais cedo viria absorver-se o Arag5o. D. Affonso 
nSo quiz attender, aos prudentes conselheiros que 
lhe apresentavam as funestas consequências que 
poderiam resultar da sua intervenção nas desaven- 
ças de Castella; acceitou o testamento do cunha- 
do, tornou-se noivo de sua sobrinha, contrahiu 
alliança com o rei ae França, Luiz XI, a cujos 
encargos o astucioso soberano fracez sempre se 
eximiu, e cm 1475 invadiu Castella com um po- 
deroso exercito, deixando reino entregue ao 
principe D. João. Nos primeiros roezes não foi 
infeliz a campanha contra D. Affonso V. Junta- 
ram-se-lhe muitos fidalgos castelhanos, e se elle 
tivesse aproveitado bem as primeiras vantagens, 
perigaria muito a causa de D. Fernando e de 
D. Isabel. Mas limitou-se a tomar algumas pra- 
ças hesitou em proseguir, descontentou a um 
tempo castelhanos e portuguezcs, foi deixando 
augmentar as forças contrarias, tanto que teve 
Ce pedir reforços a seu filho, que pessoalmente 
lh'os foi levar. Na planicie de Faro encontra- 
ram -se os dois exércitos, em 1 de março do 1476, 
e allí se travou renhida batalha, em que a ala 
commandada pelo principe D. João destroçou os 
castelhanos, obrigando D Fernando a fugir, em- 
quanto que a ala commandada por D. Affonso V; 

CG 



retirou em desordem. A batalha ficou indecisa 
mas na situação em que estavam os negócios da 
guerra, quando D. Affonso V precisava d*uma vi- 
ctoria explendida para recuperar o prestigio per- 
dido, esse meio desastre podia fonsiderar-se uma 
derrota completa. Uma grande parte dos fidalgos 
castelhanos, que seguiam a bandeira de D. Affon- 
so. ahandonaram-no, e o rei de Portugal viu- se 
obriffado a sustentar contra as tropas de D. Fer- 
nando e de D. Isabel, uma pequena guerra de 
fronteiras. Sem desistir das suas pretençÒes, re- 
solveu ir a França pedir auxilio a Luiz XI, con- 
tinuando o reino em poder do principe herdeiro, 
Contra a opiniUo dos seus conselheiros e caval- 
leiros, partiu em agosto de 1476 para Tours, onde 
residia o rei de França. Durante o caminho, 
D. Affonso foi recebido com toda a consideração 
e cortezia nas cidades onde entrava. A entrevista 
dos monarchas foi uma completa desillusão para 
D. Affonso. Luiz XI com o seu costume de pro- 
ferir boas palavras e de alimentar esperanças, 
tratou o rei portuguez com as maiores amabilida- 
des, enlevando-o com as mais maravilhosas es- 
peranças. Lembrou-lhe, em primeiro logar, que 
obtivesse do papa a dispensa para o casamento 
com a sobrinha, e de Carlos, o Temerário, o im- 
placável inimigo da França, a solemne promessa 
de a deixar em paz^ emquanto ella estivesse em- 
penhada na lucra com a Hspanha. D. Affonso 
pmcurou Carlos, o Temeraiio, o qual conhecendo 
já a diplomacia ardilosa de Luiz XI, nao accei- 
tou proposta alguma, nem sequer o attendeu. Mas 
as cousas succederam como Luiz XI desejava; 
Carlos o Temerário morreu no cerco de Nancy, 
e o papa concedeu a dispensa pedida. Luiz XI fi- 
cou sem pretextos para addiar o soccorro pro- 
mettido, mas no que pensava menos era nos ne- 
gócios de Hespanha c Portugal. Os seus addia- 
mentos e evasivas fatigaram afinal D. Affonso^ 
que desconsolado pelo papel que representara; 
resolveu abdicar a coroa em seu filho, e ir mor- 
rer á Palestina. Os fidalgos que o acompanha- 
vam, descobrindo o seu propósito, conseguiram 
que elle voltasse para Portugal. D. Affonso che- 
gara a mandar para o reino o auto de abdicação, 
e o principe, apenas o recebeu, fez-se acclamar 
em 10 de novembro de 1477, mas ficou surpre- 
hendido, quando soube, dias depois, que seu pao 
entrara em Cascaes. D. João não hesitou em re- 
signar a coroa apesar de haver opiniões, em que 
elle apresentara uma certa reluctancia, mas 
D. Affonso não €[uiz acceitál-a; vendo, porém, 
que o principe insistia, resolveu-se afinal a 
cingir outra vez o poder. Tentou ainda re- 
novar a lucta com Castella, pensou em con- 
summar o casamento com a sua sobrinha; mas 
viu -se obrigado a desistir, em vista da má von- 
tade dos seus vassallos. Em 1479 ajustaram-se 
pazes entre os dois reinos, restituinoo-se recipro- 
camente as pragas conquistadas, sendo uma das 
condições principaes, que se recolheria no con- 
vento de 8anta Clara, de Santarém, a princeza 
I). Joanna, victima innocente de todas estas in- 
trigas e ambições. D. Affonso V talleceu em Cin- 
tra, a 28 de Agosto de 1481, e jaz sepultado no 
convento da Batalha Durante o seu reinado de- 
ram-se as primeiras descobertas dos portugue- 
zes, devidas aos grandes navegadores, e por ini- 
ciativa do infante D. Henrique. D. Afi^nso V 
deixou o thesouro do estado muito empenhado , 



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devido ao luxo da corte, aos gastos das empre- 
sas militares, que absorveram importâncias enor- 
mes, dadivas aos fidalgos, e dadivas de tenças e de 
terras. Era um homem ins^ruido, e presava muito 
as letras e os que as cultivavam; póde-se dizer 
que deu um verdadeiro impulso á civiiisação, 
honrando os sábios e colleccionando os livros. Em 
legislação deu o seu nome á primeira collecçfto 
de leis que se fez om Portugal, a das Ordenações 
ÁffonêincLS^ mas essa collecção é devida á iui- 
ciativa do infante D. Pedro; estabeleceu a or- 
dem da Torre e Espada^ em 1459. Floresceram 
n*este reinado os seguintes escriptores: os infan- 
tes D. Pedro è D. Henrique, Fernão Lopes, a in- 
fanta D. Cathatina, e Gomes Eanes de Azurara- 
Affonao VI, O Victorioso, '22."* rei de Portugal. 
N. em Lisboa, a 21 de agosto de 1643; era filho 
2."* de D. João IV e do D. Luiza de Gusmão, fi- 
lha do duque de Medina Sidónia. Tendo falleciao 
seu irmão mais velho, o príncipe D. Theodosio, 
foi jurado herdeiro em 1653, e acclamado em 15 
de novembro de 1656, governando na sua meno 
ridade a rainha sua mãe. Aos três annos assaltou-o 
uma paralysia, de que ficou sempre soffrendo mais 
ou menoSi o com o espirito fraco. Devido tal- 
vez á má educação aue recebera dos seus prece- 
ptores, D. Aífonso folgava em tratar com pessoas 
de baixa condição, e em se entregar a diverti- 
mentos indignos da sua gerarchia; ia para as ja- 
nellas do paço, que deitavam para o pateo da 
capella, ver os rapazes que se juntavam alli, jo- 
gando á pedrada. Este pateo era cercado d'arca- 
das, onde estavam estabelecidos mercadores com 
as suas tendas. Um d'cstes, o genovez António 
Couti, astucioso como um verdadeira italiano, 
soube insinuar se nas boas graças d*elrei, applau- 
diudo os rapazes que D. A&bnso protegia nas 
contendas que se travavam. D. Afionso descia 
ao pateo para conversar com o genovez, que pro- 
curava tornar-se agrada \rel, oftereceudo-lhe bu- 
gigangas do seu commercio, que tentavam o gosto 
pouco apurado do joven monarcha. António Couti 
foi-se insinuando no animo de D. Affonso, que 
este chegou a introduzil-o no palácio. Os prece- 
ptores quizeram acabar com aquelle escândalo, 
mas o rei insistiu, e procurou meios de se com- 
municar secretamente com o italiano. Os prece- 

Etores, vendo que nada conseguiam, desistiram. 
K Affonso VI, convencendo-se do seu poder, pro- 
seguiu nos desregramentos, introduzindo na sua 
intimidade o irmão de António Conti, negros, 
mouros e lacaios de infíma espécie. Divertiam* se 
todos em combates de lebrous, primeiro no paço, 
depois no próprio terreiro, em publico. Aquelle 
bando ignóbil não abandonava nunca o rei; percor- 
riam todos a cidade, de noite, apedrejando janel- 
las, arremettendo contra os traseuntes. A incapa- 
cidade phvsica de D Affonso tornava ainda estes 
espectáculos mais repugnantes. Atirando-se por 
bazofia a emprezas atrevidas, sempre se sahia 
mal, obrigando se a fazer-sc reconhecer, para não 
ser maltratado pelas pessoas que provocava. Por 
vezes enchia o paço de mulheres perdidas, tam- 
bém por basofia, porque não era menos incapaz 
para as luctas amorosas que para as luctas guer- 
reiras. A rainha regente não sabia como im- 
pedir semelhante viver , e quiz abandonar a re- 
gência, quando D. Affonso completou 18 'nnos; 
o conselho doestado, porém, pediu- lhe que tal não 
fizesse, pelo menos emquanto não tirasse An- 



tónio Conti da intimidade do rei. A rainha en- 
tão antes de largar a regência, resolveu dester- 
rar António Conti para o Brazil; D. Affonso, sem- 
pre volúvel depois cie se mostrar furioso, socegou, 
e talvez até não pensasse mais nos seus vaiidos, 
se um homem, muito intelligente, mas ambicioso, 
não tomnsse o partido d'elles, e não excitasse os 
sentimentos d*cl-rei. Era o conde de Castello 
Melhor, que, auxiliado por mais alguns fidalgos, 
conseguiu que o monarcha sahisse para Alcân- 
tara, e d'ahi fizesse saber a sua mãe que re- 
solvera assumir o poder. A rainha tentou re- 
sistir por boas razões e conselhos, porém nada 
conseguiu, porque o conde de Castello Melhor, 
estando disposto a subir ao poder, não desis- 
tia por caso algum d*essa empreza. A 29 de 
junho de 1662, el-rei assumiu definitivamente o 
governo do reino, ou antes, em seu nome, o conde 
de Castello Melhor, que se fez nomear escrivão 
da puridade- O conde empregou toda a sua astú- 
cia em affastar de junto do rei todas as pessoas 
que podiam offuscar-lhe o seu valimento; até con- 
seguiu que a própria rainha se affastasse, aco- 
lhendo se ao convento do Grillo. F/ certo porém, 
que se o conde se serviu de meios nem sempre 
dignos para subir ao poder, mostrou-se digníssi- 
mo em exercei- o. O reinado de D. Affonso VI 
deveu-lhe a gloria que o illuminou, c o inepto so- 
berano poude alcançar na historia o epitheto de 
o victorioso. Já no tempo da regência da rainha 
D. Luiza, Portugal tinha resistido aos combates 
continues aue se seguiram á acciamação de I). 
João IV e ás dissidências que se armaram entre 
os portuguezes. Ganharam forças os dois parti- 
dos, do conde d'Odemira, D. Francisco de Faro, 
e do conde de Cantanhede, D. António Luiz de 
Menezes; ambos estes partidos contavam gran- 
des influencirs ue seu grémio. A rainha tove de 
luctar com as difficuldades que lhe creavam; um 
terceiro partido, o do clero, também se organi- 
sou a favor da rainha, tendo á sua frente o ir- 
laudez fr. Domingos do Rosário. D. Luiza uma 
perfeita diplomata, organisára um governo com- 
posto de todas as facções. A Hespanha, sempre 
em guerra, começou a celebre campanha em 
1657, e tomou as praças d'(Jlivença e Mourão. 
Portuj^al conseguiu recuperar a pi aça de Mou- 
rão. Em 1658, deu-se o desastre de Badajoz, 
pela mallograda tentativa de Joanne Mendes 
de Vascoucellos, desastre que causou muitas 
victimas e muitas perdas; uVsse mssmo anuo, 
porém, a brilhante batalha do forte de S. Mi- 
guel foi uma gloriosa compensação. O cerco 
d'Elvas, praça tão heroicamente defendida por 
D. Sancho Manuel, e em 14 de janeiro de 
1659 a celebre batalha das linhas d'Elvas foram 
dois grandiosos feitos d'armas. N*esta batalha 
distinguiu se e conde de Cantanhede, que rece- 
beu, entre outras mercês, o titulo de l.^marquez 
de Marialva, por carta de lei de 11 de junho de 
1661. O tratado de paz entre França e Hespanha, 
em 1660, prejudicou muito a politica portugueza, 
collocando em grave risco a nossa indepencia. 
Depois de Aflonso VI tomar posse da gover- 
nação de Estado, D. João d'Austria, filho bas- 
tardo do rei de Castella, invadiu o Alemtejo, to- 
mou Évora, e chegou quasi ás portas de Lisboa. 
O conde de Castello Melhor tratou de organisar 
importantes forças para repellirem esta invasão, 
collocando á frente d*essas forças D. Sancho Ma- 

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nue^ conde de Villa Flor, e o conde de Schom- 
berg. Seguin-se uma serie de combates e do 
victorias; a reconquista d'Evora, a tomada de 
Assumar, Ougella, Veiros, Mouforte, Crato e 
Borba; Figueira de Castello Rodrigo, Ameixial, 
batalha que se deu em 1663, em que muito se 
distinguiram os generaes marquez de Marialva, 
c conde de Schomberg. A decadência de Por- 
tugal era inevitável, com um rei tSo fraco que 
tudo sacrificava á quietação do espirito e ás suas 
commodidades. Nas colónias ainda eesa decadên- 
cia mais se pronunciava. As complicações da ín- 
dia, a alliança da Inglaterra, com o casamento 
da infanta D. Catharina, filha de D. João VI, com 

rei de Ingater- 
ra, Carlos II que 
levou em dote 
duas praças, Bom- 
baim e Tanger, a 
tomada, pelos hol- 
landezes, de Cey- 

1 ã o, Cranganor, 
Negapatam, Co- 
chim, Coulam, e 
Cananor, as nego- 
ciações a que foi 
indispensável en* 

' trar com elles e a 
traição do duque 
d'Avciro e de D. 
Fernando Telles 
de Faro. A campa- 
D. AtTonflo V[ nha contra os hes- 

panhoes, t e rmi- 
nou por assim dizer, com a batalha de Montes Cla- 
ros, ganha pelo marquez de Marialva e o conde do 
Schomberg. Depois d*esta batalha, só houve es- 
caramuças e guerras de fronteira. Os hespanhoes, 
já cançados de tanto luctar, começaram a tratar 
da paz, que o conde de Castello Melhor só queria 
acceitar com as condições a que nos dava direito 
a nossa constante supremacia militar. Assim o 
conde exigia que a Ilespanha nos cedesse uma 
porção do seu próprio território, queria a Galliza, 
o com certeza o conseguiria, se as intrigas da 
corte o não houvessem precipitado do podar. O 
casamento de D. Afionso VI com afilha do duque 
de Nemours, D. Maria Francisca d*Aumale e Sa- 
boya, interessou a França nos nossos destinos, 
que nos deu a sua alliança. Emquanto Portugal 
se engrandecia no campo da batalha, consolidan- 
do a nosso indepeddencia, no paço, em Lisboa, 
triumphavam as intrigas palacianas. A rainha 
D. Maria Francisca de Saboya, estranhava bas- 
tante o marido que lhe tinham dado, um homem 
de instinctos viciosos, destituído de educação; 
incapaz de amar e de se fazer amar. Sendo am- 
biciosa, e estando habituada ao respeito e obe- 
diência de Luiz XIV, este mesmo longe de que- 
ria sujeitar completamento a politica portugueza 
á influencia do governo de Versailles O condo 
de Castello Melhor não era homem que se curasse 
facilmente, e como a rainha soubera adquirir, 
apenas chegara, uma grande influencia no animo 
fraco de seu marido, tratou de impedir que elle 
entrasse demasiadamente na politica e nos ne« 
gocios do Estado. D'aqui resultou, a hostilidade, 
ao principio dissimulada, mas depois, sem re- 
servas. O conde, verdadeiro diplomata, não deu 
nunca ensejo á rainha para que pudesse quoixar- 

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se d'elle, outro tanto não aconteceu com o secre- 
tario de estado, António de Souza de Macedo, 
poeta e escriptor notável. Uma insignificante ques- 
tão, relativa a um çreado da rainha, obrigou a 
orgulhosa soberana a censurar Souza de Macedo, 
e este respondeu com mais vivacidade. A rainha 
fez grande escândalo, dizendo que lhe tinham 
faltado ao respeito, queixou se a el-rei, exigindo 
a sua demissão. El rei, apezar da sua curta in- 
telligencia, entendia que os tiros dirigidos con- 
tra homens que o rodeavam, e que formavam um 
governo muito considerado no estrangeiro, ora a 
elle que o feriam, não quiz acceder ao pedido da 
rainha, c mesmo porque da resposta do secretario 
dVstado nada havia de menos respeitoso. A rai- 
nha ainda insistiu, mas o rei instigado pelo conde 
de Castello Melhor, fírmou-se no seu propósito, 
e Souza de Macedo não foi demittido« O infante 
I). Pedro, que já andava em dissidências com 
seu irmão, ajudando os projectos da rainha, de 
quem se tornara muito intimo, mostrou se indi- 
gnadíssimo. D. Pedro fazia opposição ao l.^ mi- 
nistro, porque, quando a impopularidade de D. 
Affbnso VI mais se pronunciou, nutria a esperan- 
ça de conquistar o poder, e o conde elevava-so 
entre elle e o rei, e o seu vulto enérgico era para 
fazer recuar os ambiciosos. A rainha, que tam- 
bém detestava o ministro, ligou-se ao cunhado, 
para conspirarem contra o seu poder, procurando 
inutilisal-o. Estas ligações tornaram-se depressa 
escandalosas. D. Maria Francisca de Saboya, na 
força da vida, via-se casada com um homem quasi 
decrépito, e incapaz de inspirar amor pelos de- 
feitos physicos e intellectuaes, emquanto que D. 
Pedro era um rapaz sympathico e dizia amal-a. 
Diz-se que foi no bosque de Salvaterra, onde el- 
rei gostava muito de ir á caça, que esses amores 
mais se accentuaram. O conde de Castello Melhor, 
com a sua perspicácia, não tardou a descobrir 
aquelles amores adulterinos, e o infante perce- 
bendo que o conde estava senhor do segredo, 
ainda mais augmentou o seu ódio. O infante co- 
meçava a exigir a demissão do conde, tomando 
como aggravo pessoal as medidas que o ministro 
tomava em sua defeza; vendo que nada conse- 
guia accusou o de o ter querido envenenar em 
Queluz, declarando que tinha testemunhas, que 
sô se apresentariam quando o conde fosse demit- 
tido, porque até então receavam arriscar-se O 
rei convocou o concelho de Estado, o qual decla- 
rou não haver motivo para a demissão, antes do 
crime ter sido provado com os depoimentos das 
testemunhas. Afinal, apesar das testemunhas 
nunca apparecerem, D. Pedro conseguiu que o 
conde fosse demittido, e como era esse o fim de- 
sejado nunca mais s^ fallou em semelhante crime: 
a demissão foi dada pelo próprio conde, que co- 
nhecia bem que a primitiva resolução do rei ia 
enfraquecendo, e então preferiu ausentar-se. D. 
Affonso ficou completamento sem defeza. Depois 
de muitas intrigas, o rei quiz que António de 
Sonza de Macedo, que sempre sahira do reino, 
voltasse para o seu lado, mas a rainha oppoz-se 
energicamente O conselho doestado decidiu-se a 
favor de Macedo, o qual voltou a occupar o seu 
logar de secretario. D. Pedro, então, á testa da 
nobreza, e apoiado por uma manifestabão tumul- 
tuosa do povo de Lisboa, invadiu o Paço, em 5 
d*outubro de 1667, e exigiu a demissão do secre- 
tario. O pobre soberano, vendo aquella attitude 



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bellica, cedeu, ficando completamente abando- 
nado no meio das intrigas e do despotismo de seu 
irmSo, que empregava os meios mais vis para lhe 
roubar o throno e a esposa. Seguiu- se o divor- 
cio da rainha, que foi um processo escandaloso 
e revoltante, e em que appareceram depoimen- 
tos vergonhoAOS de muitas testemunhas. D. Afifon- 
Bo, guardado á vista pelo infante, viu-se obrigado 
a annuir a tudo quanto d*elle exigiam, declarou 
que desistia do governo do reino, e até abdica 
na em seu irmSo, comtanto que o deixassem vi- 
ver socegado. Convocaram se cortes em 1 de ja- 
neiro de 1668, e n*ella8 se decidiu a deposição 
do rei, confiando-se a regência a seu irmão. O ca- 
samento íoi annullado; de Roma veiu dispensa 
para que pudessem casar os dois cunhados, casa- 
mento que se realisou no mesmo anno de 1668. 
D. Pedro via satisfeitos todos os seus desejos e 
ambiçõep. Receoso, porém, que o rei, estando no 
continente, servisse de pretexto para algumas 
conspirações, conseguiu desterral-o para a ilha 
Terceira, onde o infeliz soberano foi encarcerado 
no castello de S. João Baptista d*Angra. D. Affon- 
80 alli esteve 4 annos; descobrindo se uma cons- 
piração, em 1673, protegida pelo embaixador hes- 
panbol, condo de Humanes, em que se pretendia 
soltar o rei e restituir-ihe o throno, foi o pobre 
rei transferido para o palácio de Cintra, sendo 
mortos alguns dos conspiradores. Em T^ de se- 
tembro de 1683, faileceu n'aquelle palácio, quasi 
repentinamente, d'um ataque apopletico, estando 
a ouvir missa. D. Affouso era de agradável pre- 
sença, tinha olhos azues e cabello louro e com- 
Srido. Está seoultado em S. Vicente de Fora. 
[o seu tempo floresceram os escriptores: Jacin- 
tho Freire d*Andrade, António Barbosa Bacel- 
lar, João Soares de Brito, Francisco de Sá Me- 
nezes, Manuel de Galhegos, D. Francisco Manuel 
de Mello, o conde da Ericeira, Duarte Ribeiro 
de Macedo, António de Souza de Macedo e fr. 
António das Chagas. 

AfTonso. Filho natural d'el-rei D. Affonso Hen- 
riques, e de mãe desconhecida; não se sabe a 
terra nem a data do nascimento; somente se sabe, 
qae sahiu de Portugal para combater na Terra 
Santa, como cruzado, e que professou na ordem 
militar de S. João de Jerusalém. Tornando se 
muito distincto pelo seu elevado talento e valor, 
foi 'eleito em 1194, grão mestre da ordem, cuja 
BÓde deixara de ser em Jerusalém, e passara para 
Rhodes. Reuniu capitulo em Margato, mas depois 
renunciou áquella dignidade, por motivos que se 
ignoram, e voltou para Portugal, onde morreu no 
primeiro de março de 1207, sendo enterrado na 
egreja de S. João em Santarém. 

AíToaso. Filho primogénito d*el-rei D.Pedro I; 
morreu ainda creança-. 

AfTonso. Filho do 2.*" matrimonio d*el-rei D. A^ 
fonso 111 e da rainha D. Beatriz; n. a 8 de feve- 
reiro de 1263. Quando D. Diniz subiu ao throno, 
D. Affonso, incitado por alguns fidalgos descon- 
tentes levantou discórdias no reino, protestando 
contra a legitimidade do irmão, allegaudo que, 
apezar de ser o primogénito, D. Diniz devia ser 
considerado como filho adulterino, por ter nascido 
ainda em vida de D. Mathilde, primeira mulher 
de D. Affonso, emouanto que elle, ainda que filho 
segando, nascera já depois do segundo casamento 
de sea pae estar verdadeiramente legalisado por 
morte da condessa D. Mathilde. O papa, porem, 

YOL. X — FL. 9 



tinha deitado a sua absolvição, e o nascimento 
de D. Diniz, aos olhos dos catholicos portugue- 
zes, ficara legitimado sem a menor duvida. O so- 
berano não receou as pretenções do irmão em- 
quanto elle se limitava a desaoafar a sua cólera 
somente por palavras, mas não deixava de lhe 
vigiar todos os movimentos, e quando viu que o 
infante queria cercar de muralhas a villa aberta 
de Vide^ cujo senhorio seu pae lhe legara junta- 
mente com o de Marvão, Arronches e Portalegre, 
interveiu logo, oppondose energicamente. D. Af- 
fonso, temendo a cólera do rei, passou para Hes- 
panha, d<^ixando alguns dos seus partidários en- 
carregados de o harmonisarem com D. Diniz. 
Effectuou-se uma composição, mas a discórdia fi- 
cou sempre minando, reservando se para mais 
tardt) rebentar com maior furor. Corria o anno 
de 1281. Em Castella eram grandes as discórdias 
entre o rei D. Affonso X e um seu filho D. San- 
cho, e essas discórdias ainda mais se aggravaram 
depois da morte de D. Affonso X. D. Diniz con- 
servou-se sempre estranho, mas depois da morte 
do velho monarcha, o infante í>. Affonso, sempre 
turbulento e desordeiro, obrigou o irmão, ainda 
que indirectameute^a intrometter se nas questões 
castelhanas. Como as posessões, que tinha herda- 
do, estavam situadas nas fronteiras de Castella, 
tornavam-se um logar de refugio para os fidalgos 
castelhanos descontentes, que, muitas vezes, auxi- 
liados pelo infante, entraram em correrias pelas 
tronteiras da sua pátria. D. Sancho IV queixou-^ 
se ao rei de Portugal, e este, devaras irritado, 
marchou contra o irmão, a quem sitiou em Ar- 
ronches. O rei de Castella veiu auiilial-o, e os 
dois monarchas reduziram o infante ao ultimo ex* 
tremo, o qual não podendo já resistir, fugiu para 
Badajoz, onde se refugiou. A rainha Santa Isa- 
bel interveiu então, como anjo da paz, e con- 
seguiu que os dois irmãos se reconciliassem, obri- 
gando se D. Affonso a ceder a D. Diniz as villas 
que possuia uo Alemtejo, em troca d^outras terras, 
no interior do paiz, e uma certa quantia, paga 
annualmeute. D. Affonso havia casado cm Cas- 
tella, com I). Violante, filha do infante D. Munuel, 
senhor de Escalons; e alli viveu, até que as sau- 
dades da pátria o obrigaram a voltar de uovo a 
Portugal, morrendo em Lisboa, em 2 de novem- 
bro de 1312. Está sepultado na egreja de S. Do- 
mingos. 

Affonso. Filho primogénito dVI-rei D. João I 
e da rainha D. Filippa; n. em Santarém, a 30 de 
julho de 1390. Este nascimento foi muito feste- 
jado, assim como o baptisado, que se realisou a 
3 de outubro do mesmo anno, em Santa Maria 
d* Alcáçova, de Santarém. Teve por procurado- 
res o condestavel D. Nuno Alvares Pereira e o 
mestre da ordem de Christo, Lopo Dias de Sousa. 
D. Affonso, porém, que chegou a ser reconhecido 
como herdeiro do throno, faileceu aos 10 annos 
de edade, em 22 de dezembro de 1400, sendo se- 
pultado na sé de Braga, n'um tumulo de bronze 
dourado, mandado depois de propósito de Borgo- 
nha, por sua irmã, a duqueza D. Ispbcl. Por sua 
morte, succedeu no throno de Portugal, seu ir- 
mão D. Duarte. 

Affonso. Único filho legitimo d*el-rei D. João 
II e de sua mulher e prima, a rainha D. Leonor; 
n. a 18 de maio de 1475. Ainda muito creança, 
esteve como reféns em Moura, em poder da in- 
fanta D. Beatriz, por parte de Portugal, onde 

69 



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AFF 



também estava em reféns, em poder da mesma in- 
faota, por parte de Hespauha, a prioceza D. Isa- 
bel, filha dos reis catholicos D. Fernando e D. Isa- 
bel. Estes reféns ou terçarias haviam sido estipu- 
lados pelos dois governos como fiadores da paz que 
se assignara entre os dois paizes, depois da gran 
de lucta em que andaram empenhados, e que teve 
como feito d^armas culminante a batalha de Toro. 
Esta princesa D. Isabel é que foi destinada para 
esposa do joven D, Affonso; ambos contavam 
apenas 15 annos de edade, quando o casamento 
se realisou, em Évora, em 1490. Foram magesto- 
sas as festas que então se fizeram durante oito 
dias. Banquetes, justas, bailes, representaçÒes, 
etc., notando-se em todos estes alegres festejos 
a maior sumptuosidade e riqueza. Garcia de Re- 
zende, na chronica de D. JoSo II, descreve mi- 
nuciosamente a magnificência das decorações das 
salas de madeira que se improvisaram, o onde se 
viam collocadas enormes mezas repletas dos mais 
saborosos manjares; e todo o brilhantismo d*a- 
quellas festas esplendidas, tSo sympathicas para 
toda a nação. A princeza D. Isabel chegou a 
Évora em 27 de novembro de 1490, e foi rece- 
bida com a maior grandeza. Vinha a cavallo, e 
trazia a seu lado D. João II; ambos caminhavam 
debaixo d'um rico pallio de brocado, e eram se- 
guidos pelo duque de Beja, D. Manuel, D. Jorge, 
tilho natural de João II, bispos d'Evora e de 
Coimbra, condes de Monsanto e Cantanhede, e 
muitos mais fidalgos o nobres dtí reino. Na Sé 
d'Evora foi recebido o cortejo pelo cabido, em 
solcmne procissão, e depois de curta demora, se- 
guiram todos para o paço, on ie D. Leonor e seu 
filho D. Affonso os esperava, acompanhados das 
damas de honor e mais pessoas da corte. Toda 
esta alegria, porém, foi de ephemera duração, 
pelo lameutavel desastre, de que foi victima o 
desditoso principe. Chegara o mez de julho de 
1491, e as pessoas rbaes achavam-se em Almei- 
rim. Na tarde do dia 12 d*aquelle mez, el-rei D. 
João, acompanhado d*algumas pessoas da sua co- 
mitiva, foi tomar banho ao Tejo, como costumava 
todos os annos, durante o verão Na passagem 
para o Tejo, o principe e a princeza estavam 
n*uma janella, e, vendo el-rei, o principe mandou 
appareihar um ginete, e quiz acompanhai o ao ba- 
nho. Não desejando, porém, banhar-se, começou 
a correr pelo campo, no seu ginete, em quanto 
esperava, levando na sua companhia D. João de 
Menezes, o valente guerreiro ^ue se distinguiu 
em Azamor. N'uma das corridas, quebrou se o 
louro d*um estribo; o principe cahiu e com tanta 
infelicidade, que sendo arrastado pelo cavallo, fi- 
cou logo sem falia, e como morto. Acudiu muita 
gente, e o principe foi levado em braços para a 
primeira casa que se encontrou, que era a d*um 
pobre pescador. Tão depressa se divulgou a no- 
ticia, que D. João^ a rainha e a princeza corre- 
ram a soccorrer o infeliz principe. Era geral a 
consternação. Apezar dos ternos carinhos e dos 
esforços da medicina, D. Afionso falleccu no dia 
seguinte, pela uma hora da noite, tendo apenas 
16 annos; foi sepultado no mosteiro da Batalha, 
depois de se executarem grandiosas e solemnes 
exéquias. D. Atfonso era muito sympathico e 
muito estimado; a sua morte causou geral sen- 
sação. 

Affonso. 6.° filho do 2." matrimonio dVl rei D. 
Manuel e da raiaba D. Maria; n. em Évora, a 23 

70 



d*abril de 1509. Foi discípulo de Ayres Barbosa 
e de André de Rezende. Com este principe deu- 
se um caso o que foi considerado como um 
escândalo ecclcsiastico, em 1Õ16, o pontifico 
Leão X enviou-lhe o chapéo de cardeal com o ti- 
tulo de Santa Luzia, tendo o infante apenas 7 
annos de edade, ordenando que fosse provido no 
bispado da Guarda, ficando a diocese adminis- 
trada por D. Miguel da Silva; o infante teve 
também as rendas dos bispados de Vizeu e de 
Évora, e dos conventos d* Alcobaça e de Santa 
Cruz de Coimbra. Em 1522, aos 13 annos, foi pro- 
vido no arcebispado de Lisboa. Sendo um faná- 
tico de espirito acanhado, mostrou-se o maior e 

mais intolerante inimigo dos judeus^ e concor- 
reu muito para o estabelecimento da Inquisição 
em Portugal. F. a 21 d*abril de 1540, e está se- 
pultado na egreja ae Belem. Durante o tempo 
que esteve administrando o bispado d*Evora, e em 
LisWa, como arcebispo, foi que se publicaram as 
constituições do bispado d^Evora e as constitni- 
çõcs syuodaes do arcebispado de Lisboa. As 
constituições d*Evora, com algumas modificações, 
applicaram-se ao bispado de Vizeu. Damião de 
Góes diz, que o cardeal infante D. Affonso foi 
muito douto na lingua latina. 

Affonso. Filho primogénito de D. João III; n. 
•em Almeirim, a 24 de fevereiro de 1526. Morreu 
ainda em creançft, ^ está sepultado na egreja de 
Belem. 

Affonso {Álvaro). Sacerdote e doutor, perante 
o qual o infante D. Pedro, duque de Coimbra, e 
o conde d*Abranches fizeram juramento de serem 
fieis um ao outro na vida c na morte. 

Affonso (Álvaro). Portuguez, que militou na 
índia; foi capitão d*um catur, que em 1541 acom- 

fanhou ao estreito de Mekka, o governador da 
ndia, D. Estevam da Gama. Em 1556, com- 
mandou a nau da armada que o governador Fran- 
cisco Barreto mandou para soccorren o rei de 
Sindi. 
Affonso (Bastião). Ourives e afinador da moeda 
I de Lisboa, no tempo de D. João III. 
I Affonso (Diogo). Navegador portuguez a quem 
; o infante D. Henrique confiou o commando d*uma 
- das caravellas que deviam ir ao Rio do Ouro ten- 
I tar a conversão dos seus habitantes ao christia- 
j nismo. Não foi bem suceedido na empreza, assim 
I como 08 seus companheiros, Antão Gonçalves e 
i Gomes Pires. Era escudeiro do infante D. Fer- 
nando. 

Affonso (Diogo). Secretario do cardeal infante 
I). Affonso, filho d*el-rci D. Manuel. Ignora-se a 
data do nascimento e do fallecimento. Escreveu: 
Historia da vida e martyrio do glorioso saneio 
Thomaz Arcebispo^ senhor de Cantuaria^ Primas 
de Inglaterra, Legado perpetuo da saneia see 
Apostólica, treladada nouamente do latim em lin- 
goagc Português. Derigida ao Illústrissimo & muy 
excellète Prineipe senhor ho senhor do Hèrique 
Cardeal da saneia eggreja de Roma do titulo dos 
sanctos quatro coroados Jffante dt Portugal, IjC- 
gado de latere em os rcynos d senhorios de Portu^ 
gal M. D. L. II II; Vida <j& milagres da gloriosa 
\ Rainha santa Isabel^ molher do catholico Rey do 
j Dinis sexto de Portugal. Com ho compromisso da 

1 còfrarla do seu nome & graças a ella concedidas. 
I Coimbra, 1560; Vida de Sancto Amaro, dedicada 

á commendadeira do mosteiro de Sanctos, 
j Affonso (Duarte). Contra-mestre da nau de 



APF 



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Affooao d' Albuquerque, que acompanhou 4 con- 
quista d*Orniuz, sahindo de Lisboa a 18 d*abril 
de 1506. 

Affonso (D. Fernando), Filho natural de D. 
AffoDso Henriques Foi alferes -mór do reino. 

AfTooso (D, Fernando). Filho natural de D. 
AíFonso III. 

AfTonso (Fernando), Mestre da nau Santa 
Maria da Serra^ e que figurou no assalto dado 
por Affonso d* Albuquerque a Adem no anno de 
1513. 

Affonso i^Fernãol Cavalieiro português, que* 
viveu no reinado ae D. João III, o que morreu 
em 1588, com 70 annos de edade, pelejando 
valentemente contra os turcos, na conquista de 
Diu. 

Affonso (Goêpar). Jesuíta portug^ez, que pro- 
fessara em 12 de fevereiro de 1569, no coUegio 
de Évora. Era natural de Serpa. Partiu para as 
missões do Oriente em 10 d'abril de 15%, com 
mais 7 companheiros, na nau S. FrandscOy com- 
mandada por Vasco da Fonseca; padeceu nau- 
frágio nas costas da Aioerica meridional, o que 
o fez desistir do seu intento, e conseguiu voltar 
a Portugal, onde então se entregou ao ensino da 
theologia moral em Évora, passando depois para 
Coimbra, fallecendo n^esta cidade a 21 de feve- 
reiro de 1618, com 70 annos, pouco mais ou me- 
nos. Escreveu a Relação da oiagem e successoa que 
teve a nau S. Francisco^ ctc , que vem publi- 
cada no tomo II da HUtoria Tragico^maritima, 
de Bernardo Gomes de Brito. 

Affonso (D. Gil). Filho natural d*el-rei D. 
Affonso III. 

Affonso (Gregório), Portuguez do século xvir, 
escreveu: Arrenegoaquefez Gregório Affonso^ com 
outros arrenegas de GU Vicente de Lisboa. 

Affonso (João). Vedor da moeda no reinado de 
D. Duarte. 

Affonso (João). Bacharel, mordomo de D. Fer- 
nando, duque de Bragança, que foi decapitado 
DO tempo de D. João 11. Confiando a seu filho a 
escolha de differentes papeis, o escrivão de fa- 
zenda, Lopo de Figueiredo, conseguiu apoderar-se 
de documentos que muito compromettoram D. 
Fernando, e que muito contribuíram para a sua 
comdenação. 

Affonso (Manuel). Portuguez, commandante 
d*uma das galeotas da armada que acompanhou 
a Sindi, em 1546, Francisco Barreto, governador 
da índia. 

Affonso (Manuel Joaquim). Negociante e in- 
dustrial, que prestou grandes serviços á indus* 
tria portugueza; n. em 1804, em Lamas de Alva- 
dia, povoação de Traz-os-Montcs, próximo de 
Villa Real. Por causa das suas opiniões liberaes, 
foi perseguido pelo governo do infante D. Mi- 
guei, estando preso quasi todo o tempo que du- 
rou aquelle governo. Recuperando a liberdade, 
foi para L' iria, e alli residiu até á morte do ne« 

ffociante Silvério Taibner, tio de sua mulher, que 
he legou avultada herança. Estabeleceu então a 
sua residência em Lisboa. Administrou por mui- 
tos annos a fabrica de vidros da Marinha Gran- 
de, onde introduziu grandes melhoramentos; foi 
proprietário da fabrica de vidros da rua das Gai- 
votas, em Lisboa, e estabeleceu n'uma quinta 
que possuiaem Sacavém, a fabrica de louça fina, 
imitando a ingleza, que ainda hoje existe. En- 
trou em importantes operações de credito com 



diversos governos, tinha grande importância 
como industrial, e grande influencia politica no 
districto de Leiria. Na visita que D. Maria II 
fez a esta cidade, Manuel Joaquim Afionso rece- 
beu a soberana com toda a magnificência; em re- 
compensa, foi- lhe offerecido o titulo de barão do 
Lagar d^El-Rei^ que não acceitou. Manuel Joa- 
quim Affonso falleceu a 3 d*agosto de 1871. 

Affonso (Manuel José). Cirurgião portuguez 
do século xvni, irmão do outro cirurgião cha- 
mado José Francisco de Mello, que com elle col- 
laborou na seguinte obra, publicada em Lisboa, 
em 1772: Novomethodo departejar recopilado dos 
mais famigerados e salios auctores: offerecido ao 
sr. Theotonio dos Santos e Almeida. N^esta época 
estes dois cirurgiões exerciam clinica em Lisboa. 

Affonso (Mestre). Physico ou medico de Affon- 
so d'Âlbuquerque. 

Affonso (Mestre). Cirurgião-mór do estado da 
índia no tempo do governador João de Mendo- 
ça (1564), o qual o mandou para Portugal por 
terra. O manuscripto original que deixou de tão 
interessante jornada couserva-se na Torre do 
Tombo. Foi publicado nos Annaes Maritimos e 
Coloniaes^ 4.* e 5.* series. 

Affonso (Pedro). Filho natural do conde D. 
Henrique. 

Affonso (D. Pedro). Sobrinho do rei do Congo 
D. Affonso e por elle enviado a Portugal em 1515 
com seu irmão D. Francisco, afim de requererem 
a D. Manuel certas mercês. 

Affonso (Pedro). Portuguez que militou na ín- 
dia; capitão d*uma das três caravellas mandadas 
em 1546, por D. Álvaro de Castro, esperar a Sur- 
rate as naus dos mouros que viessem de Meca. Es* 
tando alli, tomou um tabo que chegava de Ormuz 
carregado de fazenda. Acabando se o provimen- 
to, foi para Diu com a presa; entrou a barra, tra- 
zendo enforcados nas vergas dos navios todos os 
mouros que captivara. 

Affonso (Pêro). Portnguez que acompanhou o 
marechal Fernando Coutinho a Calecut, em 1510, 
o qual ia encarregado de guardar com um berço 
a retaguarda dós portuguezes. 

Affonso (Pêro). Polvorista na índia no sé- 
culo XVI. 

Affonso (Simão). Portuguez, que acompanhou 
Affonso d'Albuquerque ás conquistas de Gôa, em 
1510, e de Malaca, em 1511. Foi n^este mesmo 
anno nomeado capitão d'um navio da armada 
de António de Abreu, mandado á descoberta das 
Molucas. 

Affonso (D. Thereza e D. Urraca). !.• e 2.* 
tilhas del-rei D. Affonso Henriques. 

AStouso (Vasco). Monge benedictino portuguez, 
que viveu nos séculos xiv e xv; professou no con- 
vento da Pendurada, onde falleceu; foi abbade 
do mosteiro de S. João de Cabanas, cargo que 
renunciou em 1419. Deixou escriptas umas Me» 
morias históricas do mosteiro de S. João de Ca* 
banas desde a siui fundação até ao tempo que foi 
eUe abbade. 

Affonso de Baixo, de Cima, e do Meio, Três 
casaes na freg. e cone. de Grândola, distr. do 
Lisboa. 

Affonso Henriques. Infante de Portugal, du- 
que do Porto, segundo filho d*el-rei D. Luiz I, 
e irmão de S. M. o senhor D. Carlos; n. em 31 de 
julho de 1865. Pela .sua alta gerarchia tem de- 
sempenhado as funcçÕes de condestavel do reino, 

71 



AFF 



AFR 




▼ÍBo-rei da índia, por occasiSo da ezpedifSo a 
este estado cm 1895, e representado a el-rei em 
algumas cortes estrangeiras. Ultimamente assis- 
tiu á coroaçfto do rei de Hespanha D. Aífonso ziit. 
£* general de brigada, inspector da arma de arti- 
lharia. O sr. infante D. Affonso é muito dado a 
todos os géneros de »port^ cultivando com esmero 
todos os exercicios physicos, desde as antigas 

justas e tor- 
neios, como 08 
que por sua ini- 
ciativa se rea- 
lisaram ha an- 
nos, até aos jo> 
gos mais moder- 
nos. Deixaram 
as melhores re- 
corda ç õ e s 08 
brilhantes sa- 
raus e festas mi- 
litares que tem 
promovido, es- 
pecialmente o 
que se effectuou 
em favor do ins- 

Infante D. Affonso tituto que tem 

O seu nome, des- 
tinado a educar as filhas orphás de militares po- 
bres, e do qual, conjunctamente com S. M. a rai- 
nha senhora D. Maria Pia, é fundador. Com- 
mandante honorário dos bombeiros voluntários 
d' Ajuda, comparece muitas vezes nos incêndios. 
Actualmente dedica- se com interesse ao auto- 
mobilismo. 

Afronso Sanches. Filho natural d*el-rei D. 
Diniz e de D. Aldonça Rodrigues Telha; sup- 
pôe-se que nasceu em 1228. D. Affonso Sanches 
foi sempre o filho dilecto de D. Diniz, chegando 
essa affeiçSo a inspirar violentos ciúmes a seu 
irmão D. Affonso, herdeiro do throno, que lhe de- 
clarou encarniçado guerra. D. Affonso Sanches 
casou com D.Thereza Martins, filha do conde de 
fiarcellos, D. João Affonso de Menezes, e possuia 
em Castella a villa d'Albuquorque, e por parto 
de sua mulher a villa da Codiceira. D. Diniz, 
para serenar os ânimos, e querendo evitar algum 
serio conflito entre os dois irmãos, pediu a D. Af- 
fonso Sanches que se retirasse para as suas pro- 
priedades; Affonso Sanches partiu para Castella, 
mas em 1323, julgando o irmilo mais moderado, 
mandou pedir licença para voltar á pátria, e sen- 
do-lhe concedida, dirigia se a Portugal; a sua 
presença, porém, causou novas discórdias violen- 
tas, porque D. Affonso não podia tolerar a ami- 
sade que seu pae dispensava ao irmão bastardo. 
1^- Affonso fcsanches partiu outra vez para a sua 
villa d'Albuquerque, onde viveu tranquillamente 
até que, faJlecendo D. Diniz, soube que um dos 
primeiros actos de seu irmão, subindo ao throno, 
fora confiscar-lhcr todos os bens o decretar-lhe o 
ezilio, mostrando assim bem todo o rancor que 
conservava por seu irmão. D. Affonso Sanches 
escreveu-lhe uma carta muito humilde, dizendo 
que sempre o respeitara, e agora mais do que 
nunca, porque o reconhecia como legitimo rei, 
estando prompto a servil-o com a mesma fideli- 
dade,com que servira seufallecidopae e soberano. 
El-rei a nada attendeu, e persistiu no seu propó- 
sito. D. AffoDso Sanches reuniu então os seus 
vassallos de Castella, e auxiliado pelo infante de 

72 



Hespanha, D. Filippe, entrou em som de cnerra 
pelos lados de Bragança, ao passo que d Albu- 
querque e Medellin outras tropas, por sua ordem, 
passavam a fronteira, e entravam em Portugal. 
D. Affonso IV, tendo nomeia d*esta invasão, en- 
viou o mestre d*Aviz, D. Gonçalo Vaz, á frontei- 
ra de Ouguella, que fica próximo d*AIbuquerque 
Ateara -se a guerra, e os dois exércitos encontra- 
ram se em batalha campal, ficando victoriosas as 
tropas do infante D. Affonso. El rei, deveras irri- 
tado pelo infausto successo das suas armas, reu- 
niu novamente as tropas e marchou contra Albu- 
queraue. O irmão estava em Medellin, doente; o 
castello de Codiceira, próximo d* Albuquerque, foi 
cercado, e este cerco tornou-se tão apertado, que 
o alcaide Diogo Lopes viu-se obriçado a ren- 
der-se. D. Affonso IV, com o seu espirito vinga- 
tivo, destruiu o castello, não deixando pedra so- 
bre pedra, voltando depois para Portugal, muito 
satisfeito. A rainha santa, D. Isabel, que vivia 
então retirada no convento de Santa Clara de 
Coimbra, conseguiu reconciliar os dois conten- 
dores, e oue D. Affonso IV restituisse ao irmão 
todos 08 bens que lhe havia confiscado, permit- 
tindo-lhe que voltasse para a pátria. D. Affonso 
Sanches morreu em 1329, na Villa do Conde, 
onde fundara o mosteiro de Santa Ciara. 

AfTonso. Quinta da freg. e cone. de Eztremoz, 
dtstr. d* Évora. || Quinta na freg. e cone. do Car- 
taxo, distr. de imantarem. || Fazenda da freg. de 
S. Thiago do Escoural,conc. de Montemór-o-Novo, 
distr, d* Évora. || Moinho na freg. de S. Christo- 
vam do Selho, cone. de Guimarães, distr. de 
Braga. 

Affonso Vaz. Casal da freg. de Algoz, cone 
de iSilves, distr. de Faro. 

Affonso Vicente. Pov. da freg. e cone. de Al- 
coutim, distr. de Faro. 

Affonsoeiro. Pov. da freg. e cone. de Aldeia 
Gallega do Ribatejo. 

Affonsos. Pov. da freg. e cone. de Pombal. || 
Casal da treg. de Lavos^ cone, da Figueira da 
Foz. 

Affonsos de ouro. Moedas de cruzado no rei- 
nado de D. Manuel. Parece que o nomo de affon- 
so» de ouro vem, provavelmente, de ser de D. 




^ OrnxAdo de D. Manael 

Affonso V a lei que os mandou cunhar. Assim se 
encontram designados na carta régia de 28 de 
abril de 1517. 

Afoga Zorras. Pov. da freg. da Aldeia da Con- 
ceição, cone. de Ourique, distr. de Beja. 

Afolhadella ou Filhadella. Pov. da prov. do 
Alemtejo, freg. de S. Brissos, cone. do Monte- 
mor o Noto, distr. de Évora. 

Afrelta. Aldeia da prov. do Minho, bisp. do 
Porto. 

Africa. Cabe aos portuguezes a gloria de ter 
destruído as infundadas idéas que a antigui- 
dade fez a respeito da Africa, percorrendo todas 



AFR 



AFR 



as costas, desde a Barbaria até aos confins do 
Mar Vermelho. A nação portagaeza, qao mal se 
via no extremo occidente da £uropa, tinha de 
assombrar o velho mundo com a espantosa rapi- 
des dos seus successivos descobrimentos. O acaso 
fisera-a pequena, o Oceano tornou-a grande. 
Para mostrar quanto era arriscada a navegação 
além das barreiras conhecidas, dizia um prolo- 
qaio do tempo: aQuem dobrar o Cabo Não, ou vol- 
tará ou não». O infante D. Henrique, espirito 
superior, que juntava ás prendas do saber a ener- 
gia de uma vontade inquebrantável, homem ex- 
traordinário a quem Portugal deve as primeiras 
e brilhantes paginas da sua epopôa naval^ pre- 
para as grandes combinações que hão de inteira- 
mente desmentir o proloquio timorato. Por sua 
ordem apparelham-se as velozes caravellas, que 
vSo emfim sulcar aos mares nunca d'ante8 nave- 
gados», do verso camoneano. Depois de varias 
tentativas, em 1434, passa Gil Eanes além do 
Cabo Bojador. Estava iniciada a vasta empreza. 
Em 1441, ainda por esforço do infante, é dobrado 
o Cabo Branco, e logo em seguida, colonisadas 
as margens do rio do Ouro, é avistado por Diniz 
Fernandes o Cabo Verdo. Em 1445, o navegador 
veneziano Cadamosto, ás ordens de Portugal, 
descobre a foz do Gambia; segue se na ordem 
chronologica o descobrimento do Cabo Roxo e o 
da Serra Leoa por Gonçalo de Cintra. Em 1471 
percorre-se quasi toda a costa da Guiné. Em 
1484, Diogo Cão passa a linha equinoxial, e pe- 
netra na foz do Congo. Em 1486, Bartholomeu 
Dias descobre o Cabo das Tormentas, que o 
enérgico príncipe D. João II baptisa afortunada- 
mente em Cabo da Boa Esperança. Em 1497, 
Vasco da Gama dobra esse cabo na sua heróica 
derrota para a índia, e explora a costa oriental 
até Magadoxo. Outros audaciosos capitães, imi- 
tando os feitos dos seus illustres antecessores, 
chegam também a estas longínquas paragens. 
Francisco Barreto reconhece iáofala*, Alvares Ca- 
bral penetra em Quiloa; e o grande Albuquerque, 
descobrindo as ilhas de Zanzibar, percorre em 
seguida a costa oriental até entrar no Mar Ver- 
melho. A prioridade de taes descobrimentos tem 
sido contestada, mas os argumentos produzidos 
não conseguiram mais do que tazer assentar em 
irrefutáveis provas os nossos titulos do gloria. As 
pretençÕes dos castelhanos, italianos e ^'ancezes, 
não teem o menor fundamento. As que se apre- 
sentaram com mais insistência attribuem aos 
dieppezes as navegações e descobrimentos além 
do Cabo Não, e a fundação a começar em 1365 
de feitorias e estabelecimentos commerciaes des- 
de a foz do Seneeal até á extremidade do golfo 
da Guiné. Mas, além de que documentos authen- 
ticos mostram que os portuguezes já em 1336 ti- 
nham levado as suas navegações além do Cabo 
Não, é certo que não se apresenta memoria, 
mappa ou documento algum que prove houvesse 
na época citada (jualquer estabelecimento fran- 
cez na Africa occidental. Taes estabelecimentos 
não poderiam ter ficado ignorados dos portugue- 
zes, mas das nossas chrouicas nada consta a tal 
respeito, antes d*ellas se vô claramente não te- 
rem encontrado os nossos navegadores vestigio 
de quem os houvesse precedido n^aquelles mares. 
Todos 08 nossos descobrimentos e conquistas não 
fôram contestados durante mais de dois séculos 
por nenhoma nação, e, ao contrario, fôram reco- 



nhecidos por todas, sem exceptuar a França. Não 
cabe na extensão d'este artigo tratar largamente 
a questão dos descobrimentos dos dieppezes a 
que nos referimas acima. Foi cila magistralmen- 
te estudada pelo visconde de Santarém, c depois 
do que elle e Major escreveram, a ninguém é per- 
mittido aventar que, antes da passagem do Cabo 
Bojador por Gil Eanes, em 1434, qualquer nação 
da Europa conhecesse a costa além do dito cabo, 
ou que ella se encontre marcada em alguma car- 
ta, ou assignalada em qualquer abra cosmogra- 
phica. Em seguida aos oescobrimentos, ou antes 
a par com elles, fundaram os portuguezes vários 
estabelecimentos commerciaes e fortalezas. Em 
1444 fundou-se em Lagos, sob a direcção do in- 
fante D. Henrique, uma companhia, cujo fim era 
continuar os descobrimentos e fazer o commer- 
cio da Africa; a esta companhia pertenciam es- 
pecialmente as pescarias; outra que tinha a sede 
em Arguim, occupava-se do commercio com o 
sertão. As relações com o interior mereceram 
sempre grande attenção. Entabolou-se commer- 
cio com os maiores príncipes da Africa occiden- 
tal, e enviaram-s<s embaixadas aos reinos do in- 
terior. Foi então a Africa percorrida em muitas 
direcções pelos missionários e exploradores por- 
tuguezes, e tão longe levaram elIcs as suas in- 
vestigações, que poae assegurar-se que os via- 
jantes modernos não se teem adiantado muito ao 
quo pelos roteiros e viagens d*aquelles era já co- 
nhecido. Desde as viagens á Ab7Ssinia,nofímdo 
século XV, por Pêro da Covilhã e Affonso de Pai- 
va, até ás viagens de uma a outra costa por Ca- 
pello e Ivens, pôde dizer se quo não temos ces- 
sado nas explorações geographicas. O que muitos 
viajantes mais modernos pretenderam como glo- 
ria sua, estava de ha muito registado nos traba- 
lhos dos portuguezes, e nem na famosa questão 
das nascentes do Nilo se foi muito além do que 
nos deixaram dito Francisco Alvares, Duarte Lo- 
I pes, Pedro Paes, Baltbazar Telles e João dos 
' Santos, f V. estes nomes). Modernamente a Africa 
I tem sido a parte do globo para onde convergem 
1 as explorações scientificas; das expedições fran- 
cezas, italianas ou inglesas, que exploram o inte- 
; rior do continente africano. Alguns d'esses via- 
[ jantes teem effectuado o trajecto de uma a outra 
' costa, e pretendido sustentar que tal commetti- 
mento só recentemente fora levado a cabo. Ainda 
n*este ponto teem, porém, de nos ceder a gloria, 
A communicação de uma com outra costa desde 
o século XVII que preoccupava os portuguezes, e 
já em 1606 fora Balthazar Kebello de Aragão en- 
carregado pelo governador de Angola de desco- 
brir a communicação fácil pelo interior com a 
costa oriental, o que então se não poude realisar. 
Houve depois novas tentativas, que também não 
chegaram a ser levadas a efi^eito, até que moder- 
namente, o que desde muito se intentava, se 
logrou verificar antes que nenhum dos viajantes 
e exploradores estrangeiros nos houvesse prece- 
dido. As viagens de José Maria de Lacerda em 
1787, do dr. Lacerda em lldH, de Francisco João 
Pinto em 1789, de Pedro João Baptista de 1806 
a 1811, do major Monteiro em 1831, de António 
Francisco da Silva Porto em 1852, de Francisco 
José Coimbra no mesmo anno, de Capello e Ivens 
em 1885^ os auaes, como alguns dos primeiros 
atravessaram de uma a outra costa, e os demais 
fizeram a parte mais difiicil do trajecto, são prova 

73 



AFR 



Â0A 



irrefragavel o&o só d'e8ta asserção, mas do em- 
penho que jamais deixou de incitar os portugue- 
ses de completarem os descobrimentos de uma 
poicáo da costa do continente africano com a 
exploração da vasta reg^So interior, ainda hoje 
occulta em grande parte sob denso véo aos olhos 
do mundo civilisado. De tantos esforços e herói- 
cidades são padrões immorredouros as possessões 
que ainda nos restam. Assim, podemos men- 
cionar: ilhas da Madeira e Porto Santo, archi- 
pélago de Cabo Verde; os estabelecimentos de 
Bissau, Cacheu, Farim, Bubola, etc; o archipe- 
lago de Bijagoz e a ilha de Bolama na costa da 
Senegambia; as ilhas do S, Thomi e Prineipe, 
no golpbo da Guiné; as províncias de Angola e 
Benguela, na Guiné inferior; e a provincia de 
Moçambique e todas as suas extensas dependên- 
cias. (V. estes nomes). 

Africa Oocidental(^(7ompaiiAta (íaj.N*nma por- 
taria de 10 de julho de 1837, expedida peloThe- 
souro Publico, dizia-se que, desejando Sua Ma- 
gestade promover a prosperidade da nação, era 
sem duvida um dos meios mais eficazes para 
obter tão importante fim o estabelecimento de 
companhias, quando creadas para animar a in- 
dustria agrícola, manufactora e commercial, as- 
sim como a navegação naoional, principalmente 
nas possessões do ultramar. Alguns negociantes 
haviam projectado o estabelecimento de uma 
companhia com esses fins, sob denoninação de 
Companhia da Ajrica Occidental. Mandava por 
isso o governo, por aquella portaria, ouvir as as- 
sociações mercantis de Lisboa e Porto, para que, 
examinando o assumpto, com toda a circums- 
pecçãO; propusessem as condições de favor reci- 
proco entre o governo e a companhia mais con- 
ducentes com tão importante objecto. Em porta- 
ria circular de 19 de dezembro do mesmo anno 
dirigida áquellas associações e ás de Setúbal, 
Figueira o Funchal, recommendava-se o estudo 
do assumpto. Estas ultimas terras eram especial- 
mente interessadas porque se procurava abolir o 
monopólio do sal de Angola e Benguela. Ainda 
em portaria de 19 de dezembro de 18c57 o gover- 
no pediu ás associações mercantis reunissem os 
seus sócios para o exame d*um plano de compa- 
nhias para Africa. A Associação Mercantil Lis- 
bonense satisfez a esses desejos, sendo elogiada 
em portaria de 28 de setembro de 1839. Não 
houve, porém, sequencia d*e8tes estudos. 

Africa Oriental (Companhia da). Não passou 
de^ projecto esta companhia privilegiada, para 
cuja formação foi apresentada ao governo uma 
proposta datada de 11 de março de 1853. Propu- 
nha-se a companhia a administrar e explorar os 
territórios portuguezes da Africa Oriental. Man- 
dado consultar o Conselho Ultramarino sob a pro- 
posta, pronunciou-se este com considerações que 
a contrariavam, sendo em primeiro logar as ra- 
zões de ordem legal e constitucional, depois a 
falta de garantia offerecida pelos proponentes e 
ainda os resultados de companhias similares. A 
respectiva consulta era assignada por Sá da Ban- 
deira, José Ferreira Pestana, João de Fontes 
Pereira de Mello, Domingos Correia Arouca, An- 
tónio Jorge de Oliveira Lima. Almeida Garrett 
não se conformou com a opinião dos collegaa e 
redigiu voto em separado, com disposições minu- 
ciosas sobre a organisação que deveria ter a 
companhia. Na proposta apresentada ao governo, 

74 



que deu logar a este parecer e áquella consulta, 
e sobre a qual se seguiram novas prop^^tas e pa- 
receres até 1856, figuram as assignaturas do Mar- 
âaez da Bemposta Subserra, José Ferreira Pioto 
asto, João Rebello da Costa Cabral, Visconde 
da Luz, Anselmo Ferreira Pinto Basto, e Conde 
de Ferreira. Depois de muitos trabalhos de eom- 
missões cspeciaes, troca de propostas, pareceres 
e consultas, não se tomou nenhuma resolução de- 
finitiva. 

Africana Occidental Portngaena (Compa- 
nhia).Em 1848 projectou-se a fundação d*uma com- 
panhia com este titulo, que tinha por fim cons- 
truir um caminho de ferro a vapor entre Loanda 
e o districto de Calumbo e estabelecer nas mat- 
tas do rio Quanza uma serraria de madeira tam- 
bém a vapor. Eram fundadores Silvano Francis- 
co Luiz Pereira, negociante português residente 
em Londres, Arsénio Pompilio Pompeo de Carpo, 
de Loanda, A. V. R. Schut, cônsul português em 
Hamburgo, e E. G. PomoIo. O projecto d'eBta 
companhia publicou-se em Londres, n*aqoelle 
anno, em portuguez e inglez. Comprehendem os 
estatutos diversos cálculos, despezas, etc., muito 
interessantes. 

Afará. V. Abutua. 

Afbrada. Pov- em Villa Nova de Gaya, si- 
tuada na margem esquerda do Douro, na en« 
trada marginal da Foz. E* habitada (|aasi ex- 
clusivamente por pescadores. A sua industria 
predominante é a pesca do mexoalho ou caran- 
guejo, que é destinado ao adubo agrícola. Esta 
pov. nada tem de notável; só o que se vê de mais 
importância é a fabrica de prepararão do me- 
xoalho, pertencente á Real Companhia de Agri- 
cultura Portugueza. 

Afnto. Reino de Africa Occidental, na Guiné, 
cujo monarcha se converteu ao christianismo em 
loOS, mandando fazer uma casa de oração para 
ouvir missa e onde se baptiaaram todos os prín- 
cipes do logar e duas mulheres do rei e um filho, 
ao todo umas trezentas pessoas, conforme relata 
Diogo de Alvarenga a el-rei D. Manuel em sua 
carta, datada de S. Jorge da Mina a 18 de agosto 
do referido anno. 

Agaçaim (S. Lourenço de). Regedor ia do con- 
celho das Ilhas, no districto de Gôa, na índia. 

Agacho. Herdade da pov. do Alemtejo, freg. 
e cone. de Extremoz, distr. de Évora. 

Agadâo. Pov. e freg. (Santa Maria Magda- 
lena) da prov. do Douro, cone. e com. de Águeda, 
dist. d*Aveiro, bisp. do Coimbra. 631 alm. e \2% 
fog. Tem escola do sexo masc. o estação postal, 
permutando malas com Águeda. A pov. dista 15 
k. da sede do cone. e esta situada a O da serra 
do Caramulo. || Rio, aíHuente do Águeda; n. na 
serra do Caramulo, no sitio de Alfomála. Morre 
no rio Vouga, na ponte de Almeár, Juntam-se a 
elle os ribeiros Alfusqueiro e Ceitoma. 

Agafei. Casal da pov. do Alemtejo, free. do 
Espirito Santo, cone. de Mertola, distr. de Beja. 

Agaia de Baixo. Pov. da pro/, da Estrema- 
dura, cone, d*Alcobaca, dist, de Leiria. 

Agares. Pov. da treg. de Villa Marim, cone 
de Villa Real. Ha n*esta pov. as ruinas de um 
castello, com muralhas exteriores e uma cisterna, 
que parece ter sido dos árabes. Existe também 
aqui perto uma cova, d'onde se diz, que ha cerca 
de 2 séculos se tirou um grande caixão cheio de 
moedas de ouro. Na serra está uma estrada aberta 



AOA 



AGR 



Dai penhas, com aaida para a parte de Ermêllo. 
Ágartê vem por corrupção da palavra árabe Al- 
gartê^ que significa plantador, ou de algar ^ cova, 
concavidade. U Freg. de Villaiinho de 8annadã, 
cone e dist de Villa Real. 

Agarraildò. Regedoria do cone. de Perném, 
dislr. de Qôa, na Índia. 

Acatoalra da Baixo e de Cima. Pov. e 
fre^. da prov. da Estremadura, cone. de S, 
Thiago do Cacem, dist. de Lisboa. 

Ageita. Pov. da freg. de Rubiftes, cone. de 
Paredes de Coura. 

Asaste. Quinta da prov. do Alemtejo, freg. 
cone. e distr. de Évora. 

A^IL Casal na freg. de Santa Clara a Nova, 
no cone de Almodovar, dist. de Beja. 

Acilde. Pov. da fireg. de Bustello, cone. de Pe- 
nafiel, distr do Porto. || Pov. e freg. da prov. do 
Minho, cone. e com. de Celorico de Basto. dist. 
o areeb. de Braga. 1018 alm. e 233 fog. Á pov. 
ditt. 2 k. da sede do concelho. £* orago Santa 
Entemia, 

Aginal. Casal da prov. do Minho, freg. do Mos- 
teiro, cone. de Villa do Conde, distr. do Porto, 
areeb . de Braga. 

Aginho (Santo). Pov. da freg. de S. Jofto 
d* Agra, cone de Caminha. 

Aglot. Aldeia do cone. de Sanguém, dist. de 
Q6a, na índia. 

Afoadalto. Pov. da freg. do Aguada de Cima, 
cone. de Águeda. 

Acodim. Pov. da freg. de Colmeias, cone. e 
dist. do Leiria 
Agoeiras. V. Agueiras. 
Agoelro. V. Agueiro, 
Agoella. y. Aguella. 

Agonda. Regedoria do cone. de Canácona, 
dist. de Uôa, na índia. 

Agoneida* Pov. da freg. de Mosteiro, cone. do 
Feira, dist. d* Aveiro. || Pov na freg. Pereira Ju- 
san, cone. d*Ovar, dist. d*Aveiro. 

Agordel. Logar da freg. de Moure, cone. de 
Barcellos, dist. de Braga. 

Agordella. Pov. da freg. de Tinhella, cone. 
de Valle Passos, distr. de Villa Real. 

Agordigo. Pov. da freg. de Gandarella, cone. 
de Guimarães, dist. de Braga. 

Agostas. Pov. da freg. de Boliqueime, cone. 
de Loulé. 

Agostom. Pov. e freg. da prov. de Traz-os- 
Montes, cone. e com. de Chaves, dista de Villa 
Ueal, areeb. de Braga. 1438 alm. e 358 fog. Tem 
escola do sexo masc. A pov. dista 6 k. da sede 
do cone. E* orago S. Pedro. 

Agoatln da Cunha (João Pereira). Um dos 
dose cavalleiros de Inglaterra N. junto da Serra 
da Estrella. Era filho de Gil Vaz ou Vasques da 
Cunha, a quem D. João I fez mercê do senhorio 
de Gestaço, e seu alferes-mór. O mesmo mouar- 
cha ainda lhe concedeu muitas mais mercês pelos 
serviços prestados na guerra contra Castella so- 
bre a Buccessão do reino. A sua ascendência era 
muito illustre, provinha da antiga família dos 
Cunhas, cujo progenitor foi D. Guterre, que veiu 
á Lusitânia com o conde D. Henrique a combater 
nas guerras de Hespanha. João Pereira Agostin 
era senhor de Gestaço e de Panoias. Por parte 
de sua mãe, D. Isabel Pereira, também descen- 
dia de família muito distincta, porque D. Izabel 
era filha de D. Fr. Álvaro Gonçalves Pereira, 



prior do Crato, e irmã de D. Nuno Alvares Pe- 
re^^-a. Foi João Pereira Agostin um d*aquelles, 
doze intrépidos cavalleiros, de quem se conta 
que na corte de Inglaterra tanto acreditaram o 
nome português, offerecendo-se generosamente 
com Alvares Gonçalves Coutinho o Magriço^ para 
desaggravar as damas de Londre8,a requerimento 
do duque de Lencastre. Foi chamado e mereceu ' 

nome de Agostin por outra semelhante acção 
de valentia, com que n*aquelle mesmo reino ma- 
tou em publico desafio um inglês, que tinha este 
nome. Casou com D. Isabel Fernandes de Moura, 
filha de Alvares Gonsalves de Moura, senhor do 
Castello de Moura e de Portel, e outras terras, e 
de D. Urraca Fernandes Rolim, senhora de Asam- 
buja. 

Agostinhas. Herd. ou courella, na freg. d'Evo- 
ra-Monte, cone de Estremes, distr. d'Evora. 

Agostinho. Horta na freg. e cone. d*Alandroal, 
dist. d*Evora. 

Agostinho {Joaquim José). Viveu no século 
xviii; escreveu: Prolusôes, que na sessão publica 
da abertura do ÍO."* curso da Academia Orthogra- 
phica Portugueza^auxiliando João Pinheiro Freire 
da Cunha, sustentou em 28 de setembro doeste annà, 
demonstraídos pelos mais sólidos fundamentos, Lis- 
boa, 1794. 

Agostinho (Nicolau). Presbytero secular, có- 
nego em Ourem, e notário do Santo Officio. N. 
em Pedrógão Pequeno, no Alemtejo, e morreu 
em Évora, a 18 de novembro de 1622; era hlho 
de Manuel Freire e de Maria Arnaut. Escreveu: 
Relação summaria da vida do ÍW."» e rew "»* sr. 
D, Theotonio de Bragança, quarto arcebispo de 
Évora. Dirigida ao iUJ^"* br. D. José de Mello, 
filho do marquez de Ferreira, septimo arcebispo de 
Évora, Évora, 1614. 

Agostos. Pov. da freg. de Santa Barbara de 
Nexe, cone. e dist. de Faro. 

Agra. Pov. na freç. da Correlhã, cone. de Ponte 
de Lima, distr. de Vianua .do Castello || Pov. na 
freg. de Villa Mou, cone. de Ponte de Lima, distr. 
de Vianna do Castello. || Pov. na freg. d'Alvellos, 
cone. de Barcellos, distr. de Braga. || Pov. na freg. 
de Faria, cone. de Barcellos, distr. de Braga. || 
Pov. na freg. de Sequiade, cone. de Barcellos, 
distr. de Braga. |í Pov. na freg. de Seaueira, cone. 
e distr. de Braga. || Pov. na freg. de Vimieiro, 
cone. e distr. de Braga. I| Pov. na freg. de Bri- 
tei lo, cone. de Celorico de Basto, distr. de Braga. 
II Pov. na freg. de Fonte Boa, cone d'Espozende, 
distr. de Braga. || Pov. na freg. de Moreira de 
Cónegos, cone. de Guimarães, distr. de Braga. || 
Pov. na freg. de Campo, cone. de Povoa de La- 
nhoso, distr. de Braga. ;| Pov. na freg. de Roças, 
cone. de Vieira, distr. de Braga. || Pov. na free. 
de Santa Maria Arnoso, cone. de Villa Nova de 
; Famalicão, distr. de Braga. || Pov. na freg. da 
! Cruz, cone. de Villa Nova do Famalicão, distr. 
' de Braga. || Fov. na freg. de S. Martinho d'Esco- 
: riz, cone. de Villa Veide, distr. de Braga jl Pov. 
na freg. de S. Thiago de Figueiró, cone. d^Ama- 

1 raute, distr. do Porto. ;| Pov. na freg. de Auccde, 
■ cone. de Baião, distr. do Porto. || Pov. na freg. de 

Lagares, cone. de Felgueiras, distr. do Porto. || 
Pov. na freg. de Margaride, cone. de Felgueiras, 

I distr. do Porto. || Pov. na freg. de Pedreira, cone. 

: de Felgueiras, distr. do Porto, jj Pov. na freg. de 

I Refoutoura, cone. de Felgueiras, distr. do Porto. 

j II Pov. na freg. de Milheiros, cone. da Maia, distr. 

75 



AOR 



AGR 



do Porto, n PoT. na freg. de Gaidões, cone de 
Saoto Tbyrso, distr. do Porto, g Pov. na freg. da 
Palmeira, cone. de Santo Thyrso, distr. do Porto. 
II Pov. na freg. d'Âzurara, cone. de Villa do 
Conde, distr. do Porto. || Pov. na freg. e cone, de 
Lamego, distr. de Vizeu. || Casal na freg. d*Aza- 
rero, cone. de Gaimarães, distr. de Braea. jj Pov. 
na freg. de Bente, cone. de Villa Nova de Fama- 
licão, distr. de Braga. || Dois casaes na freg. de 
Mancullos e Tellòes, cone. d* Amarante, distr. do 
Porto. II Quinta na freg. de Porporiz, cone. de 
Monsãoy distr. de Vianna do Castello. ( Quinta 
da freg. de Foz do Souza, cone. de Gondomar, 
distr. do Porto. || Quinta na freg. de S. Martinho 
Sardoura, cone. de Castello de Paiva, distr. de 
Aveiro. II Sitio na free. de S. Martinho de Villa 
Frcscainha, cone. de Barcellos, distr. de Braga. 
II Pov. da freg. de S. Mamede Nesrellos, cone. 
de Santo Thyrso, distr. do Porto. || Pov. na freg. 
da Correira, cone. de Povoa de Lanhoso, distr. 
de Braga. ;| Pov. na freg. d*Aldoar. 

Agra de Alem. Pov. na íreg. de S. Torquato, 
cone. de Guimarães, distr. de Brasa. || Pov. na 
freg. de S. Martinho, cone. de Villa riova de Fa- 
malicão, distr. de Braga. U Pov. na freg. da Po- 
voa, cone. de Chaves, distr. de Villa Real. 

Agra de Baixo. Pov. da freg. de Villar Pi- 
nheiro, cone. da Maia, distr. do Porto. 

Agra do Banho. Rio da piov. do Minho, 
aíHucnte do Lima. Cria trutas, escallos, eirozes 
e panchorcas. 

Agra Boa. Pov. da freg. de Panque. cone. de 
Barcellos, distr. de Braga. 

Agra do Boi. Pov. da freg. das Duas Egrejas, 
cone. de Paredes, distr. do Porto. 

Agra de Gà. Casal da freg. de S. Torquato, 
cone. de Guimarães, distr. do rorto. 

Agra do CSasal Antiga pov. da prov. do Mi- 
nho; termo do Porto. 

Agra GhA. Antiga pov. da prov. do Minho, 
bisp. do Porto. 

Agra Maior. Pov. nas freg. de Fonte Coberta, 
cone. de Barcellos, distr. de Braga, e Vermoim, 
cone. da Maia, distr. de Bra^a. 

Agra Nova. Logares da freg. Milheiros, cone. 
da Maia, distr. do Porto e da freg. e cone. de Góes, 
distr. de Coimbra. 

Agra de Sà. Sitio da freg. de Sequiade, cone. 
de Barcellos, distr. de Braga. 

Agra do Souto. Pov. da freg. de Ávidos, cone. 
de Villa Nova de Famalicão, distr. de Braga. J| 
Pov. na freg. de Detaes, cone. de Villa Nova ae 
Famalicão, distr. de Braga 

Agra Velha. Pov. da free. de Moreira, cone. 
da Maia, distr. do Porto. || Pov. na freg. da Pa- 
rada, cone. e distr. de Braga, jj Pov. na freg. e 
cone. de Góes, distr. de Coimbr^. 

AgraçÕes. Pov. da freg. da 'Povoa de Agra- 
ções, cone. de Chaves, distr. de Villa Beal. 

Agradella. Pov. da freg. d' Avintes, cone de 
Villa Nova de Gaya, distr. do Porto. 

Agradine. Log. da freg. d' Avintes, cone. de 
Villa Nova de Gaia, distr. do Porto. 

Agrafonte. Pov. nas freg. de Calvos, cone. de 
Guimarães, distr, de Braga; Mire, Tibães e Pa- 
nelas, cone. e distr. de Braga. 

Agrainhas. Pov. na freg. de Paranhos, cone. 
e distr. do Porto. 

Agrâo. Casal da freg. de Achete, cone. e distr. 
de Santarém. 

76 



Agras. Pov. na freg. das Barrocas, cone de 
Monsão, distr. de Vianna do Castello. || Três lo- 
gares nas freg.*" de Santa Leocadia de Briteiros, 
Gandarella e Salvador do Souto, cone. de Gaima- 
rães, distr. de Braga, |j Pov. na freg. de Athaide, 
cone. de Amarante, distr. do Porto. || Pov. na freg. 
de Cernadello, cone. de Lonzada, distr. do Porto. 
jl Pov. na freg. de Mansores, eonc. de Aroaca, 
distr. de Aveiro. [| Pov. na freg. d*07am, cone. 
d*01iveira do Bairro, distr. d*Aveiro. jj Pov. na 
freg. de Codal, cone. de Macieira de Cambra, 
distr. d' Aveiro. 

AgraTia oa Algarvia. Pov. na fireg. de S. 
Paio de Jolda, cone de Arcos do Valle de Vez, 
distr. de Vianna do Castello. 

Agreira. Casal na freg. e cone de Torres No- 
vas, distr. de Santarém. 

Agreiros. Casal da freg. de Sapataria, cone. 
de Arruda dos Vinhos, distr. de Lisboa. 

Agrella. Pov. e freg. da prov. do Douro, cone. 
e com. de Santo Thyrso, dbtr. e bisp. do Porto. 
589 alm. e 181 fog. Tem escola do sexo mpse. e 
estação postal permutando malas com a B. A. M. 
Deriva a palavra do latim agro que significa 
terreno agreste e também campo. Em antigo por- 
tuguez agrdla é diminuitivo de agra. I| Pov« e 
freg. da prov. do Minho, cone. e com. de Fafe, 
distr. e arceb. de Braga. 289 alm. e 79 fbg. A 

Eov. dista 12 k. da sóde do cone. As tropas ca- 
ralinas commandadas pelo barão do Casal com- 
metteram em 1816 n*esta pov. atrocidades inau- 
ditas e horríveis assassinatos. £' erago Santa 
Christina. || Pov. da frog. de Ervededo, cone. de 
Chaves, distr. de Villa Real. || Id. da freg. de 
Grade, cone. cone. de Valle de Vez, distr. de 
Vianna do Castello. || Trcs pov. nas freg.' de Agra, 
Formariz e Insalde, cone. de Coura, distr. de 
Vianna do Castello. || Pov. da freg. de Nogueira, 
cone. de Ponte da Barca, do mesmo distr. (j Cinco 
pov.' nas freg.** de Aborim, Aguiar, S. Estevam 
de Bastuço, Chavão e Quintães, cone. de Barcel- 
los, distr. de Brpga. || Pov. da freg. de Britello, 
cone. de Celorico de Basto, no mesmo distr. jj 
Pov. da freg. e cone. do Fafe no mesmo distr. || 
Duas pov.* nas freg.*" de Athães e Salvador de 
Briteiros, cone. de Guimarães,distr., idem. || Duas 
pov.* nas freg.*' Esmoriz e Oliveira, cone. de 
Villa Nova de Famalicão, distr., idem. || Id. nas 
freg.*', Gondiães e S. Pedro de Vai Bom, rojc. 
de Villa Verde, distr., idem. || Pov. da freg. de 
Leça de Bailio, cone. de Bouças, distr. do Porto, 
II Id. da freg. Avelleda, cone. de Lousada, distr. 
do Porto. II Id. da freg. de Milheiros, cone da 
Maia, distr., idem. || Duas pov.* nas freg,*' de 
Duas Egrejas e Mouriz, cone. de Paredes, distr., 
id. II Três pov.* nas fre^.** Abragão, Castel- 
lões de Recezinhos e Rio de Moinhos, cone. 
de Paredes, distr., id. || Pov. da freg. de Ba- 
lazar, cone. de Povoa de Varzim, distr., id. jj 
Id. freg. de Monte Córdova, cone. de Santo Thprr* 
80, distr., id. II Id. freg. de Serzedo,conc. de Villa 
Nova de Gaya, distr , id. || Id. freg. de Canedo, 
cone. da Feira, distr. d'Aveiro. || Casal da freg. 
Salvador de Briteiros, cone. de Guimarães^ distr. 
de Braça. || Id. freg. da Várzea, cone. de Ama- 
rante, distr. do Porto || Id. freg. Lustosa, cone. 
de Lousada, distr., id. || Id. freg. de Sande, cone. 
de Marco de Canavezes, distr. id. || Quinta, id. 
freg. de S. Pedro Vade, cone. de Ponte da Barca, 
distr. de Vianna do Castello. |l Sitio da freg. de 



âgr 



AGR 



S. Martinho da Villa Frescainha, codc. de Bar- 
eellos, distr. de Braga. || Habitação, na freg. de 
Mattos, cone. de Marco de CanAvczes, distr. do 
Porto, y Serra, na freg. d*Agrella, entre os rios 
Leça e Ferreira, cone. de Santo Thyrso. F/ alta 
e alcantilada, com 3 k. de comprimento |{ Rio 
do Minho, nasce na freg. de Santa Leocadia de 
Besteiros, atravessa a de S. Thomé de Caldellas 
o desagua no Rio Ave. 

Agrella de Cima e de Baixo. Duas povoa- 
ções da freg. de i^aiieuedo, cone. da Feira. 

Agrellas. Log. da freg, de Silvares .cone. de 
GnimarSes, distr. de Braga. 

Agrello. Pov. na prov. da Beira Baixa, freg. 
da Figueira de Lorvão, cone de Penacova. Teve 
foral, que lhe foi dado em 13 de setembro de 1265 

Sor D. Affonno III. No fundo d*um valle, perto 
a povoação, a que chamam Valle do CauaUo 
joDto a um monte, ha uma concavidade, pelo 
mesmo monte dentro, aberta a picão em rocha 
viva, obra que parece impossivel a forças huma- 
nas. Na concavidade está uma lagoa funda, cuja 
agoa nem eresce, nem mingua, nem corre. Dizem 
que pelos annos do 1717 um abbade da freguezia, 
. chamado António de Magalhães, querendo saber 
e que havia dentro da lagoa, a mandou exgotar; 
o estando esta enxuta, desceram homens com lan- 
ternas a investigar. Acharam umas escadas que 
desceram, encontrando em baixo uma grande 
sala, onde estavam 4 figuras collossaes, apoutan- 
do-lhe armas, pelo que cheios do medo fugiram, 
e ninguém mais quiz saber o que aquillo era. || 
Pov. na freg. de Villar de Mouros, cone. de Ca- 
minha, distr. de Vianna do Castello. |l Pov. na 
freg. de Manzedo, cone. de Monsão, distr. de Vianna 
do Castello. || Pov. n% freg. de Cossourado, cone. 
do Barcellos, distr. de Braga. Pov. na freg. de 
Nogueira, cone. e distr. de Braga. || Pov. na freg. 
de Tadim e Fradellos, cone. e distr. de Braga. 
II Pov. na freg. de Santa ChristinA de Arões, 
cone. de Fafe, distr. de Braga. || Pov. na freg. de 
Qniuchâes, cone de Fafe distr. de Braga. || Qua- 
tro iogares, nas freg ' de Santa Maria de Airão, 
Donin, Gonça, Serzedello, cone. de Guimarães, 
distr. do Braga. |l Pov. na freg. de Castellõcs, 
cofic. de Villa Nova de Famalicão, distr. de 
Urnça || Dois Iogares, nas freg.* de Parada de Ga- 
tim'c Sabariz, cone. de Villa Verde, distr. de 
Braga. || Pov. na freg. de Sendim, cone. do Fel- 
gueiras, distr. do Porto; tem caixa postal. Pov. 
ua freg. de Meinedo, cone. do Lousada, distr do 
Porto. II Dois Iogares das freg.' de Bitarães e Lor- 
dello, cone. de Paredes, distr. do Porto. || Pov. 
na freg. de Rans e Carmas, cone. de Penafiel, 
distr. do Porto. O Pov. na freg do Monte Córdova, 
cone. de Santo Thjrso, distr. do Porto. || Dois 
casaes nas freg." de Pombeiro de Riba Vizella e 
Sousa, cone. de Felgueiras, distr. do Porto || 
Quinta, nas freg. de Pombeiro de Riba Vizella, 
cone. de Felgueiras, dist. do Porto, jj Sitio ua 
freg. de S. Martinho do Campo, cone. de Santo 
Thjrso, distr. do Porto. 

Agrelios. Pov. da freg. de Sanfins, con. de 
Alijó, distr. do Villa Real D Id. da freg. de Covas, 
cone. de Boticas, distr. id ;{ Duas pov.' das freg.' 
Rendufe e Rio do Cabrão, e Pedroso, cone. de 
Arcos de Valle de Vez, distr. de Vianna do Cas- 
tello. II Pov. da freg. de Esporões, cone. e distr. 
de Braga. || Id. da freg. de S. João das Caldas, 
cone. de Guimarães, distr. id. || Ld. da freg. de 

YOL I. — FL. 10 



Santa Cruz do Douro, cone. de Baião, distr. do 
Porto. II Id. da freg. de Cabeça Santa, cone, de 
Penafiel, distr. id. || Id. da freg. de Figueira de 
Lorvão, cone. de Penacova, distr. de Coimbra. I! 
Casal da freg de Paraiso, cone. de Guimarães, 
distr. de Braga. || Quinta de Santa Cruz do Douro, 
cone. ne .fiaião distr. id. || Id. da freg. de Rai- 
monda, cone. de Paços de Ferreira, distr. idem. 

Agria. Pov. na freg. e cone de Figueiró dos 
Vinhos, distr. de Leiria. || Pov. na freg. e cone. 
de Pedrógão Grande, distr. de Leiria. 

Agrla Boa. Pov. na freg. de Bandara, cone. 
de Ponte de Lima, distr. de Vianna do Castello. 

AgriáLo. Pov. do litoral pertencente ao cone, e 
com. da Povoação', distr. de Ponta Delgada, bisp. 
d' Angra, na ilha de S. Miguel. Fértil em casta- 
nheiros. 

Agri-Boa. Pov. na freg. de Cepòes, cone. de 
Ponte de Lima, distr. de Vianna do Castello. 

Agricultara. Na parte da península hispâ- 
nica, correspondente hoje no reino de Portugal, 
a agricultura dos primeiros povoadores poucos 
vestígios deixou. Os iberos, os celtas, os ligures, 
os phenicios e os gregos nada fizeram que se 
possa comparar ao que depois, passados ainda os 
wisigodos e os bárbaros, praticaram os mouros. 
A agricultura com a invasão árabe tem a sua 
época mais formosa. £' o musulmano Ibn Alauam 
quem, na sja obra sobre a agricultura dos mou- 
ros na península, pôde dar valioso testemunho. 
Mas, atravez dos séculos, tem-se mantido como 
monumento útil todos os instrumentos agrícolas 
e todas as culturas que os sarracenos trouxeram 
A picotOf ou cegonha^ esse primitivo meio de ti- 
rar a agua do fundo dos poços é obra sua. A nora, 
esse engenho de tirar a agua, que a poesia dos 
tempos torna agradável, é com o calabre e com 
os alcatruees um invento dos árabes ou, pelo me- 
nos, uma das machinas por cllcs aqui implanta- 
das. Embora se diga que, de outras civilisaçõcs 
trouxessem os engenhos, nem por isso o seu pa- 
pel é menos bello, pois que também foram elles 
que transplantaram para as hortas peninsulares, 
a couve nôr de Chypre, as cidras da Media; e, 
assim como os hellenos e os phenicios trouxeram 
as cerejas do Ponto, a alface da ilha de Cós, 
as castanhas da Castanea, as oliveiras da Grécia, 
também elles aqui cultivaram as ameixas da Sy- 
ria, os figos da &lesopotamia, os damascos da Ar- 
ménia e os pecegos da Pérsia. O verdadeiro es- 
teio da nação portugueza foi em todas as épocas 
a industria agraria e, se não egualmente em to- 
dos os seus ramos, pelo menos em alguns d*elles, 
muitos capitães se valorisaram. Todavia, este 
torrão ubérrimo, a par das suas grandezas pas- 
sadas não nos dá provas de que os restos d*essaa 
naus atestadas de ouro e especiarias que nos va- 
leram tanta riqueza, se mostrem hoje em antigas 
escolas agrícolas, canaes e outras vias de com- 
muuicação que, dando utilidade ao paiz, promo- 
vessem o incremento da mais notável, da primor- 
dial industria. O povo portuguez, valente por 
condição, heróico e sóbrio por temperamento, 
soffreu por bastas vezes a fome, a extrema misé- 
ria. A população trabalhadora nunca poude uso- 
fruir um ceitil das riquezas que mal chegavam 
para a corte. A^ pernadas luctas, as dilatadas 
expedições, consumiram muitas vidas, muita acti- 
vidade. Mal o agricultor, n*um instante de relativo 
socego, se entregava mais tranquillo á pratica 

77 



AGR 



AQR 



da ÍDduBtria agraria, logo tinha que abandonai -a 
para correr a empunhar a besta e o pelouro, prom- 
pto a batalhar. Os dízimos, as derramas, as ju- 
gadas, os mil impostos, sSo causas doesse abati- 
mento. A grande propriedade é outra razão que 
se casava com a usura do capital e com a falta do 
agente do trabalho. Nos principies do leenlo xiv 
houve fome, da qual resultou a epidemia que o 
reino soffreu. A cultura cerealífera, não sendo a 
mais própria a grande parte dos terrenos de Por- 
tugal, e tendo este facilidade de adquirir o pSo 
que lhe faltasse, só era e é mantida por obri- 
gaçfto da lei ou pela forca da necessidade dos 
próprios lavradores. A legisIaçSo cuidou sempre 
em manter o pSo barato, e n*es8e objectivo eram 
empregados todos os meios indirectos: facilita- 
va se a importação e contrariamente a sabida, e 
não só de provinda para província, mas também 
do torra para terra, o que fez com que os lavra- 
dores não tivessem interesse em augmentar a 
producção; pois que, não havendo consumo re- 
munerador, não ha industria possível. Estas cir 
cunstancias e contingências tornaram precária a 
cultura dos cereaes; e ainda a perda da fertili- 
dade motivada pela falta de adubos, ou pratica 
de maus processos de cultura, contribuiu também 
para que só no norte do paiz essa producção se 
mantivesse mais constante. Para evitar a falta 
de pão que se começava a sentir no reino, deter- 
minou D. Manuel (Ordenações manuelina»^ livro iv, 
cap. xxxii) «que nenhuma pessoa comprasse trigo, 
nem cevada, nem centeio, nem milho para a o re- 
vender assim no logar onde o comprar, como para 
tirar para fora, pena de perda de pão em dobro» 
Sabe-se que d'esta lei foi exceptuado o pão que 
os almocreves comprassem e aquelle que viesse 
para Lisboa. D. João Ilf, em 5 de junho de 1553, 
accrescentou a estas penas a de prisão, mandando 
que fosse caso de devassa. D. S-íbastião, julgando 
que o motivo porque o pão subia de preço fôssc 
receberem os agricultores dinheiro de antemão, . 

ordenou que em seus reinos só vendesse pão quem 1 dos canaes, aqueductos 
o tivesse de sua colheita ou rendas e ninguém an obras relativas ao uso 
tecipasse dinheiro aos lavradores sob pena de 
perder pão e dinheiro. Seguiram- se outras leis du 
rante o século xvi de theor semelhante, as quaes 
procurando dar ao reino a abundância, só lhe 
trouxeram a carestia, porquanto os agricultores, 
vendo que o pão não tinha saida, não cultivavam 
a terra, fugindo á cultura do cereal mair neces- 
sário. No princípio do ultimo século o proteccio- 
nismo foi a theoria adoptada. Em 1820 era rigo 
rosamente prohibida a importação de cereaes, 
ficando D. João VI auctorísado por cortes, o le- 
vantar esta prohibiçãc quando houvesse necessi 
dado d|isso, dependendo a admissão na capital 
e na cidade do Porto de que o preço attiogísse 
por hectolitro 5^800 réis na primeira e 5^730 réis 
na segunda. Para os diiferentes ramos de agri- 
cultura vide os artigos especiaes: Arhorictdtnra^ 
Horticultura^ Silvicultura, Viticultura, ctc. 

Agrlcnltara (Legislação antiga para a). Como 
ficou liçoiramente esboçado no artigo anterior, 
Acerca da cultura cerealífera, os monarchas pres- 
taram á agricultura em geral a possível atteu- 
ção, compatível com o systema das leis sobre 
emprasameutos e aforamentos, quasí todos mol- 
dado sobre o direito romano, porquanto a emphy- 
teuse foi nos primeiros tempos favorecida pelas 
circumstancias do paiz. A*s luctas da conquista 

78 



seguiram -se as largas doações feitas aoa mostei- 
ros, ás egrejas, ás ordens militares e ao varões 
Sue se haviam distinguido n*aquellas lactas; to- 
os estes proprietários, chamando trabalhadores 
para a cultura, os seus contractos com elles ti- 
nham por via de regra o caracter de empraia- 
mentos ou aforamentos índividuaes. Aparte os 
capítulos do foracs relativos a cada terra e a 
lei de Affonso III, em 1253, a respeito dos sa- 
lários dos trabalhadores ruraes, desde D. Dinis, 

rei lavradoTy que apparecem providencias im* 
portantes para o desenvolvimento da agricultara; 
taes como o estabelecimento de diversas feiras 
pelo paiz e as leis de 10 de julho de 1286 e 12 de 
março de 1291, tendentes a evitar a conservação 
da propriedade em poder das corporações reli- 
giosas. D. Fernando I quiz sujeitar a industria 
agraria á sua lei de 26 de junho de 1376, vulgar- 
mente designada pela lei das sesmaricís^ em qoe 
todos oram obrigados a lavrar, por si ou por ou- 
tros, as herdades que possuíssem, o que passou 
successívamcnte para as Ordenações. A antiga 
legislação dos foraes, depois do respectivo exame 
em 1497, teve as alterações da ordenação ma- 
nuelina de 1514 e das suas emendas de 1521. No 
século XVI 11 o marquez de Pombal tentou inutil- 
mente combater o estado geral da propriedade 
agricola, podendo vôr-se, entre os outros, os al- 
varás n*csso sentido dos annos de 1764 e 1765. 
O systema dos foraes foi profundamente modifi- 
cado pelo alvará de 11 de abril de 1815, que es- 
tabeleceu diversas isenções e outros beueficios, 
afim de promover a cultura dos terrenos cm ge- 
ral, tanto os cultivados como os por cultivar. A 
carta de lei de 14 de março de 1823 ampliou 
ainda as disposições d*aqueile alvará. 

Agricultara (Legislação moderna para a). As 
disposições princípaes, promulgadas depois da 
creação do mioisterio das obras publicas, commer- 
cio e industria, com relaç3o á agricultura, redu- 

1 zem-se ás seguintes : as que a beneficio doesta o 
particulares e outras 
da aguas atravez dos 

prédios rústicos se contem no artigo 456.** e se- 
guintes do código civil; as que fazem parte da 
lei de 1 de julho de 1867; as de que se trata nas 
portarias de 15 de março de 1853; as do officio 
de 19 de março de 1843 c decreto de 30 d*agosto 
do 1^52; as providencias tendentes a promover 
o seu desenvolvimento em Moçambique e que 
constam das portarias de 23 de fevereiro e 29 de 
setembro de 1857; as disposições do decreto de 
2í» de dezembro de 1864 sobre o ensino profis- 
sional de agricultura, silvicultura e veterinária; 
as do regulamento de 24 d'agosto de 1855, que 
estabeleceu um subsidio aos alumnos que fre- 
quentarem os cursos de veterinária e de agro- 
nomia; as do regulamento do 26 de julho de 
1865; as das leis de 21 d'açosto de 1856 e 7 de 
abril de 1863, o decretos de 4 de dezembro de 
1861 e 23 de maio de 1865. Os estabelecimentos 
do instrucção ofiicial eram: a quinta regional de 
Cintra, para ensino elementar; instituto geral de 
agricultura, hoje instituto de agronomia e vete- 
rinária, e estabelecimentos anuexos, intendências 
pecuárias e caudelarias. A administração supe- 
rior dos negócios públicos sobre a agricultura, 
está confiada á direcção geral do commercio e 
industria, da secretaria do ministério das obras 
publicas. 



AQR 



AGR 



Agricultara (Sociedades agrícolas ou de). O 
decreto e o regulamento de 23 de novembro de 
1851 deram desenvolvimento ás disposições do 
código administrativo, artigo 224, n.** 13, e 
artigo 8^ do decreto legislativo de 20 de se- 
tftmbro de 1844, que mandava estabelecer nas 
capitães de todos os districtos administrativos 
sociedades agrícolas. Estas sociedades reuniram 
nos paços do concelho; a despeza do seu expe- 
diente pertencia ás camarás municipaes e ás jun- 
tas geraes; eram constituídas pelas camarás, mem- 
bros da junta geral, facultativos do partido, vo- 
gacs do conselno do districto e presididas pelo 

fovernador civil. Dividiam* se em 5 secções; in 
ustria pecurría e prados; mattas e florestas; 
hortas, pomares e amoreiras; vinhas e olivaes; 
cereaes e culturas nSo especificadas^ Deviam 
apresentar annualmente um relatório dos seus 
trabalhos. 

Agricaltara Colonial (Sociedade de). Em 1899 
fundou- se em Lisboa esta sociedade afim de ad- 
ministrar e explorar algumas propriedodes agrí- 
colas da ilha do Príncipe, na Africa Occidental. 
Segundo o ultimo relatório publicado pertencem 
já a esta sociedade as roças Oiobó, S. José, Zellà, 
Hibeira CoUa, e Oque Trez, que constituem a roça 
P/rto Beal^ divididas em duas administrações, a 
de oeste e a de leste. Estava também ajustada 
a compra das roças Santa Margarida, Maianço, 
Pedra Maria e Água Marçal situadas na ilha 
de S. Thomé. No anno de IPÒl já esta sociedade 
teve a prodúcção de 314:264 kilos de cacau, man- 
tendo um pessoal de 803 indivíduos de ambos os 
sexos, sendo 21 europeus. Com as novas proprie- 
dades adquiridas deva em breve augmentar bas- 
tante a importância das culturas d*e8ta socie- 
dade. 

Agricaltara portagaeza (Real Associação 
Ctntal da). Esta importante associaçSo foi fun- 
dada por iniciativa de diversos proprietários e 
lavradores residentes em Lisboa. Os seus esta- 
tutos foram approvados em 26 de abril de 1860. 
Torna-se-nos impossível n*est%logar apresentar 
uma lista dos mais relevantes serviços que esta 
prestimosa agremiação tem prestado á agricul- 
tura nacional. Bastará dizer aue ella tem seguido 
com a maior attenção o trabalho perseverante da 
industria agricula no nosso paiz. Sob os seus aus- 
picies se tem realisado varias exposições e con- 
cursos de machinas agrícolas, devenao especia- 
lisar se a exposiçSo-concurso de 1898 na Real 
Tapada da Ajuda, de que se publicou um cata- 
logo illustrado, contendo todos os documentos 
respectivos. A representação da agricultura por- 
tuguesa nas exposições luternacionaes também 
deve á Real Associaçílo vários trabalhos de orga- 
nisação. Nos relatórios publicados se colhem inte- 
ressantes elementos para avaliar d'cssas brilhan- 
tes iniciativas. Eis a nota d'essas publicações: 
Factos da Real Associação da Agricultura For- 
tugueza, 188 l;PnWíro Congresso Agricola, 18.S8. 
— Actas das sessões; Primeiro Congresso Agri- 
cola, 1838. — Documentos; Segundo Congresso Agrí- 
cola, 1889. — Relatórios e representações a Sua 
Magestade; Congresso Vitícola Nacional de Í805. 
— Kelatorio geral— Vol. i. Secção cultural e Sec- 
ção ocaologica: Congresso Vitícola Nacional de 
1895, — Relatório geral— Vol. n, Secção econo 
mico-vinicola. — Memorias, estudos e propostas; 
O trabalho da Real Associação Central da Agri- 



cultara Portugiicza, de março de 1894 a março de 
1895; Regimen económico do álcool em Purtugal, 
1896, por Cincinnato da Cobísl', Plantações defi- 
nitivas e cultura da vinha, 1896, por D. Luiz de 
Castro, Contribuição predial, relator Henrique 
de Mendia.—Reprcsentação dirigida á Camará 
dos Senhores Deputados em abril de 18'J6, sobre 
proposta da fazenda apresentada pelo Governo; 
Contribuições de juros, relator dr. Daniel dos San- 
tos.— Idem; Contribuição sumptuária e de renda 
de casas, relator dr. J. G. Barroso Cunha.— Idem; 
Modificações nas pautas aduaneiras, relator F. Jú- 
lio Horges. — Idem. Relatario da gerência de 2 de 
abril de 1895 a 16 de maio de 1896. Relatório 
da gerência de 17 d<) maio de 1896 a junciro de 
1897; A questão dos vinhos, 1897. — Relatórios 
apresentados ás assembléas geraus. — Represen- 
tação ás cortes; A questão dos trigos, 189o. — Ke- 
latorio da direcção sobre as occorrencias demar- 
co de 1898 e representação a Sua Magestade El- 
Rei; etc* etc. 
Agrinlia. Pov. na freg. da Carreira, cone. de 

I ^illa Nova de Famalicão, distr. de Braga. {| Pov. 
na freg. de Celleirós. cone. e distr. de Braga. || 
Pov. na freg. de Lama, cone. de Santo Thyrso, 

■ distr. do Porto. || Pov. na freg. de S. Paio de 
Seidc, cone. de Villa Nova de iTamalicão, distr. 

j de Braga, 

Agrhihas. Pov. na freg. de Carauhos, bairro 
oiieetal do Porto. 

' Agrinlios. Pov na freg. do Caldellas, cone de 

: Amares, distr. de Braga. 

Agrixonso. Pov. na freg. de Afíife, cone. do 

i Vianna do Castello. 

Agro. Pov. na freg. do Santa Eulália de Rio 
Covo, cone. de Barcellos, distr. de Br}»ffa. \ Pov. 

I na freg. d*ArmiI, cone. de Fafe, distr. de Braga. 

! II Pov. na freg. de S. Salvador de Briteiros, cone. 
de Guimarães, distr. de Braga. || Pov. na freg. 

i de Campo, cone. de Povoa de Lanhoso, distr. de 
Braga. || Pov. na freg. d'Arnoso, couc. de Villa 
Nova de Famalicão, distr. de Braga. || Pov. na 

. freg. de Cervães, cone de Villa Verde, distr. de 

' Braça. || Três logares nas freg." de Aviz, Ma- 

, grelTos e S. Lourenço do Douro, cone. de Marco 
de Canavezes, distr. do Porto. || Pov. na freg. do 

I S Martinho de Rougado, cone. de Santo Thyrso, 
distr. do Porto. || Pov na freg. de Villar do Pa- 
raizo, cone. de Villa Nova de Gaya, distr. do 
Porto. II Tris logares nas freg." de Beduido, Bu- 

I nheiro e Pardilhô, cone. d Estarreja, distr. de 
Aveiro. || Casal na freg. de Idães, cone. de Fel- 

; gueiras, distr. do Porto. 

Agro de Banlio. Pequeno rio do cone. do 
Barcellos, com um curso de 10 k E* afíluente do 

! Cavado, onde entra nos limites da frtg. de Cam- 
bezes. 

I Agro de Boi. Pov. na prov. do Minho, freg. 
de Duas Egrejas, cone. de Paredes, distr. do 
Porto. 

! Agro Bom. Pov. e freg. (S. Miguel) da prov 
de Traz os Montes, cone. de Alfandeg da Fé, 
com. de Mogadouro, distr. e bisp. de Bragança. 
413 alm. e 99 fog. Tem escola. 

Agro de Favo. Pov. na freg. de Christellos, 
cone. do Louzada, distr. do Porto. 

Agro Maior. Pov. na freg de Real, cone. de 
Amarante distr. do Porto. 

Agro do Monte. Pov. da prov. de Entre Douro 
e Minho. 

79 




AGR 

Agro Velho. Pov. Da freg. d' Amorim, cooc. de 
Povoa dô Varxim. || Pov. da freg. d*0 leiras cone. 
da Feira, distr. d*Âveiro. 

Agro Verde. Pov. da freg. de Sobrosa, cone. 
de Paredes, dietr. do Porto. 

AjgroVilla. Pov. nas freg" de Duas Egrejas 
c Villela, cone. de Paredes, distr. do Porto. 

Agroal. Pov. na freg. de Gafanhoeira, cone. 
d*Arraiollos, distr. d'£vora. |; Pov. na freg. de Po- 
mares, cone. de Arganil, distr. de Coimbra- 

Agrochâo. Pov. o freg da prov. de Traz os 
Montes, cone. e com. do Vinhaes, distr. e bisp. 
do Bragança, 668 alm. e 168 fog. Tem escola de 
sexo masc. A pov. dista 25 k. da sédc do cone. E' 
orago S. Mamede. || Pov. na free. de Miranda, 
cone. de Arcos de Vai de Vez, distr. de Vianna 
do Castello. || Pov. na freg. da Várzea da Ovelha, 
cone. de Marco de Canavezes, distr. do Porto. |j 
Sitio na freg. de Moldes, cone. de Arouca, distr. 
d*Aveiro. 

Agrochâo de 3aixo e de Cima. Duas pov." 
da freg. de Santa Maria de Sobre Tâmega, cooc. 
de Marco de Canavezes. 

Agrocovo. Pov. da freg. de Codeçoso, cone. de 
Celorico de Basto, distr. de Braga. || Casal na 
freg. de Rendufe, cone. de Guimarães, distr. de 
Braga. 

Agrodidas. (V. Agordigo). 

Agrolongo. Pov. na freg. de S. Lourenço de 
Sande, cone. de Guimarães, diatr. de Braga. 

Agrom&o. Pov. o ribeira na prov. Entro Dou- 
ro e Minho. 

Agros. Pov. na freg. da Junqueira, cone. de 
Macieira de Cambra, distr. d'Aveiro. || Dois lo- 
gares nas freg." d'Alemtem e Villar do Torno, 
cone. de Lousada, distr. do Porto. || Casal na 
freg. do Santa Maria de Geraz de Lima, cone. e 
distr. do Vianna do Castello. 

Agaa (Quinta do). Na freg. de S. Martinho de 
Maçores, cone de Torre de Moncorvo, com., distr. 
e bisp. de Bragança. || Casal na freg. de S. João 
Baptista de Paraaa de Esther, cone. e com. de 
Castro Daire^ distr. de Vizeu bisp. de Lamego. 
II Quinta na freg. d'Amora, cone. do Seixal, com. 
d'Almada, distr. e patriarc. do Lisboa. 

Agua- Alta. Quinta na trog. de Covas do Dou- 
ro, cone. de Sabrosa, distr. de Villa Real bis- 
de Lamego, jj Quinta na freg. de S. Sebastião da | 
Feira, cone. e com. d'01iveira do Hospital, distr. 
e bisp. de Coimbra. 

Agaa d'Alta. Pov. da freg., cone. e com. de , 
Fiçoeiró dos Vinhos, distr. do Leiria, e bisp. de 
Coimbra. 

Agua d'AUe. Pov. na freg de Santa Eulália 
d' Aguada de Cima, cone. e com. d' Águeda, bisp. 
de Coimbra. || Pov. na freg. de Teixeira, cone. e 
com. d'ArgauiI, distr. e bisp. de Coimbra. |! Pov. 
na freg. de Molledo cone o com. de Castro Dairo, ; 
distr. de Vizeu, bisp. de Lamego. || Pov. na freg. 
de Torredeita, cone. e distr. de Vizeu. || Quinta 
na freg. q cone. de Murça, distr. de Villa Keal, I 
bisp. de Lamego. || Quinta na freg. de S. Thiago 
de Mondrões, cone, com. e distr. de Villa Real, 
arceb. de Braga. || Herdade na freg. da Estrella, 
cone. e com. de Moura, distr. e bisp. de Beja. 

Agua d'Altinh&. Pov. na freg. da Estrella, , 



cone. e com. de Moura, distr. e bisp. de Beja. 
Agaa de Alto. Pov. e freg. (S. Pedro) do cc 



cone. 



e com. de Villa Franca do Campo, distr. de Ponta 
Delgada, bisp. d* Angra, na ilha do S. Miguel. 



AQU 

7424 alm. o 343 fog. 1 Quinta na freg. de N. S.* 
d'Assumpção de Fonte Arcada, cone. de Sernan- 
celhe, com. de Moimenta da Beira, distr. de Vi- 
zeu, e bisp. de Lamego. || Herdade na freg. de 
Monte- Virgem, cone. e com. de Redondo, distr. e 
arcebisp. d'Evora. i| Herdade na freg. de N. S. 
das Neves de Brinches, cone. e com. de Scipa, 
bisp. de Beja. 

Agaa do Alto e Aloarla do Pato. Casal na 
freg. de N. S.* d*Assumpção de Querença, cone. 
c com. de Loulé, distr. da Faro, bi^p.do Algarve. 

Agaa Ambó. Logar da ilha de S. Thomé, na 
Guiné, Africa Occidental, onde se estabeleceu 
junto á praia a primeira povoação de europeus 
que houve n*esta ilha. Foi seu fundador João de 
Paiva em 1485, e n'esse logar esteve a povoação 
durante ^ito annos, passando depois para a foz 
do rio Agua Grande^ onde agora está a capital. 
Hoje é íundcadouro pouco frequentado. Dista 20 
k. da capital e fica próximo da Ponta Figo. 

Agaa de André. Herdade na freg. de Ca- 
brclla, cone. ^ com. de Montemór-o-novo, distr. 
e arceb. de Évora. 

Agaa de Bacias. Sitio na freg. de S. TheO' 
tonio, cone. c com. d*Odemira, distr. e bisp. de 
Beja. 

Agaa de Bácoras. Herdade na freg. cone. o 
com. de Moura, distr. e bisp. de Beja. 

Agua Baixa Roça na ilha de S. Thomé, na 
Africa Occidental. 

Agaa de Banhos. Nome d*um ribeiro que 
atravessa as freg." de S. Vicente e da Ventosa, 
cm Elsras, na direcção do sudoéste-nordéste, ten- 
do o seu principio na herdade do Mestre, a oeste 
da aldeia de S. Vicente, e a foz do rio Caia. Em 
todo o seu trajecto atravessa este ribeiro snccea- 
sivamente as herdades da Corretina, 1.* d' Agaa 
do Banhos, Carvalhal, Outeiro, S. Domingos, Ca- 
pella, Chacim, Torre do Brito, Montes-novos, e 
2." dWgua de Banhos. || CHsal na fr«-g. de S. Vi- 
cente, cone. e com. d*Elvas, distr. c arceb. tíe 
Évora. 

Agoa Boa. P^. na freg. de S. João Baptista 
de Espite, cone. e com. de Villa Nova d*Onrem, 
dist. de Santarém, patriarc. de Lisboa. Pov. na 
freg. de N. S.* da Conceição da Sabocheira, cone. 
e com. do Thomar, distr. de Santarém, patriarc. 
de Lisboa. || Casal na freg. de S. Bartholomeu, 
cone. e com. da Lourinhã, distr. e patriarc. de 
Lisboa !| Casal na freg. cone. e com. de Ponte 
de bôr, distr. e diocese de Portalegre. || Casal 
na freg. e cone. de Mora, distr. d'Evora. 

Agua Boa da Charneca. Sitio na freç. d*Âl- 
deia do Matto, couc. e com. de Coruche, distr. de 
Santarém, arceb. d'Evora. |{ Sitio na freg. de S. 
Torquato, cone. e com. de Guimarães, distr. e 
arceb. de Braga. 

Agua Boa da Ribeira. Casal na freg. d* Al- 
deia do Matto, couc. e com. de Coruche, distr. de 
Santarém, arceb. d' Évora. || Casal na freg. de S. 
Torquato, cone. e com. de Guimarães, distr. e 
arceb. de Braga. 

Agua Branca. Pov. na freg. de N. S.* da Con- 
ceição da Egreja Nova, cone. e com. de Mafra, 
distr. e patriarc. de Lisboa. 

Agua Caco. Uoça na ilha de S. Tomé, na 
Africa Occidental. 

Agua das Casas. Pov, na freg. de S. Silves- 
tre do Souto, cone. e com. de Abrantes, distr. de 
Santarém, bisp. de Portalegre. 



AQU 



AGU 



A|rua do Conde. Casal e siiio na freg. d*Al- 
duia do Matto, cone. e com. de Ceruche; distr/de 
Santarém, arceb. de Évora. j| Casal na freg. de S. 
Torcjuato, cone. e com. de Quimarftes. aistr. o 
arceb. de Braga* 

Agua de Caba. Pov. na freg. de Santo Antó- 
nio d^Âreias, cone. do Marvão, distr. de Porta- 
legre. 

Agua Derraneada. Casal ou herdade na freg. 
e cone de Grândola, com. de Alcácer do Sal, distr. 
de Lisboa, bisp. de Beja. 

Agua Doce. Pov. na freg. e cone. da Moíta^ 
com. d'Aldeia Gallega, distr. e patriarc. de Lis- 
boa. II Casal na freg , e cone. de Boja. 

Agua Empegada. Pov. na freg. de S. Veríssi- 
mo, de Lagares, cone. e com. de Felgueiras, distr. 
e bisp. do Porto. 

Agua Encanada. Pov. na freg. de S. Mamede 
de Arca, cone. de Ponte de Lima, distr. de Vian? 
na do Castello arceb. de Braga. 

Agoa Ensossa. (Monte da). Na freg. de Santo 
António de Terrugem, cone. e com. d^EIvas, distr. 
de Portalegre. 

Agna Férrea. Casal na freg. e cone. d* Azam- 
buja, com. do Cartaxo, distr. e patriarc. de Lis- 
boa. II Quinta na freg. de Collares, cone. e com. 
de Cintra, distr. e patriarc. de Lisboa. || Quinta 
da free. cone. e com. de Loures, distr. e patriarc. 
de Lisboa. 

Agua Ferrenha. Casal na freg. de Santa Mar- 
garida da Serra, cone. de Grândola, com. d'Alca- 
cer do Sal, distr. de Lisboa e bisp. de Beja. 

Agna da Figaeira. Pov. da freg. do S. Nico 
lau da Pena Lobo, cone. e com. de Sabugal, distr. 
e bisp. da Guarda. 

Agoa Formosa. Pov. da freg. de S. Lourenço 
de Carvide, cone, com e distr. de Leiria. || Pov. 
na freg. de Mata Mourisca, cone. e com. de Pom- 
bal, distr. de Leiria, bisp. de Coimbra. || Pov. na 
freg. de N. S.* da Piedade de Monte Redondo, 
cone. e distr. de Leiria. || Pov. na freg. e cooc 
de Villa de Hei, com. do Certa, dist. de Cas- 
tello Branco, e bisp. de Portalegre. || Sitio na 
freg. cone. e com. de Castello de Vide, distr. e 
bisp. de Portalegre. || Sitio na freg. cone. e com. 
de Pombal, distr. de Leiria, bisp. de Coimbra. 

Agna do Forno de Baixo e de Cima. Duas 

Sov." das freg.** de Lamas de Miranda, cone. de 
[iranda do Corvo, com. de Louzã, distr. e bisp. 
de Coimbra. 

Agna Fria. Rio da Beira Alta. Nasce próxi- 
mo da Villa d'Alva cdesaguano rio Sul, junto á 
villa de S. Pedro do Sul. || Quinta na freg de 
Villa Maior cone. e com. de S. Pedro do Sul, 
distr. e bisp. de Vizeu. || Herdade na freg. do Sul, 
cone. e com. de S. Pedro do Sul, distr. e bisp. de 
Vizeu. 

Agna Funda. Roça da ilha de S. Thomé na 
Africa Occidental. 

Agna de Fusos. Pov. na freg. de Santa Ma- 
ria do Castello de Tavira, cone. e com. de Ta- 
vira, distr. de Faro e bisp. do Algarve. 

Agna Gil. Pov. na freg. de S. Domingos, cone. 
e com. de S Thiago do Cacem, distr. de Lisboa, 
e bisp. de Beja. 

Agna Grande. Rio da ilha de S. Thomé, na 
Africa Occidental, em cuja foz está situada a ca- 
pital II Denominaçílo de uma roça na mesma ilha. 

Agnalaò. (João Maria de Sousa Almeida^ barão 
de). Fidalgo da casa real, do conselho de S. M., 




commendador das ordens de Christo e da do N. 
S.* da Conceição de Villa Viçosa, cavalleiro da 
ordem de Torre e Espada, tenente coronel de 2.* 
linha dos voluntários de Benguela. N. na ilha 
do Príncipe a 12 de março de 1816, f. na cidade 
de S. Thomé a 18 d'outubro de 1869. era filho 
de Manuel da Vera Cruz Almeida, coronel de mi- 
licias, proprietário na ilha do Prineipe, e de sna 
mulher, D. Paschoela de Sousa Leitão. B^oi l.« 
barão d'Agna Izé em sua vida, por decreto de 
16 d' abril, e carta de 18 de maio 
de 1868. Sonsa e Almeida era 
abastado proprietário nas ilhas de 
S. Thomé e do Prineipe, e na 
cidade de S. Filippe de Bengue- 
la, senhor dos grandes prazos 
denominados Agua Izá^ e Castel- 
lo do Sul, sitos na Patria-Rei, e 
do granie prazo denominado Alto 
Douro na Ilha do S. Thomé. 
Casou com D. Marianna Antó- 
nia de Carvalho, não deixou suc- 
cessão legitima. O seu brazão, B^nxâo do barfio 
conforme vem na Resenha das de Agua ixó 
Famílias Titulares e Grandes de 
Portugal, foi concedido por alvará de 2 de 
junho de 1815; um escudo partido em pala; 
na primeira, as armas dos Almeidas: em campo 
vermelho seis besantes de ouro entro um do- 
bre cruz, e bordadura do mesmo metal; na se- 
gunda pala as armas dos Leitões: em campo de 
prata três fachas vermelhas, o por differença uma 
brica verde com um ferro de flecha de prata. O 
1.*» barão d*Agua-Izé esteve em Lisboa por diver- 
sas vezes^ visitou as principaes cidades da Eu- 
ropa, -e voltou em 1853 para a ilha do Prineipe, 
depois de longa ausência, com o propósito de au- 
xiliar alli todos os progressos agrícolas. Partiu 
depois, em 18.55, para S. Thomé, dirigindo elle 
próprio as suas importantes plantações de café, 
cacau, etc. Foi então presidente da camará mu- 
nicipal, promoveu a construcção das estradas e 
outros melhoramentos. 

Agna Izé. (Manuel da Vera Cruz Almeida^ 2." 
barão de). Titulo renovado por decreto de 28 de 
dezembro de 1871. 2.» filho illegitimo do 1.*» ba- 
rão do mesmo titulo, João Maria de Souza Al- 
meida; n. em Benguela, a 1 de maio de 1838. 
Por succcssão, foi fidalgo da casa real. Era, como 
seu pae, abastado proprietário da ilha de S. Tho- 
mé, e senhor do grande prazo denominado Agua- 
Izc, sito na Praia- Rei. Casou cm 26 de novembro 
de 1859, com D. Faustina Maria da Conceição, 
natural da ilha do Prineipe, filh» de Christovam 
Xavier Velloso e de sua mulher, D. Maria da 
Conceição Paulet. D*este matrimonio não houve 
succcssão. 

Agna Izé. Roça da Ilha do S. Thomé, na Afri- 
ca Occidental, pertencente á Companhia da ilha 
do Prineipe. 

Agua Levada Pov. na freg. de Santa Mari- 
nha, cone de Ribeira de Pena, com. de Villa 
Pouca d'Aguiar, distr. de Villa Real, arceb. de 
de Pacô, cone. e com. de 
distr. ae Vianna do Cas- 
Pov. na freg. de S. Sal- 
conc. de Ponte do Lima, 
districto de Vianna do Castello, arceb. do Braga. 
II Pov. na freg. de S Pedro de Frao^oso, cone e 
com. de Barcellos, distr. de Braga. || Pov. na freg. 

81 



Braga. |! Pov. na freg. 
Arcos de Valle Vez, 
tello, arceb, de Braga, 
vador de Rebordões, 



AGU 



AGU 



do Santa Eulália do Rio Covo, cone. e com. de 
Barcellosy distr. de Braga. || Pov. na freg. de S. 
JoSo Baptista de Balança, cone. de Terras de 
Bouro, distr. de Braga. || Pov. na freg. do Santa 
Leocadia de Fradellos, cone. e com de Villa Nova 
do Famalicão distr. deBraga. || Pov na freg. de 
CervSes, cone. e com. de Villa Verde, distr. de 
Braga. || Pov. na freg de S. Mamede de Coronado, 
cone. e com. de Santo Thyrso, distr. do Porto. || 
Pov. na freg. de Santa Marinha d*Avanca, cone 
d^Estarr^a, distr. d' Aveiro, bisp. de Coimbra. || 
Pov. na freg. de S. Pedro d^Espinho, cone. e com. 
de Mangualde, distr. e bisp. de Vizeu. !| Pov. na 
freg. de S. Vicente, cone. d'01iveira de Frades, 
com. do Vouzelia, distr. e bisp. de Vizeu. H Ca- 
sal na freç. de Santa Eulália de Barrosas, cone. 
e com. de Lousada, distr. e bisp. do Porto. || Pov. 
na freg. de Santa Eulália de Constance, cone. e 
com. de Marco de Canaveses, distr. do Porto. || 
Quinta na freg. de CastelIÔes de Recezinhos, 
cone. e com. de Penafiel, distr. e bisp. do Porto. 
II Pov. na freg. de S. Mamede de Ncgrellos, cone. 
e com de Santo Thyrso, distr. e bisp. do Porto. 

Jl Pov. na freg. de S. João da Ponte, cone. c com. 
e Guimarães distr. de Braga. 

Agua Livre. Pov. na freg. do Bellas, cone. o 
com. de Cintra, distr. e patriarc de Lisboa. 

Agaa de Lobo. Herdade na freg. de Santa 
Barbara, cone. d*Extremoz, distr. e arceb. de 
Évora. 

Agua Longa. Pov. e fr«^g. da prov. do Minho, 
cone. e com. de Paredes de Coura, distr. de Vian- 
na do Castello^ arceb. de Braga, ÕOO alm. e 142 
fog. Foi abbadia dos viscondes de Villa Nova da 
Cerveira, que contavam muitos padroados. A pov. 
dista 6 k. da sóde do cone. E* seu orago S Paio. 
Tem clima irio, mas saudável. Dizem que a gcute 
d*aqui vive 100 a 130 annos. Cria gado. E* 
montanhosa. || Pov. e freg. da prov. do Douro, 
con. e com. de Saato 1 hyrso, distr. e bisp. do 
Porto. 562 alm. e 138 fog Tem escola do sexo 
mase. A pov. dista 10 k. da sede do cone. E' 
orago S. Julião. 

Ajgua de Lape. Pov. na freg. de S. Mathias, 
cone. e distr. d'Evora. jj Quinta na freg. de S. Vi- 
cente do Paul, coo?. 8 distr. de Santírem, pa- 
triarc. de Lisboa. 

Agua Machado. Roça da ilha de S. Thomó, 
na Africa Occidental. 

Agua Marçal. Peouena roça da ilha de S. 
Thomé, na Africa Oceiaental. 

Agua de Mil. Pov. na freg. de S. Roque, na 
ilha da Madeira, cone. com. e distr. do Funchal. 

Agua de Moinhos. Casal na freg. de Sobre 
Tâmega, cone. e com. de Marco de Cana vezes, 
distr. e bisp. do Porto. 

Agua de Montinho. Sitio na freg. de S. Ma- 
mede de Sadâo, cone. de Grândola, com. d*Alca- 
cer do Sal, distr. de Lisboa, e bisp. de Beja. 

Agua Morta. Pov. na freg. de S. João Ba- 
ptista de Gestaçô; cone. e com. de Baião, distr. 
e bisp do Porto. 

Agua de Ouro. Casal na freg., cone. c com. 
do Torres Vedras, distr. e patriarc. de Lisboa. 

Agua Palito. Roça da ilha de S. Thonc, na 
Africa Occidental, 

Agua de Pau. Villa e freg. do cone. c 3om. 
de Villa Franca do Campo, distr. de i^outa Del- 
gada, bisp. de Angra do Heroísmo, na ilha de S. 
Miguel. 3618 alm. e 87*2 fog. Foi fundada a villa 

82 



em 1522. Tem porto denominado Valle de Cabo* 
COS. Estação postal e telephoniea, o permuta ma' 
las com Lisboa. E' orago N. S.' dos Anjos. || Serra' 
em que rebentaram em 1563, dois vuic5es, e 
n'uma das crateras se formou a Lagoa do Fogo, 
Agua Pé. Casal na freg. de Santo Quintino, 
cone. de Sobral de Mont*Agraço, com. de Torres 
Vedras, distr. e patriarc. de Lisboa. 

Agua de Peixes. Pov. na freg. de N. S.' de 
Assumpção, cone. e com. d* Alvito, distr. de Beja. 
Teve categoria de villa. Pertenceu aos duques 
de Cadaval. Até 1834 eram elles que nomeavam 
os vereadores juizes e escrivães. A casa Cada- 
val ainda alli possuo uma importante herdade, 
com palácio, jardins e pomares. Tem uma grande 
matta, chamada Cerrado d^Âaua^ com asinheiros 
e sobreiros, enlaçados de silvedo, esteval e me- 
dronhal que a tornam impenetrável. Tem muita 
caça, como javalis, corças, veados etc. Tem 3 k. 
de comprido e 1500 de largo. E' coutada dos du- 
ques de Cadaval. 

Agua de Pena. Pov. e freg. (Santa Beatriz) 
da com., distr. e bisp. do Funchal na ilha da Ma- 
deira. Pjsta freg. divide-se em duas partes: uma, 
com 176 alm. e 42 fog. pertence ao cone do San- 
ta Cruz; outra com 464 alm. e lOÍ fog. pertence 
ao Machico. 

Agua Peneira. Pov. na freg. de S. Thiago de 
Tremez cone. e distr. de Santarém, patriarc. de 
Lisboa. II Pov. na freg. de N. S.' da Graça de 
Azoia de Cima, cone, com. e distr. de Santarém, 
patriarc. de Lisboa. 

Agua das Poças. Sitio na freg. de S. Bartho- 
lomeu da Serra, cone. e com. de S. Thiago do 
Cacem, distr. de Lisboa e bisp. de Beja.« 

Agua Porca Roça na ilha de S. Thomé, na 
Africa Occidental. 

Agua de Porco. Pov. na freg. de S. Pedro de 
Melides, cone. de Grândola, com. d'Aleacer do 
Sal, distr. de Lisboa, ebisp. de Boja. 

Agua da Pousada. Pov. na freg., cone. e 
com. de Alcácer do Sal, distr. de Lisboa, arceb. 
d'£vora. 

Agua da Prata. Pov. na freg. de Santa Ma- 
ria, d* Ulme, cone. de Chamusca, com. da GoUe- 
Í;ã, distr. de Santarém, e patriarc. de Lisboa. || 
jOgar na freg., com. e distr. de Portalegre. || 
Herdade na freg. da Graça do Divôr, cone., com. 
e distr. d' Évora. 

Agua da Rainha, llerdade na freg. de N. S. 
das Relíquias, cone. e com. d*Odemira, distr. e 

' bisp. de Beja. 

I Agua de Raiz de Baixo, de Cima, do Meio. 
Trcs pov. na freg. de N. S.* da Esperança, cone. 

! e com. d'Arronchcs, distr. o bisp. de Portalegre. 

I Agua Redonda. Pov. na freg. de Refojos de 

' Basto, cone. e com. de Cabeceiras de Basto, 

! distr. e arceb. de Braga. 

Agua Retorta. Pov. c freg. do cone. e com. 
da Povoação, distr de Ponta Delgada, bisp. 
d' Angra do Heroísmo, na ilha de S. Miguel. 1230 
alm. e 261 fog. Orago N. S." da Penha de França. 
Agua Re vez. Pov. e freg. (S. Bartholomeu , 
da prov. de Traz-os-Montes, cone. e com. de Valle 
de Passos, distr de Villa Real, Arceb. de Braga. 
679 alm. e 145 fog. boi villa. Em 12 de novem- 
bro de lí)19 deu-lhe foral I). Manuel. Eram seus 
donatários os condes e senhores de Murça que 
apresentavam juiz ordinário, vereadores e mais 

i justiças. A pov. dista 5 k. da sede do concelho. 



AGU 



AGU 



Agua Salgada. Pov. na frcg. de N. S.' da 
CoDceiçSo, d*Alcaria Kuiva, cooc. o com. de Mer- 
tola, distr. e bisp. de Beja. 1| Sitio na freg. de S. 
Domiagos, codc. e com. de S. Thiago de Cacem, 
distr. de Lieboa, e bisp. de Beja. 

Agna Santa. Herdade Da fre^. de Canal, 
cone. de Extremoz, distr. e arceb. d^Evora. || Ri- 
beira, que nasce na serra d*088a; e desagua na 
ribeira de Terá. 

Agaa de S- Tbiago (Monte da). Pov. na freg. 
do Urra, cone, com., distr. de Portalegre. 

Agua de Sobreiros. Casal na freg. de S. Luiz, 
cone. e com. d*Odemira, distr. e bisp. de Beja. 

Agua do Souto. Pov. na freg. de S- Gregório 
de Reguengo, cone. e distr. de Portalegre. 

Agua das Tábuas. Pov. na freg. de Santa Ca- 
tharina da Ponte do Bispo^ cone. e com. de Tavira, 
distr. de Faro, e bisp. ao Algarve . 

Agua Talhada. Rio, na prov. do Miuho, 
aiHuente doCtngada. 

Agua Tanque. Roça da ilha de S. Thomé, na 
Africa Occidental- 

Agua Telha. Roça da ilha de S. Thomé, na 
Africa Occidental. 



Agna de Verão. Casal na freg. de N. S.* da 
Conceição de Sarzedas, cone, com. e distr. de 
Castello Branco. 

Aguaceiras. Pov. na freg. de Monteiro de Ar- 
noso, cone. de Villa Nova de FamalicSo, distr. de 
Braga. || Pov. na freg. do Mosteiro de Oliveira, 
cone. de Villa Nova de Famalicão, distr. de 
Braga. 

Aguada (S. Lourenço de Linhares). Importante 
povoação e excellente praça de guerra que pro- 
tege a barra de Gôa, Velhas Conquistas, na ín- 
dia Está situada na ponta e extremo sul da pro- 
vincia de Bardez, n*este concelho, districto e 
arcebispado de Gôa. Tem posto semaphorico junto 
de uma elevada torre com farol de rotação, uma 
cirtcrna magnifica, aberta em rocha viva e cuja 
abobada é sustentada por grandes columnas de 
pedra; hospital, praça d'armas, e paioes de pól- 
vora fabricada em Panelim. Na praia ha um poço 
de excellente e abundante agua potável, e junto 
aos quartéis uma nascente ae agua férrea. Tem 
governador militar; 6:000 habit. A praça da 
Aguada foi começada em 1»^04 e concluiaa em 
1612, sendo vice-rei Kuj de Távora. E* de todas 




Praça da Aguada 



Agua de Todo o Anno. Casal na freg. cone. 
c com. de Ponte de Sôr, distr. de Portalegre. |) 
Habitação na freg. da Bemposta, cone. e com de 
Abrantes, distr. de Santarém e bisp. de Portale 
gre. II Habitação na freg. de S. Romão, cone. e 
com. de Montemor o Novo, distr. e arceb. d'Evora. 
II Pov. na freg. de Carreiras, cone, com. e distr. 
de Portalegre. 

Agua Travessa Pov. nas freg." da Bemposta, 
cone. e com, de Abrantes, distr. de Santarém, 
bisp. de Portalegre, e de Pelariga, cone. e com. 
de rombal, distr. de Leiria, bisp. de Coimbra. 

Agna dia Valia Pov. na freg. de S. Mamede 
de Sadão, cone. de Grandcla, com. d' Alcácer do 
Sal, distr. de Lisboa, e bisp. d'Evora. 

Agua Velha. Pov. na freg. da Moreira; cone. 
e com. da Maia, distr. e bisp do Porto. j| Herdade 
na freg. de S. Marcos da Serra, cone. e com. de 
Silves, distr. de Faro. || Herdade na freg. de S. 
Bartholomeu de Messines, cone. c com. de Silves, 
e distr. de Faro. bisp, do Algarve. 



as fortalezas da costa do Estado da índia a mais 
bem fortificada; consta de baterias rasantes e 
uma cidadella, que as protege. Esta cidadella as- 
sente no alto de um outeiro, que fica sobranceiro 
ás batarias, tem a forma rectangular com baluar- 
tes, revelins, casamatas, caminho coberto, fos- 
sos, ete. Junto da praça corre o rio de Sengue- 
rim. O fundeadoura da Aguada é muito desabri- 
gado e perigoso. Aguada parece derivar do ha- 
bito que tinham os nossos navios conhecidos pelo 
nome de «naus da carreira da índia» de se 
abastecerem ali da agua que careciam para con- 
tinuarem a sua derrota. Sobre o promontório cir- 
cumscripto pelo recinto da praça de Acuada está 
a egroja do martyr S. Lourenço, maudada cons- 
truir a expensas do vice-rei conde de Linhares, 
que, por escriptura de 22 de fevereiro de 1635, a 
entregou á admioÍHtração dos religiosos de S?o 
Francisco da cidade de Gôa. || Aguada, rio, do 
Douro, em Portugal, nasce de duas fontes, Cada- 
val e S. Martinho próximo á villa de Aguada de 



AGU 



ÂQU 



Cima entrando no Certoma janto a esta villa, no 
sitio de Campo de Barro^ 

Aguada de Baixo. Pov. o freg. da prov. do 
Donro, cone. e com. d'Agueda, bisp. de Coimbra. 
604 alm. e 142 fog. Em 2i de agosto de 1614 foi- 
lhe dado foral por D. Manuel. Tem escola do sexo 
masc. e caixa postal. A pov. dista 7 k. da sede do 
cone. Orago S. Martinho. 

Ag a ada de Cima. Pov. o freff. da prov. do 
Doaro, do cone e com. d*Agueda, bisp. de Coim- 
bra. Em 12 de setembro de 1514 fbi-lhe dado fo- 
ral por D. Manuel. Tem escola do sexo masc. A 
fiov. dista 7 k. da sede do cone. Orago Santa Eu- 
alia. 

Agaal^a. Pov. da freg. de Bellas, cone. e com. 
de Cintra. £* pátria do arcebispo de Lisboa, 
D. Domingos, que foi chancellermór de D. Affon- 
so IV, e que tomou o appellido de Jardo ou Jarda, 
nome que davam antigamente a esta aldeia. A 
este illustre arcebispo se deve a fundação da 
Universidade, que se estabeleceu em LisDoa no 
bairro d^Alfama, onde ainda hoje se chama Esco- 
las Geraes. Fundou o hospital de Santo Eloy, onde 
está sepultado. Morreu a 16 de dezembro de 1293. 
Pretendem alguns que, Agualva seja a Ciciliana 
dos- romanos. || Pov. e freg. do cone. e com. da 
Praia da Victoria, dist. e bisp. de Angra dòHe- 
roismo, na ilha Terceira. 576 alm. e 376 fog. Tem 
caixa postal. Orago N. S.*de Guadelupe. || Pov. na 
freg. a'Arões, cone. de Macieira de Cambra, distr. 
d* Aveiro, o bisp do Porto. || Casal na freg de 
Palmella, cone. e com. de Setúbal, distr. e pa- 
triarc. de Lisboa. || (Monte da). Pov. na freg. de 
S. Pedro de Maratica, cone. e com. de Setúbal, 
distr. de Lisboa. || (Ribeira de). Pequena ribeiía 
que passa no logar do mesmo nome próximo de 
Barcarena, e desagua no Tejo, com um curso de 
2 kilometros. 

Agaaneiras. Pov. na frog. de Santa Cruz 
daTrapa, cone. e com. de S. Pedro do Sul, distr, 
de Viseu, || Quinta na freg de Santa Maria Ma- 
gdalena de Gouvinhas, cone. de Sabrosa, distr. 
de Villa Real e bisp. de Lamego. 

Aguanfero. Aldeia do cone. da Torre de Mon- 
corvo, prov. de Traz-os Montes. 

Aguardenteiro. Herdade na freg., cone. e 
distr. de Santarém. 

Aguardilha. Pov. na freg. de S. João da Pon- 
te, cone, e com. de Guimarães, distr. de Braga. 

Aguas. Pov. da freg de S. Christovam do Ca- 
beçudos, cone. e com. de Villa Nova de Famalicão, 
distr. e arceb. de Braga. J| Pov. e freg. da prov. 
da Beira Baixa, cone. de Penamacor, com. de Ida- 
nha a Nova, distr. de Castello Branco, bisp. da 
Guarda. 717 alm. e 165 fog. A pov. dista 9 k da 
sede do cone. Orago S. Marcos. Tem um redu- 
cto com duas rasas dentro, e uma muralha em 
ruinas. Passa junto a ribeira Toulica. Possue 
aguas mineraes muito adstringentes. || Herdade 
na freg. de S. Thiago de Escoural, cone. e com. 
de Montemôr-o-Novo, distr. d'Evora. 

Aguas Altas. Pov. na freg. de Santo Adrião 
de Vizella, cone. e com. de Felgueiras, distr. e 
bisp. do Porto. 

Aguas Alvas. Pov. da freg. e cone. de Mon- 
chique, distr. de Faro e bisp. do Algarve. 

Aguas d*AráU>. Pov. na freg. de S. Vicente 
do Giella, cone. e com de Arcos de Valle de Vez. 
distr. de Vianna do Castello. 

Aguas Bellas. Pov. e freg. da prov. daEstre- 

84 



madura, concelho de Ferreira do Zêzere, com. do 
Thomar, distr. de Santarém, bisp. de Coimbra. 
1256 «Im. e 316 fog. E* povoação muito antiga, e 
foi villa. Consta de uma doação feita por D. Pe- 
dro I a Rodrigo Alvares Pereira, que já em 1394 
tinha jnrisdicção independente. Eo& 3 de novem- 
bro de 1213 deu lhe foral D. Maniisl. Tem escola 
do sexo masc. A pov. dista 10 k. da sede do cone. 
Orago N. S.* da Graça. Fica situada n*uma baixa 
rodeada de arvores silvestres e fructiferas, com 
fontes que a fazem fresca e agradável. Foi couto 
e honra desde o principio da monarchia. Por aqui 
passa o rio Zêzere. Próximo á pov. está a serra 
de VaUe do Asno, || Pov. e freg da provineia da 
Beira Baixa, cone e com. do Sabugal | distr. e 
bisp. da Guarda. 631 alm. e 159 fog. A pov. dista 
9 k. da sede do cone. Orago N. S.* da Conceição. 
II Pov. na freg. de Matta Mourisca, cone. de Pom- 
bal, distr. de Feiria. || Casal na freg. de Vallado, 
cone. d*Alcobaça, distr. de Leiria. || Pov. na freg. 
de Couço, cone. de Coruche, distr. de Santarém. 
|| Quinta da freg. de Marmeleto, cone. de Mon- 
enique, distr. de Faro. || Moinho na freg. de Cou* 
ço, cone. de Coruche distr. de Santarém. 

Aguas Bellinhas. Casal na freg. de Santo An- 
tónio de Couço, cone. de Coruche, distr. de San- 
tarém. 

Aguas Boas. Pov. o freg. da prov. da Beira 
Alta, cone. e com de Sattam, distr. e bisp. de Vi- 
zeu 268 alm. c 76 fog. A pov. dista 24 k. da aéde 
do cone. Orago Espirito Santo. || Pov. da freg. 
de Oyan, cone. de Oliveira do Bairro, com. d* Ana- 
dia, distr. d*Aveiro, bisp. de Coimbra H Pot. na 
freg. de Mamarroso, cone. de Oliveira do Bairro, 
com. d' Anadia, distr. d* Aveiro^ e bisp. de Coim- 
bra. 

Aguas Celenas. Foi uma cidade do Minho, 
antiquíssima, e ficava ao longo do rio Cávado, e 
parece que foi das suas ruinas que se fez a actual 
villa de Fão. Aportavam n*esta cidade aa esqua- 
dras romanas, que transportavam pelo Cávado em 
pequenos barcos, as suas mercadorias até Braga, 
levando outras que lhes convinham. Residia aqui 
um procônsul romano que governava toda a Gal- 
liza. E* differente de outra do mesmo nome, na 
Galliza perto de Lugo. Em Aguas Celenas foram 
martyrisados os Santos Chrispulo e Restituto, no 
anno 63, no tempo de Nero. 

Aguas-Ensossas. E' um ribeiro do Alemtejo, 
que nasce na herdade do mesmo nome, pouco 
acima da estrada velha d^Estremoz, e deslisando 
para sul, atravessa varias herdades, e a estrada 
nova de Villa-Boim a Borba, e perde-se na ribeira 
da Assêca, defronte do munte de Azinhal. 

Aguas de Lisboa. (Companhia das). V. Al- 
viella). 

Aguas JaiVTea(Aqueducto ^a«J.Foi,sem duvida, 
uma das obras mais úteis e mais importantes que 
se fizeram no tempo de D. João V. Este notável 
melhoramento era de primeira necessidade para 
Lisboa, onde a falta d'agua se tornava espanto- 
samente sensível. «Já no tempo dos romanos, diz 
Luz Soriano, a pag. 148 e seguintes do 1.® vol. da 
Historia do reinado de D. José^ apesar da peque- 
nez da cidade, em comparação do que é hoje, se 
fazia n*ella sensível a falta de agua, pois que 
sendo Lisboa mnnicipio romano,buscaram os seus 
dominadores introduzir n'eHa a agua, que ha nos 
sitios de Bellas e Canecas, por meio de aquedu- 
ctos subterrâneos; quebrando para esse fim mui- 



AGU 



AGU 



tos rochedos c pcuedias, de (iiie, iio sitio oude 
existem os dois inoutes de Campolide, fizeram 
construir um cspaooso muro com a necessária for- 
taleza para servir de reprcza ás aguas que por 
alli corriam, c ás que vinham da Agua Livre 
por meio dos referidos aqueductos subterrâneos. 
N'aquelle sitio, que era um espaçoso vallc, bem 
conhecido entre nós pelo nome de liiheira (VAI' 
cautariXy se formou por auxilio do dito muro um 
tao grande lago, que servia de canal, navegando 
por elle vários bateis para serviço dos moradores 
d*aquelle mesmo valle. El-rei D. Manuel mandou 
encaminhar estas amias para Lisboa, fazendo-as 
correr na praça do Koeio, ou praça de D. Pedro, 
incumbindo para este íim a Francisco de Hol- 
landa o desenho de um chafariz, representando 
a figura de Lisboa em cima d'uma columna, cer- 
cada de clephantes, os quaes haviam de deitar 
agua pelas trombas. Este desenho nao foi a eifeito. 



de a trazer a Lisboa. No fim de mais tentativas, 
sem effeito, coube a gloria a D. João V, de ser 
no seu reinado que se realisou aquclla obra impor- 
tantíssima. A proposta foi do procurador da ci- 
datie, Cláudio Jorge do Amaral, e apresentada 
por elle próprio ao monarcha, em 172«. Acceitau- 
do-a, J>. João V entrcgou-a ao senado para ser 
consultada com urgência, porém a discussão tor- 
nou-se bastante demorada; afinal resolveu-se a 
questão, e para se realisarem as obras estabelc- 
ceram-se novos impostos, que el-rei auctorisou 
com o alvará de 2G de setembro de 1709. Estes 
impostos eram os seguintes : 6 réis em cada ca- 
nada de vinho que se consumisse em Lisboa c 
seu termo ; 5 réis em cada arrátel de carne ; 10 
réis em cada canada de azeite ; 70 réis em cada 
alqueire de sal ; e 50 réis em cada panno de pa- 
lha. Um aviso de 14 <ie janeiro de 1730 excluiu 
o sal de pagar imposto, e outro,5com a data d<^ 9 
















Arcaria m inamcntal do aqueducto dai Aguas Llrrea 



O infante J). Luiz, fílho do mesmo rei 1). Manuel, 
fazia todo o empenho para que estas aguas fossem 
conduzidas para o palácio da Ribeira, afim de po- 
derem servir para as aguadas das embarcações, 
Sue tinham de partir para a índia.» Xo reinado 
e D. Sebastião parece que também houve ideia 
de trazer para Lisboa as aguas da F<mte ou lii- 
htira da Agita Livre; Filippe III, em 1G19, visi- 
tou aquella fonte, que é próximo de Hellas, e de- 
pois, partindo para Ilespanha, recommendou muito 
aos vereadores de Lisboa, por uma carta escripta 
em 8. Lourenço, a 28 de julho de 1620, que pro- 
curassem meios de haver dinheiro prompto com 
que acudissem á despeza necessária para faze- 
rem conduzir logo aquella agua á cidade. Ape- 
sar d'esta recommenda^ão, de nada se tratou. No 
anuo de 1683, o presidente do senado, então o 
conde de Pontovel, dirigiu-se ao sitio da Agua 
Livre, acompanhado d^alguns membros do senado, 
do architecto Matheus de Sousa, e do mestre dos 
pedreiros João Luiz, para procederem a estudos 
e experiências sobre a conducção da agua, e acha- 
ram que a nascente dava 30 aimcis d'agua, que 
não pareciam bastantes para se fazer a despeza 

VOL. I — FL. 11 



de novembro do mesmo anuo, excluiu cgualmcnt(i 
a palha, prevalecendo só os impostos sobre o vi- 
nho, a carne, e o azeite. Depois do alvará de 12 
de maio de 1731, em que se auctorisaram as obras, 
é que cilas definitivamente principiaram. A forma 
do aqueducto é a de um corredor ou mina arti- 
ficial, com as paredes dos lados de alvenaria, indo 
assim até onde principia a volta do arco, (jue é 
de tijolo, matéria de que a abobada é formada. Ao 
centro ha um passeio de finíssimo lagedo ; dos 
dois lados correm uns encanamentos de pedra 
lios, (|ue recebem 12 manilhas d'agua tendo palmo 
e meio de bocca, e palmo e quarto de largura. N 'al- 
guns sitios o aqueducto some-se por baixo do 
chão, correndo assim grandes distancias, e conhe- 
ceudo-se o trajecto pelas clarabóias que se le- 
vantam sobre o terreno, tendo-se para este fim, 
minado muitos montes ; e como n'alguus se tor- 
nou preciso minal-os com grande elevação, teve 
também, nos valles e quebradas, de se construi- 
rem arcos de cantaria. Estes arcos são ao todo 
127, incluindo os 35 da Ribeira d*Alcantara, que 
são os mais notáveis e occupam a extensão de 
3.9 IG palmos, medidos pelo passeio dos mesmos 



AGU 



AGU 



arcos. O maior, ou o arco grande da Ribeira d' Al- 
cântara, tem 351 palmos de altura, e de vão, en- 
tre perna e perua, 108 pés c 5 poUegadas: os 
outros 34 são também de colossaes dimensões, 
com 32 palmos de grossura, e feitos de cantaria 
de pedra lios, sobre os quaes não só corre o aque- 
dueto com as suas elegantes guaritas também de 
cantaria, que o illuminam por dentro, mas correm 
cgualmente pela parte do nascente e poente dos 
mesmos arcos dois passeios lageados, com sua 
varanda ou peitoril. As obras das Aguas Livres 
compreliendem toda a linha do aqueducto geral 
e suas ramificações, desde a nascente no sitio de 
Canecas, Bellas e Salgueiro Grande, sendo a sua 
extensão superior a três legoas até Lisboa, ao 
locar do grande deposito vulgarmente conhecido 
pela Mãe (TAgua, ás Amoreiras, onde então as 
aguas se dividem para os canos parciaes, c^ue as 
conduzem aos difterentes chafarizes de Lisboa. 
Kste deposito ficou tão solidamente construído, 
que, tendo apenas 11 annos naoccasião do terra- 
moto de 1755, sofi^reu insignificantes prejuizos. 
Tinham passado 9 annos depois das obras come- 
çarem, e yX os trabalhos chegavam ao alto do 
Calhariz, fogar fronteiro á fireguezia de Bemfica. 
N*cste trajecto recebe varias nascentes, sendo a 
1.' a Fonte Santa do Leão, continuando d*alli 
o aqueducto até avistar a ponte de Carenquo, 
d*onae toma para o lado da Porcalhota. encostan- 
do-se ao outeiro de S. Braz, d*aqui recolhe a agua, 
({ue lança a fonte do mesmo nome, inclinando-se 
depois para ir buscar o logar da Fragosa até che- 
gar a Calhariz, onde já estava feito outro lanço, 
contando todos aquelfes montes, fronteiros, para 
o lado do poente, ao convento de S. Domingos 
de Bemfica, até ir ganhar o monte das Três Cru- 
zes, em que se passa á Ribeira d* Al cantara, em 
cujo valle outro lanço andava também entre mãos. 
Em janeiro de 1740 já alli estavam alguns pila- 
res com as primeiras fiadas de cantaria assentes, 
fabricando-se todos aquelles arcos no espaço de 
r> annos e meio, o ultimo dos quaes se fediou em 
agosto de 1744. Ao mesmo tempo continuava o 
lanço da obra até ás Amoreiras, onde se fez um 
chafariz de madeira, que começou a servir em 
4 de outubro de 1744. Fizeram-se depois mais dois 
chafarizes, um defronte da fabrica das sedas, fron- 
teiro ao largo do Rato, e outro no largo de S. 
Pedro d* Alcântara, cujas aguas começaram a cor- 
rer a 8 de setembro de 1745. Fôram-8e'construindo 
successivamente os chafarizes : do Carmo, da rua 
do Arco, da rua Formosa, etc. Os architectos en- 
carregados das obras d'este aqueducto foram Ma- 
nuel da Maia até ao monte das Três Cruzes, e o 
sargento-mór Custodio Vieira, desde aquelle mon- 
te até Lisboa. Estes planos perderam-se no terra- 
moto ; comtudo, todos os documentos e memorias, 
que restam d*aquelle tempo, indicam que o aque- 
ducto geral devia vir da fonte d'Agua Livre até 
S. l*edro d' Alcântara, e d*alli devia atravessar cm 
arcos para o lado oriental da cidade. Os primei- 
ros trabalhos que se fizeram foram por emprei- 
tada, mas as obras continuaram durante G6 annos, 
gastando-se em todas ellas 13 milhões de cruza- 
dos, incluindo a despeza da expropriação do ter- 
reno. O imposto lançado aos moradores de Lis- 
boa e seu termo, de janeiro de 1738 até 1799 or- 
çou por C:4G0 contos de réis, e as obras gastaram 
aproximadamente 5:227, sobrando cerca de 1.233 
contos (jiie o governo saccou do cofre da junta para 

8G 



' outras despezas. Em 1799 deram-se os trabalhos 
por acabados. No arco das Amoreiras poz-se a 
inscripção seguinte : No anno de Í748 Ktinando 
o Piedoso, Feliz e Miignanimo Bei D, João F. O 
Senado e o Povo Lisbonense, á custa do mesmo 
Povo, € com muita satisfação d!eUe, introduziu na 
Cidade as Agitas Livres desejadas pelo espaço de 
dois séculos, e isto por meio de um, aturado traba- 
lho, durante 20 annos, em arrazar, desfazer e fu- 
rar outeiros na redondeza de nove mil passos. O 
marquez de Pombal, ínais tarde, alterou esta ins- 
cripção. O deposito que, pelo riseo, parece que se 
deveria fazer em S. Pedro Alcântara, ficou sem 
I eíFeito. O grande reservatório ou Mãe d'Agna, 
apesar de se ter começado no tempo de D. João Y 
no sitio das Amoreiras, esteve por acabar desde 
1778 até 1834. D. Pedro IV, em 1833, foi pessoal- 
mente analysal-o, e em portaria de 13 a*agosto 
d'este mesmo anno, mandou que se concluissc, 
gastando-se n^essas obras 13:732)^000 réis. A for- 
ma externa do reservatório é quadrangular, e os 
fortíssimos muros d*este lago gigantesco, começa- 
dos em tempo de D. João V, teem 25 palmos de 
espessura, afora o muro exterior. Conta o reser- 
vatório 125 palmos de comprimento, 107 de lar- 
gura e 32 de altura, erguendo-se do fundo quatro 
enormes pilares que dão apoio ás abobadas. Cal- 
cula-se que leva 12.463 pipas d*agua. 

Aguas Férreas. Pov. na freg. de Yillar do 
Pinheiro, cone. de Villa do Conde, distr. do Porto, 
arceb. de Braga. || Pov. na freg. de Santa Maria 
de Veade, cone. e com. de Celorico de Basto, 
distr. de Braga, jj Casal na freg. de Tavaredc, 
cone. e com. da Figueira da Foz, distr. e bisp. 
de Coimbra. 

Aguas Flavias. Cidade que. segundo consta, 
estava situada antigamente nas margens do Tâ- 
mega. Dizem archeologos, que nas suas minas se 
fez a villa de Chaves. 

Aguas Formosas (Casal das). Pov. na freg. 
dê N. S.* da Esperança de Alpedriz, cone. e com. 
de Alcobaça, distr. de Leiria, e bisp. de Coimbra. 

Aguas Fidas. Pov. e freg. da prov. de Traz- 
os-Montes, cone. e com. de Chaves, distr. de Villa 
Real, bisp. de Braga. 1606 alm. e 362 fog. Tem 
escola do sexo masc. A pov. dista 10 k. da sede 
do cone. Orago S. Pedro. || Casal na freg. de 
Sant*Anna da Serra, cone. d'Ourique, distr. de 
Beja. II Horta na freg., cone. e distr. d*Evora. || 
Habitação na freg. d*Amoreiras, cone d*Odemira, 
distr. de Beja. 

Aguas Frias de Baixo, de Cima, do Bleio. 
Três pov.' na freg. d'Alte, cone. e com. de Loulé, 
distr. de Faro, bisp. do Algarve. || Três herdades 
na freg. do Rosário, cone. d'Alandroal, com. de 
Redondo, distr. e arceb. d'£vora. 

Aguas Livres. Horta na freg. de SanVAnna, 
cone. e com. de Serpa, distr. e bisp. de Beja. 

Aguas Lunas ou Layas. Argote, nas suas An- 
tiguidades de Braga, diz que jiuga ser esta a ci- 
dade de Lais, capital dos turolicos, e que existia 
no logar onde está hoje a pov. de S. Martinho de 
Lanhezes no cone. de Caminha. Dizem outros que 
estava entre as villas de Monsão e Valladares. 
Na Carta geographica de Abrahão Ortelio se lhe 
chama Aqitas Ijeos Turuãorum. 
I Aguas de Maia. Aldeia da prov. do Douro 
próximo a Coimbra. Estava u*a(juella cidade I>. 
' (iarcia (rei de Portugal e Galliza), quando em 
j 1(X>7 os castelhanos, commandados por D. Nuno 



AGU 



AGU 



do Lara e D. Garcia de Cabras, se propunham 
atacar a cidade. Sahiram ao seu encontro n'esta 
aldeia D. Nuno de Lara e seus irmãos, o conde 
D. Pedro e D. Vermuiz, que os derrotaram com- 
pletamente. 

Aguas mlneraes. Ha em Portugal um giande 
numero de aguas minero-medicinaes, conside- 
rando assim as que teem uma mineral isaçSo espe- 
cial, ás vezea acompanhada de uma elevada tem- 
peratura, e cujas applicaçdcs therapeuticas são, 
em geral, variadas. A moderna sciencia medica, 
que tem posto de parte tantos meios empregados 
pela antiga arte ae curar, continua dispensando 
ás aguas mineraes a maior attcnção. A historia 
das aguas mineraes, thermas e caldas no nosso 
paiz resume-se quanto ao seu descobrimento no 
acaso. Brotando em legares eimos, são quasi 
sempre pastores os primeiros a ter a noticia 
da sua existência e a fazer d*cllas o uso que lhes 
suggere a phantasia, applicando-as aos próprios 
male^ ou aos dos gados que pastoreiam. A noti- 
cia passa de bocca em bocca e só tarde chega ao 
conhecimento dos médicos ou d^outros indivíduos 
conhecedores. Sendo esta a historia do desco- 
brimento da maior parte das nascentes d*agua8 
mineraes, algumas ha comtudo, cujo conheci- 
mento data de tempos remotos. Bastantes já fo- 
ram exploradas pelos romanos em vastos e lu- 
xuosos estabelecimentos balneares, como mos- 
tram os restos de edifícios, tanques, banheiras de 
mármore, medalhas, inscripeoes, etc. encontra- 
das soterradas nas proximidades dos mananciaes. 
A legislação não tem sido pródiga para as aguas 
mineraes e todas as tentativas que, desde 1822, 
se conhecem, fôram completamente malogradas. 
De 1860 a 1888 quatro projectos de lei sobre 
aguas mineraes se submetteram ao parlamento, 
mas nenhum entrou em discussão. O ultimo, que 
é considerado de grande valor, foi apresentado 
na sessão de 22 março de 1888; continha sessenta 
c um artigos, ponderando e attendendo todas as 
necessidades da hydrologia mineral. Este projecto 
foi elaborado pelo então deputado e chefe da re- 
partição de minas, conselheiro Pedro Victor da 
Costa Sequeira. Existe um grande numero de 
memorias e noticias especiaes sobre algumas 
nascentes; são conhecidos os antigos aquilegios 
do dr. Mirandella, do dr. Tavares e dr. Francisco 
da Fonseca Henriques; o relatório oílicial para a 
exposição de Paris de 1867, com os estudos dos 
drs. Tnomaz de Carvalho, Agostinho Lourenço 
e o engenheiro de minas Schiappa de Azeve- 
do, e uma these apresentada em 1877 á escola 
medico-cirurgica pelo dr. Francisco da Costa 
Félix. O livro Agi/aa Minero-Medicina^s de Por- 
tugal, publicado em 1892, pelo dr. Alfredo Luiz 
Lopes, é sem duvida uma das obras mais com- 
pletas que possuimos. Pode ainda accrescen- 
tar-sc uma lista niuncrosa de relatórios de com- 
panhias exploradoras d*aguas thermacs, des- 
cripçôes de vários estabelecimentos, etc, etc. 
De todos esses trabalhos se coUigem aponta- 
mentos valiosos e interessantes sobre o assum- 
pto, e a elles nos soccorremos nos artigos es- 
palhados pelo diccionario relativos ás diversas 
localidades onde ha nascentes conhecidas. No 
presente artigo cumpre-nos agrupar alphabetica- 
mente as mais importantes, remcttendo o leitor 
para cada uma d*ellas em especial. Aguas Santas^ 
Alandroal, Alcafache, Alfaião, Alferce ou Fonte 



Santa, Aljustrel, Amieira, AnguHra, Aregos, Ar- 
raioUos, nem Sande, fíussaco. Cabeço de Vide, 
Cabo Mondego, Caldas de Gayeiras, Caldas da 
Piedade, Caldas da Rainha, Caldas da Saúde, 
Caldas da Touca, Caldas de S. Jorge, Caldas de 
S. Pardo e Pontão da Rapada, Caldellas, Cam- 
pilho, Carlão, Carvalhal, Entre-Rios, Estoril, 
(Poça e Santo António), Fadagosa ou Pereiro, 
Felgueira, Felgueiras, Fervença, Fonte dos Arra- 
bidos, Fonte dos Cucos, Fonte Nova, Fonte d* Óbi- 
dos, Fonte de Torres Vedras, Fonte de Vimeiro, 
Foz da Certa (Rehoreda), Gcrez, Lijó, GaUegos e 
Mosqueiro, Linhares, Lisboa (Alcaçarias de D. 
Clara, Alcaçarias do Duque, Arsenal de MarinJia, 
Banhos do Doutor, Chafariz de Andaluz e Cha- 
fariz d^El-Rei), Longroiva, Luso, Manteigas, Mo- 
ledo, Monchique, Monsão, Montachique, Moura, 
Moura (Amarelleja e Ourives), Ouguella, Pedras 
Salgadas, Peso de Melgaço, Rendvfe, Santo An- 
tónio das Taipas, Santo António de Tavira, São 
Gemil ou Lagiosa, S. João d<is Caldas de Moura 
(Guimarães), S. João do Deserto, S. Pedro do 
Sid (Caldas da Rainha D. Amélia), Vidago^ Vi- 
sella (Mourisco, Lameira e Medico); etc. Nos 
Açores também sflo conhecidas as aguas mine- 
raes das Fumas, Lombadas e Serra do Trigo. Da 
Africa poucas fontes mineraes se tem estudado; 
na ilha do Sal, archipelago de Cabo Verde, ha 
uma cratera d'onde sae um jorro d*agua salgada 
que se espalha e forma naturalmente glrandes 
montes de sal ; na ilha de Santo Antão, do mesmo 
archipelago, existem algumas aguas thermacs. 
Na ilha Brava, segundo o Relatório do serviço de 
saúde por Vera Cruz, 1872, mencionam-se a Agita 
do Vinagre e a Agua férrea. Na Guiné, na ilha 
das Gallinhas, brotam algumas fontes de agua 
férrea. Em Angola, no Novo Redondo, ha aguas 
mineraes. Da Africa Oriental, indieam-se as cal- 
das de Mtézumbala, de Tete e do Zumbo, sendo 
estas muito conhecidas e usadas pelos indigonas. 
Da índia apontam-se no relatório de Viriato 
João Pinto, impresso em Nova Goa", 1898, as se- 
guintes : fonte da aldeia Caranzol, fonte do pa- 
lácio do Cabo, fontes de Candolim, Querim, Am- 
bexi, Assonorá, Concão, Vôlo de Consua, Quelos- 
sim, Cundaim, Nachinolá, Banguinin e poço de 
Mandrém. Da ilha de Timor, no Relatório do 
serviço de saúde de J. Gomes da Silva, Macau, 
1887, fala-se das aguas mineraes de Balibó, Be- 
manes e Lado. 

Aguas de Moura. Pov. da freg. de Maratica, 
cone. e com. do Setúbal, distr. e patriarc. de Lis- 
boa. Tem estação postal, permutando malas com 
Setúbal. 

Aguas Muitas. Pov. da freg. de SanVAnua 
da Serra, cone. d'Ourique, distr.^ e bisp. de Beja. 

Aguas do' Passo. Pov. na freg. de S. João de 
Negrilhos, cone. d*Alju»trel, distr. de Beja. 

Aguas Partidas. Pov. na freg. de Aramenha, 
cone. de Marvão, distr. de Portalegre. 

Aguas em Poço. Casal na freg. e cone. d'01i- 
veira do Bairro, distr. d'Aveiro. 

Aguas Quentes. Casal na freg. de N. S.* da 
Purificação da Roliça, cone. d'Obidos, com. das 
Caldas áa Rainha, distr. de Leiria, e patriarc. 
de Lisboa. 

Aguas Santas. Pov. e freg. da prov. do Dou- 
ro, cone. e com. da Maia, distr. e bisp. do Porto. 
3279 alm. e 651 fog. Tem escola do sexo masc. e 
estação postal. A pov. dista 6 k. da sede do cone. 

87 



AGU 



AGU 



Orago N. S.* do O'. A egreja matriz c a fregue- 
zia são autiquissiinas. Ilavia já em 1130 a e^rcja 
de Santa maria de Aguas Santas, hoje de Santa 
Marinha. O prior D. ArmigirOy a 22 de fevereiro 
d'esse anno, fez uma composição com o bispo do 
Porto, D. Hugo II, dando-lhe por esse motivo um 
casal, em Paramos (Feira), em troca do jantar 
que era obrigado a dar-lhe todos os annos. Ha- 
via aqui um mosteiro antiquíssimo, que dizem 
datar do século vi, da era de Christo. Foi pri- 
meiro dos cónegos de Santo Agostinho, e reli- 
giosas da mesma ordem, mas em 1130 passou 
exclusivamente para os primeiros, devido a que 
a fusão dos dois sexos dava logar a muitas im- 
moralidades. Em 1300 foi extincto, passando a 
commendatarios. Os cavalleiros do Santo Sepul- 
chro (hospitaleiros), tendo sido expulsos de Je- 
rusalém pelos turcos, tomaram posse d*este mos- 
teiro, por doação de D. Aífonso IV, em 1340, 
fundando alli um famoso hospital. Depois dos 
hospitaleiros, tornou o mosteiro a ter um colle- 
gio de crusios, cujo prior era de apresentação 
regia, e foi depois outra vez mixto de frades é 
freiras, conservando -se assim até que D. João II, 
em 1492, o extinguiu, uniudo-o á ordem de Malta 
do qual foi commenda. £m tempos remotos, hou- 
ve um castello junto á fonte da Maia. A fregue- 
zia de S. Paio de Gouveia era couto do mosteiro 
dos cavalleiros do Santo Sepulchro, cuja doação 
deveram á rainha D. Thereza e a seu filho D. 
Aífonso Henriques. D. Thereza deu também ao 
mosteiro do Aguas Santas a egreja do Ladario. 
Este mosteiro e a cerca estão hoje transforma- 
dos n'uma bella quinta dos bispos do Porto, 
chamada quinta de Santa Cruz. Foi o único mos- 
teiro de cavalleiros do Santo Sepulchro que 
houve em Portugal. i| Pov. e freg. da prov. do 
Minho, cone. e com. da Povoa de Lanhoso, distr. 
e arceb. de Braga. i>07 alm. e 113 fog. A pov. 
dista 6 k. da sede do cone. Orago S. Martinho. 
l! Pov. da freg. de S. Thomé do Castello, cone. e 
distr. do Villa Real, arceb. de Braga. || No dist. 
de Leiria, cone das Caldas da Rainha, sitio da 
Ribeira dos Moinhos, brota uma nascente d'agua 
mineral conhecida pelo nome de Aguas Santas 
ou da IHheira dos Moinhos, cujae virtudes cura- 
tivas só se descobriram em 1852. No anuo de 
1855 construiu-se um modesto estabelecimento 
hydrotherapico. por subscripção publica. As aguas 
são límpidas, incolores, transparentes e de sabor 
agradável; exhalam o cheiro caractcristico do 
acido sulphydrico. São especialmente usadas em 
banhos no tratamento das moléstias de pelle. 

Actuas Theitmaes. Pov. do distr. e com. de 
Benguela, prov. de Angola, bisp. de Loauda, 
Africa Occidental, a 25 k. S. E. da cidade de 
Benguela na estrada que vae para Mossamedes. 

A^uas Vivas. Pov. da freg. de S. Miguel de 
Palaçoulo, cone. e com. de Miranda do Douro, 
distr. e bisp. de Bragança. i| Casal na freg. de 
Valle de Cavallos, cone. da Chamusca, com. da 
Gollcgã, distr. de Santarém, patriarc. de Lisboa. 

Aguçadoura. Pov. na freg. de Navaes, cone. 
c com. de Povoa de Varzim, distr. do Porto, e 
arceb. de Braça. 

Aguda. Villa e freg. da prov. da Extrema- 
dura, cone. e com. de Figueiró doa Vinhos, distr. 
de Leiria, bisp. de Coimbra. 1881 alm. e 434 fog. 
Em 12 de novembro de 1513 deu-lhe foral D. Ma- 
nuel. Tem escola do sexo masc. e caixa postal. A 

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Ííov. dista 4 k. da sede do cone. Orago X. S.* da 
Traça. Foi antigamente villa e pertenceu ao in- 
fantado desde 1G40, sendo anteriormente dos mar- 
quezes de Villa Real, que a perderam por terem 
conspirado contra D. João ÍV. O infantado no-, 
meava o juiz ordinário, a camará e mais empre- 
gados judiciaes. O vigário d'€sta villa e o de 
Avellar eram de apresentação dos infantes, sen- 
do pagos por estes bem como as fabricas de am- 
bas as egrejas. Os dízimos eram para o infan- 
tado, que recebia mais as seguintes propinas : (> 
arrobas de presunto, 3 milheiros de verdeaes, 1 
milheiro de passas de pêra e outro milheiro de 
pêcego, 2 alqueires de ameixas passadas e o 
mesmo de cerejas seccas. Até 1834 teve juiz or- 
dinário, camará e mais empregados judiciaes, 
tudo apresentado pelos infantes. Diz-se que o 
nome lhe provém de agúdea (formiga com azas) 
por haver muitas n^esta locdidade. |{ Pov. na 
freg. da Serra, cone. e com. de Thomar, distr. de 
Santarém, patriarc. de Lisboa. |l Serra na prov. 
da Extremadura, medindo 30 k. de comprido e 6 
de largo. Tem minas de ferro, exploradas no fim 
do século XVIII. O clima é frio. Deriva o nomo 
do da freguezia de Aguda que lhe fica próxima. 
Agudos. Pov. da freg. de N. S.* da Conceição 
da Redinha, cone. e com. de Pombal, distr. de 
Leiria, bisp. de Coimbra. || Herdade na freg. de 
S. Braz dos Mattos, cone. d* Alandroal, com. de 
Redondo, distr. e arceb. d'Evora. 

Águeda. Villa da prov. do Douro, sede de 
cone e de com., distr. de Aveiro e bisp. de Coim- 
bra. E' orago Santa Eulália. Livros antigos, e 
um Mappa alphabetico das povoações d^ Portu- 
gal dão-íhe o nome de Águeda de Cima para 
differençar de Águeda de BaixD que ó o actual 
Sardàu. Está situada em planície na margem di- 
reita do rio Águeda. Tem bellos arredores, fér- 
teis e pittorescos. A egreja matriz é antiga mas 
de construcção regular, ampla, com três naves. A 
casa da camará é o melhor edifício da villa, por- 
quanto as casas são baixas e as ruas irregulares 
e mal calçadas. Foi em tempos remotos uma ci- 
dade episcopal, e chamava-se então Aeminium. 
Attribue-se a sua fundação aos celtas, aos tur- 
dulos e gregos, 370 annos antes de Christo, que 
fizeram alli uma ponte. Parece que o seu pri- 
meiro nome foi Anegia e depois Aaaiha, com 
cujo nome foi mencionada no concilio de To- 
ledo no anno <ie G09. O seu nome actual Águeda 
vem <ie Agatha, nome próprio de mulher ro- 
mana ou d'uma pedra preciosa assim chamada. 
Pinho Leal, lembrando-se que ha em França no 
Languedoc uma cidade episcopal e poito de 
mar, sobre o rio Erool, chamada Agda, e atten- 
dendo que perto de Águeda, no antigo cone. de 
Eixo, com. de Aveiro, ha uma freguezia chama- 
da Eirol, diz que isto o tem feito scismar, e ac- 
crcscenta : «Quem me diz a mim que alguns nau- 
tas francezes, que subiram o Votiga e depois o 
Águeda (pela bai-ra de Aveiro) puzcssem a esta 
villa, n'outras épocas, o nome de Águeda, pela 
tal ou qual semelhança que tivesse com a sua 
Agda, e á freguezia (le Eirol, o nome de rio E- 
rool V» Querem alguns que fosse S. Pedro de Ra- 
tes, bispo de Jiraga, quem lhe nomeou o primeiro 
bispo em 44. O que parece mais verdadeiro é 
que foi Possidtmio o seu primeiro bispo no anno 
r)8í), reinando na Lusitânia o godo Flavw líica- 
redo, irmão do martyr Santo Hermenegildo. Pas 



AGU 



AGU 



SOU como o resto da Lusitauia jjor todas as 
vicissitudes, nas mãos dos diversos domiuadores, 
sendo resgatada do poder dos mouros em 739 
por D. Attonso I rei de Oviedo, e seu irmão 
1). Frucia. Os árabes a deixaram quasi arrasada 
em 716. Alffoacem-Hiben-Allamar, regulo de Coim- 
bra, fez conde a um christSo «ue governava esta 
povoacSlo, por cuja mercê tinha que pagar tri- 
buto. J)iz K. M. da Silva, na PM. Gtn. da Hesp.. 
que eram muito formosas as mulheres d'aqui, 
e que ainda hoje o sâo. J). Rodrigo da Cunha 
conta no catalogo dos bispos do Porto, que no 1 
anuo de J. C, 40 ou 41, veiu á Lusitânia o após- | 
tolo S. Thiago e puzera por bispo de Braga a S. ! 
Pedro de Rates, e que este fizera bispos no Por- \ 
to, Emittio e Tuy, e que no concilio bracharense, 
422, se vô assignado Pontonio, bispo de Eminio. j 
No terceiro concilio toledano, 589, assigna-se I 



givel. Próximo ha outro mais niodcnio, o do Cal- 
vário^ de boa construcção. Possne dois mercados, 
abundando o peixe, que é um dos melhores ne- 
gócios da villa. Tem feira annual, no dia 1.° de 
maio. O cone. comprehende 18 frcg. com 4:683 fog. 
e 1897 alm., sendo 8:696 h. e 10:271 m. n*iuna 
superfície de 32:704 hect. A villa dista 18 k. da 
sede do distr. I| Pov. na freg. de Santa Cruz, cone 
de Ponte de Lima, distr. de Vianna do Castello. 
;l Rio, afflueute do Vouga. Tem 60 k. de curso c é 
formado pelos rios Alfusqueiro e Agadâo. Banha 
a villa de Águeda. Antes de entrar no Vouga 
forma o lago chamado Pateira de Fennentellos 
Próximo de Águeda engrossa com as aguas do 
rio Certima. E' navegável até á villa do mesmo 
nome. || Rio, da prov. da Beira Baixa. l'assa ao 
E. da freg. de EscalhSo, cone. de Castello-Ro- 
drigo. Desagua no rio Douro, no sitio de S. Mar- 




PoDto da villa de ÂgnedA 



Posêidottio, bispo de Eminio, que veiu portanto 
a ser terceiro e não o primeiro bispo de Eminio. 
O que parece crivei e que o primeiro bispo de 
Águeda, de que ha noticia, foi Elarzo, que em 
412 assistiu ao concilio bracharense. No segundo 
concilio de Lugo, 569, o rei godo Theodomiro 
supprimiu o bispado do Eminio. Vinte annos de- 
pois, no terceiro concilio de Tole<lo, figura ainda 
Possidonio bispo de Eminio, o que parece que 
essa suppressâo só teve efteito com a morte d*este. 
O escriptor allemão Hubner quer que Eminio 
fosse a velha Coimbra, o que é inadmissível por- 

Suc em 5<>9 já esta cidade estava destruída. S. 
losendo, canouisado em 1195, era filho do conde 
de Águeda, D. Árias o de sua mulher D. Aldara 
ou Udnara, progenitores da antiga familia dos 
Sousas. Nunca teve foral, ou apenas iucluido 
no que D. Manuel deu a Aveiro, a 4 de agosto 
de 1515. Teve juiz ordinário até 1834, que era 
da Univers. de Coimbra. Liga esta povoação com 
a do Sardão uma antiquíssima ponte de pedra. 
Águeda tem uma egreja de três naves, miseri- 
córdia, hospital, elub recreativo, escolas para 
o 8ÇX0 fem. e masc, estayâo telcgraphica e pos- 
tal com serviço de einissíio e pagamento do vales 
do correio e telegraphicos, cobrança de recibos, 
letras e obrigações, e serviço de eucommendas 
postaes, permutando malas com a R. A. Norte. A' 
esquerda da egreja está um cruzeiro muito an- 
tigo, chamado dos mortos, com ioscripção já illc- 



tiuho. Ij Jornacs. — Em Águeda tem-se publicado 
os seguintes : Aguedetise (O), 21, abril 1888, exis- 
tia em 1889; Jírados, 1887, pouco tempo durou; 
Correio í/e Albergaria, 14, março, 1901, em pu- 
blicação; Escola Popular, 7, maio 1870 a 25, 
maio, 1871 ; Fogo Vermelho (O), 29 do dezembro, 
1884 a 3, janeiro, 1885, teve dois 1."' números; 
Folha Constituinte, dezembro, 1H84, e cm 1889 
ainda se publicava; Jornal Constituinte, outuhro., 
1889; Petiz Buliçoso (O), 8, fevereiro, 1SÍS5; 
Hapioca (A)j 1, janeiro, 1896; lieformador, 3 ja- 
neiro, 1894; Soberania do Povo, 1, janeiro, 1879, 
cm publicação; Timbre (O), 4, outubro, 1891 
a 28, fevereiro, 1892: Trinta Diabos ( O), ^, '}^' 
neiro, 1886; tío<^a (A), 24, maio 1885; Visicatoriit 
fOj, 1, maio a outubro, 1864, o primeiro jornal 
puí)]icado em Águeda. Publicou-se também em 
Águeda o numero uuico: Doze de Agosto, de 
1889. 

Águeda Vicente. Pov. da freg. de SanfAniia 
da Serra, cone. de Ourique, distr. e bisp. de 
Beja. 

Aguedo (M. Nunes). Nada se sabe a respeito 
d*cste homem, que se julga ter fallecido alguns 
annos antes de 1860. Só se lhe conhece esta obra : 
Methodo geral para a viola franceza, com princi- 
pioH de mu8Íc<i, escalas, arpejos e prelúdios para 
todos os tons^ qne ensinam a acompanhar o canto, 
etc. l»orto 1856. 

Agueira. Pov. da freg. de Santa Maria de Es- 

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AGU 



AGU 



moriz, cone. e com. d'Ovar, distr. d'Avciro, c bisp. 
do Porto. II Quiuta da freg. e cone. de Penedono, 
distr. de Vizeu. 

Agueiras. Pov. na freg. de Santa Marinha 
d'Auuacs, cone. de Ponte de Lima, distr. de 
Vianna do Castello, e arceb. de Braga. 

Agueiro. Pov. na freg. de S. Thiago de Cal- 
dcllas, cone. e com. d'Amares, distr. e arceb. de 
liraga. || Pov. da freg. de S. Miguel de Villarinho, 
cone e com. de Santo Thyrso, distr. e bisp. do 
Porto. II Pov. na freg. de S. Christovam de Ma- 
famude, cone. de Villa Nova de Gaya, distr. e 
bisp. do Porto. || Pov. da freg. de Paramos, cone. 
c com. da Feira, distr. d'Aveiro, bisp. do Porto. 
i| Casal na freg. de Villarinho, cone. e com. de 
Santo Thyrso, distr. e bisp. do Porto. || Casal na 
freg. de Pias, cone. de Moura, distr. ae Beja. || 
Sitio na fr*eg. de Monte Redondo, cone. e com. 
d'Arco8 de Valle de Vez, distr. de Vianna do 
Castello, arceb. de Braga. |! Pov. na freg. de 
Villa Cahiz, cone. e com. d Amarante, distr. e 
bisp. do Porto. 

Agueiros. Pov. da freg. de Santa Maria 
d'Avanca, cone. de Estarreja, distr. d*Aveiro, 
bisp. de Coimbra. || Pov. na freg. de Victorino 
dos Piães, cone. de Ponte de Lima, distr. de 
Vianna do Castello, arceb. de Braga. || Pov. na 
freg. de S. Pedro de Gondarem, cone. de V. N. 
da Cerveira, distr. de Vianna do Castello, arceb. 
do Braga. || Pov. na freg. de S. Paio de Merelim, 
cone. e distr. de Braga. || Casal na freg. de S. 
Jorge de Selho, cone. e com. de Guimarães, distr. 
e arceb. de Braga. || Habitação na freg. de Faia, 
cone. e com. de Cabeceiras de Basto, distr. e 
arceb. de Braga. 

Aguella. Puas pov. nas freg. de Lage e Mou-- 
re, cone. e com. de Villa Verde, distr. e arceb. 
de Braga. || Pov. na freg. de S. Thiago de Fi- 

fueiró, cone. e com. d'Amarante, distr. e bisp. do 
Wto. 

Aguellas. Pov. na freg. de Villa Boa de Quires, 
cone. e com. de Marco de Canavezes, distr. do 
Porto. 

Agueto. Pov. da freg. de Paranhos, cone. e 
distr. do Porto. 

Águia ou PatiAk. Nau portugueza em que 
Francisco Barreto embarcou de Gôa para Por- 
tugal, em 1559. Fazia a carreira da índia, e tor- 
nou-se celebre pelos muitos vendavaes com que 
luctou ao transportar aquelle governador da Ín- 
dia, não conseguindo nunca dobrar o Cabo da 
Boa Esperança, tendo por duas vezes de arribar 
a Moçambique, onde se desfez, vendo-se Fran- 
cisco BaiTcto obrigado a voltar para a índia, 
n'um pequeno navio, que se lhe deparou ; só três 
annos mais tarde, depois de muitos trabalhos e 
de muitos perigos, é que alcançou regressar ao 
reino, onde já o consideravam morto. As occor- 
rencias da viagem da nau Águia tornaram-se 
lendárias na marinha d'então. O padre jesuita 
Manuel Barradas descreveu circumstanciada- 
mcnte os episódios d'esta navegação, que vêem 
publicados no 1." tomo da «Historia tragico-ma- 
ritima». 

. Águia. Pov. na freg. e cone. de Campo Maior, 
distr. de Portalegre. 

Aguião ou Aguian. Pov. e freg. da prov. do 
Minho, cone. e com. de Arcos de Valle de Vez, 
distr. de Vianna do Castello, bisp. de Braga. 462 
alm. e 133 fog. Antigamente cnamava-se Guei/ 

90 



A(/mãí), que significava Aguiares. Foi vigariaria 
do abbade de Santa P^ulalia, que apresentava alli 
o parocho. Na pov. ha uma torre que foi solar 
dos Aguiares e está situada no meio das casas 
da quiuta de Aguião, cujos donos pagam ao dono 
da torre um foro annual. Tem a casa da Aguian, 
ou Torre de Aguião, sacrário na sua capella, e 
d'aqui se ministra o Santíssimo Sacramento á 
freguezia. A casa é muito antiga e das mais no- 
bres do Minho. Ha annos era senhor e represen- 
tante doesta casa o sr. Simão da Rocha e Brito. 
As armas dos Britos são, em campo de purpura, 
9 lisonjas, em 3 palas, e em cada uma um leão 
de purpura. Timore, um dos leões das armas, 
com uma lisonja de prata. As armas dos Rochas 
são, em campo de prata, uma aspa de purpura e 
sobre ella 5 vieiras de ouro, guarnecidas de azul. 
Timbre, a aspa das armas, com uma vieira no 
meio. Existe outro solar dos Aguiares em Aguiar 
de Traz-os-Montos. Aguião, em portuguez an- 
tigo, significa Norte. No norte do paiz usa-se a 
palavra guiarra, que quer dizer vento norte. || 
Pov. da freg. de S. Pedro da Portella, cone. e com. 
de Amares, distr. e arceb. de Braga. 

Aguiar. Appellido de familia nobre e antiga 
de Portugal, cujo fundador foi Mendo Pires 
senhor do castello de Aguiar, no tempo de D. 
Affonso ^Henriques. Com allianças matrimoniaes 
veiu esta familia a entroncar em outras também 
distinctas. Tem por brazão : Uma águia verme- 
lha, aberta, e armada e de preto, em campo de 
ouro, e timbre outra águia. 

Aguiar (D. Affonso de Portvçaly marque» de). 
N. em 1591 ; era filho de D. Luiz de Portugal e 
de D. Joanna de Mendonça. Seu pae pemu a 
exoneração de todos os cargos que exercia, para 
se entregar á vida monástica, tomando o habito 
de S. Domingos em S. Paulo d'Almada, com o 
nome de Fr. Domingos do Rosário, e, por este 
facto, D. Affonso de Portugal ficou sendo o 4.* 
conde de Vimioso, senhor d'esta villa e da de 
Aguiar, da capitania de Machico, e de todos os 
mais bens de que esta casa se compunha, para o 
que se obrigou ás dividas que n^ella havia, para 
que seu pae pudesse professar. Reclamou tam- 
bém o contracto, que o conde seu pae havia ce- 
lebrado com a coroa, em que lhe satisfizeram 
todas as pretenções com uma vida mais no titulo 
de conde, e nas villas de Vimioso e d'Aguiar 
para o filho o^ais velho que ficasse do conde D. 
Affonso, como se ve d*um alvará feito em Lis- 
boa, a 25 de junho de 1616, que D. Luiz de Por- 
tugal se viu obrigado a acceitar para acabar com 
as demoras e extraordinárias instancias com que 
os ministros trataram este negocio. Casou a 19 de 
novembro do referido anno de 1616, com D. Ma- 
ria de Mendonça, filha dos marquezes de Castello 
Rodrigo. Figurou como procurador da nobreza 
nas cortes celebradas por D. Filippe III, em 
1619. Quando em 1625, os hoUandezes occuparam 
a capital do Brazil, embarcou para alli, onde pres- 
tou os maiores serviços na causa da restauração 
d'aquella cidade. Regressando ao reino, acudiu 
em defeza do Algarve, ameaçado d'uma invasão. 
Em 1635, também partiu para Évora, quando alli 
se levantaram grandes tumultos, resultado de im- 
posição de tributos. Em 1640, foi ainda elle quem 
proclamou, na mesma cidade, juntamente com o 
marquez de í^erreira, el-rei D. João FV, que o 
nomeou ministro, capitão general de todo o rei- 



AGU 



AGU 



no, (commissão que nâo chegou a dcsempeuhar), 
general na província do Alemtejo ; e em atten- 
ção á sua lealdade nunca desmentida, o titulo de 
1.° marquez de Aguiar, por carta ré^ia feita em 
Évora, a 8 de setembro de 1643. Seu filho, D. Luiz, 
nSo herdou o titulo, sendo o õ.*" conde Vimioso. 
O marquez d*Aguiar falleceu a 4 d'agosto de 1649, 
sendo sepultado em 8. José de Ribamar. A casa 
do marquez, continuada na pessoa de seu filho 
D. Luiz, e depois na de seu filho D. Miguel, con- 
tinuou a figurar com o titulo de condes de Vi- 
mioso e appellidos de Portugal, bem como os 
appellidos de outras famílias a que se liga- 
ram. 

Afiliar (Dr, Alberto Pereira Pinto). Actual 
lente da Escola Medico-Cirurgica do Porto, onde 
rege a cadeira de pathologia geral. Tem publi- 
cado vários relatórios e o cataloço do laborató- 
rio Nobre, commum á escola medica e ao hospi- 
tal de Santo António na mesma cidade, e colfa- 
borado na importante Ency^clopedia Portugueza 
lUuêtrada. 

Aguiar (Albino Pimenta de). Militar muito 
distincto ; n. em Vianna do Castello, no fim do 
século xYiii. Os acontecimentos políticos de 1828, 
o obrigaram a emigrar para a Galliza, d'onde 
seguiu para França ; era então capitão de caval- 
laria 12. Em Franca publicou um opúsculo de al- 
gum interesse, onde se mencionam muitas infor- 
mações curiosas acerca dos acontecimentos que se 
deram desde 16 de maio de 1828 em favor da 
Carta Constitucional, até á chegada do vapor 
Belfast, e retirada das tropas para Hespanha. 
Este opúsculo intitula-se : Lembranças para a 
historia da Juncta do Porto. Albino d' Aguiar 
falleceu em Montemór-o-Novo, a 4 de setem- 
bro de 18Õ2, tendo o posto de major e o grau 
de cavalleiro da ordem militar de S. Bento 
d'Aviz. 

Aguiar (Alexandre de). Musico distinctissimo 
e cantor muito afamado ; era nat. do Porto, e vi- 
veu no século xvi. A sua excellente voz e des- 
treza com que tocava viola, alcançou-lhe o epi- 
theto de orjtheu entre os seus amigos e contem- 
porâneos. Foi musico e cantor da capella real, 
no tempo do cardeal rei, D. Henrique, e de D. 
Filippe I, de Portugal. Teve uma morte desas- 
trosa. Em 12 de dezembro de 1603, vindo de Ma- 
drid para Lisboa, em companhia de Francisco 
Correia da Silva, morreram ambos afogados, ao 
atravessar uma torrente entre Lobon e Tala- 
vera. Alexandre d*Aguiar era também composi- 
tor de merecimento; das suas composições tor- 
nou-se mais notável as Lamentações que se can- 
taram por muitos annos nos officios da Semana 
Santa. 

Aguiar (André de). Capitão da caravclla que, 
em 1Õ08, ajudou D. Álvaro a derrotar os Rumes 
em Caxem, e a tomar a respectiva fortaleza. De- 
pois, retirou-se para Ormuz, d'onde mais tarde 
devia seguir para a índia. 

Aguiar (António Auausto de). Lente de chi- 
mica na Escola Polytechnica e no Instituto In- 
dustrial de Lisboa; n. n*esta cidade, em 1838, 
onde também f. a 4 de setembro de 1887. Tendo 
apenas 17 annos, em 185Õ, matriculou-se nas au- 
las da Escola Polytechnica, fazendo com toda a 
distincção o curso das sciencias naturaes, e de 
chimica, para que manifestava decidida vocação. 
Sempre entrejguc aos seus estudos, passava os dias 



no laboratório da escola, causando o maior es- 
panto ao seu lente, José Alexandre Rodrigues, 
uma das capacidades que mais tem illustrado a 
Escola Polytechnica de Lisboa. Sendo jubilado 
em 1860 o visconde de Villa Maior, Júlio Má- 
ximo d'01iveira Pimentel, lente de chimica, José 
Alexandre Rodrigues, substituto, passou a ser 
proprietário d*aquella cadeira. Abriu-se concurso 
para o logar, que este distincto professor deixara 
vago, e António Augusto d*Aguiar apresentou-se 
como candidato. O seu concurso foi brilhautis- 
simo, e a 3 de janeiro 1861 recebia a nomeação 
de lente substituto da cadeira de chimica. Em 9 
de novembro de 1864 foi provido também na ca- 
deira de chimica do Instituto Industrial de Lis- 
boa, vaca pelo fallecimento de Sebastião Betamio 
d'Almeida, e no anno seguinte, tendo 27 annos de 
edade, ficou sendo proprietário da sua cadeira de 
chimica na Escola Polytechnica, de que era subs- 
tituto. A superioridade com que ensinava, o 
modo notável e distincto por que regeu as cadei- 
ras a seu cargo, tornou bem conhecido e consi- 
derado o abalisado professor, não só nq paiz como 
no estrangeiro. Em 1872, D. Pedro II, imperador 
do Brazil, visitou Lisboa, e desejando conhecel-o, 
quiz assistir a uma das suas lições. António Au- 

fusto d*Aguiar teve numerosas commissoes; em 
866 foi encarregado de examinar, juntamente 
com o visconde de Villa Maior e João Ferreira 
Lapa, os principaes centros vinhateiros do paiz, 
e de estudar os processos principaes ahi segui- 
dos; em 1874, de dirigir a exposição vinícola 
portugueza em Londres, etc. Em resultado does- 
tas commissoes, fez umas conferencias publicas 
e importantíssimas sobre vinhos, em 1875, no sa- 
lão do theatro de D. Maria ; essas conferencias 
foram impressas. Em 1866, publicou, de collabo- 
ração com o seu collega da Escola Polytechnica, 
o dr. A. V. Lourenço, uns estudos sobre a syn- 
these dos alcooes monoatomicos superiores, como 
são os alcooes nonylico, decylico, undecylico e bi- 
decylico, que foram obtidos partindo da acção do 
sódio sobre o valerato d'amyla. Só, e em collabora- 
ção com Lautemann e Al. Bayer, occupou-se cui- 
dadosamente da formação dos compostos nitrados, 
e em particular dos derivados da naphtalina, um 
dos muitos carbonetos pyrogeuados que existem 
no alcatrão de hulha ou coaltar, e já estudados 
por diversos chimicos. N'estes estudos, assum- 
pto de um certo numero de memorias publicadas 
na imprensa scientifica, nacional e extrangcira, 
achou um grande numero de factos novos, alguns 
dos quaes são mencionados nos tratados moder- 
nos de chimica orgânica. António Augusto de 
Aguiar, de collaboração com Al. Bayer, occu- 
pou-se também d'um novo dissolvente àa indigo- 
tina, matéria extrahida do anil, e que rcconlie- 
ceu ser a anila ; da acção dos reductorcs sobre o 
tanino, etc. O distincto chimico, que se dera a 
trabalhos de investigação, conhecia perfeitamen- 
te as lacunas do ensino portuguez, e trabalhou 
muito para lhe dar a verdadeira e fecunda orien- 
tação. Como director do Laboratório do Instituto 
Industrial e Commercial do Lisboa, procurou re- 
gular o trabalho dos alumnos, estabelecendo ver- 
dadeiros cursos práticos. A ideia d*esta reforma 
era «organisar o laboratório do Instituto segundo 
o plano dos melhores laboratórios da Allcmanha, 
e em circumstancias de poder habilitar nas ma- 
nifestações de chimica, não só a mocidade estu- 

01 



AGU 



AGU 




António Augusto do Aguiar 



diosa de qualquer escola do reino, mas princi- 
palmeDte os industriaes e artistas que, nâo ca- 
recendo de estudos tão desenvolvidos, quizessem 
alcançar conhecimentos práticos nas variadíssi- 
mas applicaçòes doesta sciencia.» Os estatutos do 
laboratório de chimica pratica do Instituto In- 
dustrial e Commercial de Lisboa, teem a data de 
1 de julho de 1872. António Augjusto d*Aguiar, 
juntamente com o visconde de Villa Maior, en- 
tílo reitor da Universidade, e João Ignacio Fer- 
reira Lapa, foram en- 
viados pelo governo 
á exposição de Paris, 
em 1878. Foi nomea- 
do no anno seguinte, 
1879, commissario ré- 
gio da índia, para pôr 
em execução o trata- 
do luso-britannico de 
26 de dezembro de 
1878; em 1880, fez 
parte d'uma commis- 
são encarregada de 
formular um projecto 
de reforma financeira 
na índia portugueza*, 
cm 1881, trabalhou 
activamente no in- 
Querito ás industrias 
ao paiz ; em 1882, foi 
nomeado presidente da commissão anti-phylo- 
xerica do districto de Lisboa. Entrou na po- 
litica em 1875, e em outubro de 1879 era de- 
putado, e em 1884, par do reino. Acompa- 
nhou o príncipe herdeiro, hoje el-rei D. Car- 
los, n'uma viagem de instrucçao pela Europa; 
estando em Paris, foi chamado a Lisboa, e ins- 
tado para faze parte d'um ministério presi- 
dido pelo grande estadista Fontes Pereira de 
Mello, em que acceitou a pasta das Obras Pu- 
blicas. Então dedicou-se ao ensino industrial, 
abrindo concursos para operários que iam ao ex- 
trangeiro aperfeiçoar-se nas fabricas, creando as 
escolas e os museus industriaes, estabelecendo 
escolas de desenho profissional, reformando por 
completo o Instituto Industrial e Commercial de 
Lisboa, o promovendo uma exposição agricolo- 
industrial. Deu grande impulso aos estudos para 
o melhoramento do porto de Lisboa, mas, sendo 
rejeitado o seu plano pela politica, demittiu-se. 
Além de muitos artigos scientifícos publicados no 
Jornal de sciencias phi/siccts e naturaes, da Aca- 
demia Real das Scienciaa de Lisboa, e no Beri- 
chte devts. Chem. Gee Usckaftin Berlin, e em ou- 
tros, tem em volumes : Vútita ás principacs co- 
marcas vinhateiras do centro do reino, 1866-1867 ; 
e 1867-1868; Balsas dansantés, 1867; Memoria 
sobre a synthese dos alcooes monoatomicos, 1867; 
Carta ao distincto irrofessor Ferreira Lapa, acer- 
ca do processo das Balsas dansantés, 1869 ; Me- 
moria sobre as naphtalinas nitradas e suas diffe- 
rentes modificações isomericas, 1869-1870, 1872- 
1873; Memoria sobre as bases pnlyatomicas, 18(59; 
Memoria sobre a naphtazarina e o trinxynaphto- 
quio^nej 1873 ; Memoria sobre as bases diatomicas 
isomcricas: diamidonapbtalina, 1874; Breve noti- 
cia sobre os granvlos chinezes anfi-cholericos; o Li- 
vro do Lavrador, 18()8; Duas pala rras soWe a 
coiistitvição da combinação azoira derivada da 
diamidomqihtiditia ; Novos factos j^ara a. historia 

92 



dos compostos nitrato fs da naphtaliita. Ácidos 7ti- 
trophUdícots ; Nota sobre a formação dfts corpos ni- 
trados; Nifvo dissoloentc da indigofina. Aguisir ctb, 
sócio effcctivo da Academia Real das Sciencias, 
desde 12 de maryo de 1868; sócio honorário da 
Sociedade das Sciencias Medicas de Lisboa, da 
Sociedade Phaimaceutica Lusitana e da Aísso- 
ciação Commercial de Lisboa, presidente da As- 
sociação Promotora da Industria Fabril e do Gré- 
mio Lusitano, vogal do conselho fiscal da Compa- 
nhia Real Promotora d'Agricultura Portugueza, 
E residente da Sociedade de Geographia de Lis^ 
oa, vogal do conselho superior das Alfandegas, 
e grão-mestre da maçonaria portugueza. Também 
era membro da Sociedade Chimica de Paris, de 
Berlin, e do Instituto Agrícola de Valência. An- 
tónio Augusto d 'Aguiar era um dos homens po- 
líticos mais populares 3 a sua morte causou a 
maior consternação. 

Aguiar (António Francisco de). Official portu- 
guez, pertencente á arma de cavallaria, cujos 
postos seguiu até ao de coronel ; n. em Lisboa, a 
3 de dezembro de 1824, f. depois do anno de 1891. 
Sendo ainda 1.^ sargento de lanceiros, publicou 
em 1858, um livro Intitulado: lieportorio das or- 
dens publicadas ao exercito de ISõí a 1857 ; tem 
168 paginas, e mais 24 Innumeradas, contendo 
varias tabeliãs e modelos. 

Agiiift-i» (António José Gomes de). Montelro- 
mór do termo d' Aguiar da Beira. Tinha por ar- 
mas um escudo esquartelado, em cujo primeiro 
quartel se viam as armas dos Aguiares, no se- 
gundo as dos Gonçalves, no terceiro as dos An- 
tunes, e no quarto as dos Guen*as, o que Indica 
estarem entroncadas na sua arvore genealógica 
estas quatro famílias. O brazão é de 13 de outu- 
bro de 1879. 

Aguiar (António Pinto de Magalhães). Lente 
da Academia Polytechnica do Porto; n. em Santa 
Eulália de Constância, no cone. de Marco de Ca- 
navezes, a 23 de junho de 1834, e f. no Porto, a 
15 de junho de 1881. Matriculou-se na Unlvers. 
de Coimbra, obtendo o grau de bacharel na fa- 
culdade de Philosophia e o de doutor na de Ma- 
thcmatica em 1858, sendo pouco tempo depois 
nomeado ajudante do observatório astronómico 
de Coimbra. Em 1860 entrou como lente substi- 
tuto da secção de mathematica para a Academia 
Polytechnica do Porto, e em 1869 foi promovido 
a lente proprietário da cadeira de mechanlca, 
regendo depois a 5." cadeira, que comprehende 
astronomia e gcodesia. Na legislatura que come- 
çou a 2 de janeiro de 1865, deu entrada pela l.* 
vez na camará dos deputados ; representando, de- 
pois repetidas vezes, o circulo de Marco de Ca- 
navezes; em 1881, por carta régia de 7 do ja- 
neiro, foi eleito par do reino. Também foi presi- 
dente na camará municipal do Porto, desde o 
anno de 1878. 

Aguiar (I). Benta de). Freira do mosteiro de 
Coz, nos Coutos d*Alcobaça. Ainda multo nova 
revelou uma certa abnegação por todas as pom- 
pas e alegrias mundanas, a que tinha direito, por 
pertencer a família nobre e abastada. Resolveu-se 
a cncerrar-se na clausura, e as suas grandes vir- 
tudes a elevaram á dignidade de abbadessa, ten- 
do apenas 27 annos de edade, por iniciativa de 
D. João III e a Instancias dos prelados. O car- 
deal D. Henrique consagrava-lhe muito respeito 
e veneração, e, quando I). Sebastião partiu para 



AGU 



AGU 



Africa, o cardeal pediu-lhe que rezasse pelo bom 
êxito d'aquella emprez^, que tâo desastrosa se 
tornou. D. Benta d' Aguiar falleceu com a fama 
de santa, no mesmo convento onde se enclausu- 
rara. 

Aguiar (Branca cP). Filha do genovez António 
de Noli, capitão da ilha de S. Thiago, por elle 
descoberta. Por carta de 8 de abril de 1497, 
datada de Évora, doou D. Manuel a capitania 
da parte da Ribeira Grande da mesma ilha 
para Jorge Correia, quando casasse com Branca 
d'Aguiar. 

Aguiar (Braz Luiz do Couto). Tinha por ar- 
mas (brazâo de 7 de março de 1732) um escudo 
Sartiao em pala : na primeira as armas dos 
.guiares, em campo de ouro uma águia rompante 
vermelha armada de preto, na segunda as armas 
dos Coutos, em campo vermelho, uma torre de 
ouro coberta e* lavrada de preto sobre ondas 
azues e prata, elmo de prata aberto, guarnecido 
de ouro, paquife dos metaes, e cores das armas. 
Timbre o dos Aguiares, que é a mesma águia das 
armas, e por ditierença uma brica de prata, com 
um trifolio preto. 

Aguiar (D, Brites de). Senhora muito distin- 
cta pela sua nobreza, filha de Gil de Prado, e ca- 
sada com D. Luiz de Mascarenhas, que serviu na 
índia. 

Aguiar (Chrispim Xavier de Faria e). Tinha 
por armas (brazão de 27 d*outubro de 178G) um 
escudo partido em pala ; na primeira as armas 
dos Fanas, e na segunda as dos Aguiares. 

Aguiar (Damião de). N. em Évora, a 14 de 
abril de 1535; formado em direito civil na Uni- 
vers. de Coimbra, e vereador do senado de Lis- 
boa. Era 1580 foi um dos portuguezes degenera- 
dos, que se tomaram traidores á pátria, traba- 
lhando para a entrega do reino ao poder de 
Castella. Foi elle quem pronunciou a oração gra- 
tulatoría na acclamacão de D. Filippe II de Ues- 
panha, como rei de Portugal, que se realisou em 
16 d^abril de 1581. Foi também Damião d* Aguiar 
quem pronunciou o discurso no seguinte dia 20, 
quando se fez o auto da acclamação nas cortes ' 
de Thomar; foi ainda elle quem proferiu a ora- 
yâo correspondente ao juramento de D. Diogo, 
ilibo d*el-rei D. Filippe, como herdeiro da coroa. 
Estes três discursos estão incorporados nos Im- 
trumentos e escripturas dos autos das cortes de 
Thomar y publicados em 1584. A politica que se- 
guira, a que prestava os seus muitos recursos in- 
tellectuaes, alcançou-lhe posições mais elevadas, 
e honrarias mais arrojaoas, como a de commcn- 
dador da Ordem de Christo, desembargador da 
Casa da Supplicação ; foi elevado aos mais altos 
cargos da magistratura portugueza, aos mais al- 
tos cardos do reino. Passou depois para o Desem- 
bargo do paço, e a ehanceller-mór ao reino, cargo 
que occupava quando falleceu, a 27 de julho de 
1618. 

Aguiar (Diogo de). Tinha por armas- (bra- 
zão de 9 de dezembro de 1510) um escudo de 
ouro, c uma águia aberta e vermelha no meio do 
escudo, com os pés e bico preto, e a lingua ver- 
melha. 

Aguiar (Dyonizio Teixeira de). Familiar do 
Santo Officio, que viveu no século xviii. Nada 
mais se sabe da sua vida, senão que foi escri- 
ptor, publicando uma obra intitulada: Itelação 
verdadeira da apparição de Christo Senhor nosso 

VOL. I — FL. 12 



no Campo de Ourique ao saneio rei D. Affonso 
Henriques, e da batalha que venceu cinco reis c 
quatrocentos mil mouros. Lisboa, 1753, e outra 
edição, em 1757. 

Aguiar (Fr. Fernando de). Abbade do con- 
vento d Alcobaça ; n. na Villa d'Aguiar, bisp. de 
Vizeu, no século xv. Escreveu uma obra intitu- 
lada: Fios Sanctorum do mosteiro de Alcobaça 
trasladado de antiquíssimos originaes, no anno de 

Aguiar (Filippe de). Illustre cavalleiro por- 
tuguez do século xvi, que em 1525, acompanhou 
Jorge d'Albuquerquo nos seus heróicos feitos do 
Malaca, e n^outras partes da Ásia, especialmente 
n'aquelle celebre combate em que Jorge d*Albu- 
querque expulsou de Malaca uma companhia de 
corsários commandados por Laquexemena, os 
Quaes entrando na cidade repentinamente n*um 
aomingo de manhã, roubando e matando, puze- 
ram toda a povoação em alarme*, Jorge d*Al- 
buquerque e Manuel de Souza trataram de se 
armar a toda a pressa, e entraram em batalha, 
auxiliados por Garcia Chaymbo, que acudiu com 
80 homens, entre os quaes se contavam Nicolau 
de Sá, Filippe d'Aguiar, Ruy I^bo, Francisco 
Bocarro, Simão Mendes, Gaspar Velho. Os cor- 
sários ficaram derrotados, sendo o próprio La- 
quexemena gravemente ferido. 

Aguiar (Gonçalo Anncs de). Representava 
uma familia muito nobre dos primeiros tempos 
da monarchia. Era senhor d'Aguiar. Casou com 
uma filha de D. Pedro Annes de Menezes e de 
D. Urraca Fernandes de Lima, bisneta do conde 
D. Henrique. 

Aguiar (Isolei de). Freira do mosteiro de S. 
Bento, em Évora. Muito respeitada pelas suas 
virtudes, entre as quaes resplandecia a da resi- 
gnação e conformidade, durante a prolongada c 
dolorosíssima doença a que succumbiu. 

Aguiar (João Affonso de). Portuguez do século 
XV ; foi provedor d'Evora ; casou uma neta, D. Isa- 
bel de Mello, com D. Fernando de Faro, filho dos 
duques de Bragança. Teve um filho do mesmo 
nome, que também foi provedor em Évora. 

Aguiar (João d^). Companheiro de Duarte Pa- 
checo, Duarte Ferreira, Diogo de Castro, Álvaro 
Botelho, João de Freitas, Lopo Cabral, e outros 
capitães illustres, que militaram na Ásia, em 
1504. Distinguiram-se principalmente nas conti- 
nuas guerras no reino da Cochim. Em Cangra- 
nor também se tornou notável João d*Aguiar, 
sendo capitão-mór da armada de Lopo Soares. 

Aguiar (João de). Cirurgião portuçuez do sé- 
culo XVII ; n. em S. Thiago de FolhadelTa, em 1639, 
f. em 1702. Escreveu alguns tratados de cirurgia. 

Aguiar (João José de). Notável esculptor; n. 
em Bellas. Estudou na aula do Castello, estabe- 
lecida pelo intendente Pina Manique. Em 1785 
partiu para Roma, como pensionario para a Casa 
Pia d*aquella cidade, com Joaquim Fortunato das 
Neves, architecto, e José Alves d'01iveira, pin- 
tor. Estudou com o professor Canova, e regres- 
sando em 1798, a Lisboa, foi nomeado esculptor 
do Arsenal do Exercito, ojide executou em bronze 
uma banqueta para Mafra. Em 1805 substituiu 
Joaquim Machado de Castro na aula de escul- 
ptura. João José d* Aguiar é auctor d*algumas das 
estatuas que existem no átrio do palácio dAjuda, 
executadas pelos annos próximos a 1820. Entre 
estas estatuas distingue-se a do Annuncio Bom, 

93 



AGU 



AGU 



composição cm que imitou o Apollo de Belve- 
dere, uma estatua de D. João VI, o monumento 
de D. Maria I, que se compõe da estatua da rai- 
nha e das figuras da Europa, Ásia, Africa e Ame- 
rica, que actualmente estão collocadas na Ave- 
nida da Liberdade, n*esta capital. Esse monu- 
mento foi feito em Roma, e ha supposiçòes 
de que João José d*Aguiar fosse ajudado pelo 
próprio Canova. Quando se organisou o pessoal 
para a Academia das Bellas Artes, foi-lhe oft*e- 
recido o logar de professor proprietário de 
csculptura, que elle não acceitou. João José 
d*Aguiar morreu de repente; vivia sempre só, 
muito misanthropo, sem ter relações com pessoa 
alguma. 

Aguiar (João I^ite dt). Desembargador da 
Relação do Porto e da Casa da Supplicação, de- 
putado da mesa da Consciência e Ordens; n. em 
Lisboa, onde também f. a 16 de novembro de 
1GG7. Era formado em theologia na Universidade 
de Coimbra. 

Aguiar (João de Souza). Tinha por armas 
(brazão de 30 de março de 1832) escudo esquar- 
telado; no primeiro e quarto quartéis as armas 
dos Souzas, no segundo as dos Pintos, e no ter- 
ceiro as dos Guedes. 

Aguiar (Joaquim António de). Estadista por- 
tuguez. N. cm Coimbra, a 24 d'açosto de 1792, f. 
a '26 de maio de 1884. Era filho ao cirurgião Xa- 
vier António de Aguiar e de D. Thereza Angélica 
d*Aguiar. Seguiu os estudos universitários e foi 
lente de Leis. Não herdou bens de fortuna, nem 
titulos nobiliários, porque seus pães eram de con- 
dição humilde; recebeu, porém, uma educação es- 
merada e a cultura do seu elevado espirito, que 
lhe grangcaram nome e posição, que tanto o no- 
bilitou e enriqueceu, tornando-se uma gloria da 
pátria que o viu nascer. Quando se habilitava 
com os preparatórios para se matricular na Uni- 
versidade, uma grande desgraça veiu ameaçar o 
paiz; os exércitos de Napoleão invadiam Portu- 
gal, e António Joaquim d'Aguiar, verdadeiro por- 
tuguez e valoroso defensor da sua pátria, aban- 
donou os estudos para se alistar no batalhão aca- 
démico, que pela primeira vez se organisava em 
Coimbra, sçndo acompanhado por muitos escola- 
res, alguns dos quaes, mais tarde, se tornaram 
celebres. Tenninando a guerra com os fraucezes 
e assegnrando-se a independência nacional, o 
joven estudante matriculou-se na faculdade de 
Leis, concluindo o curso com a maior distincção, 
sendo approvado unanimemente em todos os 
actos e premiado nos últimos aunos ; no fim da 
formatura obteve uma das classificações mais 
distinctas e honrosas que a Universidade costu- 
ma conferir aos seus alumnos. Joaquim António 
d*Aguiar desejou seguir a carreira da magistra- 
tura, mas sobrevieram tantos obstáculos, que 
desistiu d*essa ideia, resolvendo a dedicar-se 
ao magistério. Doutorou-se, então, em 1815, e 
logo no anno seguinte ficou habilitado como 
oppositor ás cadeiras da faculdade de Direito, 
pelo voto unanime de toda a congregação uni- 
versitária. Começou a exercer as funcçoes de 
oppositor e as de fiscal da Fazenda, conservador 
da Universidade, de que juntamente fora incum- 
bido. A maneira franca como o dr. Aguiar re- 
velava as suas idóas libcraes, os seus elevados 
merecimentos, a superioridade do seu talento, 
acarretaram-lhe inimigos e invejosos, forjando 

94 




Joaquim António do Agniar 



intrigas e opposiçòes a que Joaquim António de 
Aguiar não succumbiu, porque os espirites for- 
tes sempre resistem. Essas intrigas, comtudo, 
conseguiram que elle fosse preterido, com a 
maior injustiça, no provimento das coUegiaturas 
dos collegios de S. Pedro e S. Paulo da mesma 
Universidade, a favor de outros de muito menos 
mérito. O nome de Joaquim António d*Agaiar 
era já repetido com verdadeiro applauso por to- 
dos os homens importantes do paiz, e aquella 
injustiça não foi desconhecida nem indifiPercnte 

ás cortes geraes e 
extraordinárias da 
nação; a affronta te- 
ve uma reparação di- 
gníssima; uma or- 
dem positiva man- 
dou admittil-o no 
coUegio de S. "Pedro, 
sem mais formalida- 
des, o que suscitou 
ainda acalorada dis- 
cussão nas mesmas 
cortes, sem comtudo 
se deixar de cumprir 
aquella ordem. O res- 
tauelecimento do go- 
verno miguelista, em 
1823, atervorou-lhe 
os brios, ao mesmo 
tempo que estimulou e deu vantagem aos seus ini- 
migos. Aguiar publicara em setembro de 1822 um 
folheto, que era o protesto do homem altamente 
liberal. Sendo mandado sahir do collegio de S. 
Pedro, por decreto de 8 de novembro de 1823, 
teve de abandonar o magistério e refiigiar-se no 
Porto, como aconteceu a muitos homens do seu 
tempo. Com as suas idéas liberaes tão publica- 
mente manifestadas, só lhe restava emigrar, ou 
I deixar-se matar ingloriamente. Começaram en- 
tão os grandes soffrimentos políticos do distin- 
cto doutor. Em 1826, sendo proclamado o governo 
de D. Pedro IV, voltou a Coimbra, e em abril 
foi nomeado lente substituto da faculdade de 
Leis com exercício na cadeira analytica de Di- 
reito pátrio ; n'esse mesmo anno foi eleito depu- 
tado ás cortes pela província da Beira, tomando 
assento na camará até 13 de março de 1828, 
adquirindo logo créditos de parlamentar de pri- 
meira ordem, concorrendo com as suas doutrinas 
para a fructificação dos princípios liberaes mais 
avançados, da monarchia constitucional e re- 
presentativa, assegurando o estabelecimento da 
Carta Constitucional. Em 1828 o infante D. Mi- 
guel dissolveu a camará. O dr. Aguiar, voltando 
a Coimbra, teve logo a intimação do conserva- 
dor da Universidade, e por ordem do governo, 
de sahir d'aquella cidade no praso de 24 horas, 
para Taboaço. O doutor achou mais prudente re- 
colher-se no Porto, onde acharia asylo seguro ; 
chegando aquella cidade, viu-se obrigado a emi- 
grar para Londres. No entretanto, era processa- 
do cm Portugal, como rebelde, e banido para 
sempre da l niversidade. Na emigração, não 
esfriou o seu enthusiasmo, nem aquelle espi- 
rito verdadeiramente nobre e patriótico esteve 
ocioso ; foi um dos que mais auxiliaram o mar- 
quez do Pahnella para se reivindicar a Carta 
C*onstitueional e o throno da rainha D. Maria IL 
Quando Saldanha organisou a famosa expedição 



AGU 



AGU 



íi ilha Terceira, o dr. Aguiar foi um dos primei- 
ros a alistar-so, e que assigoou o respectivo pro- 
testo contra as hostilidades da esquadra ingleza, 
que não os deixava abordar áquelle porto. Esta 
primeira expedição recolheu-se a Brest, mas de- 
pressa se organisou outra expedição que teve 
melhor resultado, desembarcando na ilha Ter- 
ceira, da qual fazia parte Joaquim António de 
Aguiar como soldado no corpo dos voluntários, 
passando depois para o corpo académico que es- 
tava em Ançra. A expedição seguiu para S. Mi- 
guel, e d'ahi para Portugal, desembarcando to- 
dos aquelles bravos na praia do Mindello, em 8 
de julho de 1832, entrando no Porto no dia se- 

êuinte. Eram 7:500 legionários commandados por 
K Pedro IV, entre os quaes vinham também al- 
guns dos homens notáveis da revolução de 1820. 
No Porto foi nomeado juiz do tribunal de guerra 
e de justiça, membro da commissão encarregada 
de elaborar os códigos penal e commercial, e pro- 
curador geral da coroa, logar que veiu exercer 
em Lisboa, logo que a capital foi restaurada, 
passando pouco depois para o de conselheiro do 
tribunal de justiça. Em 15 d'outubro de 1833 foi 
pela primeira vez chamado aos conselhos da co- 
roa, para o cargo de ministro do reino, e em 23 
d*abril de 1834 para o de ministro da justiça, 
cargo que exerceu até á morte de D. Pedro IV. 
Então pôz em relevo todas as suas brilhantes 

3ualidades como estadista. Entre as medidas que 
ecretou, aconselhadas pelas circumstancias, e 
instantemente reclamadas pela opinião publica, 
avultam as que reorganisaram os municípios e 
extinguiram as ordens religiosas, mandando in- 
corporar os seus bens na Fazenda Nacional. 
Esta medida encrgica valeu-lhe a alcunha de 
Mata frades. Até 20 d*abril de 1836, em que 
novamente entrou no ministério, foi deputado 
•pélsLa províncias da Extremadura, Douro, Alem- 
tejo e Beira Alta. A pasta de que se encar- 
regou então, foi a da justiça. Os aconteci- 
mentos de 9 de setembro d*esse anno obri- 
garam o ministério a demittir-se. Não queren- 
do acceitar a mudança realisada na lei fun- 
damental do paiz, resignou com notável abne- 
gação o logar de conselheiro do supremo tribu- 
nal de justiça. Só mais tarde, sendo jurada pela 
rainha e pela nação, a constituição de 1838, con- 
tinuou a ser fiel aos seus principies e ao throno, 
tomando assento na camará como deputado por 
Coimbra, Lamego, e Villa Real, sendo reinte- 

frado no supremo tribunal de justiça, pela lei 
e 28 d'agosto de 1840. Foi novamente ministro 
e presidente do conselho, encarregando-se da 
pasta do reino, em 9 de julho de 1841, conser- 
vando-se n*aquelles legares até 7 de fevereiro de 
1842, época em que o ministério se demittiu, pela 
restauração da Carta Constitucional. N'esse mes- 
mo anno sahiu deputado pela Extremadura e 
Alemtejo, tomando então uma parte muito activa 
na politica da opposição. A 19 de julho de 184<>, 
Joaquim António d*Aguir tornou ao poder, com 
a situação liberal do duque de Palmella, sendo- 
Ihe confiada a pasta da justiça. Este ministcrio 
teve curta duração, terminou a G d'outubro se- 
^inte ; comtudo, apesar da perspectiva da revo- 
lução, que ficou conhecida pela Maria da Ftrntt, 
decretou medidas de muito alcance, entre as 
quaes se encontra a da reforma eleitoral, garan- 
tindo todas as liberdades do voto e punindo to- 



das as corrupções que contra ella fossem inten- 
tadas. Esta revolução fez com que Joaquim An- 
tónio d'Aguiar fosse novamente exonerado do 
cargo de conselheiro do supremo tribunal de jus- 
tiça. Terminada a revolução, tornou a ser rein- 
tegrado n'aquelle logar. 'íriumphando a Regene- 
rarão em 1851, conservou-se fora dos ministérios, 
mas continuou sempre recebendo todas as pro- 
vas de consideração. Em carta régia de 3 de ja- 
neiro de 1852, foi elevado a par do reino, sendo 
então deputado por Coimbra; a 9 de novembro 
de 1854, teve a nomeação de provedor da Santa 
Casa da Misericórdia de Lisboa, onde prestou 
grandes serviços. Em 1 de maio de 18G0 foi cha- 
mado á presiflencia do conselho ; este ministério 
durou até 4 de julho do mesmo anno. A 4 de se- 
tembro de 1865 tornou a subir ao poder, pela ul- 
tima vez, conservando-se o ministério até 4 de 
janeiro de 1860, ao movimento da janeirinha. 
Joaquim António d*Aguiar foi sempre de hábi- 
tos simples, recusando titules e mercês com que 
pretenderam honral-o por diversas vezes, não 
usando nunca as gran-cruzes e condecorações 
concedidas pelos governos extrangeiros. Falle- 
ceu na sua quinta do Ramiro, próximo de Lis- 
boa. O seu cadáver foi transportado para Coim- 
bra em 10 de dezembro de 1875, sendo sepultado 
no cemitério da Conchada, em modesta sepultura. 
Aguiar (Joaquim Nunes de). Nat. da ilha da 
Madeira. Foi engenheiro civil de muito mereci- 
mento. Começou os seus estudos em Lisboa, indo 
completar o curso de engenharia a França, d'onde 
voltou gosando da maior consideração! Desejoso 
de encetar a sua carreira na terra que o vira nas- 
cer, conseguiu que os seus primeiros trabalhos 
públicos fossem desempenhados nas obras publi- 
cas como engenheiro da camará municipal do 
Funchal, desde março de 1849 até fevereiro de 
1850. Em 1852 foi chamado ao continente para 
serviço nas obras do caminho de ferro do norte; 
em outubro de 1853 esteve ao serviço do minis- 
tério do reino, na praia da Nazarctíi, sendo no- 
meado no anno immediato, fiscal do caminho de 
ferro de Leste, pela portaria de 5 de janeiro de 
1854. E em portaria de 3 d'outubro d'e8se mesmo 
anno foi inciunbido de fazer o traçado do cami- 
nho de ferro de leste desde Santarém até á fron- 
teira de Hespanha. Em 16 de março de 1857 teve 
o encargo de fazer um reconhecimento da valia 
do Tejo em Portugal e Hespanha; estes serviços 
renderara-lhe a nomeação de membro do conselho 
de obras publicas, que recebeu em 3 de setembro 
do mesmo anno. E cm portaria, passada no re- 
ferido mez e anno, foi auctorisado a fazer as es- 
tradas do caminho do Porto a Vigo. Em 4 de se- 
tembro de 1858 assumia a direcção das obras 
publicas dos districtos do Porto, Braga e Vianna 
do Castello, passando em seguida a ser investido 
no cargo de director geral dos caminhos de ferro 
de leste, e fiscal dos do norte ; em 8 de agosto de 
1863 foi-lhe concedida a tiscalisação das obras 
publicas para o abastecimento das aguas de Lis- 
boa, sendo depois incumbido da direcção das 
mesma obras, por portaria de 30 d'agosto de 1864. 
Em 17 de julho de 1865 fez parte da 3.* secção da 
commissão central portugueza da exposição de 
Paris, que se devia realisar cm 186Í. Pela por- 
taria de 9 de julho de 1866 foi encarregado de 
examinar os diversos systcmas de distribuição de 
aguas cm ditt*erentes paizcs, quer visitou no de- 

95 



AGU 



AGU 



sempenho d'esta commissSo. Tendo adquirido a 
categoria de engenheiro chefe de 1.* classe no 
corpo de engenharia civil, e tendo este sido ex- 
tiucto por decreto de 30 d'outubro de 1868, pas- 
sou a ficar na inactividade, tendo previamente pe- 
dido licença para passar ao serviço da companhia 
das aguas, o que lhe fora concedido por despa- 
cho de 30 d*abril de 1868. O decreto de 19 de ja- 
neiro de 1869 dá-lhe a graduação de capitão. Na 
portaria de 19 d'outubro de 1870, foi nomeado 
ainda director de físcalisáçao do caminho de fer- 
ro de Leste e Norte, e na de 5 de dezembj-o de 
1871, para fazer parte d'uma commissão encarre- 
gada de inspeccionar a ponte sobre o Tejo. Sen- 
tindo-se depois impossibilitado de continuar com 
os seus trabalhos, pediu para se retirar para a 
terra onde nascera. Partiu então para a Madeira, 
fallecendo a 14 de novembro de 1872. 

Agntar (Jorge de). Contemporâneo de Affònso 
d* Albuquerque. N. em Lisboa, não se sabe a data ; 
era filho de Pedro d' Aguiar e de Mecia de Se- 

3ueira, que foi ama da princeza D. Joanna, filha 
e D. Áffonso V. Foi capitSo-mór da armada, que 
em 1508 partiu de Lisboa para a índia, e que 
se compunha das naus S. João, Carvalha, Gallega, 
Botafogo, Santa Martha, Magdalena, Ribalta e 
Leonarda ; . Jorge d' Aguiar commandava a nau 
S. João, e"as outras eram do commando de Vasco 
de Carvalho, Ruy da Cunha, João Rodrigues Pe- 
reira, Álvaro Barreto, Tristão da Silva, Gonçalo 
Mendes Çacoto e Francisco Pereira Pestana. Se- 

§undo as ordens do D. Manuel, Jorge d' Aguiar 
estinavá-se a ir como capitão>mór para Guarda- 
Fui, emquanto Affonso d' Albuquerque não ter- 
minasse o seu governo da índia, devendo depois 
substituil-o. Tendo chegado a armada ás alturas 
das ilhas Tristão da Cunha, os pilotos adverti- 
ram que era muito arriscado proseguir immedia- 
tamente na derrota. Jorge d* Aguiar não attendeu 
áquelle aviso, e o resultado foi a nau ser absor- 
vida pelas ondas, e morrer toda a guarnição. Os 
outros capitães não perderam o animo, continua- 
ram a viagem, chegando a Moçambique um a um, 
e Duarte de Lemos, sobrinho de Jorge d*Açuiar, 
o que também fazia parte da guarnição a'uma 
das naus, foi investir a Francisco Peres da ca- 
pitania de Quiloa e a Pêro Ferreira da de Soco- 
torá, e seguindo depois a marcha até ao ultimo des- 
tino, com que tinham largado a pátria, chegaram 
á índia. Jorge d'Aguiar, além de figurar na his- 
toria como capitão valoroso e arrojado, também 
é conhecido como poeta, achando-se coUecciona- 
das muitas das suas trovas no Cancioneiro de Re- 
zende. Casou com D. Violante do Vasconcellos, 
senhora muito illustre ; foi alcaide-mór de Mon- 
forte, e cavalleiro da Ordem de Torre e Espada. 

Aguiar (Jorge de). Companheiro de Duarte 
Pacheco, Duarte Ferreira, Diogo de Castro, Ál- 
varo Botelho, João de Freitas, Lopo Cabral e 
outros capitães valorosos que tanto se distingui- 
ram em Cochim e Congranor. 

Aguiar (Fr, José de). Religioso carmelita, n. 
de Lisboa ; professou no convento do Carmo, de 
Lisboa, em 1690. Foi mestre de theologia e con- 
fessor das freiras carmelitas de Beja, logar que 
começou a exercer em 1727. F. n'esta cidade, a 
2 de junho de 1733. Deixou algumas composições 
poéticas em latim c portuguez. 

Aguiar (José António de). Lente da Academia 
Polytechnica do Porto ; n. n'esta cidade, a 13 de 

96 



novembro de 1812, f. a 5 de janeiro de 1850. Era 
filho de António José d* Aguiar e de D. Maria do 
Céo. Ainda não contava 2 annos quando falleceu 
seu pae ; sua mãe desposou então em segundas 
núpcias a Ambrósio Faustino d* Andrade, dono 
d*uma pharmacia no Porto. José António d' Aguiar 
encontrou em seu padrasto o carinho e os cuida- 
dos d*um verdadeiro pae. Aos 15 annos já Aguiar 
fazia exame de grammatica latina, em Coimbra, a 
30 julho de 1827, ficando plenamente approvado. 
Começou a guerra civil, e o padrasto, sendo per- 
seguido por seguir o partido constitucional, fu^iu 
da cidade do Porto, permanecendo no exilio du- 
rante todo o tempo que durou aquella guerra. José 
António d' Aguiar, apesar da sua curta edade 
viu-se obrigado a dirigir a pharmacia, traba- 
lhando para que nada soffresse durante a ausên- 
cia do padrasto, prejudicando os seus estudos a 
que não podia entre^ar-se devidamente, conforme 
desejava. Ainda assim aproveitava algumas horas 
de que podia dispor, e conseguiu fazer exame de 
pharmacia, em 21 d*abril de 1831, ficando appro- 
vado. Quando as tropas liberaes entraram no 
Porto, todos os rapazes d*aquella cidade pegaram 
em armas contra o exercito miguelista, e Aguiar 
alistou-se em 2 de fevereiro de 1833, no batalhão 
dos empregados públicos. Terminada a lucta, 
Ambrósio d' Andrade foi restituido á sua familia, 
e então, podendo já livremente seguir os estudos, 
Aguiar matriculou-se em 1834, tendo 22 annos, 
na Academia de Marinha e Commercio, fazendo 
no anno seguinte, exame de inglez depois d'um 
curso brilhante, em que alcançou honrosas dis- 
tincções, e 2 j^remios pecuniários de 40^000 réis 
cada um. Aguiar matriculou-se nas aulas de ma- 
nobra e apparelho naval, 3.° anno de mathema- 
tica, 1.°, de commercio, agricultura, botânica e 
veterinária, na Academia Polvtechnica que se 
creara em substituição da Academia de Marinha 
e Commercio. Em 1837 foi-lhe conferido novo 
premio pecuniário nas aulas de botânica, agricul- 
tura e veterinária. De triumpho em triumpho, por- 
que os seus exames causavam profunda admira- 
ção, Aguiar terminou os estudos, e em 11 d'agosto 
de 1838, o corpo cathedratico do conselho da 
Academia Polytechnica declarou que era elle o 
mais competente para demonstrador do laborató- 
rio chimico, e o estabelecimento lucraria immen- 
so com a sua nomeação para tão laborioso cargo. 
Em 21 d'agosto de i839, obteve o logar de lente 
substituto das aulas da Academia Polytechnica 
do Porto, continuando sempre a frequentar as 
aulas de physica e zoologia no anno de 1839 a 
1840. Dez annos exerceu o magistério, tornando-sc 
sempre credor dos maiores elogios e considera- 
ções. A physica, chimica, botânica e zoologia, 
eram as sciencias, que lhe mereciam maior atten- 
ção, e especialmente a chimica, em que pelo mais 
profundo estudo, se tornou perfeito conhecedor 
dos seus segredos. José António d'Aguiar foi fun- 
dador c assiduo collaborador do Industriai Por- 
tuense, publicado em 1845 e 1846, em que escre- 
veu muitos artigos sobre sciencias, tratados de 
forma, que todos os artistas pudessem lêl-os e 
comprehendel-os. Sendo-lhe familiares os traba- 
lhos de dagverreoti/po, galva/nsmo e electricidade, 
também publicou a este respeito vários artigos. 
Vjin testameuto legou á Academia a excellontc 
machiua chíctrica de que fazia uso nos seus es- 
tudos, e que servia em muitas occasiões, nas au 



AGU 



AGU 



las publicas' de physica e chimica. A sua morte 
foi muito sentida. 

Aguiar (José Maria Pacheco de). Frade agos- 
tinho muito considerado e respeitado. N. em 1803, 
na fregnezia de Santo António do Porto Judeu, 
na ilha Terceira. Logo em creança manifestou 
grande vocação para a vida ecclesiastica. Profes- 
sou no convento da Graça, de Angra, e protegido 
pelo prelado, que lhe reconhecia propensão para 
as boas letras, fai em 1826 para o collegio dos 
eremitas calçados de S. Agostinho, em Coimbra, 
onde continuou os estudos para se habilitar ao 
magistério. Por motivo de doença, vendo-se obri- 
gado a mudar de localidade, interrompeu os es- 
tudos, e partiu para o collegio Populo da mesma 
ordem, de Braga, terminando ahi o curso de pre- 
paratórios e theologia; sendo em seguida empre- 
gado na regência das cadeiras de theologia do- 
gmatico-moral, estabelecidas no mesmo collegio, 
para a instrucçâo do clero do arcebispado. Esteve 
u*essa commissão até que se extinguiram as or- 
dens religiosas, em 1834. Então continuou, no 
Porto, a dedicar-se ao ensino das disciplinas pre- 
paratórias, emquanto lh'o permittiu a sua débil 
saudc, pois repetidas vezes tinha de sahir da ci- 
dade, para procurar ares de campo. Em 1847, 
cm virtude a'um concurso, recebeu a apresenta- 
ção do priorado d' Águeda, onde se distinguiu 
ãurante a epidemia do cholera-morbus, com sa- 
crifício e abnegação ; oífereceram-lhe um canoni- 
cato na sé de Coimbra, que recusou. Em 1854, o 
sen prelado encarregou- o da regência d'uma das 
cadeiras de sciencias ecclesiasticas *, e onde se 
conservou até que foi transferido, em 1862, para 
o seminário d* Angra, dando-lhe um cânon icato 
na mesma sé. F. n*esta cidade, a 31 de julho de 
1876. Escreveu ; Períodos da historia portitgiteza 
aiúiga e moderna. Primeira parte. Historia an- 
tiga. Porto, 1841 ; Segunda parte. Historia mo- 
derna. Porto, 1842; Elementos de metaphysica, 
segundo Genuense. Segunda edição mais correcta. 
Porto, 1849. — Innocencio diz que não sabe quan- 
do sahiu ai.* edição; Cartilha da doutrina chris- 
tã, extrahida das melhores obras que tratam doesta 
materiaf principalmente de cathecismo explicado 
por D. Santiago José Garcia Mazo, e traduzido 
jrelo sr. D. José de UrcuUu. E* offererido aos seus 
freguezes por um parocho do bispado de Aveiro. 
Porto, 1849. Teve diversas edições. Estas obras 
sahiram sem o nome do auctor. 

Aguiar (Manuel Caetano Pimenta de). Depu- 
tado e escriptor ; n. na ilha da Madeira, a 22 de 
maio de 1765, sendo baptisado na sé do Funchal. 
Veiu para Lisboa, em 1778, estudou no Collegio 
dos Nobres, até 1785, partindo então para França, 
onde seguiu o novo curso de artes e sciencias. 
Na revolução de 1790 esteve ao serviço militar 
do governo francez, alcançando o posto de capi- 
tão de cavallaria e a cruz da Legião de Honra. 
Terminada a lucta civil, obteve a demissão de 
serviço, e voltou para Portugal. Em 1823, foi de- 
putado pela ilha da Madeira. Mais tarde, sendo 
constitucional, teve de deixar a politica, e homi- 
siar-se por causa dos successos de 1828, e paxá 
fiigir á perseguição do partido absolutista. Vol- 
ton a Lisboa, onde morreu a 21 de fevereiro de 
1832, e foi sepultado na egreja de S. Paulo. Es- 
creveu as seguintes tragedias todas em 5 actos, 
que se imprimiram, além d'alguns manuscriptos 
que ficaram inéditos : Virginia, Os dois irmã^ts 



inimigos, D. João I, Arria, Destruição de Jerusa- 
lém, D. Sebastião em Africa; Conquista do Peru: 
Eudoxia Licinia\ Morte de Sócrates; Caracter 
dos lAtsitanos. 

Aguiar (Manuel Maria de). Irmão do grande 
estadista Joaquim António d*Aguiar; n. em Coim- 
bra, em dezembro de 1798; era filho do cirurgião 
Xavier António d'Aguiar e de D. Thereza An- 
gélica. Formou-se em Direito em 1819. Princi- 
£iou a sua carreira publica como juiz de fora de 
[arvão, e em 1825 foi despachado para egual 
cargo, em Moçambique, com assento de desem- 
bargador na Relação do Porto, logar que não 
chegou a exercer por effeito das convulsões po- 
liticas, continuando sempre em Marvão. Por pro- 
fessar idéas liberaes, foi mandado, pelo governo 
de D. Miguel, recolher a Coimbra, estando 4 
mezes preso na cadeia da Portagem da mesma 
cidade. Alcançando sahir da cadeia, conservou-se 
em sua casa, com a obrigação de todos os dias se 
apresentar ao juiz do crime. Esteve n*esta si- 
tuação dependente até julho de 1832, em que o 
exercito liberal entrou no Porto, conseguindo en- 
tão fugir para Lisboa, d^onde embarcou para a 
cidade invicta. Assentou praça de voluntário, e 
na acção de 29 de setembro foi ferido n*um ar- 
telho, de que lhe resultou ficar coxo durante o 
resto da vida. Em 1833, depois de estar resta- 
belecido o poder constitucional, Manuel Maria 
d'Aguiar veiu para a capital, sendo despachado 
juiz da Relação de Lisboa; conservou-se por 
muitos annos n'este logar, até que, sendo apo- 
sentado seu irmão, Joaquim António d'Aguiar, 
foi substituil-o no logar de membro do Supremo 
Tribunal de Justiça. í^alleceu em agosto de 1867. 
Em 10 de cfizembro de 1875 foi o cadáver 
para Coimbra, juntamente com o de seu irmão, 
ficando ambos sepultados no cemitério da Con- 
chada. . 

Aguiar £Z>. Maria de Mendonça, marqueza de). 
Filha de D. Christovam de Moura, marquez de 
Castello Rodrigo, e da marqueza, sua mulher, 
D. Margarida Coutinho Corte Real. Desde muito 
creança mostrou grande vocação para a clau- 
sura, que desde logo teria abraçado, recolhen- 
do-se no mosteiro de Santa Martna, em Lisboa, 
aproveitando a ausência de seu pae, que estava 
em Madrid, se o irmão se não oppozesse, obrigan- 
do-a casar com o conde de Vimioso, D. Affonso 
de Portugal, mais tarde agraciado, em 1643, por 
D. João fV, com o titulo de marquez de Aguiar. 
(V. Marquez d' Aguiar). Quinze mezes depois da 
morte de seu marido, logrou satisfazer o seu de- 
sejo, contando já 60 annos de edade, entrando 
para o convento do Sacramento de Lisboa, onde 
sua filha, D. Margarida da Cruz, era mestra das 
noviças. Tomou então a denominação de madre 
soror Maria do Sacramento. Falleceu a 10 d'ou- 
tubro de 1659. 

Aguiar (Martim Pires de). Fidalgo portugucz, 
progenitor da nobre e antiga familia dos Alcofo- 
rados, que, como descendentes também de D. Gol- 
dora, tinham o padroado do mosteiro de Bustello, 
da ordem de S. Bento. Casou com D. Elvira ou 
Marina. Nada mais se sabe a seu respeito, nem 
o século em que viveu. 

Aguiar (Nuno de). Filho de Cosmc de Aguiar. 
Assistiu ao cerco de Diu. Teve carta de brazão 
d'annas cm 14 de fevereiro de 1556, assim com- 
postas : em campo azul águia vermelha, bicada 

97 



AGU 



AGU 



dc preto c carregada de um crescente grande de 
prata nos peitos. Timbre a águia das armas. 

Aguiar (Pedro Mendes de). Cavalleiro portu- 
guez, que esteve ao serviço de D. Affonso Hen- 
riques. Querem alguns chronistas que elle per- 
tencesse ao tronco dos Gedeom, sendo seu 3.° 
avô, D. Gueda, fundador do cas'tello d* Aguiar de 
Souza, tomado no anno 1000 pelo rei Almançor; 
o conde D. Pedro pretende que D. Gueda fosse 
o tronco dos Gedeons, por seu filho D. Mem 
Guedas, e dos Aguiares, por seu filho D. Haer 
Gucdas. 

Aguiar (Pêro Affomo de). Capitão da pequena 
nau Santa Helena, que acompanhou á índia a ar- 
mada de Vasco de Gama, em 1502, mandada por 
D. Manuel, afim de tomar justa vingança das 
offensas e traições que o rei de Calecut fizera a 
Pedro Alvares Cabral. A armada compunha-sô de 
10 naus grandes de carga, e mais 5 caravellas lati- 
nas, para conduzir a artilharia que lhe fosse pre- 
cisa. Sahiu de Lisboa em direcção á Guiné, onde 
os navegadores encontraram grandes calmarias, 
adoecendo de febres muitas pessoas, e fallecen- 
do Fernão d'Athouguia, que conmiandava a nau 
Leiloa. Pêro Affonso d*Aguiar foi substituil-o 
n*aquelle commando; por ordem de Vasco da 
Gama. A armada seguiu viagem ; sahindo de 
Guiné, foi tomar a costa do Brazil, seguiu até 
ao Cabo de Santo Agostinho, d*ondc atravessou 
para o Cabo da Boa Esperança; alli, armou-se 
um grande temporal, que dispersou as naus, fi- 
cando só duas com o capitão-mór, e mais 3 cara- 
vellas, correndo todos os outros navios para Mo- 
çambique, onde deviam esperar, segundo o que 
tinha sido ordenado, se acaso alguma vez se 
apartassem. Chegando a Moçamlfique, o Xeque 
foi logo a bordo, com muitos presentes, por sa- 
ber que era o capitão o primeiro com quem ti- 
vera guerra, quiz deitar-se-lhe aos pés, pedin- 
do-lhe perdão, elle, porém, não consentiu; re- 
ccbeu-o bem, e mandou que lhe pagassem os 
presentes que trouxera. Vendo a boa riospitali- 
dade do Xeque, mandou desembarcar a madeira 
que trazia lavrada e acertada para uma cara- 
vella, sendo unicamente preciso assentar, pregar 
e calafetar, a qual se apromptou em 12 dias, re- 
cebendo o nome de Pamposa. Sabendo das infor- 
mações que tinham sido dadas a el-rei a respeito 
das cousas de Sofala, e como levasse ordem de 
mandar descobrir tudo, assentar trato e resgate, 
ordenou a Pcro Affonso d*Aguiar que fosse com 
2 caravellas, levando muitos presentes, que trou- 
xera comsigo. Poucos dias depois Pêro Affonso 
chegou a hofala, e sendo apresentado ao rei, 
deu-lhe os presentes, dizendo que o capitão-mór 
desejava saber se elle folgaria de ser muito 
amigo d'el-rei, seu senhor, que tinha muita von- 
tade de acceitar com elle paz e amisade para 
sempre, a qual paz e amisade seria para mandar 
á sua terra os seus portuguezes com mercado- 
rias a tratar, assim como faziam os outros mer- 
cadores. O rei respondeu que estava em sua 
terra sem fazer mal a ninguém, que recebia to- 
dos com amisade, e o mesmo praticava para com 
os portuguezes, por ter muito proveito. Pêro 
Affonso disse que a paz seria firme, e que o rei 
de Portugal seria como seu irmão. Ficou assim 
ajustado o trato e o commcrcio com o rei de So- 
fala ; Pêro Affonso seguiu o caminho de Melin- 
dc, para onde o capitão-mór já tinha partido, 

í)8 



tendo antes entrado em Quíloa, e feito tributá- 
rio o rei d'aquelles estados ao rei de Portugal. 
Sabendo o que se passara em Sofala, o capitão- 
mór ficou muito satisfeito. £m Melinde fôram 
recebidos pelo rei com muita honra e alegria. 
Algum tempo depois partiram para Calecut, onde 
começaram as hostilidades por parte do capitão- 
mór Vasco da Gama, em que os portuguezes se 
tornaram heroes, desaffrontando a bandeira por- 
tugueza, e alargando as raias do commerciojá 
encetado com aquellas ricas possessões. Pêro 
Affonso continuou a servir na índia, mesmo de- 
pois de Vasco da Gama voltar para o reino ; fi- 
cando ás ordens do vice-rei D. Francisco d*Al- 
meida, e mais tarde, de Affonso d* Albuquerque, 
que sempre o considerou como imi dos mais va- 
lentes capitães de mar, para todas as emprezas, 
e nas guerras continuas com Ormuz e Calecut. 
Pêro Affonso chegou a ser capitão-mór das naus 
de carga, por alvará d*el-rei, em remuneração dc 
todos os serviços prestados. 

Aguiar (Roberto Fernandes de). Fidalgo, que 
teve por armas (brazão de 18 de janeiro de 1Õ9G) 
estudo de campo de ouro e n'elle uma águia ver- 
melha armada de preto, e por differença uma fiòr 
de liz azul ; elmo de prata, aberto, guarnecido de 
ouro, paquife de ouro e vermelho, e por trimbre a 
mesma águia. 

Aguiar (Padre Euy de). Vigário enviado por 
D. Manuel para o reino do Congo, na Africa. 

Aguiar (Euy Dias de). Era descendente de 
D. Gueda o velho; cavalleiro em Galliza, pas- 
sou a Portugal, em tempo de D. João I. Des- 
cendem d'elle as familias dos marquezes de Tur- 
cifal, dos condes de Torres Vedras, e outras egual- 
mente illustres. 

Aguiar (Silvestre Gonçalves de). Sócio da Arvn- 
dia Luzitana, conhecida também pela Arcádia 
Ulyssrponense, sociedade litteraria do século xviii, 
fundada com a idéa de restaurar o gosto litterario, 
pelo estudo e imitação dos bons modelos. Silves- 
tre Aguiar tinha o nome pastoril de Silveno. A 
seu respeito lô-se no Dircionario Bihliographic*^ : 
«As suas circumstancias pessoaes são de todo 
ignoradas ; nem me consta que com o seu nome 
publicasse cscripto algum em separado. Os que 
porventura recitaria nas conferencias d'aquella 
associação, ou se extraviaram, como as de outros 
seus coílegas, ou existem em local até agora des- 
conhecido.» As suas poesias são éclogas e memo- 
riaes ; vc-se que tratam da restauração do gosto 
publico, e também da. promoção pessoal. Entre as 
suas composições torna-se notável a écloga gra- 
tulatoria, pelas melhoras d'cl-rei D. José por oe- 
casião do attentado dos Tavoras, recitada na con- 
ferencia da Arcádia de 14 de março de 1759, que 
se realisou na sala da livraria do Real Hospicio 
de N. S." das Necessidades. N'esta écloga colla- 
borou António Diniz ^da Cruz e Silva, o Elpinn 
na Arcádia. Os interlocutores eram os dois poe- 
tas, tendo cada um cscripto a sua parte. Em ou- 
tubro do mesmo anno, celebrou-se nova conferen- 
cia, na sala da Junta do Commercio, situada no 
sitio da Cotovia, em que se recitou outra écloga 
gratulatoria, em honra do ministro Sebastião José 
de Carvalho, que fora agraciado, em 6 de junho, 
com o titulo de conde d'Ociras. N'esta écloga, 
além dos dois poetas acima citados, collaboraram 
Theotonio Gomes de Carvalho, Ihelgon, e Feli- 
ciano Alves da Costa, Palcino. A écloga recitada 



AGU 



AGU 



na confereDcia de 14 de março está publicada uo 
tomo 11, a pag. 148, das Poesias de AntoDÍo Diuiz 
da Cruz e Sií\a, e a do outubro, no mesmo tomo, 
a pag. 197. A Arcádia Lusitana realisou mais 
conferencias em que os poetas, seus associados, 
recitaram diversas poesias. 

Alfaiar (Silvino Luiz Teixeira (T Aguiar e Vás- 
concelloSf i.** barão de). Jurisconsulto ; n. em Cha- 
ves, a 18 d*agosto de 1798, e f. em 12 de setem- 
bro de 1862. Era filho de José Xavier Teixeira, 
proprietário do officio de feitor e recebedor da 
alfandega de Chaves. Bacharel formado em di- 
reito. Foi deputado, entrando na discussão da lei 
do recrutamento de 1855, esclarccendo-a muito 
cora os seus conhecimentos de jurisconsulto, que 
eram sempre respeitados. O titulo de barão foi- 
Ihe dado, durante a regência d*el-rei D. Fernando, 
na menoridade de D. Pedro V, por decreto de 17 
de junho e Carta de 19 de julho de 1854. O ba- 
rão d' Aguiar era proprietário do officio de feitor 
e recebedor da alfandega de Chaves, logar que 
seu pae occupara, foi juiz de fora de Montalegre 
c de Elvas, com predicamento de con-eiçâo ordi- 
nária e beca honorária; desembargador e procu- 
rador régio do Supremo Tribunal de Marinha, 
juiz e presidente da KelacSo de Goa, mas não 
chegou a partir para a Inaia, por ser nomeado, 
cm 22 de dezembro de 1836, juiz relator do Su- 
premo Conselho de Justiça Militar; juiz relator 
cifectivo em 8 de maio de 1841. Era conselheiro, 
commendador da Ordem de Christo, escudeiro fi- 
dalgo da Casa Real, por alvará de 11 de março 
de 1825, fidalgo cavalleiro, por alvará de 26 de 
julho de 1836. O barão d'Aguiar falleceu sem des- 
cendência. 

Aguiar (Theodoro Ferreira de). Medico cirur- 
gião distincto; n. no Kio de Janeiro, em 1769. 
Veiu para Portugal cursar os estudos de scien- 
cias naturaes da Universidade de Coimbra, se- 
guindo depois os estudos de medicina e cirurgia 
na universidade de Lcyde. Voltou a Portugal, c 
obteve no anno de 1797 cartas com todos os pri- 
vilégios e liberdades dos médicos approvados pela 
Universidade de Coimbra. D. João VI era-lhe 
muito affeiçoado, e attendeu os seus conselhos 
para a creacão das escolas geraes de cirurgia cm 
Lisboa o Porto, propondo um regulamento dos 
estudos cirúrgicos, que foi approvado pelo alvará 
de 25 de junho de 1825, tendo já antes cooperado 
muito para a reforma dos hospitaes militares e 
para o seu regulamento que foi mandado obser- 
var por alvará de 27 de março de 18()5. Con- 
seguiu que D. João VI visitasse o hospital de 
S. José no dia 27 de setembro de 1825, e que lhe 
concedesse o beneficio de duas loterias ; também 
por sua influencia, se mandou fazer, pelo minis- 
tério das Obras Publicas, uma nova enfermaria 
de convalescença. Pôde dizer-se que foi ello o 
restaurador de cirurgia em Portugal, o por isso 
alcançou a estima e gratidão de todos os portu- 
gnezes. F. em 5 de maio de 1827. 

Aguiar (Vasco José de). Era cavalleiro fidalgo 
c oifícial da secretaria do conselho de saúde pu- 
blica do reino ; pouco se conhece da sua vida, so- 
mente se sabe que foi um verdadeiro constitucio- 
nal, e que prestou relevantes serviços aos presos 
poli ticos na Torre de S. Julião da Barra, du- 
rante a guerra civil. Foi despachado, por D. Pe- 
dro IV, em 1834, para ofiicial da commissuo de 
sandc publica do reino, cargo que serviu com 



muita distincção. F. em 17 de outubro de 1855. 
Escreveu : Viagem ao interior da Nova HoUanda. 
obra moral, critica e recreativa, Lisboa, 1841, 3 
tomos. E* um romance de pura imaginação. . 

Aguiar (Fr. Vicente de). Pregador do século 
XVII ; n. em Lisboa, e passando ao Brazil, pro- 
fessou no convento carmelitano do Rio de Ja- 
neiro. Voltou depois para Lisboa, onde foi prega- 
dor distincto, tanto que um dos seus sermões foi 
traduzido em hespauhol, e publicado na Lavrea 
Lvsitana. Imprimiu os sermões á* Â8sum2)ção de 
Nossa Senhora, pregado na Misericórdia; o de 
Santo André, na egreja-d*este mesmo santo, que 
existia em Lisboa, e o de uma oitava da Paschoa, 
na Capella Real. F. em Lisboa, em 1676. 

Aguiar. Villa e freg. da prov. do Alemtejo,- 
cone. de Vianna do Alemtojo, com.,distr. e arccb. 
d'Evora. 256 alm. e 72 fog. Orago N. &.■ d' Assum- 
pção. A freg. está annexa, na parte ecclesiastica, 
á de S. Bartholomeu do Outeiro, cone. de Portel. 
D. Diuiz conccdeu-lhe foral em 1287, que foi re- 
formado por D. Manuel a 20 de novembro de 1516. 
D*esta villa, situada n'uma fértil planície, des- 
cobre-se Évora, Evora-Monte, Outeiro, Vianna c 
Alcáçovas. Pertenceu aos condes-barões d*Alvito, 
trazida em dote por D. Maria de Sousa Lobo pelo 
seu casamento com João Fernandes da Silveira. 
Seu nome primitivo era Agar, nome de mulher 
árabe, e com este nome figura no foral antigo. 
Os parochos d'csta villa eram apresentados pelos 
marquezes do Louriçal. Foi uma villa florescente 
no tempo do seu prior o insigne antiquário An- 
dré de Rezende que viveu aqui, no século xvi. 
Tendo depois decaindo, é actualmente uma pov. 
pobre. Foi visitada em outubro de 1860 por 
el-rei D. Pedro V e seu irmão, o infante I). João. 
Diz Pinho Leal, que, chegaram de repente, sem 
serem esperados, tendo ido a casa do parocho, que 
não tinha para lhes dar senão pão e queijo, que 
foi ainda assim preciso comprar fora, não appa- 
recendo na villa mais cousa alguma de comida. 
Os reaes viajantes comeram, e beberam o vinho 
por uma canada de barro por vidrar! A villa 
dista 5 k. da sede do cone. [j Pov. e freg. da prov. 
do Minho, cone. e com. de Barcellos, distr. e ar- 
ceb. de Braça ; 299 alm. 102 fog. Orago Santa 
Lucrécia. Foi abbadia da casa de Aboim. D. Af- 
fonso III deu-lhe foral em 12 de julho de 1258 ; 
e D. Manuel, em 4 de novembro de 1512, deu-lhe 
novo foral. No alto da serra veem-se as minas 
d'uma torre que se chamou Torre de Aguiar do 
Neiva. II Pov. na freguezia de Santa Christina de 
Aroes, cone. de Fafe, distr. de Braga. || Pov. na 
freg. do Santa Cruz do Bispo, cone. de Bouças, 
distr. do Porto. || Pov. na freg. d'Aguiar de Sousa, 
cone. de Paredes, distr. do Porto. || Pov. na freç. 
de S. Cosme de Gondomar, distr. do Porto. || Ri- 
beira, da prov. da Beira-Baixa. Nasce perto de 
Almeida, na freg. de S. Pedro do Rio Secco, 
passa próximo de Figueira de Castello Rodrigo, 
acabando no sitio de Calubre, acima do Côa. Tem 
um curso de 45 k. Sobre um monte alto e penhas- 
coso, perto da foz, estão as ruinas d'uma grande 
pov. Dizem-nos mie era a antiga cidade de Ifa- 
vena, outros a ciaade de Caliabria. 

Aguiar d' Azevedo (Guilherme de). Escrivão 
dos aggravos da Casa da Snpplicação ; viveu no 
século xviii, era natural de Lisboa. Escreveu: 
Estado d^s almas do Purgatório, e do vvhío com 
podem e devem ser ajudadas a sahir de suas pe- 

99 



AGU 



AGU 



nas . . . traduzido do seu (rriginal, covqxfsfo pelo P. 
Martim da lioa, crun outras obras prí^rías do 
traductor. Lisboa, 1701. 

Aguiar da Beira. Villa da prov. da Beira 
Alta, sede de codc, com. de Trancoso, distr. e 
bisp. de Vizeu. Tem imia freguezia da invocarão 
de Santo Kusebio; 1223 alm., 235 fog., Misericór- 
dia, escolas para o sexo masc. e fem., estação 
postal com serviço de emissão e pagamento de 
vales, cobrança ae recibos, letras e obrigações, 
c serviço de encommendas postaes, permutando 
malas com R. A. B. A. Trancoso; tem também 
uma feira, instituida env 1300, por el-rei D. Di- 
niz, que se realisava ao principio no 1." domingo 
de cada mez, e durava 3 dias. Mais tarde, por 
opposição do bispo de Vizeu, D. João I, ordenou 
em 1408, que ella se iizesse nas segundas, terças 
c quartas feiras, do começo de cada mez. Esta 
villa é muito antiga; em 1120, deu-lhe foral D. 
Thercza, mãe de 1). Affonso Henriques, o qual 
foi confirmado por D. Affonso II, e reformado em 
1258 por D. Atfonso III. Em 4 de maio de 1512, 
D. Manuel coucedeu-lhe novo foral. Foram do- 
natários d'esta villa os condes de Vimioso, que 
apresentavam as justiças, mas depois passou 
para a Casa do Infantado. Possua um castello 
construído por D. Diniz, havendo outro já no 
tempo de D. Affonso I, que se suppõe ter sido 
obra dos romanos. No centro da villa ha um poço 
antiquíssimo, com suas ameias, tendo n*ellas as 
armas de Portugal ; sobre o mesmo poço ha um 
passeio que serve de praça á camará, onde fica a 
celebre torre do relógio, muito antiga, muito alta, 
de boa cantaria c bem conservada. Perto do le- 
gar de Sismeiro, onde está a capella de N. S." do 
Mosteiro, existia um convento de benedictinas 
parte das quaes Almançor fez martyrisar em 985, 
levando captivas as restantes, sendo estas re- 
midas no combate da Veiga da matança. Pró- 
ximo da capella de N. S.* do Castello, estão as 
ruinas d*um castello romano, de cantaria. Ao pé 
d*esta capella esteve a egreja de S. Pedro, an- 
tiga matriz da fre^ezia, que por ficar longe da 
villa c por se dividir a commenda de Christo, do 
padroado real, metade para S. Eusébio de Aguiar 
e metade para S. Pedro de Coruche, ficou aban- 
donada, passando a parochia para a egreja de S. 
Eusébio. Houve, porém, quem attribuisse este 
abandono da egreja de S. Pedro ao apparcci- 
mento no alto da torre d*uma enorme e liorrivel 
ave, a que chamavam cabicanca, que aterrorisava 
os habitantes da villa. O caso conta-se da ma- 
neira seguinte: Haverá séculos que appareceu 
aqui uma cegonha que foi fazer ninho na torre 
da egreja. Com a presença do tal pássaro, o povo 
verdadeiramente horrorisado, deixou de ir á egreja 
ouvir missa, e o próprio prior fugiu de casa, indo 
celebrar os oflicios divinos na egreja de Santo Eu- 
sébio. Andavam todos tão atterrados e afflictos, 
que deixavam os negócios, tratando somente de 
se prepararem para o juiso final, que julgavam 
já próximo. Aconteceu passar alli um almocreve, 
chamado Martinho Affonso, e sabendo o motivo 
d'aquella excitação dos pobres habitantes da 
villa, teve a idéa de os livrar do tal pássaro as- 
sustador. Carregou uma espingarda que possuia, 
(arma recentemente descoberta), dirigiu-se á 
egrc^ja, e apenas o tal bicho, a cabicanca^ appa- 
receu, sahindo do ninho, disparou a espingarda 
com tão boa pontaria, que o bicho cahiu por terra, 

100 



já sem vida. O povo correu aos gritos victoriosos 
do caçador, para vêr a cegonha, causa de tantos 
desasocegos e afflicçoes, Martinho Affonso foi le- 
vado em triumpho por toda a villa, recebendo 
muitos presentes e grande quantidade de garra- 
fas de vinho ; todos, querendo ser agradáveis, lhe 
diziam : escorropicha, de que ficou Martinho Affon- 
so tendo a alcunha do escorropicha. Depois da sua 
morte, o parocho todos os domingos, na occasião 
da missa, pedia um padre nosso para allivio da 
sua alma. O cone. d*Aguiar da Beira comprehen- 
de 13 freg. com 1912 fòg. e 8456 alm., sendo 4040 
hom. e 4416 m., n^uma superficie de 19.418 hecta- 
res. II As freguezias são : Santo Eusébio, Carapito, 
Cortiçada, Coruche, Domellas, Eirado, Fomi- 
nhos, Gradiz, Pena Verde, Pinheiro, Sequeiros, 
Souto de Aguiar da Beira e Valverde. 

Ag^uiar de Iioureiro (Jacintho HeJiodoro de 
Faria). Filho de Francisco de Assis Faria Aguiar 
Loureiro, fidalgo da Casa Real, e de D. Ignacia 
Joaquina de Lima e Carvalho. N. em Lisboa a 3 
de julho de 1806, e foi baptisado na ermida da 
Guia; porém seu pae lhe transferiu depois o as- 
sento do baptismo para a freg. de S. Bartholomeu 
da Charneca, por ter a sua casa e residência ua 
antiga quinta dos Loureiros, da mesma freçue- 
zia. Tencionava matricular-se na universidade 
de Coimbra, tendo já os preparatórios quasi con- 
cluídos, quando as luctas civis, em 1823, o força- 
ram a ser militar, porque um decreto, d*aqnelle 
anno, obrigava ao servido militar os filhos únicos 
dos grandes proprietários, como ofiiciaes de mi- 
lícias. Preferiu então a tropa de linha, e assen- 
tou praça em infantaria 13, onde serviu até 23 
d'abril ue 1828, em que obteve baixa pela Junta 
de Saúde. No entretanto, concluirá o curso dos 
estudos próprios da arma de infantaria. Pouco 
tempo depois, foi residir na quinta da Alberga- 
ria, com. de Santarém, onde esteve até 1835, en- 
tregue á lavoura, sua occupação predilecta, e 
adquirindo conhecimentos theoricos e práticos na 
agricultura. Voltou depois para Lisboa, dedican- 
do-se á litteratura. Foi sócio da Academia dos 
Pacíficos, e depois do Atheneu Lisbonense das 
Sciencias e das Letras, que o substituiu, orga- 
nisado sob a presidência de Silvestre Pinheiro. 
Foi collaborador dos seguintes jornaes : Jardim 
Litterarioy Lisboa. 1847 e 1848, 1.°, 2.« e 3.« vol.; 
Semana, tomo 1.® em 1850; Atalaia Catholica, de 
Braga, 1853; A Missão, jornal religioso, lAshosL^ 
1854; A Bazào, A Illustração, Correio das Da- 
mas; Diário do Governo, O Portugal Velko, A 
Nação, etc. Escreveu o drama histórico em 5 
actos, Álvaro Gonçalves, o Magriço, e os doze de 
Inglaterra, Lisboa, 1846 ; este drama foi premiado 
pelo Conservatório, e destinado para a inaugu- 
ração do theatro de D. Maria, que se realisou no 
dia 13 d'abril de 1846. Escreveu mais as seguin- 
tes obras dramáticas, que ficaram inéditas: O 
Tragamouros, Zoroastro, O Triumpho de Mardo- 
cheo, D. Meneia, O Impostor da Ericeira, e a co- 
media n'um acto : O Herdeiro de si mesmo, 

Aguiar da Pena. Villa (hoje extincta) da 
prov. de Traz-os-Montes, com. e cone. de Villa 
Pouca d'Aguiar, 50 fog. Era antiquíssima. D. San- 
cho I deu-lhe foral em março de 1206 e D. Affon- 
so II em fevereiro de 1220. D. Manuel lhe deu 
novo foral a 22 de junho de 1515. Villa Pouca 
era ao tempo uma aldeia, prosperando depois, e 
l é hoje com. e capital de concelho, ficando Aguiar 



AGU 



AGU 



da Pena reduzida a aldeia. Os foracs d'aqui per- 
tencem a Villa Ponca. 

Afiliar de Sousa. Pov. e frcç. da prov. do 
Douro, cone. e com. de Paredes, distr. e bisp. do 
Porto; 987 alm. e 233 fbg. tem escola do sexo 
masc. A pov. dista 15 k. da sede do cone. Até 
1650 foi concelho e julgado, mas, apesar de ser 
então extincto, continuou a ser cabeça de cone. 
A constituição de 1820 é que acabou com aquella 
regalia, retirando-lhe o foro de villa. Pertenceu 
aos marquezes de Fontes, e depois aos marque- 
zes d* Abrantes; passando depois, para a coroa. 
A poYoaçSo é muito antiga orago da freguezia 
é S. Romio; em 10 de junho de 1269, D. Affon- 
so III den-lhe foral, que foi reformado e con- 
firmado por D. JoSo I, em 13 de março de 
1411. D. Manuel deu-lhe novo foral, em Lis- 
boa, a 25 de novembro de 1513. Sobre um pe- 
nhasco, junto á confluência do Sousa com o Douro, 
existiu em tempos muito remotos um castello, 
com o nome d'esta povoação, cujos vestígios 
ainda se encontram. Consta ter havido, junto 
d*este castello, uma villa despovoada por uma 
grande peste, em 1569. A egreja está n*um sitio 
solitário, e cercada de montes, na raiz da serra 
da Cadella. A um kilometro distante, e junto ao 
rio Sousa, n'um bosque de penhascos, est^i a ca- 
pella de N. S." do Salto, que diz a lenda ter appa- 
recido dentro d*uma gruta, junto a rio, que se 
vô ainda hoje, tendo ao pé uma fonte de boa 
agna. 

Aguiarlnho. Pov. da freg. de Santa Christina 
de Ardes, cone. e com. de Fafe, distr. e arceb. de 
Braga. 

Afi^iias. Freguezia da prov. da Beira Alta. 
Era conto, mas foi extincto em 1834. Os frades 
bernardos tiveram alli o convento de S. Pedro 
daê Amiaa. Fora anteriormente dos monges ben- 
tos. O mosteiro era pequeno. No fim do sé- 
culo xviii foi reedificodo. Era isento, com juris- 
dicção quasi episcopal. Junto d*Aguias passa o 
rio Tavóra, onde so podiam pescar os frades, 
por isso foi coutado até ao anno de 1834, em que 
se extinguiram as ordens religiosas. || Quint ana 
freg. de Sernache do Bomjardjm, cone. e com. da 
Certa, distr. de Castello Branco, bisp. de Porta- 
legre. II (Quinta das). Fomiosissima vivenda per- 
tencente aos srs. condes da Junqueira, no sitio 
d*eBte mesmo nome, entre Alcântara o Belém ; o 
nome de Águias deriva de duas grandes aves 
d*esta espécie, feitas em mármore, que rema- 
tam as columnas da fachada principal. 

Águias ou Brotas. Villa da província do 
Alemtejo, concelho de Mora, comarca de Monte- 
mór-o-Novo, districto de Évora; 657 almas e 
123 fogos E' villa muito antiga, principiou a 
ser concelho em 5 de setembro de 1361, de- 
sannexando-se da villa de Coruche, mas já ti- 
nha o titulo de villa muitos annos antes. D. Ma- 
nuel deu-lhe foral, a 20 de novembro de 1519. A 
pov. dista 10 k. da sede do cone. O seu orago é 
N. S.* das Brotas. Fica perto do rio Odivor. Tem 
ama torre que não se sabe quando foi edificada, 
contendo ameias, guaritas e 16 casas todas de 
abobada, e de grande solidez. O edifício tem 17 
metros de largo e 20 de alto, sendo a grossura 
da parede de 2 metros ; 4 andares, tendo cada 
nm, salas e quartos d*abobada. Hoje é palácio dos 
condes d*Atalaia. A villa fica n'iun alto, cercada 
de montes ainda mais cLevados. O chafariz foi 

TOL. I — FL. 13 



mandado construir pelos moradores d'Elvas, cm 
1659. O terreno é quasi todo coberto de bos- 

3ues, sendo muito abundante em toda a quali- 
ade de cereaes. A egreja da villa d^Aguias dei- 
xou de ser matriz, ficando a de N. S.* das Brotas 




Torre dai Águia* 

com essa primasia. Os foraes até 1834 davam aos 
moradores do cone. o privilegio de nao pagarem 
portagens, e de não darem soldados para o exer- 
cito 

Acfuiben. Roça na ilha do Príncipe, Africa 
Occidental. 

Aguieira. Villa extincta, da prov. do Douro. 
Actualmente pertence á freguezia de Vallougo 
do Vouga. Aguieira significa logar onde ha mui- 
tas águias, ou exposto ao vento norte. D. Manuel 
concodeu-lhe foral em Lisboa, a 6 de maio do 
1514. Tinha juiz ordinário, camará e ofiieiaes de 
justiya, mas o concelho foi supprimido ha mais 
de 200 annos. Pertenceu á coroa. || Pov. extincta 
da freg. de Carvalhal Redondo, da prov. da Bei- 
ra Alta, cone. de Nellas, e com. de Mangualde, 
distr. e bisp. de Vizeu. Foi villa e cone. e per- 
tenceu á coroa. Teve camará e juiz ordinário. 
Hoje é uma aldeia. || Pov. na freg. de Abravezes, 
cone. e distr. de Vizeu. || Pov. na freg. de Aguiei- 
ras, cone. e com. de Mirandella, distr. e bisp. de 
Bragança. || Pov. na freg. de Bairros, cone. de 
Castello de Paiva, com. e distr. d'Aveiro. || Pov. 
na freg. de Gondalães, cone. e com. de Paredes, 
distr. e bisp. do Porto. || Pov. na freg. de S. Pe- 
dro de Vallongo, cone. e com. d' Águeda, distr. 
d* Aveiro. || Pov. na freg. de S. Thiago de Tra- 
vanca, cone. e com. de Penacova, distr. e bisp. de 
Coimbra. 

Aguieiras. Pov. e freg. da prov. de Traz-os- 

101 



AGU 



AGU 




Montes, cone. c com. de Mirandella, distr. e bisp. 
de Bragança. 8(X) alin. e 159 fog. A pov. dista '20 
k. da sede do concelli'^ Orago Santa Catharina. 
Aguieirinho. Pov. na freg. de Folhadella, cone. 
o com. de Villa Real. 

Aguieiro. Pov. da freg. de S. Miguel Geudufe, 
cone. de Ponte de Lima, distr. de A^ianna do Cas- 
tello, e arceb. de Braga. || (MoiUe do). Na freg. 
de Pias, cone. e com. de Serpa, distr. e bisp. de 
Beja. 

Agiiiera (Joaquim Álvaro Telles de Figueiredo 
Pacheco, i." visconde dei Fidalgo da Casa Real, 
sr. da casa d'Aguiera, Dacharel formado em di- 
reito, antigo administrador do cone. d* Águeda, 
cm 1862. N. a 16 d'abril de 1816; era filho de 
José Agostinho de Figueiredo Pacheco Telles, 
fidalgo da Casa Real, bacharel formado em leis, 
proprietário e genhor da casa de Aguiera, antigo 
monteiro-mór do concelho do Vouga e seu dis- 
tricto na comarca d' Aveiro, e 
de sua mulher, D. Maria Luiza 
de Magalhães Telles. Casou em 
primeiras núpcias, com sua pri- 
ma, D. Maria Mascarenhas Ban- 
deira Telles de Mancellos Pa- 
checo, que falleceu a 7 de no- 
vembro de 1851 ; e em segun- 
das núpcias, com D. Maria Ignez 
Caldeira Pinto Giraldes de Bour- 
bon, filha dos 1."** viscondes da 
Borralha. O titulo de fidalgo 
cavalleiro foi-lhe concedido, por 
Braziodo vuronde a^vará de 4 djoutubro de 18(^, 
de Agui* ra e O de visconde por decreto de 
19 de setembro e carta de 5 de 
dezembro de 1872. Brazão d'armas : Um escudo es- 
quartelado ; no 1." quartel as armas dos Figueire- 
dos : cinco folhas de figueira nervadas e perfiladas 
de ouro, cm campo vermelho ; no 2.*' quartel, as ar- 
mas dos Telles : escudo esquartelado,no 1.*» quartel 
um leão de purpura armado de azul em campo de 
prata, no 2.° : o campo d'ouro e assim os alter- 
nos ; no 3.*^ quartel as armas dos Pachecos : em 
campo de ouro duas caldeiras negras faxadas de 
três faxas veiradas de ouro e vermelho, e em 
cada encaixe das azas quatro cabeyas de serpes 
verdes ; e no 4.'* quartel as armas dos Moraes : 
quartel partido em pala, na primeira em campo 
vermelho uma torre de prata coberta de ouro, 
sobre um rio de prata e azul, na segunda pala, 
em campo de prata uma amoreira verde. Timbre 
o dos Figueiredos : dois braços de leão de verme- 
lho em aspa, cada um com sua folha de figueira 
na garra. 

Agullar. Pretendem alguns auctores que a 
primeira pessoa que usou este nobre appellido 
foi Gonyalo Annes, mordomo-mór de I). AÔbn- 
so III. O mais averiguado, porém, é que este 
appellido tem origem hespanhola e os seus illus- 
tres representantes tem-n'o conservado tal qual, 
desde o estabelecimento em Portugal de D. João 
de Aguilar e Carrascosa, natural das Canárias. 
Em 1561 veiu I). João ao continente e foi á con- 
quista de Penon de Velez, na Africa, com o 
conde de Cifuentes. Serviu três annos nas guer- 
ras de Flandres e no seu regresso li Hespauha 
esteve na guerra de Granada. Em 1571 embarcou 
com D. João d'Austria e achou-se na batalha do 
Lepanto, sendo ferido. Depois dirigiu-se ao Chili 
c ahi serviu perto de nove annos, sendo algum 

102 



! tempo com a patente de capitao-general. Quando 
, Filippe II tomou posse de Portugal veiu D. João 
! para este reino com o duque d'Alba. N*cste tem- 
po casou em Campo-Maior com D. Ignez Videira, 
já viuva de Lopo Mexia, instituidor do morgado 
da Torre, e de Fernão da Silva de Menezes. Em 
1582 acompanhou ainda o duque d' Alba á ilha 
Terceira, achando-se na batalha naval contra a 
esquadra franceza, em que vinha D. António, 

?rior do Crato. Em 1588 foi n'um dos navios da 
nvencivel Armada. Teve uma commcnda na or- 
di m de Christo e o foro de fidalgo. Não havendo 
filhos varões do seu matrimonio, assentaram D. 
João de Aguilar e sua mulher, casar a D. Anna 
d'Aguilar, filha do mesmo D. João, com João de 
Videira Mexia, sobrinho de D. Ignez, para her- 
darem a casa, lavrando-se escriptura de dote a 
28 de janeiro de 1592. O testamento de D. Ignez 
foi feito em Sevilha a 18 de abril do 1504 c o de 
D. João em Campo-Maior a 5 de fevereiro de 
1598, anno em que parece ter fallecido. De D. 
Anna d'Aguilar procedem os Aguilarcs de Cam- 
po-Maior, mais tarde estabelecidos também em 
Elvas. De tão illustre familia é hoje veneranda 
representante a sr.* marqueza de Penalva. (V. 
este titulo). A ordem da succesaão ó a seguinte : 
l.<* D. João d'Aguilar Mexia, 2." D. Aftbnso de 
Aguilar e Monroi, 3." D. João d'Aguilar Mexia 
Avilez e Silveira, 4.** D. AfFonso Baptista d'Agui- 
lar, 5." D. José d'Aguilar, 6." D. Aftbnso d'Agui- 
lar e Monroi, 7." D. António d' Aguilar e Monroi. 
(V. todos estes nomes). || Familia portugueza, que 
parece ter exactamente as mesmas armas que os 
Aguiares. || Familia fidalga que vem citada no 
Espelho da Nobreza, de Francisco Xavier da 
Serra Craesbeeek, e que tem por brazão uma 
águia negra em campo d'ouro no escudo, e por 
timbre a mesma águia. 

Aguilar (I). Ajfoitso Baptista d^). Ao nome 
d'este fidalgo elvense pertencem também os ap- 
pellidos Monroi da Gama e Sequeira. Era filho 
de D. João d'Aguilar f F. este nome) e de D. Fran- 
cisca Xavier Filippa (la Gama Souto-Maior. Teve 
o gi-au de cavalleiro de Christo, e, entre outros, 
foram seus irmãos D. António d' Aguilar e Se- 
queira, thesoureiro-mór da sé d'Elvas e monse- 
nhor da Patriarehal, D. Balthazar d' Aguilar, 
também thesoureiro-mór, D. Luiz d*Aguilar e 
Valladares, cavalleiro de Malta e commcndador 
de Frei Gil, e D. José d'Aguilar, cónego de San- 
ta Cruz de Coimbra. 

Aguilar (D. Francisco Velasqucz). Trinchante- 
mór do príncipe D. João, filho de D. João III. 
Tinha as mesmas armas que os Aguiares. 

Aguilar fJ). Joàtt de). Este fidalgo usava tam- 
bém os appellidos Mexia Avilez e Silveira. Filho 
de I). Affouso d'Aguilar e Monroi (V. este runne) 
e de D. Filippa Maria de Sequeira. Teve o foro 
de fidalgo e uma commenda na ordem de Christo. 
Foi irmão de D. Luiz d'Aguilar de Sequeira, co- 
ronel do 1." regimento d'infantaria d*Elvas, c de 
D. Rodrigo d'Águilar Brito e Monroi, cavalleiro 
I de Malta e commendador de Aguas Santas. 

Aguilar (Lnvrenço de). N. em Serpa, em 1612, 
' f. em 167r); era filho de Antunes Leite, juiz de 
I fora d'esta villa. Entrou para a Companhia de 
' Jesus, em IQ^it, no noviciado de Lisboa, tendo 
I apenas 14 annos de edadc. Foi poeta latino, pro- 
fessor de humanidades no collegio do Santo An- 
I tão, de Lisboa, c de philo.sophia em Braga. Es- 



AGU 



AGU 



crcvcu : Pauegi/ris aã ampliesmani D. Joannrm 
líndertcitm de ò'á Menesium^ ctc. publicado em 
KUl. 

Afunilar (Marcos Cerveira de). Capitão de or- 
denança em Setabal. Escreveu: Diálogos das 
arruadas e nãos de guerra doestes reinos de Portu- 
gal. 

Agfúlar (Mosseh Baphael de). Judeu, nascido 
cm Portugal, um dos ornamentos da Synagoga 
d*Amsierdam, onde foi professor no Kk. de Tal- 
mnd Thora. Viveu no século xvii; ignora-se a 
data do nascimento e a do fallecimento. Era ho- 
mem muito erudito e de muita reputação entre 
os seus correligionários. Escreveu ; Epitome da 
Grammatica Hehrayca por breve methodo com- 
posta, para uso das escolas, df) modo qite a ensina 
Mosse Raphael (FAguilar no Midras em que assis- 
te no KK. de Talmud Thora Amsterdnm. Segunda 
edição novamente corrigida e accrescentada de h?i 
tratado solre a jwesia hebraica. Amsterdam, na 
offic. de Joseph Athias. An no 542 í (isto é, IGGl). 
A' custa do anctor. Innocencio diz que se não en- 
contra em nenhum dos nossos bibliographos no- 
ticia da primeira edição. 

Ac^ailar (Pedro Maria de). Ecclesiastico e 
pregador muito distincto ; n. n*uma aldeia, nos 
arredores de Pinhel, a 18 d'abril de 1828, f no 
Porto, a 30 de março de 1879. Estudou aa disci- 
plinas eoclesiasticas, e veiu para Lisboa exercer 
ãs fuucções do seu ministério. Quando em 1850, 
a epidemia do cholera-morbus, e em 1857, a da 
febre amarella, assolaram a capital, causando 
iunumeras victimas, era Pedro d'Aguilar coadju- 
etor da freg. de Santa Isabel, e prestou os mais 
relevantes serviços, arríscando a própria vida. 
Foi um dos oradores sagrados, do seu tempo, que 
melhor honraram o púlpito; os seus discursos 
eram de estylo elevado, de linguagem vernácula, 
philosophicos e enérgicos ; chamavam a attenção 
dos homens eruditos, de grande reputação litte- 
raria e scientiíica, que corriam a escutal-o quan- 
do subia á tribuna sagi*ada. Inaugurando-se a 
Escola Normal, foi nomeado, em concurso, seu 
capellão e professor de moral religiosa. Era di- 
rector d*aquella escola Luiz Filippe Leite. Pedro 
d'Aguilar ponde então manifestar bem os seus 
dotes intellectuaes e a cultura do seu espirito, 
não só na regência da sua cadeira, como também 
nas conferencias pedagógicas, que se celebravam 
no lyceu de Lisboa, prestando assim valiosos ser- 
viços á causa do ensino educativo. Deseuvolveu- 
sc-lhe então um grande zelo pela instrucçâo dos 
surdos-mudos. No lyccu abriu um curso gra- 
tuito para aquelles pobres desgraçados; lendo, 
estudando, escreveu os seus methodos, que suc- 
cc.<!sivamente aperfeiçoou, vendo um feliz êxito 
coroar os seus assíduos trabalhos ; esses metho- 
dos são um monumento admirável que deixou á 
sua pátria. Acabando a Escola Normal, Aguilar 
sahiu de Lisboa, e partindo para Guimarães, alli 
estabeleceu em 1872, um instituto para a educa- 
ção dos surdos-raudos, que dirigiu até pouco tem- 
po antes de morrer. Este estabelecimento flores- 
ceu muito. O fallecido e abalisado escriptor D. 
António da Costa visitou o Instituto, e n'um dos 
seus livros, faz uma minuciosa e brilhante des- 
cripeão do que era Pedro d' Aguilar no meio dos 
infelizes surdos-mudos. A camará municipal re- 
quereu aos poderes públicos a concessão d*mn 
subsidio, os deputados por aquelle circulo falla- 




Pedrn Maria de Agnilar 



ram a seu favor, mas não se podendo conseguir 
cousa alguma, o Instituto teve de fechar por 
falta de recursos, causando a maior magna ao 
seu desvelado fundador. Pedro d'Aguilar não 
desanimou ; apostolo convicto da sua ideia, sahiu 
de Guimarães em di- 
recção ao Porto a pe- 
dir auxilio para a sua 
obra. A camará d'esta 
cidade concedeu-lhe 
então um pequeno 
subsidio, c em 20 de 
maio de 1877 apresen- 
tava elle a provas pu- 
blicas alguns dos seus 
ai um nos, causando 
verdadeira admiração 
a todos os seus adean- 
t amentos e progres- 
sos. O nome do padro 
Aguilar tornou-se 
muito conhecido e po- 
pular, mas no fim de 
tantas luctas e de 
tantas contrariedades, 
a morte veiu terminar-lhe a existência, causando 
a sua morte a mais dolorosa consternação, espe- 
cialmente no Porto, onde passara os últimos 
annos da sua vida. 

Acpiilar Mexia (D. João de). Filho de D. Anna 
do Aguilar e de João Videira Mexia. Teve o foro 
de fidalgo da Casa Real e as commendas de Collos 
e Garvão; foi hábil monteiro, toureando duas 
vezes no Terreiro do Paço, na presença de D. 
João IV. 

Aguilar e Monroi (D. Affonso de). Filho de 
D. João d'Aguilar Mexia (V. este nome) e de D. 
Leonor Maria de Monroi, fidalgo da Casa Real c 
cavalleiro de Christo. Foi seu irmão D. João de 
Aguilar Mexia, morto na batalha de Montijo, em 
1G44. 

Aguilar e Monroi (D. Affonso de). Fidalgo da 
Casa Real, filho de D. José d'Aguilar Monroi e 
Menezes e de D. Antónia Josepha de Vilhena e 
Menezes. Teve um irmão, D. Henrique d'Aguilar 
e Menezes, que foi cónego da Patriarchal. 

Aguilar e Monroi da Gama e Menezes (D. 
António de). Moco fidalgo com exercício no paço, 
filho de D. Afionso d'Aguilar e Monroi e de 1). 
Anna Fortunata de Me- 
nezes Portugal, fallecida 
em Lisboa, sua pátria, em 
agosto de 1833. D. António 
nasceu am Elvas em 1791 
e morreu em 1831. Do seu 
casamento com D. Henri- 
queta de Almeida Sousa 
e Sá Mello e Lencastre, 
houve a D. Eugenia de 
Aguilar e Almeida Mon- 
roi da Gama Azambuja e 
Mello, actual marqueza de 
Penalva. O brazão usado 
por este fidalgo, tal como 
se vê d'um sinete cujas 
armas reproduzimos, era 
o seguinte : Uma águia coroada, pasmada, com as 
pontas das azas voltadas para baixo, tendo nos 
peitos um escudo csquartelado ; no primeiro quar-, 
tel trez faxas ondeadas sobro prata e sanguinhas 

103 




Brasio de D. António de 

Agtiilar e Monroi 

da Uama e Meneses 



AGU 



AID 



no contrario; no segundo dez pe^as de xadrez 
de prata em azul e uma flor de hz no logar da 
sétima; no quarto dois castellos de ouro alternos 
com uma banda embocada por duas cabeças de 
serpe. 

Agnilar Monrol e Menezes (D. José de). Bri- 
gadeiro de infantaria, commandante do regimento 
de Serpa, no Alemtejo, fílho de D. AíFonso Ba- 
ptista d' Agnilar Monroi da Gama e Sequeira 
(V. este nome) e de Margarida Ceciiia de Mene- 
zes. Foi irmáo de D. João d*Aguilar, cónego da 
sé d^Elvas, e de D. Francisco d'Aguilar, caval- 
leiro do Malta. 

Aguilares. Pov. na freg. e cone. d*£lvas. || 
Quinta na ribeira do Cêto, na freg. da Alcáçova, 
na cidade de Elvas, aue tem pertencido á illus- 
tre familia dos .Quitares, de que tira o nome. 
Consta de casas oe habitação e dependências, 
pomares e horta. 

Agnilera (Jeronymo de). Moço da real camará 
da rainha D. Maria, mulher de D. Manuel ; a so- 
berana, no sen testamento, feito em julho de 
1516, contemplou-o com o legado de cem mil 
reaes. 

Aguilháo. Pov. na freg. de N. S.* da Purifica- 
ção de Louredo, cone. de Santa Martha de Pena- 
guião, com. da Eegoa, distr. de Villa Real, bisp. 
de Lamego. || Casal, na freg. de S. Lourenço de 
Maiorga, cone. e com. de Alcobaça, distr. de Lei- 
ria. II Quinta, na freg. d*Assumpção, em Évora. || 
Rio, da prov. de Traz-os-Montes. Nasce na serra 
do Marão, em três fontes chamadas do Corvo, do 
Libio e dos Fomos. Desagua no Corgo, no sitio 
de Fero Negro. Tem um leito pedregoso. Possue 
algumas pontes de madeira e uma de pedra em 
Coacieiro. Fica nos limites da freg. de Louredo, 
com. de Villa Real || Rio da prov. do Minho. 
Nasce na serra do Marão, limite da freg. de Ca- 
nadello. Junta-se com três recatos chamados: 
Camjpankó, Forno e Cernado, aesa^uando todos 
no rio 01o, no sitio chamado Foz do Campanha. 
Tem 6 k. de curso. 

Agnilhões. Serra pequena da província do 
Douro, concelho de Baião, nas abas do Marão. 
Tem 1500 metros de comprimento e o mesmo 
de largo. Está situada n*ella a freguezia de Tei- 
xeiro. 

Aguim. Pov. da freg, de Tamengos. cone. da 
Anadia. Está situada próximo da Bairrada. Tem 
escola do sexo mase., caixa postal, 2.500 alm. Foi 
villa, dando-lhe foral, em 1514, D. Manuel. || Tem 
um edifício antigo chamado Casa dos CasHlhos, 
junto da torre e capella da Senhora do O, pa- 
droeira da freff. Produz óptimo vinho chamado 
vulgarmente da Bairrada. \\ Villa da prov. da 
Beira Alta, couto extincto ; cone. da Mealhada ; 
300 foç. E* pov. muito antiga, porque já lhe fora 
dado íoral em 24 de setembro de 1220, no claus- 
tro da sé de Coimbra, pelo deão e cabido da mes- 
ma sé. D. Manuel deu-lhe novo foral, em Lis- 
boa, no 1." de julho de 1514. E' terra muito 
fértil. Antigamente tinha camará, juiz ordinário 
e vereadores, tudo nomeado pelo cabido de Coim- 
bra, que era o donatário. || Pov. da freg. da Ma- 
gdalena, cone. de Villa Nova de Gaia. 

Af^incheirá. Pov. nas freg. de Castellões, 
cone. de Macieira do Cambra, distr. d*Aveiro, e 
Ul, cone. de Oliveira de Azeméis, distr. d*Aveiro. 

Aguincheiras. Pov. da freg. de Lcver, cone. 
da Feira, distr. d*Aveiro. || Pov. na freg. de San- 

104 



ta Cruz do Douro, cone. e com. de Baião, distr. 
o bisp. do Porto. 

Aguincho. Pov. da freg. de Alvôco da Serra, 
cone. e com. de Cêa, distr. e bisp. da Guarda, jj 
Quinta na freç. de Covas, cone. e com. de Taboa, 
distr. e bisp. de Coimbra. 

Agoira. Pov. na freg. e cone. de Gt)ndomar, 
diqtr. do Porto. 

Agulha. Pov. da freg. de Gallegos, cona o 
com. de Penafiel, distr. e bisp. do Porto. Jj Monte 
na freg. e cone. de Almodovar, com. d*Ouriquc, 
distr. e bisp. de Beja. 

Agulheiro dos sábios. Quarto no antigo bo- 
tequim das Parras, estabelecido em Lisboa, no 
Rocio, onde se reunia Bocage com os outros poe- 
tas do seu tempo. 

Agulheiros (Monte dos). Freg. de Ameixial, 
cone. e com. de Extremoz, distr. de Braga. 

Aguncheíra. Pov. na freg. de N. S.* da Con- 
solação do cone. de Cezimbra, com. d*Almada, 
distr. e patriarc. de Lisboa. 

Agunchos. Pov. da freg. de S. Pedro de Cer- 
va, cone, de Ribeira de Pena, com. de Villa Pouca 
d'Aguiar, distr. de Villa Real e arceb. de Braga. 

Aguz. Uma das cabilas que foram ao cerco de 
Safim contra os portuguezes. 

Alanna (Quinta do). Na freg. de N. S.* da 
Consolação de Cezimbra, com. d' Almada. 

Alanna de Cima. Pov. na freg. de N. S.* da 
Consolação de Cezimbra. com. d*A[mada. 

Aiâo. Pov. e freg. da prov. do Douro, cone. e 
com. de Felgueiras, distr. e bisp. do Porto. 409 
alm. e 102 fog. A pov. dista 5 k. aa sede do cone., 
isto é, da Villa de Margarida. Orago, S. João Ba- 
ptista. 

Aidermo. Pov. da freg. de S. Thiago da Ca- 
pella, cone. e com. de Penafiel, distr. e bisp. do 
Porto. 

Aidinhos. Pov. na freg. de Passinhos, Cone. de 
Amarante, distr. do Porto. 

Aido. Pov. na freg. de S. Paio de Besteiros, 
cone. e com. de Amares, arceb. de Braga. j| Pov. 
na freg. de Burgo, cone. e com. d*Arouca, distr. 
d' Aveiro. |l Pov. na freg. de Cabanas, cone. de 
Carregal. || Pov. na freg. de Sequiade, cone. e 
com. de Barcellos, distr. de Braga. || Pov. na freg. 
de Serrazes e de Várzea de Lafões, cone. de o. 
Pedro do Sul. || Pov. na freg. de Santa Clara do 
Torrão, cone. e com. de Marco de Canavezes. || 
Pov. na freg. de Villa Maior, cone. de S. Pedro 
do Sul, com. de Vouzella, distr. e bisp. de Vizen. 

Aido d^Alem. Pov. da freg. de Roge, cone. de 
Macieira de Cambra, distr. d'Aveiro, bisp. do 
Porto. II Pov. na freg. de Valladares, cone. de S. 
Pedro do Sul, com. de Vouzella, distr. de Vizeu. 
II Pov. na freg. de Pindello, cone. de S. Pedro do 
Sul, com. de Vouzella, distr. de Vizeu. 

Aido das Figueiras. Pov. da freg. de Roge, 
cone. de Macieira de Cambra, distr. d'Aveiro, 
bisp. do Porto. 

Aido de Baixo. Pov. na freg. da Junqueira, 
cone. de Macieira de Cambra, distr. d*Aveiro, 
bisp. do Porto. 

Aido de Cabanas. Pov. na freg. de S. Chris- 
tovam de Cabanas, cone. do Carregal do Sal, com. 
de Santa Comba Dão, distr. e bisp. de Vizeu. 

Aido do Carvalho. Pov. da freg. de Ul, cone. 
de Oliveira de Azeméis, distr. d' Aveiro, bisp. do 
Porto. 
I Aido de Cima. Pov. do cone. d'Arouca. Tem 



AID 



AJA 



caixa postal. || Pov. na freg. do Santa Marinha 
de Palmas, cone. e com. do Oliveira de Azeméis, 
distr. d'Aveiro. || Pov. da freg. de S. Félix. cone. 
c cora. de S. Pedro do Sul, distr, e bisp. de Vizeu. 

Aido do Meio. Pov. nas íreg. da Junqueira, 
cone. de Macieira de Cambra, e Pindello, cone. 
de Oliveira de Azeméis. 

Aido Mohte. Pov. da freg. de Nevogilde, cone. 
e com. de Louzada, distr. e bisp. do Porto. 

Aidos. Pov. nas freg. de Entre Kios, cone. de 
Ponte da Barca, distr. de Vianna do Castello, 
Ribeiradio, cone. d'01iveira de Frades, com. de 
Vouzella, distr. de Vizeu, e Villa Cova, cone. de 
Fafe, distr. de Braga. 

Aidrlnho. Casd na freg. de Caldas de S. Mi- 
guel, cone. e com. de Guimarães, distr. e arceb. 
de Braga. 

Aidro. Pov. na freg. de Villa Cova, cone. de 
Fafe ; na freg. de Lemenhe, cone. de Villa Nova 
de Famalicão. || Casal na freg. de Caldas de S. 
Miguel, cone. de Guimarães. || Pov. na freç. de 
S. Salvador de Lemenhe, cone, com. de Villa 
Nova de Famalicão, distr. de Braga. 

Aigra l^ova, Aigra Velha. Duas pov. da 
freg. e cone. de Góes, com. d* Arganil. 

Aigra Velha. Pov. na freg. de Santa Maria 
Maior, cone. de Góes, com. d' Arganil, distr. de 
Coimbra. 

Aia. Mulher que tem a seu cargo a creação e 
educação de menino ou menina, principalmente 
illustre. Criada grave de senhora de qualidade, 
que a ajuda a vestir. 

Aiala. V. Ayala, 

Ailland. V. Lisboa, livrarias. 

Aio. Preceptor, pessoa encarregada da educa- 

Íão de um menino especialmente nobre. Desde 
>. Affonso Henriques que os infantes e prínci- 
pes portuguezes teem tido seus aios. 

Aiolnhos. Pov. (ia freg. de Passinhos, annexa 
á de Boelhe, cone. de Penafiel. 

Aipo. Pov. da freg. de Alçaria Ruiva, cone. de 
Mertola. 

Aipo de Baixo, Aipo de Cima. Duas herda- 
des da freg. d*Azinheira dos Barros, cone. de 
Grândola, com. d*Alcacer do Sal, distr. de Lis- 
boa, e bisp. de Beja. 

Airado. Pov. da freg. e cone. de Villa de Rei. 

Airâes. Pov. e freg. da prov. do Douro, cone. 
e com. de Felgueiras, distr. ç bisp. do Porto; 
850 alm. e 227 fog. Era commenda de Chrlsto e 
reitoria de mitra. Dista 5 k. da sédè do cone. 
Orago Santa Maria. Airàea é o plural de Airão, 
nome aue se dava antigamente a um ramo de 
ílôres ae pedras finas, que as senhoras usavam 
nos toucados. Também se chamava assim um 
grande penacho que os homens traziam nos 
chapéos ou capacetes. Muitos d'estes penachos 
eram compostos de pennas de garça, e por isso 
se lhe dava também o nome de garçatas. A pov. 
foi dada a Lourenço d* Amorim Pereira, por ter 
demorado muito a entrega da praça de MonsSo, 
que governava, quando os gallegos a sitiaram em 
1707. II Pov. nas freg. de Pentieiros e Tarrados, 
cone. de Guimarães. 

Airâo. Pov. e freg. da prov. do Minho, cone. e 
com. de Guimarães, distr. e arceb. de Braga. 1341 
abn. e 80 fog. Está situada na serra da Corvea. 
Dista 13 k. da sede do cone. Orago S. João Ba- 
ptista. Ha n^esta freg. o morgado do Paço, que 
pertenceu á ^marqueza de Fi^te-el-Sol, mulher 



do condo de Valência, em Castella. Tem a mesma 
etymologia da palavra Airães. \\ Pov. e freç. da 
prov. do Minho, cone. e com. de Guimarães, aistr. 
e arceb. de Braga. 538 alm. e 8ÍB fog. Dista 7 k. 
da sede do cone. Orago Santa Maria. Ha aqui um 
pinheiro colossal, que tem 5 metros do circum- 
ferencia de tronco e 44 de altura. Passa-lhe pró- 
ximo o rio Ave. jj Pov. da freg. de S. Thiago de 
Pomares, cone. de Ponte de Lima, distr. de Vian- 
na do Castello, arceb. de Braga. 

Airas. Pov. no cone. e freg. de Villa Nova de 
Gaya. 

Aire. (V. Ayre). 

Aires. ry. Ayres). 

Aires. jPov. na freg. de S. João de Ver, cone. 
e com. da Feira, distr. d'Aveiro. || Quinta na freg. 
de Villa Nogueira d'AzeitSo, cone. e com. de Se- 
túbal. II Herdade na freg. de Villa Nova da Ba- 
ronia, cone. de Alvito, com. e distr. de Beja. 
- Aires de Cima. Pov. na freg. de Areias, cone 
de Marvão, com. e distr. de Portalegre. 

Airo (Monte do). Na freg. de Moure, cone. e 
com. de Barcellos, distr. de Braga. 

Airó. Pov. e freg. (S. Jorge) da prov. do Mi- 
nho, cone. e com. de Barcellos, distr. e arceb. de 
Braga. 343 alm. e 71 fog. A pov. dista 5 k. da 
sede do cone. |J Pov. na freg. de S. Pedro de Adâes, 
cone. e com. de Barcellos, distr. e arceb. de Bra- 
ga. II Pov. na freg. de Cantellães, cone. e com. de 
Vieira, distr. e arceb de Braga, jj Pov. na freg. 
de Fontão, cone. de Ponte de Lima, distr. de 
Vianna do Castello, arceb. de Braga. ]| Pov. na 
freg. de Gondiães, cone. e com. de Villa Verde, 
distr. e arceb. de Braga. || Pov. na freg. d'Olei- 
ros, cone. e com. de Ponte da Barca, distr. de 
Vianna do Castello. || Pov. na freg. de Pedregaes, 
cone. e com. de Villa Verde, distr. e arceb. de 
Braga. || Pov. na freg. da Ribeira, cone. de Ponte 
de Lima, distr. de Vianna do Castello. || Pov. na 
freg. de S. Thomé de Vade, cone. e com. de Pon- 
te da Barca, distr. de Vianna do Castello. || Serra, 
no distr. de Braga, 4 kilometros. 

Airoso. Pov. na freg. de Valle de Bouro, cone. 
de Celorico de Basto, distr. e arceb. de Braga. || 
Casal na freg. da Povoa, cone. e com. de Moura, 
distr. e bisp. de Beja. 

Aiaffe. Pov. na freg. de Silva, cone. e com. de 
Barcellos, distr. e arceb. de Braga. 

Aivadas. Casal na freg. de Villa Nova de Mil 
Fontes, cone. e com. d'Odemira, distr. e bisp. de 
Beja. 

Alvado. Pov. na freg. de Esteval, cone. de 
Proença-a-Nova, com. da Certa, distr. de Cas- 
tello Branco. || Pov. na freg. e cone. de Villa de 
Rei. Quinta na freg. e cone. d'Evora. 

Aivados (Ponte dos). Bella ponte natural, for- 
mada n'um rochedo calcareo passanj^o sobre o 
rio Arção, tendo o arco revestido de heras. O rio 
Arção nasce do olho de agua denominado Barbo- 
legão, 5 k. ao norte de Grândola ; tem as mar- 
gens guarnecidas de alamos, freixos, carvalhos e 
amieiros. || Aldeia na freg. e cone. de Castro Ver- 
de. II Casal na freg. de Algar, cone. de Silves. 

Aivados e Fontes Loaseiras. Pov. na freg. 
d*Alcantarilha, cone. e com. de Silves, distr. de 
Faro, e bisp. do Algarve. 

Aixa. Pov. na freg. de Varziella, cone. e com. 
de Felgueiras, distr. e bisp. do Porto. 

Ajax. Nome dado á parte da serra da E.strclla 
que fica junto de Gouveia. 

105 



AJO 



AJU 



AJoias. QUinta na freg. de S. Thiago de Fon- 
tes, cone. de Santa ^[artha de PeuaguiáOf com. 
da Régua, distr. de Villa Real e blsp. do La- 
mego. 

Ajuda (Fr. Gerardo de). Monge professo do 
convento d'AIcobaça, nat. dos Coutos d' Alcobaça. 
Publicou a seguinte obra, que por muito tempo 
existiu no cartório do referido convento : Expo- 
sitio in Psalmos Dav^id. Ignora-se o íim que teve 
o livro, depois da extincçilo das ordens monás- 
ticas. 

AJada. Freg. do 4.° bairro de Lisboa, distr. e 
patr. da mesma cidade. Nos principios do século 
XV, todo o território que vemos noje occupado 
pelas freguezias de N. S.* da Ajuda e de N. S." 
de Belém, era um sitio despovoado e inculto. 
Perto do Tejo via-se apenas uma casita, no sitio 
chamado do Caatelln, a ermida dos navegadores 
dedicada á Virgem Maria com um hospício con- 
tíguo, mandado construir pelo infante D. Henri- 
que para recolher e tratar os náufragos e os 
nautas aue viessem doentes das emprezas d*além- 
mar, ordenadas pelo infante. No local onde exis- 
tia a ermida e o hospício, levantou mais tarde 
D. Manuel o sumptuoso mosteiro de N. S.* de 
Belém, em memoria da descoberta da índia. To- 
dos aquelles sítios eram entáo encostas íngremes 
e fragosas, que se elevavam desde o mar até á 
serra do Monsanto, vendo-se apenas, de longe 
em longe, um modesto casal rodeado de pequeno 
terreno cultivado. A ermida d'Ajuda, que então 
se divisava no alto d'aquellas encostas, tinha a 
sua lenda, assim como quasí todos os monumen- 
tos antigos teem a sua historia. A lenda é a se- 
guinte : Andando um pastor a apascentar o gado, 
aconteceu entrar um dia n'uma gruta alli exis- 
tente, e com o maior espanto viu uma imagem da 
Virgem mettida entre as fendas da rocha. Ma- 
ravilhado com a descoberta, apressou-se a parti- 
cipar o extranho caso aos outros pastores. A no- 
ticia dívulgou-se logo, e a concorrência á gruta 
começou com toda ã fé, tomando-se uma ver^la- 
deira romaria. Os devotos apregoavam por toda 
a parte os milagres da Virgem, a que chamavam 
N. S.^ da Ajuda, e as esmolas e as jóias trazidas 
pelos fieis devotos, accumulavam-se na gruta. 
Edificou-se, então, com esses recursos, uma er- 
mida no próprio sítio onde apparecera a imagem. 
Augmentanao cada vez mais a concorrência dos 
devotos, conheceu-se a necessidade de estabele- 
cer alli vendas e barracas, que mais tarde se 
transfonnaram em construcçôes d'alvenaria. Al- 
gumas pessoas edificaram casas nas vísínhancjis 
da ermida, para poderem frequentar o sanctuario 
mais repetidas vezes ; muitas, por sua morte, le- 
garam ao culto da S.* d' Ajuda, todos os seus 
bens. A concorrência dos fieis augmentava pro- 
digiosamente, e sendo a ermida muito pequena, 
resolveu-se destruíl-a e fundar no mesmo local 
outra de muito maiores dimensões e de melhor 
architectura. A povoação teve grande incremento 
no segundo quartel cio século xvi, dando-lhc o 
principal impulso a rainha D. Catharína, mulher 
de D. João III, pela grande devoção que consa- 
grava á 6'.* (P Ajuda, visitando amiudadamente a 
ermida, e cnriquecendo-a com valiosas prendas. 
Muitas pessoas da corte seguiram o exemplo da 
rainha, e desde então começaram os fidalgos a 
construir n*aquelles logares, casas de campo. O 
desenvolvimento da navegação e do connnercio 

106 



de Lisboa, pela descoberta da índia, as obras 
do sumptuoso mosteiro de Belém e da magnifica 
torre que lho fica próxima, contribuíram para o 
progresso da povoaçílo, de tal maneira, que foi 
necessário arvorar em parochia a ermida de N. 
S.* d' Ajuda. Deu-se á nova parochia por pastor 
um cura, sujeito ao cabido da Sé ^e LísDoa, e 
por demarcação o terreno comprehendido entre 
os rios de Alcântara o de Algés. Em 1747 o cura 
passou a ter o titulo de reitor. A freguezia 
d'Ajuda pouco padeceu com o terremoto de 1755 
que destruiu Lisboa. A família real, fugindo dos 
paços da Ribeira, que aquella catastrophe des- 
truíra, acolheu-se na c^uinta de Cima, no alto 
d'Ajuda, vivendo primeiro em barracas de lona, 
convenientemente resguardadas dos rigores do 
inverno, e depois no vasto palácio abarracado que 
alli se construiu il pressa. Por essa época a fte- 
guezia progrediu consideravelmente em popula- 
ção, em honras e em embellesamentos, pois que 
muitos habitantes da cidade, vieram estabelecer 
alli a sua residência, uns ímpellídos pelo medo 
de novos cataclismos, outros pelos seus deveres 
como servidores da corte. A patríarchal estabc- 
leceu-se provisoriamente na parochia de N. S.* 
d* Ajuda, onde se conservou até ser transferida 
para o templo que se construiu junto ao palácio 
real, e do qual apenas resta a torre do reló- 
gio. Mais tarde, cm 1834, foi mudada pâ,ra a Sé 




Torre d'Ajad» 

de Lisboa onde existe hoje. Os frades agostinhos 
descalços do convento da Boa Hora de Lisboa, que 
muito soffrcu com o terremoto de 1755 refugia- 
ram-sc no sitio d' Ajuda, accommodando-se pri- 
meiro em barracas de lona, constnúndo-se de- 
pois um convento com as esmolas que obtiveram. 
A real irmandade do SS.""* d'csta antiga egreja 
está actualmente erecta na real capella do palá- 
cio das Necessidades. Como continuasse a crcs- 



AJU 



AJU 



eer a população e a ciigraiidcecr-se a froguezia, 
decretou el-rei D. José a sua auncxação á eidado, 
ereando o bairro de Belém. Níio duraram, porém, 
muito tempo estas prosperidades. £m ItíOl a fuça 
da família real para o Hrazil, deixou a ft*eguezia 
despovoada poraue muitas pessoas seguiram a 
corte. O cerco de Lisboa em 1833, obrigando os 
seus moradores a recolherem-se á capital, quasi 

3ne acabou de a despovoar. As casas abancfona- 
as iam-se arruinando e mesmo caindo por terra. 
Acliava-se, pois, a freguezia em bem triste si- 
tuação, quando em 1834 a desmembraram, for- 
mando-se da parte mais baixa a parochia de N. 
S.* de Belom, com assento na egreja do mosteiro, 
vago pela recente sabida dos frades. Successiva- 
mente a população da capital foi refluindo para 
as extremidades, tornando a dar vida ás duas 
freguezias. Ajuda e Belém, que em 1852 foram 
separadas da cidade para formarem com outras 
o concelho de Belcm, que mais tarde foi extincto, 
XJara dar logar ao alargamento da área de Lis- 
l)oa. Com a extincçao das ordens religiosas, foi 
transferida a parochia da S.* d'Ajuda para a 
a egreja do convento da Boa Hora, em 1836. Mais 
tarde, sendo prior Francisco da Silva Figueira, 
a egreja foi completamente reformada. As obras 




Egreja de N. S.' d'Ajoda 

duraram desde 1870 até 1872. Hoje é um formoso 
tempjo, com duas espaçosas sacristias, sendo, 
tanto estas, como a egreja, adornadas com mui- 
tos quadros a óleo, onde se v«'^'em copias de me- 
recimento, e alguns originaes de bons authores. 
Eutre as copias, ha duas de dois quadros de Ra- 



phael, V nos originaes, producçoes do Espaiiholetoy 
de Jhnto Coelho^ de Ftdro Aiexandriíio e de lia- 
toiíi, O tecto foi pintado por Pedro Bordes, e é 
obra de merecimento. O edifício contíguo, onde 
era o convento, serve hoje de hospital militar ao 
regimento do Belém. Existe também n*esta fre- 
guezia a egreja de N. S.* do Livramento e S. 
Jogé, vulgarmente chamada egreja da Memoria^ 
fundada por D. José I, em acção de graças por 
escapar com vida, embora gravemente ferido, ao 
attentado do dia 3 de setembro de 1758, indo o 
rei em carruagem da quinta do Meio, em Belém, 
para o palácio da Ajuda. Foi posta a primeira 
pedra da egreja no dia 3 de setembro de 1760 
no logar onde estava a casa d*ondc os conspira- 
dores dispararam os arcabuzes contra a carrua- 
gem real. Na capella-mór ha um grande painel 
allegorico ao attentado de 3 de setembro, pin- 
tado por Pedro Alexandrino. A obra foi concluída 
no reinado de D. Maria I. Fez o risco e dirigiu a 
construcçâo o archíctecto João Carlos Bibiena. 
A egreja tem um só altar, é pequena, mas sum- 
ptuosa, toda de cantaria exteriormente, e reves- 
tida interiormente de ricos mármores com lavo- 
res. II Ha n'este sitio uma bica, cuja nascente é 
nas terras de Paio Calvo, indo os sobejos para 
a quinta real. 

Ajuda (líibliotheca d'). Nos Paços da Ri- 
beira havia, além de muitas preciosidades, 
uma magnifica bibliotheca com obras de 
valor, accumuladas pelos soberanos, desde 
D. Manuel até D. João V. Com o terre- 
moto de 1755, que arrasou e incendiou aquel- 
les paços, tudo desappareceu. Catálogos, se 
os havia, não escaparam ás chammas. Com- 
tudo, pelas informações que nos dão vários 
escriptores, podemos ajuizar da importância 
da bibliotheca. Destruindo aquelle repositó- 
rio de sciencia e litteratura, cuja origem se 
pode attribuir a D. Duarte e augmentado 
pelos seguintes monarchas, pensou o mar- 
quez de Pombal em constituir novamente 
o que se tinha perdido ; mandou organisar 
uma livraria n*um edifício que se levantou 
perto do velho paço da Ajuda. Começada por 
este ministro, foi a bibliotheca augmentada 
com manuscriptos de varias proveniências, 
e principalmente com os que fÔram confis- 
cados aos conventos dos jesuitas, depois da 
expulsão da Companhia de Jesus. O edifi- 
cio, onde a bibliotheca se installou, nada 
tinha de notável; era um casarão sem ar- 
chitectura, d'aspecto frio e pesado. AUi es- 
creveu algumas das suas melhores obras o 
vulto gigantesco do grande historiador Ale- 
xandre Herculano, que era o bibliothecario, 
logar creado por el-rei D. Fernando, exclu- 
sivamente para o insigne homem de letras. 
N'aquella casa se viam continuamente reu- 
nidas as priucipaes capacidades litterarias 
da época; D. Pedro V também passava ho- 
ras consecutivas, visitando e consultando 
Alexandre Herculano, de quem era amigo 
e sincero respeitador. Hoje a bibliotheca 
está estabelecida no paço d* Ajuda, á entrada do 
átrio direito. Quando a familia real fiigiu para ò 
Brazil, em novembro de 1807, transportou com- 
sigo, além das alfaias e riquezas do paço, os li- 
vros que foram instituir o primeiro fundo da bi- 
bliotheca nacional do Rio de Janeiro. De regresso 

107 



AJU 



AJU 



a Portuçal, el-rei D. João VI tornou a trazcl-os, 
apesar das. instancias de seu filho D. Pedro, para 
que os deixasse alli ficar. Tratou-se então de se 
organisar de novo a bibliotheca, adquirindo mui- 
tas obras de valor. Vieram volumes da Mesa da 
Consciência, da impressão regia, cuja pequena 
bibliotheca foi fundida na real ; do Oollegio dos 
Nobres e da bibliotheca publica, que cedeu todos 
os livros que tinha duplicados. Em 1855, quando 
se realisou a acclamapâo de D. Pedro V, fôram 
transportados para Ajuda os livros que consti- 
tuiam a importante bibliotheca dos padres da 
congregação do Oratório, e que existiam no con- 
vento das Necessidades, desde a extincçâo das 
ordens monásticas, em 1834. A bibliotheca con- 
serva uma valiosa coUecçâo de partituras d*ope- 
ras, sendo grande parte das que se cantaram no 
theatro d*Ajuda; algumas são de musica sacra, de 
que falia Joaquim de Vasconcellos na sua obra 
sobre os músicos portnguezes. Julga-se haver 
n*esta collecçâo restos da celebre livraria musi- 
cal de D. João IV, que se perdeu na fatal catas- 
trophe de 1755. Nos manuscriptos ha muitos da 
maior importância *, o códice original em pergami- 
nho do Cancioneiro denominado do ColUgio dos 
Nobres; 222 vol. in-folio intitulados Symmicta 
Lusitanica ex MS S, Codicibus Bibliotheca!. Apos- 
tólica VaticancB aliarumque Urbis, são copias fei- 
tas pelos irmãos Assemani, por ordem e á custa 
de D. João V, dos documentos relativos a Portu- 
gal, encontrados no Vaticano e outros archivos e 
livrarias de Roma; os 50 vol. das cartas cscriptas 
da índia, da China e do Japão pelos missioná- 
rios jesuítas ao seu geral, sendo algumas do pró- 
prio punho de S. Francisco Xavier ; os 6 vol. das 
obras do padre Jacome Gonçalves, escriptas cm 
dialecto chingalez; varias biblias e breviários, 
manuscriptos do século zv ; livros de registos da 
correspondência 'da casa professa de S. Koque; 
relações politicas sobre Portugal, annotadas por 
Filippe II; autographos de Mathias d'Albuquer- 
que e de outros generaes da guerra da independên- 
cia; relação dos nossos embaixadores em Roma, 
comprehendendo alguns do tempo de D. João III ; 
cartas dos representantes portuguezes em Roma 
no reinado de D. José, que trazem noticia dos 
presentes que el-rei mandava distribuir n'aquella 
cidade e das compras d'objectos d'arte. Entre 
os códices impressos de mais valia, apontam-se 
vários specimens das primeiras épocas da typo- 
graphia, entre os quaes se conta o Missal Bra- 
cJiaretíst de D. Jorge da Costa, em typo gothico, 
impresso em Lisboa, em 1498; a edição de 1521, 
das Ordenações do Reino; a de 1553 das Decudas 
de João de Barros, e um exemplar da opulentís- 
sima edição dos Luziadasj feita pelo celebre mor- 
gado de M atheus. A bibliotheca tem catalogo dos 
manuscriptos, feito antes da partida da familia 
real para o Brazil, um da livraria dos padres do 
Oratório, escripto por elles próprios, e um dos 
livros impressos, feito em 1822. O bibliothecario 
actual ó o sr. Ramalho Ortigão. 

Ajada (CoUecção archeologica d'). Compõe -se 
de valiosas alfaias da corea e de objectos anti- 
gos, que el-rei D. Luiz adquiriu para esta col- 
lecçâo, tendo sido elle quem pensou em reunir 
todas estas preciosidades u*um gabinete do paço 
d'Ajuda, em armários envidraçados, onde se po- 
diam admirar e estudar. Entre estes objectos 
d*artc, torna-sc notável a celebre custodia d'ouro, 

108 



feita por Gil Vicente, o talentoso ourives da rai- 
nha D. Leonor, viuva de D. João 11; foi feita 
por ordem de D. Manuel, com o primeiro tributo 
que veiu de Quiloa, como tudo consta d'uma ins- 
cripção gravada no pé d*aquella preciosa e ri- 
quíssima relíquia. A custodia é uma peça d*ouro, 
pesando cerca de 32 marcos ; consta ae 3 partes : 
o pé, o corpo, e a cupola ou coroamento. O pé « 
cheio de lavores e curvas preciosas, revestido 
d'uma lamina onde se lô em letras minúsculas de 




Custodia dos JeroDjrmoi 

esmalte branco a inscripeão em que falíamos. 
Compõe-se o corpo d'uma oase larga assente so- 
bre 2 troncos, d*onde se levantam duas peças re- 
matando em coruchéos, divididas na sua altura 
cm vários compartimentos regulareSi como uns 
nichos, onde se vé em umas estatuetas d*aDJos. Na 
base estão ajoelhadas varias figuras represen- 
tando os apóstolos, de mãos erguidas, em adora- 
ção. Sobre estas, e a meio da custodia está a lu- 
neta. A cupola ou coroamento é fbnnada de vá- 
rios corpos lavrados e ornados no mesmo estjlo, 
e encimado por uma cruz, com um busto repre- 
sentando o Padre Eterno, e por baixo em esmalte 
branco uma pomba, symbolisando o Espirito San- 
to. Todos os rendilhados são cobertos ae esnaaltes 
de diversas cores. O mais admirável da obra é o 
grupo d'apostolos, pela delicadeza do trabalho. 
Figurou esta preciosíssima relíquia na exposição 
do Paris de 18G7, obtendo o primeiro premio. 



AJU 



AJU 



D. Manuel doou-a ao mosteiro dos Jeronymos. 
Em 1833 foi enviada para a Casa da Moeda para 
ser convertida em dinheiro juntamente com outros 
objectos de ouro e prata, provenientes dos con- 
ventos, mas salvou-se milagrosamente, sendo man- 
dada para o thesouro da Casa Real em troca d'uma 
banqueta de prata que se havia fundido, e que 
pertencia á capella do paço. No mesmo gabinete 
existe uma cruz de ouro adornada de pearas pre- 
ciosas, mandada fazer por D. Sancho I, e doada 
por aquelle soberano ao mosteiro de Santa Cruz de 
Coimbra. A face da cruz é ornada de pedras pre- 
ciosas, filigrana e ornatos abertos a buril. Tem 
saphiras e rubis cercados de pérolas e aljôfares. 
Nos õ rubis maiores estão gravados caracteres 
arábicos, e entre estes, dois sao figuras d'animaes. 
No reverso vè-se uma inscripção, e nas extremi- 
dades os symbolos dos 4 evangelistas: anjo, 
águia, leão o touro alados. Vôem-se também 
n'aquelle gabinete objectos que pertenceram & 
baixella da casa dos duques d* Aveiro. São fru- 
cteiros de prata dourada, cobertos de figuras em 
meio e baixo relevo, perfeitamente cinzelados. 



de Portugal. Esta collecção esteve na exposição 
de Paris, em 1867, exposta na secção poi*tugueza 
da historia do trabalno; contém exemplares de 
quasi todas as moedas e medalhas cunhadas desde 




Craz de D. Sancho I 

verdadeiros primores, que, segundo os melhores 
fundamentos, são trabalhos portugnezes. Também 
figuram n*esta notável collecção archeologica, di-^ 
versas peças da baixella da Casa Real, obra do 
ourives francez do século xviii, Germain, que 
firmou algumas d'ellas. Muitos outros objectos se 
encontram dignos de menção pelo seu valor e ri- 
queza, cuja descripção minuciosa se pode ler nos 
livros e catálogos de A. Teixeira d'Aragão. As 
moedas e medalhas alli existentes formam a pri- 
meira c a mais completa collecção numismática 

VOL. I — FL. 14 




Intcilpçio no reveno da crus 
de D. Sancho I 



a fundação da monarchia. A serie de moedas 
romanas cunhadas para a peninsula ó também 
quasi completa ; alli se vêem moedas romanas, 
wisigothicas e árabes. 

Ajuda (Jardim botânico (T). Fica situado perto 
do palácio real. Mandado plantar pelo marquez 
de Pombal, serviu para estudo dos príncipes D. 

I José e I). João, netos do' rei D. José I. Foi quasi 
todo feito já no reinado de D. Maria I. Teve por 
primeiro director o celebre naturalista italiano 
Domingos Vandelli, lente jubilado da universi- 
dade ae Coimbra, e depois o naturalista e lente 
jubilado da mesma Universidade Félix de Avel- 
lar Brotero, auctor da Flora Lusitana. Tem uma 
collecção magnifica de orchideas da America e o 
melhor exemplar que existe no reino do dra- 

I goeiro Draccena draco. A* entrada vêem-se duas 
estatuas toscamente trabalhadas em granito. Uns 
attribuem estas estatuas aos phenicios; outros 
aos lusitanos, anteriormente á invasão romana. 
Uma d*ellas tem na base esta inscripção : Esta- 
tuas militares, qut se acharam no outeiro Ijtsenho, 
perto da villa de Montalegre no anno de 17S5, Fo- 
ram encontradas alli n*umas escavações que se 
fizeram. Junto ao jardim, ha o edificio onde se 
estabeleceu na mesma época um museu de his- 
toria natural, devido á iniciativa de Miguel Fra- 
zini, mestre dos netos de D. José. A família real, 
quando partiu para o Brazil, levou os exempla- 
res mais preciosos que havia n'este museu. Du- 
rante a invasão franceza, Napoleão mandou a 

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Lisboa um naturalista com ordem de enviar para 
França tudo quanto achasse digno de figurar no 
museu de Paris. Assim desappareccram 400 ani- 
macs, 3:000 produetos mineralógicos e um erva- 
rio contendo 2:000 espécies de plantas. Depois 
da subida ao tlirono 1). Maria II, foi o museu 
mudado para o edifício do extincto convento de N. 
S.' de Jesus, e passados aunos, transferido para 
a Escola Polytechnica, onde se ve actualmente, 
bastante augmentado. 

Ajuda (Palácio (T). Tendo- se destruido por 
completo o magcstoso Paço da Ribeira, no terre- 
moto de 1755, a familia real refugiou-se no sitio 
d'Ajuda, n*um palácio provisório de madeira. O 
marquez de Pombal, então ministro de D. José, 
projectou construir um edifício mais próprio, 
para residência do soberano. Reuniram-se conse- 
lhos, chamaram-se architectos para organisarem 
a planta e para a escolha do local. Houve diífe- 
rcntes opiniões a este respeito; uns lembraram 
Campo d Ourique e outros Campolide. N'estas de- 
longas, foi decorrendo tempo, até que D. José 
falleceu, em fevereiro de 1777, no seu antigo 
paço de madeira. Dizem que este rei manifestara 
desde o terremoto má vontade em habitar casas 
de construcçao em que se empregasse cantarias 
ou mannores. D. Maria I, que lhe succedeu no 
throno, continuou residindo alli; porém em 1795 
viu-se obrigada a retirar para Queluz, por causa 
do violento incêndio que reduziu a cinzas todo o 
lado oriental do palácio. Foi então decidida a 
construcçao de novo paço, no mesmo sitio d'Ajuda. 
E' o que vemos actualmente na meia encosta da 
serra do Monsanto, no Alto d'Ajuda. Os archite- 
ctos José da Costa e Silva, portuguez, e Francisco 
Xavier Fabri, italiano, foram os encarregados 
da nova planta. Ambos apresentaram os seus pla- 
nos, sendo preferido o do italiano Fabri. No anno 
de 1802 lançou a primeira pedra nos alicerces 
da nova fiindaçâo o principo regente D. João, 
mais tarde el-rei D. João VI, no mesmo local do 
antigo palácio incendiado. As obras começaram 
com a maior actividade, porém, em novembro de 
1807, ficaram completamente paralysadas, em con- 
sequência da fuga da familia real para o Brazil. 
Só annos depois é que continuaram, tornando a 
suspender-se em acosto de 1833, quando se reali- 
sou a mudança de regimen. Até hoje teem-se 
conservado paralysados os trabalhos, achando-se 
ainda o palácio por concluir. Duraram as obras, 
31 annos incluindo o tempo das interrupções, e 
além dos architectos em que falíamos, traoalha- 
ram mais tarde Manuel Caetano de Sousa que al- 
terou a planta primitiva, António Francisco Rosa 
e o brigadeiro Kapozo. O palácio principiou a ser 
habitado em 1826 em seguida á morte de João VI. 
Alli residiram as infantas D. Isabel Maria, re- 
gente do reino, D. Maria d' Assumpção, D. Ma- 
ria Fi*ancisca Benedicta, princeza ao Brazil, e 
D. Miffuel em 1828, depois da sua chegada a Lis- 
boa. Kealisaram-se também no mesmo palácio os 
dois factos históricos, que occasionaram a guerra 
civil : a entrega da regência do reino a 1), Mi- 
guel, por sua innã a infanta D. Isabel Maria, 
na presença das duas camarás, e a reunião dos 
três estados, que entregaram ao mesmo infante 
D. Miguel a coroa de Portugal. O infante D. Car- 
los, quando foi expulso de flespanha por seu ir- 
mão o rei D. Fernando VII, hospedou-se no paeo 
d'Ajuda em 1833 o aqui se conservou até 24 ae 

110 



julho do mesmo anno, em que os acontecimentos 

Í^oliticos o obrigaram a sahir de Portugal. O pa- 
acio permaneceu depois fechado, porque D. Ma- 
ria 11 residia no paço das Necessidades, e só o 
utilisava para as grandes cerimonias. Assim no 
palácio da Ajuda solemnisou-se a 16 de setembro 
de 1855 a acclamação de el-rei D. Pedro V ; e 
em maio de 1858 o casamento d'estc monarcha 
com a rainha D. Estephania. El-rei D. Luiz esco- 
Iheu-o para sua definitiva habitação, e hoje pela 
morte d'este soberano, alli reside a sua viuva a 
rainha senhora D. Maria Pia. O plano do palácio 
era magestoso, mas não chegou a concluir-se ; das 
quatro magnificas fachadas que se deviam cons- 
truir, rematando nos ângulos com quatro torreões, 
coroados de trophéos, somente se vê a do lado 
leste. A fachada é toda construída de pedra lioz, 
muito fina e polida, que pertence á classe dos 
mármores. Para o vestíbulo entra-se por três 
pórticos, collocados entre seis columnas dóricas. 
O vestíbulo é adornado com muitas estatuas alie- 
goricas, mettidas em nichos, symbolisando o con- 
selho, a gratidão f a generosidade^ a innocencia, o 
desejo, a dUigencia, a honestidade, o decoro, a hu- 
manidude, a providencia, a lealdade^ a constância, 
a justiça, a prudência, a perseverança, a affahili- 
dade, o annuncio bom, o amor da virtude, o amor 
da pátria, a intrepidez, a liberalidade,^ a acção 
virtuosa, a clemência, a consideração e ^piedade. 
As três primeiras d'estas estatuas são trabalhos 
do ^ranae esculptor portuguez Joaquim 'Ma- 
chado /le CastrO; e as outras de Joaquim José de 
liarros, Joaquim José d*A^iar, Faustino >José 
Rodrigues, C. Amatucci e J. G. Viegas. No pri- 
meiro pavimento, que é térreo, dos lados norte e 
leste, mas bastante elevado do lado do sul, encer- 
ra-se uma collecção de pannos de Arras, reves- 
tindo as paredes das salas, em que se vêem re- 
presentados factos da guerra de Tróia, da vida 
de D. Quichote, e scenas da vida campestre; 
nas sobreportas admirain-se quadros a oleo de 
grande merecimento, executados por artistas 
portuguezes. O andar nobre tem galerias e salas 
vastíssimas. As que servem para recepções so- 
limnes occupam grande parte da facha(Ui do lado 
leste, começando no salão dos embaixadores e 
terminando no torreão, que torneja para o lado 
do sul. A sala da acclamação é assim conhecida 
por ter pintada nas paredes a solemne acclama- 
ção de D. João IV. O salão dos embaixadores é 
de forma elliptica, tem o pavimento e as paredes 
cobertas com magníficos mármores de difikrentes 
feitios, elevando-se em pílastras, que rematam 
por graciosos capiteis da ordem compósita, e ador- 
nam as portas e janellas em delicados lavores. 
Nos quadros das sobreportas, e nos que existem 
nos corredores, ha trabalhos de Vieira Portuense, 
Sequeira, Foschini, Botelho, Calixto, Volkmar 
Machado etc. Nota-se, entre os quadros dos cor- 
redores, um de grande valor, que dizem ser obra 
do pintor José d'Avellar Rebello, e que repre- 
senta com a máxima vcrda<ic a cerimonia da ac- 
clamação e juramento de D. João IV, realisada 
no Terreiro do Paoo em 15 de dezembro de 1640. 
O oratório dos reis fica situado n'uma das salas 
da parte do sul ; a magestosa capella, concluída 
para o casamento de D. Luiz I em outubro de 1862 
occupa, no pavimento térreo, o espaço correspon- 
dente ao salão dos embaixadores. Uma das salas 
mais curiosas e mais bella é a chamada sala do 



AJU 



AJU 



mármore, em que o tecto e as p«arcdcs sSo revcs- i 
tidos de laminas de agatha e calcedonia, presente 
do vicc-rei do Egypto. Existe uma descripçSo 
minuciosa d'e8te palácio n'um folheto intitulado 
Descripção artistica úas normas salas do real paço 
(V Ajuda, escripto por Possidonio da Silva, e no | 
Archivo Pittarescoy n*um artigo de Vilhena Bar- ' 
bosa» vol. V, de 18Í32. Diz este ultimo, que, d*um 
documento ofíicial, observou terem-se gasto nas 
obras do palácio d* Ajuda, desde novembro de 
1813 até dezembro de 1818, 809:106^019 r«^s. i 
Pinheiro Chagas diz que nuo será exaggerado ' 
calcular que a construcçílo toda andará por cerca | 
de 1.3(K):000|;000 réis. f| Ha aciui um chafariz no ! 
qual em 1817 se puzeram dois tubos e um bom , 
tanque. A nascente é no casal do Tojal ou do | 
João da Abolada. 
Ajuda (Beal galeria de quadros (P). Foi esta . 



toreto, de Lupi; paisagens c animaes, d'Annun- 
ciação; marinhas de Pedroso; o Tasso de Mar- 
ciano da Silva, e Jclas de Fonseca, Resende, To- 
masini, visconde de Menezes, etc. Dos quadros 
estrangeiros nota-se o grande painel do pintor 
italiano Gamba, representando o desembarque 
da filha de D. Manuel, a infanta D. Beatriz. A 
galeria está situada em duas salas, no pavimento 
nobre do palácio d'Ajuda, na ala do norte. Na 
primeira sala estão os quadros nacionaes de que 
falíamos; na segunda estão os antigos, tornan- 
do-se notáveis dois de Murillo, sendo um offe- 
recido por D. Isabel, rainha de Hespanha, o ou- 
tro comprado; um quadro gothico, obra italiana; 
uma teia de Van Dick ; um que se cré ser de 
Leonardo de Vinci, etc. Da galeria antiga existe 
apenas um quadro de André Sacchi represen- 
tando a lapidação de Santo Estevam. Foi o pri- 







Palácio d*AJuda 



galeria começada por el-rei D. Luiz em 1864, 
que teve em mira reconstituir a preciosa col- 
Iccção de quadros. do paço da Ribeira incendiada 
em 1755 por occasião do terremoto. Possue esta 
galeria algumas obras notáveis, embora não se 
compare com aquellas que ornavam o antigo paço 
dos monarchas portuguezes. Na Torre do Tomuo 
conserva-se o inventario feito por occasião do 
fallecimento do rei D. Manuel, e surprehende a 
quantidade de riquezas artísticas que já n*esse 
reinado havia no paço da Ribeira. Os presentes 
que aquelle monarcha enviou ao papa e a notá- 
vel annadura offerccida ao imperador Carlos V, 
são testemunhos da sua magnificência. Perce- 
be-se pois qual seria o seu cuidado em cmbelle- 
zar com obras d*arte o palácio da sua residên- 
cia, em vista da prodigalidade ao presentear ex- 
tranhos. DVntão para cá (|uantas riquezas não 
accumulariam alli os monarchas seguintes ! Tudo 
86 perdeu em 1755. Não se importaram, ou não 
tiveram ensejo para recompor esta importante 
secção das alfaias reaes, D. José e os seus suc- 
cessorcs. Foi D. Luiz quem cuidou em formar 
uma galeria real, adquirindo uma collecçao esco- 
lhida de quadros antigos e modernos (fartistas 
nossos c estrangeiros. Alli estão: afilha dr Tin- 



meiro director d*esta galeria o pintor Marciano 
da Silva. Junto ha uma excellente collecçao de 

. estatuas em mármore, obras pela maior parte de 
artistas italianos. 
Ajuda (Real tapada (V). Occupa um vasto am- 

. bito, todo murado, que se estende pela encosta 
da serra de Monsanto, desde o alto da Ajuda até 

I quasi a Alcântara. Consta d'uma bella matta, 
terras lavradias, cortadas em ruas espaçosas e de 
suave declive, com as necessárias oífícinas e ca- 

: sas do almoxarife, que administra a Tapada. Foi 
mandada fazer pelo marquez de Pombal para os 

i exercícios c\Tiegetic.os de D. José I, exercícios 

I a que era muito aft*eiçoado. Po.ssue o Observatório 
de D. Pedro V no sitio chamado Eira Velha, 

■ mandado fazer por este soberano, para o qual 

' contribuiu com a quantia de trinta e cinco con- 
tos. Começaram as obras em 11 de março de 1861. 
E* um edifício magnifíco, construído segundo os 
desenhos do architecto Colson, com as alterações 

I aconselhadas pela commissão nomeada para esse 
fim. D. Luiz I accrescentou mais 19 contos réis 
ao primeiro donativo, fazen<lo o governo o resto 
das despezas para a conclusão do Observatórios 
Importou o cdificio cm 60 contos, e os instru- 
mentos cm 30. D\stes instrumentos os principacs 

111 



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AJU 



sáo: yraii/U rffraciftr equatorial, inêtrom^hto d^ 
jHiéêagfm do 1." vtrti*ul. de pauagtm trauapor- 
tavtl, e do circulo meridiano. O primeiro costoa 
18 cootos, sendo metade o casto do instrumento, 
e a outra metade o importe da objectiva, a mais 
aperfeiçoada que até entáo se tinha fabricado. 
As lentes vieram de Munich e os instrumentos 
de Hamburgo. Existe também n'este Observató- 
rio um DiêtribuidcT eléctrico, fabricado em Lis- 
boa nas officinas do Instituto Industrial. O cdifi- 
cio compòe-se : d*um corpo central de forma 
octogona. com dois pavimentos, e coberto com 
uma cnpola de ferro : e de quatro corpos com um 
só pavimento ligados ao corpo central. O do lado 
do sul compõe-se d*um pórtico, do vestíbulo onde 
se guardam diversos instrumentos auxiliares, de 
um quarto onde estio as pilhas que fazem fone- 
cionar os apparelhos electro-chronometricos, e 
das commuuicaçòes para os pavimentos infe- 
riores e superior do corpo central e para o 
subterrâneo. As salas das obser\'açoes ficam, 
uma no lado norte e outra a leste. O corpo central 
consta d'uma sala circular limitada por oito pi- 
lares, onde passam arcos de ferro, que sustentam 
a abobada, .sobre a qual assenta o grande equato- 
rial. Corresponde a esta sala uma galeria que a 
circumda, communicando com os quatro corpos do 
cdificio. A cupola é toda de ferro, move-se cir- 
cularmente e pesa cerca de 30 toneladas. Estão 
08 instrumentos assentes em pilares com alicer- 
ces isolados dos do edifício, para nâo receberem 
as vibrações que este lhes pôde transmittir.Com- 
poe-se a bibliotheca, que está alojada na galeria 
do pavimento superior do corpo central, de três 
mil volumes de sciencias astronómicas e mathe- 
maticas, notando-se pela sua importância e rari- 
dade as obras de Pedro Nunes. Na real tapada 
d* Ajuda houve em maio de 1884 uma kermesêe de 
caridade em beneficio das Cricheê, instituição de 
B. M. a rainha a senhora D. Maria Pia. Esta ker- 
messe foi promovida por uma commissão composta 
da mesma augusta senhora e das principaes damas 
da corte. A festa esteve brilhantíssima. As ruas 
da tapada, orladas de arvores frondosas, todas 
embandeiradas, e as differentes barracas, de ca- 

f^richosas phantasias, formavam um aspecto des- 
umbrante. A* entrada da kermesse via-se a bar- 
raca dos jogos, com muitos e variados prémios, 
Hcguindo-se as outras barracas, pertencentes ás 
damas da corte, sendo a ultima a da Creche, onde 
estava S. M., tendo por guarda de honra os alum- 
nos das escolas municipaes com os seus elegan- 
tes uniformes, que então usavam. A venda em 
todas as barracas, de flores, bilhetes e outros 
objectos era feita por S. M. a rainha e pela corte. 
A festa durou três dias, havendo sempre a maior 
animação e concorrência. Tocaram as bandas re- 
gimentaes, houve exercicios g^^mnasticos pelos 
sócios do Real Gymnasio Club, mastros de co- 
canha, etc. Na tapada d*Ajuda tem havido di- 
versas exposições agricolas, sendo a ultima em 
1898. 

Ajuda (Nau). Navio da marinha de guerra 
portugucza construído no arsenal de Lisboa pelo 
constructor Manuel Vicente, e lançado ao mar 
cm 29 de março de 1759. O seu nome era muito 
extenso ; Nossa Senhora d" Ajuda e S. Pedro (P Al- 
cântara, por abreviatura chamava-se-lhe apenas 
nau AJufla. Figurou muito nas listas das esqua- 
dras do século XVIII, formando as mais das vezes, 

112 



Êarte da esqua<lra do sul ou do Mediterrâneo. 
,m 1776 era commandada pelo capitão de mar e 
guerra José dos Santos Ferreira, e pertencia á 
esquadra do sul, quando na noite de 17 dezem- 
bro combateu durante algum tempo contra outra 
nau da sua esquadra, a Santo António. O caso 
conta-se da seguinte maneira: vindo de noite 
uma outra nau reunir-se á esquadra, a nau D. 
Affonso, o commandante por inadvertência, bus- 
cou entrar na formatura, ou falar ao chefe, Mae- 
duval, que estava a bordo da nau Ajuda, sem ter 
feito nem apresentado os convencionados signaes. 
As naus Ajuda e Santo António cobriam a reta- 
guarda das duas columnas, e vendo alta noite um 
navio extranho que se introduzia por entre ellas, 
a nau Ajuda rompeu sobre ella bravíssimo fogo, 
sendo logo seguida pela Santo António. A nau 
D. Affonso, conhecendo o seu erro, fez tuna hábil 
manobra e cahiu á ré; mas no entretanto as duas 
naus envolvidas no fumo e na escuridão, não da- 
vam pelo engano, e continuavam a guerrear-se, 
até que os outros navios conseguiram chegar 
á fala, e desfazer o eneano. Esta occorrencia 
desastrosa tornou-se, ainda assim, bem fatal, por- 
que, além das importantes avarias que tiveram as 
' naus, morreram mais de 50 homens. Foi este fa- 
. cto que tornou muito conhecida a nau Ajuda. 
Ajuda. Freguezia rural do concelho d*Elva8, 
confrontando com Jerumenha (Senhora do Lo- 
! reto), do concelho do Alandroal, freguesia das 
\ Selladas ou Ciladas, do de yiUa-Viçosa, e S. 
j Braz e Santo Ildefonso, do d'£lvas, e com o rio 
I Guadiana, pelo sueste, o qual, na extensão de 8 
kilometros, a separa de Hesparha. Tem no maior 
comprimento, norte-sul, 11 k., e na maior largura, 
oeste-léste, 5 k. e meio. E* cortada pelos ribeiros 
de Busca- vi de, de Varche, da Fortaleza e de 
Montes-juntos, todos affluentes do Guadiana. Os 
outeiros assígnalados por marcos geodésicos, são 
os da Fortaleza 339", do Carapeto 330", de Busca- 
vide 275", das Caldeiras 228", do Freixial 221-, 
e da Defezinha de Baixo 180". A área d'esta fre- 
guezia abrange, quasi toda ella, 25 herdades de 
pão, cevada e centeio. E' assaz curiosa a descri- 
pção das cousas doesta freguezia, elaborada con- 
forme os quesitos propostos pelos prelados do 
reino aos parochos das respectivas dioceses, e 
cujas respostas estão todas coliecíonadas no Ar- 
chivo da Torre do Tombo com o titulo de Dic- 
cionario Geographico, por isso a copiamos na in- 
tegra : «Luiz Rodrigues Borralho, parocho confir- 
mado pelo SS. Padre Benedícto 14.* em esta pa- 
rochial egreja de Nossa Senhora da Ajuda, termo 
e bispado d'Elvas, província do Alemtejo; fíii 
provido na dita freguezia, sendo data do prelado, 
e de sua natureza anuual, por ser sé vacante ; a 
côngrua são 5 moios de trigo e dois de cevada. 
Consta de 31 visiuhos e 220 pessoas. Está situada 
em monte, e descobre a cidade d*Elvas, da qual 
dista duas léguas, e a villa de Jerumenha, da 
qual dista uma. Tem uma aldèa distante da egreja 
b(X) passos, que lhe chamam Venda, que consta 
de 6 visinhos. O orago é de Nossa Senhora da 
Ajuda. A egreja é d'uma nave; tem 5 altares: a 
capella maior, que é de Nossa Senhora da Ajuda, 
e as mais são de Nossa Senhora do Rosário, de 
Santo António, o Senhor de Jesus e as Almas. 
Tem três irmandades: a Senhora do Rosário, 
Santo António e as Almas. Não ha n'esta fregue- 
zia mais qu<» parocho e sacristão. Tem uma er- 



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AJU 



mida chamada S. Rafael ; está destelhada c sem 
portas, o as paredes com algumas rachas ; e só a 
capella maior está boa, a qual é d'abobada, onde 
está a pintura do Santo; é muito milagroso e 
advoffaao das sezões. Os fructos que n^esta fre- 
gaezia se recolhem sâo trigo, centeio e cevada, 
e podendo recolher muitos mais mantimentos não 
08 recolhem por se utilisarem das terras para 
pastagem dos gados, por cujo interesse tem dei- 
xado cair a maior parte dos montes que ha n'esta 
fregaezia que, tendo legoa e meia de compri- 
mento, e outro tanto de largura, c 35 herdades, 
se acham só habitando n*ella 7 lavradores, e as 
mais andam de cavallaria; por cujo motivo falta 
o culto divino, mantimentos no reino, sustento 
aos parochos. Dista esta fre^ezia da cidade d'£l- 
vas duas legoas, e da de Lisboa 30 e meia. Está 
esta egi*eja situada junto ao rio Guadiana 180 
passos. Nasce este rio na Mancha, Reino de Cas- 
tella; corre do nascente para o poente ; não é na- 
vegável por causa dos penhascos e açudes que 
tem ; é mui abundante de peixe, mas no tempo 
do verão se fazem melhores pescarias que no in- 
verno. O peixe que se pesca são bogas, barbos, 
carpas, eirozes e alçumas lamprêas, mas poucas ; 
e são as pescarias livres. As margens do dito rio 
se cultivam por partes com alguns meloaes ; não 
tem arvoredo, pois o não consente por ser mui 
arrebatado. Dizem este rio se precipita no mar. 
No tempo do inverno é caudaloso ; mas no verão, 
se o anno é secco, muitas vezes deixa de correr. 
No districto d*esta freguezia ha 9 moinhos ; uma 
ponte junto d'esta egreja 117 passos, que consta 
de 19 arcos, mui forte, mas a pedraria grosseira. 
Faltam-lhe 6 arcos no meio, os quaes se derruba- 
ram no anno de 1709, e como esta freguezia está 
situada d*uma e outra parte do rio, os freguezes 
que habitam da parte d além recebem um grande 
damno, por não poderem utilisar-se do pasto es- 

Í>iritual com que o pastor apascenta as suas ove- 
has, ainda que ha barca; porque, como tudo é 
gente pobre, não tem com que a pagar, e todos 
os passageiros recebem um grande prejuízo por 
estarem dias impedidos, á causa de não andar a 
barca, como tem succedido este anno, e succede 
todas as vezes que enche o rio ; e o mais é, mui- 
tas pessoas que se tem enterrado n*esta egreja, 
que falleceram afogadas por causa de não haver 
ponte aonde passarem. £ esta falta se faz tam- 
bém digna de compaixão, que quando não hou- 
vesse o real que ha tantos annos se paga para 
a mesma ponte, todos de bôa vontade concor- 
reriam para supprir tão grande necessidade. 
£* quanto sei, nos interrogatórios que se me 
pereuntam; e por verdade me assignei. — Nossa 
Senhora da Ajuda, 9 de abril de 1758. — O pa- 
rocho de Nossa Senhora da Ajuda, Luiz Rodri- 
guea BorrcUhov. 

Ajuda (Serúuyra da), Egreja parochial, isolada 
do quaesquer outras edificações, e situada den- 
tro da área da Defezinha de baixo. Dista da ci- 
dade d'Elvas 11 kilometros, linha recta norte-sul. 
O parocho Luiz Rodrigues Borralho descreveu 
esta egreja na relação que fez das cousas da fre- 
guezia, transcripta no artigo precedente, e d*ella 
consta que havia ao tempb 5 capellas no seu re- 
cinto. Hoje ha só 3 : a maior, em que está a ima- 
gem da Virgem do titulo da Ajuda, uma do lado 
esquerdo, denominada do Rosário, e a de Jesus, 
fronteira a esta, do lado direito. As confrarias 



foram cxtinctas ha muitos aunos. A egreja da 
Ajuda tem um alpendre deante da porta, c fica 
voltada ao poente. Nada ha n'el]a que a recoui- 
mende, ou que mereça menção especial, a não ser 
a capclla-mór, pela sua antiguidade, talvez do sé- 
culo XVI. II Quinta na freg. e cone. d'Evora. ||* Her- 
dade na freg. da Cabrella, cone. de Montemór-o- 
Novo. II Pov. na freg. e cone. de Setúbal, l| Nome 
por que também se designa a ponte de Olivença, 
em Elvas. || Pov. da freg. de S. Thiago^os Velhos, 
cone. de Arruda dos Vinhos, oom. de Villa Franca 
de Xira, distr. e patriarc. de Lisboa. || Pov. da 
freg. de S. Lourenço de Arranho, cone. de Ar- 
ruda dos Vinhos, com. de Villa Franca de Xira, 
distr. e patriarc. de Lisboa. || Ponta ou cabo da 
ilha de S. Miguel, archipelago dos Açores, na 
costa norte. || Monte crateriforme sobranceiro á 
villa de Santa Cruz, capital da ilha Graciosa, ar- 
chipelago dos Açores. 

Ajuda Pequena. Nau da carreira da índia, 
onde em 1512 esteve na tomada de Banestarira, 
sob o commando de Vicente d*Albuquerque. 

AJudá. (Estabelecimento de S. João Baptista 
d*). Está este estabelecimento situado no reino 
do Dahomé, Africa Occidental. Consiste n'uma 
fortaleza construída em 1680 por ordem de D. Pe- 
dro II (quando ainda regente do reino) e que pro- 
tegia outr'ora o importante commercio que na 
costa da Mina faziam os Portuguezes. Hoje ne- 
nhuma importância nem utili(^de tem, porque 
nenhum trafico alli exercem os nossos naturaes. 
£' o único vestigio do nosso antigo poder n'aquella 
rica e extensa plaga, que se estende do Cabo das 
Três Pontas até ao Cabo de Lopo Gonçalves, 
costa descoberta por portuguezes e por elles ex- 
plorada no século xv. João de Santarém e Pedro 
de Escobar, quando navegavam por conta de Fer- 
não Gomes, que arrendara a Portugal o commer- 
cio da Guine, foram os primeiros europeus que 
alli desembarcaram; porem, tendo o rei do Da- 
homé conquistado pelas armas aquelle reino nos 
fins do século xvii ou principies do seguinte, desde 
então faz parte dos estados d'aquella monarchia. 
Ajuda, levantada n'uma vasta jplanicie, a 5 k. 
pouco mais ou menos da costa, e grande e divi- 
dida em bairros, cujas casas, as dos indígenas, 
são de colmo e barro, distinguindo-se das dos eu- 
ropeus, nas quaes se nota uma certa elegância e 
conforto. As ruas são largas mas immundas. O 
forte de S. João Baptista foi fundado por Ber- 
nardino Freire de Andrade, general e ex-gover- 
nador de 8. Thomé, que alli foi mandado por D. 
Pedro II, quando regente, afim de proteger e 
crear novos mercados de escravos, marfim e ouro, 
porque no século xvii, estando Portugal sob o do- 
mínio dos hespanhoes, apoderaram-se os hollan- 
dezes de uma parte das nossas colónias e arraza- 
ram ou conquistaram quasi todas as feitorias por- 
tuguezas na costa da Guiné. Este forte, cuja cons- 
trucção durou seis mezes, consiste apenas n'um 
vasto quadrado, abaluartado nos ângulos, feito 
de estacaria revestida de terra e barro. Defronte 
da porta principal, e junto do muro que divide a 
praça do cemitério, está situada a egreja paro- 
chial de S. João Baptista, a qual foi reparada no 
anno de 1868. Ainda se vcem os fortes de S. Jor- 
ge da Mina, de Cabo Corso e d'Axem, fundados 
peloá portuguezes e que pertencem agora a ou- 
tras nações. Os portuguezes são mais estimados 
pelos habitantes do Dahomé do que os outros eu- 

113 



AJU 



ALA 



ropcuKf çozaudo regalias cspeciaes. Serve Ajuda 
o porto de Ardra e seu respectivo caual. 

Ajuda de camará. Creado que serve na ea- 
inara do rei, ou de outra personagem no paço, 
ajudando o camarista. 

AJudadeira. Certa imposição antiga como 
ajuda do custo, que se pagava quando os sobera- 
nas casavam algmn filho ou iam á guerra. Era um 
dos direitos inseparáveis da coroa. Nos prazos do 
mosteiro d« Ganfci e outros da provincia do Mi- 
nho sç impunha alguma pensão de dinheiro ou 
de gallinhas, para ajuda do jantar d^el-rei quan- 
do este passasse o rio Douro. No tombo da sé de 
Vizeu, manuscripto do século ziii, diz-se que o 
praso das Rocas, em terra de Sever, paga de aju- 
dadeira três soldos. 

Ajude. Pov. e freg. (S. Pedro) annexa á de S. 
João do Rei, prov. do Minho, cone. e com. da Po- 
voa de Lanhoso, distr. e arceb. de Braga. 62G alm. 
e 149 fog. A pov. dista 6 k. da sede do cone. || 
Pov. da fieg. ae S. Martinho de Gondomar, cone. 
c com. de Guimarães, distr. e arceb. de Braga. 

Ala (João dos Santos). Pintor portuguez do 
século xviii. Foi discípulo de André Gonçalves, 
outro pintor também distincto. João dos Santos 
Ala foi mesario da confraria de S. Lucas, pre- 
cursora dos Académicos de Bellas Artes em Por- 
tugal. Deixou obras notáveis, entre as quaes 
se conta o tecto da egreja das commendadeiras 
de Santos, e os cetratos de alguns padres da or- 
dem de S. Bruno, que ornamentavam o convento 
n'esta ordem na Cartuxa de Laveiras, e que se 
conservam hoje na bibliotheca nacional de Lis- 
boa. 

Ala (Ordem militar da). Divergem muito os 
nossos chronistas acerca da instituição doesta or- 
dem, por D. Affonso Henriques ; uns querem que 
fosse instituída, em 1179, depois do aconteci- 
mento desastroso de Badajoz, quando os mouros 
em 1181 sitiaram Santarém, onde D. Affonso es- 
tava, sendo derrotados pelos portuguezcs. Ou- 
tros contam o auxilio de S. Miguel que fez com 
que os mouros ficassem vencidos. Todas estas 
considerações desencontradas e lendárias dos nos- 
sos chronistas fazem acreditar que semelhante 
ordem nunca existiu. 

Ala (Sociedade secreta de S. Miguel da). Foi fun- 
dada esta sociedade pelo partido miguelista, em 
1848, 6 durou até 1859, chegando a ter filiaes em 
muitos pontos do paiz. Era ao mesmo tempo re- 
ligiosa, politica e nacional. Propunha-se a promo- 
ver o desenvolvimento e o esplendor do catholi- 
cisino; a restabelecer o antigo systema chamado 
legitimista, e a manter a autonomia portugueza. 
Os seus meios seriam pacíficos, podendo no en- 
tretanto, recorrer ás hostilidades armadas quan- 
do as circumstancias o exigissem. Esta sociedade 
compunha-se de noviços, professos e dignitários. 
Nos noviços havia os graus de aspirante, pagem 
e escudeiro ; nos professos, os de 1.° e 2.° caval- 
leiros ; e nos dignitários, os de commendador de 
grão-cruz e de mestre. O grão-mestre seria D. Mi- 

Íjuel de Bragança, e na sua falta, o príncipe seu 
lerdeiro ou successor. Diz-se que esta sociedade 
chegou a corresponder-se com D. Miguel. Era 
uma associação perfeitamente secreta, porque 
só em 1868, isto é, nove annos depois de ter aca- 
bado, ó que veiu a saber-se que tinha existido. 
Ala. Pov. e freg. da prov. de Traz-os-Moutes, 
cone. e com. de Macedo de Cavallciros, distr. e 

114 



bisp. de Bragança. 859 alm. e 210 fog. A pov. 
dista 4 k. da séae do cone. Orago Santa Engra- 
cia. II Serra, da prov. de Traz-os-Montcs, junto 
ao logar de Vidriz, districto da villa de Pcnas- 
Royas, com. de Miranda do Douro. No alto da 
serra ha vestígios d*uma cidade que a tradição 
diz ter sido de mouros, vendo-se ainda as minas 
das casas. No fundo da serra vê-se uma fonte que 
servia aos moradores, e d'ella se forma a ribeira 
de S. Miguel. Seria alguma cidade antiga, cajo 
nome e memoria se perderam. 

Ala dos Namorados. Foi este o nome d*nma 
companhia composta de jovens fidalgos, que se 
formou no tempo de D. João I, para o auxiliar 
na defesa do reino, contra as hostes castelhanas. 
Tinha por distinctivo uma bandeira verde, a côr 
da esperança. Constituía a ala direita do exer- 
cito portuguez. Distiuguiu-se muito na batalha 
d'Aljubarrota, em 13 d'agosto de 1385. Aquelles 
bravos rapazes portaram-se como heroes, mas 
infelizmente ficaram muitos no campo da ba- 
talha. 

Aladeira. Pov. da freg. de S. Miguel de Ri- 
beira de Frades, cone de Coimbra. 

AlafSes (D. Pedro de Souza, duque de). Filho 
de D. Miguel e neto de D. Pedro II. El-rei D. 
João y foi seu padrinho do baptismo, e, na occa- 
sião do baptisado, agraciou o afilhado com o ti- 
tulo de duque de Alafòes, por carta regia de 5 
d*outubro de 1718, egualmente concedeu o titulo 
de duqueza de Alafoes a sua mãe, D. Luiza da 
Camará e Souza, herdeira da casa dos marque- 
zes d'Arronches. As chronicas nada mais nos di- 
zem acerca d*este titulo, o que faz acreditar que 
foram estes os únicos fidalgos que o usaram. 

Alagada (Alto da). Marco geodésico collocado 
na herdade d'este nome, da freguezia de Santo 
Ildefonso, do concelho d' Elvas. Mede 164 metros 
acima do nivel do mar e está a 38'*49' longitude 
N. 2<'2' latitude E. do meridiano de Lisboa. 

Alagados. Habitação na ires. de Sebal Gran- 
de, cone. e com. de Condeixa-a-Nova, distr. e bisp. 
de Coimbra. 

Alagar. Pov. da freg. de Évora Monte, cone. 
de Extremoz, distr. e arceb. d^Evora. 

Alagarinho. Casal da freg. e cone. de Aljezur. 

Alago. Casal na freg. de Covellas, cone. e com. 
de BaiãOy distr. e bisp. do Porto. 

Alag6a. Pov. e freg. da prov. do Alemtejo, 
cone, com., distr. e bisp. de Portalegre ; 373 alm. 
e 88 fog. Tem escola do sexo masc. A pov. dista 
12 k. da sede do cone. Orago S. Miguel. || Pov. 
na freg. de Villa Flor. || Pov. na freg. de Soutello, 
cone. e com. de Villa Verde, distr. de Braga. || 
Pov. na freg. de Kossas, cone. e com. d' Arouca, 
distr. d' Aveiro. || Pov. na freg. e cone. d'01iveira 
do Bairro. || Pov. na freg. de Troviscal, cone. de 
Oliveira do Bairro, com. d*Anadia, distr. d* Avei- 
ro. II Pov. na freg. e cone. de Góes. || Pov. na freg. 
de Figueira de Lavão, cone. de Penacova. || Pov. 
na freg. de Anreade, cone. e com. de Resende, 
distr. de Vizeu. || Pov. na freg. de Ranhados, 
cone. de Vizeu. fj Pov. na freg. de Turquel, cone. 
d*Alcobaça, distr. de Leiria. || Pov. na freg. de 
Villa Facaia, cone. de Pedrógão Grande, distr. 
de Leiria. || Casal, na freg. ne Gonea, cone. de 
Guimarães, distr. de Braga. || Casal, na freg. e 
cone. d' Arganil. || Casal, na freg. de Samuel, cone. 
de Soure, distr. áv Coimbra. j| Casal, na freg. de 
Cadafaes, cone. d'Alcmqucr, distr. de Lisboa jj 



ALA 



ALA 



Casal, na freg. de Milharado, cone. e com. de 
Mafra. || Casal, na freg. de S. Jordão, cone. de 
Évora. || Casal, na freg. de Santo Aleixo, cone. e 
com. de Moutemór-o-Novo, distr. d'Evora. || Ca- 
sal, na freg. de Santa Vietoria, cone. de Beja. || 
Quinta, na freg. de Emeres, cone. de Valle de 
Passos, distr. de Villa Real. || Quinta, na freg. e 
cone. d*Agueda. 11 Quinta, na freg. de Manhouce, 
cone e com. de S. Pedro do Sul, distr. de Vizeu. 
y Quinta, na freg. de Faia, cone. de Sernance- 
lhe, distr. de Vizeu. || Quinta, na freg. da Torre 
de Terranbo, cone. e com. de Trancoso, distr. da 
Guarda. || Quinta, na freg. de Villa Franca da 
Serra, cone. e com. de Gouveia, distr. da Guarda. 
il Quinta, na freg. de Orvalho, cone. de Oleiros, 
com. da Certil, distr. de Castello Branco. |! Quinta, 
na freg. de Cercal, cone. de Cadaval, com. de Tor- 
res Vedras. {| Quinta, na freg. da Granja, cone. de 
Mourão. I| Herdade, na freg. de Cabrclla, cone. e 
com. de Montemór-o-Novo, distr. d^Evora. |! Pov. 
na freg. de Ribeiradio, cone. d'01iveira de Fra- 
des, distr, de Vizeu. || Pov. na freg. de Chão de 
Couce, cone. d*AnciSo, distr. de Leiria. || Pov. na 
freg. de Athouguia da Baleia, cone. de Peniche, 
distr. de Leiria. |l Pov. na freg. de Valle de Tor- 
no, cone. e com. de Villa Flor, bisp. de Bragança. 

Alagôa ÍJoêé FrancUco da Cruz). Thesoureiro- 
mór do real erário. 

Alagôa ou Lagoa. Villa, sede do cone, com. 
de Villa Franca do Campo, na ilha de S. Miguel, 
distr. de Ponta Delgada, bisp. d' Angra do He- 
roísmo. Tem duas freg. : Senhora do Rosário, com 
4.375 alm. e 85G fog. Santa Cruz, 3.655 ahn. e 822 
fog. Pertence á 5." divisão mil. Del. postal de Ponta 
Delgada. O cone. tem 3 freg. com 1.250 fog. e 12.023 
hab., sendo 5.771 var. e 6.252 fem. As freg.» sao: 
Agua de Pau, N. S.» do Rosário, e Santa Cruz. 

Alagòa da Cheia. Casal na freg. e cone. de 
Alcochete. 

Alagôa do Guincho. Casal, na freg. da Serra, 
cone. de Grândola, com. d'Alcacer do Sal, distr. 
de Lisboa, bisp. de Beja. 

Alagôa de Palha. Pov. da freg. de Palmella, 
cone. de Setúbal. 

Alagôa das Talas. Pov. da freg. de Turquel, 
cone. de Alcobaça, distr. de Leiria, patriarc. de 
Lisboa. 

Alagoas. Pov. nas freg. de Urgueira, cone. de 
Sabugal, e Pombeiro, cone d*Arganil, distr. de 
Faro. II Sitio, na freg. d'Alvôr, cone. de Villa Nova 
de Portimão. 

Alagoeira. Pov. da freg. da Athouguia da Ba- 
leia, cone. de Peniche, com. das Caldas da Rainha, 
distr. de Leiria, e patriarc. de Lisboa. 

Alagoiça. Sitio da freg. de Santa Cruz, cone. 
e com. de S. Thiago do Cacem, distr. de Lisboa, 
bisp. de Beja. 

Alaggtnha. Pov. nas freg." do S. Julião, cone. 
de Portalegre, e Palmella, cone. de Setúbal. || 
Casal, na freg. de Melides, cone. de Grândola, 
distr. de Lisboa. |l Quinta, na freg. de Zebreira, 
cone. e com. de Idanha-a-Nova, distr. de Cas- 
tello Branco. || Herdade, na freg. e cone. de Fron- 
teira. 

Alambique. Pov. da freg. de Villa Garcia, 
cone. de Amarante, distr. do Porto. || Casal, na 
freg. de Pinheiro de Azere, cone. de Santa Com- 
ba Dão, distr. de Vizeu. || Quinta, na freg. de S. 
Lourenço de Riba Pinhão, cone. de Sabroza, distr. 
de Villa Real. jj Quinta, na freg. de Folhadella, 



cone. e distr. de Villa Real. || Sitio, na freg. de 
S. Martinho d' Anta, cone. de Sabi-oza, distr. de 
Villa Real. 

Alameda íMarquesea da). Appellido nobre de 
Portugal c ae Hespanha, cujos representantes 
descendem de D. Affonso Telles Girão, senhor 
de Frechoso, que casou com D. Maria Pacheco, 
senhora de Belmonte. Em Portugal são descen- 
dentes d*esta familia : condes de S. Vicente, Pon- 
tevel, Povolidè, etc. 

Alamella. Pov. da freg. e cone. de Penafiel. 
II Pov. na freg. de Sub-Arrifana, cone. de Pena- 
fiel. II Casal, na freg. de Guilhufe, cone. e com. 
de Penafiel, distr. do Porto. 

Álamo. Pov. na freg. de Cabeço de Vide, cone. 
d* Al ter do Chão. |l Pov. na freg. e cone. d' Arron- 
ches, distr. de Portalegre. || Pov. na freg. de 
Freixo, cone. de Redondo, distr. d'Evora. || Pov. 
na freg. do Espirito Santo, cone. de Mertola, distr. 
de Beja. || Casal na freç. de Bente, cone. de Villa 
Nova de Famalicão, distr. de Braga. || Casal, na 
freg. e cone. de Setúbal, distr. d^Evora. || Casal, 
na freg. de S. Thiago do Escoural, cone. de Mon- 
temór-o-Novo. || Casal, na freg. de Montargil, 
cone. de Ponte de Sôr,- distr. de Portalegre. I| 
Casal, da freg. da Egrejinha, cone. de Arrayol- 
los, distr. de Évora. || Casal, na freg. de Rio de 
Moinhos, cone. de Borba, distr. d'Evora. || Casal, 
na freg. de S. Estevam, cone. de Estremoz. || Ca- 
sal, na freg. de S. Miguel de Machede, cone. de 
Évora. || Casal, na freg. d*Ourega, cone. d'Evora. 
II Casal, na freg. de Torre de Coelheiros, cone. 
a'Evora. || Quinta, da freg. e cone. d'Ourique. || 
Herdade, na freg. do S. Martinho, cone. de Al- 
cácer do Sal, distr. de Lisboa. || Herdade, na 
freg. de S. Greçorio, cone. d*Arrayollos, distr. de 
Évora. || Herdade, na freg. d'Evora Monte, cone. 
d*Extremoz. || Herdade, na freg. do S. Bento do 
Matto, cone. d'Evora. || Herdade, na freg. de S. 
Bento do Zambujal, cone. de Redondo, distr. de 
Évora. || Herdade, na freg. e cone. de Cuba. || Si- 
tio, na freg. e cone. de Castro Verde. || Pov. na 
freg. e cone. d* Alcoutim. ||Pov. na freg. de Ben- 
safrim, cone. de Lagos. || Pequeno rio, da prov. 
do Alemtejo, termo de Monsaraz. Nasce na serra 
do Ramo Alto, no baldio das Caldeiras. Desagua 
no Guadiana. 

Alamos. Pov. na freg. de S. Miguel das Car- 
dosas, cone. d* Arruda dos Vinhos. || Pov. na freg. 
de Santo Estevam, cone. d*Alemquer. || Pov. na 
freg. d'Afrutes da Guia, cone. de Albufeira. || 
Quinta, na freg. de Cambres, cone. de Lamego, 
distr. de Vizeu. j| Quinta, na freg. de Valdigem, 
cone. de Lamego, distr. de Vizeu. || Quinta, na 
freg. d'Ervedosa, cone. de S. João da Pesqueira, 
distr. de Vizeu. |j Quinta, na freg. de Penso, cone. 
de Sernancelhe, distr. de Vizeu. || Quinta, na freg. 
de Santa Sophia, cone. de Montemór-o-Novo, distr. 
d'Evora. || Quinta, na freg. de Santo Aleixo, cone. 
de Montemór-o-Novo, distr. d*Evora. jj Quinta, na 
freg. e cone. de Redondo. || Quinta, na freg. do 
Baleizão, cone. de Beja. || Quinta, na freg. de 
Conceição, cone. de Ourique, distr. de Beja. 11 
Quinta, na freg. de Bensafrim e Barão de b. 
João, cone. de Lagos, distr, de Faro. || Quinta, 
na freg. da Camota, cone. d'Alemquer. || Quinta 
d'Arrentella, cone. d'Alemquer. || Herdade, na 
freg. de Santa Luzia, cone. d'Ourique. || Sitio, na 
freg. de Bella, cone. de S. Thiago do Cacem, distr. 
do Lisboa. || Bocea no canal de Alpiarça. 

115 



ALA 



ALA 



Alandroal. Villa da prov. do Alemtejo, sédc 
de coQC. c julgado municipal, com. do Redondo, 
distr. o arceb. d'Evora. Tem uma só freg. com 
l.í:ÇG2 alm. e 387 fog. Pertence á 4.« div. mil e 3.° 
distr. de reserva do exercito effectivo com a sede 
em Elvas. Tem Misericórdia, hospital, sociedade 
phylarmonica, escolas para ambos os sexos, est. 
post. com serviço de emissão c pagamento de 
vales, cobrança de recibos, letras e obrigações, 
o de encommendas postaes, permutando malas 
com R. A. L. e R. A. S. — Estremoz. O cone. com- 
prehende 7 freg. com 1.507 fog. 7.146 hab., sen- 
do 3.719 var. e 3.427 fem., n'uma superfície de 
i30:5S9 hect. Dista 45 k. da sede do cone. Orago, 
X. S." da Conceição. Ha aqui um castello, fun- 
dado em 1336 por D. Affonso, mestre d'Aviz. Tem 
sete torres em roda e a de menagem no centro, 
c três portas, fícando a principal entre duas torres. 
A torre da direita tem ao entrar uma inscripçSo 
que diz ; Deus é, e Deus será \ por quem elle fôr^ 
esse vencerá. Mais acima está outra que contem o 
seguinte : aEra 1332 (1294 de Jesus Christo) a 6 
dias de fevereiro, começaram a fazer este castello, 
por mandado rfo mestre de Aviz, D. Lourenço Af- 
fonso, e elle pôz a primeira pedra, M. e. e. b. 3. e 
castello. Tem n^uma porta a cruz d*Aviz, com 
duas águias, pendentes dos braços, c por cima 
d'ellcs, dois grilhões, como os da ordem de Caía- 
trava, com esta inscripção : mouro me fez. No 
meio da torre de menagem ha jmia cruz de Aviz 
com a seguinte legenda : Era 1336 (1298 de Je- 
sus Christo) a 25 dias andados de fevereiro, fez 
este castello D.- Lourenço Affonso, mestre d' Aviz, á 
honra e serviço de Deus e de Santa Maria, sua 
madre, e das ordens do mui nobre Sr. D. Diniz, 
rei de Portugal e do Algarve (reinante em aquelle 
tempo), e em defendimento de seus reinos Salvator 
mundi, salva me. Lê-se, ainda na porta da ton*e 
esta legenda gravada em pedra branca: Quando 
quiseres faser alguma cousa, cata o que te é neces- 
sário e depois verás ; e a quem de ti se fiar, nào o 
enganes: lealdade em todas as cousas. 1). JoSo II 
coucedeu-lho foral em Santarém, a 29 de abril de 
1486 e I). Manuel outro, em Lisboa, a 10 de outu- 
bro de 1514. Descobre-se d*esta villa, Jerumenha, 
Olivença, Évora, Redondo, Monsaraz, Extremoz 
c Mourão. Os grão-mestres d'Aviz eram donatá- 
rios de Alaudroal. Passa n*este concelho o rio 
Lucefeci. Existem aqui as ruinas de um hospicio 
fundado por Diogo Lopes de Seoueira no cami- 
nho que conduz para o Arrabalde. Tem uma fonte, 
com 6 bicas de bronze, abundante de agua que 
faz mover moinhos e asenhas. Ha outra fonte das 
Freiras que rebenta d*um rochedo, cuja agua rega 
08 campos visinhos. Entre a fonte e a villa, existe 
o loffar chamado de ViUares, onde dizem ter sido 
a villa primitiva, o que parece confírmal-o as 
ruinas de construcções que se encontram alli. A 
Granja com outeiros minados, mostra que serviu 
ú extracção de metaes pelos romanos ou árabes. 
Possue mais : minas de cobre, mansanez e ferro, 
as capellas de S. Bento da Contenda e de S. Mi- 
guel, fundadas sobre as ruinas do templo cons- 
truído e dedicado pelos lusitanos a Éndovelico 
ou Cupido. Passa aqui a cordilheira Ossa, com 
ramificações que se estendem até ao Guadiana, 
depois ae percorrerem os termos de Extremoz, 
Alandroal, Villa Viçosa, Évora Monte e outras 
villas. Nunca se (conheceu n*esta localidade, pes- 
te, ou epidemia alguma, segundo a tradição, de- 

116 



vido, sem duvida, ú terra ser muito sadia. A^ui, 
pelo contrario, se refiigiavam pessoas que sahiam 
d'outros pontos atacados de doenças. Em 1600, 
aqui esteve a duqueza de Bragança e sua filha 
D. Isabel, fugidas da peste. A palavra Alandroal 
vem de muitos álandros ou aloendros, arbusto vul- 
garmente chamado loendro. Ha n^esta villa uma 
fonte de agua férrea. 

Alanhosa. Pov. da freg. de Nogueira da Mon- 
tanha, cone. de Chaves, aistr. de Villa Real, ar- 
ceb. de Braga. 

Alanos. Povo da raça scytha; habitavam pri- 
mitivamente entre o Ponto-Euxino e o mar Cas- 
pio. Estenderam as suas conquistas desde o Vei- 
ga até ao Tanais, penetraram pelo norte até á 
Sibéria, e pelo sul levaram as suas invasões até 
ás fronteiras da Pérsia e da índia. A mistura das 
raças sannatas e germânicas tinha modificado 
um pouco as feições e o caracter dos alanos. No 
anno 276 começaram também as suas invasões 
sobre o império romano. O paiz doeste povo foi 
invadido em 376 pelos hunos que vieram das 
fronteiras da China, e desde essa época até ao 
seu completo anui quil amento na Hespanha, os 
alanos occupam um logar secundário na histo- 
ria dos povos bárbaros. Em 409, a Hespanha que, 
depois de 4 séculos, estava em perfeito socego, 
foi invadida de repente pelos suevos, alanos e 
vândalos. Os alanos foram completamente der- 
rotados mais tarde, quando os wisigodos, sendo 
então senhores da antiga Lusitânia, com o rei 
Wallia á frente, lhes deram repetidos combates, 
expulsando-os dos seus territórios. Os alanos fíin- 
diram-se depois com os vândalos, e desde então 
não tornaram a apparecer na historia como paiz 
independente. 

Alão. Família portugueza, antiquíssima. Os 
genealogistas querem que ella descenda dos reis 
alanos, e que a'ahi lhe venha o nome. Esta ety- 
mologia, porém, é muito duvidosa. Um dos mem- 
bros d*esta familia, D. João Alão, bispo do Al- 
garve, fundou na freg. de S. Bartholomen de Lis- 
boa, o morgado de Santo Eutropio. Tem brazão : 
Armas csquarteliadas : o primeiro quartel xadre- 
zado de ouro e vermelho ; o segundo de azul com 
cinco íiôres de liz de ouro em santor, e assim os 
contrários ; timbre um cão alão de azul com uma 
estrella de ouro na espádua. 

Aláo (Padre Manuel de Brito). Presbytero por- 
tuguez, que floresceu no século xvii ; n. na villa da 
Pederneira; era descendente de familia nobre. 
Formou-se em direito canónico, foi abbade de S. 
João de Campos, administrador da Real Casa de 
N. S.» da Nazareth, reunindo a esse emprego ofli- 
cial o cargo oilicioso de panegyrista da imaçem 
da Virgem. Nunca abandonou a terra natal, sitio 
pittoresco, que domina a enseada da Nazareth, 
empregando toda a sua vida na consagração d'a- 
quella milagrosa imagem. Não se sabe a data do 
nascimento nem da morte do venerando sacer- 
dote, mas 1637 ainda vivia, tendo mais de 82 an- 
nos de edade. Escreveu : Antiguidade da sagrada 
imagem de Nossa Senhora da Nazareth, grandezas 
de seu sitio, casa e jurisdicção real, sita junto á 
villa da Pederneira, etc. — Lisboa, 1628.— Teve 
2.» edição em 1684. No principio tem uma es- 
tampa grosseira, representando o lendário mila- 
gre da Virgem a favor do alcaide-mór de Porto 
de Moz, D. Fuás Roupinho. A 1.» edição tra« 
uma dedicatória a Filippe IV de Hespanha, 



ALA 



ALA 



III de Portugal; na 2.' não se publicou esta 
dedicatória, provavelmente por ter já acabado o 
domínio hespanhol no paiz ; Prodigiosas historias 
e miraculosos successos acontecidos va casa de N. 
*V.* da Nazareth. Parte segundu. Lisboa, 1637. 
Não consta que esta 2.' parte se reimprimisse. 
A estampa do frontispício é diversa e um pouco 
uiais aperfeiçoada que a primeira, sendo com- 
tudo o mesmo assumpto. 

Al&o (Martinho Lopes de Moraes). Prelado por- 
tugucz, conhecido também pelo nome de Mar- 
tinho Lopes Alão de Moraes, cónego da sé do 
Porto, cidade onde nasceu a 8 de setembro de 
1713, e onde parece qae também falleccu antes de 
1789, não se sabendo ao certo a data. Escreveu : 
Successo lamentável da. destruição do Porto e 
setis subúrbios, acontecido no fat<il mez de Dezem- 
bro de 1139. Porto, 1740. Sahiu sem o nome da 
aiithor; Porto glorioso, poema da entrada do 
cx.""» bispo do Porto, D. Fr. José Maria da Fon- 
seca e Évora. Porto, 1743-, Templo da fama con- 
sagrado peio crystallino e undoso Douro á immor- 
ialidade do cx."" e rev.^" sr. D. Ignacio de Santa 
T/iereza, bispo que foi de Goa, etc. 

Alão de Moraes (Christovam). Respeitável 
magistrado portuense c distincto escriptor. N. na 
freg. de S. João da Madeira, a 13 de maio de 
1632, como assegura um dos seus biographos, 
que diz ter visto a certidão do segundo baptis- 
mo, na freg. de S. Nicolau, no Porto. Christovam 
Alão de Moraes recebeu segundo baptismo, em 
consequência da perseguição que fizeram ao prior 
que o baptisara, accusaudo-o de hereje ; as au- 
ctoridades ecclesiasticas, attendendo a esta cir- 
cumstancia, ordenaram novo baptismo, decla- 
rando estar nullo o primeiro. Era filho de Bal- 
thazar Alão de Moraes, capitão de mar e guerra, 
que morreu aos 24 annos. Mostrando grande in- 
telligencia e aprendendo com facilidade o francez 
e o latim, que lho ensinava fr. António da Puri- 
ficação, seu tio, Christovam matriculou-sc, tendo 
15 annos, na Universidade de Coimbra, nas fa- 
culdades de mathematica e de philosophia, não 
tardando, pela distinccão com que se houve nos 
estudos, a cursar tamoem as faculdades de di- 
reito canónico e de direito civil. Tendo feito as 
suas ultimas conclusões de direito civil, em abril 
de 1G61, veiu ler no desembargo do Paço cm Lis- 
boa, que era o exame preparatório píira quem 
desejava entrar na magistratura, e foi despa- 
chado pela rainha D. Luiza de Gusmão, então 
regente do reino, para juiz de fora de Torres Ve- 
dras; em seguida ouvidor e provedor da villa de 
Mira, juiz dos orphãos da cidade do Porto, corre- 
gedor da comarca de Pinhel, Ribacôa e Figueira, 
corregedor da comarca de Coimbra, procurador 
do fisco da rainha em 1677, conservador da Uni- 
versidade de Coimbra, superintendente das de- 
cimas d*essa cidade, corregedor e provedor da 
comarca do Porto, conservaaor dos seus moedei- 
ros, e finalmente desembargador e corregedor do 
Cível da Relação do Porto. Todos estes cargos 
lhe foram concedidos pela alta consideração que 
o seu elevado talento e capacidade tinham adqui- 
rido, e pela forma imparcial como sempre se hou- 
ve nas dissidências entre os dois irmãos, D. Af- 
fonso VI e D. Pedro. Christovam Alão casou com 
D. Joanua Thereza de Carvalho, filha da ama que 
crcara os dois referidos irmãos. Falleceu cm 10 
de maio de 1693, no Porto, sendo sepultado na 



VOL. I — FL. 



15 



cathtídral, na capella de Santa Helena de Vera 
Cruz, instituída por um dos seus antepassados. 
Publicou: Praticop jurisprndentic^ Nucletis; notas 
sobre as Ordenações do reino, que se não publi- 
; caram, assim como a maior parte das obras que 
1 escreveu : Pedatura Lusitana-IIispanica, que se 
conserva manuscripta na bibliotheca do Porto; 
Livro das famílias du cnsa de Áustria, França e 
Saboya, e de todos os principes da Europa, etc. 

Alapega de Baixo e de Cima. Duas pov." na 
freg. de Santa Suzana, cone. d' Alcácer do Sal, 
I distr. de Lisboa. 

I Alapella. Pov. nas freg. de S. Salvador, de 
Fonte Boa, cone. de Esposende, distr. de Braga. 
Alapraia. Pov. da freg. de Alcabideche, cone. 
I de Cascaes. 

Alarcão. Appellido nobre portuguez, originá- 
rio de Hespanha, d^onde passou na pessoa de D. 
João de Alarcão, que acompanhou sua mãe, D. El- 
vira de Mendonça, camareira da 2.* mulher d'el- 
rei D. Manuel. Brazão : Em campo sanguinho uma 
cruz de ouro fiorida c vasia, orla azul carregada 
I de oito aspas do mesmo metal ; timbre, a cruz do 
I escudo ; a orla dividida do campo por uma cotica 
I de ouro. 

I Alarcão (D. António Soares). Auctor gencalo- 
; gico. Viveu no século xvii o era filho de D. João 
I Soares de Alarcão e Mello. 

Alarcão (Brigid<i de). Dama por tugueza muito 
erudita e eloquente; n. em 1572 e f. em 1622. Dis- 
cutia sobre direito canónico e civil, sobre theolo- 
I gia especulativa e moral, sobre uma ou outra his- 
toria ecclesiastica e secular ; tinha grande vcr- 
! bosidade, e diz-so que uma vez orou durante 5 
I horas som inteiTupção. Sabia diversos idiomas, 
I especialmente o latim, que falava com muita 
elegância. Falleceu quasi de repente, com 50 an- 
nos de edadc, no estado de solteira, apesar de 
ter sido muito requestada; mas não quiz nunca 
sujeitar-se ao estado conjugal. Deixou duas obras 
manuscriptas : Vida, acções e morte da famigerada 
Judith; Vida, acções e morte do famoso Sansão. 

Alarcão ^D. Filippe Mascarenhas de). Fidalgo 
portuguez, ao século xviii ; era filho de D. Diogo 
de Sottomaior, que teve o morgado da quinta da 
Foz, e de D. Maria Bocanegra d'Alarcão, filha 
natural de D. Filippe d' Alarcão. Succedeu a seu 
pae no morgado da quinta da Foz, serviu no 
exercito chegando ao posto de brigadeiro, e com- 
mandou os regimentos d'Almeida e de Campo 
Maior. Foi governador na ilha da Madeira, desde 
1723 a 1734. 

Alarcão (D. Francisco Soares de). Fidalgo 
portuguez, cavalleiro da ordem de Calatrava; 
veiu a herdar a casa dos seus antepassados, mas 
servindo a Hespanha contra Portugal, em 17 de 
junho de 1665, na batalha de Montes Claros, foi 
feito prisioneiro, tendo o posto de general. 

Alarcão (7^. Francisco Sottomaior de). Gover- 
nador de Macau de 1714 a 1718 e de Moçambi- 
que de 1719 a 1720. Era 2." filho de D. Diogo 
Sottomaior, e irmão de D. Filippe Mascarenhas 
d' Alarcão. Partiu para a índia com o vico-rei 
D. Rodrigo da Costa, onde serviu sempre com 
muito valor e honradez. 

Alarcão (Henrique Figueiredo de). Governa- 
dor de Angola, em 1717, anno cm que foi no- 
I meado, succedendo a João Manuel <lc Noronha. 
■ Em 1718, alguns sobas das terras de Benguela 
! rcvoltaram-se contra o presidio de Caconda, que 

117 



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ALA 



foi defendido corajosamente por José da Nóbrega 
e Vasconcellos, até que o capitílo-mór de Ben- 
guela, Manuel Simões, marchou em seu auxilio, 
destroçando completamente os pretos. Y^m 1722, 
Henrique de Figueiredo d' Alarcão entregou o 
governo ao seu successor, António d'Albuquerque 
Coelho de Carvalho. 

Alarcão (D. João de). V. Sarmento Osório. 

Alarcão (João Peixoto da Silva Menezes de). 
Pertencente a esta familia distincta *, só se sabe 
que usava do seguinte brazao, concedido por de- 
creto de 29 de julho de 1830 : Um escudo esquar- 
telado, no primeiro quartel as armas dos Peixo- 
tos, no segundo as dos Silvas, no terceiro as dos 
Menezes, no quarto as dos Alarcòes. 

Alarcão (D. João Soares de). Fidalgo erudito 
e distincto poeta. N. em Cintra ou nas suas pro- 
ximidades, em ir)8(), e falleceu em dezembro de 
1G18. VjTH filho de D. Martinho Soares d' Alarcão, 
tí.° alcaide de Torres Vedras, e de D. Cecília de 
Mendonça, filha de Filippe d*Aguiar, mestre sala 
da Casa Real. D. Jouo Soares d'Alarcao era com- 
mendador da ordem de Christo, 7.** alcaide-mór 
de Torres Vedras, e mestre sala da Casa Real. 
Casou com D. Isabel de Castro e Vilhena, irmã 
d<; D. Jorge Mascarenhas, marqucz de Montal- 
vão. Escreveu as seguintes obras ; Archimvsa de 
varias rimas y efectos, Madrid, 1611. Innocencio 
<liz, que apesar do titulo em castelhano, quasi 
todas as poesias contidas n^este pequeno volu- 
me SHO em lingua portugueza. «Se devemos estar, 
diz Innocencio, pelo que se Kí no privilegio con- 
cedido por Filippe III para a impressão que anda 
no principio do livro, a Archimusa não seria de 
D. João Soares d'Alarcão, mas sim d'um amigo 
d'este, já defunto, que lh*a deixara, encarregan- 
do-©, ao que parece, de a publicar. E de facto, o 
seu nome não apparece no rosto.» — Publicou mais: 
La Jffanta cororiada por el-rei D. Pedro, Doha 
Inês de Castro, em octava rima. Lisboa, 160G ; Per- 
dição das naus, e das que se salvaram na barra de 
Lisboa no anno de 1606, obra histórica, muito 
ajtreciada pelos eruditos. 

Alarcão (D, José de). Escriptor do século ziz. 
Era author d'uma Jle vista agronómica; periódico 
mensal de agricultura, horticidtura t floricultura; 
publicado por uma sociedade, sob a direcção de 
I). J(tsé de Alarcão. Lisboa, 1856. Continuou nos 
annos seguintes. 

Alarcão (D. José de). V. Velasques Sarmento. 

Alarcão (I). Maria de). Neta de D. João Soa- 
res d*Alarcão e Mello, que foi feito marquez de 
Tureifal por el-rei de Castella, e irmã de D. Fran- 
cisco Soares d^Alarcão. Foi feita dama da rainha 
D. Isabel, e por morte dos seus irmãos teve o ti- 
tulo de marqueza de Tureifal e de condessa de 
Torres Vedras. Casou com D. Luiz de Braca- 
monte, 2." marquez de Fuente dei Sol. 

Alarcão (IJ. Martinho Soares de). Fidalgo, fi- 
lho do 1). João Soares de Alarcão e Mello; viveu 
no século xvii, e f. no cerco de Barcelona, em 
1652, quando assaltava, o forte de S. João dos 
Reis. 

Alarcão (Pedro de Figueiredo de). Diplomata 
portugucz do século xviii. Era filho de D. Ruy 
de Figueiredo Alarcão e de D. Margarida de Me- 
nezes. Foi senhor d'Otta, commendador das com- 
mendas de S. Pedro de Merim, de S. João de Li- 
fãrs, do S. Salvador de Castelloes, de Santiago 
do líestciro, na ordem de Christo, governador do 

118 



Portalegre, e enviado extraordinário a Ingla- 
terra. Casou com D. Francisca Ignez de Lencas- 
tre. Falleceu em abril de 1722. 

AlarcáLo (Ruy de Figueiredo). Fronteiro- niór e 
governador das armas da prov. de Traz-os-Mon- 
tes, no século xvii. Era filho de Jorge de Figuei 
redo e de D. Maria da Silva. Na guerra da In- 
dependência, em 1641, deu sobejas provas de 
valor e de fidelidade, sendo fronteiro-mór e go- 
vernador das armas em Traz-os-Montes. Casou 
com D. Maria de Menezes, filha de Pedro Alva- 
res Cabral, senhor de Azurara, alcaide-mór de 
Belmonte, e de D. Leonor de Menezes. Escreveu : 
Relação do successo que Ruy de Figueiredo, fron- 
teiro da raia de Traz-os-Montes, teve na etUrada 
que fez no reino de Galliza. Lisboa, 1641 ; Segunda 
relação verdadeira de alguns successos venturosos, 
que teve Ruy de Figueiredo, fronteiro-mór da villa 
de Chaves, na entrada que fez e ordenou em alguns 
h)gares d^t reino rfc Galliza, nos últimos dias de 
Agosto, até se recolher á dita villa, Lisboa, 1G41 ; 
Terceira relação do successo que teve Ruy de Fi- 
gueiredo de Alarcão, nas fronteiras de Chaves, Mon- 
le-alegre e Monforte, segunda feira 9 de Septembro 
de 1641^ Lisboa, 1641 ; Quarta relação verdadeira 
da vicf^/ria que o fronteiro-mór de Traz-os-Mon- 
tes, Ruy de Figueiredo de Alarcão, houve na sua 
fronteira, cinco legoas de Miranda, em Brande- 
Ihanes, terra de Castella. Lisboa, 1641. 

AlarcáLo e Mello (D. João Soares). Fidalgo 
portuguez, do século xviii ; senhor e aícaide-mor 
de Torres Vedras, senhor de Agnilar e Lugo, 
commendador de S. Pedro de Torres Vedras e 
de Santa Maria de Maçãs na ordem de Christo, 
e mestre sala da Casa Real portugueza. Era filho 
de D. João Soares d'Alarcão. Depois de D. João 
IV ser acclamado, foi alistar-se no exercito hes- 
panhol, juntamente com outros fidalgos, ficando 
assim ao serviço de Hespanha contra a pátria. 
Em 1642, a 17 d*outubro, sendo çeneral de ca- 
vallaria, entrou pela província da Beira a atacar 
o exercito portuguez. Esta traição alcançou-Ibe 
os titules de marquez de Tureifal e de conde de 
Torres Vedras, concedidos por Filippe IV, do 
Castella, e os legares de mordomo-mor de D. Isa- 
bel de Bourbon e de D. Marianna de Áustria, 
conselheiro do supremo conselho de guerra, go- 
vernador e capitão-general da praça de Tanger, 
em 1643, e da praça de Ceuta, em 1646. Casou 
com D. Maria de Noronha d'Eça, filha de João 
Fogaça d*Eça, e f . a 6 d'outubro de 1669. Escre- 
veu : Arte militar, e do que deve obrar qualquer 
soldado e cabo em governar e menear as armas. 

Alardo. Appellido nobre em Portugal, vindo 
de França, onde era nome próprio. Passoa ao 
nosso paiz na pessoa de D. Alard, capitão da 
armada franceza, G|ue ia para a conquista da 
Terra-Santa, e arribou a Lisboa, onde prestou 
grande auxilio a D. Affonso Henriques, na to- 
mada da cidade. Ficando em Portugal, como ou- 
tros cruzados, foi senhor das villas de Athouguia, 
Lourinhã e Villaverde. Tinha o seguinte brasão: 
em campo vermelho um crescente de prata em 
pala, entre três fiôres de Hz em roquete. Timbre 
meio leão de prata, armado de vermelho, colleira 
guarnecida de ouro e uma fiôr de liz do mesmo 
metal na garra direita. 

Alardo. Assim se chamava a revista que pas- 
sava o rei, o coudel-mór ou a pessoa por elle en- 
carregada, aos ricos-homens, cavalleiros, escudei- 



ALA 



ALB 



TOS e vassallos quo desfructavam terras ou acou- 
ti amento, para saber se tiuham os cavallos e 
armas necessárias e se estavam promptos a en- 
trar em campanha quando fossem chamados. Re- 
senha que se fazia ao numero da gente de guerra, 
soldados ou milícias, quando se dispunha a sua 
partida. Os alardes de cavallaria effectuavam-se 
geralmente no primeiro de maio, devendo apre- 
sentar cavallo de marca todos aquelles que eram 
obrigados a tel-o. Y. Cavallo de Maio. 

Alardo (Rut/ Barba Correia). Morgado da Ro- 
meira e mestre de campo dos Auxiliares de Lei- 
ria ; D. em Santarém, a 10 de fevereiro de 1650 ; 
f. a 31 d^outubro de 1714. Foi muito versado na 
historia secular e çenealogica. Jaz sepultado na 
caoella do Santo Milagre em Santarém, em se- 
pultura própria. Escreveu: Genealogia da família 
dos Barbas em que se referem todas as acções e 
progressos de todas as pessoas ateste appeUido com- 
jrrovado tudo com as chronicas do reino e escri- 
jtturas authenticas; Tittdos de outras famílias , de 

aue faz menção João António da Costa e An- 
rade. 

A Laseira. Casal no cone. de Setúbal. 

Albacetim. Vallado real do sul, na Leziria 
Grande de Villa Franca de Xira. 

Albano (Agostinho). Escriptor portuguez e jor- 
nalista, no século xix. Traduziu Orpheu nos infer- 
noSf em 3 actos, Os órgãos de Mostoles, e o drama 
em 5 actos e 1 prologo : Os Apóstolos do mal. 

Albardada, rov. da freg. de Alferse, cone. de 
Monchique, distr. de Faro, bisp. do Algarve. 

Albardão. Casal da freç. de Dornes, cone. de 
Ferreira do Zêzere, distr. de Santarém. || Quinta, 
na freg. de S. Mancos, cone. d*Evora. 

Albardas. Pov. da freg. de Sant*Anna da 
Serra, cone. de Ourique, distr. de Beja. 

Albardeira. Casal e quinta na freg. d'Ourc- 
ga, cone. d'Evora. 

Albardeira de Baixo e de Cima. Dois ca- 
sacs na freg. de Ourega, cone. d*Evora. 

Albardeiro. Pov. da freg. de Semelhe, cone. 
do Braga. |l Casal na freg. de S. João dos Mon- 
tes, cone. ae Villa Franca de Xira. || Quinta na 
freg. de Faia, cone. da Guarda. 

Albardeiros. Pov. da freg. de Porcas, cone. 
da Guarda. |{ Casal na freg. de SanfAnna do 
Campo, cone. dArrayollos, distr. d'Evora. Ij Her- 
dade na freg. de Villa Nova de Baronia, cone. 
d'AVvito, com. e distr. de Beja. 

Albardo. Pov. e freg. da prov. da Beira Baixa, 
cone, com., distr. e bisp. da Guarda. 352 alm. e 
H5 fog. A pov. dista 20 k. da sede do couc. Orago 
Espirito Santo. || Pov. da freg. de Grijó, cone. de 
Villa Nova de Gaya. 

Albardes. Freg. da prov. da Beira Baixa, com. 
c cone. da Guarda, a 290 k. a E. de Lisboa, 70 
fogos. Deriva Albardos da palavra árabe Al- 
barda, c|ue significa cousa fria. || Casal na freg. 
de S. Miguel de Machede, cone. d' Évora. I Serra 
da prov. da Extremadura, cone. de Leiria. Faz 
parte da cordilheira de Monte Junto. Tem 30 k. 
de comprimento e 6 de largura ; nasce perto de 
Porto oe Moz e termina em Rio Maior. Conta-se 
que D. Affonso Henriques, subindo ao alto da 
serra, no sitio chamado Arrimai, em 1147, fize- 
ra doação aos frades bernardos de todas as ter- 
ras que d'alli se avistassem. Em memoria d'e8tc 
facto se erigiu n*aquelle mesmo sitio um arco 
de pedra com uma inscripção commemorativa. A 



serra tem uma ramificaf;5o para o cone. de Tru- 
quel, denominada Cabeço do Truqucl. Tem inna 
gruta comprida, formada por grandes roehedos, 
obra da natureza, que, segundo a tradição, ser- 
viu de residência aos povos de eras remotas. Em 
1869, o architecto Joaquim Possidonio Narciso 
da Silva fez uma investigação' á gruta. Encon- 
trou-se á entrada um vestíbulo alto mas aca- 
nhado, passando-so por uma abertura feita na 
rocha a um outro bastante amplo, com buracos 
onde entrava luz e ar. Escavado o chão, achou-se 
a pouca profundidade uma camada de cinza com 
alçuns ossos misturados. Debaixo d'esta camada 
acíiou-se outra de areia, e ainda por baixo d'esta 
outra de cinza e ossos como a primeira. Parece 
em vista d*isto que a gruta, servia de necrojíole. 
No dia seguinte, qucrendo-se. continuar os tra- 
balhos, não se ponde, devido á grande quantidade 
de fumo que entrava pelos respiradouros da gru- 
ta. Averiguando-se o que motivava aquelle fumo, 
soube-se que os pastores, julgando (jue lhes iam 
roubar thesouros quo elles diziam alli existir, ti- 
nham enchido a gruta de matto, lançando-llie 
fogo, para interromperem os trabalhos. Rece- 
bendo o architecto um telegramma para regres- 
sar a Lisboa, ficaram suspensas as investigações. 
N'essa occasião achou-se na serra um dolmen 
céltico em bom estado de conservação. Nascem 
aqui três rios : o Alcobaça, o Alcobertas e o de 
Rio Maior. Ha nVsta serra a quinta chamada de 
Val-de-Ventos, qiie pertenceu aos frades de Al- 
cobaça. Tem pedreiras de bello mármore, alga- 
res, caça, lobos, uma lagoa que nunca secca, e 
uma extensa matta de carvalhos. 

Albarrâ (Torre). Nome que se dava nos prin- 
cipies da monarchia a certas torres cm que se 
guardavam os dinheiros da coroa, que annual- 
mente sobejavam dos gastos ordinários. Havia 
uma no castello de Lisboa, outra em Santarém, 
Coimbra, Porto e alguns legares mais. E* muito 
elucidativo este trecho que destacamos da Chro- 
nica d'el-Iiey D. Pedro / por Fernão Lopes : hYaw 
cada um anuo eram os reis certificados pelos ve- 
dores da sua fazenda de todas as despezas, que 
feitas haviam, assim em embaixadas, como em 
todas as outras cousas, que lhes necessariamente 
convinham fazer, e diziam-lhes o que além d'isto 
sobejava de suas rendas em direitos, assim em 
dinheiros, como cm quaesquer cousas ; e logo era 
ordenado que se comprasse d'ellas certo euro c 
prata para se pôr e guardar no castello de Lis- 
boa, em uma torre, que para isso fora feita, que 
chamavam a torre Albarrã, e esta torre era nuii 
forte, e não foi porém acabada. Estava em cima 
da porta do castello, e ahi punham o mais do 
thesouro que os reis juntavam em ouro, prata 
e moedas, e tinham as chaves d'ella uma o guar- 
dião de S- Francisco, e outra o prior de S. Do- 
mingos, e a terceira um beneficiado da sé da 
mesma cidade; e para juntar este ouro e prata 
tinham este modo. Em toaas as cidades e villas 
do reino, qncpara isto eram azadas, tinham os 
reis seus cambeadores, que compravam prata c 
ouro aquelles que o vender queriam, o qual não 
havia (te comprar a outros senão a elles, e aca- 
bado o anuo trazia cada um quanto comprara 
n'aquelles legares, onde havia de ser posto um 
thesouro; e tinham estes cambeadores certa cousa 
de cada peça d'ouro que compravam ; e o que sobe- 
java em moeda punham isso mesmo em deposito 

119 



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ALB 



crn outra torre, que havia isso mesmo uo castello 
(h'. Santarém, em que outrosim estava mui grande 
thesouro de moeda e d*oufcras cousas em tamanha 
quantiiiade, que apontoavam a torre mui forte- 
mente por nâo caliir com o muito haver que 
ii'eUa punha. £ dVsta maneira estava no Porto 
e em Coimbra e em outros logares do reino : e 
posto ahi em cada um anno aquelle ouro, prata 
e moedas, que assim ficavam, e que os reis man- 
davam comprar, quando o rei vinha a morrer, 
pregavam d*elle e dos bens que fizera, dizendo 
como reinara tantos annos e mantivera os seus 
reinos em direito e justiça, contavam-lhe mais, 
por grande bondade, c louvando-o muito, diziam: 
Ksse rei ha tantos annos que reina, poz nas torres 
do Thesouro tanto ouro, prata e moedas. £ quanto 
cada nm rei em ellas mais punha, tanto lhe con- 
tavam por muito maior louvor e bondade.» 

Albarrada. Pov. do freg. de S. João de Ver, 
cone. e com. da Feira, distr. d*Aveiro, e bisp. do 
Porto. 

Albarrâes. Casal uo cone. de Alemquer. 

AlliaiTa4ine. Pov. da freg. de Rio de Mouro 
cone. de Cintra. Tem estação postal permutando 
malas com aquella villa, da qual dista 4 k. £* uma 
das mais liudas e pittorescas povoações dos 
arredores. Segundo uns, Albarraque é uma al- 
cunha árabe, que quer dizer leproso. Frei Jo3o 
de Sousa, uo seu livro Vestigios da Lingua Ara- 
bica em Portugal, diz que Albarraque deriva do 
verbo baraca, reluzir, brilhar, resplandecer. Em 
tempos Albarraque pentenceu á treg. de S. Pe- 
dro de Penaferrim, do mesmo concelho de Cintra. 

AlbaiTÒes. Pov. da freg. de Triana, d' Alem- 
quer. 

Albarrol. Pov. da freg. e cone. de Miranda do 
Corvo. II Pov. na freg. de Pouza Flores, cone. de 
Ancião, distr. de Leiria, bisp. de Coimbra. 

Albello. Pov. na freg. de Villa Boa do lUspo, 
cone. de Marco de Canavezes, distr. e bisp. do 
Porto. 

Albergagem. Direito que os padroeiros ti- 
nham de serem recebidos e hospedados pelos pa- 
rochos das egrejas de que tinham o padroado. 

Albergaria. Hospício destinado para abrigar 
pobres, peregrinos e doentes. Nos nossos conven- 
tos mais antigos cncontram-se registos de impor- 
tantes doações feitas por devotos ás albergarias, 
as (luaes se desenvolviam por todo o reino. As 
rainhas portuguezas e muitas pessoas particula- 
res fundaram nos primeiros séculos da monar- 
chia muitas albergarias, mantendo algumas 
d'eilas, sendo outras sustentadas por esmolas. 
£m grande parte eram encargo dos morgados. 
Todas essas albergarias se extinguiram, rarean- 
áo lentamente ate ao alvorecer dos tempos mo- 
dernos. Nos princípios da monarchia portugueza, 
os viandantes passavam grandes inclemências 
pelos caminhos, pois soffriam bastante pela falta 
de estalagens, pousadas ou outros quaesquer al- 
bergues onde descançassem da violência da jor- 
nada. D. Mafalda, esposa de D. Affonso Henri- 
quês, conhecendo este estado das communicações 
entre as terras do reino, mandou edificar á sua 
custa 6 dotar grande numero de «albergarias» nos 
sitios mais ermos e isolados, mas por onde se fa- 
zia caminho. Era de sua fundação a albergaria 
de Caldas d'Aregos, ((ue tinha um tan(|ue e a 
obrigação de estarem sempre promptas duas ca- 
mas para pobres. Já D. Thcreza fundara algumas 

120 



«albergarias», sendo a mais notável a do logar 
hoje denominado, por essa mesma fundação. Al- 
bergaria- a- Velha, ponto importante, por alli pas- 
sarem a estrada real que vae de Lisboa ao Porto 
e a de Aveiro a Vizeu. Essa albergaria, edificada 
no anno 1120, existe á entrada da referida villa. 
Era destinada aos viajantes pobres, aos quaes, se 
trouxessem guia, se lhes dava um vintém, e seu- 
do clérigos, meio tostão. Se estivessem doentes, 
alli se curavam ; se não pudessem já andar, for- 
necia-se-lhes cavalgadura até ao logar mais pró- 
ximo. A pousada tinha quatro camas e mais dois 
enxergues, esteiras, lume, agua e sal, para quem 
n'ella (juizesse pernoitar. A' pessoa que fallecesse 
na albergaria dava-se-lhe mortallia e enterra- 
mento em sagrado, com ofiicios de três lições c 
missa, e mais ttes missas de altar privilegiado. 
A albergaria de Amarante, egualmente fundada 
por D. Thereza, coube mais tarde em herança 
aos filhos de Gonçalo Mendes de Sousa, que por 
sua vez a doaram a D. Toda. dando esta um ca- 
sal e um mouro para servir á mesma albergaria. 
A albergaria de Mezão Frio também foi fundada 
pela mãe do nosso primeiro rei, a qual para esse 
fim coutou a Gonçalo Eriz a quinta de Oseloa, 
cujos rendimentos serviam para os hospícios. De- 
víamos deixar ac^ui uma lista completa das alber- 
garias que houve em Portugal, mas não só foi 
grande o seu numero, o que tornaria este artigo 
muito extenso, como também de algumas apenas 
restam os nomes das localidades onde se funda- 
ram, como por exemplo : Albergaria de Penella, 
Albergaria Nova, Albergaria das Cabras, Alber- 
garia de N. S.' da Graça, Albergaria dos Fusos, 
e tantas outras pequenas aldeias, também deno- 
minadas Albergaria, nas freguezias de S. Simão 
de Litem, Abitureiras, Santa Maria de Almos- 
ter, Almoster, Amares, Antanhol, Armil, Branca, 
Cumeada, Facha, Carneiro, Sá e Vali adares, Ma- 
rinha Grande, Oliveira do Conde, S. João de Vez 
c Góes. Eram, pois, as albergarias uns utilíssimos 
hospícios, que prestavam soccorro e agasalho 
áquelles que jornadeavam. A viação acelerada e 
os outros variadíssimos meios de locomoção e de 
transporte que possue o nosso século dispensa- 
ram, é verdade, estas pousadas e albergues. To- 
davia, parece que a condição dos peregrinos, dos 
viandantes pobres e mais transeuntes pouco mu- 
dou, e que as albergarias tão necessárias são 
ainda hoje, que teem os seus succedaneos nos Al- 
bergues Nocturnos. Chronologicamente devem 
mencionar-se as seguintes fundações de alber- 
garias : Em 1097, certo presbytero, de nome Pe- 
dro, doou a Loi-vão a albergaria de Pena-Cova. 
Em 1200, D. Urraca fez doação da albergaria de 
Canavezes a Mendo Paes e a sua mulher D. Er- 
menda, precedendo a auctorisação de D. San- 
cho I. Em 120G, fundou-se próximo á villa do 
Carvalho, no concelho de Pena-Cova, a alberga- 
ria de Santo António do Cântaro, assim denomi- 
nada por ter sempre á porta, nos mezes de calor, 
um cântaro cheio de agua fresca e um púcaro 
para os caminhantes sedentos ou extenuais alli 
se desalterarcm ou repousarem. Em 1215, D. 
Bartholomeu Douirugues fez importautes doações 
a esta albergaria, de que era fundador. Ainda cm 
1689, seguindo as disposições testamentárias de 
aquelle benemérito, a camará municipal de Coim- 
bra deu carta de administrador do morgado e da 
albergaria a D. Jeronymo de Athayde, conde de 



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Athou^uia, e cm cuja posse lograram succcder o 
marquez do Pombal e os seus descendentes. No 
Livro Preto da Sé de Coimbra, que está na Torre 
do Tombo, a fl. 254 verso, lê-se o instrumento da 
doaoao que, D. Bartholomeu fez a esta Alberga- 
rir em 1215. Quanto ao morgado, o senado ele- 
geria aquelle que lhe parecesse mais idóneo. Bar- 
tholomeu Domingues estava de posse da cgreja 
de Carvalho desde 1178, com D. Belida, sua mSe, 
e D. Gonçalo, seu irmílo, em virtude do accordo 
que com elles fizera em abril d'esse anno D. Ber- 
mudo, bispo de Coimbra, e o seu cabido, pelo 
qual lhes cederam a pensão aunual de dois mo- 
rabitinos c a sua terça episcopal. A historia 
d*esta albergaria pede uma extensão que lhe n2o 
podemos dar, mas remettemos o leitor aos índi- 
ces e summarios de Ayres de Campos, onde se 
explana o assumpto com grande numero de refe- 
rencias a documentos interessantes. Passemos á 
albergaria do Mondego ou de Cabadoudi, cuja 
fundação datava já do século xii, e a qual em 
1250 Salvador Martins, cónego da Guarda e prior 
de S. João de Celorico, que d'ella estava de 
posse, doou ao mosteiro de S. João de Tarou- 
ca, com a quarta parte de todos os rendimentos 
de Cabadoudi e dez casaes na mesma terra que 
seu pae já anteriormente legara á referida al- 
bergaria. Em 1271, D. Affonso III doou a alber- 
garia da Ponte do Lavradio á cathedral de La- 
mego, «em desconto dos seus peccados» o a ins- 
tancias de D. Pedro, bispo d'aquella diocese. Na 
antiga rua do Corpo de Deus, em Coimbra, exis- 
tia desde muito tempo uma pequena ermida de 
N. S.» da Victoria, a qual foi augmentada em 
1367, por Anna Affonso, viuva, que n'ella insti- 
tuiu uma capella e um hospital ou albergaria, 
com quatro camas, candeia e agua. Ayres de 
Campos, na obra citada, pag. 62 do Fascículo 
Único, diz que, por fallecimento do seu ultimo c 
zeloso possuidor, sr. Manuel Joaquim d'Almeida, 
passara esta capella para sua filha e herdeira a 
sr.» D. Henriqueta do Carmo Tártaro d'Almeida 
c Andrade. Vô-se, pois, que a maioria das alber- 
garias desappareceram muito cedo. Uma das mais 
antigas e que <le si deixou eterna e fidalga me- 
moria no nobilíssimo appellido de Albergaria, 
hoje existente em tantos ramos de familias illus- 
tres de Portugal, 6 a que fundou D. Payo Del- 
gado, no anno de 1154, n'esta cidade de Lisboa, 
em edificio próprio, junto á egreja de S. Bar- 
tholomeu, e á qual vinculou importantes pro- 
priedades e rendas, para n'ella também se 
curarem os soldados pobres feridos em cam- 
panha, uma espécie do moderno Sanatório, que 
em 1898 se fundou em Lisboa para soldados 
repatriados d* Africa, e cuja vida ephemcra tanto 
depõe contra a nossa época. Foi D. Diogo 
Soares de Albergaria, descendente de D. Payo 
Delgado, o primeiro fidalgo que usou assignar-sc 
com aquelle tão illustre appellido. Illustre mil 
vezes, porque não só pertenceu a prelados nota 
veis, escriptores eruditos e a guerreiros esforça- 
dos, mas porque provém da rememoração do es- 
tabelecimento do piedoso hosj)icio por um dos 
seus maiores. Poucos titules tirarão origem mais 
formosa em virtudes christãs. Foi a caridade que 
o definiu ; foi a gratidão e o reconhecimento que 
o concederam. Eram os soldados pobres alli cura- 
dos, c o povo inteiro que, áfjuelles fidalgos, pelo 
seu estabelecimento e por terem residência em 



palácio junto ao caridoso albergue, lhes chama- 
vam os de Albergaria. 

Albergaria. Appellido de muitas familias no- 
bres de Portugal. A primeira pessoa que usou 
d*este appellido, foi, como dissemos no artigo 
anterior, D. Payo Delgado, fundador da Alber- 
garia junto á egreja de S. Bartholomeu, e Lisboa. 
Tinha por armas : em campo de prata uma cruz 
sanguinha aberta, com uma orla do mesmo metal 
dividida por um filete preto carregado de oito 
escudinhos das quinas do reino ; timore : um dra- 
gão sanguinho volante, que alguns lhe carregam 
no peito uma cruz de prata como a do escudo. 

Albergaria (António Soares de). Beneficiado 
da coUegiada de Santo Estevam d'Alfama, em 
!. Lisboa, e capellâo das capellas de S. Eutropio e 
; de S. Matheus, também de Lisboa, um dos mais 
j distinctos genealogistas e notável escriptor. N. 
! em Castello Branco, em 1581, f. em Almada, onde 
fundara uma ermida, dedicada a Jesus Maria 
José, ermida em que viveu retirado os últimos 
annos da sua existência. Ignora-se a data do fal- 
lecimento. António Soares de Albergaria era fi- 
lho de Fernão Rodrigues de Coimbra e de D. 
Francisca Soares d' Albergaria, ambos descen- 
dentes de familias nobres de Veyros. Escreveu : 
Tropheos Lusitanos^ Parte i. Este titulo acha-se 
no frontispício dentro d'uma portada gravada em 
chapa de metal, seguindo-se depois o rosto im- 
presso íiue diz : Trophea sunt rerum gestamm mo- 
numental et victorioi signa, Anno 1632. Em Lis- 
boa, com todas as licenças necessárias. Impresso 
por Jorge liodrigties. Consta de brazôes das ar- 
mas do reino, familia real e nobreza de Portu- 
gal ; Resposta a certas objecções sobre os Tropheos 
Lusitanos, Lisboa, 1634 ; Vida de Santo Eutro- 
pio; Chronica dos reis de Portugal (conde D. Hen- 
rique a Filippe IV de Castella); Triumpho da 
nobreza luzitana e erigem dos seus brazòes; Titulo 
de coutinhos historiado; Livro de Armaria, em 
que ensina e declara todos os modos e formas de 
escudos e suas significações ; Tratado dos santos 
portuguezes com licenças para a impressão no anno 
de 1630; Adágios em latim eportuguez. 

Albergaria (liaWiazar Soeiro de). Advogado 
do século xviii, em Lamego, d'onde era natural. 
Iguora-se a data do nascimento e a do falleci- 
mento. Foi formado em direito na Universidade 
de Coimbra. Escreveu o seguinte livro, offerecido 
ao marquez d'Alemquer, vice-rci de Portugal, 
no tempo do dominio hespauhol, a que, parece, 
ter sido afteiçoado: Declaração sobre a matéria 
da agua para esta cidade de Lisboa, por servir a 
Sua Magestade, a quem promctte outras maiores 
em serviço de Deus e seu, t do bem commum das 
republicas do mundo. I^isboa, 1618. 

Albergaria (Francisco Soares de). Corregedor 
da corte em 1640, morto n'um dos corredores dos 
paços da Ribeira, por occasião da restauração do 
reino em 1 de dezembro d^aquellc anno, quando 
ante os conjurados soltava vivas a Filippe III. 
! Albergaria (Joaquim Freire de Andrade Pinto 
Soares de). Executor da contadoria geral de 
guerra e reino. Viveu no século xviii. Tinha bra- 
zão, concedido por decreto de 26 de janeiro de 
1754. 

Albergaria (Loj)o Soares de). Capitão da ci- 
dade e castello de S. Jorge da Mina, em Africa, 
' 3.'' governador da índia. Ph-a filho de Ruy Go- 
, mes Alvarenga ou Albergaria, chanceller-mór do 

121 



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rcMiio, no tempo de D. João II. Na sua !.■ oxpc- 
íliyão á índia, em 1504, Lopo Soares d^Alberga- 
ria teve a rara fortuna de salvar o grande Duarte 
Pacheco da torrivel situação em que se encon- 
trava cm Calecut, vendo-se com muito poucos 
homens, obrigado a sustentar uma guerra terri- 
vel contra os numerosos exércitos (lo Samorim. 
Soares d'AIbergaria bombardeou aquella cidade, e 
assim conseguiu afugentar o exercito inimigo. A 
sua annada constava de 13 velas guarnecidas de 
1.200 homens, que J). Manuel lhe confiara. Apres- 
sando a viagem, chegou a Cochim em setembro 
do referido anno de 1504; o rajah recebeu-o com 
as maiores honras; Soares d*Albergaria asso- 
cion-se com Duarte Pacheco Pereira, e foram 
ambos assaltar Cranganor, derrotando por com- 
pleto os fortes exércitos do Samorim. Regres- 
sou então ao reino em julho de 1505, trazendo 
comsigo as mais apreciáveis especiarias, tendo 
deixado na índia, por capitão de mar, a Manuel 
Telles Barreto com 4 naus. Durante 10 annos, vi- 
veu na obscuridade ; em 1515 é que D. Manuel se 
lembrou de nomcal-o governador da índia, em 
substituição d'Affonso d' Albuquerque. Soares de 
Albergaria era Inimigo pessoal d'este grande he- 
roe, e D. Manuel, inmiido por intrigas palacianas 
que os cortezãos haviam armado contra elle, tor- 
uou-se ingrato, e lembrou-se d'esta nomeação, 
não tanto pelo mérito do agraciado, mas com a 
idéa mesquinha de causar desgosto ao heróico 
conquistador da índia. Affonso d'Albuquerque 
morreu na barra de Goa, antes de ser rendido. 
Soares de Albergaria, vendo que a armada do 
Egypto, animada pela morte do valoroso conquis- 
tador da índia, se preparava para renovar os 
ataques aos inimigos portuguezes, sahiu-lhe ao 
encontro, enfraquecendo as forças musulmanas, 
e mandando pôr fogo á cidade de Zoila, na costa 
da Ethiopia. Soares d*Albergaria subjugou e 
tributou alguns reis indigenas, e fundou a forta- 
leza de Colombo na ilha de Ceylão. Em 1518, 
findando os 3 annos do seu governo, Soares de 
Albergaria entregou o governo da índia ao seu 
successor, Diogo Lopes de Sequeira, e partiu 
para o reino. Ketirando-se então para Torres Ve- 
dras, afastou-se dos negócios do estado, e falle- 
ceu obscuramente n*aquella villa. 

Albergaria (Manuel Soares de). Grande me- 
trificador de versos latinos, e poeta notável do 
século XVII. N. em Lisboa. Foi o primeiro que fez 
a sua lição para receber o bacharelato em Coim- 
bra, no anno de 1604, em verso heróico latino 
com o seguinte titulo: Poética Itepitio Legts 
Samcimus versim autem 2. Cod. dt Testam, in 
Bachálaureatus, etc, esta lição foi depois im- 
pressa. Compoz também a Canção á brevidade da 
vida, e a Vita P, Petri Pibadaneira. Queixan- 
do-se d*algumas injustiças da parte dos seus len- 
tes, retirou-se para Madrid, onde professou n*um 
convento de jesuítas. 

Albergaria (Manuel Soeiro de). Fidalgo por- 
tuguez, descendente dos Albergarias e dos Men- 
des de Tanger. Teve brazão, por decreto de 23 
d*agosto de 1548 : Escudo de campo csquarte- 
lado ; o 1.® quartel do prata com uma cruz ver- 
melha florida vasia, e uma bordadura de prata 
cheia de escudinhos azues, com cinco bezantes 
de prata em aspa ; e o contrario de campo azul, 
com uma porta de duas torres de prata lavradas 
de preto e fustadas do mesmo, e um pé vcnne- 

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lho com uma cabeça de mouro toucada de branco 
cortada em vermcího, o três lanças cm pala e em 
roque te ; elmo de prata aberto guarnecido de 
ouro, paquife de prata, vermelho e azul, c por 
timbre a mesma calbeça de escudo. 

Albergaria (J). Maria Soaru de). Escriptora 
portugueza do século xix. Condessa de Monte- 
merli, por ter casado com o conde d*este titulo, 
Lourenço Montemerli, cantor italiano, na época 
em que este artista fora escripturado para o 
theatro de S. João, do Porto. D. Maria Soares 
de Albergaria pertencia á illustre casa da Rede, 
em Mesão Frio. Ultimamente esta senhora vivia 
em Piza na Toscana com seu marido. £§ creveu 
em 1860, em italiano: Lettera di una vera catto- 
Uca a Sua Santitá Pio IX. Esta carta publicou- 
se, traduzida em portuguez, acompanhada d*al- 
gumas notas biographicas da authora, no Jornal 
do Commercio, de 24 de novembro de 1860. Appa- 
receu depois transcripta em mais aiçuns jomaes. 
D. Maria Soares de Albergaria publicou também 
um romance em francez, La Bdle Baglia, e ou- 
tros escriptos, cujos titules ignoramos. 

Albergaria (Miguel Lobo de). Escriptor por- 
tuguez do século xviii. Escreveu uma écloga pas- 
toril, em 1781, intitulada Lésbia. 

Albergaria (Thmnaz Cabral Soares de). Có- 
nego da sé de Braga. Depois de 1833 foi no- 
meado procurador geral da fazenda. Em 1859 
tomou posse do logar de conselheiro do Tribunal 
de Contas, onde em 1880 era presidente inte- 
rino. 

Albergaria (Vasco Martins d^). Camareiro- 
mór do infante D. Henrique, filho de D. João I. 
Acompanhou este infante a Ceuta, onde foi gra- 
vemente ferido, resultando-lhe d'esses ferimen- 
tos a morte alguns annos depois, em 1433. Está 
sepultado no mosteiro de S. Domingos de Bemfiea. 

Albergaria. Pov. na freg. e cone. de Ribeira 
de Pena. || Pov. na freg. de Sá, cone. de Monsão, 
distr. de Vianna de Castello. || Pov. na freg. de 
Valladares, cone. de Monsão, distr. de Vianna do 
Castello. II Pov. na freg. d'Annães, cone. do Ponto 
de Lima, distr. de Vianna do Castello. || Pov. na 
freg. de Facha, cone. de Ponte de Lima, distr. 
de Vianna do Castello. || Pov. na freg. d^Armil, 
cone. de Fafe, distr. de Braga. || Pov. na freg. de 
Carneiro, cone. d'Amarante, distr. do Porto. || 
Pov. na freg. de Capcllos, cone. d*Amarante, 
distr. do Porto. || Pov. na freg. de S. Nicolau, 
cone. de Marco de Canavezes, distr. do Porto, jj 
Pov. na freg. de S. João de Ver, cone. da Feira, 
distr. d' Aveiro. || Pov. na freg. de Antanhol, cone. 
de Coimbra. || Pov. da freg. e cone. de Groes. || 
Pov. na freg. d'01iveira do Conde, cone. de Car- 
regal. II Pov. na freg. da Marinha Grande, cone. 
de Leiria. !| Pov. na freg. de Abitureiras, cone. do 
Santarém. || Pov. na freg. de Almoster, cone. de 
Santarém. || Casal na freg. e cone. de Castro 
Daire. || Casal, na freg. da Cumeada, cone. da 
Certa, distr. de Castello Branco. || Casal, na freç. 
de Juncal, cone. de Porto dê Moz, distr. de I^i- 
ria. II Casal, na freg. de Bellas, cone. de Cintra. 
II Casal, na freg. c cone. de Monforte. || Casal, na 
freg. de Estradas, cone. de Castro Verde, distr. 
de Beja. || Quinta na freg. e cone. de Mangualde. 
!| Herdade, na freg. de Vai de Guizo, cone. de 
Alcácer do Sal, distr. de Lisboa. || Pov. da freg. 
de S. Simão de Litcin, cone. de Pombal. Est. <E) 
caminho de ferro do norte. Tem caixa postal. 



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Albergaria das Cabras. Pov. e frcg. da 
prov. do Douro, cone. e com. de Arouca, distr. de 
Aveiro, bisp. do Porto. Está annexada admiuis- 
tratlvamente á freg. de Burgo, 230 alm. e 33 fog. 
A pov. dista 8 k. da sede do cone. Orago N. S.' 
da Assumpçáo. Fica perto da seira da Freita. 
Eram donatárias as freiras de Arouca. Produz 
pouco, e é terra fria. O rio Caima é fonnado por 
três regatos que nascem aqui. Tem umas casas 
em ruinas, que eram uma albergaria, edificada 
pela rainha D. Mafalda em 1280. Pagava-se a 
uma pessoa para a certas horas da noite tocar 
uma buzina, a indicjAr as casas aos viajantes. 

Albergaria dos Fuzos. Pov. e frcg. de N. S." 
do Outeiro, na prov. do Alemtejo, cone. e com. 
de Cuba, distr. e bisp. de Beja. Está annexada 
civilmente á freg. de Villa Ruiva; 116 alm. e 36 
fog. A pov. dista 16 k. da sede do cone. Foi villa 
e pertenceu aos duques de Cadaval, por compra 
que fizera D. Violante de Moura, abbadessa do 
convento de Santa Clara, de Beja, a 17 de de- 
zembro de 1503. Estas freiras foram as primeiras 
donatárias. A compra foi feita por D. Álvaro, da 
casa Cadaval, por 200íí(XX) réis, e confirmada por 
D. Manuel, em Almeirim, a 14 de março de 1516, 
e depois por D. João III, a 17 d*agosto de 1525. 
Passam perto d*esta .villa três ribeiros chamados 
de N. S.*, da Cegonha e de Odivellas. Tinha juiz 
ordinário e vereadores apresentados pelos dona- 
tários. 

Albergaria de N. S.* da Graça. Sitio no 
cone. de Vianna do Alemtejo. 

Albergaria-a-Nova. Pov. da freg. de Branca, 
cone. de Albergaria-a- Velha. Tem caixa postal. 
Deu-se um combate n'e8ta pov., a 10 de maio de 
1809, entre as forças de Wellington e alguns re- 
gimentos portuguezes, e as do marechal Soult, 
ticaudo derrotados os francezes. 

Albergaria da Rapozeira. Pov. na freg. de 
Barcos, cone. de Taboaço, distr. de Vizeu, bisp. 
de Lamego. 

Albergaria de Souza. (João Soares de). Nat. 
da villa do Vellas, da ilha de S. Jorge, archipe- 
lago açoriano, onde nasceu a 16 de janeiro de 
17%. Era filho do coronel Ignacio Soares d' Al- 
bergaria e Souza, e de sua mulher, D. Isabel 
Delfina da Silveira Pereira de Lemos. Foi de- 
putado ás cortes em 1837. Falleceu em março de 
1875. Escreveu : Chorographia Açorica, ou des- 
cripção physica, politica c histórica dos Açores, 
por um cidadão açorense, membro da Sociedade 
patriótica Philaniropia Lisboa, 1822. Sahiu com 
as iniciaes do nome do auctor J. S. de A. de S. 

Albergaria-a- Velha. Villa da prov. do Douro, 
sede de cone. e julgado municipal, com. d*Agueda, 
distr. d' Aveiro, bisp. do Porto. Tem uma so freg. 

Í Santa Crux) com 2.761 alm. e 643 fog. Pentçnce 
t 2.» div. mil. e ao 9.° distr. de res. do exercito 
etfectivo com a sede em Aveiro. Tem escolas para 
ambos os sexos, estaçSo telegraphica, e post. com 
serviço de emissão e pagamento de vales do cor- 
reio e telegraphicos, etc. O cone. comprehende 8 
freg. com 3:3(X) fog. e 13:256 hab., sendo 5:855 
varões e 7:i01 fem., n'uma superficie de 17:885 
hect. A villa dista 18 k. da sede do cone. As 
freg.*' sSo: Santa Cruz, Alquerubim, Angeja, 
Branca, Frossos, Kibeira de Fra^oas, S. João de 
Loure e Valle Maior E* villa muito antiga, igno- 
rando-se quando e quem a fundou. Suppõe-se que 
data do século IX ou X, porque passava por ai li 



! a estrada com que os árabes substituíram a via 
j militar dos romanos, c a que chamaram estrada 
! mourisca. O seu nome tem origem n^ima alber- 
I garia que fundou alli D. Thereza, mulher do conde 
! J>. Henrique, em 1120, a qual ainda existe, ven- 
' do-se sobre a porta uma inscripção que diz : Al- 
bergaria de pobres e passageiros da rainha D. The- 
reza. (V. AWergaria). Alçuns escriptores são de 
opinião que, quando a rainha aqui passou, era o si- 
tio inhospito e frequentado por salteadores. Teve 
foral dado por D. Thereza em 1124. Dizem que foi 
o .primeiro documento em que D. Thereza se inti- 
tulou rainha. Não parece verdade, pois é sabido 
que u^aquélles tempos todas as filhas dos reis 
hispânicos se denominavam rainhas. E' fér- 
til e os seus arrabaldes são pittorescos, commu- 
nicando por meio de estradas com importantes 
povoações o que deveras tem concorrido para o 
seu desenvolvimento. Tem a importante mina do 
Palhal, em cuja exploração se empregam mais de 
6(X) pessoas, chegando em alguns pontos a ter 
95() metros de profundidade. Produz annualmentc 
1:350 toneladas de minério de cobre (pyrite) c 
cobre cinzento argentifero. Possue mais os esta- 
belecimentos mineiros de Telhadella, Carvalhal, 
Braçal, Malhada e Cavão da Mó, luna fabrica de 
papel, outra de serração de madeira movida pela 
agua do rio Caima, e outra de louça no sitio de 
Biscaia. Albergaria tem estação telegraphica 
municipal e algumas estações publicas. j| Jor- 
naes. — Tem-se publicado os seguintes : Aluerga- 
riense (O), 3, junho, 1892; Clainor (O), 8, agosto, 
1891 ; Correio d^ Albergaria, 3, dezembro, 1896, em 
publicação ; Folha d* Albergaria, 19, julho, 1888 ; 
Mexeriqueiro (OJ, 14, março, 1897 *, Mocidade (A)^ 
1, junho, 1883, o primeiro jornal publicado em 
Albergaria; Movimento (O), 1, dezembro, 1888, 
em abril, 1893, continuava ; Pregoeiro Liitcrarin, 
31, setembro, 1899 ; lieligião da mtdher (A), 26, 
abril, 1890; AStíMoçâof^;, 11, outubro, 1892; Tim- 
bre (O), 6, março, 1892 a 12, abril, 1896 (?) V. 
Águeda. 

Albergarias. Quinta, na freg. de Santo Antó- 
nio dos Olivaes, cone. de Coimbra. 

Albergue das Greanças Abandonadas. As- 
sociação de caridade, com o fim de arrancar aos 
perigos da vadiagem e do vicio as pobres crean- 
ças abandonadas na via publica, obrigadas pela 
miséria ou pelos poucos cuidados de seus pães. A 
idéa d'esta benéfica instituição foi suggerida 
pela caridade d'um agente da policia adminis- 
trativa, chamado Joaquim Augusto d*Andrade, o 
qual, compungido pela miséria e abandono cm 
que encontrava algumas crcancinhas, as abri- 
gava em sua casa, entregando-as aos cuidados 
de sua mulher, que as tratava com os carinhos e 
desvelos d*uma verdadeira mãe. Andrade, ape- 
sar dos seus poucos haveres, sacrificava-se para 
não faltar com o estrictamente necessário áquel- 
les infelizes entesinhos. Este acto de philantro- 
pia foi conhecido do publico, que sinceramente 
tecia os maiores elogios ao generoso policia, e 
algumas pessoas bondosas lembraram-se de o au- 
xiliar em tão santa empreza, enviando-lhe alguns 
soccorros. Os empregados superiores da policia 
e a imprensa periódica tomaram na devida con- 
sideração o procedimento tão sympathico e al- 
truísta do policia Andrade, e, em fins de feve- 
reiro de 1897, os jornaes começaram a publicar 
interessantes artigos acerca d^aquella improvi- 

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sada crrche, lembrando a instituiyrio (Vuin alber- 
gue para so recolherem as creanças abandona- 
das, dando assim maior desenvolvimento áqnella 
obra de caridade, e alliviando o benemérito po- 
licia do pesado encargo que a si próprio impo- 
zera. Nilo foi em vão que a imprensa appellou 
para o publico, porque de toda a Lisboa princi- 
piaram a concorrer aonativos, tanto em dinheiro, 
como em roupas e muitos outros objectos. Ape- 
nas apparcceram os primeiros artigos nos jor- 
naes, o sr. Sousa Bastos, entuo emprezario do 
theatro da Trindade, franqueou o salão para se 
reunirem alguns individuos que se constituíram 
cm commissâo para tratarem sobre o assumpto. 
Foram os seguintes cavalheiros : Alexandre Mor- 
gado, dr. Alfredo da Cunha, António Falhares, 
Augusto Gomes Ferreira, Baptista Borges, Car- 
los Ferreira, Eduardo de Noronha, Francisco de 
Almeida Grandella, João António de Sousa Amo- 
rim, João Dias da Silva, José António de Moraes 
Sarmento, José Joaquim da Silva Graça, dr. José 
Manuel da Veiga, José Maria dos Santos Júnior. 
Marquez d'Angeja e Sousa Bastos. Asscntaram-se 
então as bases da instituição do Albergue, e tra- 
tou-se de formular os estatutos. E' longa a lista 
dos sócios contribuintes que desde logo se come- 
çaram a inscrever espontaneamente, com mensa- 
lidades maiores ou menores. Abriram-se subscri- 
peòes particulares, aíHuiram oftertas de muitos 
oujectos para se venderem a favor da instituição, 
donativos importantes, camas, roupas, louças, ctc. 
Fizcram-se bazares, benefícios em diversos thea- 
tros, touradas, batalha de flores na Avenida da 
Liberdade, saraus, bailes de mascaras, etc. Uma 
das festas mais sympathicas foi o sarau dramá- 
tico musical, promovido pelo sr. Sousa Bastos, o 
qual se realisou a 12 de fevereiro de 1897. As 
creanças albergadas em casa do policia Andrade 
apresentaram-se no palco, formando grupos, agra- 
decendo commovidas tão sinceras e benevolentes 
manifestações. Por iniciativa da ex."* sr." D. Ma- 
ria Emilia Seabra de Castro, collocou-se no chalet 
das Cannas, no Campo Grande, um cofre que 
tem obtido muitas esmolas. O fallecido conde de 
S. Marçal, que foi sempre protector do Albergue, 
deixou-lhe em testamento um valioso legado ; do 
Brazil também se recebeu uma subscripção. Os 
estatutos foram approvados pelo governador ci- 
vil, que n*essa época era o sr. D. João d' Alarcão, 
por alvará passado em 19 de fevereiro de 1897. 
N'elle8 se lê que a benemérita casa de caridade 
tomaria o nome de Albergue das Creanças Aban- 
donadas, tendo por fim alimentar e vestir tempo- 
rariamente, nas condições regulamentares que 
se estabelecessem, as creanças dos dois sexos, de 1 
a 12 annos, que momentaneamente se encontrem 
em absoluto desamparo, sendo orphãos de pae e 
mãe, abandonadas pelos pães ou tutores ; crean- 
ças pobres vindas da província á capital para 
serem tratadas nos hospitaes a expensas do Es- 
tado, c que transitam pelas repartições da poli- 
cia, esperando guias para voltarem ás terras da 
sua naturalidade. As creanças só podem conser- 
var-se no Albergue até completarem lõ annos. 
Na rua de Santo Amaro n.° 40 foi onde se ins- 
tallou o benéfico instituto, procedendo-se a re- 
parações necessárias, que o sr. D. João d'Alarcão, 
sempre desvelado protector das casas caritati- 
vas, conseguiu que fossem feitas pelo ministério 
das obras publicas ; era então ministro o sr. con- 

124 



selheiro Augusto José da Cunha. A inauguração 
realisou-se em 15 de maio de 1897. Foi uma festa 
brilhante, a que assistiram suas magestades e al- 
tezas, o ministério, o governador civil, arcebispo 
de Mytelene, o presidente da camará municipal, 
muitas senhoras da alta aristocracia, os corpos 
gerentes da associação do Albergue, c muitos 
mais convidados. A sessão inaugural realisou-so 
com toda a solemnidade no jardim do edifício, 
pelas 4 horas da tarde. No jardim armou-se uma 
tribuna elegantemente ornamentada; as salas 
viam-sc profusamente ornadas de flores. Toca- 
ram as bandas da guarda municipal e de infan- 
taria 7. As janellas para o lado do jardim esta- 
vam adornadas de ricas colchas, produzindo ma- 
gnifico eÔ*eito. O auto da inauguração foi as- 
signado por todas pessoas presentes. Depois 
serviu-se na sala de jantar uma abundante re- 
feição ás creanças. No dia seguinte esteve patente 
ao publico o caritativo instituto. O Albergue não 
é luxuoso, mas na sua modéstia e simplicidade 
corresponde ao fim a que se destina; as suas ca- 
maratas são espaçosas, muito arejadas, tendo os 
competentes lavatórios, notando-se em tudo o 
maior aceio. Tem capella, cozinha, refeitório, e 
muitas outras commodidades. O jardim serve de 
recreio e distracção ás creanças. 

Albergue dos Inválidos do Trabalho. Insti- 
tuição feita cm memoria do chorado monarcha 
I). Pedro V. Depois da sua morte, pensou-se em 
erguer um monumento á saudosa sua memoria, c 
Joaquim Possidonio da Silva, distincto arcliitc- 
cto, foi o primeiro que lembrou a installação do 
Albergue dos Inválidos do Trabalho. Esto pen- 
samento era deveras sympathico, mas para se 
erguer um monumento (Í'esta ordem seriam pre- 
cisos muitos recursos. A primitiva idéa de Possi- 
donio da Silva foi a fundação d'um albergue para 
inválidos do trabalho de todo o paiz, aproveitan- 
do-se para a sua installação o grandioso con- 
vento d' Alcobaça. í>guendo-se um grande monu- 
mento nacional aos filhos do trabalho, aproveita- 
va-se aquelle cdificio, prestes a arruinar-sc, 
n'uma obra altamente nobre e benemérita. Não 
podendo realisar o seu pensamento, Possidonio 
da Silva elaborou um projecto de estatutos para 
a creação d'um albergue na capital, e mandou-o 
ao Centro Promotor dos Melhoramentos das 
Classes Laboriosas, afim d3 ser discutido por 
todas as associações que para alli fôssem convo- 
cadas a reunir-se em sessão. Possidonio da Silva 
desejava que o monumento se levantasse em 
nome de todas as associações operarias. A reu- 
nião realisou-se em 19 de dezembro de 18C1, na 
sala do risco do Arsenal da Marinha, á qual as- 
sistiram 1:2()<) pessoas. Pronunciaram-se mnitoA 
discursos, e nomeou-se uma commissâo de GO 
membros para o estudo de diversos projectos, 
entre elles se contava o do Albergue e o de um 
asylo para educação dos filhos dos marinheiros. 
Mezes depois reuniu-se novamente a assembléa, 
comparecendo apenas 45 pessoas. Apresenta- 
ram-se pareceres sobre 7 projectos examinados 
pela commissâo, declarando-se impossível fim- 
dar-se o Albergue dos Inválidos do Trabalho, 
o approvando-se o projecto d'um hospital para 
creanças, aproveitando-se o de D. Estephania, 
que fora começado por donativos dos negocian- 
tes da praça de Lisboa, para commcmorar o ca- 
samento de* D. Pedro V. Lembrou-sc então Pos- 



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sidónio da Silva que se fundasse o hospital 
para o lado do poente, mas a sua idéa fixa era 
o Albergue. O Centro Promotor convocou os de- 
legados do diversas associações, que se reuni- 
ram em numero de oitenta. Os seus nomes estão 
cscriptos n'um quadro nas salas do Albergue. A 
primeira reunião realisou-se a 18 de março de 
18G2 ; n'ella se discutiram as bases que já se ha- 
viam apresentado na sessão precedente do Cen- 
tro Promotor. Os estatutos approvaram-se, afinal, 
na assembléa dos delegados, a 21 de julho de 
1863, porém só obtiveram a sancção régia por 
decreto de 7 de novembro de 1866, pelos emba- 
raços postos pelo Conselho de Beneficência, e 
mais difficuldades que sobrevieram, o que deu 
causa a que, sendo apresentados os estatutos ao 
governo em 1863, o decreto de approvação fosse 
passado em 1866. Eram precisos capitães para 
se construir o Albergue; nomeou-se uma com- 
missão, composta dos seguintes cavalheiros ; Pos- 
sidónio da Silva, J. V. da Cunha Sargedas, José 
de S. Ahneida Brandão, J. J. de Sousa Telles, 
Brito Aranha, J. António Dias e Bento Guilher- 
me Bacellar e Silva. A commissuo, por lembrança 
de Possidonio da Silva, resolveu procurar adqui- 
rir recursos por meio de benefícios nos jardins 
públicos e nos theatros, subscripçõcs, esmolas, 
etc. Com este alvitre alcançou-se receita para se 
abrir aquella casa de caridade. Rcccberam-se 
então muitos e valiosos donativos. O Albergue 
estabeleceu-se á Fonte Santa, na rua hoje de 
Possidonio da Silva, em memoria do fundador ; 
a renda d*esta casa foi paga por um anno pelo 
sr. duque de Palmella; as sr.*' condessas de Yalle 
de Reis e das Galveias, e os srs. marquezes de 
Penafiel offereceram roupas para as camas; mui- 
tos industriaes fízeram oifertas importantes, etc. 
Um dos meios de que se lembrou o fundador, 
para obter recursos para o Albergue, foi mandar 
imprimir á sua custa 6:000 listas, com 10 casas 
cada uma, correspondentes á subscripçâo por 
uma só vez, de 2(X) réis. A totalidade a*esta su- 
bscripçâo daria um resultado de 12 coutos de 
réis. Era um meio fácil de obter uma quantia 
importante para fundar um asylo. Enviaram-se 
aquellas listas a diversas associações do paiz, 
esperando-se que concorressem para tão útil es- 
tabelecimento. Mas o resultado foi bem triste, 
porque só 4 associações é que responderam, en- 
viando insignificantes quantias, e depois de já ter 
passado um anno. Dizia-se que o Albergue não 
BC podia sustentar, e fazia mal aos outros asylos 
da capital, pela concorrência. Em 1 de julho de 
1864 abriu-se aquelle instituto de caridade, com 
6 albergados. Foi uma festa solcmue. Quatro an- 
nos depois sustentava 21 veteranos do trabalho. 
Os estatutos teem sofirido varias reformas, se- 

fundo as necessidades e os recursos que o Al- 
ergue tem grangeado. Pelos antigos estatutos 
o presidente da assembléa geral era o presidente 
do Centro Promotor dos Melnoramentos das Clas- 
ses Laboriosas, mas quando o Centro Promotor 
foi extincto, ficou esta disposição derogada. Para 
ser admittido no Albergue, devia atteuder-se ás 
seguintes condições : falta absoluta de familia, o 
ter sido subscriptor, tendo perdido esta qualidade 
por falta de meios, ter exercido qualquer arte ou 
officio, e os serviços prestados a qualquer asso- 
ciação. As primeiras senhoras que pediram esmo- 
las ás portas dos templos nas festas da semana 

TOL. I — FL. 16 



Santa, foram as filhas do fundador, assim como 
são também seus filhos os srs. Lucinio da Silva, 
l.*> subscriptor, e Ernesto da Silva, actual presi- 
dente da direcção. Em 1 de maio de 1868 foi 
inaugurado na sala do Albergue o retrato de Sua 
Magestade a rainha senhora D. Maria Pia, e na 
sessão solemne de 1 de julho de 1894, o busto do 
fundador, feito pelo distincto esculptor Marquit 
de Vasselot. O edificio é hoje propriedade do Al- 
bergue ; compõe-se de 2 pavimentos, e fica den- 
tro d*uns terrenos bastante extensos com jardim, 
terras de semeadura, parreiras, etc., e tem agua 
com abundância. No l."" pavimento ha a sala da 
direcção, onde se vê o busto de D. Pedro V, ten- 
do em frente o retrato da rainha senhora D. Ma- 
ria Pia, e inferiormente um quadro de moldura 
doui'ada, onde estão escriptos os nomes de to- 
dos os bemfeitores do Albergue; segue-se o re- 
feitório, uma sala vastíssima, tendo ao centro 
uma comprida mesa em forma de ferradura ; ao 
fundo vé-se o busto do fundador, Joaquim Pos- 
sidonio da Silva, e os retratos do sr. António Joa- 
quim Oliveira, secretario, e do bemfeitor sr. Es- 
tevam de Sousa; em volta da sala ha 27 quadros 
com os nomes de muitas pessoas que teem oÔe- 
recido donativos. N'uma placa de mármore tam- 
bém se vêem gravados os nomes das pessoas que 
deixaram legados ao Albergue. A cozinha foi 
construída de novo; é muito mais ampla que a 
antiga, tem fogão circular, e despensa annexa ; 
foi inaugurada em julho de 1902. Casas de ba- 
nhos, lavatórios, e muitas commodidades. A en- 
fermaria fica u*um annexo, próximo do edifício ; 
foi feita ha 5 annos, tem 14 camas, um quarto 
resguardado para qualquer doente atacado do 
febre contagiosa ou que precise sujeitar-se a 
qualquer operação. Projecta-se edificar um posto 
de desinfecção n'um terreno que lhe fica em 
frente. N'outro annexo ha uma camarata- com 
19 camas, destinada para os velhinhos que já 
não podem subir ao 2.* pavimento onde ha 
3 camaratas; contendo a 1.* 21 camas, e 6 ja- 
nellas para o norte; a 2." 11 camas, e 4 ja- 
nellas voltadas para o sul; e a 3." 8 camas, c 
3 janellas. Também n'este pavimento ha uuia 
casa para arrecadação de roupas, o quarto do re- 
gente, e o do encarregado dos trabalhos de al- 
faiateria. O medico é o sr. Carlos Moniz Tava- 
res, sempre muito dedicado e tratando os doentes 
com todo o carinho ; não recebe honorários. O 
Albergue vive dos seus rendimentos, tem eousti- 
tuido um fundo importante, devido aos muitos 
donativos, legados valiosos c á boa administra- 
ção e direcção. Em julho de 1901 festejou-se o 
37.** anniversario do Albergue, havendo sessão 
solemne, que começou ás 2 horas da tarde, sendo 
presidida pelo sr. Sousa Telles. O edificio esteve 
patente ao publico, sendo enorme a concorrên- 
cia. O jantar n'esse dia aos albergados foi ser- 
vido por senhoras das famílias dos directores. 
Toda a imprensa publicou artigos congratulato- 
rios por aquella s}Tnpathica festa. 

Albergue Nocturno. Esta benéfica associação 
foi fundada em Lisboa, pelo fallecido monarcha 
D. Luiz, em 1881. No dia 26 de junho doeste anno, 
reuniram-se no Ministério do Reino os primeiros 
associados, que tomaram o nome de fundadores, 
presidindo el-rei D. Luiz, secretariado pelo vis- 
conde de Ribeiro da Silva e o sr. José Ribeiro da 
Cunha. Fez-se a leitura dos estatutos, que tinham 

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sido approvados pelo alvará de 21 do referido incz, 
assigDado pelo govcruador civil de então, An- 
tónio Maria Barreiros Arrobas. El-rei deu por 
constituída e installada a associação, que tomou o 
titulo de Associação dos Albergues Nocturnos, con- 
forme se lô nos estatutos. Nomearam-se os mem- 
bros da assembléa geral e d'outros cargos, ficando 
el-rei D. Luiz considerado presidente perpetuo, 
cargo que actualmente está coniiado a 8. M. el-rei 
senhor D. Carlos. O fim dos albergues nocturnos 
era dar asylo gratuito e temporário durante a noite 
a toda a pessoa necessitada que casualmente nSo 
tenha domicilio, seja qual fôr o sexo a que per- 
tença, o paiz d'onde venha, e a religião que pro- 
fesse ; promover remédio prompto, segundo os 
recursos de que puder dispor, ás necessidades 
mais urgentes dos que lhe pedirem abrigo nos 
termos do respectivo regulamento. Nos estatutos 
também se lê que seria estabelecido um alber- 
gue em cada um dos bairros de Lisboa, sendo 
administrados por um conselho administrativo, 
composto de sete associados, um inspector para 
regular a policia interna, vigiar os empregados 
no cumprimento dos seus deveres, organisar o in- 
ventario de toíios os moveis e utensilios que exis- 
tirem, tornando-se responsável pela sua conser- 
vação, etc. O 1.** albergue foi installado no palácio 
Manique, no largo do Intendente, sendo inaugu- 
rado em 13 de novembro de 1881, pelas 2 horas 
da tarde, om sessão solemne, a que assistiram 
Suas Magestades e Altezas, o presidente do conse- 
lho, o ministério, o ministro do Brazil, o arcebispo 
de Mytelene, o commandante das guardas muni- 
cipaes, os primeiros funccionarios ecclesiasticos, 
civis e militares, a camará municipal, a imprensa, 
os associados fundadores e todas as pessoas que 
directa ou indirectamente haviam concorrido para 
a instituição d*esta obra caritativa. Terminada a 
sessão, o albergue ficou patente ao publico até ás 
õ horas da tarde. O larço do Intendente estava 
todo adornado com bandeiras, fiammulas e galhar- 
detes, pendentes de elegantes mastros, postos em 
circulo ; tocaram as bandas da guarda municipal 
e de infantaria 16, e difierentes philarmouicas- 
A sessão foi presidida por el-rei D. Luiz, servindo 
de secretários o sr. conde de Valenças e Fran- 
cisco Augusto Mendes Monteiro. As salas do pa- 
lácio Manique são espaçosas e muito arejadas, 
tendo todas as condições requeridas para um es- 
tabelecimento onde a accumulação de pessoas 
pôde prejudicar a salubridade. Nos 2 pavimentos 
contavam-se 6õ camas completas, oistribuidas 
cm 3 camaratas separadas, sendo uma para ho- 
mens, uma para mulheres, e a outra para crcan- j 
yas ; lavatórios, casa para banhos, etc. O auto da ! 
inauguração foi assignado por Suas Magestades e | 
Altezas, direcção, arcebispo de Mytelcne, associa- i 
dos fundadores, e todas as mais pessoas que assis- 
tiram ao acto solemne. As bandas tocaram então 1 
o hymno dos Albergues Nocturnos, escripto por 
Frondoni. O numero ae associados que em seguida i 
entraram foi augmentando progressivamente, | 
chegando já a attingir por vezes aGOO, incluindo ; 
os fundadores, dos quaes alguns já hoje são falle- 
eidos. A importância com que se subscrevia era | 
voluntária, assim como tinham concorrido os asso- | 
ciados fundadores, em numero de 104, cujas sub- i 
scriprues foram bastantes elevadas, sonunando ' 
na totalidade 27.9S<)^(KM) róis. El-rei I). Luiz ! 
contribuiu com 2.0<X)i50tH) reis. O conselho admi- | 

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nistrativo promoveu um beneficio, que se realisoa 
no 1." d'abril de 1883, rendendo 1.ÍKX>*(XX> réis, 
e em 10 de março de 1884 realisou-se outro be- 
neficio em S. Carlos, promovido por D. Luiz, o 
qual produziu 7:107Íõlõ róis. O albergue tem 
tido muitos donativos valiosos e legados impor- 
tantes. Em assembléa geral de 1888 foi votada a 
creação d'uma escola de ensino primário, cods- 
truindo-se um edifício próprio, que se fornecesse 
de mobiliário, de material de ensino, procnraQ- 
do-se um professor auctorisado. A escola deveria 
ter o caracter de semi-intemato, realisando-sc 
doeste modo o plano do monarcha fundador, qnc 
era os alumnos conservarem-se todo o dia no al- 
bergue, para assim se livrarem da vida da rua, 
cujos efieitos são sempre perniciosos, entrando 
os menores ás i) horas da manhã, jantando ao meio 
dia, e sahindo próximo da noite. Detenninoa-se 
então receber-se só 40 creanças de 8 a 12 aonos, 
reconhecidamente pobres, preferindo-se os filhos 
de operários inutilisados no trabalho. Em 1890 
mudou-se o albergue do largo do Intendente para 
a rua da Cruz dos Poy aes para edificio próprio, pro- 
priedade comprada pela associação, e onde se 
conserva actualmente. Nos outros bairros não se 
chegou a instituir nenhum albergue. A escola foi 
inaugurada a 6 de janeiro de 1898. A matricula 
tinha sido aberta em 15 de setembro de de 1897, 
e subindo em pouco tempo a 71 o numero dos ma- 
triculados, teve de se escolher somente 40 d*esse 
numero, conforme ordenava o programma. A es- 
cola ficou installada n*um edificio contíguo ao al- 
bergue; actualmente é só de ensino primário c 
desenho, devendo mais tarde habilitar-se também 
para o estudo de ofiicios e artes, sendo destinado 
o grande pateo, pertencente á propriedade, para 
as ofiícinas de trabalho que se projectam. Este 
pateo serve de recreio aos alumnos que executam 
egnalmente os exercícios gymnasticos e militares; 
para os resguardar do sol e da chuva fez-se uma 
alpendrada ao longo da casa. O acto da inaugura- 
ção da escola foi uma verdadeira festa para o al- 
Dergue ; concorreram muitos associados, senhoras 
das suas famílias, muitos convidados, os alumnos, 
suas mães, parentes ou tutores, e numerosos visi- 
tantes. O edifício apresentava um aspecto de gala; 
no pateo tocava a banda da guarda municipal. 
Tenninada a cerimonia, as senhoras serviram ás 
creanças um abundante e variado jantar, sendo 
esta a primeira das suas refeições no albergue. 
O edificio tem dois pavimentos ; no 1." (térreo) 
está o donni tório dos homens, dividido em cama- 
ratas, com os competentes lavatórios, piscina para 
banhos, etc, no z.° pavimento, que forma o pri- 
meiro andar, tem cguaes accommodaçÒes destina- 
das para mulheres e creanças. A sala da direcção 
fica n'este pavimento, junto ás camaratas. Vêcm-sc 
alli 3 retratos a óleo; o d'el-rei D. Luiz c o dos 
dois presidentes tambom já fallecidos : Francisco 
Augusto Mendes Monteiro e José Pereira Soares. 
Por baixo do retrato d'el-rei está um quadro de 
moldura dourada, onde se lé a seguinte inscripção : 
Luflorict.18 jutmine prtmus, feliciíer regtians,jrran- 
tantibus viris jftvanfibitSy hoc inum opus efftcitj 
pauperilusquc dcdit, anno MDCCCLXXXJ, regni 
8ui XX. O Albergue Nocturno presta os seguintes 
benefícios : agasalho aos necessitados, a alguus 
cm grande escala, chegando a haver excepções, 
cm que se altera o numero de noites estabelecido 
nos estatutos, segun lo as urgentes necessidades ; 



ALli 



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dú ceia c almoço, u aos mais precisados, também 
se diio roupas. O numero d'albergados durante o 
anuo é sempre elevadissimo, como consta dos re- 
latórios. As mulheres parturientes, vindo do hos- 
pital, recebem o abrigo e os cuidados de que pre- 
cisam, DO albergue nocturno. Alguns albergados 
extrangeiros siU) soccorridos, promovendo-se-lhes 
a retirada para as terras da sua naturalidade. 

Albergues. Pov. da freg. de Villa Nova de Pa- 
lhaça, cone. de Oliveira do Bairro, distr. d' Avei- 
ro, bisp. de Coimbra. 

Alberguinho. Casal na freg. de Valle de Reis, 
cone, d' Alcácer do Sal, distr. de Lisboa. 

Albemage. Ponte ou cabo na costa septcn- 
trional da ilha das Flores, arcliip. dos Açores. 

Albemaz. Appellido nobre de Portugal, de 
cuja familia ha noticia apenas do século xiv. O 
seu primeiro representante conhecido foi Mar- 
tim Afibnso Albemaz, no tempo de D. Fernan- 
do I, o qual, em 1378, fundou um morgado que 
vinculou á capella de Santo Estacio, na sé de 
Ijisboa. Tem o seguinte brazâo : Armas esquar- 
teladas; no primeiro quartel em campo azul um 
ramo de carapeteiro de prata de sete folhas ou 
pontas ; no segundo em campo de prata um ramo 
de azul como o do primeiro, e assim os contrá- 
rios; timbre um carapeteiro azul, florido de prata. 

AlbemAa ou Albemúa. Pov. e freg. da prov. 
do Alemtcjo, cone, com., distr. e bisp. de Beja. 
1.189 abn. e 221 fog. Tem escola do sexo masc. A 
pov. dista 20 k. da sede do cone. Orago N. S." da 
Luz. Deriva Albernôa da palavra árabe barrdnaua, 
que significa campo do caroço, composta do artigo 
ai, e dos substantivos berr, campo, e naua, ca- 
roço. 

Albemóas Brancas. Albemóas Pretas. 
Duas pov." na freg. de Baleizâo, cone. de Beja. 

Albemoz. Appellido de familia nobre portu- 
gueza, originaria de Hespanha, de Aragão, se- 
cundo uns, de Castella Velha, segundo outros. 
Tem dois brazões d'armas incompletos : Em cam- 
po de ouro, banda verde; em campo de ouro, 
Danda de prata. 

Albemoz (Luiz Migvd Coelho de). Presbytero 
portuguez, prior da freg. de S. Bartholomeu de 
Lisboa, no século xviii. Escreveu um livro com o 
seguinte titulo: Memorial de ritos, para mais fá- 
cil c perfeita execução dos officios divinos. Lisboa, 
1777. Houve outra edição, publicada no sécu- 
lo XIX, já depois do fallecimento do auctor. 

Alberto (Caetano). Presbytero portuguez, nat. 
de Lisboa, que floresceu no século xviii. Tradu- 
ziu do hespanhol a obra mystica : Convento espi- 
ritual ou escola da perfeii;ào christã, que foi im- 
pressa em 1737. 

Alberto (Francisco de Souto). Missionário apos- 
tólico e mestre dos noviços no seminário de N. 
tí.' dos Anjos de Branc'Annes, junto a Setúbal ; flo- 
resceu no século xviii, e era nat. de Leiria. Es- 
creveu : Estrabo do Terramoto, vaticinio de feli- 
cidades sobre os habitadores da nobilissima villa 
de Setufjal, na justificada afflicção em que se vi- 
ram no 1.^ de novembro de Í7õõ. Lisboa, 1757. 

Alberto fSanto). Um dos maiores galeões ou 
naus da carreira da índia, nos fins do século xvi. 
Os grandes navios, então na maior parte, condu- 
ziam soldados para aí^uelles estados, além de al- 
guns géneros do reino, voltando algumas vezes 
com grandes cargas de rotim, arroz, pimenta, ca- 
nclla, e todas as mais especiarias e riquezas, de 



que Portugal tinha quasi o exclusivo. Os portu- 
guczes eram os fornecedores da Europa, e Lisboa 
ainda então o empório do commercio. Muitos (Vv.a- 
tes navios, ao regressarem da índia, eram ataca- 
dos pelos piratas hollandezcs e iuglezes, que fa- 
cilmente os venciam, porque os navios não con- 
tando com o combate, só attendiam á carregação. 
Outros naufragavam, ou por excesso de carga, ou 
por já estarem arruinados, e não poderem arros- 
tar com 08 temporaes. A nau Santo Alberto fez 
a sua ultima viagem para a índia em 1592, como 
capitanea da esquadra que n*esse anno se com- 
poz de 5 naus: Nazareth, S. Paulo, Conceição, 
S. Pantaleão e Santo Alberto, em que embarcou 
o chefe Francisco de Mello..Sahira àe Lisboa a 
7 de abril de 1592, chegando á índia no fim de 
setembro do mesmo anno. Em 2 de janeiro de 
1593 largou de Cochim com destino ao reino, 
commandada por Julião de Faria Cerveira, mas 
encorporada na esquadra da volta, composta mais 
com as naus Nazareth, S. Pantaleão e outra, que 
fora alli ultimamente construída, denominada 
Chagas, em que o mesmo chefe Francisco de 
Mello içara a bandeira. A nau Santo Alberto tra- 
zia grandes riquezas, vindo também a seu bordo 
muitos fidalgos e passageiros de consideração, 
entre os quaes Nuno Velho Pereira, que fora go- 
vernador de Sofala. Até ás alturas de S. Lou- 
renço ou Madagáscar, a viagem foi muito regu- 
lar, mas passanao próximo da ponta do sul doesta 
ilha, a nau tocou em uma restinga ou pedra, e a 
pancada foi tão forte, que o gurupés se rendeu, 
e apesar dos esforços para salvar a nau, só a 
custo de muito trabalho conseguiram arrastal-a, 
por assim dizer, até á costa do Natal., em 24 de 
março; a nau encalhou na distancia de 4(X) pas- 
sos da costa ou praia, onde a resaca rebentava 
furiosa ; como já estava muito arruinada, a nau 
partiu-se em pedaços, e os pobres náufragos 
desesperados, agarraram-se a esses pedaços con- 
forme puderam, procurando aquelle frágil meio 
de salvação. Muitos succumbiram, ficando sepul- 
tados nas ondas, outros mais felizes conseguiram 
alcançar a terra, podendo assim salvar íis vidas. 
Seguiram então atravez das florestas, cm di- 
recção a Lourenço Marques, chegando afinal, em 
30 de junho de 1593, á ilha de Inhaca na baliia 
de Lourenço Marques. Depois de soffrerem mil 
perigos e inclemências do clima e dos naturaes, 
os que resistiram embarcaram em 9 de julho 
n*um navio, que os levou a Moçíimbique, onde 
aportaram a G d'agosto. 

Alberto da Silva (Caetano). Gravador dis- 
tincto. Nasceu em Lisboa a 7 d'agosto de 1843; 
filho de José Unibelino da Silva, advogado, e de 
D. Gertrudes Magna da Silva. Ficando orphão do 
pae aos 6 annos, sua mãe o quiz dedi(!ar á vida 
ecclesiastica; circumstancias imprevistas, porém, 
o obrigaram a seguir outra carreira, e tendo, ape- 
nas 12 annos de edade, em 1855, resolveu partir 
para o Brazil, embarcando na barca Progressista,, 
pertencente a seu tio Paulo António da Rocha. 
No Rio de Janeiro esteve então empregado na 
casa italiana de Fiorita & Tavollara, onde se de- 
morou até 1859. Regressou ao reino, n'essa época, 
n'um brigue de vela ; a viagem foi tormentosa e 
muito longa; afinal conseguiu chegar a Lisboa. 
Travando então conhecimento com o notável e 
fallecido artista Nogueira da Silva, deu-se á 
aprendizagem da gravura, para que mostrou de- 

127 



ALB 




.^,. .oiiiou so tilo hábil 
" . .>»'l ;i|i|»;ir«M'(;rain no 
, .o i»MiiK'inw trahíillios th: 
V iisn.tJo lia |MTSfiV<íranoa c 
., .»» i\ lisuui OH lí.Mpíritos tm- 
, »...4:t»» \U»rrto» c.oiitarjrJo só l-^ 
, . «. 1,1 ii.ihallio a-SHÍduo. s«rin DUD- 
. .il^uiii MiiunH depois, ein 1^01^. 
... I w.i- lio i^raviira, coucc-iitrando 
.. iiUii\M.s II lioa vontade para fazier 
:k v,i.ivnra oní madeira, no nossO paiz. 
,■.!.. u» imfavid " proífresniva. E^tc- atdUr 
tornou-seiuna es- 
cola muito útil e 
aproveitável : o 
numero de disei- 
pulos aufnnenta- 
va. dando honra 
ao seu director 
(í professor: a 
maior parte d'es- 
ses discípulos 
constituem hoje 
alguns dos ;^rava- 
dore» íjne exis- 
tem- Os trabalhos 
de Caetano Al- 
berto andam dis- 
seminados por 
d iffe rentes jiubli- 
caí;ôes: alem do 
(ímhUuo Alberto ffk .Sllta Archiff piitorOí- 

roj vémo-los nas 
Arh-H I- iMtrtiH^ no IlyHHOjuij LuziatlnH^K-Au^^o do ga- 
liiiiete portuguez d«- leitura no Rio de Janeiro, na 
lUniorta dK Portitr/alj da Empreza Litteraria. de 
Ij^iboa, e na lliêioria Unia:rsal, ria Empreza Lit- 
teraria Huminense. Em 1>>78, fundou o Occidint^j 
revista illustrada importantis^ima. bem conlie- 
lida em todo o Portugal e suas colónias, c no es- 
trangeiro, sendo na parte litteraria collaborada 
pelos mais afamados eseriptores. Tanto o Occi- 
tlitntf., como os trabalhos de Caetano Alberto, 
te<-m figurado em diversas exposi«;òes, na<:io- 
naes c estrangeiras, obtendo premio no l*or- 
to, em 1«77, em Paris 1878 e líi<H), Lisboa 
1888, Anvers 1804, e o grande diploma de Honra 
na líxposieao da Imprensa em Lisboa, 1898. Em 
outubro de 1807 foi agratíiado com o grau de ca- 
valb-iro «le S. Thiago, do mérito scicntifico, ar- 
tístico <; littrrario. Escreveu alím da sua varia- 
da <;ollaboraí;ao no Occidentc, o Descobrimento 
dan FUippiwis^ A campanha (TAfrk-ay do Mousi- 
nho d^Albuquerfiuc; tem editado algumas obras, e 
ultirruimeute o IHccionario das sei» línf/nos, por 
Francisco d'Almeida. 

Albes de Baixo e de Cima. Duas pov* na 
freg. do Valle de Jlcis, cone. d' Alcácer do Sal, 
distr. de Lisboa. 

Alblrcoque. Pov. da freg. de SanfAnna da 
Srrra, cone. d'Ourique, distr. dt; Beja. 

Albitos. Quinta, na freg. de Santa Marinha 
do Zezííre, cone. e com. dr* IJaião, distr. e bisp. 
do J*orto. 

Albogas ou Alvogas. Sitio na freg. c cone. 
dv. Loures, onde ha um chafariz feito em 1794. 
Alboja. Herdade- na freg. de S. Bento do 
.Vmei.xial, cone. de Extremoz, distr. e arceb. de 
Évora. 
Alborcém. Pov. do torofo d'cste nome, no con- 
*.■ 
PJ8 



C','lho •: fomniin io militar de Sau^^-m. ditir. de 
Góa. na índia. 

Albordo. AMela da prov. da Beira Baixa. 
cone. e com. da Guarda. Xa-cru ^'esta aldeia, 
em 1^45. um pl^nom»:no. íVlicíano da As>um- 
p';ão. conli'.*:ido prlo iH^uiho 6'.rfi trj«/víf ttrm prr- 
ua«. porfjue nâo tinha nem o$ mais poqutrnos ves- 
ti gioí dV-rtes membros. Esorevia. collocando a 
penua entre os dt.-ni.:"?. e fazia Ktra mnito legí- 
vel. Viajou por muitas tidadefj de Portugal t do 
e?trang':iro. em exposição, sempre ao eollo d».- 
sua màe. cuja exposição lhe constituiu uma boa 
fonte de rvC-.-ita. Tinlia exeellente memoria, lia 
b*.-m. ir era atilado. Morreu em 1>73. aos 31 an- 
nos de edade. na me.=ma aldeia onde nascera. 

Alboritel. Pov. da freg. de Ceissa. cone. de 
Villa Nova de r^urem. distr. de Santarém. 
Albornoz. íV- AUptíThoz. 
Albornoz í" Francisco Pa^s dty. Vedor da fa- 
zenda da Índia, e cavalleiro da ordem de Christo. 
Era nat. de Vizeu. filho de António Rodrigues 
d' Albornoz. Tinha uma íilha. D. Melicia Paes, 
que casou com o capitão-mór da armada do es- 
tado, Fradique Carneiro, que depois foi ser\-ir 
na índia. E»te fiiialgo militou contra a sua pá- 
tria, na armada do marquez de Santa Cruz, en- 
carregado de reduzir os Açores á obediência de 
D. Filippe de Hespanha, quando os hespanhoes 
se apoderaram de Portugal. . 

Alborreirinhas. Casal na freg. de Salvador 
do Souto, cone. de Guimarães. 

Alborrol. Pov. da freg. de Villa Flor, cone. de 
Gavião. 

Albufeira. Familia illustre portugueza. de 
origem ileseonhecida. Brazão: Escudo esquarte- 
lado ; no primeiro quartel as armas dos Sousas 
do Prado, quartel esquartelado: no primeiro 
((uartel as quinas do reino, sem a orla dos Cas- 
tellos; no segundo quartel, em campo de prata, 
um leito sanguiuho, c assim os contrários ; no se- 
gundo quartel as armas dos Vasconcellos, em 
campo negro três faxas veiradas de prata o ver- 
melho, sendo a prata da parte de cima, e a ver- 
melha de baixo; no terceiro quartel as armas 
dos Farias, em campo vermelho um castello de 
prata, com portas e frestas de negro entre duas 
Hòres de liz do mesmo metal, e três em cUefe ; 
no ípiarto quartel as anuas dos Sás: escudo xa- 
drezado ile prata e azul de seis peças cm faxa o 
sete em pala. 

Albufeira. Villa da prov. do Algarve, sede de 
cone, e julgado municipal, com. de Loulé, distr. 
de Faro, bisp. do Algarve. 
Tem uma só freguezia (Nossa 
Senhora da Conceição) com 
5.784 alm. e 1272 fog. E' praça 
de guerra da 2." classe e per- 
tence íi 1.* div. mil. e ao 32." 
distr. de res. do exercito effe- 
ctivo com a sede em Lagos. 
Possue Misericórdia, ho.spital, 
grémio recreativo denomina- 
do Albufeirense, escolas para 
o se.\o masc. e fem., est. tc- 
legr. c posto com serviço de 
emissão e pagamento do vales 
do correio c telegraphicos, cobrança de reci- 
bos, líítras e serviço de enconnueudas postaes, 
permutando malas com Faro. Estação do cami- 
nho de ferro «lo Algarve. Dista 2') kilometro> 




Brazilo da villa do 
Albufeira 



ALIÍ 



xVLB 



da S('(ln (lo dist. O cone. comprolKindc 3 freg. 
c-oin* 2:203 10^^. c 10:954 alm., sendo 5:523 var. e 
54:31 fem. n*uma superfície de 15:330 hect. As 
frcgnezías s3o : N. S.* da Conceição, N. S.» da Vi- 
sitavílo da Guia, c N. S.* da P^sperança de Padcrno. 
A villa estil situada na costa do Oceano Atlântico 
om um pequeno valle rodeado de outeiros e do- 
minado de rochedos escarpados onde bate o mar, 
que recebe o ribeiro que divide ao meio a villa, 
e sobre o qual passa uma ponte de pedra que liga 
a povoação. O terreno ó quasi todo montanhoso, 
c menos fértil que] a maior parte do Algarve. 



sericordia, cuja cgreja foi mesquita -«los moiros ; 
o hospital que ó muito antigo, as egrejas do S. Se- 
bastião e Sant^Anna; a capella de N. S.* da Orada, 
a pequena distancia da villa ò ornada d'uma bo- 
nita alameda, onde estão dois ricos mausolcos 
mandados fazer por D. Maria Michaella de Brito; 
a caverna chamada cova de Xorino, que fica de- 
baixo das rochas que a limitiim pelo S. para onde 
fugiram os moiros que escaparam ao ferro dos 
portuguezes depois da tomada da villa. Ha a 15 
de agosto a feira chamada da Orada. Esta villa 
foi cercada em 1833 pelo famoso guerrilheiro, 




VIata d^AIbufelra, tirada do nascente 



Quando foi o terremoto de 1755 esta villa ficou ' 
bastante damnifícada, entrando o mar dentro j 
d^ella, fazendo desabar muitas casas, ficando as ! 
outras arruinadas. O povo refugiou-se na egreja 
matriz, que abateu matando 227 pessoas. A actual 
cgreja matriz, que é dos melhores templos do Al- 
garve, foi mandada construir pelo bispo do Al- 
garve I). Francisco Gomes de Avellar. Albufeira 
é praça d*armas fechada, com porto seguro e po- 
dendo receber navios de pequena lotação. Não se | 
sabe quando foi fundada, mas já existia no tempo 
dos romanos com o nome de lialtum. Os árabes, | 
quando a occuparam em 716, chamaram-lhe Al- 
buhfra ou Al-Buar, diminuitivo de bahroUf mar, 
por causa de uma grande lagoa (|ue havia no in- 
terior d*ella. O termo abbuhcro ainda 6 usado em 
Hespanha. Foi depois conquistada aos moiros, i 
por D. AiFonso III, em 1250, que a deu á ordem ; 
de Aviz, sendo então mestre d'aquella ordem ' 
Martim Fernandes. A conquista dos christãos rc- 
duziu-a á miséria, por ter cessado o commercio 
com os portos das costas ^africanas. Foi melho- 
rando depois, com os recursos da pescaria. D. Ma- 
nuel deu-lhe foral, cm Lisboa a 2<.í de agosto de , 
1504. Recebia os direitos da dizima vdhn dos atuns 
o mais peixes, o duque de Coimbra, por alvará de 
D. Manuel, feito a 19 de fevereiro de 1505. Tem ■ 
de notável esta povoação a egreja matriz •, a Mi- ; 



João Joaquim de Sousa Reis, o Betnexido. Albu- 
feira gosou outr^ora da regalia de maudar pro- 
curadores ás cortes, os quaes tiuham assento no 
banco quinze. O seu brazão d*armas ó uma vacca 
de oiro em campo azul. 

Albufeira (Lagoa dej. Situada 20 k. ao sul da 
villa d' Almada, e 10 ao norte do cabo de Espichel. 
Distr. de Lisboa. Tem 4. k. de extensão, 5<X) m. 
de largura. 

Albufeira (José de VasconceUoa e Sáj í.** ba- 
rão de). Tenente-general do 
exercito portuguez; n. a 19 de 
marco de 1775, e f. a 4 de se- 
temoro de 1842. Era filho de 
Theodoro José de VasconccUos 
e Sá, capitão de infantaria, go- 
vernador da praça d'A]coutim, 
e de D. Maria Josefa Cactana 
Pereira Monteiro. Em 1785, 
José de VasconccUos, tendo 
apenas 10 annos de edadc, sen- 
tou praça de cadete no regi- 
mento tle infantaria de Gomes 
Freire, e com esse posto acom- 
panhou o regimento á campa- 
nha do Roussillon, cm 1792. Em 
campanha recebeu o posto (ralfiTCs para o regi- 
mento de Cascaes, e foi nomeado ajudante do rcgi- 

129 




Brasão do"!.** barão 
de Albufeir.i 



ALB 



ALB 



HMíiito, passíiiKlo pouco (líípois, coino capitiio, a es- 
tar ás orddus do coronel monte iro-mor, quando. 
tíTininada a guerra do Roussillon, este coronel te- 
ve o govferno das armas do Algarve. Em 1801 era 
tenente coronel do regimento de Imagos, em 1804, 
coronel do mesmo regimento. Instituiu então alli 
uma academia, onde se ensinavam aos cadetes, 
ofliciaíjs superiores e inferiores, as linguas, mathe- 
mathicas puras e principios da arte da guerra. 
Entrando os francezes em Portugal, sem encon- 
trarem a menor resistência, Josí^de Vasconeel- 
los teve de seguir a sort<; do exercito, e partiu 
para França commaudaudo um dos regimentos 
da legião portugueza, mas, apenas poude, fugiu 
nara Portugal, e veiu aprescntar-se ao marechal 
Wellington, em 1811, em Fuente-Guinaldo, fi- 
cando logo a commandar o regimento de infan- 
taria 8, passando depois para o 2.'), commandando 
então a brigada composta d'este regimento e do 
11. Fez a guerra peninsular, distinguindo-se 
sempre ; em 1815 foi nomeado governador de Al- 
meiaa, sendo depois chamado para commandar 
uma brigada de Lisboa. Em 1820, teve a nomea- 
ção de marechal de campo e governador das ar- 
mas na provincia do Traz-os-Montcs. D. João VI 
chamou-o, em 1823, para fazer parte do ministério, 
cnearregando-o da pasta da guerra, que José 
de Yasconcellos não acceitou; em compensação 
foi governador das armas da Extrcmadnra por 
duas vezos, sendo a ultima vez em 1826. Abste- 
ve-se de tomar parte nas luetas civis do governo 
absoluto, conservando-se sempre afastado da vida 
publica, durante esse tempo. Em 1833 aprcsen- 
tou-se ao duque da Terceira, acompanhando sem- 
pre o quartel-gencral-imperial nos combates das 
linhas de LisDoa, porque os seus padecimentos 
o impediam de tomar parte mais activa na lucta 
N*uma das primeiras legislaturas foi eleito de- 
l)utado, e em 1838, senador. O barão d'Albufeira 
era do conselho de S. M.; commendador das ordens 
de S. Bento d'Aviz e da Torro e Espada; conde- 
corado com o distinctivo da Granada d'ouro, pelas 
campanhas da Catalunha c Koussillon, cm 17^)3 
o itíU, distinctivo concedido por decreto de 17 
de dezembro de 1795; condecorado com a meda- 
lha portugueza de três campanhas da guerra pe- 
ninsular, e com a medalha ae commando ; conde- 
corado por Sua Magestade Britannica com a me- 
dalha da mesma guerra peninsular, pelas batalhas 
de Nivelle, 10 de novembro de 1813; Orthez, 27 
do fevereiro de 1814; e Toulouse, 10 d'abril do 
mesmo anno. Recebeu o titulo de barão d'Albu- 
feira, por decreto de 20 d'outubro de 1823, e 
('arta de 24 de fevereiro de 1824. Casou duas 
vezes, a 1.* em 1799, com sua prima, D. Maria 
José de Vasconcellos e Sá, filha de Caetano An- 
tónio Rodrigues Godinho; e a 2." em 1834, com 
D. Maria Barbara d' Andrade, filha do major de 
infantaria, José Marcellino d'Andrade o de sua 
nmlher D. Rosa de Paiva e Palma. 

Albufeira (Joné Maria de Faria JSotisa de Vas- 
concelloa e #S'(í, !í." barão dt*). Capitão de cavalla- 
ria, filho do 1." barão d'este titulo. N. cm Lisboa, 
a 14 de março de 1830. Era fidalgo da Casa Ueal, 
j)or succe.ssão de seu pae, eavalleiro da ordem de 
S. Bento d'Aviz; condecorado com as medalhas 
militares do bons serviços e de comportamento 
exemplar; commendador da real ordem de Isabel 
a Catholica, de Hcspanha, eavalleiro das onlens 
do Santo Estevam da Rússia, e da Coroa da Ita- 

130 



lia. O titulo de liarão d'Albufeira foi-lhe reno- 
vado por decreto de 4 d'outubro e carta (4o 15 
d'outubro de WyL 

Álbum das Glorias. Publicação humorística 
das individualidades modernas em sciencia, artes, 
letras e politica; retratos em caricatura de Rafael 
Bonlallo Pinheiro; biographias de João liialto 
(Guilherme d*Azevedo). Lisboa, 1880. Em 11K>2 o 
distincto artista e seu filho Gustavo começaram 
uma nova serie d'esta publicação. 

Albuquerque. Familia das mais 11 lustres de 
Portugal e de Ilespanha. As armas antigas eram 
em campo vermelho cinco flores de liz de ouro 
em santor: timbre uma aza negra com as cinco 
ilôres de lizi; depois fizeram o escudo esquarte- 
lado ; no primeiro quartel as armas de Portugal 
inteiras com um filete negro em contrabanda; no 
segundo as cinco fiôres de liz de ouro em campo 
vennelho, e assim os contrários ; no timbre con- 
tinuavam alguns o primitivo, e outros pozeram 
um castello de ouro com uma flor de liz do mesmo 
metal sobre a torre do meio. 

Albuquerque (Affonso de), o Grande. Segundo 
governador da índia. N. na quinta do Paraiaoy 
entre Alhandra e Villa Franca, no anno de 1453. 
Era filho 2.*» de Gonçalo d'Albuauerqae, Sy senhor 
de Villa Verde, e de sua mulher D. Leonor de 
Menezes, filha de D. Álvaro Gonçalves d'Athayde, 
aio de D. Affonso V, alcaide-mór de Coimbra, o 
1." conde d*Athouguia. Descendia, por parte de 
seu pae, de D. Affonso Sanches, filho iUeçitimo 
d'el-rci D. Diniz, e de sua mãe, de D. Pedro de 
Castro, senhor de Cadaval. Foi educado no paço, 
e aos 27 annos de edade partiu na esquadra, que 
em 1480, D. Affonso V mandou a Otranto, em 
soccorro d'el-rei de Nápoles, D. Fernando, na 
guerra contra os turcos. Nos combates em que 
entrou, logo o uove^ guerreiro deu provas de va- 
lor e bravura. Depois da morte do D. Affonso V, 
partiu para Arzilla, voltando mais tarde ao reino, 
onde D. João II o nomeou seu estribeiro-mór. 
Em 1489, el-rei intentou fundar uma nova villa 
a que chamou Graciosa, junto de Larache, com 
uma fortaleza para guerrear os mouros. Formou-se 
uma expedição, de que fez parte Affonso d*Albu- 
querque, juntamente com outros fidalgos e ca- 
valleiros. Declarou-se guerra ao rei de S^ez, e de- 
ram-se renhidos combates. Esta empresa e a de 
Nápoles foram, por assim dizer, o preludio das 
grandes victorias que estavam reservadas na Ásia 
a Affonso d' Albuquerque. Voltando á pátria, e ten- 
do já falleeido D. João II, partiu outra vez para Ar- 
zilla, levando comsigo um seu irmão, que foi victi- 
ma dos moiros. Regressou ao reino, reinando já 
D. Manuel. Os negócios da índia estavam duvi- 
dosos e não podiam firmar-se com as grandes 
ai-madas, que todos os annos el-rei mandava, por 
causa da encarniçada guerra do Samorim contra 
o rei de Cochim, nosso affeiçoado, e dos portu- 
guozes que ficavam alli. El-rei determinou então 
mandar Affonso d' Albuquerque á índia, para 
construir uma fortaleza em Cochim, onde se po- 
dossem recolher as pessoas e as mercadorias. 
Apromptaram-se G naus, e a G d'abril de 1503 sa- 
hiu a armada, de Ideiem, sendo 3 naus comman- 
dadas por Affonso de Albuquerque e as outras 3 
commandadas por seu primo Francisco d*Albu- 
quoríjue. Estas ultimas chegaram primeiro a Co- 
chim; o rei (jueixou-se da guerra com que o Sa- 
morim o apoquentava. Francisco d'Albuquerque 



ALB 



ALB 




Affonao de Albnqnorque 
(o Grande) 



tratou logo de livrar a ilha do jugo inimigo \ aju- 
dado pela gente de Cochim e alguns náires do 
rei, conseguiu no dia seguinte muito cedo surpre- 
hender as guardas do Samorim, c expulsal-as da 
ilha, iicando muitos mortos. N^essa manhíí chegou 
Aftbnso d*Albuquerque a Cochim. Durante alguns 
dias travaram-se combates, sendo o Samorim 
sempre vencido. Socegando os ânimos, Aifonso 
tratou com o rei a edificação da fortaleza. Nas 
ordens de D. Manuel, que tinham de cumprir-se 
durante a expedição, explicava-se bem que o 
primeiro que chegasse ao seu destino, deve 
ria fazer carga em Co- 
chim, e portanto Af- 
fonso de Albuquerque 
precisava ir carregar 
as naus a Coulão, hoje 
Quilon. Os trabalhos 
da fortaleza tinham 
sido entregues aos dois 
primos, e Affonso, na 
parte que lhe fora con- 
fiada, trabalhava acti- 
vamente, por causa da 
partida para Couláo, 
do que resultou terem- 
se adeantado mais os 
trabalhos aos de Fran- 
cisco. Isto deu causa 
a desinteliigencias en- 
tre os dois primos. A fortaleza concluiu-se afinal, 
foi benzida pelo frade dominicano fr. Rodrigo, e 
baptisada com o nome de Convento de ChristOj a 
que Francisco d'Albuquerque se oppoz, trocan- 
do-se o nome para Albuquerque. Aftbnso ficou des- 
contente, mas não disse nada, para que os moi- 
ros nao percebessem o desaccordo que houvera. 
Partiu para Coulão, estabeleceu uma feitoria, 
para onde nomeou chefe António de Sá. O Sa- 
morim ficou contrariado e começou a intrigar e 
a promover a guerra, mas AíFonso, antes de sahir 
de Coulão, ratificou a paz que tratara, combinando 
que a jurisdicção do eivei e crime ficasse em 
poder dos christãos naturaes da terra, como an- 
tigamente fora. Affonso escreveu a D. Manuel, 
explicando os tratados e combinações que fizera. 
Depois regressou a Cochim, e não encontrando o 
primo, que partira para Cananor, veiu para Por- 
tugal, onde chegou no fim de julho de 1504. El-rci 
recebeu-o com toda a distincção. Francisco Albu- 
querque sahiu de Cananor a 5 de fevereiro, mas 
apanhando mau tempo, perdeu duas das naus. 
Sendo ainda pouco seguro o nosso dominio na 
Ásia, D. Manuel resolveu estabelecer na índia 
um governo permanente para resistir aos moiros 
e tratar do commercio. Foi D. Francisco d' Almei- 
da o escolhido para governador e capitão gene- 
ral da índia, com a permissão de usar do titulo de 
vice-rei. Sahiu de Belém, em 25 de março de 1505, 
com 22 naus e 150 homens d'aiTnas. No anno se- 
guinte, D. Manuel ordenou que Tristão da Cunha 
partisse para a índia, n^uma armada de 14 navios, 
cora ordem de inveiniar em Socotorá, onde cons- 
truiria uma fortaleza. Por ordem do soberano, 
Affbnso d*Albuquerqne fez parte d'csta armada, 
commandando G naus e 400 homens. Tristão da 
Cunha partiu a 5 d*abril e Aftbnso no dia 6. As 
duas esquadras encontraram-se breve, e começou 
logo a indisposição, porque Aftbnso d'Albuquer- 
qnc não podia supportar o commando dos outros. 



I O seu génio altivo queria sempre governar e 
; nunca ser governado. Em constante desaccordo 
com as ordens do Tristão da Cunha, obedecia-lhe 
muito contrariado, e assim navegaram até Mo- 
çambique, onde Tristão da Cunha quiz demorar- 
se, mas oppoudo-se AíFonso d*Albuquerque, desis- 
tiu e a viagem continuou até á índia. Chegando 
a Socotorá, Tristão da Cunha viu, admirado, que 
os moiros tinham construido uma fortaleza, c 
d'accordo com Affonso d'Albuquerque tratou de 
trazer á obediência o capitão da fortaleza, ou a 
obrigal-o á força. Travou-se renhido combate, 
que durou mais de 6 horas, vencendo os portu- 
guezes. A mesquita foi transformada em cçi*eja, 
com o ;iome de N. Senhora da Victoria. Cons- 
truiu-se nova fortaleza, que se chamou S. Miguel. 
Os dois capitães-móres separaram-se. Tristão da 
Cunha partiu para a índia, em 1 d'agosto de 
1507, e Aftbnso d'Albuquerque para Ormuz em 10 
do referido mez. Era em Ormuz que se concen- 
trava o commercio dos árabes, porque o punha 
em contacto com as caravanas da Syria e com to- 
dos os portos do Mediterrâneo ; quem pudesse tor- 
nar-se senhor d'Ormuz e dominar os mares, ficaria 
com o trato do Oriente. Aftbnso começou a percor- 
rer todos 08 estados indianos para chegar a Or- 
muz, combatendo ^om aquelles que resistiam, 
avassallando Calayate, Curiate, Mascate, Sohhar, 
Orçafate, abordando afinal á cidade d'Ormuz, em 
cujo porto se viam reunidos mais de GO navios. 
Depois de muita resistência, o rei d'Ormuz ren- 
deu-se; fez-se um tratado de paz. Affonso escre- 
veu a D. Francisco d^Almeida, annunciando-lhc 
as suas victorias. Os capitães estavam desanimíi- 
dos com tão encarniçadas luctas, e pediram a 
Affonso d' Albuquerque que partisse para Co- 
chim, a rcunir-se com o vice-rei. Aftbnso a nada 
attendeu, e a insubordinação es tabeleceu-se abor- 
do ; alguns navios foram para Cochim, e Aftbnso, 
vendo-se falto de forças, foi para Cananor, aonde 
chegou em novembro de 1508. Os capitães des- 
contentes, vendo-se em Cochim, queixaram-se 
amargamente a D. Francisco d' Almeida contra 
os abusos d'Aftbnso d'Albu(|uerque praticados nas 
conquistas, e a humilhação a que os obrigava, 
exigindo luctas impossíveis. O vice-rei attcn- 
deu-os e mandou tirar uma devassa contra Af- 
fonso d'Albuquerque, que justificou as queixas. 
Fernão Soares, Ruy da Cunha e Jorge d'Aguiar 
chegaram então a Cochim, os quaes tinham saliido 
de Lisboa em 1508, commandando 3 naus, tra- 
zendo ordem d'el-rei para que Jorge d'Aguiar, 
substituísse Affonso na costa árabe, vindo este 
tomar conta do governo da índia. O vice-rei reu- 
niu a sua comitiva, e, na presença dos capitães 
d' Aftbnso d'Albuquerque, declarou que os 3 annos 
do seu governo estavam a terminar, e D. Manuel 
o mandava retirar ao reino, ordenando que Af- 
fonso d'Albuquerque o ficasse substituindo. No 
entretanto, Aftbnso chegava a Cananor, e secundo 
as instruccocs secretas que levara de Lisboa, 
para substituir D. Francisco d* Almeida, apresen- 
tou- se ao vice-rei, dizendo que todas as cartas e 
mais negócios de que D. Manuel encarregara o 
capitão-inór das naus chegadas de Portugal, lhe 
vinham dirigidas, como governador da índia. 
D. Francisco respondeu que os 3 annos só termi- 
navam cm janeiro do anno seguinte, e só então 
partiria para a Europa. Aftbnso, vendo alli os ca- 
pitães desertores na melhor harmonia, sem terem 

131 



ALÍi 



ALB 



<^of\'nf\o iiSL^iiigh f\o A*:u f:iiinf'. irritofi-.<i>: a tal 
jthtiUt i{tth exí^^íij a (:iiirt'.ííz írninfffJiatado^foverno. 
'|ijf:n:rirJo tajrihf:ni UtiítSir ootita da f:xpedi^'âo corn 
'|fj#', l>. Fraricí .4/^/1 irit#;ntava ir a iJíii para d<:rro- 
tar OA rom';5t. O \i('j:-rei vía-sf;obrjí»adoarf;tel-o 
«rri Cari ano r, frm quanto não voltasse <la expedi- 
rão- A H de íuHToo de ITiíííí, ÍJ. Franí.-isco regres - 
1011, eo)»erto de floria, e maiii tarde^ chegando 
nova arnjafJa, em que el-rei f '/infirmava a ordem 
ant<:rior, r«Holveu partir para o reino, a 4 de no- 
ví-mliro do mesmo anno. Affonso d^AÍbuquerqae, 
af»enaft tomou ponse do governo, mandou aprom- 
ptar uma valente armada, e (^jmeeou a por ern 
exef'ur;rio a sua id/;a de ava^flallar to<loH os e^ta- 
doH índí;<non; eonquifttou Caleeut, ISrama, Melin- 
ílre, Hfrnahtarim, Lauro, Malabar, as ilha.s de Ga- 
maram e Queixome e o forte de Pangim. Derro- 
tou AH armadaH de Mera, Adem, e Ormuz, llm 17 
dí' fevereiro de V)U) chegou a Goa, que uao ofte- 




Tuiiiulo do AflTonio du Albuqueique 

rv.vvii resiHtoncia. O plano ««.ra estabelecer em 
(lòa o centro das possosHocs portuguezas, e con- 
(lUÍNtar AH duas cxtrcmidiídos : Ormuz e Malaca. 
Afiiuil eouHeguiu o (|ue desejava. Malaca cahiu 
cui Hcu ]K)der; mandou logo levantar uma forta- 
leza, a {\\w chamou d(í A'. *V.* da Annunciada. Par- 
ticipou a I). Manuel esta conquista. Resolveu 
cntAo partir, o navegando na costa de Sumatra 
snl>r4'V4'iu unia tcrrivol tempestade, em que todos 
H(^ viram cm ])origo inuninente, salvanuo-se por 
niilagn*, perdendo ainda assim a nau Flor do 
Mar. Proscguindo a viagem, arribaram ás ilhas 
Maldivas, íí depois de grandes contrariedades, 
chegaram a Cocliim, onde At!bnso foi recebido 
com o nuiior unthusiasmo. Soube então da desor- 
d«'in cm (|uc se achava Goa e Ormuz, poríiuo o 
Ilidalcfio tentava novas invasões. Attbuso partiu 
iuuncdiatunuMite para Goa. A])onas chegou, tudo 
serenou, porque o llidalcHo, tremendo só com a 
sua prcsenyu, fugiu da cidade, liestabcleccudo-so 
u p;i/., seguiu viagem pelo Mar Roxo, e chegando 
a Adem, conquistou-a sem grande custo, porque 
a cidatlc nAo podia resistir á lucta. Estava rcali- 
sado o sonho tCAlVonso d'Albu(iuerque, pornue os 
principacs ccnti*os de conunercio de mercauorias 
na Índia, eram Malaca, Adem e Ormuz. Tanta 
gloria nao podia deixar de ser otVuscada pelos 
espi ritos mesquinhos o invejosos, oue tentavam, 
por meio da intriga e da calumuia, denegrir o 
mcrito do insigne conquistador da Índia. 1>. Ma 
u\u\ roccl»ia continuas cartas, em que se liam 
«niarjras t|uei\as contra Atlbnso d*Albuqucrque, 

l.ij 



e ap»:Ãar d«: ser bem notório quanto Portugal lhe 
d*:\ ia com a conquista da índia, o rei deixou-se 
veneer pela intriga, e tratou de o fazer sobstítnir 
no governo, manfiando-o retirar para a Europa. 
(Jorria o anno de 1515. AíTodso estava em Ormuz 
muito doente, e caoeado de tantas fadigas, pediu 
que o tran-sport assem para Goa. onde queria 
morrer. Satisfez-se-lhe a vontade e Atfonso 
embarcou em >í de novembro. Nâo tinham ain- 
da sabido do porto, quando chegou a Ormuz, 
vindo de Diu, um bergantim de moiros que 
trazia cartas da índia, dirigidas a Affonso d* Al- 
buquerque. Uma das cartas declarava que ti- 
nham chegado a Cochim doze naus, manda- 
das por D. Manuel, sob o commando do capitão- 
mór Lopo Soares, com o intuito de o substituir 
no governo da índia. Então, Affonso, no meio do 
seu grande desgosto, exclamou : Mal cotn Oê ho- 
mens por arnor a^d-rei, e mal com el-rei por amar 
dou homens; bom é acabar. Dictou uma carta, 
; pedindo-lhe protecção para um filho que deixara 
' no reino, e acabando de assignar, pediu que o 
levassem depressa para Gôa. Assim se fez, e em 
15 de dezembro á noite, Affonso chegou á barra 
de Gôa, e poucas horas depois, á 1 hora da ma- 
nhã de 16, fallcceu. Vestiram-lhe o habito de 
S. Thiago, c collocaram o cadáver sobre um catre 
coberto de velludo preto. Os fidalgos, povo e pa- 
dres vieram esperal-o ao cáes, onde desembarcou. 
Os padres tomaram o catre sobre os hombros, e 
debaixo do pallio o levaram para a capella da 
S." da Conceição, que elle fundara, onde ncou se- 
pultado. Achou-se testamento em que pedia para 
ser enterrado no convento da Graça ae Lisboa. 
Só 51 annos depois, em 6 d'abril de 15G6, se sa- 
tisfez a sua vontade *, os seus ossos ficaram depo- 
sitados, em 19 de maio, no convento da Graça, 
para onde foram conduzidos n*um grandioso prés- 
tito. Na capella-mór collocaram a tumba, pondo- 
sc-lhc sobre ella as 3 bandeiras com as cores e 
divisas dos 3 reinos que aquelle grande vulto 
conquistara ; por cima d'estas bandeiras esten- 
deu-se o estandarte real, já mui,to velho e roto, 
(lue D. Manuel lhe havia entregado na occasião 
aa sua partida para a índia, em 1506. Em 1892 
foi descoberta no adro da Sé velha de Gôa, pelo 
sr. Luiz Gonçalves, a urna de pedra em que os 
restos de Afionso d'AJbuquerque estiveram en- 
cerrados, na velha capella da Serra, urna que 
servia de pia para recolher as aguas pluviaes e 
que hoje, felizmente, se encontra a bom recato 
no museu da Sociedade de Geographia de Lis- 
boa, ])ara onde foi mandada, em 1895, pelo então 
governador geral da índia Raphael de Ajidrade, 
jA fallecido, e trazida a bordo do couraçado Vas- 
co da Gainaf pelo respectivo commandante, sr. 
Ferreira do Amaral, presidente da referida so- 
ciedade. 

Albuquerque (Affonso). Escriptor portuguez 
do soeulo XV. Escreveu : Commentaria in parca 
natural ia Aristotdis, 1498. 

Albuquerque (Affonso de). Jurisconsulto por- 
tuguez e professor de direito civil. Foi partidá- 
rio do Filippe II de Ilespanha; escreveu uma 
obra com o seguinte titulo: Jus rhilippus ad lie- 
(fiam Lusitanum Coronam. 

Albuquerque (Conrta Affomio de). Navio da 

armada real eonstruido em Inglaterra em 1884. 

Albuquerque (Ura:, ou Affonso de). Filho ille- 

, gitimo do grande At)'onso d' Albuquerque, c de 



ALB 



ALB 



Joanna Vicente, segundo um documento precioso, 
publicado por Sanches de Baena, no seu Reítumo 
histórico t gtntaloyico da família de Affonso de 
Albuquerque. Este documento é a propria carta 
de legitimação de Braz d'Albuquerque, reque- 
rida por seu pae e passada em 1506. Braz nas- 
ceu em lÕOO na quinta do Faraiso, próximo de 
Alhandra, onde também nascera seu pae. Falle- 
cendo na barra de Goa, em 1515, o grande con- 
quistador da índia, D. Manuel ficou bastante pe- 
nalisado e com remorsos de ter amargurado os 
últimos momentos do seu grande general, e, que- 
rendo cumprir ao menos o pedido que lhe fizera, 
próximo a morrer, na carta que lhe dirigira, 
ordenou que o pobre orphâo tomasse o nome de 
Afibnso d^AIbuquerque, para perpetuar assim o 
nome do heróico luctador. Esta ordem esten- 
di a-se a todos os descendentes, e, sendo senhora, 
chamar-se-ia Afibnsa d'Albuquerque. Parece que 
esta ordem nunca se cumpriu, ou por se não ter 
dado este caso, ou por ter sido votada ao esque- 
cimento. D. Manuel encarregou-se da educação 
de Braz, que apenas contava 15 annos quando o 
pae morreu ; mandou-o estudar no convento de 
Santo Eloy, e que lhe fossem entregues os orde- 
nados de seu pae que estavam em divida, e as 
quintaladas de pimenta, o que tudo subiu a 180 
mil cruzados, aproximadamente. Braz ou Aifouso 
d'Albuquerque foi capitão d'um dos navios da 
armada que levou a Itália a infanta D. Beatriz, 
duqueza de Sabova ; casou, por indicação de D. 
Manuel, com D. Maria de Noronha, filha de D. 
António de Noronha, escrivão da puridade, filho 
do 1.*» marquez de Villa Real, e que mais tarde 
D. João III agraciou com o titulo de conde de 
Linhares. El-rei também lhe concedeu o juro de 
3<M)*000 réis, que depois elevou a 400ií000. Braz 
d^Albuquerque não tinha o génio de seu pae; com- 
tudo, era homem muito intelligente e instruído, 
muito versado nos assumptos de administração e 
politica. D. João III nomeou-o vedor de fazenda, 
c em 15G9 foi presidente do senado de Lisboa, 
quando uma peste horrorosa assaltou a capital, 
causando innumeras victimas; e ás suas acer- 
tadas providencias se deve que aquella epi- 
demia não tomasse proporções ainda mais as- 
sustadoras. AÔbnso d^Albuquerque, tendo en- 
viuvado, casou segunda vez com D. Catharina 
de Menezes. Do 1.° matrimonio houve um filho e 
uma filha que morreram sem successão; do 2.*' 
houve descendência. O nome do grande conquis- 
tador da índia continuou na pessoa d'um filho 
uatural de Braz d' Albuquerque, o qual foi legiti- 
mado por seu pae, e que se chamava João Affon- 
so d 'Albuquerque. Este descendente casou com 
I>. Isabel de Sequeira, de quem teve um filho, 
chamado Affonso d* Albuquerque, que morreu na 
índia, para onde partira em 1617, e foi o ultimo 
descendente do grande Affonso d' Albuquerque. 
Braz fallcceu em Lisboa, em 1580, com 80 an- 
nos de edade. Publicou uma obra intitulada: 
Commeritarios de Afonso Dalboqverque, capitam 
geral & gouemador da Iiidia, colligidos . . . das 
próprias cartas que eUe escreuia ao muyto pode- 
roso Rey do Manuel, o primeyro deste nome. Lis- 
boa, 1557. Sahiu 2.* edição, cm 1576, com o se- 
guinte titulo : Commentarios do Grande Afonso 
Jbalboqverqve, Capitam Geral que foy das índias 
orientaes. Em tempo do muito poderoso Uey dom 
Manuel, o primeiro deste nome. Nouumente emen- 

TOL. I — FL. 17 



dados <S) acrescentados, etc. Lisboa, 1576. Houve 
3.* edição, em 1774, 4 tomos, com retrato e map- 
pas ; deixou mauuscripta outra obra : Tratado de 
antiguidade, nobreza e descendência da família dos 
Albuquerques. 

Albuquerque (António Maria Sealra de). Au- 
tor de um opúsculo intitulado Numismática por- 
tugtieza, contendo algumas noticias sobre as moe- 
das de oiro cruzados e portuguezes, e das lavradas 
por D. Affonso V, quando pretendente ás coroas 
de Castella e Leão. Não designa o auno nem o 
logar da impressão, que se julga ser em Coimbra, 
residência e naturalidade do autor. 

Albuquerque (Fr. Caetano). Religioso portu- 

fuez do século xviii. N. em Lisboa ; era filho de 
'homaz Pereira d' Albuquerque e de D. Barbara 
Francisca Xavier. Foi frade no convento dos Je- 
ronymos, em Belém, onde professou a 13 de se- 
tembro de 1721. Tornou-se conhecido como pre- 
gador distincto ; deixou escriptos alguns sermões. 
Albuquerque (Caetano Alexandre d^ Almeida e), • 
Contra-almirante. N. em 1824; filho de Bento 
d' Almeida e Albuquerque e de D. Anna Justina 
de Moura. Aos 11 annos de edade, em 1835, 
entrou na marinha 
como aspirante, em 
1839 concluiu com 
distincção o curso da 
Escola Polytechnica, 
e em 1840 o da Es- 
cola Naval. Foi então 
promovido a guarda- 
marinha. De 1841 a 

1845 fez parte da es- 
tação naval da Afri- 
ca Occidental, cujos 
serviços no impedi- 
mento do trafico da 
escravatura são bas- 
tante conhecidos; de 

1846 a 1848, como of- 
ficial do brigue Doti- 
ro, concorreu muito 
com os seus serviços 
valiosos nas luctas que n'essa época agitavam 
o paiz. O sr. Caetano d' Albuquerque foi eom- 
mandante da corveta Duque da Terceira, do 
vapor MindeUo, da canhonheira Maria Arma, 
e das escunas Calo Verde e Duque da Ter- 
ceira. Foi encarregado em diversas épocas de 
ir a Inglaterra tratar da acquisição de navios e 
salva-vidas, para a construcção de vapores, mon- 
tagem de machinas e outros serviços importantes 
da marinha portugueza. Em 1869 tomou posse do 
governo do archipelago de Cabo Verde, o, du- 
rante 7 annos que se demorou, reformou os diver- 
sos ramos de serviço publico, que encontrou n*um 
estado bem pouco lisongeiro ; devido á sua ini- 
ciativa e elevada capacidade, deu um prodigioso 
impulso ás obras puolicas, á instrucção, ao com- 
mercio e á agricultura. Em Angola não ponde 
realisar eguaes melhoramentos como desejava, 
porque somente esteve dois annos n^aquelle go- 
verno ; ainda assim a sua passagem ficou bem 
assignalada pela energia do seu caracter e força 
de vontade pouco vulgares. Em 1878 foi nomeado 
governador da índia ; partiu então para Goa onde 
também se fez notar pelo grande impulso í|ue 
deu ás obras publicas e ao aformoseamento d'a- 
quella cidade, bem como cuidou da sua hygiene, 

133 




Caetano Alexandre d*ÂlineltÍa 
e Albuquerque 



ALB 



ÁLB 



toruando-a uma das cidades mais sadias das nos- 
sas possessões. Regressando ao reino, acceitou o 
cargo de governador civil de Lisboa, em que se 
manteve sempre A altura da sua reputaçíto, e fa- 
zendo respeitar a lei, sem deixar de conciliar os 
interesses dos seus adinínistrados com os da causa 
publica. Caetano Albuquerque foi director geral 
do ministério da marinha. Com a extiucção da 
direcção da marinha, em 1892, crcou-se o con- 
selho do almirantado, e Caetano Albuquerque 
teve a nomeação de presidente do supremo con- 
sellio da justiça militar, carco que deixou, por ter 
attingido o limite da edade, em 5 de anril de 
1894, data em que foi reformado em ajudante de 
campo honorário de S. M. El-Rei. 

Albuquerque (Caetano de Andrade). Doutor 
formado em direito, na Universidade de Coimbra. 
Nat. da ilha de S. Miguel. Foi collaborador de 
alguns jornaes insulanorf. Escreveu: Horas de 
Ksiudoy Coimbra, 1869. 

• Albuquerque (Custodio José de). Escriptor 
portuguez, do século xviii. Escreveu : O cocheiro 
instruidoj o\i breve instrucçào aos cocheiros, holiei- 
ros e mais criadas sobre o modo de se comportar 
(.<?ic) tanto no que respeita ao ensino dos animaes^ 
ctinw lia attençào devidn a seus amx>Sf Lisboa, 
1792. 

Albuquerque (Diogo liangel de Macedo e). Fi- 
dalgo da Casa Real, commendador da Ordem de 
Christo, provedor e guarda-mór da Saúde, no 
porto de Belém, sócio da Academia dos Applica- 
dos, etc. N. em Lisboa, em 1671, f. em em 1754. 
Escreveu : Elogio histórico e panegyrioo d^ muito 
alto € muito poderoso rei D. João V. Lisboa, 17Õ1; 
Klogit) do Itew'*^ P. Frei Veinssimo de Lima. Pro- 
vincial da Ordem dos Pregadores, Lisboa, 1745 ; 
Elogio congratulatorio ao /íey.""" P. J). liaphael 
JUuieau, etc. Vem no tomo ii das Prosas portu- 
giiezas, do mesmo P., a pag. 296 ; Ora^ào fúnebre 
á mt'moria do P, D. Itaphael Bluteau, etc. Sahiu 
no Obsequio fúnebre á memoria do dito padre. pag. 
155 ; Carta ao P. Fr. Simão António de Santn Ca- 
tharina, etc. Vem na Uelaçào métrica d<ts festas 
a S. João da Cruz, do dito Fr. Simão; Oração 
emn que se deu fim ao obsequio fúnebre com tpi^ a 
Acxidemia dos Escolhidos da Corte mostrou o seu 
sentimento na morte do ex.""* Conde da Ericei- 
ra. Coimbra, 1744. Deixou muitas obras manus- 
criptas, que se mencionam na liibliotheca Lusi- 
tana, de Harbosa Machado. 

Albuquerque (Diogo Vieira Tovar de). Grande 
jurisconsulto; n. em Molelos, freg. de S. Pedro, 
em 1775, í. na quinta da Boa Vista, próximo de 
Coimbra, a 2 de janeiro de 1846. Era filho de Je- 
ronynio Vieira da Silva Tovar e de sua mulher, 
D. Maria Josepha da Silva Albuquerque; douto- , 
rou-se em leis na Universidade de Coimbra, em 
15 de setembro de 1797; em 1805, foi nomeado ' 
oppositor ás cadeiras da mesma Universidade, e \ 
pouco depois, desembargador para a Relação de | 
Goa, logar de que tomou posse a 18 d'outuDro de j 
1S()7. Até 1815, serviu na índia, exercendo os , 
cargos de procurador da coroa e fazenda, e secre- | 
tario geral do Estado. Voltou a Portugal, em , 
1815, e tomou assento na Casa da Suppíicação, 
como desembargador; não tardou, porém, que 
fosse mandado a Madrid em commissão, por carta ' 
régia e poderes especiaes d'el-rei D. João VI, de | 
8 de abril de 1818, como tutor de seu neto, o in- i 
fante D. Sebastião, para fazer valer em juizo I 

134 



contencioso os direitos do infante á saccessão da 
Casa do Infantado no grão-priorado de Castella e 
Leão, contra o competidor o infante D. Carlos, 
que estava de posse da mesma casa. Diogo Tovar 
d'Albuquerque venceu a questão, ficou em Ma- 
drid, sendo nomeado conselheiro e addido á lega- 
ção portugueza. Em 11 de novembro de 1823 teve 
a nomeação de conselheiro de fazenda, e então 
regressou ao reino. Depois exerceu successiva- 
mente os seguintes cargos; membro do Supremo 
Conselho de Justiça militar, procurador fiscal 
das Mercôs, vogal aa Junta de Confirmações ge- 
raes e da revisão do Código penal militar, além 
(Foutras commissões de que foi eventualmente 
encarregado. Em 1834, retirou-se da vida publica, 
por pertencer ao partido legitimista, recolheu- 
do-se á quinta da Boa Vista, onde falleceu. Es- 
creveu : Memoria sobre o plano da coUecçào dos 
Tractados politicas de Portugal desde o principio 
da numarchia, dividida em três partes : i.* Qual 
a matéria que deve servir de assumpto á colUcção 
dos Tractados, e o methodo de a arranjar e ad- 
dicionar; 2.* Utilidades que doesta coUecçào se se- 
guern; 3." Quaes os trabalhos qtte se devem empre- 
gar para se obter o rxímplctnento da referida coUec- 
: ção. Foi escripta em 1801, e inserta pelo auctor 
nos Annaes das Sciennas, das Artes e das Letras, 
tomo IV, Paris, 1819. Ficaram muitos inéditos, 
entre os quaes se conta uma Memoria sobre o 
commerrio da índia, que em 1812 enviou ao conde 
das Galveias, então ministro no Rio de Janeiro; 
O índice chronohtgico e alphabetico remissivo de 
todas as disposições e providencias legislativas ex- 
pedidas para a governação dos Estados da India^ 
pela corte de Lisboa, e depois ]iela do Bio de Ja- 
neiro, desde o principio da conquista até ao anno 
de 1S15. Este indice foi escripto, quando esteve 
na índia, não o podendo concluir, por ter regres- 
sado a Portugal, assim como também falta no seu 
trabalho a noticia das providencias tomadas nos 
primeiros 24 annos da conquista, porque os docu- 
mentos relativos a esse período, tinham sido man- 
dados para Lisboa no tempo d'el-rei D. José. Diz 
Innocencio, que este índice deve existir no mi- 
nistério da Marinha, por ter sido remettido offi- 
cialmente para Lisboa em cadernos manuscriptos. 
Albuquerque (Duarte PacJieco de). Doutor em 
theologia, provisor e vigário geral do bispado de 
Vizeu. N. na quinta dos Esporões, na diocese de 
Vizcu, em 1606; era filho segundo de Álvaro Pa- 
checo d' Albuquerque e de D. Joanna de Sequeira. 
Formou-se em Coimbra, em direito canónico; f. 
cm 1669. Escreveu : Pecúlio de Direito, por or- 
dem alphabetica, e um Epitome das obras de 
Febo, Cabedo, Reinoso, e outros jurisconsultos 
portuguezes. 

Albuquerque (D. Fernando Affonso), Filho 
illegitimo de D. João Affonso, senhor de Albu- 
queroue, Medelira e outras terras. Era neto de 
D. Airbnso Sanches, filho natural de D. Diniz. D. 
Fernando Affonso d'Albuíiuerque foi alferes-mór 
(lo reino, por nomeação de D. Pedro I, ainda antea 
de subir ao throno, em 1344, e senhor de Villa 
Nova de Anços, das vendas d'Aveiro, alcaide-mór 
da Guarda e dos Oitavos e dos Reguengos de 
Guimarães, da Tamageira, tudo por iiiercé d'-el- 
rei D. Fernando, que em 1377 lhe deu também 
do empréstimo as terras de Lordello e de Bou- 
ças no almoxarifado do Porto, e depois de varias 
outras (jue llie havia dado, lhe concedeu ultima- 



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mente a mcree do juro e herdade para sempre de 
todos 08 bens e terras de João Lourenço da Cu 
nlia, quando este fidalgo^ marido de D. Leonor Tel- 
les, passou para Castella. D. Fernando Aifonso 
d*Âlbaquerqae foi também mestre da Ordem de S. 
Thiago e embaixador de D. Joíio I om Inglaterra. 

Albuquerque (Fernando Luiz Mousinho de). 
Oflicial do exereito, deputado ás cortes; n. lío 
Fundão, a 19 de julho de 1817. Era filho de Luiz 
da Silva Mousinho da Silva Albuquerque, minis- 
tro c secretario de estado honorário. Frequentou 
com distincçao a Universidade de Coimbra alguns 
annos do curso mathematico, e também o 1." e 2.*' 
annos da Escola do Exercito. Em 18G8 era capi- 
tão de infantaria com exercicio de conductor de 
!.■ classe no corpo de engenheiros civis. Foi 
eleito deputado, pela 1.* vez pelo circulo de Lei- 
ria. F3screveu : O Preso dt Chillon, traduzido de 
Uyrd Byron em versos portuguezes. Lisboa. 1833; 
ReuUura, poenia. Coimbra, 1840; Instrucçòes pra- 
ticas sobre as machinas de vapor. Lisboa, 184.3. 
Publicou varias poesias e artigos diversos na 
Chronica Litteraria da Nova Acad. Dram. d/t 
Ctiimbray e n*outros jornaes litterarios e políti- 
cos : Ittvoluçào de Setembro ^ e O Leiriense, de que 
foi um dos fundadores. 

Albuquerque (Fernão de). Governador da ín- 
dia, onde nasceu, e fez toda a sua carreira. Foi 
capitão de Malaca, em 1578 passou a governar 
Colombo na ilha de Ceylão, tomando depois posse 
do governo de Damão, passando mais tarde para 
Goa. N^esta occasião falleceu o vice-rei, que era 
o conde de Redondo, e Fernão d'Albuquerque 
recebeu nomeação para o substituir ; era já de 
muita edade; tomou posse do poder a 11 de no- 
vembro de 1619, não havendo nada de notável 
na sua administração. A 19 de dezembro .de 
1G22 foi substituído pelo conde da Vidigueira, 
fallecendo a 29 de janeiro de 1623. 

Albuquerque (Francisco de). Capitão d'uma 
das três esquadras que partiram para índia, no 
anno de 1503. As outras duas eram commanda- 
das por Affonso d' Albuquerque, de quem era 
primo, e António de Saldanha. A esquadra de 
Francisco d' Albuquerque foi a primeira a chegar 
á índia;- compunha-se de três naus, mas durante 
o camiuho, uma d*essas naus, a que era comman- 
dada por Pêro Vaz da Veiga, perdeu-se, e Fran- 
cisco d*Albuquerque chegou á ilha Angediva 
só com dois navios. Soube que o rei de Cochiin 
estava gravemente embaraçado, luctando com 
poucas forças contra os exércitos do Samorim de 
Calecut, e correu em seu auxilio, conseguindo 
com a sua gente, reanimar as forças e os ânimos, 
expulsar os inimigos, depois d'alguns combates 
em que morreram dois cnefes e muitos guardas 
do Samorim de Calecut. Aifonso d' Albuquerque 
chegara também a Cochim, e fora apresentado 
ao rei, que o recebeu amigavelmente, mostrau- 
do-se muito reconhecido pelo soccoito que rece- 
bera. Tratou-se então de se construir uma for- 
taleza, formando uma cidadella portugueza, onde 
se pudesse pôr guarnição que a defendesse. O 
rei mostrou certa repugnância, ao principio, mas 
depois cedeu, e a construcoão da fortaleza co- 
meçou, eucarregaudo-se Aflonso d' Albuquerque 
d 'uma parte das obras e Francisco d'Albuquer- 

3ne d*outra. Certas eircumstancias despertaram 
esintelligencias entre os dois primos (V. Affonso 
(TAlbuquerqui*.), mas afinal a fortaleza concluiu- se. 



Affonso d' Albuquerque partiu para Coulão, e 
Francisco para Cananor, deixando entregue a 
guarda da fortaleza a Duarte Pacheco. Attbiiso 
voltou a Cochim, e, não encontrando o primo, par- 
tiu para Lisboa. Francisco foi mais infeliz, por- 
que sahiudo de Cananor também com destino a 
Portugal, foi assaltado por uma tempestade, e 
nunca mais houve noticias a seu respeito. Das 
três naus, que compunham a esquadra, nenhuma 
d^ellas voltou a Lisooa; a commandada por Pêro 
Vaz da Veiga perdeu-se á ida, e as outras duas 
no regresso. 

Albuquerque (Francisco Maximiano Alves dt 
Mello e). Fidalgo portuguez do principio do sé- 
culo XIX. 

Albuquerque (Henrique Zeferino de). Nat. de 
Lisboa, onde nasceu a 12 de fevereiro de 1842, 
filho de Zeferino Ignacio Matheus, livreiro muito 
conhecido e acreditado, estabelecido n'esta ci- 
dade, primeiro na rua d'El-r6Í, depois na rua da 
Princeza, e fallecido a 24 de março de 1880. Hen- 
rique Zeferino continuou com o estabelecimento, 
por morte de seu pae, e apesar dos cuidados f|ue 
lhe dedicava, entregava-se a estudos litterarios 
e industriaes, e, procurando amplial-os, realisou 
uma viagem demorada e instructiva a Franca. 
Animado pelos resultados que obtivera e pelo de- 
sejo de ser útil ao seu paiz, resolveu dar grande 
desenvolvimento ao commercio a que se dedi- 
cara; começou pela fundação d'alguns jornaes, e 
por editar obras de valor. Publicou em 1873 El 
telegrafo europeu, folha quinzenal, destinada ás 
republicas do Rio da Prata e do Pacifico. Era 
escripta em hespanhol; sahiram 37 números; 
em 1881, Hihaltas e gambiarrasj revistu semaruilf 
de que se publicaram 75 números, sendo os úl- 
timos sete illustrados com os retratos de vários 
artistas. Collaboraram nVsta revista Camillo Cas- 
tello Branco, Júlio César Machado, Guilherme 
d' Azevedo, e D. Guiomar Torrezao. A obra que 
lhe mereceu todos os seus cuidados, empregando 
para a realisar todos os meios de que podia dis- 
por, foi a edição do Diccionario universal portu- 
guez illustrado, que fundou em 1879, segundo o 
plano do Diccionario de Tjirousse. E' na verdade 
uma obra colossal, dirigida ao principio por Fran- 
cisco d'Almeida e depois por Fernandes Costa. 
Para a grande empreza a que se propôz, Henri- 
(|ue Zeferino fundou em novembro de 1881 uma 
vasta ofiicina typographica, e, querendo depois 
dar maior publicidade á sua importante edição, 
resolveu ir pessoalmente ao Brazil contratar a 
venda e angariar assignaturas. Infelizmente, po- 
rém, o diccionario não poude concluir-se, ficando- 
publicados apenas 4 grossos volumes ; 2 de que 
se compõe a Icttra A, um da letra B, e outro da 
letra M. O seu editor e proprietário viu-se o))ri- 
gado a suspender a publicação, depois de luctar 
com as maiores contrariedaaes. 

Albuquerque (Ignacio Baptista Cortella Sou- 
sa e). Fidalgo portuguez do século xix, nat. de 
Macau. 

Albuquerque (D. Isabel de). Irmã do grande 
Affonso d'Albuauerque, a quem elle confiou a in- 
fância de seu nlho. Foi dama da rainha D. Isa- 
bel, 1." mulher d'el-rei D. Manuel; casou com o 
alcaide-mór de Leiria, Fernão de Sousa. D'este 
consorcio nasceu Catharina de Sousa e Albu- 
quer(|ue, que foi l.* mulher de Duarte Galvão, 
chronista-m<^r do reino. 

135 



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Dnqne d'Albaqaerqae 



Albuquerque (D. Isabel de). Mulher do Duarte 
Pacheco Pereira, capitão na índia, nos princi- 
pios do século xvi. 

Albuquerque (Jeronymo de Cavalcanti). Go- 
vernador da provinda do Cabo Verde, em parte 
dos annos de 1G39 e 1640. 

Albuquerque (D. João Affonso da Costa de 
Sousa de Macedo Albuquerque, 4.° visconde, 2." 
címde de Mesquitella e i." duque de). Fidalgo, des- 
cendente de illustres famílias portuguezas. N. 
em Lisboa, a 11 de fevereiro de 1815; era filho 
de D. Luiz da Costa de Sousa de Macedo e Al- 
buquerque, 3." vis- 
conde e 1.° conde 
de Mesquitella, e de 
sua esposa, a con- 
dessa D. Maria Igna- 
cia de Saldanha Oli- 
veira e Daun, filha 
do conde de Rio 
Maior, e neta, por 

Sarte de sua mâe, 
o grande estadista 
marquez de Pombal. 
Entrou no Collegio 
dos Nobres, onde 
cursou os estudos su- 
periores. Terminan- 
do os estudos, par- 
tiu em viagem de 
instrucção pelas 

Srincipaes cidades 
a Europa. El-rei, 
impressionado pelas preciosas manifestações de 
intelligencia e distincção que tanto se nota- 
vam no laureado estudante, e desejando ser 
agradável ao pae e filho, agraciou com o ti- 
tulo de conde o joven fidalgo, iazendo-lhe egual- 
mcnto mercê das honras de official-mór da Casa 
Real, para servir no impedimento de seu pae, e 
da commenda de N. b.* da Conceição. Com 
estes titules que traduziam a consideração que 
desfructava no seu paiz, se apresentou o joven 
fidalço nas cortes de Hespauha, Paris e Londres. 
Admittido á intimidade dos homens mais notá- 
veis d'essa época, tanto na politica como nas le- 
tras e sciencias, o conde Mesquitella soube con- 
firmar perfeitamente no estrangeiro o alto con- 
ceito, que os seus méritos pessoaes lhe haviam 
alcançado. Estava em Paris cjuando falleceu seu 
pae, e, apenas recebeu essa triste noticia, regres- 
sou ao reino. El-rei conferiu-lhe então a com- 
menda de Christo e investiu-o na posse dos car- 
gos de 12." armador-mór e 12." armeiro-mór do 
reino, que por successâo lhe pertenciam, toman- 
do tamoem por successão assento na camará dos 
pares, dignidade a que seu pae fôra elevado em 
182G. Honrado com a particular estima de D. Pe- 
dro V, foi por elle convidado mais d*uma vez a 
acceitar a nomeação de seu camarista e veador 
da rainha D. Estephania, convites a que sempre 
soube es(iuivar-se com os pretextos mais delica- 
dos. Tanto na occasião da chegada a Lisboa da 
rainha D. Estephania como da rainha, a senhora 
D. Maria Pia, o conde de Mesquitella foi o pri- 
meiro fidalgo portuguez incumbido de receber ao 
desembarque no Terreiro do Paoo as augustas 
damas, D. Luiz eoncedeu-lhe, u essa occasião, 
a grã-cruz da ordem militar de N. S.» da Con- 
ceição, e mais tarde confiou-lho o comniando da | 

136 



guarda real dos archeiros por impedimento do 
duque de Palmclla. Em 1870, na revolta de VJ 
de maio, promovida pelo duque de Saldanha, e 
que este distincto militar constituiu ministério, 
o conde de Mesquitella foi convidado para se 
encarregar da pasta dos estrangeiros, sendo-lbc 
também offerecido o titulo de duque d* Albuquer- 
que e a grã-cruz da ordem de Christo ; o conde 
rejeitou todas essas honras. A situação pouco 
constitucional creada pelo duque de Saldanha, 
n'essa época, levantava escrúpulos na consciên- 
cia do fidalgo inteiramente extranho ás luctas c 
paixões da polkica. Só mais tarde, em 19 de 
maio de 1886, é que acceitou o titulo de duque 
d^Albuquerciue em sua vida com quo foi agra- 
ciado por el-rei D. Luiz. Em 24 de setembro de 
1890 falleceu no seu bem conhecido solar do Poço 
Novo, em Lisboa, onde também fallecera cm no- 
vembro de 1862 o seu extincto ascendente, An- 
tónio de Sousa de Macedo, ministro de D. Af- 
fonso VI, e embaixador em Inglaterra, onde as- 
sistiu á morte de Carlos I, de quem foi leal amigo. 
O duque d' Albuquerque era muito esmoler; os 

Í>obres que habitavam nas dependências do pa- 
acio, e em outras propriedades que lhe perten- 
ciam, não pagavam renda porque o benemérito 
fidalgo, além de muitas esmolas que fazia, cedia- 
lh*as gratuitamente. Como era celibatário con- 
siderava os pobres a sua familia adoptiva. Além 
das honras já mencionadas, o duque d* Albuquer- 
que tinha também a grã-cruz da ordem de Car- 
los III ; era par de Inglaterra, barão de Murlin- 
gar na Escócia, e senhor da ilha Grande do 
Joannes ; exerceu por algum tempo o cargo de 
secretario da legação portugueza em Paris, e 
foi alferes da cavallaria nacional de Lisboa. 

Albuquerque (João Affonso de). Filho de 
D.* Aflfonso Sanches, bastardo d'el-rei D. Diniz. 
Foi senhor em Castella, e o primeiro que usou 
do appellido de Albuquerque. Mandou edificar a 
torre da Codiceira, e n'ella poz as armas adopta- 
das por esta familia — as (juinas de Portugal c 
fiôr de liz, porque a mulher com quem casara, 
descendia da familia real de França. 
. Albuquerque (D. João Affonso de). Era de 
origem castelhana, mas foi o primeiro bispo de 
Goa, nomeado por D. João III, em 11 d^abril de 
1537. Pertencia á provincial da Piedade, da or- 
dem franciscana. Partiu para o Oriente na ar- 
mada do vice-rei D. Garcia de Noronha. Che- 
gando a Goa arvorou, com todo o cerimonial, em 
sé, a egreja de Santa Catharina. Falleceu a 28 
de fevereiro de 1553. 

Albuquerque (João de). Padre da Companhia 
de Jesus, cujo habito tomou em 162(^. N. em El- 
mulfe, em 1606. Professou humanidades, primeiro 
nas aulas da Companhia e depois veiu explicar 
Tácito nas conferencias da Academia dos Gene- 
rosos. O conde de Penaguião, que muito o con- 
siderava, convidou-o para familiar de sua casa, 
logar que acceitou. lalleceu no anno de 1665 
em casa do referido fidalgo. Escreveu algumas 
obras em latim, que são muito apreciadas pelos 
entendedores. 

Albuquerque (João Mousinho de). Fidalgo e 
escriptor portuguez ; n. em Lisboa, a 21 de feve- 
reiro de 1<Í)7, f. em Portalegre, a 8 de agosto de 
1881. Era filho terceiro do desembargador do 
Paço, João Pedro Mousinho d' Albuquerque ; foi 
licenccado na faculdade de leis, na Universidade 



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dc Coimbra, admiuistrador da Casa de Bragan- 
<;a, provedor da Casa da Moeda, administrador 
da alfandega das Sete Casas. Escreveu: lie- 
jlexo€8 sobre a agricultura pátria, com refc- 
rt*ncia ao decreto do Instituto Agrícola, offere- 
t-idos aos lavradores portuauezes pelo seu col- 
lega, etc. Leiria, 1854. A Associação Typográ- 
phica Leiriense mandou imprimir esta obra, 
precedida d^uma advertência em que elogia 
muito o autor. Escreveu mais; Juizo critico 
sobre os actos do administração finda com a 
morte de Sua Magestade a Senhora D. Maria II 
que Deus haja. Lisboa,. J854 Referindo-se a esta 
memoria, e como em continuação, publicou João 
Mousinho d' Albuquerque em 1858, no jornal O 
Futuro, uma serie de artigos sobre a Revisão da 
Carta Constitucional, e apreciação de seus defeitos; 
As minhas resistências ás ordens superiores, em 
(jfuinto serei o cargo de Provedor da Casa dn 
Moeda, que S. M. I. o Regente me havia confiadf), 
sem pedir 'Ui* o, etc. offei-eddo ao juizo imparcial da 
(pinião pvhlica, Lisboa, 1835 ; Relatório feito á 
assembléa gerai da sociedade das escolar da pri- 
meira infanda, na sessão de 12 de julho de 1835, 
Lisboa, 1835 ; Memoria sobre a moeda portugueza 
e sua origem, seus usos e abusos; offerecida ás dasses 
menos versadas na sciencia do crédito, Elvas, 1862; 
O dfficit, suas origens e indicações para attenual-o. 
Offereeidas ao governo e corpo legislativo, Lisboa, 
18í57. No Jornal da Sociedade Agricola do Porto, 
aunos de 1856 a 1858 publicou uma serie de ar- 
tigos acerca da agricultura; 1.° Memoria descri- 
ptit'^1 <íe um la^ar de azeite de novo invento; 2." 
Roleamentos; 3.° Mattas, selvas e vergéis; 4.° Ce- 
reaes, e mais culturas alimenticias ; 5.** Gados e 
pastos; 6." Vijihas e olivaes; 1.° Montados; 8.** ta- 
pnmes, abrigos, aterros e vallagens; 9.** Considera- 
ções sobre a fertilidade ou esterilidade das terras; 
e meios práticos de aproveital-as ou melhoral-as ; 
10-" Enxoframento das vinhas; 11.** Architectura 
moral; 12.° Considerações sobre os inconvenientes 
que devem resultar do estabelecimento do deposito 
para reexportação dos géneros cereaes no porto de 
Lisboa; 13.<* Lavras. 

Albuquerque (Joaquim Mousinho de). Heroe 
portuguez, e militar destemido, contemporâneo. 
N. em 10 de novembro de 1855. Era filho de 
José Diogo Mascarenhas Mousinho d' Albuquer- 
que, director dos telegraphos e pharoes do reino, 
e nct^ de Luiz da Silva Mousinho d'Albuquerque, 
que tanto se distinguiu nas luctas civis de 1828 
a 1846, succumbiudo n'cste anuo, a 23 de dezem- 
bro, na batalha de Torres Vedras. Joaquim Mou- 
sinho d* Albuquerque assentou praça aos 16 annos 
de edade, em cavallaria 1, no dia 23 de novembro 
<le 1871 ; cursou a Escola Polytechica, depois a 
Escola do Exercito, seguindo o curso de cavalla- 
ria, sendo promovido a alferes em 27 de dezem- 
bro de 1876. Serviu nos regimentos de cavallaria 
2 e 4, teve o posto de tenente em 31 de outubro 
de 1884 6 o de capitão em 12 de setembro de 
1890. Depois de concluir o curso da arma de ca- 
vallaria, matriculou-se na Universidade de Coim- 
bra, na faculdade de mathematica, que frequen- 
tou até ao S.** anno. Em 1895 foi nomeado para 
commandar a força de cavallaria que partiu na 
expedição de Moçambique, para obrigar a entrar 
na obediência os régulos das regiões do sul d'A- 
frica, entre os quaes figurava o feroz e temido 
Guugunhana. Seguiram-se as gloriosas façanhas 




Jo&qiiim Monainho d*Albuquerqtie 



das nossas tropas, e Mousinho d'Albuquerquc, 
sempre no seu posto, com o sangue frio dos va- 
lentes militares, acompanhou os acontecimentos, 
prestando o seu valioso concurso em todas as 
acções. Estava, porém, reservado ao valente mi- 
litar um acto de grande heroísmo, que o tornaria 
bem conhecido e respeitado. Era o fecho da cam- 
panha, a prisão do Gungunhana. Chicomo era o 
ponto determinado para centro das operações da 
columna do norte. Logo que as tropas alli chega- 
ram, tratou-se de reconnecer bem o local para 
defeza d*algum ataque do inimigo, que não estava 
; longe. O Gungunhana, regulo de Gaza, mandou 
j então uns embaixadores, propondo restabelecer 
a paz, pagando as indemnisacões de guerra e en- 
tregando 08 régulos Mamatibejana, Zixaxa e o 
M ah azul, trazendo 
também muitos pre- 
sentes de marfim, di- 
nheiro, etc. que não 
foram acceites. Es- 
tes protestos d'ami- 
sade dissimulavam 
as más intenções do 
Gungunhana. O pla- 
no era ganhar tempo, 
para concentrar as 
forças. O regulo fal- 
tou á sua palavra, 
mandou-se-lhe nmvl- 
iimatum para que no 
praso de 5 dias pa- 
gasse as indemnisa- 
cões de guerra e en- 
tregasse os régulos. Passados os 5 dias, nova 
embaixada veiu a Chicomo, pedindo proroga- 
çào do praso. Ainda se sustaram as hostili- 
dades. Ainda houve pedido de nova prorogacão, 
que egualmente se não cumpriu, ate que anual 
se resolveu a declarar a guerra. Eiij meados de 
setembro de 1895 começaram então as sortidas 
pelos dominios de Gaza para abrir caminho até 
Manguanhana, onde o regulo habitava com as 
suas 50 mulheres. Em todas estas sortidas houve 
lucta com os vatuas. Emquanto no Chicomo se 
iniciavam estes combates, o commissario régio, 
o conselheiro António Ennes, não perdia tempo, 
ora em Lourenço Marques, ora em Inhambane, 
dirigindo e regulando todos os movimentos da 
campanha. A situação aggravava-se. Veiu então a 
Chicomo o commandante militar de Inhambane 
ofFerecer-se para tomar parte na guerra, com al- 
guns milhares de sypaes para auxilio das forças 
aa metrópole. Este auxilio valeu de muito, por- 
que os vatuas também recebiam reforço da parte 
dos macuacas. Prepararam-se as forcas para ata- 
I car Manjacaze. Na segunda feira 4 ae novembro, 
I logo muito cedo, depois da revista feita ás tropas, 
! todos marcharam atravez da floresta, indo na 
j vanguarda, explorando o caminho, a cavallaria 
com os sypaes á frente. Mousinho, com duas orde- 
I nanças, internava-se na floresta, não lhe esca- 
' pando o mais pequeno rasto do inimigo. Depois 
de muito cansaço, d*um calor asphyxiante e pés- 
simo caminho tiveram de parar em frente d'um 
mattagal tão expesso que era impossivel desbra- 
var, pelo desanimo e falto de forças em que to- 
dos estavam. Era fácil (^ue o inimigo armasse alli 
alguma emboscada. Fez-se um reconhecimento 
em que se viu, estarem ainda distante de Mauja- 

137 



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caze (luas horas <lc inarciia, sendo piTciso atra- 
vessar a vau o rio Manguanhana, que ficava para 
além (la matta (\\iv se via na frente. O coronel 
resolveu que a columna ficasse na langua de 
Coolella, junto da lagoa do mesmo nome. Appa- 
receram entSo as forças inimigas, e travou-se 
forte combate, fugindo os vatuas, que perderam 
muita gente. Entre os nossos houve 5 mortos c 
alguns feridos. Era preciso ir buscar munições a 
Chicomo, d'onde deviam voltar no dia ÍK Em 11 
marchou-se sobre Manjacaze ; os vatuas deviam 
estar alli concentrados em grande forya. Che- 
gou-se finalmente á langua de Manguanhana, 
onde ia decidir-se a sorte das nossas armas. As 
granadas derrubavam as arvores do bosque que 
cercava a povoaçSo. O inimigo não avanyava, e 
os tiros das suas espingardas nao alcançavam a 
distancia. A valentia dos vatuas era impotente 
contra as nossas armas, e as grandes mangas de 
pretos principiavam a abandonar o campo. A 
pouca resistência do inimigo causou surpreza, 
porque tudo fazia acreditar que o ataque de 
Manjacaze seria lucta do vida e de morte. Era 
preciso, portanto, entrar na povoação, e atacar 
alli os vatuas; entrou-se e nSo se viu nin- 
Çuem. O Gungunhana e o seu exercito haviam 
tugido. A povoação de Manjacaze foi incen- 
diada. O Gungunhana refugiara-se em Chai- 
mite, uma espécie de logar santo, escolhido 
para diversas cerimonias com o fim de ar- 
ranjar feitiço, que impedisse de ser desco- 
berto. Tinha uma única entrada de 40 cent. de 
largura. Foram ao todo 53 militares, (jue mais 
tarde, sob o commando de Mousinho de Albuquer- 
que, conseguiram capturar o celebre Gungunhana. 
A 6 de janeiro de 1896 lavrou-se o auto da en- 
trega dos prisioneiros, o regulo e sua familia, no 
palácio do governo de Lourenço Manjues. Ter- 
minada a campanha, Mousinho d'Albuquerque 
foi nomeado commissario régio de Moçambique. 
N'esta occasião foi a Pretória, sendo alli recebido 
com todas as honras por Kruger, que lhe pediu 
para ser seu hospede durante o tempo que se 
demorasse. Verdadeiro patriota, Mousinho nao 
podia sofFrer que ficasse impune quahiuer rebel- 
dia contra o prestigio portuguez, e d'ani resultou 
a guerra aos namarraes ; houve 4 combates, Mo- 
guenga, Maguema, Ibrahimo e Mucuto-Muno. As 
nossas forças, sempre commandadas por Mousinho 
(rAlbu(iucr([uc, alcançaram uma assigualada vi- 
ctoria sobre as forças do Maguiguana, avaliadas 
em 5 mil homens, no campo de Macontene. Re- 
gressou a Lisboa em 15 de dezembro de 1897, 
onde teve uma recepção extraordinária, trazendo 
com.sigo os prisioneiros de Chaimite. Na sala 
Portugal da Sociedade de Geographia fòram-lhe 
cntreçues, em sessão solemne,as medalhas de ouro 
de víUor militar e de serviços relevantes no Ul- 
tramar. Discursando n^essa óccasiSo el-rei D. Car- 
los e o sr. conselheiro Dias Costa. Mousinho ti- 
nha casado em 1879 com sua prima, a sr.* D. Maria 
José Mousinho d'Albuquerque, filha do doutor 
Joilo de Mascarenhas Gaivao. Foi promovido a 
major em 28 de dezembro de 1895. Ultimamente 
era aio de suas altezas reaes, e acompanhara o 
príncipe D. Luiz Filippe n'uma digressão ás 
províncias do norte do paiz. Suicidou-se em 8 de 
janeiro de 1ÍK)2, indo n'uin trem em caminho de 
Hemfica. A sua morte causou geral sensação e o 
fimeral foi imponente. Além das honrarias já ci- 

138 



tadas, Mousinho d*Albuquerquc era coimnenda- 
dor e olficial das ordens da Torre o E.*4pada c 
de Aviz, por serviços distinctos, cavalleiro dw 
S. Jorge, de Inglaterra; tinha as commendas da 
Águia Vermelha d'AlIemanha, de S. Mauricio e 
S. Lazaro dTtalia, da Legião de Honra, de JjCo- 
poldo III, da Bélgica, e Carlos III de Ilespauha- 

Albuquerque (Joel Joaquim CoUaço de). Fi- 
dalgo portuguez do século xix, nat. de Salsctc, 
no estado da índia. 

Albuquerque (Jorge de). Fidalgo portuguez, 
capitão do Mar aas índias. Foi governador de 
Cochim c de Malaca, sabendo grangcar muitas 
sympathias. Partiu de Lisboa em 1512, comman- 
dando a nau Nazareth na armada de Jorge de 
Mello. Voltou depois ao reino, e em 1519, sendo 
novamente nomeado governador de Malaca, par- 
tiu para o Oriente. Demorou-se na costa d* Africa 
Oriental a invernar, c alli exerceu o commando 
da armada, indo depois ter ao Mar Roxo com o 
governador da índia, Diogo Lopes de Seciueira- 
Finalmente partiu para Malaca em 1521. Susten- 
tou continuadas guerras com o sultão de Bintam, 
sendo por vezes vencido, mas em 1524 alcançou 
uma victoria naval importantíssima sobre a es- 
((uadra de Bintam, que desanimou completamente 
o sultão. Foi Jorge d'Albuquerque quem tomou 
a iniciativa da posse das ilhas Molucas. No prin- 
cipio de 1525 terminou o tempo do seu governo, 
e regressou ao reino, onde passou socegadameutc 
o resto da vida. 

Albuquerque (D. Jorge Mavuel de). Um dos 
fidalgos portuguezes que seguiram o partido de 
Castella contra a pátria, durante o dominio hes- 
panhol. Estava em Madrid (luando se deu em Lis- 
boa a revolução do dia 1." de dezembro de 1(>40, 
(jue tornou independente o reino de Portugal ; 
não quiz reconhecer essa independência, e esse 
facto valeu-lhe o titulo de conde de Lavradio 
com que o rei de Ilespanhao agraciou, titulo que 
nunca foi reconhecido em Portugal. 

Albuquerque (José Franciaco de Pavia Ca- 
ralcanti de). Governador e capitão general de 
Moçambi(|ue, para que foi nomeado a 2G de ju- 
lho de 1816. Tomou . posse a 2 de fevereiro de 
1817 e falleceu a 12 de novembro de 1818. Ante- 
riormente tinha sido promovido a capitão de 
mar e guerra e despachado para a capitania do 
Rio Grande a 2 de dezembro de 1805. Por sua 
morte organisou-se cm Moçambique o seguinte 
governo provisório : fr. Josfe Nicolau Jesus Ma- 
ria Pegado, brigadeiro graduado Francisco Car- 
los da Costa Lace e juiz de fora Amaro Guedes 
da Silva e Sousa. 

Albuquerque (Ji>8é Maria da Silva e). Nat. de 
Lisboa, onde nasceu cm 24 de dezembro de 1829, 
e f. a Ití d'abril de 1879; era filho de José Maria 
Rodrigues e Albuquerque e de Anna Joaquina 
dos Reis.. Começou o tirocínio de typographo na 
officina do Grátis, de que era proprietário Ma- 
nuel António Ferreira Portugal; depois esteve 
muitos annos na de Manuel de Jesus Coelho, 
onde se imprimiram O Patriota, O Portuguez, e 
outros joruaes, passando depois, em 8 de julho de 
1807 para o quadro da Imprensa Nacional. Foi 
revisor do Diário de. Noticias, onde também col- 
laborou. Tornou-sc muito notável pelo seu amor 
ás clas8(}s laboriosas e principies associativos. 
O (iremio Popular, iustituido em 1857, devo a 
existência, cm grande parte, á sua iniciativa; 



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José Maria da Silva o Albuquerque 



outras associações populares c moute-pios lhe 
deveram os maiores cuidados, achando-o sempre 
prompto a auxilial-os quanto podia, com todo o 
fervor e abnegação : a Tyjwgraphica Lishonenne^ 
de que foi presidente, a Phenix, a Fraternal Lia- 
honertse, a de Auxilúis mutuosj a do Soccorro da 
humanidadey e a Caixa económica da Typographia 
Universal. A sua palavra sincera e veliemente 
era sempre escutada com attenção, porque Silva 
c Albuquerque tornou-se um orador popular muito 
sympatnico e respeitado. Col laborou nos seguin- 
tes jornaes : IWtwpiez, Jornal do centro pnymn- 
tor dí)8 meUtora- 
me-ntos das classes 
lafHyriosas, Fede- 
ração, Opera rin^ 
1 Mário do Com- 
mereio, Mocidade^ 
Diário de Noti- 
cias, etc. Escre- 
veu uma comedia- 
drama em 2 actos, 
que se represen- 
tou no antigo tliea- 
tro da Rua dos 
Condes, intitula- 
da: O operário e 
a assf}ciação. Ti- 
nha a medalha hu- 
manitária da fe- 
bre amarella, con- 
cedida pela ca- 
mará municipal ás pessoas que tinham prestado 
bons serviços durante aquella calamitosa epide- 
mia. A sua morte causou profunda impressão ; o 
funeral foi muito concorrido, fazendo-se repre- 
sentar todas as associações populares. A camará 
cedeu espontaneamente um logar no jazigo mu- 
nicipal do cemitério dos Prazeres, onde o seu 
cadáver jaz sepultado e deu o seu nome ao an- 
tigo largo e travessa dos Canos, no bairro da 
Mouraria. A commissâo administrativa da As- 
sociação Typographica Lisbonense e artes cor- 
relativas maniiou collocar sobre a sepultura a 
seguinte inscripção: A José Maria da Silva 
e Alhufjuerque, fecundo apostolo do principio asso- 
dativo f faUecidq a 15 de abril de 1S19, a commis- 
sâo administrativa da Associação Typographica 
lAsbonense consagrou esta lapide em 1883 no jazigo 
cedido pela camará municipal de Lisboa. 

Albuquerque (José Osório de Castro Caf/ral). 
Fidalgo da Casa Real, no século xiz, cavalleiro 
da ordem de S. Bento d*Aviz, bacharel formado 
em Mathematica pela Universidade de Coimbra, 
major graduado do corpo do estado maior do 
exercito, membro do Conservatório Real de Lis- 
boa, etc. Escreveu: Osmia, conto historico-lusi- 
tanoy em quatro quadros, seguido de outras poe- 
sias, Lisboa, 1845; A Serra-negra, romance ori- 
ginal portuguez, Lisboa, 1843 ; Varias poesias em 
diversos metros, publicadas no Ramalhete^ tomo 
VI, e tomo VII ; na Bevista Universal, tomo v, na 
lUustração, vol. ii ; no Jardim das Damas, etc. 
Foi também um dos redactores principaes do liei 
e Ordem. 

Albuquerque (Lopo de). Um dos mais distin- 
ctos capitães do exercito portuguez, no século xv. 
Era filho de Joílo Aifonso d*Albu(|uerque e de 
D. Catharina Pereira. El-rei I). Aftbuso V fez- 
Ihe mercê do titulo de conde de Penamacor, es- 



tando no Arcnal, a 24 d'agosto de 147G, fazendo- 
Ihe juntamente mercê da dita villa e da de Abiul ; 
exerceu vários cargos na corte do referido mo- 
narcha: camareiro-mór, copeiro-mór, e capitão 
da guarda real. Acompanhou el-rei a França, 
que o mandou como embaixador a Roma pára 
tratar da dispensa do casamento com a rainha 
D. Joanna, a Ex^ellente Senhora. Ijopo d' Albu- 
querque tomou depois parte na conspiração do 
duque de Vizeu, o que o obrigou a sahir do reino 
e a refugiar- se em Sevilha, onde falleceu. 

Albuquerque (Ijuíz d' Almeida e). Director da 
Escola Polytechnica, lente da 10.» cadeira da re- 
ferida escola, e de economia politica no Insti- 
tuto Industrial e Commercial. N. em Serpa, em 
1816. E' bacharel em direito pela Universidiíde dt; 
Coimbra; foi secretario geral do governo civil 
de Lisboa, em 1851 e 1856, do conselho geral 
das alfandegas, e vereador da camará municipal 
em 1859, sendo reeleito em outros annos. Como 
vereador prestou bastantes serviços, devendo-se 
á sua iniciativa o aformoseamento da praça do 
Príncipe Real e o jardim da Escola Poh^techni- 
ca. Collaborou em diversos jornaes, fazendo 
parte da redacção do Lmitano em 1848, e da do 
Paiz, em 1851. Collaborou também no Fan;/, jor- 
nal de instrucçâo e recreio, publicado nos annos 
de 1848 e 1849, conjunctamente com Latino Coe- 
lho, António de Serpa, Joaquim Pedro Celestino 
Soares, Filippe Joaquim de Sousa Quintella, Joíío 
Francisco Dubraz, etc. Em 1846 escreveu alguns 
artigos na lUustração. Em 1853 foi instituído o 
Jornal do Commercio, sahindo o 1." numero a 17 
de outubro. Este jornal veiu substituir o Paquete 
Cornmercial, que era sustentado por unia socie- 
dade, a que pertenciam Matheus Pereira d'Al- 
meida e Silva e seu 
irmão Josó Pereira 
da Silva. Foram es- 
tes dois irmãos, as- 
sociados com Carlos ^T^^^^^í^ 
Payante, que fun- *^^ 
daram o Jornal do 
Commercio; em pou- 
co tempo se aggre- 
garam á redacção, 
como sócios, Anthero 
Albano da Silveira 
Pinto e o sr. Luiz 
d'Almeida e Albu- 
querque. Sendo pre- 
ciso reforçar a so- 
ciedade na parte do Luíz d*Aliueida e Albuquerque 
capital, ainda entra- 
ram mais vsocios. Passados annos, de accôrdo 
com os seus antigos sócios, o sr. Luiz d'Al- 
meida e Albu(|uerque ficou sendo o único pro- 
prietário do jornal de que era director prin- 
cipal e redactor, até que em 18 de julho de 
1881, querendo afastar-se da vida activa do jor- 
nalismo, resolveu vender a propriedade aos srs. 
Henry Burnay & C.', que são os actuaes proprie- 
tários. O sr. Luiz d'Almeida e Albuíiuerque ó 
commendador da ordem de Christo e cavalleiro 
da de N. S.« da Conceiçãode Villa Viçosa. Es- 
creveu : Principios elementares de economia po- 
litica, Lisboa, 1885. 

Albuquerque (Luiz de Sá Osório de Mello 
Mimhmça e). Marechal de campo. N. em 1792; 
era filho de Manuel de SjI Osório de Mello Mcu- 

139 




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Luiz de Sà Oior!o de Mello 
Mendonça e Albuquerque 



doiiça c Albuquerque, que foi administrador de 
vários districtos do reiuo. Seutou praça de ca- 
dete a 6 de novembro de 1811, e entrou logo nas 
campanhas da guerra da Península, aohando-sc 
nos combates de Arapiles, em que foi ferido, To- 
losa, Bayona, do forte de Salamanca, e muitos 
outros. Depois da guerra contra os francezes, se- 
guiram-sc épocas bastantes calamitosas para Por- 
tugal ; sendo um verdadeiro liberal, foi perseguido 

no tempo do gover- 



no absolutista, o que 
o obrigou a emigrar 
para a Galliza, d'on- 
de partiu para In- 
glaterra, passando 
depois á ilha Ter- 
ceira a reunir-sc ao 
exercito de D. Pe- 
dro IV. Acompanhou 
sempre o exercito li- 
bertador, até que o 
partido constitucio- 
nal se restabeleceu, 
subindo ao throno 
a rainha D. Ma- 
ria II. Terminada a 
campanha, Mendon- 
ça e Albuquerque 
tinha o posto de co- 
ronel, e foi -lhe con- 
fiado o commando do regimento de infantaria 
18. Em agosto de 18G() loi reformado em ma- 
rechal de campo, depois de 4d annos de serviço 
militar, sendo a maior parte doeste tempo pas- 
sado 110 campo da batalha. Falleceu com 79 annos 
a 25 de março de 1871. Era condecorado com o 
grau de cavalleiro da ordem de S. Bento d*Aviz, 
a cruz n.** 2 da euerra da Península e a medalha 
algarismo n." 9 das campanhas da Liberdade. 

Albuquerque (Luiz da Silva Mmisinho de). 
Coronel de engenharia, provedor da Casa da 
Moeda, governador civil na ilha da Madeira, e 
inspector geral das obras publicas. N. em Lisboa 
a 10 de junho de 1792. Era filho de JoSo Pedro 
Mousinho d* Albuquerque, desembargador do Paço, 
c de D. Luiza da Silva Guterres e Athayde. Luiz 
Mousinho foi destinado a sòr\'ir na ordem militar 
de S. Jo&o de Jerusalém ; mas, conhecendo que 
não tinha vocaçSo para semelhante vida, desli- 
gou-sc do instituto cm que seus pães o tinham 
icito entrar. Mostrava um talento extraordinaria- 
mente precoce, era muito estudioso, e tinha 
grande gosto pela poesia, desenho e sciencias 
ph\ sicas. Ainda crcança, compunha idyllios e ou- 
tras poesias, e traduziu em verso a tragedia 
Ándromaca, de Racine ; entretendo-se também 
em fazer collocçôes entomologicas, minerologicas 
o chimicas. Luiz Mousinho quiz seguir a carreira 
da marinha, mas, encontrando muitos obstáculos, 
desistiu e foi assentar praça como cadete na bri- 
gada real. Em 1809 começou a frequentar a Aca- 
demia de Marinha, sendo premiado em todos os 
annos. Praticou também no Observatório Real de 
Marinha. Apaixonando-se çor sua prima D. Anua 
Mascarenhas de Athayde, filha do desembargador \ 
José Diogo de Mascarenhas Neto, e vendo que j 
iiao possuia bens de fortuna para se casar, lein- 
brou-se de se df dicar á agricultura. N'cste cm- I 
])eiilio foi muito auxiliado por uns seus parentes, \ 
Tudelas de Castilho, que residiam no Fundão, j 

140 



Foi então cstabelecer-se n*esta villa, em 1814, 
voltou a Lisboa em 1816 para realisar o casa- 
mento com sua prima, tornando para o Fundão 
onde residiu até 1820, entregue aos cuidados da 
agricultura. A este tempo já havia escrípto bas- 
tantes poesias, uma tragedia, e a sua melhor obra, 
as Georgicas; collaborara no Jornal de Caimbray 
e nos Annaes das sciencias e das letras^ jornal 
portuguez fundado por seu sogro, c que se publi* 
cava em Paris. A pedido do sogro, foi com elle 
em 1820 áquella cidade, por causa da redacção 
do referido jornal. Três annos se demorou em 
Paris, frequentando os cursos públicos e os labo- 
ratórios, escrevendo muitos Annaes, principal- 
mente sobre a agricultura portugueza; frequen- 
tava também ao mesmo tempo o curso de Nauglin 
e estudava no laboratório com o grande prepara- 
dor Dnbois. Oífereceu então ao Instituto de 
França um trabalho tendente a simplificar o es- 
tudo da analyse chimica, e que se pôde conside- 
rar como uma taboa synoptica de reacções. Este 
trabalho provocou um relatório especial feito por 
dois sábios distinctos: Chaptal e Gay-Lussac. 
Em 1822 fez Mousinho uma viagem de instrucção 
á Suissa, e regressando a Portugal, tendo-se dado 
a revolta conhecida pela ViUafrancada, em 1823, 
estava de novo no poder o partido absolutista, e 
seu sogro o apresentou ao marquez de Palmella, 
então ministro; o marquez nomeou-o provedor da 
Casa da Moeda, logar a que estava annexa a obri- 
gação de reger uma cadeira de physica e de chi- 
mica por decreto de 1801, no laboratório d^aquclle 
estabelecimento. Para uso dos seus discípulos 
escreveu e publicou em 1824 um Curso elementar 
de physica e de cJiimica, a primeira obra completa 
doesse género, que appareceu em Portugal. N*os8C 
mesmo anno a Academia Real das Sciencias o 
elegeu seu sócio effectivo. Em 1825 foi encarre- 
gado pelo governo de ir aos Açores estudar e 
analysar as aguas mineraes da ilha de S. Miguel. 
Mais tarde partiu para França, e, estando ainda 
alli quando começou o governo do infante D. Mi- 
guel, deixou-se ficar como emigrado liberal, o 
assim poude seguir para a ilha Terceira, onde 
foi reunir-se aos chefes da resistência liberal, 
sendo logo escolhido para secretario da regência. 
Prestou então os mais assignalados serviços a 
causa da liberdade. Tendo exercido durante a 
lucta os mais elevados cargos, até o de ministro, 
não quiz nunca receber mais que a importância 
correspondente á sua patente de official subal- 
terno. Chegando D. Pedro á Terceira, e assumindo 
o poder que a regência exercera até então, foi 
Luiz Mousinho nomeado capitão-general e gover- 
nador da Madeira, que estava em poder dos mi- 
guelistas. Não tendo forcas sufficientes, porque 
se não julgava que a Macieira estivesse tão bem 
fortificada, Mousinho, ao chegar á ilha do Porto 
Santo, desembarcou, e esperou occasião propicia 
para se apoderar da ilha; assim permaneceu com 
a sua gente, n*uma posição singular, sem poder 
tentar cousa alguma contra a Madeira, mas tam- 
bém sem ter de repellir o minimo ataque. Afinal 
um navio de guerra, vindo da Terceira, o livrou 
d'aquellc angustioso embaraço, e Luiz Mousinho 
poude chegar ainda a tempo de desembarcar cem 
os seus companheiros nas praias do Mindello e 
de se encerrar no Porto, onde j)restou os maiores 
serviços como militar e estadista. Em 29 de julho 
de 1832 entrava no ministério em substituição do 



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Luiz Moasioho da Silva de 
Albuquerque 



inarqacz de Palinclla, indo occupar interinamente 
a pasta do reino. Os ministérios eram pouco du- 
ráveis n*aquella época calamitosa, e Mousinho, 
cm novembro d'esse mesmo anuo, foi substituido 
l>or Sá da Bandeira, mas continuou sempre sendo 
da maior confiança do imperador, e foi elle quem 
aconselhou primeiro a expedição ao Algarve. A 
expedição rcsolveu-se, Mousinho acompanliou 
sempre o duque da Terceira no seu estado maior 
até ao fim da lucta •, o duque respeitava-o e con- 
sagrava-lhe o mais profundo attecto e considera- 
ção. Luiz Mousinho foi ministro do reino em 1835; 
cahindo o ministé- 
rio cm 1836, Mousi- 
nho conservou-se fo- 
ra da politica, e foi 
residir para Paris, 
y onde adquiriu uma 
pequena proprieda- 
de, vivendo por al- 
gum tempo entre- 
gue ás suas occu- 
Iiaçòes agrícolas e 
aos cuidados da fa- 
mília. O governo en- 
carregou-o então, 
como otficial de en- 
genheiros, da di- 
recção central das 
obras publicas do 
reino. Pouco podia 
fazer, porque não 
havia dinheiro nem 
attenção para os me- 
lhoramentos públicos, e além d'isso rebenta- 
va a revolução de setembro. Depois veiu a 
reacção de 1837 e Mousinho d'Albuquer.que 
seguiu na lucta o partido dos marcchaes. Es- 
teve no combate do Chão da Feira entre os 
vencidos, vendo ali cahir ferido um dos seus fi- 
lhos; e acompanhando as tropas dos marechaes 
com os outros ofiiciaes, teve de emigar para Hes- 

Eanha depois de Ruivães. Firmada a paz e esta- 
clecida a constituição de 1838, Mousinlio foi 
nomeado inspector das obras publicas do reino, 
c encarregado de fazer a reforma d'essa reparti- 
ção. Entrando de novo na politica, foi eleito de- 
putado em varias legislaturas. No principio de 
1842, quando Costa Cabral promulgou no Porto a 
restauração da Carta, Mousinho foi chamado ao 
ministério de 9 de fevereiro, presidido pelo duque 
da Terceira. Teve então a pasta do reino e in- 
terinamente a da justiça. Proclamada a restau- 
ração da Carta, Luiz Mousinho, apesar de ser 
cartista, auiz, no entretanto, impedir a reacção 
desenfreada que se manifestava, operando a res- 
tauração da Carta pelos meios legitimes e regu- 
lares, convocando cortes constituintes que desfi- 
zessem a obra do congresso constituiute de 1838. 
Os restauradores não desejavam isso, e Mousinho, 
depois de ter sido insultado pelos cabralistas, 
pediu a demissão a 24 de fevereiro, 15 dias depois 
de governo, sendo substituido por Costa Cabral, 
indo sentar-se na camará nos bancos da opposi- 
cão. Um anno depois era demittido do logar de 
inspector das obras publicas. A sua vida parla- 
mentar de 1842 a 1844 foi brilhante. Acccitou 
então a direcção das obras da barra do Porto, 
que uma companhia emprehendcra ; fez apenas o 
plano, porque a empreza mallogrou-se. Depois 

VOL. I — FL. 18 



tomou a direcção das obras do canal da Azambuja, 
e, sendo expulso da camará pelas violências das 
celebres eleições de 1845, passou o inverno na 
sua quinta cie Leiria, entregue unicamente aos 
i cuidados domésticos. Em abru e maio de 1846 re- 
bentava no Minho a revolução conhecida pela 
Maria da Fonte. Tendo sido cuamado pela rainha 
D. Maria II o duque de Palmella para formar 
ministério, Mousinho encarregou-se da pasta da 
marinha, e pouco depois da do reino. A famosa 
emboscada de 6 d*outubro expulsou o ministério 
do duque de Palmella, e provocou a revolta da 
junta do Porto. Mousinho achou-se nas fileiras 
dos insurgentes; tinha então o posto de coroncil, 
e acompanhou a divisão do conde de Bomfim, que 
occupou Torres Vedras, sendo encarregado do 
commando do velho castello da villa. Deu-se cu- 
tão a batalha de 23 de dezembro em que ficou 
gravemente ferido, vindo a fallecer no dia 27. 
Luiz Mousinho d'Albuquerque era fidalgo da Casa 
Real, do conselho de S. M., cavalleiro da ordem 
de S. João de Jerusalém, grã-cruz de N. S.* da 
Conceição, e commendador da Toitc e Espada ; 
sócio de diffcrentes associações scientificas uacio- 
naes e estrangeiras. Escreveu : Idéaa sobre o esta- 
belecimento da instrucção ptMica, dedicadas á na- 
ção portugueza, e offerecidas a seus rcpreseidavíes, 
Paris, 1823; Curso elementar d^ Physiea e de Chi- 
mica, Lisboa, 1824; Observações sobre a ilha de 
S. Miguel, rccolhidus pela Qymmissão enmada á 
uiesma ilha em Agosto de 1825, e regressada em 
outubro do mesmo anno, Lisboa, 1826 ; Observações 
para servirem á historia geológica das ilhas da 
Madeira, Porto Santo e Desertas, com a descripção 
geognostica das mesmas Ulias; foram insertas no 
tomo XII, parte i, das Mem. da Arml. li. das Scien- 
rias de Lisboa ; Breve exposição do esforço tentado 
cm favor da Carta Constitucional em Portugal, 
nos mezes de julho a outubro de 1837, em Ponte- 
vedra, e depois em Lisboa, 1837 ; Pelatorio do 
Ministro e Secretario d^ Estado dos Negócios do 
lieino, ajn-esentado ás Cortes em 1836^ Lisboa, 
1836 ; Relatório das obras imblicas do reino, pelo 
Inspector geral, etc. Lisboa, 1840; Relatori^t geral 
sobre as ôl/ras publicas do reino, , pelo Inspector, 
etc, apresentado em 8 de julho de 1840, Lisboa, 
1840 ; Relatório dn Inspecção às obras e communi- 
cações internas nos districtos do reino a^ norte d^t 
Tejo, executada cm outubro e novembro de 1842 
pelo Inspector, etc, Lisboa, 1843; Guia do enge- 
nheiro na construcção das jtontes de pedra, Jjiaho^^ 
1840; Memoria inédita acerca do edificio monumen- 
tal, da Batalha, Leiria, 1854; Georgicas portugue- 
zas, dedicadas a sua mulher D. Anua Mascarenhas 
de Aiaide, Paris, 1820; Ruy o escudeiro, conto, Lis- 
boa, 1844 ; A Gloria das conquistai*, poemeto pu- 
blicado no Jornal de Coiml/ra, vol. xiv, o Dia, 
poema, 1813, 2.* edição, Lisboa, 1825. 

Albuquerque (Manuel de). Fidalgo portuguez, 
que viveu nos séculos xv e xvi. Illustrou-se como 
ofiicial de mar no desempenho de varias empre- 
zas que os governadores da índia lhe confiaram. 
Em 1529 foi capitão d'um dos navios da armada 
que Nuno da Cunha mandou ás ilhas Bahrein, a 
qual era commandada por Simão da Cunha. Em 
1530 também foi capitão d'uni dos navios que o 
mesmo Nuno da Cunha levou a Diu. Na tomada 
de Baçaim commandou um dos três corpos que 
deram o assalto, e depois da victoria ncou de 
novo commandando a esquadra que tinha de cni- 

141 



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zar a costa de Cambaya. Manuel d' Albuquerque 
tainbem figura ua toniíida da ilha de Repelim ao 
Samorim, na expedição cm que Martim de Sousa 
foi como chefe. 

Albuquerquef (Manuel Affonso de Sobral e). 
Fidalgo portuguez que viveu no século xviii. 

Al^querque (Manuel Custodio de). Oflicial da 
marinha real. Começou a sua carreira em 1767, 
como soldado. Kra tenente na guarnição da fra- 
gata Colmnloj que naufragou em 5 d outubro de 
18<)1, naufrágio em que succumbiu. 

Albuquerque (Manud de Mello e). Fidalgo 
portuguez, que viveu no século xviii. 

Albuquerque (Manuel Vieira Tovar de). Go- 
vernador d'Angola, de 1819 a 1821. Assignalou a 
sua administraçilo por varias medidas de grande 
utilidade para o desenvolvimento da provincia. 

Albuquerque (Mathias). Vice-rei da índia, 
nomeado pelo rei de Hospanha e de Portugal, 
D. Filippe, em 1591. Foi capitão de Malaca e de 
Ormuz, tendo exercido este ultimo cargo, desde 
1584: até 1587. Era homem de verdadeiro mereci- 
mento; no tempo do seu governo na índia, as ar- 
mas portuguezas ainda se fizeram respeitar cm 
Ceylão. A relaxação dos costumes era grande, o 
Mathias d*Albuquerque trabalhou muito para 
acabar com os abusos. Nada conseguiu, acarre- 
tando-lhe, pelo contrario, muitas intrigas de que 
foi victima, e que obrigaram o governo da metró- 
pole a fazer uma syndicancia sobre a sua admi- 
nistração. O governo do Mathias d'Albuquerque 
terminou em 1596, sendo seu successor o conde 
da Vidigueira, 1). Francisco da Gama. Morreu 
cm 16()9. 

Albuquerque (Miguel Autonio Pereira Ten- 
reiro de). Capitão-mór do concelho de Senhorim, 
e fidalgo da Casa Real, no século xviii. 

Albuquerque (Pauh Caetano). Governador de 
Angola, de 1726 a 1732, anuo em que falleceu. 
Construiu um novo forte e fez o quartel da ca- 
vallaria na Praia. 

Albuquerque (Pedro de). Senhor de Angeja e 
alcaide-mór de Sabugal e de Alfayates ; era filho 
de João Affonso d'Albuquerque e de D. Catharina 
Pereira. Serviu a el-rei 1). Affonso V na guerra 
contra Castella e depois a D. João II, que lhe deu 
o posto de almirante do reino, em 3 d*outubro de 
1483. Tendo, porém, tomado parte na conspiração 
do duque de Vizeu, foi decapitado era Montemór- 
o-Novo, sendo-lhe confiscados todos os bens. 

Albuquerque (Pêro de). Um dos officiaes mais 
valentes de Affonso d*Albuquerque. Em agosto de 
1512 partiu para a índia na armada de Jorge de 
Mello Pereira, commandando a nau Biamynha. 
Em janeiro de 1515 acompanhou Aôbnso d' Albu- 
querque a Ormuz, ficando como capitão na forta- 
leza doesta cidade até 1518, anno em que foi sub- 
stituído por D. Garcia Coutinho. Acompanhou 
depois, em 1519, Diogo Lopes de Sequeira até 
Mascate. 

Albuquerque (Sebastião José Guedes de). Ci- 
rurgião pela antiga escola de Lisboa; n. em 1800. 
Em 1828 sahiu com passaporte para Franca, e 
desde então não consta nada a seu respeito. Sen- 
do ainda estudante de cirurgia no hospital de S. 
José, publicou em seu nome as seguintes obras : 
Arte de. traduzir de latim para portuguez^ redu- 
zida a principios. Lisboa, 1818 ; Grammatica por- 
liigueza, para uso do ill."*** sr. 1). Francisco de 
Sales e I^ncnsfrc. Lisboa, 1820. Este livro susci- 

142 



! tou uma polemica por parte do professor de la- 
I tinidade Joaquim José de Campos Abreu e Le- 
mos, que escreveu successivamente dois folhetos: 
I O Desaggravo da Grammatica ou reflexões criti- 
• cas sobre a «Grammatica Portuffueza, ordenada 
I por Sebastião José Guedes d'Alí)uquerq[uc» ; A 
: Sustentação do Desaggravo da Grammatica, cnti- 
; fra a resposta e mais arrasoados de Sebastião José 
I Guedes de Albuquerque. Em resposta a estes fo- 
j Ihetos de critica, foram publicados : Replica ao 
' Desaggravo da Grammatica. Lisboa, 1821; lies- 
prsta á Tréplica sobre a Replica ao Desaggrawt 
da Grammatica. Lisboa, 1822. Parece, segundo 
diz Innocencio, que estas obras não eram escri- 
ptas por Sebastião José Guedes d*Albuqaerqae, 
mas por um seu tio, fr. José da Encarnação Gue- 
des, franciscano, que as publicava em nome do 
sobrinho, para poder auferir os lucros resultan- 
tes da venda, emquanto que, sendo em seu nome, 
tinha de os ceder ao convento, por causa do voto 
de pobreza que fizera. Ha ainda a Sytwpse do 
tractado da elocução de Demétrio Suspensio, livro 
publicado sem declaração do logar, nem anno. 

Albuquerque (Vicente de). Sobrinho do grande 
Aôbnso d* Albuquerque, ao qual acompanhou n'ftl- 
gumas expedições á índia. Em 1505 partiu na es- 
quadra, commandada por seu tio, como capitão 
d'um dos navios. Em 1512 esteve em Goa, n'nm 
celebre combate contra Russal-Khan. Foi um 
dos capitães da esquadra commandada por Pêro 
d' Albuquerque, destinada á conquista de Adem, 
que se não effectuou. Em 1515 acompanhou Af- 
fonso d' Albuquerque a outra expedição, o com 
elle esteve na tomada d'Ormuz, depois de se de- 
liberar em conselho que se preferisse esta cm- 
preza á de Adem. Depois d'esta expedição não 
SC tornou a falar no seu nome. 

Albuquerque. Casal na freg. de Adaval, cone. 
de Redondo, distr. de Évora. || Quinta, na fíreg. 
de Alpedrinha, cone. de Fundão, distr. de Cas- 
tello Branco. || Nome d'uma praça ou logradouro 
publico da villa da Praia, ilha de Cabo Verde. 
Albuquerque RibaMa (André de). Um dos 
heroes da guerra da Restauração de 1040. *N. em 
Cintra, a 21 de maio de 1G21; era filho de Gas- 
par d'Albuquerque e de D. Angela de Noronha. 
Alistou-se no exercito que defendia a indepen- 
dência da pátria, tendo rápida promoção, pois 
que já em 1646 era capitão, e commandava a ca- 
vallaria do exercito do Alemtejo, do conde de 
Alegrete. Entrou em diÔerentes combates, e em 
1653, próximo d'Arronches, pelejou contra a ca • 
vnllaria hespanhola, sahindo completamente vi- 
ctorioso. Essa victoria, apesar de não ter conse- 
quências, foi uma das mais festejadas pelos por- 
tuguezes, porque a nossa cavallaria mostrara-se 
sempre inferior á cavallaria hespanhola, e esse 
combate de Arronches foi o primeiro em que se 
guerreou com vantagem. Na lucta ficou morto o 
general hespanhol conde de Amarante. André 
d'Albuquerque governou interinamente a pro- 
vinda do Alemtejo em 1665, mas durante essa 
época não se deu nenhum acontecimento notá- 
vel. Por morte de D. João IV reaccendeu-sc a 
lucta com extraordinário valor, c em 1658 André 
d' Albuquerque fez parte como general de caval- 
laria, do exercito comniandado por Joanne iiíen- 
des de Vasconccllos, que atravessou a fronteira, 
e foi pôr cerco a Badajoz. N*esses continuos 
combates, Albuquerque teve sempre o primeiro 



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papel, porque destroçou frequentes vezes as tro- 
pas do duque de Ossuua. O mais iniportantc foi 
o reeontro de 22 de julho de 1658, eonhecido pelo 
nome de batalha do forte de S. Miguel, em que 
Albuíiuerque sustentou com os seus esquadrões 
todo o peso do exercito inimigo commaudado pelo 
duquo de S. Germano. Mais terrivel foi ainda a 
invasão, feita em 1059, pelo próprio ministro hes- 
panhol D. Luiz de Haro, que entrou em Portu- 
gal ú frente d'um grande exercito e pôz cerco a 
Klvas. £m 14 de janeiro d'esse anno deu-se a 
grande batalha das linhas d'Elvas, em que muito 
SC distinguiram D. Sancho Manuel e o conde de 
Cantanhede, depois marquez de Marialva. Esta 
batalha foi uma completa derrota para os hespa- 
nhoes. Commandava então- a cavaltaria André de 
Albuquerque, e ahi encontrou morte gloriosa, 
tendo apenas 38 annos de edade. Deixou escri- 
pta e impressa a relação da victoria que ganhou 
cm Arronches sobre as tropas do conde a'Ama- 
rante. 

Alcabideche. Pov. e freg. da prov. da Extre- 
madura^ cone. de Cascaes, com. de Cintra, distr. 
e patr. de Lisboa. 3:026.alm. e G19 fog. Tem es- 
cola do sexo masc. A pov. dista 3 k. da sóde do 
cone. Orago S.Vicente. L)'estapov., collocada n'um 
logar alto, descobre-se Palmella, Cezimbra, Cabo 
do Espichel, monte da Arrábida, seiTa de Cintra 
o a barra de Lisboa. Deriva a palavra Alcabide- 
che, do árabe, alçai e daeqtte que siguifica en- 
contro apertado. Possue valles férteis mas ro- 
deados de altos fragosos. Tem algumas fontes, 
sendo, porém, só duas importantes, ás quaes se 
attribuem virtudes medicinaes. São ellas a da 
ViUa e a de Fartapão. A villa é dividida pelo rio 
om duas partes : Villn Velha a O. e VtUa Nora a 
E. Os moradores de Villa Velha, para gosarem o 
privilegio concedido por D. João 11 e D. Manuel 
eram obrigados a lêl-o publicamente duas vezes 
uo anno, no primeiro e segundo domingo de no- 
vembro no logar das Marchas e no da M<dveira. 
Alem d*isso pagavam os lavradores 8 abjueires 
de pão (meia jugadu), os seareiros de 26 um e 4 
almudes de vinho por cada 125, tributo este a 
que <;hamavam quinau. Tinham também de ir 
velar uma noute na praia de Cascaes, e duas no 
Castell*^ dos Moiros^ em Cintra. Os moradores de 
Villa Nova não tinham privilegio algum, e pa- 
gavam aos marquezes de Cascaes IG alqueires 
de pão em cada anno e os seareiros o oitavo. 
Possue varias fortalezas, a saber : Forte de Santo 
António da Barra, edificado sobre um rochedo 

3ac entra pelo mar dentro, e fronteiro á fortaleza 
e N. S.* da Luz, o forte de S. João, etc. Passa 
uos limites doesta freguezia a serra de Cintra, 
cortada de 4 rios: Penha-Longa, Porto-Covo, 
Malveira e Manique. Celebrava-se aqui a antiga 
e celebre festa do imperador, que em outras eras 
foi muito popular. Era esta villa dos marquezes 
de Cascaes. 

Alcablda^iiie. Pov. da freg. de Condeixa-a-Ve- 
Iha, cone. de Condeixa-a-Nova. Tinha aqueductos 
de cantaria, feitos pelos romanos, dos quaes ainda 
hoje existem alguns. Recebia a agua de Condeixa- 
a- Velha, onde nasce n'uma gi-ande fonte, onde 
os árabes edificaram uma torre para sua guarda. 

Alcabrichel. Rio da prov. da Extremadura, 
freg. do Ramalhal. Nasce em Villa Verde dos 
Francos, passa pelos Olhos de Agiia de Tremezi- 
fêho, recebe o ribeiro de Villa Facaia, o rio da 



Quinta V. o de Casal Queimndoj e desagua na praia 
do Porto Novo, que tem uma ensoíida qu<í pôde 
receber grandes navios. O rio é atravessado por 
G pontes de cantaria que são : a do Aíaxialy a 
do Jtamalhal, Villa Facaia, Casal de Faio Cor- 
rêa, Cunhados e Vimieiro. Tem uma de madeira, 
a do Casal du Fi{/ueira. 

Alcabroacia ou Alcarabaça. Casal na freg. 
de Monte do Trigo, cone. de Portel, distr. e ar- 
ceb. d'Evora. 

Alcaçarías. Dava-se antigamente este nome 
ás casas onde em Lisboa se curtiam as pelles. E' 
palavra árabe, e significa : casa feita á maneira 
de claustro, com uma porta que se fedia de noute. 
Deriva de Caíçar (César) porque dizem que este 
imperador mandou edificar por todo o Oriente, 
casas n'estas condições. Os turcos eos árabes cha- 
mam a estas edificações Cam ou Camleham. Se- 
gundo diz Miguel dei Molino, as Alcaçarias, em 
Hespanha, eram legares ou ruas onde os judeus 
compravam ou vendiam aquillo que precisavam. 
Parece também que no sitio das Alcacarias em 
Lisboa esteve em tempos remotos o palácio real 
dos moiros. Em Lisboa dá-se este nome aos esta- 
belecimentos de banhos, situados no Terreiro do 
Trigo, no logar onde houve outr'ora cortumes e 
o mercado de judeus. Estes banhos são formados 
de aguas mineraes sulphurosas que rebentam de 
diffcrentes pontos ao fundo da pequena collina 
sobre que está edificado o castello de S. Jorge. 
Estas aguas teem um caudal abundantíssimo, e 
são conhecidas pelos nomes de Alraçarias do Du- 
que e Alcaçarias de D. Clara:, parece terem a 
mesma origem commum com a das aguas do Cha- 
fariz do Jieif e as dos banhos do Doutor. IJtili- 
sam-se em quatro estabelecimentos balneares 
chamados : 1). Clara, Duqu^ (do Cadaval) J. A. 
Baptista e Doutor (Fernando). Nos banhos do 
Duque rebentam as aguas por dois orificios do 
pavimento. Nas de D. Clara, existe a agua em 
grande abundância em reservatórios subterrâneos, 
d'oude se extrae por bombas para as tinas; nos 
banhos de J, A. Baptista e do Doutor a agua é 
idêntica ás anteriores. Assim como estas, as aguas 
do Chafaziz do RH teem a particularidade de ex- 
pellir grande porção de azote, sendo n'algumas 
nascentes tão considerável, que em poucos minu- 
tos pode encher gazometros com 12 ou 15 litros. 
O gaz contido nos orificios não contém oxygenco 
nem acido carbónico. São crystallinas, sem cheiro 
nem sabor, e levemente alcalinas ; teem chloreto 
de sódio, sulphatos de cal, soda e potassa, carbo- 
natos de cal, magnesia e silica; além d'isto con- 
teem grande quantidade de azote, oxigeneo e 
acido carbónico. A temperatura nos banhos do 
Duque é de 34."*, nos de D. Clara, de 33."; nos 
de J. A. Baptista, de 32.** a 34.** e nos do Dou- 
tor de 27.° Entrando-se em qualquer d'estes es- 
tabelecimentos, sente-se um leve cheiro de gaz 
sulfhydrico. Em todos elles se nota grande aceio; 
são regularmente hygienicos, e teem excellentes 
tinas de mármore. O estabelecimento chamado 
de D. Clara foi fundado em 1750, por D. Clara 
Xavier d'Aguiar, mulher do sargento-mór Aunilio 
da Silva de Castilho. Todos estes banhos são 
muito frequentados, e applicam-se no tratamento 
das moléstias de pelle, em que dão excellentes 
resultados. Também se empregam vantajosamente 
contra as nevralgias, paralysias e algumas doen- 
ças do útero e do estômago, mas as moléstias d<i 

143 



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pcllc coiistitucin a cspccialiiladc dNstas tborinas. 
Geralmente tomam-se os banhos durante 15 ou 
20 dias. 

Alcacema. Brayo de mar, que entra na barra 
de. Lisboa, por detraz da Torre do IJugio. ¥.' pa- 
lavra árabe e deriva de Caçanuij que significa 
dividir. 

Alcácer do Sal (António Caeta jw de Figuei- 
redo, í:* visconde de). Proprietário abastado. N. a 
18 d'outubro de 1810. Era filho de Francisco Joa- 
<iuim Figueira c de sua mulher D. Rosa Maria 
dos Reis; casou em 1841 com D. Maria Paula 
Leite de Figueiredo, filha de Francisco de 
Paula Leite, commendador da ordem de Christo, 
coronel de milicias d*Alcacer do Sal, e de sua 
mulher, D. Maria Thereza Coelho Leite. Foi 
agraciado com o titulo de visconde d*Alcacer do 
Sal por decreto de 31 de maio e carta de 2 de 
junho de 1871. 

Alcácer do Sal. Villa da prov. da Estremadu- 
ra, sede de cone. e com. do distr. de Lisboa, arceb. ' 
d'Evora. Pertence á 1.* div. mil. e ao 4." distr. 
de reser. do exercito effectivo com a sede em 
Setúbal. Tem duas freg.'" Santa Maria do Castello , 
com 1148 alm. e 33C fog. e 8. Thiago com 145í) 
alm. e 411 fog. Tem misericórdia e hospital, es- 
colas para ambos os sexos, estação telcgraphica I 
e postal, com serviço de emissão e pagamento de 
vales do correio e tclegraphicos, cobrança de re- ' 
cibos, letras e obrigações, e serviço do encom- 
mendas postaes, permutando malas com a R. A. ; 
S. — Lisboa e Beja. Situada a 6G kilometros ^a ' 
Lisboa, tem comnmnicação com a capital por via 
de duas diligencias diárias, que conduzem os 
passageiros pela estrada real n." 5^^) á estação rio 




primeira carreira a vapor teve logar cm 12 
de fevereiro de lt^G7, e diz Pinho Leal quo 
foi a camará de Setúbal, ajudada com uw sub- 
sidio do governo, que a estabeleceu. Antes de 
ser aberto á circulação o ramal ferro-viario 
de Setúbal, o que se realisou em 1 de feve- 
reiro de 1861, o transporto 
para Lisboa fazia-se por via 
de Setúbal a Valle de Zebro 
e gastava-se na joi-uada 1 a 2 
dias. Alcácer decahiu conside- 
ravelmente com a construcção 
da linha férrea do Alemtejo, 
— ahi por 1853, de cuja pro- 
vinda bem como da do Alçar- 
__^^_ ve era verdadeiro empório. To- 

Bra.lo'daViiiade ^«^ «^ productos cerealiferos 
Alcácer do Sal do Alcmtejo O Algarve vinham 
aqui, ao Porto d*El-Rei, ao 
Pocinho, á Foz (Sitimos) ou á villa, procurar 
venda ou embarcar para a capital, aprovei- 
tando o Sado, navegável até Porto d'El-Rei, 
que fica 20 kilometros a montante d'Alcacer. 
Os enormes eelleiros, alguns ainda bem conser- 
vados e outros em completa ruina, são testemu- 
nho irrecusável do grande movimento cerealífero, ' 
sobretudo, que dava então á villa um largo c 
rico commercio. E' sabido que n*esses tempos de 
verdadeira riqueza, a rua que atravessa a villa 
de oriente ao poente e parallela ao Sado, estava 
constantemente cheia de carros, que a miude se 
cruzavam, tornando assaz difiicih o trajecto de 
peões. Um facto só dá a medida da importância 
d'este movimento : A casa do paço, onde se ar- 
mazenavam e mediam os géneros, estava arrcn- 




VUU de Alcácer do Sal 



caminho de ferro do sul e sueste, no Poceirão, 
gastando-se no traje<'to a Lisboa sete horas. An- 
teriormente á 'Jcoustrucçao d'aquclla estrada, a 
communicação fazia-se pela via fluvial até Setú- 
bal, para onde havia uma carreira a vapor. A 

141 



dada no auno de 1S4G pela quantia de 1:671^(.HM> 
réis ; pois ultimamtMite andava arrendada por 
20^<XK) annuaes. Kthnographicamente a villa c 
mais cxtremenha do que alcnitejana ; está edifi- 
cada em grande parte na encosta do monte em 



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que assenta o castcllo, chegando as paredes dos 
prédios, pelo lado sul, a serem banhadas pelo 
Sado, marçem direita. Do castello, da parte alta 
(la vilia, e admirável a vista que se desenrola 
para o sul. Extensos pinhaes, a frondosa matta 
de Vai Verde, propriedade do Estado, pittoresco 
sitio da Leziria, Azeda e hortas coutiguas ; ao 
oriente as serras de Nossa Senhora das Chagas 
e de Nossa Senhora da Serrinha, com as suas 
respectivas ermidas erectas no cume, brancas de 
neve; enormes várzeas cortadas pelo Sado, que 
as banha suavemente em zigue-zagues capricho* 
SOS, deleitam o observador, que se nSo tem diante 
de si um vasto horisonte, é elle comtudo, variado 
e assaz suggestivo. Nos últimos vinte annos Al- 
cácer tem progredido muito, materialmente, gra- 
ças aos perseverantes esforços das municijpalida 
des, ás quaes o génio emprehendedor de Campos 
Valdez deu primacial impulso. As seguintes im- 
portantes obras o attestam : construcçâo dos pa- 
ços do concelho, vasto edificio, onde se acham 
ínstalladas as repartições publicas do concelho ; 
da cadeia comarca, em frente d'aquelle edifício ; 
de um matadouro, com todas as condições hygie- 
nicas aconselhadas pela sciencia ; o alargamento 
do cemitério ; a canalisacão e calcetamento de 
suas ruas principaes ; a aroorisaçao, que já conta 
cerca de 4:000 eucalyptos ; a construcçSo de um 
ramal da estrada dos Marty- 
res a meia encosta, ligando a 
parto baixa com a alta da vil- 
ia ; a tapagem d'um esteiro na 
praia, e outras de somenos, 
mas todas de reconhecida im- 
portância, e que teem absor- 
vido uma quantia superior a 60 
contos de réis. A arborisação 
c a limpeza publica, que é re- 
gularmente feita, teem melho- 
rado consideravelmente as con- 
dições hygienicas da villa. Ha 
diversas opiniões sobre a fun- 
daçíio dVsta antiga povoação. 
Pinho Ijcal diz que foi funda- 
da pelos Lusitanos no anno 8." 
de César (30 antes de Christo) 
pelo modo seguinte : Bogud, rei 
de Africa, entrando na Lusi- 
tânia levou tudo a ferro e fogo. 
Havia aqui um templo dedi- 
cado a Diana ou a Salacia nas 
margens do rio, que os africa- 
nos pro&naraip, mas quando 
iam no mar para as suas terras 
soffreram grande naufrágio, no /■#.^^_ 

3aa pereceram a maior parte 
*elles, perdendo as grandes ri- 
queias que haviam roubado. 
Os lusitanos entenderam que istojera milagre da 
deusa, e lhe construíram logo o templo, fundando 
cntSo a villa, a que deram o nome de Salacia. Ou- 
tros, como o padre Cardoso, escreveram que sobre 
a fundaçâoj ha varias opiniões sendo a mais 
provável o ser fundada por Tubal, o qual, se- 
gundo 08 que escreveram a sua visita ás Hes- 
panhas, entrando pela barra e subindo rio acima, 
fundou uma povoacSo de barro cozido, troncos e 
folhas de arvores, á qual deu o nome de Setúbal. 
Crêem alguns que esta povoação era na Troya, 
e que padecendo ruinas se passaram á outra parte 



onde se vê Setúbal, o que níio é verosímil, c 
só o é ser fundada no sitio onde hoje se acha a 
villa d'Alcacer, porquanto Troya se acha junto 
á bocca da barra, c nao pelo rio acima ; no sitio, 
em distancia de mais de oito léguas pela parte 
de Troya não ha mais do que areias e tão estéril 
que se não cria arvore nem fructifcra, nem sil- 
vestre, muito falta d*aguas e em todo sentido in- 
capaz de ser habitada, e o sitio onde se acha 
a villa d*Alcacer é o mais fértil de toda a pro- 
víncia do Alcmtejo, em muitos e diversos fructos 
que produz, abundante d*aguas nativas e grandes 
arvoredos, sitio em tudo proporcionado para se 
fundar a maior e melhor povoação, claro se mos- 
tra se appellidou Saltubal, danao a entender que 
quem descobriu e fundou a terra do sal foi Tu- 
bal. O que é positivo é que de todos os povos 
que habitaram a Lusitânia se encontram eviden- 
tes e inconfundíveis vestígios no concelho de Al 
eacer do Sal. Em todas as freguezias do conce- 
lho e muito principalmente nas de Santa Suzana, 
Santa Catharina, S. Romão, S. Martinho, Valle 
de Guizo e Torrão, se teem encontrado muitos 
machados prehistoricos, alguns de pedra finíssima, 
a maior parte de diorite, alguns polidos, muitos 
martellos, mós e outros instrumentos da mesma 
época. Na freguezia do Torrão, próximo a S. 
Fausto, ainda existe in-situ uma anta. Em fins 




íí'í^^•^.'yí^I! 



-^SjífiW^ 



Paços do Conculho 

de 1875, ao lavrar-se um olival do sr. António do 
Faria Gentil, próximo á ogreja dos Martyres, ap- 
parceeram vários objectos areheologicos e cons- 
tando este achado ao fallecido Marquez de Sousa 
Holstein, por este senhor, em nome do governo, 
e por escriptura de 9 de fevereiro de 187G, fo- 
ram elles adquiridos para o museu de bellas-artts 
(5 também o direito a exploração d'aquelles ter- 
renos, o que ainda se fez por algum tempo, mas 
pouco. Deve notar-se que aquella venda se fez 
pela quantia de 3:(XK)Í(X)0 réis paga em presta- 
ções, de que só algumas se satisfizeram, e talvez 

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pv)r iíht.a ccssayao i\ (iiic iiao pioscguiiam as pes- 
(|uizas. Os objectos cucoutrados caractcrisavam 
uma estação da primeira edadcj de ferro, como 
diz o fallecido Estaeio da Veiga, que os relacio- 
na, cm parte, no tomo ipiarto das «Antiguidades 
Monumentaes do Algarve»». Também não na muito, 
na horta do sr. Villa Boim foi encontrada uma 
pe<iuena figura de bronze, de incorrecta fabrica- 
ção, representando um Phallus. Umas figuras se 
nuílhantes que ha na bibliotheca de Évora jul- 
gam-se prevenientes d'aqui. E d'essas épocas, 
di^verá, mencionar-so ainda uma armilla de ouro 
massiço, encontrada ha annos nas abas do monte 
<los Castellejos, na freguezia de Santa Suzana e 
cpic foi adquirida pelo sr. Lince, para a camará, 
(ie í|ue era presidente. Podem ver-se-no pequeno 
museu municipal, onde também se encontram, dos 
mesmos tempos, diversas armas de ferro e algu- 
mas moedas autónomas, e um machado de bronze, 
encontrado, nos Castellejos. A época romana é que 
se accentua de uma maneira orilhaote em mui- 
tos pontos do concelho, mas principalmente no aro 
da villa, onde evidentemente foi a sede da Seda- 
ria urha imperatoria. Todos os escriptores an- 
tigos dão a cidade romana — Salacia — na actual 
Alcácer. Diz o padre Cardoso que Plinio fa- 
lando da sua grandeza, so exprimiu assim : «Sa- 
lacia, muito opulenta do império romano, hoje 
muito destruida, chama-se Alcácer do Sal»». Com- 
tudo o eminente sábio E. Hiibner, nas «Noticias 
Archcologicas de Portugal», não determina a sua 
verdadeira situação, pois que Mannert a dá perto 
de Setúbal, e com razão por isso em Trova, e 
outros a collocam nas visinhanças da egreja de 
Santa Margarida do Sado. Diz no emtanto o sr. 
lliibner o seguinte : «E* verdade que as muralhas 
do Alcácer apresentam os tríplices vestigios da 
construcção romana, árabe e da edade media, 
como m'o affírmou (pois que eu não pude verifi- 
cal-o) uma testemunha irrecusável, o sr. Alexandre 
Herculano, historiador portuguez tão justamente 
nomeado.» Para uns a questão da discordância 
provem da distancia marcada no Itinerário entre 
Salacia e Ebora, apesar de todos o acharem muito 
confuso, pois começa por se não ter precisado o 
seu ponto de partida ; para outros, oe umas pe- 
dras encontradas em Santa Margarida. Mas yX 
muitos annos apoz a publicação das referidas 
nnímorias o sr. Hiibner em Jja Archeólogia de 
EspaTia escreveu que: «Na Luzitania havia so- 
mente um appidum cicium Romanorum, que era 
o municipium Felicitas Júlia Oliaipo, trez Latu 
antiquiy isto é, de direito latino, Évora, a Ehora 
Liberalitas Júlia, Myrtilis, Mertola e a urbe im- 
])eratoria Sal(xcia, hoje Alcácer do Sal.» E mais 
diz ainda: «Ao sul de Portugal e naprovinciado 
Alemtejo, e d'este ao Guadiana e até á costa do 
oceano, districto que tem dado a conhecer tam- 
bém inscripções em caracteres ibéricos, tem-se 
encontrado moedas bilingues, egualmcnte do sys- 
tiMua monetário romano, que com muita proba- 
bilidade se attribuem ao bem conhecido munici- 
pio romano de Salacia, hoje Alcácer do Sal.» Com 
cftcito aqui tccm apparecido n'estes últimos tem- 
pos muitas d'essas moedas bilingues. Dizem al- 
jruns escriptores que a Salacia, que, gnsava o 
ItHvilegio de municipio do antigo Lacioy que era 
uma dignidade pela qual ficavam seus nutradorcs 
cguaes aos habitadores de Romay occupava duas 
léguas de circuito. E, na verdade, quem pacicn- 



tcmi'ntc pcsquizar nos terrenos adjacentes a Al- 
cácer, pelo lado do norte, encontrará desde a 
horta do sr. l*once, aos olivaes, á Foz, com inter- 
secções, é certo, vertigios romanos. Que vestigios 
mais typicos se poderão encontrar do que as te- 
lhas de rebordo — a tegula — e o imbrice^ moedas, 
fustes de columnas, restos de amphoras, peda- 
ços de pavimento, etc. Ainda a distancia da 
villa se notam esses vestigios, taes como dos 
seguintes sitios : S. Braz, aldeia de Santa Catha- 
rina, em quasi toda a freguezia de Santa Suzana 
— na herdade de Porta do Carro — na auinta de 
Cima, onde ainda existe um troço de calçada ro- 
mana e em todo o Alto Sado, pelo menos até 
Santa Margarida. N^alguns doestes sitios os ves- 
tigios são ainda de grande monta, o que leva 
a crer que seriam povoações contrilnUas da Sa- 
lacia. E notam-se, principalmente, na margem 
direita do Sado, e n'algum dos seus confluentes. 
Também aqui existem algumas sepulturas dolia- 
res. Diz o diccionario do padre Cardçso, e outros 
escriptores o repetem, que S. Mancos, bispo de 
Évora, veiu pregar o Evangelho a Salacia; assen- 
tou n*ella cadeira episcopal, pelo anno de 300, em 
que, diz D. Fernando de Mascarenhas, se cele- 
brou o concilio Eliberitano e assistiu D*elle S- 
Januário, Bispo de Salacia, e Bivar lhe assignou 
o assento 14.*» o Mendonça o 17.'» Foi sua firma — 
Januarius Episcopus Salaciensis. Da época bar- 
bara, que é a que decorre desde a invasão dos 
bárbaros, no século 5.<», até á invasão dos ára- 
bes, poderão decerto os entendidos encontrar 
vestigios nos restos das muralhas do castello. 
Também nas moedas e na cerâmica, sobretudo 
n*esta que constantemente apparece, esses ves- 
tigios se podem evidenciar. Em 1844 foi des- 
coberta n'uma capella da egreja de S. Fran- 
cisco, incravada no lado interior da parede 
sul, pelo sr. dr. Garcia Peres, que então exer- 
cia clinica n'esta villa, uma inscripcão goda 
de que trataram diversos escriptores. Os árabes 
ou moiros, como geralmente se chamam, vieram 

Eor sua vez occupar este território, que bem cu- 
içado era pelas suas riquezas naturaes e posição 
topographica e estratégica, e não foi de bom grado 
que elles o abandonaram, como adiante se verá. 
Diz Vilhena Barbosa que, apossando-se os moi- 
ros do nosso paiz, no século 8."», não trataram de 
levantar das ruinas a destruida Salacia, e prefe- 
riram, segundo o seu systema, estabelecer-se em 
uma posição defensável e já fortificada, como era 
o monte em que se achava o castello, e que o 
que fizeram, toi construir uma cerca para den- 
tro d'ella se abrigar a nova povoação, que deno- 
minaram Alcazar de Salacia — castello da cida- 
de romana denominada Salacia. D^aqui lhe pro- 
vem, decerto, o nome actual, e que até ao século 
XI foi apenas de Alcacere, para uns escriptores 
e para outros Alcacere do Sal. Da sua existência 
como cidade árabe e capital da grande província 
denominada Al-Kassar, podem dar perfeito tes- 
temunho ainda aquelles falados^restos das taipas 
e muros do castello, algumas moedas ali encon- 
tradas e depositadas, na camará municipal, diver- 
sos objectos de cerâmica, e umas inscripções en- 
contradas ha ])oucos annos, no sopé do Castello, 
e as quaos o eminente sábio E. Hiibner, a auem 
se mandou um calco, ainda que imperteito, 
disse conter na primeira linha a formula co- 
nhecida — em nome de Deus todo misericor- 



ALC 



ALC 



dioso! na linha 2-5 os nomes do defunto, — na 
linha 6 a data, anno 472 da hégira, isto ó, 1079 
— 1080 da nossa era. Em 115S, 11 annos após a 
tomada de Lisboa, foi Alcácer tomada aos moiros 
por D. Affonso Henriques, aue sustentou dois me- 
zes de apertado cerco e, rói rechaçado e ferido 
na primeira investida o repellido na segunda, 
apesar do auxilio dos cruzados. Foi no dia 24 de 
junho do dito anno que o rei conquistador tomou 
o eastello, que era um dos mais importantes e so- 
lidamente construi dos pelos romanos e suecessi- 
vamente reparado e ampliado pelos povos que 
lhes snccederam. Tinha este eastello, que em 
parto assentava sobre uma rocha de pedra bran- 
da, fossos, duas ordens de fortificações, duas por- 
tas, nma para o norte chamada nova e outra para 
este chamada ferroy trinta torres de pedra de 
mais de 25 metros d'altura e uma de cantaria. Dos 
combates e pelejas que se deram n'esta tomada, 
a que nSo foi, como em todas as nossas conquis- 
tas, extranhas a fé, e em que,jpor vezes, appare- 
ceu a milagrosa intervenção Divina, e dos com- 
batentes que morreram em táo porfiadas luctas, 
lô-se algures que se faz menção no livro dos óbi- 
tos de Santa Cmz de Coimbra. António F. de 
Castilho diz, referindo-se ao facto; «Alcácer a 
romana c indomável, revendo-se no rico estendal 
de suas marinhas. . . a poderosa Alcácer gentil- 
mente fiime contra um cerco porfioso e mais gen • 
tilmente rendida aos pés da Cruz...» Era, porém, 
muito povoada pelos povos do norte a cidade 
aralic — Al' Kassar -bun - abu - Danes — capital da 

Erovincia de Al-Kassar, e por isso não era de 
oamente que elles abandonavam tão fértil região, 
e era que tão aclimados se encontravam. E assim, 
logo que aquelle rei a abandonou para proseguir 
nas suas conquistas, novas invasões e luctas se 
deram, pois que os moiros não estavam conten- 
tes ainda com a alforria que lhes foi dada em 
março de 1170, até que em 1191, reinando D. 
Sancho I, foi retomada pelo Miramolim de Mar- 
rocos, em poder de quem se conservou até ser 
novamente tomada a 18 de outubro de 1217, no 
reinado de D. Affonso II. E dizemos no reinado, 
c não que foi este rei que a retomou aos moiros, 
porque parece fora de duvida, á face da historia, 
que emquanto os portuguezes se batiam valente- 
mente, inspirados pelas predicas do bispo de Lis- 
boa D. Soeiro, — verdadeiro conquistaaor de Al- 
cácer — e auxiliado pelos cruzados, aquelle rei, 
segundo uns historiadores, estava doente e, se- 
gundo ontros, tinha-se, intencionalmente afasta- 
do do theatro da guerra. Foi tão apertado o cerco, 
que durou dois mezes e meio ; praticaram-se tacs 
actos de bravura e heroicidade, que esta definiti- 
va occupação da villa representa um dos factos 
mais importantes da nossa historia pátria. O con- 
celho d'Alcacer foi instituído em seguida á to- 
mada da villa, e depois d'esta doada á ordem de 
S. Thiago ; era o maior do reino, pois comprehen- 
dia as villas de Grândola, S. Thiago do Cacem, 
Villa Nova de Mil fontes, de Odemira, Alval- 
lade, Torrão, Ferreira e Canha, como consta 
de tombo da mesa mestral, que se acha no, car- 
tório da mesma. Actualmente pode dizer-se que 
é riquíssimo e ainda grande. D*uma estatisca 
official vê-se que só ha no continente 21 conce- 
lhos ane lhe são superiores em rendimento collc- 
ctavet. Em área, que é de 133:243 hectares, só ha 
trcs concelhos que lhe são superiores. Essencial- 



mente agrícola, produzindo e exportando muito 
trigo, sal, arroz, cortiça, vinho, gado suino c vac- 
oum. Se bem que o seu solo se ache em grande 
parte, no geral do concelho, arroteado, seus mon- 
tados quasi limpos, e regularmente tratados, é 
certo que ainda, principalmente nas freguezias 
de Santa Suzana, S. Martinho e S. Romão, ha 
terrenos a desbravar, alguns férteis valles a apro- 
veitar, montados a conquistar ao matto. Nas lim- 
pezas dos chaparros ha annos em que se em- 
pregam GOO a 700 homens das duas Beiras, os 
quaes levam em média do concelho 24:000/iO(H) 
réis. O primeiro proprietário do concelho é o sr. 
José Maria dos Santos, um lavrador intelligcnte, 
e activo e emprehendedor, que sae do ronceiris- 
mo secular, que tanto prejudica a nossa agricul- 
tura. A população do concelho é de 10:392 almas 
o que tanto vale dizer que tem de recrutar em 
diversas épocas do anno milhares de braços para 
os seus trabalhos. Tem as seguintes freguezias : 
Santa Maria do Castello, S. Thiago (estas duas 
na villa), Valle de Reis, MonfAlvo, Palma, S. 
Martinho, Santa Suzana, Santa Catharina, Nossa 
Senhora do Monte, S. Romão e Torrão. Estão 
inscriptos nas matrizes prediaes 2:302 prédios 
rústicos e 1:547 urbanos, com o rendimento col- 
lectavel 184:31911012 réis. Está ligado com a ci- 
dade de Beja pela estrada real n." 73, construída 
em 1871-1874; com a estação do caminho de fer- 
ro pela n.*» 50, construída em 1884, e ainda com 
Grândola, Cacem e Sines pela do mesmo numero 
50, construída em 1877. Dão livros antigos conta 
de que havia no concelho muito commercio dií 
sal, obras de esparto e junco e esteiras, que iam 
para França, Itália e outras nações ; que tinha 
um arsenal importante, do qual sahiram formidá- 
veis esquadras, e ainda D. António Delgado no seu 
«Nuevo Método de Clasifícación de las mcdallas 
autónomas de Espaila», diz : «Strabãoy celebrando 
os tecidos de lã turdetanos, fala dos que fabrica 
vam os salaciates^ que, segundo a opinião mais 
commum, foram de Salacia.» E se o facto de se 
terem aqui arrecadado nos últimos dois annos 
mais de 50 pondus, que, como é sabido, eram 
usados nos teares, serve para confirmar aquella 
hypothese, elle ahi fica narrado. Diz-nos o Dic- 
cionario do padre Cardoso que o terreno era fer 
tilissimo, produzindo toda a casta de fructas, e 
que na herdade de Palma se criavam muitos gi- 
netes de preço, muita caça grossa : veados, cor- 
ças, porcos e muita caça miúda e rasteira, e que 
n'aquella herdade se produziam os melhores me- 
lões de toda a província. Alcácer ufana-se de 
ter sido berço do Pedro Nunes, e por isso a ini- 
ciativa particular e a edilidade lhe rememoram 
o nome, já dando-o ao theatro, que se denomina 
«Pedro Nunes», já á praça principal da villa, on 
de estão situados os paços do concelho. Moder- 
namente mencionaremos, entre os filhos i Ilustres 
de Alcácer, os fallecidos, D. João Rodrigues da 
Cunha Aragão Mascarenhas, que foi deputado em 
muitas legislaturas, e governador civil de diver- 
sos districtos, o visconde d'Alcacer de Sal e An- 
tónio de Campos Valdez. Em Alcácer do Sal 
houve 08 seguintes conventos : Convento d'Ara- 
cteli : Ruy Salema e sua mulher D. Catharina 
Sotto-Maior foram os fundadores d'este convento ; 
dil-o uma escriptura existente no archivo da 
Santa Casa da Misericórdia, nos seguintes ter- 
mos : «Em 1573, aos 3 de julho, em o Castello da 

147 



ALO 



ALC 



villa, oude ora novamente esta situado o mostei- 
ro para freiras da ordem de Santa Clara da in- 
vocação de Nossa Senhora d'Ara-c<rli, (jiie edifica- 
ram e ordenaram Ruy Salema c sua mulher D. 
Catharina, que ali estavam presentes...» por es- 
tes foi feita doação ao convento da quinta de 
Arapouco, com declaração de que mudando-se o 
convento, ou deixando de existir, os bens doados 
reverteriam a favor da Santa Casa da Misericór- 
dia. Vem aqui a propósito dizer que D. Manuel 
tiívc n'aquelle8 paços noticia da morte de seu 
I)rimo D. Joio II, e u*elles, na presença da rai- 
nha viuva, J). Leonor, dos prelados, senhores e 
íidalgos fez o seu juramento e foi logo acclama- 
do rei, partindo depois para Montemór-o-Novo, 
onde se reuniram cortes, e, ainda deve dizer-se, 
que o segundo casamento d'este monarcha com 
sua cunhada a infanta de Hespauha, D. Maria, 
se realisou em Alcácer, negociando-o Ruy de 
Sande, que, por isso, recebeu o titulo de Dom e 
varias tenças e commenda. Também aqui, onde 




Egreja Matriz 

tinha vindo mudar de ares, falleceu, ainda moça, 
J). Querubina, filha de D. João I. Já no reinado 
D. João II existia um convento em Alcácer, pois 
que, por ordem d*este monarcha, tomou aqui o 
habito de Isabel Pires da Rosa. Dentro do con- 
vento estiveram, por vezes, mais de r>0 religiosas, 
e a ultima d*ellas, D. Maria da Conceição de S. 
José, falleceu a 3 de fevereiro de 1874. O convento 
de Santo António pertencia á ordem de S. Francis- 
co e foi fundado por D. Fernandes Martins Mas- 
carenhas, casado com D. Violante Henriques, no 
anuo de 1524. Foi extincto ha mais de 50 annos 
dVlle só restam as principaes paredes e ó hoje 
propriedade da sr.* D. Maria Augusta Branco de 
Paiva. Na egreja que lhe pertencia, denomina- 
da de S. Francisco, fizeram-se ha 4 mezes, devi- 
do íi iniciativa das irmãs do sr. Silvestre Faria 
(i are ia, importantes obras, sem as quaes dentro 
em pouco certo seria o desabamento dos telhados, 
e a destruição d'uma capella toda de mármore, 
que é digna de verdadeira admiração. Não ha na 
villa egreja que contenha mármores em tão gran- 
de iiuautida<íe e finos, pedras sepulchraes de tan 
ta valia histórica e tão esculpturalmente traba- 
lhadas. N'esta egreja fez D. Pedro do Ma.sca- 
nmhas, filho do 1." capitão dos ginott;s 1). Fer- 
nando Martins Mascarenhas, que foi vice-rei da 

148 



índia, e que fundou o morgado de Palma, uma 
capella sumptuosa de pedra branca de Extremoz 
em que pôz uma cabeça das onze mil virgens, 
um dos dinheiros com que Judas vendeu o seu 
Santíssimo Mestre, uma parte do Santo Lenho, 
um cabello de barba de ri. S. Jesus Chrigto, t; 
outras muitas reli([nias ({ue trouxe de Roma, 
quando lá esteve embaixador. Para que todas as 
pessoas podessem visitar as relíquias ciue se 
guardam n'aque]la capella, ninguém podia ser 
preso, salvo em fiagraute delicto, nos três dias 
de feira franca, que havia no mez de abril. A egro ■ 
ja de S. Thiago está situada no centro da villa, 
a meia encosta, e foi reconstruída por completo 
no reinado de D. João V ; a empreitada da re- 
oonstrucção foi adjudicada por 30:(KH) cruzados. 
A egreja de Santa Maria está situada dentro do 
castello e foi construída no reinado de D. Affon- 
so II, em 1217, logo depois da definitiva occnpa- 
ção (ia villa. £' egreja que attesta muita anti- 
guidade e tem três naves, sustentadas por dez 
columnatas. Tinha 3 beneficiados curados, 4 sim- 
ples, thesoureiro e organista. Tinham n'ella os ba- 
rões d* Alvito uma capella dedicada ás almas. 
A egreja da Misericórdia foi fundação de Ruy Sa- 
lema em 153<), e tem um hospital annexo á eçreja 
o qual presta caridosos serviços ás classes pobres, 
já admittindo-as nas suas enfermmarias, vastas, 
e bem arejadas, já facultando medicamentos c 
dietas aos doentes externos. Tem 4 enfermarias, 
que comportam cerca de 50 doentes. Recebe, cm 
média annual, (j(X) doentes, sendo a maior parte 
de fora do concelho. Tem um rendimento de cer 
ca de 5 contos do réis. Nos últimos dez annos a 
respectiva administração tem ali effectuado me- 
lhoramentos importantes, taes como o alargamen- 
to e melhor disposição das enfermarias, grandes 
reparos na egreja e átrio, um jardim devidamente 
gradeado, na parte postcírior do edificio, melhora- 
mento importantissimo, que veiu beneficiar muito 
hygienicamente este estabelecimento. O primeiro 
foral dado aos moiros forros de Alcácer é de D. 
AfFonso Henriques, em Coimbra, março de 1170; 
confirmado por D. Afibnso II em dezembro 1217 em 
Santarém. O primeiro foral dado á villa é o de 
D. Affonso II, agosto de 1218, em Coimbra. O fo- 
ral novo de D. Manuel é de 23 de abril de 1516, 
e d'rlle existo uma copia na secretaria da cama- 
rá. Armas : uma nau sobre as ondas ; timbre : ar- 
mas reaes e por baixo das armas a legenda : ba- 
LAciA iKBs impkhatokia; as armas reaes sao em 
memoria de ter sido a villa conquistada a pri- 
meira vez pelo próprio rei D. Affonso Henriques; 
a nau em recordação da armada de cruzados, 
que auxiliou n*aquella empreza o monarcha por- 
tuguez. Esta villa tinha voto em cortes, com 
assento no banco n.° 6. Quando a villa quani se 
limitava ao castello, os seus moradores gosa- 
vam o privilegio de não pagar direitos do que 
compravam e vendiam em todo o reino, e além 
d'isso os habitantes estavam isentos de servir 
qual(|uer cargo contra sua vontade. D. João VI 
esteve aiiui em 1823 e acompanbaram-n*o as in- 
fantas D. Izabi^l Maria e D. Maria de Jesus. Vie 
ram do seu palácio do Pinheiro, hoje proprieda- 
de do sr. visconde de Bartissol, e hospedaram-se 
cm casa da sr.* D. Maria Augusta, ao cabo da 
villa. 1). Pedro V esteve também aqui cm 1 Ú9 
novembro de 18G<>, e hospcdou-se em casa do fal* 
lecido visconde de Alcácer. Pertence aocoucclho. 



ALC 



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dcsile 3 abril de l«71,aiinportaute viIIa<lo Torrão, 
t^ue foi bereo do aiictor da Menina e Moça — Ber- 
nardim RÍDoiro — e onde houve pessoas distin- 
ctissimas, taes como o 1.** visconde do Torrão, 
Jeronymo de Magalhães, Baião Lança Mexia Sa- 
lema, íilho do desembargador Joaqnim de Maga- 
lhães Mexia de Macedo, âdalgo da Casa Real e 
senhor da casa de I^iizâ, as fimiilias Galvão, Ina- 
tos e Cardins. Pertencia esta villa á ordem do 
S. Tliiago, que lhe deu foral pelos annos de 1260. 
Concedeu-lhe também foral D. Manuel em 20 áv. 
novembro de 1512, e esto foral, ou uma copia i 
d'elle, está em poder do sr. Joaíiuim Valério da ' 
Silveira Magalhães Mexia, residente na dita villa. 
Foi senhora da villa a casa dWveiro, como des- 
cendente do mestre D. Jorge, que sempre vivia na 
villa durante os mezes de inverno. O sou palácio 
ficava defronte da egr^a matriz, e ainda ali so no- 
tam restos de uma edificação. Possue â villa d'Al- 
caeer uma associação de soccorros mútuos, prin- 
cipalmente destinada ás classes laboriosas, fun- 
dada no anno de 1883 *, tem duas sociedades phi- 
larmonicas denominadas Sociedade Amizade, e 
Progresso Alcacerense, que pertenciam respecti- 
vamente á politica dos fallccidos visconde d' Al- 
cácer e Campos Valdez ; ç dois clubs, o theatro 
denominado Pedro Nunes, construído ha annos. 
Tem esta casa de espectáculos, frizas, camarotes, 
balcão e platéa superior e inferior, o que tudo ó 
muito sufficiente para os frequentadores salacien 
ses. Teve dois jornaes, dos quaes o primeiro, o 
Alcacerense, começou a publicar-se no dia 29 de 
janeiro de 1888 e o segundo, a Vog do Sado, no 
dia 10 de junho de 18í)5. Qualquer d'elles durou 
apenas um anno. 

Aleacer-Geg^er. Cidade fortificada no império 
de Marrocos, no estreito de Gibraltar, eutre Tan- 
ger e Ceuta. Foi tomada aos çioiros no dia 23 de 
outubro de 1458 pelos portuguezes sob o com- 
mando de D. AjffÒDso V, e abandonada por ordem 
de D. João III. 

Alcacer-Kibir (Batalha de). Foi junto dVsta 
povoação do império de Marrocos, que se deu a 
grande batalha tão fatal para a nação portugueza. 
D. Sebastião, na sua febre das conquistas de pos- 
sessões d* Africa, e querendo fonnar um império 
africano, deixou-se arrastar pelo seu génio belli- 
C080 e enthusiasmo dos poucos annos, despre- 
zando os conselhos prudentes dos velhos militares 
já experimentados nas lides guerreiras, atten- 
dendo somente aos lisongeiros fidalgos que lhe 
animavam o orgulho e a ambição de ^oria. Firme 
no seu propósito organisou um exercito, que a 
fatalidade quiz que fosse nas peiores condições. 
As forças de que se compunha, tinham á frente 
mnitos ofiiciaes estrangeiros, que trataram de pôr 
em pratica o systema e theorias dos grandes ge- 
neraes, sob as ordens d'alguns dos quaes haviam 
combatido, systema e theorias, porém, cuja appli- 
cação n*esta guerra deveriam ser funestas. A 7 
de julho de 1578 chegou a Tanger a esauadra, e 
o joven monarcha, que se collocara á frente da 
expedição, começou por ordenar correrias no 
território moirisco. Três dias depois seguiu para 
Arzilla, levando em sua companhia Muley-Hamed, 
o soberano que elle ia proteger. Esta protecção 
era um pretexto para a expedição, ordenada com 
o fim de alcançar fama e gloria para Portugal e 
para o rei que a organisara e pozera em pratica. 
O exercito desembarcou em Arzilla, mas teve de 

VOL. I — FL. 19 



acampar quasi todo fora dos muros da cidade, 
por não caber dentro d'ella. As forças compu- 
nham-se de 24:000 homens, sendo 3.000 hespa- 
nhoes, sob o commando de D. Affonso d'Aguilar, 
2.000 do corpo da nobreza luzitana, 9.000 soldados 
das levas portuguezas, 400 fidalgos com soldados 
italianos, sob o commando de Thomaz Stermíle ; 
contingentes de guarnições africanas, moiros au- 
xiliares, etc. O acampamente estava todo desor- 
ganisado \ em vez de preparativos para os comba- 
tes que se esperavam, trata va-se unicamente de 
folgar, organisando diversões, festejando as victo- 
rias que esperavam alcançar. N*esta espectativa 
estiveram durante 12 dias, emquanto esperavam 
que chegassem as bagagens do exercite. Os moi- 
ros, porém, que tinham sabido da chegada e dos 
projectos hostis do joven rei portuguez, não des- 
cançaram em se armarem, reunindo numerosas 
forças para aífrontareni o inimigo. Terminando os 
12 dias, appareceu uma divisão moirisca, e D. Se- 
bastião collocou-se logo á frente do seu exercito. 
A divisão retirou, porque viera fazer apenas um 
reconhecimento, mas o joven monarcha julgou 
aquella retirada uma cobardia, que os moiros ti- 
nham recuado ao verem o exercite portuguez, e 
considerou logo aquelle facte um glorioso trium- 
pho. Seguiu então para Larache, pelo caminho 
d* Alcacer-Kibir. Sem attender aos conselhos c 
poderosas razões que lhe apresentavam, insistia 
sempre no seu propósito fatal. Os moiros dispu- 
nham de muita gente e de muitos recursos. No 
dia 2 de agoste marchou D. Sebastião com o exer- 
cito para Alcacer-Kibir, e reunindo-se conselho, 
ficou resolvido que se desse batalha ali mesmo 
n'aquelle campo. A posição do exercite portuguez 
era mais vantajosa que a dos moiros, por isso 
alguns dos conselheiros mais sensates, também 
concordaram que se desse a batalha. Chegou o dia 
4 d'agosto; D. Sebastião monteu a cavallo e mau- 
dou formar o exercito ; e quando estava ao alcance 
da columna onde se postara a artilharia inimiga, 
sentiu-se batido por ella. Este ataque causou o 
desanimo em tedas as fileiras portuguezas \ o pró- 
prio rei com])rehendeu, infelizmente muito tarde, 
os perigos a que se afibitara. Mandou tocar a 
Ave Maria, signal para o combate ; o jesuita Ale- 
xandre de Mattes ergueu o crucifixo, abençoando 
o exercito, que ajoelhou reverente, creando forças 
para a lucta. Terminada a cerimonia, D. Sebas- 
tião, impellido pelo enthusiasmo, arrancou da es- 
pada, e á frente da cavallaria do seu commando, 
cahiu sobre o inimigo. Tinha determinado que o 
exercito só acceitasse ordens suas, mas no mo- 
mente decisivo, esqueceu-se do que dissera, e o 
exercite ficou sem saber o que faria ; mas a em- 
briaguez do combate communicou-se ao resto 
da cavallaria, e as forças árabes acharam-se en- 
volvidas nas forças portuguezas. O brio e a cora- 
gem de D. Sebastião tomaram- se então mais syni- 
pathicos para os que o seguiam; o prior do Crato 
apontou-lhe um refugio seguro, mas o joven im- 
prudente só queria combater até succumbir no 
seu posto. Entretanto cahiam feridos muitos fidal- 
gos, o exercito já estava muito reduzido, pelas 
derrotas successivas que soffrera, mas D. Sebas- 
tião não desanimava; na febre da lucta, conti- 
nuava resistindo sempre ao inimigo, e lançando-se 
desesperadamente por entre as fileiras musulma- 
nas, desappareceu para nunca mais ser viste. A 
sua imprudência sacrificara o exercito, a nobreza 

140 



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e a independência d e Portugal. || Drama b is torico 
em 5 actos, original em verso, de D. João da Ca- 
mará, representado com o maior applauso. Tem 
scenas muito dramáticas; a acção principal é 
constituída por uns amores infelizes a que a his- 
toria serve de quadro. O fim dos actos são de 
efFeito. 
Alcacer-Quibir. V. Alcacer-Kihir. 
Alcacer-Segner. V. Alcácer- Cegner, 
Alcacimas. Casal na freg. d'Evora d'AIco- 
baça, distr. de Leiria, patriarc. de Lisboa. 

AlcÃçova (António Carneiro). Pae ou irmão 
de Bernardo Carneiro de Alcáçova. Foi inspector 
da Ribeira das naus em Goa. Era muito conside- 
rado como homem theorico, mas na pratica foi 
sempre duvidosa a sua aptidão. 

Alcáçova (Bernardo Carneiro), Official de ma- 
rinha |>ortugueza, que serviu na índia, onde sen- 
tou praça em 12 d'outubro de 1736. Parece ter-se 
tornado distincto, porque em 8 de outubro de 
1738, sendo governador da índia o conde de San- 
domil, D. Pedro de Mascarenhas, e tendo só 2 
annos de serviço, foi promovido a capitâo-te- 
nente. Em 1746, logo depois da tomada da praça 
d*Alorna, em maio d*este anno, foi elevado a ca- 
pitão de mar e guerra pelo vice-rei D. Pedro de 
Portugal, que mais tarde foi marquez d*Aloma; 
esta promoção indica que prestou serviços n'a- 
quella conquista. Tendo depois mudado para a 
marinha de guerra do reino, foi promovido a co- 
ronel do mar, posto então equivalente ao de bri- 
gadeiro no exercito. Falleceu em 1781. 

Alcáçova (Fernão de). Vedor da fazenda na 
índia, no tempo d'el-rei D. Manuel. Os poderes 
de que estava revestido tornavam-o independente 
do governador, n*esse tempo Lopo Soares d* Al- 
bergaria, que fora substituir Affonso d^Albuquer- 
Que. D. Manuel, sempre desconfiado, recean- 
do de que os seus delegados no Oriente fossem 
muito poderosos, pretendia coarctar a influencia 
c a acção dos governadores. Lopo Soares era de 
caracter nobre e austero, mas não se mostrou 
despeitado, dispondo-se pelo contrario a obede- 
cer em tudo ás ordens do rei e a respeitar os po- 
deres e prerogativas do vedor da fazenda. Fernão 
d'Alcaçova ficou surprehendido, por(jue, na ver- 
dade, esperava uma certa resistência, e muito 
mais se snrprehendeu, quando Lopo Soares o 
mandou chamar, e na presença de todos os fidal- 
gos que tinha convocado, lhe pediu que lesse em 
plena assembléa os titulos com que el-rei o in- 
vestira de tão graduada dignidade; ao mesmo 
tempo recommendava confidencialmente ás aucto- 
ridaides de sua dependência que não se impor- 
tassem com as determinações do vedor da fazen- 
da, ou procedessem contra ellas. Fernão d'Alca- 
f!Ova leu todos os diplomas e patentes que el-rei 
he dera, e que o constituíam n*um outro gover- 
nador com maior jurisdicção de que o próprio 
que tinha esse titulo. Lopo Soares jurou respei- 
tar as determinações 4*ei-rei, e na presença dos 
fidalgos assignou .um auto n'essa conformidade. 
Fernão d* Alcáçova desconfiou de tanta obediên- 
cia 6 não tardou a reconhecer a verdade. Vendo 
que as suas ordens não eram cumpridas, e que 
ninguém o considerava, queixou-se ao governa- 
dor, e Lopo Soares respondia que não tinha nada 
com isso, e que o vedor, com os amplos poderes 
de que dispunha, não precisava recorrer ao seu 
auxilio ; mas que esses poderes, apesar de serem 

15() 



tão amplos, não o seriam tanto que implicassem 
também com as faculdades exclusivas do gover- 
nador quanto a recompensas e castigos. Fernão 
comprenendeu o ridículo da sua posição, e depois 
de fuctar ainda por algum tempo, pediu ao go- 
vernador que lhe pozesse á disposição um navio 
para voltar ao reino. Lopo Soares também se re- 
cusou, dizendo que partisse como quizesse ou 
quando quizesse, que também para esse caso 
usasse dos seus poderes. Fernão conseguiu re- 
gressar ao reino, disposto a queixar-se amarga- 
mente do governador. Quando chegou a Lislraa, 
porém, foi preso, por se lhe ter encontrado es- 
condida no fundo falso d^uma caixa uma impor- 
tante somma, cuja proveniência não parecera 
muito licita. Ficou preso até á chegada do go- 
vernador. Lopo Soares, ao regressar a Lisboa, 
também não foi bem acolhido pelo soberano, e des- 
gostoso retirou-se para uma quinta que possuía 
om Tones Vedras, onde morreu. Fernão d'Alca- 
çova, tendo sido solto, queixava-se amargamente 
do governador, accusando-o de ter causado gran- 
des prejuízos á fazenda real, pelo facto de não 
deixar o vedor exercer livremente o seu cargo; 
chegou a dcmandal-o, mas Lopo Soares despre- 
zou as ameaças e nem sequer vciu a Lisboa para 
se defender. 

Alcáçova (Gregório de). Poeta portuguez do 
século xvii, que Barbosa Machado e Jacintho 
Cordeiro dizem ter merecimento. Parece que as 
suas poesias nunca se publicaram. 

Alcáçova (Pedro de). Fidalgo portuguez do 
tempo de D. Afibnso V. Dístinguiu-se muito nas 
guerras d'Africa. 

Alcáçova (Pedro de). Jesuíta portuguez que 
acompanhou S. Francisco Xavier ás missões da 
índia e do Japão, soffrendo grandes persegui- 
ções n*este ultim^ império. Em 1553 regressou 
do Japão a Goa, e escreveu uma das cartas que 
vêem na grande collecção de cartas dos jesuítas 
missionários no Oriente. Morreu em 1569. 

Alcáçova (Pedro Fernandes de). Secretario 
dos reis D. Affonso V e D. João II. Foi chefe da 
nobre família dos Alcáçovas. Por três çerações 
successivas os membros doesta família dirigiram 
os destinos de Portugal como secretários de es- 
tado. 

Alcáçova (Simão de). Capitão da armada com- 
mandada por I^po Soares, que em 1504 passou 
á índia, onde se distinguiu em diversos comba- 
tes. Percorreu também os mares da China, como 
capitão na armada de Fernão Soares de An- 
drade. 

Alcáçova fPaço da). Estava situado no castello 
de S. Jorge. Quando D. Affonso Henriques con- 
quistou Lisboa em 1147, escolheu o alto da Alcá- 
çova, onde vivia o rei moiro, para fundar o pa- 
lácio da sua residência, junto á grande mesquita 
moí risca, que elle santificou, tornando-se a egreja 
de Santa Òruz do Castello, que ainda hoje existe. 
Comtudo a fundação do palácio pelo primeiro rei 
portuguez parece um pouco problemática, assim 
como a instituição da capella real de S. Miguel, 
attribuida ao referido monarcha. Se^ndo os mais 
abalísados historiadores foi D. Diniz quem insti- 
tuiu a capella, em 1299, assim como foi elle tam- 
bém o verdadeiro reformador, e por assim dizer, 
o fundador do real paço da Alcáçova. Comtudo, 
ò caso averiguado que o paço já existia, portauto 
D. Diniz só poderia ampliar c reformar a antiga 



ALC 



ALC 



habitação do roi moiro, que servira tainbcm de 
residência a D. Affonso Henriques. Verdade é, 
que só do tempo de D. Diniz em diante é que se 
encontram memorias claras acerca doeste paço, 
de que hoje não resta o menor vestigio. Até en- 
tão, é de presumir que aquelle local fosse de- 
serto, porque os monarcbas persistiam as mais 
das vezes em Coimbra. Quando a corte se trans- 
feriu para Lisboa, é que D. Diniz se resolveu a 
habitar o paço da Alcáçova, o qual continuou a 
ser residência real até á fundação do paço da Ri- 
beira, em 1500, por el-rei D. Manuel. O paço da 
Alcáçova foi o primeiro palácio de architectura 
nobre e regular que se fundou em Portugal. A 
fachada principal era muito superior á do paço 
de S. Bartholomeu, que fora edificado por D. Af- 
fonso III, segundo se lê no Arckivo Pittortsco, a 
pag. 34, do vol. ix. D. Diniz, que muito animou 
as artes, deu egualmente grande desenvolvimento 
á pintura, e foi o primeiro dos nossos reis que se 
fez retratar a si e a sua esposa, a rainha Santa 
Isabel. Estes retratos estavam collocados no paço 
da Alcáçova. D. AíFonso IV, que lhe succedeu no 
throno, mandou também pintar os retratos dos 
reis seus antecessores. Esta collecção decorava 
os vastos salões do paço, mas, segundo consta, 
foi transportada para ílespanha, no tempo da 
usurpação filippina. No reinado de D. Fernando I 
rcalisaram-se festas brilhantíssimas n'aquelle 
paço, tornando-se especialmente notável a gran- 
diosa funccâo em honra dos condes de Cambri- 
^Q^i quanao aquelles distinctos diplomatas esti- 
veram em Lisboa. A esta festa assistiram todos 
os ofiiciaes da esquadra ingleza. Houve suui- 
ptuoso jantar, no fim do qual se offereceu, tanto 
aos condes britannicos como aos outros grandes 
dignitários, muitos e variados mimos de paunos 
de sirgo bordados a oiro, e As senhoras, jóias de 
grande preço. D. João I fez importantes obras 
no paço da Alcáçova, em 1433. El-rci estava en- 
tão muito doente em Alcochete, e pediu que o 
trouxessem para aquelle paço, o que se cumpriu. 
No dia 24 de julho de 1429, também se verifica- 
racr grandes festas para solemnisar o casamento 
da infanta D. Isabel, filha de D. João I, com o 
duque de Hespanha, D. Filippe, o Bom. Outras 
festas não menos importantes se realisaram no 
paço da Alcáçova, quando se celebraram, em 
14d1, as bodas da infanta D. Leonor, filha d'el- 
rei D. Duarte, que já era fallecido, com o impe- 
rador Frederico III, da Allemanha. Reinava en- 
tão D. Afifonso V, irmão da noiva. O paço da 
Alcáçova foi berço de muitos dos nossos reis 
e intantes ; alli nasceu em 3 de maio de 1455, 
D. João II; em 18 de maio de 1475, seu filho, o 
príncipe D. Affonso; D. João III, em 8 de junho 
de 1502; a infanta D. Isabel, filha d'el-rei 1^. Ma- 
nuel, que casou com o imperador Carlos V, etc. 
Damião de Góes chamava aquelle palácio «o ver- 
dcLdeiro t próprio aposento dos reis (restes reinos. >> 
Muitas outras notas históricas nos apresentam 
as chronicas acerca do paço da Alcáçova. Uma 
d*ella8 é o nascimento do theatro portuguez, que, 
por assim dizer, alli se realisou. E* ao paço da 
Alcáçova que cabe a honra de \vr os primeiros 
ensaios da arte de representar, effectuados por 
Gil Vicente ; foi em 8 de junho de 1502, á noite, 
na occasião do nascimento do príncipe D. João, 
mais tarde D. João III. Na Lisboa antiga, do sr. 
visconde Júlio de Castilho, vem minuciosamente 



dcscripto este facto, no tomo m, 2.« parte, Bair- 
TOS Ch'ientaes, pag. 101 e seguintes. Gil Vicente, 
muito familiar no paço, apresentou-se vestido de 
vaqueiro, com todo o rigor d'um saloio dos arra- 
baldes de Lisboa, e declamou com o maior chiste 
um monologo em verso, entre os sorrisos bené- 
volos dos príncipes e as gargalhadas d'el-rei. Foi 
este o auto do Vaqueiro, publicado nas obras de 
Gil Vicente, no começo do livro i das Obras de 
Devação, edição de 1834. D'e8ta apresentação* 
modesta c simples nasceu a protecção que ao ta- 
lento do insigne troveiro concedeu a bondosa 
rainha D. Leonor. Desde então desenvolveu-se o 
gosto pelos engraçados autos de Gil Vicente, 
que se representaram sempre na presença das 
pessoas reaes e da corte, nos paços da Alcáçova 
e da Ribeira, no mosteiro de Enxob regas, Al- 
meirim, Évora e Caldas. O paço da Alcáçova era 
superior a todos os outros em antiguiaade, em 
primoroso panorama de terra e mar. A descri- 
pção do palácio, feita por Venturino, que f^ia 
parto da comitiva do cardeal Alexandrino, que 
visitou Lisboa em 1511, vem publicada nos Optis- 
cvlos, de Alexandre Herculano, tom. vi, pag. 85, 
e na Lisboa antiga, tomo iii, da 2.* parte, pag. 
106 a 108. E' a seguinte: «O palácio do castello, 
todo por fora de cantaria, assim como não tem 
forma alguma de architectura, por ter sido feito 
aos poucos em diversas épocas, também por den- 
tro é mais commodo que vistoso. Sobe-se por 
uma grande escada a um átrio que gira em volta, 
e que dá para diversas quadras, ncando á mão 
esquerda da entrada uma porta, que dá para ou- 
tra escada Íngreme e estreita, pela qual se sobe 
a alguns quartos bem ornados, nos quaes se alo- 
jaram vários prelados. Tomando por outra es- 
cada, subimos a uma varanda, que dá passagem 
para as camarás d^el-rei, por cima das quaes fica 
uma grande sala, (jue tem 48 p*assos de comprido 
c 18 de largo, dividida em naves, com um tecto 
pintado de brutescos, c forrada toda de bellas ra- 
zes de Flaudres e de Ihama de oiro. Seguia-se um 
quarto feito a modo de escada, por ser em degraus, 
onde os gentis homens do prelado comiam. O te- 
cto d'este quarto era feito á maneira de pinha, e 
de muito mau gosto. D'aqui subia outra escadi- 
nha de madeira para um aposento, ao lado do 
qual ficava outro, onde estavam os aparadores 
com a copa, assaz copiosa de pecas de oiro e 
prata, roas não tanto como a do duque de Bra- 
gança. D'esta casa se passava para uma sala for- 
rada dos mesmos pannos de Flandres, na qual os 
prelados comiam. No fundo d'e8ta sala se descia 
para uma varanda feita de novo, em cujo topo 
havia um bellissimo panno de Flandres, com uma 
imagem da Virtude, que segura pelo collo e pelos 
cabellos uma Fortuna, com seu letreiro latino, 
que significa: Não sabe escapar, nem pódefvgir 
a Fortuna, qiuxndo a Virtude, com »ua força a re- 
tém. Do meio d'esta varanda se desce para uma 
sala forrada de Ihama de oiro, com seu docel de 
brocado, debaixo do qual está um estrado com 
três degraus cobertos de panno verde. D*aqui se 
entra em uma camará armada do mesmo modo, 
onde está um grande leito de brocado de oiro 
com travesseiro e duas almofadas de razo carme- 
zim (sctim)Jricamente bordado de ouro. Fica im- 
mcdiata outra, onde estava um leito para dormir 
o legado, cuja armação era de finíssimas razes de 
seda e de oiro, com oem lavradas figuras poéticas 

151 



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c franjas subtilissimas. Havia tambcm ali uma 
meza pequena de couro preto da índia, mais bello 
que o ébano, todo lavrado ao redor de folhagens 
de oiro. Ao pé d*esta camará estava um oratório 
ornado de razcs semelhantes aos da camará, com 
a differença de serem as figuras do devoto . . . 
r)'estas camarás sae-se por uma porta secreta 
para um terrado, d*onde se descobre uma extensa 
vista, tanto de mar como de terra. Os quartos 
d'el-rei ficam por baixo d'este8, e em tudo lhe 
são semelhantes, salvo em alguma pequena diver- 
sidade nos estrados e dóceis, em serem bordados 
os pannos de raz com historias do testamento ve- 
lho, etc.» No dia 31 de iaueiro de 1719, D. João V 
visitou o castello de S. Jorge e foi recebido no 
paço da Alcáçova, que então era habitado pelo 
marquez de Cascaes, D. Manuel José de Castro, 
alcaide-mór de Lisboa. Das janellas d'aquella 
antiga residência real, admirou o soberano a ma- 

festosa vista que d'ali se desfructa, e em que se 
escobre uma grande parte da cidade e o Tejo 
até á, entrada da barra. 

Alcáçova. Freg. da prov. da Beira-Baixa cone. 
de Monte-mór-Velho distr. e bisp. de Coimbra. 
330 fog. Drago S. Martinho. J| Pov. na freg. de 
Santa Maria 
de Coimbra, 
do no de Monte 
de agosto de 1516. 

Alcáçovas. Familia nobre, (|ue descende de 
D. Fernando Henriques, neto d'cl-rei 1). Henri- 
que de Castella, que veiu para Portugal durante 
o reinado de D. Duarte. Este mouarcha resolvera 
ceder-lhe o senhorio da vllla das Alcáçovas d'E- 
vora, porém a morte veiu surprchenael-o antes 
de rcalisar a doação, a qual se effectuou depois, 
no tempo da regência na menoridade de D. Af- 
fonso V, por accordo entre a rainha D. Leonor e 
o infante D. Pedho, em Carta passada em Saca- 
vém a 14 de agosto de 1439. D. Afibnso V confir- 
mou esta doaçílo, por Carta, datada do Paço da 
Serra, a 14 d agosto de 1449. El-rei D. Manuel 
creou o titulo de Senhor das Alcáçovas, depuro 
e herdade, por Carta, de 11 de fevereiro de 1518. 
O brazSo é o seguinte: Um escudo partido em 
pala; na 1." as armas dos Henriques, senhores das 
Alcáçovas, oriundos de Castella — escudo mante- 
lado, os dois campos altos vermelhos e em cada 
um seu castello de oiro, o de baixo de prata com 
um leão vermelho, — na segunda pula as armas 
dos Lencastres — as armas do reino com um filete 
em contrabanda, que passa por baixo do escudi- 
nho. Timbre o dos Lencastres— um pelicano^ de 
oiro ferindo o próprio peito. 

Alcáçovas (D. Caetano Jíenriqties de Faria 
Pereira Saldanha e Lencastre, 4." conde das). Filho 
do 3." conde doeste titulo. Tem o curso da Escola 
Polytechnica de Lisboa ; casou com D. Maria 
Thcreza de Saldanha e Sousa Oliveira e Daun, 
filha de D. José de Saldanha e Sousa Oliveira e 
Daun e de D. Barbara Maria Tavares Proença c 
neta dos últimos condes de Rio Maior. E* oificial 
mór da Casa Real com o cargo de Aposcntador- 
mor, muitas vezes exercido por seus ascendentes. 
Do seu consorcio existe uma filha. No celebre 
processo levantado por causa dos bens do ultimo 
duque do Aveiro, a sua familia sustentou seus 
tlireitos aos referidos bens como descendente 
da casa de Aveiro antes de ella passar para 
os marquezes de Gouvca. O titulo de conde das 

152 



Alcáçovas foi-lhe concedido em 24 d'agosto de 
190(>. 

Alcáçovas (D. Caetaiu) de Saltes Henriques 
Pereira Farinha Saldanha VasconceUos de Len- 
castre, 2." conde dns). N. a 24 d^agosto de 1819, c 
f. a 14 de fevereiro de 1894. Era filho de Luiz de 
VasconceUos e Sousa, par do reino e veador da 
infanta regente D. Isabel Maria (V. D, Francisco^ 
l."" ^ conde ms Alcáçovas), de quem herdou a casa 
das Alcáçovas, em 3 de setembro de 1843. Succe- 
deu a seu irmão, D. Francisco de Salles, pelo seu 
fallecimento a 21 de maio de 1840, no titulo de 
conde, que foi renovado por decreto de 22 de maio 
do mesmo anno. Era estudante na Universidade 
de Coimbra, quando falleceu seu irmSo, vendo-se 
por isso obrigado a não concluir os estudos, par- 
tindo para Lisboa a tomar conta da sua casa. 
vr*.. Como representan- 

* '^^ te d*uma das famí- 

lias mais distinctas 
e mais nobres de 
Portugal, soube 
manter e respeitar 
as suas honrosas 
tradições. Casou em 
1842 'com D. Tlie- 
rcza de Sousa HoU- 
tcin, dama de honor 
da rainha D. Ma- 
ria II, 3." filha dos 
1."" duques de Pal- 
mellâ, a qual falle- 
ceu a 11 de junho de 
1865. O 2.*» conde 
das Alcáçovas foi 
par do reino, por 
successão d e seu 
pae, tomando posse na camará dos pares a 22 de 
marco de 1843, gentil- homem da camará d' el-rei 
D. Luiz, em serviço d'el-rei D. Fernando, com- 
mendador da ordem de Christo, grâ-cruz das or- 
dens de Ernesto Pio de Saxe Coburgo Gotha, e 
da de Carlos líl, de Ilespanha. 

Alcáçovas (J). Francisco de Salles Henriqttes 
Pereira de Faria Sald<mha Wasconcelios de Ijetn- 
castre, í. cande das). N. a 1*2 de dezembro de 1811, 
e f. a 21 de maio de 184(>. Seu pae era Luiz de 
VasconceUos c Sousa, par do reino, por carta ré- 
gia de 1 d'autubro de 1835, competindo-lhe as 
honras de grande do reino, em virtude do decreto 
de 28 de setembro de 1835 ; do conselho de S. M., 
veador da infanta D. Isabel Maria, conunendador 
da ordem de Christo, inspector geral do Terreiro 
Publico de Lisboa, capitão de infantaria, 2.^ filho 
dos 2."* marquezes de Castello Melhor, fallecido 
a 3 de setembro de 184.*i ; casara em 1808 com 
D. Thercza Francisca de Paula Henriques Pe- 
reira Faria Saldanha de Lencastre, fallecida em 
I 1821, e que era filha única o herdeira de D. Cae- 
I tano Alberto Henriques Pereira Faria Saldanha 
de Lencastre, 11." senhor das Alcáçovas d'Evora, 
! coronel dos Privilegiados da Corte, que fálleceu 
cm 1822, e de D. Maria Domingas de Castro, 
, fallecida cm 1821, filha dos 1.°" condes de Re- 
zende. D. Francisco de Salles distinguiu-se pelo 
' seu valor nas campanhas da Liberdade, ua defesa 
. do cerco do Porto, e com especialidade no com- 
i bate de 29 de setembro de 1831, em (jue foi fc- 
I rido gravemente, perdendo um braço, impossibi- 
, litando-o assim de seguir a carreira das armas, 




Conde das ^Icaçovni 



ALC 



ALÇ 




s<nido reformado cm tenente de infantaria. Casou 
no dia 1." de novembro de 1838 com D. Rita da 
Cássia de Noronha, !.• filha dos 1.*" condes de 
Paraty. O titalo de Conde das Alcáçovas foi con- 
cedido pela rainha D. Maria II, em 1 de dezem- 
bro de 1834. O illustre fidalgo era 
o 14.® senhor das Alcayovas d'Evo- 
ra, em cujo senhorio succedeu 
a seu avô materno em 22 de mar- 
ço de 1822; commendador da or- 
dem de Christo, e cavalleiro da 
de Torre e Espada. Tendo falle- 
cido em 1840, sua viuva, a con- 
dessa D. Rita de Cássia de No- 
ronha, passou a segundas núpcias 
a 24 d'outubro de 1843, com D. 
António da Silva Pessanha, moço 
fidalgo com exercicio na Casa 
Real; como n2o tinha alvará da «'«zlo do» condei 

confirmação do titulo de condes- *^" Alcáçovas 

sa das Alcáçovas, perdeu o direito de o usar. 

Alcáçovas (D. Luiz Iletirigites de Faria Pe- 
reira Saldanha e Lencastre, .^/." conde das). Filho 
do 2." conde d'este titulo e da condessa I). Maria 
Thereza de Sonsa Holstein, filha dos l.°» duques 
de Palmella; n. a 11 de maio de 1846 e f . a G de 
março de 1892. Era doutor em sciencias pela uni- 
versidade de Louvain, pertencia ao corpo diplo- 
mático, tendo sido secretario d*embaixada em 
Vienna d* Áustria ; casou a 9 de novembro de 1871 
com D. Thomasia de Magalhães Mexia Sande Sa- 
lema Guedes e Menezes, filha dos 1."" viscondes 
do Torrão, dama de honor da Sr.* D. Maria Pia. 
O titulo de 3." conde das Alcáçovas foi-lhe con- 
cedido ainda em vida de seu pae por decreto de 
5 e carta de 18 de setembro de 1805. P>a com- 
mendador de numero extraordinário da ordem 
d'Izabel a Catholica, cavalleiro das ordens de : 
Carlos III d'Hespanha, S. Mauricio e S. Lazaro 
da Itália e de Leopoldo da Bélgica. Do seu con- 
sorcio com a comlessa^ I). Thomazia, que ainda 
vive, deixou os seguintes filhos : D. Maria, casada 
com Carlos Van Zeller, D. Maria Thereza, D. Anua, 
D. Eugenia^ D. Caetano, actual conde, I). Joa- 
cmim, guarda-marinha da armada portugucza, 
D. Luiz e D. Maria Luiza. 

Alcáçovas. Villa e freg. (8. Salvador) da prov. 
do Alcmtejo, cone. de Vianna do Alemtejo, com. 
dist. e arceb. de Évora. 2.0(39 alm. e 583 fôg. Tem 
Biiserieordia, hospital, escola para ambos os sexos, 
estação postal, com serviço de encommendas pos- 
taes, permutando malas com a R. A. S. P^stação 
do caminho de ferro do sul, que lhe fica a 4 k. A 
povoação dista 12 kilometros da sóde do cou(*e- 
Iho. Está situada em logar plano e sadio nas fal- 
das da serra do mesmo nome. Já existia no tempo 
dos romanos, com o nome de Ceciliana. Outros 
dizem que o seu nome era Castrai éticas. Km 715, 
qaando os árabes invadiram a Lusitânia, os mo- 
radores d*esta villa resistiram ; tiveram, porém, 
que ceder ao numero. Em vingança, os moiros 
a arrazaram completamente, edificando depois 
uma aldeia sobre as ruinas da antiga povoação. 
Parece que foi o castello fundado pelos árabes 

3ue deu o nome á actual villa. Até 1'258 esteve 
espovoada, devido ás continuas guerras de ([ue 
foi theatro a Lusitânia. Então, D. Martinho, bispo 
d'Evora, deu-lhe foral c povoou-a, ficando perten- 
cendo aos bispos d'esta cidade; mas, em 1271, 
D. Affonso III tirou Alcáçovas ao bispo D. Durão, 



elevaudo-a á categoria de villa, daudo-lho foral, 
em Évora, a 2G d'abril de 1279. Este foral foi re- 
formado por D. Diniz, também em Évora, a 28 
de fevereiro de 1283 e confirmado por D. Duarte, 
na mesma cidade, a 25 d*abril de 1435. Tinha 
ainda outro foral dado por D. Diniz em 1299 e 
chamado Foral de Costumes. Foi D. Diniz quem 
fundou ou reedificou o actual castello, em Í21M), 
fazendo dentro d*elle um palácio para habitar, e 
que hoje pertence aos condes das Alcáçovas. N'a- 

?[uelle palácio também residiu D. João II, onde 
èz testamento a 20 de setembro de 1495, decla- 
rando successor á coroa o duque de Beja, D. Ma- 
nuel. No foral de D. AÔbnso III, reformado por 
D. Diniz, havia a clausula da villa pertencer sem- 
pre á coroa. D. Manuel, deu-lhe novo foral, es- 
tando em Lisboa, a 10 de setembro de 1512, de- 
terminando a mesma clausula. Apesar, porém, da 
recominendaçao dos três monarchas, D. João I 
deu a villa a D. Nuno Alvares Pereira, para fa- 
zer parte do ducado de Bragança ; mais tarde, no 
tempo de D. AÔbnso V, o duque de Bragança, 
D. Fernando II, doou-a a seu irmão, a quem a 
rei depois deu o titulo de marquez de Montemór- 
o-Novo. Por morte do marquez, voltou a villa 
para a coroa no reinado de I). João II, o qual o 
cedeu a D. Fernando Henriques, por ser parente 
da Casa Real, e ter tomado Badajoz aos castelha- 
nos cm tempo de D. Afi'onso V. A egreja matriz 
foi fundada em 1530; compôe-se dez naves e está 
situada n'uma pequena eminência. A da Misericór- 
dia construiu-se em 1551, segundo se deprehende 
da inscripção que se vê n'iim degrau do altar- 
mór. Tem bellos campos, muito férteis, regados 
por muitas fontes e três ribeiras : a Xarrama, o 
Dítye e a Gradelrira. Perto da villa está o con- 
vento dos frades da ordem dos pregadores de 
S. Domingos, fundado por D. Afibnso Henriques, no 
sitio onde esteve um castello ou fortaleza romana. 
II Monte da prov. do Alemtejo, junto á villa do 
: mesmo nome. Tem 500 metros acima do nivel do 
' mar, e do seu cume descobre-se a serra da Arra- 
'■ bida e a de Cintra, a villa de Palmella, o cas- 
tello de Alcácer do Sal, a torre de Beja, Évora, 
' Evora-Monte, etc. Parece ter n'elle existido 
algum cdificio romano, por se terem encontrado, 
moedas e armas d'aquelle tempo. Tem apparecido 
vestigios de construcções antigas em todo o 
I monte. Alcáçova c corrupção da palavra árabe 
Alcasbd que significa fortaleza ou presidio. A 
] serra é pedregosa e cheia de matto. Fundou-se 
: aqui em 1500 a capella de N. S." da Graça, no si- 
''tio onde dizem ter existido o castello romano. 
; O senhor d'Alcaoovas, D. Fernando Henriques, 
I deu-a aos frades dominicos, que fundaram um con- 
I vento com a invocação de N. S.* da Esperança. 
; Tem a nascente Ffmte Santa, que brota por baixo 
da egi*eja cm um penliasco, a qual dizem curar 
moléstias cutâneas. Criam-se aqui lobos, javalis, 
I corças, raposas, gatos bravos, coelhos etc. Este 
I monte faz parte do serra d'Ossa. || Ribeira, af- 
fiuente do Sado, nasce próximo de Évora e en- 
grossa com as aguas das ribeiras de S. Brissos e 
de S. Christovam. Ha n'esta ribeira varias pon- 
tes do caminho de ferro do Sueste. Tem um curso 
' de 50 k. II Serra no distr. d*Evora, junto á villa 
do mesmo nome. || Quinta na freg. de Palmella, 
' cone. de Setúbal. 

I Alçada. Tribunal de justiça que percorria os 
I povos com plenos poderes do monarcha para fa- 

153 



ALO 



ALC 



/.íT jii.-.tií;a í; íil<;ar a^^rravos. Ksta^ al^/ada.s fórain 
)ior rniiító tf;rnpo usadas (;m Tortufral. em quanto 
fío fiào f:í»talM;leírorain os tribunaes da ReIaí;âo. 
(*onitiido, ainda h^í recorreu ás aleadas, mas em 
r-asos espeeiacs, e quasi sempre em crimes poli- 
tieos. Citam-se, entre outras, as duas aleadas que 
foram ao Torto, uma em 175C, quando foi o mo- 
tim eontra a ('ompanhia dos Vinhos d' Al to Douro, 
t'. a outra (:m IH28, quando se deu a revolu<;ão 
liberal eontra D. Miguel. 

Alcafache. Pov. e freg. (S. Vicente) da prov. 
da Heira Alta, cone. e com. de Mangualde, dist. 
<; bisp. de Vizeu. 1.345 alm. e 29-1 fog. Tem pró- 
ximo três fontes de a^ia^ miueraes muito esti- 
madas, perfeitamente diaplianas. eom sabor nan- 
H<'abundo, quando colhiifas <le pouco tempo, e 
í-,liciro pronunciado a jraz gulfhydrico. A sua tem- 
peratura é de 49" centígrados. Sao applieadas, 
externamente, eontra o rheumatismo e varias ma- 
nifestações arthriticas, e internamento contra as 
attVfçoes elironicas dos bronchios. As nascentes 
estão cobertas de invfirno pelas aguas do rio Dâo. 
Nilo lia estabelecimento tliermal, mas os doentes 
tomam banhos n'algumas casas, sitas nas margeus 
dVste rio. Alcafache possue escola do sexo masc. 
e est. post. permutando malas com Mangualde. 
A pov. dista H k. da sede do cone. e está situada 
n'uma planicie extensa. Os campos sao banhados 
pelo rio I>ao, qu(! os torna muito férteis. Tem 
uma albergaria, fundada por um cónego da Sé de 
Vizeu, no logar chamado Moinhos da ponte. I). Ma- 
nuel concedeu-lhe foral, em Jjisboa, a G de maio 
de 101 i, em que se abrange também a povoa(;ao 
do Carvalho. 

AlcaDBA. i'ov. da freg. de> Santa Maria Magda- 
l(;na de Agadilo, cone. e com. (rAgueda, bisp. de 
(*oimbra. {| Rio da prov. da Heira liaixa. Nasce 
na serra do Caramullo, no sitio chamado Almi- 
jfiffh junta-se na aldeia de Bolfar ao rio Alfus- 
(jwiro e depois ao Agucíia. Uecebe as aguas do 
ribeiro chamado ///o Frar/oso. 

Alcaforada. Herdade na freg. de Ciladas, 
cone. e com. de Villa Viçosa, <listr. d(í Kvora. 

Alcafozes. Pov. e freg. da prov. da Heira 
Haixa, cone. e com. de Tdanlia-a-Nova, distr. de 
('astello Hraneo, bisp. de Portalegre. ()i4: alm. e 
UJ4 fog. Tem Misericórdia, escola do sexo masc. 
e (tst. post. permutando malas com Idauha-a- 
Nova. A ])ov. dista 10 k. da sede do cone. Orago 
S. Sebastião. Kstá situada u*uma campina. N*esta 
jiov. em 1 do agosto de 1810, a eavallaria portu- 
gueza derrotou uma partida de francezes. 

Alcaida. Pov. da treg. de Serpins, cone. e com. 
(la liOuzil, distr. e bisp. do Porto. 

Alcaidarla. Tributo que se pagava aos alcai- 
des. Dignidade ou otíieio de alcaide, governador 
de ])raea forte e ministro de justiça, qut» pren- 
dia os delin(|uontes e cumpria as determinações 
dos juizes. No foral de Soure, dado em 1111, pelo 
conde I). Henrique, lê-se o seguinte: «/>** azaria 
Hobín r.'"" partrin: rnhíit IV'*' j síhp idla alcaidaria. 
Km uma carta de D. Allbnso II le-se também: 
AV Pra'tor pvrdrt ihi meam alraitlaríam, et arct- 
píant juHtitiam de iUo in suo cnrjwrr. || Pov. nas 
freg." de Achete, cone. de Santarém; Milagres, 
cone. de Leiria; Reguengo do Fetal, cone. da 
Hatalha. 

Alcaide [Alhn-to Carlos da i^tuta Falcão^ /." 
ríftnaidc dv). Kngenheii*o-agronomo pela escola de 
Lisboa, cujo curso concluiu cm lÔlHi. Filho do 

i:>i 



dr. .íoâo Carlos da Costa Falcão CastoUo Branco, 
bacharelem Direito, já fallecido, e de D. Maria 
Delfina de Figueiredo F^razão e Falcão; natural 
do Alcaide, cone. do Fundão. Completou os seus 
estudos em FVança, no Instituto Nacional de 
Agricultura de Paris, c outras escolas como Gri- 
gnon, Versailles, etc onde esteve durante 1897 
e 1808. Regressando a Portugal foi chamado pelo 
fallecido conselheiro Klvino de Brito, então mi- 
nistro das Obras Publicas, para seu secretario 
particular, sendo depois collocado como agróno- 
mo no Mercado Central de Produetos Agrícolas, 
oníle está actualmente. E' cavalieiro muito dis- 
tincto, aparentado com as mais fidalgas famílias 
das Beiras. O titulo de visconde do Alcaide cm 
duas vidas foi -lhe concedido nos começos de 1902. 
Alcaide. K.ste nome deriva-se do árabe al-kaid; 
era o governador d'uma praea, ou d*uma provín- 
cia, ou d'uma cidade importante. Entre os chris- 
taos também se começou a chamar assim aos go- 
vernadores dos castellos construídos nas fron- 
teiras, e que tinham de sustentar lucta com os 
moiros; (|uando se organisaram os municípios, o 
alcaide teve attribuiyões mais amplas. O alcaide 
era então o chefe supremo do logar, o represen- 
tante do poder central, o chefe militar, o gover- 
nador do castello que habitualmente dominava a 
cidade, o presidente nato do tribunal judicial, o 
chefe da administração. As attribuições do al- 
raid^-mór tinham um aspecto jurídico, militar e 
administrativo. Fidalgo .nomeado pelo rei, nâo 
podendo sempre residir na terra em que tinha 
de exercer todos os dias as attribuições do seu 
cargo, precisava d'um homem que o substituísse. 
Era esse o alcaide-menor. El-rei D. Diniz, nos 
foraes que de novo concedeu, limitou ás attri- 
buições militares a ingerência dos alcaides, que 
aiinal vieram a ser simplesmente governadores 
dos castellos, passando ainda mais tarde a sim- 
ples titulo honorifico. Houve nos antigos tempos 
de Portugal alcaides com tão completo conheci- 
mento das obrigações do seu cargo, que se tor- 
naram dignos de todo o respeito e admiração, 
tanto na pátria como no estrangeiro. Martim de 
Freitas, alcaide de Coimbra ; Fernando Rodri- 
gues Pacheco, alcaide do castello de Celorico; 
Nuno Gonçalves, alcaide do castello de Fana; 
Ruy I^urenco de Távora, alcaide de Miranda 
do Douro. [V. estes nomes). Quando o alcaide-mór 
recebia a mercê d'aquelle cargo, era obrigado a 
fazer homenagem, na forma que se contém no 
livro das homenagens, que estava em poder do 
escrivão da puridade, antes que tomasse posse 
do castello, a qual lho dava um porteiro da ma- 
ça, perante um tabellião, que lhe passava um ins- 
trumento publico. Ao porteiro tinha que dar o 
que eutendesse, não sendo, comtudo, menos de 
10 cruzados. !' Alcaide da hoitra, o que inquiria 
sobre os crimes <le adultério e prostituição. || Al- 
caide de navioy capitão, arraes ou patrão de qual- 
quer embarcação. Nos foraes de Lisboa, de 1179, 
e de D. Diniz' a Villa Rei, de 128õ,falla-sed'este 
cargo, il Alcaide das saccas, ofíieial de justiça que 
I in([uiria sobre os contrabandos. ''\ Alcaide da 
raraj ottícial inferior da justiça, esbirro. || Ateai- 
j de dos montesj os que vigiavam as coimas ou pos- 
turas ruraes. ■ Alcaide pet/uenoj o mesmo que al- 
j caide-menor. " Alcaide dos donzeis. Fidalgo que 
i tinha a seu cargo os meninos nobres que no pala* 
I cio se creavam, castigando as suas travessuras, 



ALC 



ALC 



cuidando da sua liinpeza e aceio o cDsiuaodo- 
Ihes as boas artes. Couforme escreve o erudito 
anctor do Elucidário, «nas cortes d'£vora reque- 
reram os povos a el-rei D. João II que instau- 
rasse, ou, mais bem, creasse de novo este impor- 
tante ministério.» || Viila e freg. daprov. da Beira 
Baixa, cone. e com. do Fundão distr. de Castello 
Branco, bisp. da Guarda. 1:294 alm. e 344 fog. 
Tem escola do sexo masc. e est. post., com ser- 
viço de encommendas, permutando malas com 
Fundão. A pov. dista 5 k. da sede do cone Orago 
S. Pedro. || Pov. na freg. de S. Thiago das Car- 
reiras, cone. de Villa Verde. || Pov. na freg. de 
S. Thiago da Carreira, cone. de Santo Thvrso. || 
Serra da prdv. da Beira Baixa. Tem 9 k. de com- 

Í»rimento e 3 de larço. Nasce próximo da Covi- 
hã. £' em parte cultivada, tendo arvores de fru- 
cto e silvestres. Tem dois braços. Cabeço de Villa 
e Cabeço do Facho. N'esta serra nasce a ribeira 
dos Focinhos. \\ Rio da prov. da Extremadura. 
Nasce perto de Porto de Moz e morre no Lena. 
E* atravessado por uma ponte de pedra, e orlado 
de frondoso arvoredo. || Kibéira da prov. da Beira 
Alta. Nasce próximo de Trancoso u'um valle ou 
Motoque, com o nome de ribeii'a de S. Miguel, e 
na freg. de S. Thiago toma a denominação de Al- 
caide. Tem uma ponte de cantaria no sitio que 
atravessa a estrada de Almeida a Pinhel. Conti- 
nua depois com o nome de Ribeiro de Freixo, até 
morrer no rio Maçoeime. |l Ribeira da prov. do 
Algarve, e nasce na freg. de S. Braz d'Alportel, 
corre pela de Estoy e desagua no mar, junto a 
esta freguezia. 

Alcaide de Faro. Drama em 5 actos, original 
portugucz, de Joaquim da Costa Cascaes, e re- 
presentado no theatro de I>. Maria, em 1848. 
Teve uma popularidade extraordinária. Foi posto 
cm scena com toda a magnificência ; o scenario 
era pintado pelos grandes artistas Rambois e 
Cinnati; os fatos e adereços foram desenhados 
com o mais consciencioso estudo histórico pelo 
actor João Anastácio Rosa. O assumpto é ba- 
seado na conquista de Faro por D. Aiionso III, 
em 1250, tal como a narravam as nossas antigas 
cbronicas ; tinha situações enérgicas, enredo in- 
teressante e linguagem vernácula. 

Alcaides. Herdade na freg. de S. Gregório, 
cone. e com. de Arraiollos, distr. e arceo. de 
Évora. 

Alcaidessa. Mulher do alcaide ou a que tinha 
a alcaidaria de um castello ou fortaleza. 

Alcaidinho. Casal na freg. de Terena, cone. 
d* Alandroal, com. de Redondo, distr. e arceb. de 
Évora. 

Alcainça. Pov. e freg. da prov. da Extrema- 
dura, cone. e com. de Mafra, distr. e patriarc. de 
Lisboa. 800 alm. e 180 fog. Tem escola do sexo 
masc. A pov. dista 6 k. da sede do cone. Orago 
S. Miguel. Deriva da palavra árabe Alcaienneçá 
composta de alçai que quer dizer encontro, e 
fieça mulheres. Pertenceu aos marquezes de Pon- 
te de Lima. || Pov. da freg. da Egreja Nova, 
cone. de Mafra. || Quinta, na freg. de S. João dos 
Montes, cone. de Villa Franca de Xira. 

Alcains. Pov. e freg. da prov. da Beira Baixa, 
cone, com. e distr. de Castello Branco, bisp. de 
Portalegre. 2:337 alm. e 462 fog. Tem escolas 
para ambos os sexos, e est. post. permutando 
malas com Castello Branco. A pov. dista 8 k. da 
sede do cone. Orago N. Sr." da Conceição. E* pa- 



lavra derivada do ai-abe alcaien, que significa, 
existente, permanente. 

Alcaiz. Livro de alardos ou revistas ; matri- 
cula de gente de guerra. 

Alcalà. Pov. junto da mina de cobre do distr. 
d'Evora, entre os ramaes do caminho de ferro 

âue da Casa Branca se dirigem para Évora e 
leja. No foral de Alcáçovas de 1512, trata-se 
d'esta terra. || Casal, na freg. de S. Braz de Re- 
gedouro, cone. d'Evora. || Casal, na freg. de Me- 
xilhoeira a Grande, cone. de Villa Nova de Por- 
timão, distr. de Faro. 

Alcalà e Herrera (Affonao de). Portuguez, 
mas oriundo de Castella *, n. em Lisboa a 12 de 
setembro de 1599, onde também falleceu a 21 de 
novembro de 1682. Não consta que exercesse ofli- 
cio ou emprego publico. Escreveu : Jardim Ana- 
yrammatico de Divinas Flores Lusitanas, Hespa- 
nholas e Latinas. Contém seiscentos oitenta e três 
anagrammas em prosa e verso, e seis hymnos chro- 
noloyicos. Lisboa, 1654; A sagrada Imagem rfa 
Virgem do Filar Mãe Santíssima Madre de Deus, 
Salve Rainha glosada. Lisboa, 1678; Novo modo, 
curioso tratado e artificio de escrever assim ao di- 
vino como ao humano- com uma vogal s<mente, ex- 
cluindo quatro vogaes, o que muitos tiveram por 
impóssivel. Frimeira e Segunda parte. Contém 12 
decimas, 5 em hespanhol e 7 no idioma lusitam). 
Lisboa, 1679; Vários effectos de Amor en cinco 
Novellas exemplares, y nuevo artificio de cscrivir 
prosas y versos sin ujia de las cinco letras vocales. 
Lisboa, 1641. Houve nova edição, incluindo as 
cinco novellas n'um volume, que juntamente com 
outras seis se publicaram, com o seguinte titulo: 
Vários prodígios de amor, en once novelas exem- 
plares, nuevas, nunca vistas ni impressas. Com- 
puestas per diferentes autores, etc. Recogidas per 
Isidro de Robles, natural de Madrid, etc, Madi*id, 
1729. As primeiras 116 paginas são prehenchi- 
das com as novellas de Hen-era, cujos titules 
são : IjOs dos soles de Toledo, sin la letra A — La 
carroza com las damas, sin la letra E — La perla 
de F&rtugál, sin la letra I^La peregrina hermi- 
táiM, sin la letra O — La serrana de Cintra, sin 
la letra U. 

Alcalainha. Casal na freg. de S. Braz de Re- 
gedouro, cone. d'Evora. 

Alcalamoque. Pov. da freg. de Alvorge, cone. 
de Ancião, distr. de Leiria e bisp. de Coimbra. 

Alcalate. Herdade, na freg. de Rosário, cone. 
d' Alandroal, com. de Redondo, distr. de Évora. || 
Herdade, na freg. de Pardaes, cone. de Villa Vi- 
çosa, distr. d'Evora. 

Alcaldamento. V. Alealdamento. 

Alcalva de Baixo e de Cima. Dois casaes, 
na freg. de Santa Sophia, cone. de Montcmór-o- 
Novo, distr. d^Evora. 

Alcàlvas. Ribeira da prov. do Alemtejo. Nas- 
ce de diversas fontes e junta com a ribeira das 
Faredes e outras, fónna o rio de Monte-mór 
ou Canna. 

Alcamim* Pov. da freg. e cone. de Villa do 
Rei. 

Alcamins. Casal na freg. de S. Mathias, cone. 
e distr. d^Evora. 

Alcamins de Baixo, de Cima e do Meio. 
Três casaes na freg. e cone. d^Elvas. 

Alcaminzinhos. Casal na freg. de S. Mathias, 
cone. e distr. d'Evora. 

Alcaneça. Aldeia da prov. da Extremadura. 

155 



ALC 



ALC 



E' nomo derivado da palavra arabc AtmmrtK 
que significa lemph) de chrixtiws. 

Alcanede. Villa e freg. da prov. da Kztrema- 
dura, cone, com. e distr. de Santarém, patriarc. 
de Lisboa. d:5(>3 alm. c 66G fog. Tem escola do 
sexo masc. e est. post. permutando, malas com 
Santarém. A pov. dista 24 k. da sede do cone. 
Orago N. S.» da Purificação. Está situada junto 
k serra de Airi' ou Mandinya na encosta de um 
monte. Foi fundada pelos romanos, 150 annos 
antes de Christo. Deu-lhe foral D. Affonso I 
em 11G3, e mandou-a povoar por estar abando- 
nada. Por ordem doeste rei, reedificou o castello 
D. Gonçalo de Souza, que foi primeiro alcaide- 
mór de Alcanede, e dos mais esforçados caval- 
Iciros do seu tempo. E* pov. antiga, como o 
attesta o seu castello, fundado pelos romanos; 
conservou-se cm bom estado até 1531, mas o ter- 
remoto d'esse anno arruinou-o muito, destruindo 
a torre e barbacau. Perderam-se muitas armas 
que ficaram nas ruinas. As torres de menagem e 
albarran foram quasi de todo arrasadas. Tinha o 
castello trcs cubellos, um baluarte com ameias e 
setteiras, cisterna de cantaria, e varias casas, 
tudo rodeado de muralhas com ameias e settei- 
ras, sendo toda a construccâo de alvenaria. Na 
porta da Barreira figuravam as armas da ordem 
de Aviz. Alcanede é palavra árabe Aicandy que 
significa, sombrio, temperado, e vem do verbo 
canata, ser sombrio ou temperado. A jurisdicçao 
ecclesiastica da villa pertenceu primeiro aos fra- 
des de Santa Cruz de Coimbra, até 1300, anno 
em que a cederam á ordem de S. Bento de Aviz. 
Ignora-se quem lhe deu o primeiro foral, mas já 
o tinha no tempo de D. Aftonso I. Recebeu novo 
foral em 22 de dezembro de 1514, dado por D. 
Manuel. Tem Misericórdia, que foi começada 
pelos ofiiciaes da confraria do Espirito Santo e 
acabada por Luiz Serrão, o velho, também ofii- 
cial da dita confraria, em 1604. A egreja matriz 
foi fundada por D. Affonso I, quando reedificou 
a villa. Tem na torre as armas dos Sonsas. Eram 
alcaides-móres d'aqui os condes de Villa Nova 
de Portimão. Fica próximo d'esta villa a serra 
de Al cobertas. Formavam a villa e o seu termo 
uma rica commenda da ordem de Aviz que os 
condes de Villa Nova de Portimão desfmctaram 
até 1834. As armas da villa, segundo querem os 
seus habitantes, é: escudo bi-partido, tendo de 
um lado três torres e do outro a cruz de Aviz. 
Fundam-se, elles, segundo parece, nas armas 
da porta do castello, que se compõem de dois 
escudos, tendo um a cruz de Aviz e o outro três 
torres. 

Alcanena. Pov. e freg. da prov. da P^xtrema- 
dura, cone. e com. de Torres Novas, distr. de 
Santarém, patriarc. de Lisboa. 3:328 alm. e 561 
fog. Tem escola do sexo masc, est. post. e telegr. 
c serviço de encommendas postaes, permutando 
malas com Santarém. A pov. dista 11 k. da sede 
do cone. Orago, S. Pedro, apostolo. E* palavra 
árabe Alcaninay que significa cabaça scc^^a. 

Alcanhões. Pov. e freg. da prov. da Extrema- 
dura, cone, com. e distr. de Santarém, patriarc. 
de Lisboa. 1:870 alm. e 310 fog. Tem escolas para 
ambos os sexos, e est. post. permutando malas 
com Santarém. A pòv. dista 6 k. da sede do cone. 
Orago Santa Martíia. 

Alcântara (JJraz de). Religioso, nat. de Lis- 
boa, que viveu no século xiu. Deixou algumas 

156 



1 obras sobre Tlieologia positiva c moral, cscri- 

ptas em latim. 

Alcântara (Joào Josv. fV Alcântara, visconde 

: dej Antigo deputado. N. em Elvas, a 6 de março 

de 1827. Era filho de José Maria d' Alcântara, 

tenente de infantai'ia, casado com D. Felicidade 

Perpetua. Casou com D. Adelaide Theolinda 

I Callado, que fallcceu em Elvas, a 26 de julho de 

: 1857; passou cm segundas núpcias a 3 de maio 

, de 1859, com D. JuIia Rosa da Cunha, filha de 

João Jacques da Cunha, general de divisão re- 

^ formado, e de sua mulher, D. Maria Cândida da 

Cunha. O titulo foi concedido por Decreto de 26 

de dezembro de 1878, e Carta de 8 de janeiro de 

, 1859. 

' . Alcântara (Pedro de). Frade franciscano da 
, provincia da Arrábida, leitor de theologia e 
examinador apostólico e synodal do patriarchado 
I de Lisboa; era pregador régio e muito afamado. 
' Floresceu no século xviii e parte do século zix. 
\ Tornou-se mais conhecido pelo sermão pregado 
' nas exéquias do marquez de Marialva, em 1825. 
i no convento de S. Pedro d'Alcantara. Este ser- 
mão está impresso. 
I Alcântara. Freg. pertencente ao 4.** bairro de 
I Lisboa. E' celebre pela batalha que alli se deu 
' entre os soldados de D. António, prior do Crato, 
e o exercito do duque d' Alba, e pelos combates 
I com os francezes em 1809. Orago S. Pedro, apos- 
tolo. Junto ao logar onde estiveram as barreiras 
I da cidade, existia uma ponte que atravessava o 
! rio de Alcântara, e na qual se erguia uma gran- 
I de estatua representando S. JoSS Nepomuceno, 
! obra do italiano João António de Pádua. Foi col- 
I locada alli no anno de 1743 quando se alargou a 
I ponte. No pedestal da estatua mandaram os mo- 
I radores do bairro gravar a inscripção seguinte : 

8. JO.VXNI NEPOMI CKNO 
NnVO OHHIH THAUMATIROO, TI-HIRAE 
I AQIIS, IGM, CERIQIK IMPKRANTI, 

ADgiK CTM ALIAB TIM PRíKESERTIM 

IN ITIXERK MARÍTIMO I.ircrLF.STO 

8U8PITATORI 81 O C.RATI ANIMI 

ERíiO HANC HTATUAM CLIEN'8 

i IH:V0TI88. AN. REPARAT. SALIT 

MDCCXLIII 

I João António de Pádua afez 

\ Este esculptor deixou no reino varias obras 
; importantes, taos como : a capella-mór da egre- 
ja de S. Domingos, os púlpitos da egreja de 
j Santo Antão de Lisboa, e as virgens da ca- 
I pella-mór da sé d'Evora. Pádua foi muito au- 
j xiliado pelo esculptor, também italiano, Pedro 
I António Luques, a quem devia, em grande 
; parte, o mérito das suas obras. Da influencia que 
o devoto lhe attribue sobre o mar, p<Sde con- 
I cluir-se que o milagre que deu causa á cons- 
truccâo d'aquelle monumento, foi obtido em al- 
guma tempestade, cujos náufragos se salvaram. 
Com o alargamento da cidade até Algés, Alcân- 
tara ficou pertencendo a Lisboa, e reformando-se 
toda aquella localidade, a estatua foi d'alli re- 
movida. Alcântara era um sitio quasi despovoado 
até 1640. Depois da restauração, é que se tomou 
I mais concorrido com a permanência de D. João IV, 
que estabeleceu alli a sua residência. (V. Palácio 
I i Alcântara). Já antes do terremoto de 1755, se 
; tinlia coHstituido um bairro, transformando-se cm 



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parochia, depois d*aquella catastroplie. A palavra 
Alcântara deriva-sc do árabe Al-cantara^ que 
quer dizer a ponte. Está estabelecida n^esta lo- 
calidade, ha muitos annos, a Escola norma); para 
o sexo feminino, tendo annexa outra escola para 
estado das professoras. Y. Lisboa, freguezias. 

Alcântara (Batalha de). Foi em 25 d'agosto 
de 1580, que se deu esta notável batalha na ponte 
d*Alcantara, em que o exercito de D. António, 
prior do Crato, ficou vencido. O duque d' Alba, 
general de Filippe II de Hespanha, estando em 
Setúbal, deixou alli uma valente miarnição, e 
veia com destino a Lisboa, desembarcando em 
Cascaes com um numeroso exercito no dia 20 do 
referido mez d'agosto. Começou logo por atacar 
furiosamente as fortificações d'aquella villa. Era 
então senhor de Cascaes, D. António de Castro 
que tomara o partido de Castella Diz-se que toi 
por traição doesse fidalgo que o general nespa- 
nhol se resolveu a atacar os fortes de Cascaes 
antes de vir a Lisboa, promettendo nâo consen- 
tir que a villa fosse saqueada; porém, depois das 
fortificações tomadas, a villa soíFreu um saque 
geral, nada escapando á fúria dos invasores. Era | 
governador da praça o valente capitão d' Africa, 
D. Diogo de Menezes, que seguia o partido do 
prior do Crato. As forças de que, infelizmente, 
dispunha, constavam apenas de 2:000 homens, e 
apesar de renhido combate, teve de succumbir 
na lucta, sendo feito prisioneiro, soffrendo pouco 
depois a morte, a que fora coudemnado, de lhe 
ser decepada a cabeça na praça da mesma villa. 
As torres de S. Julião da Barra e do Bugio ren- 
deram-se também por traição, em seguida a de 
Belém e a de Caparica. Pelo Tejo acima entra- 
ram então Gl navios de que se compunha a es- 
quadra hespanhola, e foram fundear mesmo de- 
fronte de Lisboa. D. António achava-se n'esta 
cidade com o seu pequeno exercito, mas resolvido 
a tentar um lance desesperado, apesar da desi- 
gualdade das forças, para conseguir a posse da 
coroa de Portugal a que era pretendente, ou a 
vender cara a sua vida. N'aquclla época, Alcân- 
tara ficava muito distante da cidade, porque os 
terrenos desde aquelle ponto, Pampulha e Boa 
Vista, não passavam de um arrabalde de Lisboa. 
O pequeno exercito portuguez apoiava o seu 
flanco direito nos olivaes e arvoredos, hoje atra- 
vessados pelo aqueducto das Aguas Livres, e o 
flanco esquerdo no Tejo, onde a nossa esquadra, 
composta de 3G navios, o protegia com o togo da 
sua artilharia, collocada, para ser mais útil, em 
cima de pranchões de madeira. A praça d'armas da 
nossa linha era em frente da ponte d*Alcantara, 
e estava fortificada o melhor possível. A posição 
era boa, mas as forças muito limitadas e com 
pouca disciplina, emquanto que as forcas hcspa- 
nholas eram muito superiores e dirigiaas por um 
hábil e estratégico general, como era o duque 
d* Alba. Na manhã de 25 d^agosto, a artilharia 
hespanhola rompeu o fogo, sob o commando de 
D. Pramés de Alava. Os portuguezes facilmente 
cederam e recuaram; as forças que guarneciam 
a ponte foram desalojadas. No entretanto, os mos- 
queteiros portuguezes, entrincheirados n'uma pc- 
quenflí fortificação, metralhavam os assaltantes, 
e fir. Estevam Pinheiro, empunhando um cruci- 
fixo, animava os desanimados belligerantes a que 
voltassem ás suas posições. A victoria tornou-se 
n*estc ponto indecisa, todavia, as operações do 

VOL. I — FL. 20 



inimiffo continuaram, e as forças portuguezas, 
quando menos o esperavam, acharam-se sitiadas. 
D. António, porém, queria morrer como soldado, 
já que não pudera vencer como general. For- 
mando um esquadrão dos seus mais valorosos e 
destemidos soldados, precipitou-se sobre os hcs- 
panhoes, e teve por instantes a ponte novamente 
em seu poder, chegando a levar de vencida os 
hespanhoes até á margem direita d'Alcantara. 
Sobrevieram as forças de D. Fernando de To- 
ledo, e a divisão portugueza fugiu, vindo á sua 
frente o próprio D. António, já ferido, que seguiu 
na direcção de Santarém. (V. D. António^ prior 
do Crato). A batalha não chegou adurarumaliora, 
nem a esquadra portugueza chegou a entrar em 
acção, porque os que a commandavam, ou se en- 
tregaram ou se venderam. A perda d'esta bata- 
lha franqueou aos invasores a entrada em Lis- 
boa, entregando o reino durante GO aunos ao 
dominio de Hespanha. 

Alcântara (Convento das Flameirgas cm). Este 
convento foi fundado em 1582, por Filippe II 
de Hespanha e I de Portugal, para recolher 32 
freiras clarissas, pertencentes a um convento 
d'Anvers (Flandres) d'onde tinham fugido, vindo 
para Lisboa. A seita de Luthcro propagara-se 
em Allemanha e nos Paizes-Baixos, sendo expul- 
sas d'estes paizes, ou assassinadas, muitas religio- 
sas, e mais pessoas contrarias ás novas doutrinas 
lutheranas. As fugitivas espalharam-se por di- 
versos paizes, deixando os conventos da sua pá- 
tria abandonados á rapina e ao vandalismo. O 
convento ficou conhecido pelas FlamemjnSf cuja 
egrcja ainda hoje existe. 

Alcântara (Forte de). Foi edificado em 1650 
por occasião das guerras da Independência. í>a 
também conhecido pelo forte do Sacramento. En- 
trou no plano das obras de dcfeza dirigidas pelos 
engenheiros João Gilot, hollandez, Legarg, fran- 
j cez, João Cosmander, jesuita belga, e superin- 

■ tendidas pelo primeiro marquez de Marialva, D. 
1 António Luiz de Menezes, ao qual pertencia o 

terreno em que o forte foi construído. Este ter- 
' reno fazia parte da quinta c casa, onde o mar- 
quez, então ainda conde de Cantanhede, residiu 
desde 1G35 até á data da restauração em 1 de 
I dezembro de 1640. N'esta quinta é que os conju- 

■ rados se reuniram debaixo d'uma copada arvore, 
quasi na margem direita do Tejo, quando cm 
1638 D. António Luiz de Menezes promoveu uma 
conspiração contra o usurpador castelhano. A 
conspiração abortou, mas a arvore ainda existia 
ha pouco tempo na muralha, recordando a ten- 
tativa, que infelizmente se mallograra. O terre- 
moto de 1755 arruinou muito o forte d'Alcantara, 
que já hoje não existe. 

Alcântara (Palácio de). Está situado a pouca 
distancia das antigas portas da cidade, e fron- 
teiro ao convento das Flamengas. E* também co- 
nhecido pelo nome de palácio do Calvário, por 
se chamar assim o largo onde foi edificado. E' de 
modesta architectura, mas de valor histórico. Não 
se sabe ao certo quem foi o fundador, julga-se ter 
sido um portuguez distincto, a quem Filippe II 
de Hespanha o sequestrou, ao apodcrar-se de 
Portugal. Até á época da restaurayão de 1640, 
esteve dcshabitado ; D. João IV alli residiu por 
vezes, dando jantares e ceias que se tornaram 
muito celebradas, e de que as chronicas nos dão 
noticia. Entre as ceias e os jantares contam os 

157 



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chronistas a ceia da véspera de S. João de 165tí, 
que importou em 3^453 réiç, e o jantar do dia 
seguiute, (jiie importou em 491^180 réis. Custava 
ii'aquella época, cada pão 10 réis, um quartilho 
d'azeite 30 rs., um arrátel de toucinho 35 rs., um 
dito de manteiga 45 rs., e um de linçua 25 róis. 
No palácio d'Alcantara residiu D. Àffonso VI, 
para onde partiu em 21 de junho de 1662; u*esse 
mesmo dia se expediram cartas a todos os altos 
fíinccionarios, magistrados c fidalgos, para que 
assistissem ao acto da sua posse. l). Catharina, 
filha de D. João IV, c que foi rainha de Ingla- 
terra, por ter casado com o rei Carlos II, tam- 
bém morou no palácio d'Alcantara, em 1693, 
quando voltou para o reino, depois de ter en- 
viuvado. Aquelfa residência real era predilecta 
de D. Pedro II, que o habitava parte do anno, 
cmquanto foi regente, e ainda depois de ser rei, 
fallecendo alli a 6 de dezembro de 1706. O palá- 
cio d*Alcantara soffreu muitissimo com o terre- 
moto de 1755. Mais tarde, tendo sido recons- 
truido, cederam-no a Francisco José Dias, para 
alli estabelecer uma fabrica de chitas, mas não se 
chegando a estabelecer a fabrica, voltou para a 
coroa, em 1808, ficando então servindo de habi- 
tação gratuita a algumas viuvas c a alguns crea- 
dos da Casa Real. O palácio tem quinta com seu 
jardim, horta e um grande tanque. Nas suas co- 
cheiras, que são muito vastas, estavam deposita- 
dos os antiquissimos coches reaes, que serviam 
na festividade da pregação da Bulia da Santa 
Cruzada, que se fazia na egreja de S. Roque com 
grandiosa pompa, e a que assistia a principal 
nobreza do reino. Hoje esses coches guardam-se 
n'um barracão da calçada d' Ajuda. N'aquelle edi- 
ficio esteve ha annos estabelecida a fabrica de 
tabacos Vasco da Gama, depois uma fabrica de 
camisolas e outras fazendas de tecidos de lã ; mais 
tarde um deposito de farinhas da bem conhecida 
fabrica de bolachas da firma Conceição e Silva, 
e ultimamente o Club de Lí«òoa, sociedade de re- 
creio, onde se deram recitas e grandes bailes, que 
por ordem superior ha pouco tempo foi mandado 
fechar. Nas lojas houve em tempo um posto 
policial e um de scr\'iço de incêndios •, hoje ape- 
nas existe uma cocheira de trens d'aluguer. A 
propriedade foi vendida ao sr. Conceição e Silva, 
que é o actual proprietário. Diz-se que a antiga 
Companhia de Carruagens Lisbouenses a preten- 
deu comprar para mudar para alli o seu impor- 
tante estabelecimento. 

Alcântara Chaves (Pedro Carlos de). Jorna- 
lista 6 escriptor dramático. N. em Lisboa, a 26 
de julho de 1829 ; era filho de Basilio José Cha- 
ves, typographo. Concluiu os estudos primários, e 
tendo de seguir, por falta de recursos, a profissão 
de seu pae, entrou na Imprensa Nacional, como 
aprendiz, a 26 de julho de 1842 ; aprendeu a arte 
typograpliica, que exerceu por alguns annos, tanto 
ali como em outras ofiicinas, até 1855, anno em 

Sue entrou como ponto para o antigo theatro da 
lua dos Condes. Mais tarde foi também ensaia- 
dor, chegando a exercer esse logar ao lado do 
grande actor e mestre da arte, José Carlos dos 
Santos. Sendo sempre muito amigo da vida dos i 
bastidores e da litteratura amena, começou a dedi- i 
car-se ás letras, c em 1846 publicou em um jornal ; 
da época, um artigo intitulado A (floria. Então | 
tornou-se collaboraaor do Jardim literário, Ecco ; 
dos operários, Apollo, Revista jjnpular. Ar chivof a- [ 

158 



miliar. Jornal para todos, líecrcio familiar, Port»- 
gal Litterario, Semajia, Progresso, Federação, Jus- 
tiça, etc. N'este ultimo jornal foi também revisor 
e traductor das noticias estrangeiras. Como es- 
criptor dramático, tornou-se muito popular. £* 
longo o seu reportório, na maior parte represen- 
tado nos antigos theatros da Rua dos Condes e 
Variedades. Era muito excêntrico, mesmo no pró- 
prio vestuário, que só largava quando o via com- 
pletamente usado. Afastava-se sempre dos pri- 
meiros artistas do theatro, preferindo acompanhar 
só com os discipulos e empregados inferiores. 
Era muito estimado, e no theatro todos o trata- 
vam pelo pae Chaves, pela afabilidade e franque- 
za do seu trato. Foi director de sceua d'alguns 
theatros, e no fim da vida ainda exerceu o logar 
de contra-regra, até que em 1891 adoeceu gra- 
vemente, e sobrevindo-lhe uma paralysia, falle- 
ceu em Belém, a 18 de setembro de 1893. Alcân- 
tara Chaves foi, inegavelmente, um escriptor 
dramático muito popular nos theatros de se- 
gunda ordem, e muito querido das platéas. Es- 
creveu : comedias em 1 acto : A vieinha Mar- 
garida, Martyrios e Posas, O Ensaio geral. Con- 
sequências d*um baile de mascaras, Más tentações, 
O Poeta casado, O Casamento da Descasca-milhúf 
O baptisado do Desc<isca-milho, Morte do Des- 
casca-milho, Aindn oDescasca-millw, Campanolo- 
gos portuguezes; entrcactos; A Esperança, Querem 
ser artistas. Mudança de posição, O Descasca-mi- 
Iho; em 2 actos : Culpa e perdão, O Milagre de 
N. S.* da Nazareth ; em 3 actos ; Hospedaria do 
Inferiu), Honra e pobreza, Os Marlyres da Polónia; 
cm 4 actos : Garibaldi : scenas cómicas : Um actor 
passando o beneficio, o Passarinho, osr. João Fer- 
nandes em procura diurna posição social, o Mestre 
Gaspar Caveira, O Manei d^ Abalada assistindo á 
Probidade, Revista do anno de J859, Revista do 
anno de 1S60, Lnizinha a Leiteira, Um como tan- 
tos, A arte nãtt tem jxiiz, Aventuras do sr. Darna- 
bé da Esperança, Provas jmblicasj O homem das 
fatalidades, Tomada de Tetuãj), Uma actriz pas- 
sando o beneficio. Por causa dos senhorios, Uma 
victima dos hilogrammas, O provinciano em Lisboa. 
Escreveu também varias poesias que se recitaram 
no theatro e traduziu as Memorias de Garibaldi^ 
em 3 volumes. 

Alcantarilha (Sebastião José de Mendonça, ÍJ* 
barão de). Commendador da ordem de Christo, 
capitão honorário do extineto batalhão nacional 
de Faro, habilitado com os estudos preparatórios 
para a Universidade de Coimbra, e com o curso 
do 1.° anno juridico ; proprietário nos concelhos 
de Silves e de Faro. N. a 15 de janeiro de 1809, 
era filho de José António de Mendonça, proprietá- 
rio, e de J). Angélica Rosa da Conceição Cabrita e 
Mendonça. O barão d'Alcantarilha casou em de- 
zembro de 1835 com D. Rita Augusta de Ma- 
cedo Ortigão e Mendonça, filha do major António 
Joaquim de Ramalho Ortigão e de D. Marianna 
Rita de Macedo e Brito Ortigão. O decreto con- 
cedendo o titulo de barão em sua vida tem a 
data de 17 de Junho de 1869, e a carta a de 21 
do referido mez e anno. Tem o seguinte brazão, 
concedido no Brazil a seu irmão, o barão de Ja- 
raguá por alvará de 22 d'agosto de 1861 : um es- 
cudo osquartelado ; no primeiro quartel as armas 
dos Mendouças, que são — o escudo fninxado, no 
primeiro verde unia banda vermelha coticada do 
oiro ; no sogundo um S preto em campo d*oiro, e as- 



ALO 



ALC 



sim os contrários; no segundo as dos Vieiras — cm 
campo vermelho seis vieiras de oiro em duas pa- 
las ; no terceiíx) as dos Mattos — em campo ver- 
melho um pinheiro verde, com fructos, perfis e 
raizes de oiro entre dois leões do mesmo metal, 
armados de azul; no quarto, as dos Moreiras — 
* em campo vermelho nove escude tes de prata, so 
bro cada um sua cruz verde floreteada como as 
de Aviz, em três palas — Timbre — uma aza de 
oiro e sobre ella um 8 como os do escudo, e por 
differença uma brica de prata com um S preto. 
Alcantarilha. Pov. e freg. da prov. do Algar- 
ve, cone. c com. de Silves, distr. de Faro, bisp. do 
Algarve. 4:529 alm. 922 fog. Tem Misericórdia, 
esi*olas para ambos os sexos, e est. post. permu- 
tando malas com Faro e Lagos. A pov, dista 
18 k. da sede do cone. Orago N. S.* da Concei- 

Sâo. Está a pov. situada n'um alto, entre arvore- 
os, com boas ruas e uma egreja de construcção 
moderna. Foi rodeada de muros, de que ainda 
existem vestigios, feitos em 1550, para defender 
a pov. dos assaltos dos piratas barbarescos. Tem 
um castello com o nome de Santo António. Havia 
uma porta chamada da Villa, que foi demolida, 
para com a pedra se construir uma ponte sobre 
as ruinas da antiga. A egreja da Misericórdia, 
tem irmandade e uma capella dedicada a N. S." 
do Carmo onde costuma fazer-se uma grande 
festa. Passa perto d'aqui a ribeira da Enxurrada 
que se aproveita para moer e regar. |j Ribeira 
que nasce na freg. de Alte, no Algarve. Tem um 
curso de 30 k. e desagua no Oceano. 

Alça Pé. Sitio da freg. de S. Domingos, cone. 
de 8. Thiago do Cacem. 

Alçapema. Pov. da freg. da Foz de Aroucc, 
cone. de Louzã. 

Alcaraboaea. Ribeira affluente do Chança, 
onde entra a 5 k. de Villa Verde de Ficalno, 
cone. de Serpa. O seu curso é de 15 kilometros. 

Alcarache. Ribeiro afUuente do Guiidiana. 
Nasce* na freg. de Amarelleja, cone. de Moura, e 
percorre uma extensão de 2Ò kilometros. 

Alçarão de Cima. Pov. da freg. de Sant*Anna 
do Campo, cone. d'Arraiollos, distr. d'Evora. 
" Alcaraplnha IJoão de). Religioso portuguez, 
nat. do logar d'aquelle nome. Recebeu o habito 
da província da Piedade. Escreveu : Memorial da 
Pravincia da Piedade. 

Alcaraplnba. Casal na freg. de Villa Fernan- 
do, cone. d'Elvas. 

Alcaravào. Nome de algumas pequenas po- 
voações de Portugal. 

iUcaravella. Pov. e freg. da prov. de Beira 
Baixa, cone. do Sardoal, com. de Aorantcs. distr. 
de Santarém, bisp. de Portalegre. 1:055 alm. e 
208 fog. Tem escola do sexo masc. A pov. dista 
4 k. da sede do cone. Orago Santa Clara. 

Alcaraviça. Ribeira da prov. do Alemtejo. 
Nasce no termo de Borba, de varias fontes. Tem 
uma fonte de cantaria na freg. de Orada. Atra- 
vessa as freguezias de S." António e da Barrosa, 
c desde ahi toma o nome de Sorraya; recebe varias 
ribeiras e desagua no Tejo, abaixo da Barrosa. 

Alcarea. Pov. na freg. de Santo Quintino, 
cone. de Sobral de MonfAgraço. 

Alcari Alta. Pov. da freg. de Cachopo, cone. 
de Tavira, distr. de Faro, bisp. do Algarve. 

Alçaria. Pov. c freg. da prov. da Beira Baixa 
cone. c com. de Fundão, distr. de Castello Bran- 
co, bisp. da Guarda. 9(jG alm. c 170 fog. Tem es- 



cola do sexo masc. e caixa post. A pov. dista 10 
k. da sede do cone. Orago S. João Baptista. || Pov. 
e freg. da prov. da Estremadura, cone. e com. de 
Porto de Moz, distr. de Leiria, patriarc. de Lis- 
boa. 553 alm. e 116 fog. Tem escola do sexo masc. 
A pov. dista 6 k da sede do cone. Orago N. S.* 
dos Prazeres. Alçaria deriva-se da palavra árabe 
caria que significa villa, aldeia, povoação. Os hes- 
panhoes usam do termo alqueria para designar 
aldeia ou casa de campo. Está situada n'um valle 
próximo da serra do Patêllo. Tem um grande pe- 
nhasco natural, a que chamam o Castello, com 
1:500 metros de comprido, e onde existe uma 
gruta sempre cheia d'agua frigidissima. || Pov. 
na freg. de Pombeiro, cone. d' Arganil, distr. de 
Coimbra. || Pov. na freg. de Campía, cone. de 
Vouzella. |l Pov. na freg. de Villa Chã, cone. de 
Pombal. IJ Pov na freg. de Selmes cone. de Vidi- 
gueira, distr. de Beja. || Pov. na freg. de S. Bar- 
nabé, cone. d*Almodovar, distr. de Beja. |] Pov. 
na freg. do Espirito Santo, cone. de Mertola, 
distr. de Beja. || Pov. na freg. e cone. d'Aljezur. 
II Pov. na freg. de Odeleite, cone. de Castro Ma- 
rim, distr. de Faro. || Pov. na freg. de Boliqueime, 
cone. do Loulé, distr. de Faro. || Pov. na freg. de 
Santo Quintino, cone. de Sobral de Mont'Agraço. 
II Serra no distr. de Beja. Ramificação da Serra 
do Caldeirão. Altura 321 m., extensão 30 k. Dá 
origem ao rio Asaeca. \\ Casal na freg. da Serra, 
cone. de Grândola, com. d'Alcacer do Sal, distr. de 
Lisboa. '! Casal na freg. de Rio de Moinhos, com. 
de Borba, com. de Villa Viçosa, distr. d'Evora. 
Jj Casal na freg. de S. Braz d'Alportel, cone. de 
Faro. ;| Casal na freg. de Salir cone. de Loulé, 
distr. de Faro. || Quinta na freg. de Pontevel, 
cone. do Cartaxo, distr. de Santarém. || Casal na 
freg. e cone. d^Ourique. || Herdade na freg. e cone. 
de Moura. | Sitio na freg. e cone. d'Odemira. i| 
Sitio na freg. e cone. de Castro Marim, jj Herdade 
na freg. e cone. de Monchique. 

Alçaria Alta. Pov. da freg. de Giões, cone. 
de Alcoutim, distr. de Faro. 

Alçaria Alta e Baixa. Pov.» na freg. de Ca- 
chopo, cone. de Tavira, distr. de Faro. 

Alcatraz. Cabo ou ponta na extremidade sul 
da ilha do Fogo, ou de S. Filippe, no archip. de 
Cabo Verde, Africa Occidental. 

Alçaria do Alto. Sitio na freg. e cone. d'Odc- 
mira. 

Alçaria de Baixo e de Cima. Sitios na freg- 
de S. Domingos, cone. de S. Thiago do Cacem, 
distr. de Lisboa. 

Alçaria do Banho. Sitio e freg. do cone. de 
Monchique. 

Alçaria Branca. Pov. na freg. de Estoy, cone. 
de Faro. 

Alçaria do Clemente. Casal na freg. de Fonte 
do Bispo, cone. de Tavira, distr. de Faro. 

Alçaria Cova. (.'asai na freg. de Santa Clara 
a Velha, cone. de Odemira, distr. de Beja. 

Alçaria do Gume. Pov. na freg. de Fonte do 
Bispo. cone. de Tavira, distr. de Faro. 

Alçaria Formosa. Casal na freg. de S. Thco- 
tonio, cone. d'()demira, distr. de Bíya. 

Alçaria Fria. Pov. da freg. de Fonte do Bis- 
po, cone. de Tavira, distr. de Faro. 

Alçaria do Gato. Pov. da freg. de Qucrença, 
cone. de I^oulé, distr. de Faro. 

Alçaria do João. Pov. na freg. d' Al te, cone. 
de Loulé, distr. de Faro. 

159 



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Alçaria do Judeu. Herdade na freg. das Re- 
líquias, coDc. d*Odcmira, distr. de Beja. 

Alçaria Longa. Pov. da freg. de S. Miguel 
do Pinheiro, cone. de Mertola, distr. de Beja. 

Alçaria do Melo. Sitio na freg. de S. Domin- 
gos, cone. de S. Thiago do Cacem, distr. de Lis- 
boa. 

Alçaria Nova. Pov. na freg. das Amoreiras, 
cone. d'Odemira. 

Alçaria do Pedro Guerreiro. Casal na freg. 
de Cachopo, cone. de Tavira, distr. de Faro- 

Alcarla Queimada. Pov. da freg. de Vaquei- 
ros, cone. de Alcoutim. 

Alçaria Ruiva. Pov. e freg. da prov. do Alem- 
tejo, cone. e com. de Mertola, distr. e bisp. de 
Beja. 1:666 alm. 416 fog. A pov. dista 8 k. da se- 
de do cone. Orago N. §.■ da Conceição. Está si- 
tuada n*um alto na serra do mesmo nome. Teve 
imia albergaria que se vendeu. A capella de N. 
S.* d'Ara-Coeli está situada n'um monte elevado, 
sobre um penhasco, e pertence á freg. de Ta- 
bueira. Ha a capella de N. S.* da Cabeça, sobre 
o rio Terjes, que passa n*esta freguezia. Tem 
uma fonte medicinal, que nasce n'iun penhasco 
perto da capella de N. S.* da Conceição. Vêem- 
se ainda no alto d^um rochedo- os restos de um 
grande edifício, que dizem ter sido lun castello 
árabe. Também sobre o rio Terjes se vêem 
ruinas de edificações, que se suppõe, serem d'al- 
Çuma povoação romana ou árabe. Passa n^esta 
freg. o rio Alvacarejo e Alvacar e o ribeiro do 
Seixo. II Serra da prov. do Alemtejo, cone. de Mer- 
tola. E' saudável e possue bastante agua. E* em 
f»arte cultivada. Tem çado grosso e miúdo, e caça. 
)escobrem-se d'aqui Beja, Serpa, Castro Verde e 
alguns campos de Hespauha. Possue algumas la- 
goas, pequenas, mas só a da Atabúa conserva a agua 
de verão. Lança dois braços, um chamado /Serra-da- 
Olva e outro Serra-do-Gato. Cria viboras, gatos 
bravos, rapozas e lobos. Existem aqui os seguin- 
tes legares : Alcaria-Buiva, Càrte-da-Vdha, Cor- 
te do-Gafo -de- Baixo e Córte-de-Gafo de-Cima. 

Alçaria da Vacca. Casal na freg. do S. Theo- 
toúio, cone. d'Odemira, distr. de Faro. 

Alçarias. Pov. na freg. de S. João Baptista 
de Gestaçó, cone. de Baião, distr. do Porto. || Pov. 
na freg. de S. Domingos, cone. de S. Thiago do 
Cacem, distr. de Lisboa. || Pov. na freg. de Villa 
Ruiva, cone. de Cuba, distr. e bisp, de Beja. || 
Pov. da freg. de S. Marcos de Ataboeira, cone 
de Castro Verde, distr. de Beja. || Aldeia na freg. 
de Santa Barbara dos Padrões, cone. de Castro 
Verde, com. d'Almodovar, distr. e bisp. de Beja. 
II Aldeia na freg. da Conceição, cone. d'Ourique. 
distr. de Beja. || Casal na freg. e cone. d'Almodo- 
var. II Casal na freg. de Paderne, cone. d'Albu- 
feira, distr. de Faro, bisp. do Alçarve. |J Casal na 
freg. da Fonte do Bispo, cone. de Tavira, distr. 
de Faro. 

Alçarias Altas. Casal na freg. de Gomes Aires, 
cone. d*Almodovar, distr. de Beja. 

Alçarias Baixas. Pov. da freg. de Cachopo, 
cone. de Tavira, distr. de Faro. 

Alçarias Covas. Pov. da freg. do Pereiro, 
cone. de Alcoutim, distr. de Faro, bisp. do Al- 
garve. 

Alçarias Grandes. Pov. da freg. do Azinhal, 
cone. de Castro Marim, distr. de Faro. 

Alçarias de Pedro Guerreiro. Pov. da frçg. 
de Cachopo, cone. de Tavira, distr. de Faro. 

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Alçarias Pequenas. Pov. da freg. do Azinhal, 
cone. de Castro Marim, distr. de Faro. 

Alcarida. Sitio o quinta, na freg. de Ponte- 
vel, cone. do Cartaxo, distr. de Santarém, pa- 
triarchado de Lisboa. 

Alcaron de Baixo e de Cima. Casaes na freg. 
de S. Paulo de Pavia, cone- de Mora. 

Alcarouvisca. Ribeira do Alemteio ; nasce no 
outeiro da Pena, termo do Redondo, engrossa 
com as ribeiras de Valle de Vasco e outras, e 
morre no rio Pardiellos, próximo de Vallonge. 

Alcarrache. Ribeira da prov. do Alemtejo. 
Nasce perto da serra de S.* Maria, em Hespanha, 
d'uma fonte que denominam Tinaja. Tem 90 k. 
de curso e morre no Guadiana. Possue uma ponte 
de cantaria, na freg. de S. Leonardo, com as ar- 
mas de Portugal n\im padrão, e outra também 
de cantaria na frg. de N. S.* da Luz, Alcarrache 
é corrupção da palavra árabe Alcarraquc que 
significa o egual, o moderado. 

Alcarraques. Pov. da freg. deTrouxemil,conc. 
de Coimbra. 

Alcarva. Pov. da freg. de S. Martinho de Ba- 
nhados, cone, de Meda. distr. da Guarda. 

Alças. Pov. na freg. de Monçós, cone. de Vilia 
Real. 

Alcatruz. Casal na freg. da Casa Branca, 
cone. de Souzel, distr. de Portalegre. || Rio pe- 
Queno da prov. da Beira Baixa. Nasce na fonte 
aos Meios, e morre no rio TemiloboSf por baixo 
de Travanca, cone. de Armamar. Tem 2 k. de 
curso. 

Alcieira das Lojas e do Pinheiro. Duas pov." 
na freg. de Cepões, cone. de Vizeu. 

Alcôa. Rio que se chamava antigamente Goa. 
Nasce na serra dos Mulianos, que e uma ramifi- 
cação da serra d' Albardes, no sitio chamado Po- 
ços de S. João. Corre até á aldeia de Chaquêda, 
da qual toma o nome, até á cerca do convento 
de Alcobaça, onde se divide em dois braços que 
se juntam, uuindo-se depois no meio da villa, ao 
Baça. Continuam pelos Campos da Maiorca, e 
fonnando uma lagoa, chamada da Pederneira, 
perdem-se no mar. Tem diversas pontes, sendo: 
3 de pedra dentro de Alcobaça, e outra fora, al- 
gumas de madeira, outra de pedra, perto de Cha- 
quêda, que faz travessia para o convento dos 
Arrabidos. Tem um curso de 30 kilometros. 

Alcoba. Serra da prov. do Douro, a que hoie 
chamam Bvssaco. (V. este nome). E* palavra do 
árabe, Alcobba (|ue significa torrinha. A serra 
d^ Alcoba como antigamente lhe chamavam, ou 
Bussaco, como se diz hoje, tem ramificações nas 
seguintes serras: Monte-Muro, Tranqueira, Cas- 
tro, S. Macário, Parnaval, Arouca, Inre